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terça-feira, 29 de julho de 2014

ANALOGIA DA FIGUEIRA SECA
Artigo de Jair Donato*

Você compraria uma fruta apenas pelo brilho? Há quem compre e depois percebe que era só o verniz da casca, mas por dentro o conteúdo estava podre. Como nos tempos de Jesus, hoje muitos vivem apenas pela aparência, ora mostrando-se como bons, ecologicamente corretos, mas que nada de útil oferecem ao mundo para que o torne melhor. É como aquele brilhante orador que profere palavras bem articuladas, envernizadas, impressiona plateias, mas se verificadas, nada de substancial se encontra nelas.

Reportando-se aos primeiros anos do calendário gregoriano, marcado pelo início do cristianismo, numa passagem bíblica é narrada que certa vez Jesus ao sair de uma localidade denominada Betânia, acompanhado pelos discípulos, teve fome. Ao longe avistou uma figueira e dela se aproximou para que degustassem alguns frutos. Mas, ao chegar-se a ela percebeu que não havia figos, havia apenas folhas, por não ser época propícia para frutos.

No entanto, os discípulos disseram que naquele momento Jesus lançou o desejo de que ninguém mais comesse o fruto daquela árvore. E no dia seguinte, ao passarem novamente pela figueira, ela já estava seca até a raiz. Então, um deles se dirigiu a Jesus lembrando-lhe de que aquilo seria o resultado do mestre ter amaldiçoado o pé de figo no dia anterior. Ao que Jesus naquele momento aproveitou para apregoar parte dos ensinamentos dele.

Numa interpretação míope, parece estranho a postura de Jesus, mas as histórias da vida dele na terra mostram ter sido ele um grande visionário e apregoou preceitos constatados em todas as eras, especialmente hoje. Se ao pé da letra, ele de fato secou ou não aquela árvore, que ninguém se apegue a isso, pois para um mesmo fato há diferentes interpretações. Jesus era um homem que utilizava parábolas, comparações e mensagens da própria natureza para fazer entender a visão que ele possuía sobre a vida. Não por acaso, ele escolheu fazer uma analogia entre a figueira e o a vida do homem.

Na antiguidade, muitos povos a consideravam como símbolo da fertilidade e da fecundidade. Hoje, com o cultivo, é um vegetal que produz durante o ano todo. A figueira que não dá frutos é um símbolo de uma existência que não se torna útil. Embora tudo tenha o tempo certo para que cada etapa se estabeleça, há quem perde todas as oportunidades de criar e estabelecer relações edificantes, mesmo diante dos vários meios disponíveis. Trata-se de quem vive em função de apenas ocupar o próprio espaço sem ocupar-se de contribuir para melhoria da sociedade com o potencial criativo e humano que possui.

Todos os sistemas e doutrinas, na política, no meio social, na administração ou na religião, que nada produzirem bem para da humanidade são estéreis, cujo fim deve ser a seca. O despertar de consciência através da escolha de cada um enquanto cidadão poderá ser a energia que irá eliminar essas fontes inúteis que existem na sociedade, que nada agregam, apenas usurpam, excluem o bem, defendem interesses mesquinhos e desconstroem o senso moral necessário ao mundo de hoje.

Conta-se que no sermão daquele dia da figueira seca, Jesus disse aos discípulos que tudo aquilo que cada um de fato acreditar firmemente sem hesitar, acontecerá. Ele declarou que o poder não estava somente nele, mas em todos. No dia que cada cidadão acreditar que pode mudar os fatos, seja na política como noutras mudanças relevantes ao bem coletivo, e entrar em ação com tal empenho, todos os políticos, religiosos e demais líderes estéreis que enganam com discursos prolixos, deixarão de existir, cairão por terra, pois se tornarão secos.

O mundo não precisa apenas de líderes hierárquicos, precisa da liderança de cada um, ou seja, da sociedade como um todo, do espírito de equipe. Somente assim bons frutos serão produzidos. Cada pessoa que se tornar um agente de mudança é como uma figueira frondosa e frutífera. A paz no mundo não poderá vir de árvores estéreis. A humanidade precisa ser alimentada por atitudes altruísticas.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sábado, 26 de julho de 2014

VOCÊ CONTROLA SUAS EMOÇÕES?
Artigo de Jair Donato* 

Seja sincero. Você consegue contar até dez, ou mais, em momentos de pressão, tumulto e de impulso? Caso não consiga, não se desespere mais ainda, porque essa é uma habilidade que pode ser desenvolvida. O grau de inteligência emocional de uma pessoa pode ser avaliado pela reação que ela esboça quando é defrontada por opinião contrária à dela. Há quem se “enfeze” de imediato, perde as estribeiras, descontrola visivelmente as emoções. Se por medo, defesa ou fuga, logo ignora a oponência, levanta muro, engole raiva e se entope por dentro, pois é doloroso dominar as arestas de si mesmo, enfrentar aquilo que não é do cotidiano, da ordem do desconhecido ou da ameaça à condição em que se encontra.

O descontrole das emoções pode se tornar um comportamento doentio e desvalorizado seja em curto, médio ou longo prazo em qualquer relação humana. Trata-se de gente difícil, pouco afável, que pode viver pouco se não desentupir as artérias e abrandar o coração. Saber ouvir sem retrucar, não se opor nem enraivecer-se ante uma divergência não é para qualquer um.

Há casos de muita gente que deixou escapar promoções no emprego, outros que perderam chances de crescimento na carreira após anos de investimentos na área intelectual, no entanto, pouco desenvolvimento do capital emocional, um atributo valioso de ordem comportamental. Resistir sem se macular e conviver bem com pessoas difíceis, como é o caso de muitos chefes intragáveis dentro das organizações é necessário para que não afete apenas a produtividade, mas antes de tudo, a estima, que  é o valor de si, e a saúde física e psicológica, pois são aspectos imprescindíveis para manter a qualidade de vida.

A liderança que é uma competência desejada por muitos, embora praticada por poucos, é significativamente marcada pelo controle emocional de quem se propuser a exercê-la. Considero Aristóteles o precursor da Inteligência Emocional, quando disse que qualquer um pode zangar-se e isso é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa, não é fácil.

O domínio sobre valores importantes para o indivíduo tais como o conhecimento de si mesmo, habilidade política, o controle das emoções e a empatia são fundamentados pela constituição proposta por Daniel Goleman, psicólogo norte-americano na obra Inteligência Emocional. Gerenciar as emoções tornou-se uma habilidade essencial para a melhora das relações dentro das organizações, na família, no convívio social e em qualquer aspecto humano que implica uma interação, inclusive com o meio ambiente.

Para que se estabeleça a excelência nos processos de gestão, na relação com o mercado de trabalho e nas relações de modo geral, é preciso que ela não ocorra apenas como competência técnica. Mas, acima de tudo pelo viés da estrutura emocional. Não se trata de desconsiderar o conhecimento racional ou a razão. Contudo, sem o equilíbrio entre coração e cérebro, entre a razão e a emoção, a excelência não se estabelece.

Da próxima vez que você se ver diante de uma situação de conflito, analise antes se está vendo mais as partes do problema isoladamente ou se consegue ver o todo. Se souber analisar o contexto, aplicar a empatia e dominar as impulsões, então poderá de modo controlado aplicar quaisquer ações corretivas sem ofender ou magoar quem quer que seja. E ainda agregar valor ao próprio marketing pessoal. Mas, como desenvolver a inteligência emocional? Talvez, o ato de observar mais a si mesmo e reeducar-se através do autocontrole em situações de estresse pode ser o caminho para a mudança. Entretanto, quando isso não for possível, peça ajuda profissional. E conte mentalmente o quanto puder, sempre que necessário, para não se arrepender depois por algo que poderia ter sido diferente. Esta não é uma técnica de fuga ou para reprimir as emoções, serve apenas para utilizá-las a seu favor de maneira positiva.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br
XÍCARA CHEIA
Artigo de Jair Donato*

Há quem vive como se de tudo já soubesse, porta-se como se dono da verdade fosse e age de tal modo como se nada mais houvesse para aprender. Apresenta-se como se fosse uma criatura pronta e sem espaço para o novo, soberbamente detentora do conhecimento e da sabedoria.

Há o conto de um grande sábio, no Tibete, que uma vez por ano fazia a escolha de novos discípulos. Ele morava num castelo no alto de uma montanha. E a própria caminhada até lá já era uma forma natural de seleção aos tantos pretendentes à sabedoria. Todas as vezes que o sábio se via diante de cada candidato, estendia duas almofadas para que se sentassem frente a frente, e trazia consigo um bule com chá e duas xícaras.  À medida que entrevistava cada um deles, enchia a própria xícara até que ela se transbordasse; e assim acontecia um após o outro.

Certa vez, um dos candidatos o interpelou para saber o motivo de ele deixar o chá derramar daquela maneira, pois era um desperdício, já que era tão sábio e iluminado. Ao que o mestre respondeu-lhe: - O chá é uma forma natural de seleção que utilizo para escolha dos meus discípulos. Porque eu não quero que as pessoas se sintam assim, como essa xícara, cheia, pronta. E complementou: “Esse é o verdadeiro segredo da sabedoria”.

O ato de derramar o líquido na xícara corresponde a dizer “não à sabedoria”. É quando o indivíduo mesmo com parco conhecimento e experiência que acumula na trajetória individual considera-se apto a defender verdades e postular-se formado, pronto, sem nada a acrescentar. Isso é ameaçador, presunçoso e limitante. Já o ato de conter, mandar parar, evitar que transborde equivale ao desejo de conhecer, e não considerar-se pronto. Se não mantiver a xícara cheia, sempre haverá espaço para caber mais. Quando a mente está propícia a receber, a aprender, naturalmente ali há o desenvolvimento, a evolução cotidiana.

Na verdade, a vida é uma aprendizagem contínua e não há conhecimento que justifica não buscar o autodesenvolvimento. Não há ação saudável se nela prevalece o egoísmo. Não há sábios completos, tampouco há quem de nada sabe. Foi Galileu Galilei quem disse: “Nunca encontrei um homem tão ignorante que não pudesse aprender nada com ele”. Então, como está sua xícara no trabalho, nos seus relacionamentos interpessoais e na sua vida pessoal? Você se permite conter-se, não esvaziar-se por completo, tampouco assoberbar-se?

O professor Masaharu Taniguchi, destacado filósofo japonês do século XX, afirmou que “a vida do ser humano começa a se arruinar quando ele passa a se envaidecer dos próprios conhecimentos e a se considerar diplomado”. Então, deixar espaço em todas as áreas da vida para agregar mais conhecimento, aceitar a mudança, privilegiar a humildade, sem envaidecer-se, pode ser a chave para o segredo da sabedoria a que o mestre tibetano se referenciou.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sexta-feira, 25 de julho de 2014

MAPA NÃO É TERRITÓRIO
Artigo de Jair Donato*

O tema deste artigo é um dos pressupostos da Programação Neurolinguística, um modelo de linguagem utilizado no campo da aprendizagem do cérebro humano com foco na excelência, desenvolvido por Bandler e Grinder, na década de 1970. Mas este termo tema foi cunhado incialmente pelo engenheiro, filósofo e matemático polonês, Alfred Korzybskiem, 1931. É uma expressão que se refere à forma como o ser humano interage com a realidade na qual ele se encontra. Para ele, cada indivíduo experimenta o mundo através dos sentidos da visão, audição, tato, olfato e paladar. Na verdade, nem sempre o indivíduo tem acesso direto à realidade em si, mas apenas às percepções da realidade em que vive. Há uma enorme diferença entre um fato, que é o território, e uma concepção, o mapa. Enquanto o mapa deriva mais do que o indivíduo julga ser, o território é a realidade explícita, independente de julgamento algum, é o fato sem a interpretação.

Há uma analogia interessante que evidencia a diferença entre mapa e território. Certa vez um policial estava numa viatura pelas ruas e levava com ele um cão policial. Foi quando percebeu um garotinho olhando fixamente para eles, que em seguida o interpelou querendo saber se aquilo era mesmo um cachorro na viatura. O policial disse que sim, o outro ocupante era, de fato, um cachorro. O garoto ficou pensativo e intrigado com aquela cena e perguntou: “Senhor policial, o que foi que ele fez de errado para ser preso?”.

Os mapas são aqueles processos representativos das percepções individuais de cada pessoa sobre si e sobre o mundo em que vive. Por exemplo, o que você pensa sobre uma determinada situação pode ser distorcido ou não ser o mesmo que pensa quem está do seu lado. São também as expectativas e pressuposições que você cria sobre si e sobre os demais, são seus moldes internos. Cada um tem o próprio mapa que pode derivar da formação de fatores genéticos e da história pessoal. Não é que haja um mapa melhor que outro. É por essa relatividade que ninguém pode afirmar ser o dono da verdade, que possui o mapa mais perfeito, porquanto tudo está vinculado às circunstâncias do momento, às vivências diárias e às representações internas. Em decorrência desse emaranhado de jogos de influências, referências e intervenções filtradas pelos mapas individuais é que surgem as ações e as incontáveis formas de agir. As pessoas reagem de diferentes maneiras, por vezes, aos mesmos estímulos, devido a subjetividade que sedimenta cada mapa interno.

É por isso que nesse contexto nem sempre mapa é território. Pois os mapas normalmente são diferentes devido a maneira individual de cada um perceber as realidades do mundo. Enquanto a realidade é representada pelo território, a percepção dessa realidade é o mapa mental construído singularmente para descrever o território em que vive o indivíduo. Os mapas são formados consideravelmente por crenças, que são modelos, frames, hábitos enraizados na estrutura psicológica de cada um, podem ser bons ou ruins, e costumam alterar a percepção do indivíduo. O território pode ser as funcionalidades de um produto, como ele funciona, que podem ser escritas, não mudam, estão lá no manual. Já o mapa é o significado que aquele produto tem para quem o utiliza, pode ser que sequer faça uso de todas as funcionalidades existentes. Um exemplo disso é aquela bicicleta ergométrica que pode terminar servindo como mais um porta toalhas na sua casa. Ou seja, a função designada por você não condiz com a natureza do objeto.

Como provocar uma mudança para diminuição dessa discrepância entre percepção e realidade? Cada vez que o indivíduo se permite ser tocado, moldado, sensibilizado e se torna mais isento e imparcial, uma transformação ocorre. Isso contribui para diminuir o alto índice de incongruência que existe entre o mapa e o território. Na prática, é se permitir ter mais experiências, acumular vivências. A empatia pode ser uma dessas vivências enriquecedoras.  Dessa maneira, será possível ingressar-se num crescimento contínuo e viver numa realidade que faz mais sentido, e assim permear por um território também localizado pelo seu mapa. Contudo, esse é um contexto de subjetividade sem fim. No entanto, o maior desafio talvez seja conduzir-se aos diversos territórios através dos seus próprios mapas, sem fugas. A caminhada é longa.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sábado, 19 de julho de 2014

VOCÊ É DETALHISTA OU OBJETIVO?
Artigo de Jair Donato*

Vivemos no mundo da praticidade descontínua, onde a excelência está na objetividade. Um dos maiores entraves no processo de comunicação intrapessoal e interpessoal está na confusão gerada entre o detalhismo e ser objetivo. É comum as pessoas reclamarem pelo fato de não serem entendidas pelos pares ou subordinados e, principalmente pela liderança imediata, mesmo tenho explicado tudo detalhadamente. Há pessoas que gostam de expor o porquê de tudo, um histórico nos mínimos detalhes, mas se frustram ao ver que não foram compreendidas. Há ainda aquele que sequer entende o que ele mesmo expressa, puxa assunto sem ao menos ter em mente o que deseja saber. Outros que retalham um conceito ao ponto de serem vistos como chatos. O detalhe é uma arte que nem todos sabem engendra-lo, se e empregado inadequadamente, só causa repúdio.

Ser objetivo não é o mesmo que ser detalhista, nem sempre esmiuçar tudo e se tornar um meticuloso explicativo é o melhor caminho. Embora toda comunicação objetiva necessite de orientação, nem sempre algo detalhado é necessariamente algo objetivo. Falar ou explicar demais compete mais a quem é se justifica como autodefesa, com tendência ao perfeccionismo, do que comportamento objetivo. O detalhista é o típico perfil de querer explicar tudo, ou se explicar, querer dar satisfações por tantas vezes que chega até a desenhar.

Ao ser interrogado, a pessoa deve responder apenas o que for concernente ao teor da pergunta, não ao que ela acha que deve ser explicado. Por vezes, um assunto que deveria ser uma orientação se torna confuso pelo excesso de informações. Há quem ao ser solicitado que se identifique através do nome, decide contar toda a história da vida, a causa de ter recebido tal nome, o motivo da escolha dos pais, enfim, expõe todo um excedente não foi solicitado. Isso provoca impactos negativos seja dentro da organização ou no convívio social, causa perda de tempo e ineficácia nos resultados. O que pode ser realizado em pouco tempo, se planejado, orientado e executado com clareza, poderá levar mais que o dobro de tempo se não for específico, e constituído de processos prolixos e entediantes.

Por vezes, é importante que um relatório esteja contido de dados detalhados. Contudo o resultado é necessário que seja objetivo, claro. Na maior parte da comunicação do dia a dia necessita-se de objetividade. Por isso muita gente estabelece péssimos canais de comunicação por falta de uma transmissão objetiva, o que é uma habilidade necessária na formação da competência em comunicação.

Há quem numa entrevista em face do detalhe só enrola e toma tempo do interlocutor. Uma reunião de trabalho com muitos slides e pautas desordenadas mais atrapalha e desmotiva do que agrega interesse. O processo de entrevista seja para conseguir um emprego, uma promoção ou na prospecção de um cliente se torna eficaz quanto mais simples e objetiva se tornar. A estratégia é mais objetiva do que o detalhista. 

Há uma estorinha de um homem que era tão objetivo que um dia alguém perguntou a ele se tinha pai. Ao que ele respondeu: “E nem mãe”. Pronto, encerrou a conversa. Possivelmente o interlocutor desse homem percebeu o quanto ele era certeiro e não perdia tempo em dar explicações. No mundo competitivo que vivemos, essa é uma postura ideal, o que não exclui a emoção e a consideração humana em quaisquer que sejam os relacionamentos, desde uma interação afetiva até uma transação comercial. A assertividade é uma habilidade das pessoas objetivas, sem serem agressivas. É tudo uma questão de foco.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sexta-feira, 18 de julho de 2014

MUDAR DÓI, DEFORMA
Artigo de Jair Donato*

Não é para qualquer um. Provocar mudanças principalmente em si mesmo é coisa de gente grande, a maioria não se banca. Acontece que toda transformação gera deformação. Ou seja, para você mudar um hábito, uma crença, um jeito repetitivo de agir, será preciso antes destruir, eliminar aquele que já possui.   Esse é um processo doloroso, requer esforço, determinação, é pra gente forte, possuidora de garra.

Quando um prédio passa por reformas, para que tudo fique esteticamente agradável e belo é necessário antes lixar as paredes, até derrubar algumas ou muda-las de lugar. Será preciso quebrar pisos, acumular destroços e lidar com muita poeira. No entanto, após todo esse processo aparentemente desconcertante e incômodo eis que a mudança como resultado esperado vale apena. Aquilo que não se transforma nunca se deforma do aspecto velho, naturalmente fica ultrapassado, desinteressante, inflexível, rígido e pouco atrativo.

A verdade é que para você se libertar de velhos hábitos exige-se esforço contínuo, será preciso alta performance e muito preparo. Pode ser que uma parte de você fique indignada com sua decisão de fazer diferente. Pois essa parte do seu eu deve se encontrar bastante confortável nas antigas maneiras de agir e não deseja ver ou fazer algo diferente. É daí que surge a resistência.

Há quem prefere fazer qualquer outra coisa, menos mudar. Procura a mudança só no campo da fantasia, do desejo ou da ilusão, sendo que ela se efetiva apenas no campo da coragem e da prática. Afinal, são os momentos desconfortáveis como a crise e a desestabilidade que por vezes tiram você da mesmice. Contudo, serve para ativar a criatividade em situações que a zona de conforto nunca lhe proporcionará.

Todo processo de mudança segue três etapas indispensáveis. A primeira é o descongelamento, seguida da mudança, e por fim estabelece-se o recongelamento. Um velho hábito é preciso ser exposto à luz da coragem e do atrito para romper o gelo incrustrado. Daí é que surge a nova maneira, o hábito novo, que por fim sedimentam-se com a produção de novos resultados, outros ares. No atual mundo da descontinuidade em que vivemos, faz-se necessário mudar os hábitos, as estratégias e os processos cada vez mais rápidos. Portanto, uma pessoa flexível e resiliente será a mais bem sucedida no processo da mudança, seja ela externa ou dentro de si mesma.

Quando a mudança se reflete como ameaça para os fracos é porque talvez aí prevaleça a resistência. No entanto, mudar é para os fortes, e isso pode ser a única chance para a evolução. Pois o comodismo envenena a vida. O necessário é que haja muita perseverança para se livrar dele. Esqueça a dor e veja a recompensa, o caminho é ousar, mudar, fazer diferente.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 16 de julho de 2014

CANTO DE CERCA
Artigo de Jair Donato*

Uma dos relevantes critérios avaliados nos processos de seleção de profissionais para o mercado de trabalho e na promoção de carreira é a inteligência emocional. É o comportamento ligado às emoções que cada um demonstra não apenas nos momentos de tensão ou situações extremas, mas principalmente nas relações interpessoais do dia a dia. Pois é nesse contexto que cada um se expressa naturalmente motivado pela gama de atitudes repetitivas que possui. A falta de paciência e expressão de opiniões em momentos inapropriados resulta em depoimento contra si próprio, o que pode impedir de um crescimento na carreira ou no mínimo, ser bem visto dentre os demais com quem se relaciona.

Existe uma expressão utilizada em algumas regiões para se referir as pessoas que agem grosseiramente, de maneira áspera, indelicada e inflexível. Tais indivíduos recebem a adjetivação de “canto de cerca”. É um termo pouco agradável empregado a alguém que na maioria das vezes se dirige aos outros de maneira deselegante ao invés de solicitar educadamente e com paciência. Expressões simples como “com licença”, “por favor” e “obrigado” não são costumeiras no vocabulário dessas pessoas. Quando algo ou alguém não corresponde às expectativas delas, o contra ataque é imediato, na impulsividade.

A falta de controle das emoções é inerente a esse perfil pouco maleável que está inserido dentro de muitas organizações de trabalho. Por vezes tal comportamento resulta de uma educação pouco delicada recebida ainda na infância, outras vezes pela convivência que foi atuando como molde no decorrer das experiências do complexo meio social. Pode também provir de fatores de ordem psicológica que levam o indivíduo a se portar de tal modo, atuando de forma pouco empática, impositiva e rude.

Quem possui esse perfil geralmente possui dificuldades no desempenho como negociador ou mediador de conflitos, também encontra dificuldade para manter relacionamentos em médio e longo prazo. Até mesmo o diálogo não é uma tarefa fácil caso o interlocutor se posicione numa linha de pensamento crítica ou oposta a dele.

Uma simples impostação da voz incomoda e pode assustar os membros da equipe de um chefe que age assim com ritmo áspero, inóspito ao lidar com pessoas e processos, seja empresa ou no convívio familiar. Delicadeza e bom trato ao fechar uma porta ou ao se dirigir às pessoas é a principal lição que lhe falta. Na verdade, quem age dessa maneira nem sempre está em conformidade com a própria natureza, pois vive em contradição consigo mesmo e com aqueles com quem convive.

Um tom grosseiro não coaduna necessariamente com fortaleza interna ou uma condição humana bem resolvida. Pode até ser uma expressão inconsciente do quanto é frágil internamente na relação com o próximo. Pode ser uma expressão de busca pela coragem para enfrentar a vida. Geralmente o ser humano cerca-se de carapuças para se esconder da própria fragilidade. Um pouco mais de valorização a si próprio, quem sabe, poderia ser o caminho para essa questão. É necessário que o indivíduo seja forte, resista a intempéries, mas que seja tão flexível assim como é o bambu quando assolado pelo vento. Nas relações humanas, é possível ser delicado sem ser fraco, ceder sem descaracterizar-se, negociar sem perder e influenciar sem impor. Afinal, o que seria de uma cerca se tivesse apenas os cantos?


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 15 de julho de 2014

OS QUATRO EUS
Artigo de Jair Donato*

Por que é difícil lidar com determinadas características da personalidade humana? Por que há pessoas que não suportam ouvir, principalmente um feedback, que é o retorno numa comunicação?  Tem gente que se justifica o tempo todo, pressupõe, agride se for o caso, encoleriza-se, e até age como vitima, como se sempre estivesse certa. Admitir um erro? Difícil. Há também quem não sabe dar feedback, pois ao oferecer uma devolutiva, mesmo que seja a coisa certa a fazer, age de forma grosseira. São os que vivem mais no campo da autodefesa ou do ataque.  Mas, há os que convivem bem e são admiráveis. Tamanha é a complexidade do comportamento humano.

Saber ouvir desarmado de revide, refletir sobre uma crítica recebida de peito aberto sem se justificar ou se defender, não é para qualquer um. Nas relações humanas há indivíduos cuja percepção em relação a si, aos outros e ao meio em que vive é mínima, a baliza de si é a única régua para o mundo. Os profissionais que trabalham na área de relacionamento e gestão de pessoas sabem a importância de perceber que há diferentes níveis de perfis quando se trata do comportamento humano.

Na década de 1960 os psicólogos americanos Joseph Luft e Harry Ingham criaram o conceito de quatro janelas, como áreas existentes na personalidade do indivíduo que foi intitulado com as iniciais dos próprios nomes, Johari.  É um modelo aplicado para melhorar as relações interpessoais, através da consciência sobre dar e receber feedback, uma prática indispensável para o desenvolvimento pessoal.

A primeira janela foi descrita como "eu aberto", conhecida como arena. Ou seja, são as características que existem no comportamento, reconhecidas pela própria pessoa e pelos outros ao mesmo tempo. Quando uma pessoa é simpática, por exemplo, ela sabe disso, e os demais também. Geralmente as pessoas espontâneas, sinceras, assertivas, que sabem ouvir, ponderam e negociam bem, transitam nessa área na maior parte do tempo. Não levam circunstâncias bobas para o lado pessoal. É o perfil mais adequado para receber um feedback. 

“Eu cego” é a segunda janela. É a área que representa partes do comportamento que é facilmente percebido pelos outros, mas ignorado pela própria pessoa. É o que ela não sabe que é ou nega, mas os outros sabem, a exemplo do perfil de rispidez e deselegância no trato humano, mas que não admite ser assim. Ela despreza opinião contrária, se recusa a ver ou admitir características que são entraves para si mesma. São pessoas inflexíveis, resistentes, “donas da verdade”, que numa discussão a última palavra precisa ser as próprias, pois pensa que quem erra é sempre os outros. É um perfil difícil que pouco aceita mudanças, evita feedback e antes mesmo do interlocutor terminar, ele já nega, altera-se e, não duvide, é o tipo que ataca.

A penúltima janela foi denominada de “eu secreto”. Área conhecida como fachada por representar as coisas sobre a pessoa que ela conhece, mas que esconde dos outros. É um comportamento maquiado sobre as situações cuja finalidade é vender uma ideia daquilo que não é verdade. Pode ser a pessoa que dissimula ao fingir-se de desentendida, posa de vítima ou boazinha, com se a máscara nunca caísse. É o tipo que finge e pode até dizer que vai mudar ou que esteja arrependida, mas é só por fora. É um pseudo-bom samaritano que age por condescendência ou por conveniência.

Por fim a área do “eu desconhecido”. São partes das quais o indivíduo não está consciente, nem mesmo os outros. Memórias da infância, potencialidades latentes e aspectos desconhecidos da personalidade se alojam aí. É uma área rica, que contém referências escondidas e talvez nunca se tornem conscientes, mas com o aumento de abertura e feedback, isso facilita. É uma janela de potencial, excelente para quem trabalha com o desenvolvimento humano.

Através do modelo Janela Johari constata-se que lidar com todos esses perfis, facilmente encontrados dentro das organizações, é desafiante e exige habilidade. São fatores como transparência, sensibilidade, confiança, clareza, objetividade, bom senso e iniciativa que contribuem para a eficácia e a qualidade da comunicação e melhoria no relacionamento interpessoal.  Diz o escritor Leandro Doorneles que “não tem coisa mais complicada do que o relacionamento humano. No entanto, não existe momento mais belo do que o ato do relacionar humano”.  Bem isso.

*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 14 de julho de 2014

RIR AINDA É UM BOM REMÉDIO
Artigo de Jair Donato*

Como está o seu humor hoje? Como ele tem se situado nos últimos tempos? Essa resposta agora pode ser o indicativo da sua saúde no futuro. Pois há efeitos comprovados sobre o impacto das emoções positivas sobre o organismo. Os gelotólogos, profissionais do ramo da medicina que aplicam tratamento pelo riso, afirmam isso. A medicina reconhece, assim como profissionais que estudam o comportamento humano, que o estado de bom humor traz benefícios em médio e longo prazo à saúde. Existem diversos hospitais americanos que fazem circular nas dependências internas, carrinhos com filmes de humor, brinquedos e jogos capazes de divertir os pacientes. As equipes visando promover a saúde dos pacientes organizam “salas de humor” onde eles juntamente com as famílias podem juntar-se aos funcionários para rirem ante o estímulo de vídeos engraçados e anedotas para depois submeterem-se à intervenções cirúrgicas; as enfermeiras são preparadas para contarem pelo menos uma história engraçada por dia aos pacientes. Os resultados tem sido fantásticos.

Pesquisadores do Instituto nacional do Câncer, EUA, publicaram um estudo que estima que as pessoas felizes são setenta vezes menos suscetíveis de contrair qualquer doença, inclusive o câncer. Os médicos descobriram que a substância denominada endorfina, quando liberada no momento do riso, além de agir como morfina, aliviando a dor física, também alivia a dor emocional. E ainda descobriram que a endorfina fortalece os linfócitos-T, do sistema imunológico e age nas terminações nervosas das células, relaxando os músculos e a pressão cai, juntamente com os batimentos cardíacos. Como conseqüência da paz e da alegria. Rir então é um ótimo método terapêutico e é muito importante para melhorar a autoestima naqueles dias em que a pessoa possa não estar bem.
           
Conduzir uma conversa em vários momentos do dia dentro de um clima bem humorado pode livrá-lo do agravamento de uma doença. O imunólogo americano Lee Berk demonstrou que o riso reduz ou bloqueia a secreção dos hormônios do estresse como o cortisol. Pesquisadores da escola médica do Japão observaram um grupo de pacientes que sofria de reumatismo crônico provocado por uma forma de deficiência imunológica. Em sessões diárias levaram-nos ao bom humor e constataram que algumas substâncias responsáveis pelo agravamento da doença voltavam ao nível normal. Há também estudos publicados pela classe médica sobre o efeito da tristeza realizado milhares de pessoas. Foi analisado que a tristeza prejudica diretamente o músculo do coração, triplicando o perigo de enfarte, assim como o fumo e a hipertensão.

Especialistas comprovam que uma gargalhada hilariante contagia beneficamente o organismo assim como atividades físicas praticadas nas academias. Dizem ainda que essa prática deve ser incorporada à rotina diária.       Mas, afinal, quanto custa um sorriso? Nada! E rende muito, enriquece quem o recebe, sem empobrecer que o oferece. Dura somente um instante e os efeitos perduram por muito tempo. Ninguém é tão pobre que não possa oferecê-lo a todos. E não há ninguém que precise tanto de um sorriso, como aquele que não sabe sorrir.

Psicólogos verificam que a capacidade de rir de nós mesmos é uma das melhores medidas para a saúde mental. Diante dessa necessidade vital que é o riso, para conquistar melhor qualidade de vida, talvez seja uma boa atitude colecionar as melhores piadas que você ouve e contá-las aos outros nos momentos lúdicos, ter sempre leituras divertidas à mão e fortalecer em si o elo do bom humor. Experimentos atestam que mesmo quando uma pessoa sorri involuntariamente, sem sentir nada, o cérebro recebe uma mensagem de que está tudo bem. Imagina quando você libera aquela gargalhada voluntária. Assim, sua a vida já não será a mesma.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

domingo, 13 de julho de 2014

VIVE MELHOR QUEM RI MAIS
Artigo de Jair Donato*

Há quem acha que gente que tem facilidade para rir não é séria, pode ser histeria ou algo que não faz sentido. Por vezes há mesmo quem dá risadas em circunstâncias inadequadas, no entanto, viver com mau humor pode ser sintoma de doença. Rir é um remédio poderoso, contra todo tipo de dores e enfermidades. Hipócrates, o pai da medicina, no século IV a.C., já utilizava animações e brincadeiras na recuperação dos pacientes. Freud, criador da Psicanálise, no trabalho “A Graça e suas Relações com o Inconsciente”, escrito em 1916, afirmou que uma cena cômica e o riso dela decorrente melhoravam a saúde física e mental.

Atualmente, diversos estudos em laboratórios científicos atestam o que também Frans Alexander, do Instituto de Psicanálise de Chicago, em 1817, concluiu que o caráter liberador do riso é um meio de extravasar as tensões e de evitar as doenças psicossomáticas.
O riso põe em movimento em torno de quinze músculos faciais, produzindo dezoito contrações diferentes do diafragma e uma contração parcial do abdômen, e multiplica por quatro a frequência respiratória. Quando se faz uma cara de mau humor, por exemplo, a contração dos músculos faciais é maior do que quando está sorrindo. Depois de uma gargalhada, todos os músculos descansam, inclusive o coração.

Cientistas da Universidade de Birmingham, EUA, liderados pelo professor John Gordon, descobriram que a serotonina, substância que regula o humor no cérebro tem o poder de destruir células cancerosas. Estudos comprovam que dez minutos de riso equivalem à duas horas de sono. Também um grupo de fisiologistas norte-americanos do Departamento de Fisiologia da Universidade de Harvard afirma que o riso pode comparar-se a uma atividade esportiva e um minuto de hilaridade equivale a 45 minutos de relaxamento. O efeito de uma boa gargalhada é semelhante ao da corrida estacionária com o auxílio de uma esteira na manutenção da boa forma.

Seja no trabalho ou na família muitas pessoas perdem deixam de produzir excelentes momentos de convivência alegre. A reação positiva de uma gargalhada no organismo aumenta a produção do hormônio cortisol, com propriedades anti-inflamatórias. E mais, fortalece a região abdominal e massageia o pâncreas. Melhora o sono e a performance sexual. Há estudos que comprovam que um dos fatos das mulheres viverem em média oito anos a mais que os homens se deve também ao fato delas sorrirem mais. Um desses estudos foi realizado pela Faculdade de Guarulhos, São Paulo, e mostrou ainda que através do riso elas se tornam ainda mais atraentes e intelectuais.

Existe uma conexão direta entre o sorriso e o sistema nervoso central. Segundo importante estudo realizado na Universidade da Califórnia, identificaram dezenove tipos diferentes de sorriso, com uma característica em comum: todos eles provocam uma sensação agradável. Quando alguém ri, libera também no cérebro um hormônio chamado beta-endorfina, analgésico natural do organismo, que leva a se sentir bem. Rir é uma massagem e os músculos da respiração se contraem e relaxam com mais rapidez, pois tal movimento aumenta a capacidade pulmonar e a qualidade do oxigênio e do sangue que chegam aos tecidos e órgãos.

Quando rimos todas as correntes sanguíneas são oxigenadas, outros hormônios benéficos interagem no metabolismo, eliminam vírus e aumentam o poder dos anticorpos no organismo. Para comprovar o efeito benéfico da endorfina, hormônio liberado com uma boa gargalhada, na cura de pacientes, alguns hospitais americanos estão implementaram atividades humorísticas com o intuito de acelerar o processo de recuperação dos pacientes. Mas, e você vive bem humorado? Este assunto continua no próximo artigo. 


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sábado, 12 de julho de 2014

QUAL É O FOCO DO SEU NEGÓCIO?
Artigo de Jair Donato*

Após a Era do marketing de relacionamento, exponencialmente na década de 1990, até os dias atuais, tempos do marketing 3.0, em que o cliente adquire serviços e não apenas produtos, descobrir o que ele quer e mais que isso, surpreendê-lo, tocar-lhe o coração, despertar nele sentimentos, tem sido o maior desafio para todos os segmentos.

A visão míope do passado fazia as empresas oferecerem apenas produtos, cores, tamanhos, dispositivos autômatos e demais características que distanciavam um produto do outro. Hoje, o cliente encontra infindáveis variedades de produtos com qualidade semelhante e preços similares praticamente em todo lugar, seja em ambiente físico ou na web. O que os diferencia na hora de uma tomada de decisão é o serviço, que inclui atendimento, credibilidade e uma gama de aspectos intangíveis, que se transforma na variável valor, o que para o cliente é uma percepção. Vivemos na era da subjetividade, isso vale consideravelmente para o atendimento na sua empresa. Afinal, o que você vende é produto ou solução?

Quando o rei do automóvel no século XX, Henry Ford, decidiu que a cor ideal para um carro seria preta, ele não perguntou isso para o cliente, nem precisava. Os tempos eram outros, o cliente já ficava feliz em possuir aquilo que era disponibilizado do jeito que o fabricante achasse adequado. Hoje, perguntar ao cliente o que ele quer também não é a melhor opção, pois nem sempre ele sabe o que quer e como quer. O que o cliente possui é a necessidade e disso a empresa e a equipe do marketing precisa saber para surpreendê-lo com uma infinidade de opções, e que não seja apenas preta, como decidia Ford. Ela tomou essa decisão naquela época apenas por uma questão de custo operacional, pois o carro preto exigia menos tinta, e dessa forma reduzia o custo de cada unidade produzida.

Mas, hoje ao oferecer um produto ou prestar serviços ao cliente baseando-se apenas no custo operacional ou em estratégias internas da empresa é o risco de não tê-lo de volta. O cliente até paga mais caro, mas por aquilo que o agrade e que o deixe feliz. Quando você for atender o cliente é preciso que seu atendimento seja um produto ampliado, diferencial, algo que o encante de modo que, além disso, ele ainda leve seu produto ou contrate seu serviço. E quando ele ligar para perguntar-lhe a que horas você abre ou fecha o seu empreendimento, antes de dizer sua disponibilidade pergunte a ele a que horas ele poderá vir. Ou seja, o foco precisa ser o do cliente. Entender isso é estar apto para atuar neste mundo de alta competitividade.

Sam Walton, fundador da rede varejista Wal-Mart, dizia que o cliente  é o único que pode demitir todos de uma empresa, desde o presidente até os funcionários, simplesmente gastando o dinheiro dele em algum outro lugar. Então, o mais adequado é pesquisar sempre se o que você oferece ao seu cliente é algo que só é bom para você ou se trata do que se relaciona às necessidades dele. É o cliente que define a permanência do seu negócio, seja em médio, em curto ou em longo prazo. Logo, se pensar e agir diferente disso poderá sentir o gosto amargo de sua demissão do mundo dos negócios.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quinta-feira, 10 de julho de 2014

DESAPEGA
Artigo de Jair Donato*

O apego a antigos paradigmas, conceitos, crenças ou rituais de outras épocas pode ser um entrave ao desenvolvimento moral, profissional e pessoal do homem. É o que pode ocasionar a perda do foco naquilo que é essencial para viver bem. Cada povo e cada momento exige uma ética adequada aos valores que são desenvolvidos em decorrência da maneira como se estabelece o homem. É importante pensar sobre essa questão. Quais os valores, simbologias, conceitos e crenças que norteiam suas atitudes?

Há um conto zen budista sobre um mestre que criava no mosteiro um gato o qual era muito estimado por ele. Então, durante as aulas de meditação juntamente com os discípulos, o gato que vivia no monastério fazia tanto barulho que os distraía.
Daí o professor ordenou que durante a prática o bichano fosse amarrado próximo a eles no galho de uma árvore. E assim se sucedeu por décadas.

Certa manhã, o mestre já bem idoso apareceu morto. O discípulo mais graduado ocupou o lugar dele e o gato continuou a ser amarrado durante a meditação como homenagem à lembrança do antigo instrutor. Mais tarde, o gato morreu. Mas, os alunos do mosteiro estavam tão acostumados com a presença dele que arranjaram outro felino que também era mantido amarrado durante as práticas diárias.

Mais anos se passaram e o segundo mestre morreu, outro discípulo assumiu o lugar dele. Tempos depois o outro gato também morreu e logo foi substituído. E assim perdurou por séculos. Cada vez que um gato morria, havia uma eleição para a escolha de outro gato. Dedicavam muito tempo para definirem em conselho as caraterísticas do novo gato como linhagem, cor, comida ideal e tamanho do gato. Era escolhido ainda o tipo de árvore e espessura do galho em que ele deveria ser amarrado, o modelo do nó, o material da corda, etc. Enfim, o ritual de escolha se tornou a atividade mais importante.

Uma geração se passou e começaram a surgir tratados técnicos sobre a importância do gato na meditação zen. Um professor universitário desenvolveu uma tese, aceita pela comunidade acadêmica, que o felino tinha capacidade de aumentar a concentração humana e eliminar as energias negativas. E assim, durante um século, o gato foi considerado como parte essencial no estudo do zen-budismo naquela região. Enquanto isso, outros templos começaram a introduzir gatos nas meditações. Pois se acreditava que o gato era o verdadeiro responsável pela fama e a qualidade do ensino daquela espécie de meditação e esquecia-se que o antigo mestre era um excelente instrutor e que a meditação era o mais eficiente.

E quantos de nós, no cotidiano repetimos movimentos sem ao menos questionarmos a razão de agirmos de tal modo? Um hábito mesmo que faça sentido para uma época, com o passar do tempo, e por gerações subsequentes, perde a referência de origem e se transforma em tradição, institucionaliza-se sem finalidade concreta e chega a se tornar inquestionável. Após descobrir os moldes que norteiam suas crenças, veja quais já se perderam com o passar do tempo. Quantos deles deverão ser ressignificados? Outros quantos se tornaram desnecessários e limitantes. Outros quantos ainda atrapalham seu desempenho na vida? Essa é uma reflexão que poderá torna-lo melhor. O desapego a velhos hábitos é a chave para a mudança de paradigmas e obtenção de melhores resultados. Desapegar-se é um valor de ordem concreta. Então, por que não buscar uma maneira diferente de agir?


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 8 de julho de 2014

JANELAS PARTIDAS
Artigo de Jair Donato*

De onde será que surge a delinquência, a violência, a corrupção e a impunidade? Seria oriundo das classes desprovidas economicamente? O que faz um político continuar sendo eleito mesmo sem moral para assumir um cargo público? Uma equipe de especialistas em psicologia social da Universidade americana de Stanford realizou uma experiência que a partir dela surgiu a teoria conhecida como Janelas Partidas, que explica muito bem o que sedimenta parte dos comportamentos inoportunos nas relações humanas. O experimento consistiu em deixar duas viaturas idênticas abandonadas em vias públicas, sendo do mesmo modelo, marca e cor. Uma delas foi deixada num bairro pobre, zona de conflitos de Nova York, no Bronx. E a outra foi largada na Califórnia, numa área rica e tranquila, Palo Alto.

Dois veículos idênticos deixados a esmo em dois bairros com populações bem diferentes. E o que a equipe de especialistas se propôs foi estudar a conduta das pessoas naqueles locais extremos. Qual foi o resultado? Então, a viatura abandonada no bairro pobre de Nova York, logo nas horas seguintes foi vandalizada. Arrancaram as rodas, os espelhos, o rádio e levaram até o motor. Ela foi destruída, o que não ocorreu com a outra viatura abandonada no bairro nobre californiano, que permaneceu intacta.

A outra parte da experiência mudou essa história. Uma semana após, quando já tinha sido destruída a viatura largada no Bronx, enquanto a de Palo Alto estava intacta, os pesquisadores partiram apenas um vidro do automóvel que estava no bairro nobre. A partir desse episódio o resultado foi o mesmo ocorrido com a viatura do bairro conflituoso, no Bronx. Roubaram, vandalizaram, deixaram a viatura no mesmo estado da anterior, sucateada, com a mesma violência do bairro pobre.

Surgiu o questionamento. Qual a razão do vidro partido na viatura abandonada num bairro supostamente seguro ser capaz de disparar um processo delituoso? Fica claro que a pobreza não era o motivo evidente, mas sim algo que tem que ver com a psicologia humana e com as relações sociais. Que ideia transmite um vidro partido numa viatura abandonada numa via pública? Seria a ideia de deterioração, de desinteresse, de despreocupação. Percebeu através dessa experiência que isso faz quebrar os códigos de convivência, a ausência da lei, de normas e regras. É uma indução ao “cada um faz o que quiser”. Cada novo ataque que faziam na viatura disseminava mais essa ideia, até chegar ao ponto de uma violência irracional.

O experimento que deu base à teoria das Janelas Partidas conclui que um delito pode ser mais agravante nas localidades onde o descuido, a sujeira, a desordem e o maltrato são maiores. Se for estilhaçada parte do vidro da janela de um prédio e não repararem isso, em pouco tempo os demais vidros também estarão partidos. O mesmo pode ser proporcional numa comunidade que exibe sinais de desordem, bagunça, quebra de normas, e isto parece não importar a ninguém, então ali pode gerar o delito.

Pequenas falhas no dia a dia como não respeitar a faixa do pedestre, estacionar em lugar proibido, furar fila, aceitar propina, subornar outrem, e se tais falhas forem aceitas pela sociedade, então surgirão delitos maiores e mais graves. Na educação infantil, se os educadores permitirem atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento desses indivíduos será o de maior violência quando estiverem na fase adulta.

Tudo começa por pequenas transgressões, se não forem combatidas, como lixo jogado nas ruas, pequenos furtos e desordens, dentre outras faltas de limites ainda dentro de casa. Os pesquisadores mostraram com a teoria que áreas públicas que começam a ser deterioradas e aos poucos vão sendo largadas pela maioria das pessoas, estes mesmos espaços são progressivamente ocupados pelos delinquentes.

Uma localidade em que a as ruas são limpas, o trânsito é organizado, as pessoas respeitam as leis e os códigos básicos da convivência social humana, isso se preserva e cria a uma cultura que quem chega de fora logo percebe, se adequa esvai-se dali. A teoria das Janelas Partidas pode ser comprovada no cotidiano. Ela pode explicar muito sobre a permanência da impunidade, do desvio de verbas públicas, da criminalidade, da violência, do racismo e da política abjeta que existe no País. A tolerância do cidadão com as falcatruas é sempre como estilhaços no vidro da moral cívica do povo. É isso que contribui diretamente para o aumento do caos.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 7 de julho de 2014

VOCÊ SABE FRITAR UM OVO?
Artigo de Jair Donato*

O que você sabe fazer e faz bem? Possui atitude necessária e conhece o processo para obter a excelência? Isso é essencial para que você se mantenha competitivo. A formação acadêmica o faz adentrar ao mercado de trabalho, mas é pela competência que você se estabelece. O título deste artigo demonstra que uma competência pode também se relacionar a algo aparentemente simples e em qualquer área da vida; da cozinha ao ambiente de trabalho.

Afinal, fritar um ovo não é para qualquer um, muita gente não sabe, pois é algo que exige competência. Parece bem simples, e na verdade é isso mesmo, mas é preciso saber prepara-lo. É por isso que há quem come ovos torrados, outros grudados porque tentou virá-los na frigideira e não conseguiu. Por fim, há os que transformam um ovo em projeto de omelete ou quebra-o em fatias por falta de três fatores básicos. Primeiro é o conhecimento sobre a temperatura ideal do óleo no fogo - conhecer. Em segundo lugar é a habilidade no manuseio - o saber lidar, fazer. Seguido do autocontrole e a atitude que deve ter ao preparar a iguaria - a confiança para fazer direito. São estes os aspectos que formam uma competência, em qualquer área da vida.

Analogamente, muita gente desempenha as funções no trabalho como se estivesse na cozinha preparando um ovo de qualquer jeito. Cumprem horários e executam tarefas porque a empresa manda, nem ligam muito para melhorar a qualidade do serviço que prestam. Se quer investem para isso. No mercado encontra-se muitos empregados incompetentes como também gente que faz a diferença, que são profissionais. Mas afinal, como se tornar competente no que faz?

Semelhante ao exemplo do preparo do ovo, está o ato de dirigir. Caso falte ao condutor um dos elementos para que se torne competente no trânsito, ele possui alta probabilidade de incorrer-se numa infração ou provocar acidentes. Além da habilitação, que é o saber dirigir para obter a carteira de motorista, é preciso o conhecimento sobre segurança e as leis do trânsito, para isso frequenta-se as aulas. Além disso, se não houver aptidão, ou seja, atitude para se sentir confiante no volante e descontrolar-se emocionalmente no primeiro congestionamento ou ao ouvir uma buzina, ele não tem a competência formada, por mais que dirija. Tem gente que dirige há décadas, mas ainda não tem a competência desenvolvida para conduzir um veículo, tem medo, tamanho é o risco a que ele se expõe, como os demais no trânsito.

No relatório sobre educação pluridimensional no século XXI, elaborado pela UNESCO, são apresentados os quatro os pilares da competência que toda pessoa poderá desenvolver. A Competência Pessoal - aprender a ser; a Competência Social - aprender a conviver; a Competência Produtiva - aprender a fazer; e a Competência Cognitiva - aprender a aprender. As competências se dão de maneira individual, nas equipes e nos modelos de gestão e estratégias organizacionais. Elas podem ser de ordem técnica, por processos ou comportamentais.

Na história da humanidade houve grandes empreendedores, pessoas que revolucionaram o mundo e viveram em épocas de difícil acesso ao ensino curricular. Houve também eras em que as pessoas nem aprendiam a ler ou a escrever. E quantos se tornaram bem sucedidos, perspicazes, enriqueceram-se e contribuíram para o progresso do mundo? Incontáveis. Visão era a competência que tinham derivada de um rol de habilidades.

Saiba que não executar algo não é sinônimo de incapacidade, pode ser apenas uma competência não desenvolvida. O que hoje você não faz bem e nem sabe por onde começar, amanhã poderá se tornar exímio nisso, se desenvolvê-la.

Qualquer que seja a competência a ser desenvolvida, ela não se dissocia da ação. De algum modo, ninguém é desprovido de competência, todos são bons em alguma coisa, embora nem todo mundo seja competente em tudo. Mas, todos podem aprender sempre mais. O estratégico é descobrir se aquilo que você não é competente é importante para sua carreira e para sua vida. Se for, desenvolva-se, treine muito, adquira conhecimento e entre em ação.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br