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quinta-feira, 26 de junho de 2008

A LIÇÃO DOS NOSSOS JAPONESES



Artigo de Jair Donato

Estamos no ano do centenário da imigração japonesa. Tenho profunda admiração pela cultura nipônica por razões significativas na minha vida. Quero me reportar a esse fato que se deu no início do século passado, por considerar os princípios e o estilo ético-cultural que os orientais possuem em relação ao respeito a si, aos outros e ao ambiente em que vivem, como um valor agregado ao povo brasileiro, que sempre esteve disposto a receber diferentes etnias. Temos aqui a soma de uma multiplicidade cultural.

Havia no Sul do Japão um garoto de nome Ryoichi Kodama, 13 anos de idade, que em abril de 1908, após insistência para conseguir autorização do pai, despediu-se da família em Hiroshima, rumo ao Brasil junto com vizinhos para ganhar a vida. Brasil era até então um País desconhecido e distante. Mas como estava proibida a entrada de japoneses na América do Norte e a situação que o Japão enfrentava na época era difícil, vieram para cá, pois havia rumores de que logo teriam boas oportunidades por aqui.

Embora não foi bem isso que perceberam após aportarem em Santos. Ryoichi-san conta que chegaram a dormir no capim seco dentro de um curral, na primeira fazenda aonde tiveram de trabalhar na colheita de café, no Estado de São Paulo. Contudo, eles resistiram, persistiram e honraram a cultura do Japão ao reconstruírem a própria história num País tropical, com hábitos e costumes diferentes. Com o tempo eles puderam contar acima de tudo, com a calor humano típico do brasileiro. Uma mistura que deu certo.

O ato que me emociona na história do ainda adolescente Ryoichi foi quando ele conseguiu convencer o pai de deixá-lo embarcar no Kasato-maru, primeiro navio de imigrantes que chegou ao Brasil em 18 de junho de 1908, e ouviu a severa advertência: “Vocês estão seguindo para outro País e não deve esquecer de que cada um representa o Japão; cada um está carregando o seu próprio País consigo. É necessário que todos se encarreguem de não manchar a honra japonesa ou o nome de sua pátria. Se não forem capazes de viver condignamente, não pensem em voltar. Tenham vergonha disso e morram por lá”.

Deve ter sido muito reflexivo ouvir aquilo de um pai. Alguém de uma outra cultura até poderia pensar que seria frieza renegar o próprio filho, caso ele não honrasse a pátria e manchasse o nome do País aonde quer que fosse. Mas isso é que fez o povo japonês sair da dificuldade e se tornar potência mundial. Os valores e princípios voltados para o bem coletivo, com honra, dignidade, disciplina e caráter.

Japonês tem que ter honra em qualquer lugar, esse foi o legado que o quase jovem recebeu daquele pai. E assim ele veio viver dignamente no Brasil, como todos os demais que aqui chegaram, sofreram, mas hoje as gerações nascidas aqui se orgulham dessa brilhante postura. Maior parte deles nem pensam em voltar ao Japão para morar, tamanha é a gratidão e amor que possuem pelo Brasil.

E o que essa história tem haver com o meio ambiente? Tudo! Pois a reverência aos superiores, a começar pelos pais, a gratidão pelo País que os acolheram e o senso de harmonia que possuem, talvez sejam as melhores lições esbanjadas por essa gente. Se cada um apreender a importância desses sentimentos, poderá mudar a própria vida e a relação com o meio ambiente, uma necessidade global da atualidade.

Falar de princípios é falar do que traz equilíbrio à vida e ao planeta. E isso o povo japonês ensina através dos mínimos detalhes, ao servir um chá, ao cuidar de uma plantação ou de um relacionamento. É um povo inovador e que ao mesmo tempo sabe cultivar valores milenares.

Estimo muito que este centenário seja um exemplo de reflexão sobre tudo que ainda podemos fazer, ao observar o exemplo da cultura do País do Sol nascente. E dessa forma conservarmos e preservarmos mais a nossa Amazônia, o Pantanal, o Cerrado, dentre os demais biomas que temos, com toda uma riqueza de biodiversidade ainda incalculável.

Para cuidar do meio ambiente é preciso reverenciar a natureza, ter gratidão por ela e viver em harmonia com todas as espécies que ainda temos o prazer de admirá-las. Aos nipo-brasileiros deixo minha profunda admiração! Domo arigatô gazaimashita! Ou melhor, muitíssimo obrigado!

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 12 de junho de 2008

CONDOMÍNIO AMBIENTAL


Artigo de Jair Donato
Todo processo de mudança se dá, antes, pela sensibilização acerca de uma necessidade. Para que mude o contexto ambiental em relação as alterações climáticas, uma prioridade global e urgente, será necessária uma profunda reflexão seguida de ações que possam se resultar em impactos positivos para o planeta e para as gerações presentes e futuras.

Outro dia recebi de um acadêmico, em sala de aula, um texto interessante e oportuno para uma reflexão sobre a maneira que o homem está cuidando da casa em que vive. Desconheço a autoria, porém é uma analogia bem reflexiva que se trata de uma carta destinada a um inquilino.

Diz o texto: Senhor morador gostaria de informar que o contrato de aluguel que acordamos há bilhões de anos está vencendo. Precisamos renová-lo, porém temos que acertar alguns pontos fundamentais:
- Você precisa pagar a conta de energia. Está muito alta! Como você gasta tanto? Antes eu fornecia água em abundância, hoje não disponho mais desta quantidade. Precisamos renegociar o uso.
- Porque alguns na casa comem o suficiente e outros estão morrendo de fome, se o quintal é tão grande? Se cuidar bem da terra vai ter alimento para todos!
- Você cortou as árvores que dão sombra, ar e equilíbrio. O sol está muito quente e o calor aumentou. Você precisa replantar novamente!
- Todos os bichos e as plantas do imenso jardim devem ser cuidados e preservados. Procurei alguns animais, e não os encontrei. Sei que quando aluguei a casa eles existiam.
- Verifique as cores estranhas que estão no céu. Não vejo o azul!
Por falar em lixo, que sujeira hein? Encontrei objetos estranhos pelo caminho: isopor, pneus, plásticos...
- Não vi os peixes que moram nos rios e lagos. Pescaram todos? Onde estão?Bom, é hora de conversarmos. Preciso saber se você ainda quer morar aqui. Caso afirmativo o que pode fazer para cumprir o contrato? Gostaria de você sempre comigo, mas tudo tem um limite. Você pode mudar? Aguardo respostas e atitudes.
Sua casa - "A Terra".

Agora pense reflexivamente sobre as ações de cada um de nós como morador desta grande casa. Será mesmo que estamos correspondendo ao princípio natural da preservação e conservação do local que nos dá a vida? Mais que descansar e se divertir, nesta casa a gente trabalha, se alimenta, inventa, constrói, também destrói, aliás, temos feito muito disso ultimamente.

É neste condomínio natural, o maior de todos, que deveríamos nos relacionar melhor com o meio ambiente, com as pessoas e principalmente, conosco mesmo. É aqui o local em que respiramos, embora o ar já não esteja tão puro, nem temos mais alimentos tão saudáveis assim. A capacidade do ser humano viver na face da Terra está em risco e o estilo de vida de cada morador precisa mudar. O homem precisa reaprender a plantar e a colher, a criar e a manter. É preciso fazer diferente, pois a Terra tem alma como a gente.

Ainda não se paga, em prol do planeta, taxas de aluguel ou de condomínio, em moeda corrente, como se faz com um imóvel imobiliário, embora diante da situação climática do mundo, deveria. Na verdade, não está embutido no preço da maior parte do que é consumido atualmente, o valor decorrente da destruição dos recursos naturais; apenas é cobrado o custo de produção. A preocupação de quem produz ainda está no lucro que pode obtê-lo. E quem consome precisa rever esse conceito. É praticamente incalculável a destruição que o homem já provocou na Terra.

E neste cenário de mercantilismo barato ainda parece seguir um longo curso de destruição, salvo se a consciência global despertar enquanto é tempo. Torço por isso. Sempre acreditarei no potencial de mudança e de adaptabilidade que existe no âmago do indivíduo. Se cada um quiser, é possível mudar.

Vale a pena refletir sobre nossa condição de inquilino terráqueo, para que possamos começar a compensar a Terra por nos abrigar com tamanha grandeza. Diz um provérbio africano: “Nós não herdamos o planeta Terra dos nossos pais, nós o emprestamos dos nossos filhos”. Ao entender isso, todos podem agir de maneira diferente. E manter nosso condomínio de forma ecologicamente correta.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

domingo, 8 de junho de 2008

MEIO AMBIENTE EM FOCO



Artigo de Jair Donato

Estamos na semana nacional do Meio Ambiente. Tenho o privilégio de ter a data do meu aniversário instituída pela Organização das nações Unidas como Dia Mundial do Meio ambiente, uma sincronia bastante reflexiva que o destino me reservou. Mais que um novo ciclo, vejo que cada dia é uma nova oportunidade para pensar melhor nas ações que são possíveis fazer em prol do planeta Terra.

Dedico-me ao que está à minha volta, embora sempre acordo com a sensação de que maior parte está por fazer. É trabalho de beija-flor no meio do incêndio na floresta, mas acredito e mantenho o foco na sensibilização das pessoas.

Há uma história da esposa de um fazendeiro que detestava cobras. Um dia, suplicou ao marido que desse um fim às peçonhentas. O homem, não querendo contrariá-la, prontamente determinou o extermínio de todo e qualquer vestígio de ofídios na fazenda, e foi feito.

A colheita seguinte não rendeu um décimo da anterior. Em sonho, desesperado, suplicou a Deus que o perdoasse. Imaginava que aquela miséria de safra era castigo divino por ter dado fim aos animais. Também em sonho, o Criador lhe respondia:
- “Não o castiguei, nem perdoei. Apenas, deixei que a natureza seguisse seu curso”.

Ora, o curso natural é simples: cobras engolem sapos. Sem elas, os sapos aumentam em número. E, sapos engolem insetos. Assim, quanto mais sapos, menos insetos. Diversos insetos são polinizadores e, sem eles, há plantas que não se reproduzem. Logo, a moral dessa história é: menos cobra, menos safra. Assim funciona o mundo natural.

Entender que a Terra é um organismo vivo que sofre pelas reações nela causadas é muito importante para que a consciência sobre o valor da natureza aumente. Continuo acreditando que o mundo mudará mais rápido antes, pela consciência de cada um no consumo racional, na reutilização, na preservação e na conservação dos recursos naturais, como a redução de desmates e queimadas. E, por fim, através do desenvolvimento sustentável.

É importante a implementação de ações planejadas, sejam em curto, médio ou longo prazo. Isso certamente evitará a perda de riquezas como a biodiversidade que ainda existe. Tudo que é feito sem planejar, visando apenas o imediatismo é como construções de prédios na areia, sem sedimentação. O cálculo sem desperdício otimiza a alimentação, o transportes, a energia e a manutenção da natureza em escala global.

Os setores da indústria, de grãos, da pecuária, da energia, da prestação de serviços e todos os demais que ainda exploram os recursos naturais ou poluem precisam mudar o paradigma de ganho daqui por diante. Mais forte que o capitalismo é a necessidade do homem em mudar. São as condições de ganho e o estilo de vida das pessoas que precisam sem muita demora serem alterados, é o que afirmam os cientistas.

A previsão não é muito boa para o planeta, segundo últimos relatórios dos cientistas sobre as mudanças no clima. Muito do que está ocorrendo já e irreversível, a exemplo do aumento da temperatura na Terra. Mesmo que reduzisse totalmente a larga emissão de gases que engrossam a camada do efeito estufa, ainda assim o planeta continuará elevando a temperatura por outros séculos.

Se pensar um pouco no futuro do nosso planeta, como será a forma de viver das gerações daqui a cinqüenta anos? O que eles vão colher como frutos da nossa responsabilidade hoje? Ou só falarão das inconseqüências recebidas? Acredito que cada um de nós deve responder a esses questionamentos, agora. Não há mais tempo para procrastinações.

Todo dia deve ser ‘o dia do meio ambiente’. Em todos os momentos cada consumidor deve rever o que adquire. Cada usuário deve saber se o local que utiliza pra depositar os resíduos que produz é adequado. Cada família deve criar e rever um planejamento familiar para cuidar meio ambiente. Cada empresa pode e deve implementar programas de educação ambiental e se portar como exemplo ecologicamente correto. Acredito na via da educação. Ela pode mudar o mundo porque muda o interior de cada um, desde que se permita, é claro.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com