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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

2008, O ANO DO PLANETA


Artigo de Jair Donato

Conta-se que há mais de 200 anos, uma índia fez a seguinte profecia: "Um dia a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas, vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos guerreiros do arco-íris."

A cultura nativa, como a dos indígenas, em que a caça, a pesca, o derrubada de árvores eram apenas para a sobrevivência, sem o olho gordo mercantilista, certamente não colocaria o clima e a condição do planeta em risco em tão pouco tempo. Apenas quero dizer que muito se perdeu de ética e princípios de respeito à natureza em nome de um falso crescimento, que compromete a qualidade da vida no planeta.

Faz parte da cultura de quem segue o calendário gregoriano, a consideração do primeiro dia de janeiro como o início de um novo ciclo. Muitos programam novos objetivos e mudam as metas. Outros refletem sobre o que fez no ano que se finda. Para 2008 é importante seja acrescentado como item primordial no projeto de vida pessoal, em curto, médio e longo prazo, mais ações efetivas em prol do planeta. Em 2007 as discussões sobre as mudanças climáticas foram importantes. No entanto, isso foi apenas um princípio do que precisa ser fomentado dia-a-dia.

A partir de agora, temos que nos ocupar com ações, por mínimas que sejam, no intuito de minimizar todo o impacto que temos como alerta, que o planeta talvez possa não suportar. Certamente, a Terra não vai acabar tão cedo, mas ele reage e tem os próprios mecanismos de defesa, a ponto de colocar em risco a vida de todos os que nela vivem. Que cada pense no bem comum e contribua. A melhor notícia é que ainda dá tempo.

O ser humano geralmente alimenta dois pensamentos, numa visão maniqueísta, como apregoou Mani, profeta persa que viveu no século III d.C., sobre o embate entre o bem e o mal. O primeiro é positivo, que preserva, recicla, valoriza a vida. O segundo, que alimenta interesses individualistas, é o que destrói, queima, desmata, acaba com o que é vivo. São pensamentos que através da atitude, se concretizam e provocam os resultados concernentes.

Certa vez, um velho índio americano descreveu os conflitos que tinha dizendo que dentro dele havia dois cachorros, um deles era cruel e mau. O outro era muito bom. Os dois brigavam constantemente. Perguntaram-lhe, então, que cachorro costumava ganhar as brigas. O ancião parou, pensou, sorriu e respondeu: Aquele que eu alimento mais freqüentemente.

Gostaria de fazer uma analogia dessa história com a consciência ecológica do homem, entre preservar, conservar ou destruir. Então, qual destes comportamentos vai prevalecer em você em 2008? Certamente, será aquele que for alimentado todos os dias. Estimo que tenha sabedoria suficiente para distinguir o que vai servir para o bem comum e do planeta.

Daqui por diante, que todos os anos sejam o ‘ano do planeta’. Para isso precisamos rever todos os nossos hábitos, como os conceitos antigos sobre o ganho econômico, o uso irracional dos recursos naturais, da energia, da água, do solo, dos vegetais, das florestas, da exploração das espécies e de tudo que tiver vida ao nosso redor. Em 2008, que nossas ações sejam em prol do verde com a esperança de um mundo melhor.

Anseio também por ver esse pensamento se estender pelo inconsciente e consciente coletivo da humanidade e que se reverta em práticas ecologicamente corretas e sustentáveis. Que o novo ciclo não seja apenas cronológico. Que seja uma nova era de mudança interior e de consciência ética, moral e espiritual mais elevada.

Talvez, esta seja a primeira vez na história, que a humanidade toda precisa focar em um único objetivo coletivamente, salvar o planeta. O mundo precisa agora do esforço de cada um para atingir o resultado que beneficiará a todos. Esse pode ser o caminho mais adequado para concretizar a paz mundial.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

MANCHETE PARA 2030


Artigo de Jair Donato

Enfim, o planeta respira melhor. O mundo conseguiu reduzir o nível de CO² na atmosfera a um percentual anterior à década de 1970. Graças à fiscalização eficaz dos governos, houve controle das queimadas, dos desmatamentos e foram implementadas novas medidas para proteção e conservação ambiental. A Amazônia agora já e um patrimônio que pertence à consciência de todos. As nascentes que eram sazonais são perenes; e brotam tantas outras a cada dia. Os rios e córregos estão agora cobertos de cílios e extintos de assoreamentos provocados pelo homem.

Empresas e indústrias do mundo inteiro se comprometeram e implementaram inúmeras práticas ambientalmente corretas. E, finalmente, maior parte das pessoas consome água, energia e alimentos de forma racional. A humanidade atualmente, combate o desperdício, pois aprendeu a lição da reciclagem e da reutilização. Todos reduziram o consumo desenfreado e aumentou a recusa aos produtos ecologicamente incorretos.

A sustentabilidade ganhou força e são inúmeros os programas sustentáveis em todos os países. A qualidade de vida do ser humano melhorou, as alterações climáticas estão amenas e já não põe em risco o clima na Terra. O planeta não está mais em agonia e respira bem. O homem percebeu que deveria mudar o estilo de vida e deu foco a essa causa.

Todos trabalham para manter a redução dos gases poluentes para que a camada do efeito estufa não volte a engrossar. A consciência adquirida pelas pessoas certamente permitirá que a Terra fique cada vez mais verde. As implementações dos projetos de exploração ambientalmente responsável, na Amazônia, os programas de manejo e desenvolvimento sustentável, o reflorestamento das áreas devastadas no início do Século XXI, são todos executados pensando em longo prazo.

Comemora-se também o fim da biopirataria, o crescimento da Eco-economia e da valorização dos fatores culturais, do investimento do governo na ciência, na educação e na tecnologia. Caíram as ações policialescas em todo o mundo sobre a preservação e a conservação dos recursos ambientais. A causa? Foi a consciência da população que aumentou em índices entusiásticos e a ética deixou de ser utópica.

Enfim, o mundo retorna à própria origem. O planeta, já com quase 9 bilhões de pessoas a bordo, encontra o equilíbrio ambiental, econômico e sócio-cultural como realidade. Certamente, o juízo final da humanidade será de compensação, por está fazendo a coisa certa. Ufa!

Qual foi o pensamento que veio à sua mente ao ler essa explosão de manchetes noticiosamente boas? É possível acreditar em tudo isso? Ou lhe parece fantasia, algo do imaginário de uma mente ambientalista? Neste trigésimo artigo sobre mudanças climáticas, essa é a expectativa que tenho em ver relatos ainda melhores. Segundo Platão, tudo começa no mundo das idéias. Então que comecemos por visualizar um mundo melhor, e assim, partir para a ação. A mudança no comportamento do ser humano pode fazer isso possível.

Afinal, temos grandes desafios pela frente. Se continuar no ritmo atual, segundo relatório divulgado pela WWF no início de dezembro, até 2030, 55% da Amazônia desaparecerão. Mas, quem devasta e não pensa em longo prazo prefere afirmar que a parte devastada hoje ainda é pequena, ou seja, a vontade de mudar ainda é muito pouca. Isso não é previsão, é um alerta.

Outro dado preocupante publicado no Relatório dos Direitos Humanos, recentemente, mostra que em 25 anos metade da população mundial poderá ficar sem água potável. Hoje, mais de um bilhão de pessoas no mundo não tem acesso a esse recurso. No Brasil, maior potencial hídrico do mundo, a distribuição desigual da água e o desperdício é o gargalo. Pergunta-se: O que fazer diante de tanta necessidade de mudança de hábito?

Ainda é possível cuidarmos da própria casa. Contudo, isso dependerá do jeito como for direcionado o livre arbítrio de cada um. Afinal, somos livres, só para plantar. A colheita será obrigatória. Espero que ela seja prazerosa também. O que vai acontecer com o planeta é a conseqüência do que cada um acredita, e faz.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

CARNE E ESPIRITUALIDADE


Artigo de Jair Donato

O antropocentrismo é uma visão que concebe o homem como superior ao animal e por isso passa a ser normal eles não terem o direito à vida e serem mortos ao bel prazer para alimentação. Mas, seria mesmo justo sacrificar a vida de um animal para alimentar uma pessoa, principalmente se a vida dessa pessoa não depende da vida do animal? A idéia do vegetarianismo mostra que devem co-existir, homem e animal. Desse ponto de vista, não é ético comer carne. O animal pode ser incapaz de pensar, mas, certamente ele é capaz de sofrer.

Na Índia, por milhares de anos, a alimentação vegetariana foi um princípio de saúde e de ética, que após a invasão muçulmana e a colonização católica na região, houve um triste desgaste nesses princípios, mesmo sendo parcial. Porém, ainda hoje, a preferência dos indianos Hindus é o sistema ovo-lacto-vegetariano. Ao se referir a alimentação, Albert Einstein disse que “A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade”.

Tenho abordado a questão alimentar vegetariana, não apenas como uma dieta puramente saudável, porque a maneira como se produz vegetais atualmente, cheios de defensivos agrícolas, não podemos dizer que estejam isentos de substâncias nocivas, a exceção do que se consome organicamente cultivado. Mas, fundamentalmente, por não destruir o meio ambiente na mesma intensidade que a produção de carnes.

Sidharta Gautama, o iluminado da tribo dos Sakias, na Índia, há cerca de 3000 anos, disse que “Feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derrame de sangue. Os dourados grãos que nascem para todos dariam para alimentar e dar fartura ao mundo”. É preciso muita sensibilidade para entender a essência dessa sábia mensagem.

Mas será que haveria grãos para todo mundo ou ocorreria um colapso se o mundo parasse de comer carne? Poderia ser mais fácil isso acontecer se ninguém mudasse. Hoje, o gado ao redor do mundo consome uma quantidade de alimento que equivale às necessidades calóricas de 8,7 bilhões de pessoas, número de seres humanos que a Terra atingirá até o ano de 2050, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Somente o que é destinado para ração animal, cerca de 35% da produção mundial, eliminaria a fome dos países pouco desenvolvidos.

Em tempos de mudanças climáticas, alimentação vegetariana não é a solução, mas é uma boa ajuda na redução da emissão de gases poluentes na camada do efeito estufa, pois diminui o consumo de carne. O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que a ONU mostrou ao mundo em 2007 em 04 parciais, confirmou que as mudanças climáticas são conseqüências do uso exacerbado dos recursos naturais pelo homem. Portanto, o consumo consciente e seletivo na alimentação é uma maneira segura de poluir menos.

É antagônico, mas o homem consegue envenenar praticamente tudo o que é produzido para se alimentar, e ainda destrói a biodiversidade do planeta em que vive, como se provocasse o próprio fim. Não seria essa uma forma de autopunição? E o dilema é que a humanidade ainda almeja um ideal tão esperado: a paz mundial.

Contudo, é impossível falar em paz no mundo sem concretizar o amor, o respeito e a ética aos seres vivos e ao meio ambiente. Um dos preceitos da constituição da UNESCO reza que é na mente do homem que a paz começa; que deve ser construída. Ou seja, a consciência é o início de tudo. É hipocrisia o homem desejar a paz mundial e não cuidar do meio ambiente, dos hábitos cotidianos, e, amar a natureza e todas as formas de vida nela existente.

Disse São Basílio que “Os vapores das comidas com carne obscurecem o espírito. Dificilmente pode-se ter virtude ao se desfrutar de comidas e festas em que haja carne”. É uma expressão profunda, mas o ser humano talvez ainda não tenha despertado ética, moral e espiritualmente ao ponto de apreendê-la. Embora, ainda é tempo, inclusive de rever o que se come.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

domingo, 2 de dezembro de 2007

VEGETARIANISMO E MEIO AMBIENTE


Artigo de Jair Donato

Um dos princípios de saúde, de ética ambiental e de espiritualidade, além de ser econômico na utilização dos recursos naturais, como o potencial hídrico, é a alimentação vegetariana. Mas, não dá dinheiro, por isso não é o negócio da vez, embora haja incontáveis estudos e recomendações sobre o balanceamento de uma alimentação à base de vegetais.

A antiga cultura de comer carne é hoje fomentada mais pelo rentável negócio de criar bois, suínos e congêneres; um forte reflexo do mundo capitalista. Cerca de um terço dos grãos produzidos no mundo são destinados para consumo animal. Nos países desenvolvidos, mais de 80% dos cereais que possuem são fornecidos ao gado. Ainda que a carne fosse algo muito saudável, na atual conjuntura, seria ético rever o consumo em função do impacto que causa ao planeta, como os desmatamentos das florestas e a emissão de gases poluentes.

Pense no inofensivo e costumeiro churrasco de fim de semana, ao espetar aquela carne macia e suculenta, regada com bebida, uma boa dose de humor e descontração, que já faz parte da cultura brasileira, algo aparentemente saudável. Contudo, para quem refletir sobre a lei de causa e efeito, e poucos fazem isso, pode começar pela fumaçinha gerada pela brasa, somada aos demais impactos que houve até a chegada do boi ao espeto, vai perceber que esse é um prazer que já não compensa tanto. A reflexão maior é que não podemos continuar fazendo as mesmas coisas, porque sempre foram assim.

E as conseqüências à saúde pelo fato de comer carne, são poucas? Não. São altos os números estatísticos ligados aos índices de enfarte e de câncer, principais causas de mortes no mundo. Distúrbios na saúde, anomalias e até impotências, podem surgir, por causa do nível de toxina descontrolado no organismo. Médicos e cientistas orientam pacientes para diminuírem o consumo de carne vermelha. Algumas dessas substâncias que vem da carne animal em diferentes níveis, não são liberadas, nem mesmo após cozimento em alta temperatura. Até o nível de humor e o instinto de um carnívoro de carteirinha é diferente, concluem.

A questão é que atualmente, o que já não é tão bom para o organismo, está sendo ruim para a qualidade de vida no planeta, pois degrada o meio ambiente. O grave é a produção desmedida de carne, em nome de um crescimento econômico em curto prazo. Ao redor do mundo, animais são reproduzidos em lotes, facilmente. A fatura é o que importa. Qual é o lucro? Essa é a diretriz.

Quando criticam quem fala da necessidade do repensar na alimentação, a única justificativa é que mandar carne para o mundo comer é um alicerce da economia no País. E querem monopolizar essa idéia, como se ignorassem outros aspectos do bem comum, a exemplo do desenvolvimento sustentável, uma realidade ainda pouco existente na produção carnívora.

Na história da humanidade, uma menor parte se permite refletir sobre o triste fato de matar milhões de animais diariamente como se transformasse um mero produto em outro, sem considerar o respeito à vida. É um tipo de comida que implica na crueldade de seres que possui vida, sentem dor e medo no processo da morte, e liberam descargas de toxinas que são ingeridas pelos que absorvem as substâncias da carne. Para informação do leitor, isso não é qualidade de vida. Esse é um assunto também ligado à expressão filosófica e espiritualista, que abordarei a posteriori.

Considerando apenas a questão ambiental, ou, o cuidar da própria casa, a explosão do crescimento animal para abate, atualmente é muito alta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta autoridades governamentais do planeta que reduzam a gordura saturada. Várias autoridades em diferentes países aconselham a população a comer menos carne vermelha para aumento da qualidade de vida.

Mas, O que fazer? Parar de comer carne? Talvez seja radical essa proposta. Então, é comer a medida certa. Ou seja, consumir racionalmente, em perfeita combinação com o vegetal e demais fontes protéicas da natureza. Para começar a mudança, isso já é um repensar, e sem radicalismo.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:jairdomnato@gmail.com