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terça-feira, 30 de outubro de 2007

ÉTICA E ALTERAÇÃO CLIMÁTICA


Artigo de Jair Donato

Devido ao desequilíbrio da Terra, um minuto já se passa em 58 segundos, mostra um estudo alemão. Esse pode não ser um impacto visível, mas o mundo já não é o mesmo. Hoje, é impossível abordar causas das alterações climáticas apenas pelo prisma da política e da economia. Enquanto maior parte das ações estiver focada em posições ou no interesse de poucos e, não em princípios, a Terra será a maior vítima. Penso que nossa defesa deve moral, não política.

Ética não é uma resposta pronta, como uma bula ou receita. Ou se tem, ou não tem. Desde a época de Sócrates e Platão, esse já era um assunto que tinha interpretações diferentes. Ao verificar os acontecimentos no contexto ambiental, especialmente nos últimos 30 anos, paralelo ao paradigma de crescimento e produção de riqueza do mundo capitalista, é inegável que o planeta foi o único perdedor nas negociações dos bens retirados da própria Terra, o organismo mais logrado desde o início da Era Industrial, em detrimento de um pseudo desenvolvimento.

Em 2004, dados divulgados pelo International Water Management Institute IWMI, mostravam que no ano de 2025, 1,8 bilhão de pessoas no mundo viveriam sem água. Estamos em 2007 e essa já é uma realidade de 1,7 bi de pessoas. Assim como as previsões mostradas pelo conservador Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas - IPCC, órgão oficial da ONU, desde o primeiro relatório, em 1990, que sempre errou para menos quanto as previsões sobre o aumento da temperatura da Terra. O planeta esquentou mais que o previsto.

Há cinco anos, biólogos imaginavam que os efeitos nocivos do aquecimento global sobre os seres vivos só apareceriam num futuro mais distante, disse o professor de ecologia da Universidade de Nova York, Douglas Futuyma. "Sinto como se estivéssemos olhando a crise na cara", disse ele. "A coisa não está parada em algum ponto na estrada à nossa frente: está vindo a toda, em nossa direção. Qualquer um com 10 anos de idade hoje encarará um mundo muito diferente e assustador quando chegar aos 50 ou 60".

Mas, todas as previsões poderiam ter sido acertadas ou não terem alcançadas as proporções estimadas. Então, o que faz com que secas, enchentes, furacões, aumento do nível do mar, desmatamentos e perda de biodiversidade, se resultem no aumento da camada do efeito estufa, a cada dia? Isso provoca uma reflexão sobre ética e consciência ecológica.

Segundo dados do Imazon, entre 2005 e 2006, cerca de 90% dos desmatamentos e queimadas em Mato Grosso, ocorreram de forma ilegal. Ou seja, por inescrupulosos. Onde está a ética e a consciência em prol do bem comum? A vegetação brasileira sofre pela queima e desmatamentos desde a ocupação portuguesa, o que parece se traduzir em certo prazer pela destruição, que virou cultural.

Nas conferências que realizo sobre alterações climáticas, às vezes me interpelam sobre o papel do governo, que deveria criar mais leis. Concordo, mas, somente aumento de leis não resolve a falta de ética. Na verdade, o Brasil já é um exemplo para muito outros países sobre leis de proteção ambiental.

Estatisticamente, os países mais antiéticos do mundo são os que mais leis possuem, e o Brasil não está de fora desse rol. Então precisamos de recursos mais eficazes que leis e punição. Mesmo com medidas legais, somente a consciência é possível mudar o curso da destruição ambiental dos recursos naturais ainda existentes.

A postura ética já deveria ser um comportamento linear no ser humano. Parecemos mesmo ser uma civilização pouco evoluída, nesse aspecto. O homem precisa recorrer aos valores morais, oriundos dos princípios de preservação, conservação e amor próprio. Daqui por diante, e nas gerações futuras, o maior debate não será sobre ciência ou tecnologia. Será sobre ética e a moralidade humana.

Acredito na essência do ser humano. Afinal, degradar a natureza não é genético nem hereditário. É uma questão de consciência. Quem a possui, muda. Penso que deveríamos aprender mais com as crianças. Elas cuidam mais da natureza do que muitos adultos.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

domingo, 28 de outubro de 2007



PENSE NISSO!




Ao homem de grande visão recolher o lixo das ruas não incomoda, pois ele sabe que isso faz parte do trabalho de tornar o planeta mais belo;

Ao homem de pouca visão tornar o planeta mais belo não fascina; pois ele sabe que isto traz consigo o trabalho de recolher o lixo das ruas.


(anônimo)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

SUSTENTABILIDADE, CONDIÇÃO OU CONSCIÊNCIA?


Artigo de Jair Donato

É imprescindível que as soluções sustentáveis devam ser pautadas nos princípios do respeito à natureza, no crescimento econômico bilateral e na consideração dos valores sócio-culturais. O uso demasiado dos recursos naturais tem sido a maior ameaça ao planeta nas últimas décadas. A contenção da emissão de gases poluentes é o grande desafio, individual e coletivo, para evitar catástrofes irreversíveis.

A sustentabilidade precisa ter base na atitude do ser humano. É necessário, em tempos de alterações do clima, um repensar na produção e no consumo de alimentos, bens e serviços. É plantar e criar com foco em uma nova realidade. Pois o planeta já não é o mesmo. O homem poluiu em demasia e um novo estilo de consumir sem degradar se torna necessário.

Sustentabilidade, portanto, é evitar destruir para produzir. Aproveitar melhor os resíduos, reutilizar e transformar o que era lixo em consumo para novos fins e ainda gerar renda. É saber calcular racionalmente cada espaço explorado para desenvolvimento dos negócios, principalmente quando se trata do meio ambiente.

O Brasil ainda tem pouca representatividade mundial quando se fala de sustentabilidade. O governo prioriza mais os interesses eleitorais do que os econômicos e sócio-ambientais. Decisões apenas políticas só deturpam a perpetuidade do bem comum. Deveria investir seriamente tanto na infra-estrutura do País, como na formação de cientistas e na educação geral do brasileiro.

Será que por causa desses fatores não serem investimentos em curto prazo, não provoca tanto o interesse nos ‘ditos’ representantes do povo? O governo é fraco politicamente para tornar o país sustentável. Isso demonstra falta de visão e de planejamento em longo prazo para o futuro. Não fiscaliza o meio ambiente e não prioriza a educação como deveria.

Precisa investir muito na interação logística, da produção à mesa do consumidor. Criar mais oportunidades de negócios para a industrialização e o design no País. Sem esses fatores, só alimenta a cultura do faz-de-conta e não há crescimento.

Desenvolvimento sustentável não se trata de tendência de mercado. Os negócios daqui para frente precisam de estruturas em um novo paradigma econômico, produzir sem poluir e sem degradar. Produto e serviço sustentável será uma necessidade contínua da humanidade. As empresas deverão se preocupar mais com a reputação do que com a imagem. Essa última opção, uma agência de publicidade pode construir. Mas, reputação é atitude. É algo que se constrói somente com o tempo.

É falsa a idéia de que apenas produzir e exportar, a exemplo dos grãos, commodities brasileiras, seja crescimento para o País, a exceção do ganho de poucos, em detrimento da degradação dos biomas e do emperramento social. Dessa forma o País não se torna sustentável. E o mundo não suporta mais negócios em que ganham alguns e perde a maioria, inclusive a natureza.

O uso do carvão vegetal, a partir do capim e de fibrosos, assim como o uso de biodigestores na suinocultura, a prática do manejo sustentável – florestas e pastos, e a recuperação de áreas degradadas, são ótimos exemplos de desenvolvimento sustentável no mundo dos negócios.

É preciso investir na troca da energia fóssil pela energia renovável e aumentar o uso racional dos recursos naturais. Tudo isso é em longo prazo e ainda é econômico. Outras ações como a troca da produção de fibras de origem fóssil por produtos renováveis, originados do bioetanol. E fibras a partir do milho – biofibras, já começam a serem utilizados por empresas ao redor do mundo.

Outro exemplo crescente, principalmente nas comunidades locais, é a promoção do artesanato regional, uma atividade simples como forma de reaproveitar, despoluir e gerar renda, além de promover interação sócio-cultural.

O contexto atual merece uma reflexão. Será que medidas paliativas, ou seja, a cultura do ‘tapa-buracos’ pode salvar o mundo? Ou deveria se instalar uma maior consciência, e urgente, nas ações de produção e consumo? Afinal, assumir responsabilidades é uma atitude sustentável.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

SUSTENTABILIDADE E MEIO AMBIENTE

Artigo de Jair Donato

Sustentabilidade não é sinônimo de ações ligadas apenas ao meio ambiente. No entanto, a relação com as questões ambientais é maior do que muitos negócios estão envolvidos. O princípio da sustentabilidade se dá pela interação de três pilares: a garantia do crescimento da economia, o desenvolvimento sócio-cultural e o uso dos recursos naturais; sem tolher o crescimento e sem comprometer as gerações futuras. Esse é o desafio.

Desenvolvimento sustentável é uma expressão surgida em 1983, pela comissão liderada pela então primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland. O relatório da comissão que propôs os três pilares da sustentabilidade foi inspirado na Conferência de Estocolmo, em 1972 e amplamente divulgado na Conferência da ONU, no Rio, a ECO-92. O planejamento de sistemas produtivos, a mudança do paradigma econômico e o repensar social estão inseridos no documento elaborado.

Em tempos de alterações do clima no planeta, provocadas pelo consumo desenfreado, pela poluição exacerbada e destruição da natureza, em prol apenas do fator econômico, perde o meio ambiente e sofre o social. Milhares de pessoas se tornarão refugiadas nas próximas décadas, muitas sofrerão pelas secas, chuvas, aumento de temperatura, inundações e alastre de doenças infecciosas.

É fundamental que o objetivo da sustentabilidade seja compreendido e praticado. Pois ele só ocorre quando houver equilíbrio dos três fatores, ao mesmo tempo. E, isso só poderá ocorrer se houver planejamento e investimento a longo prazo, por parte dos governos e das organizações.

A Agenda 21, plano de ação elaborado na Rio-92, que contempla programas de inclusão social, acesso à educação, saúde e distribuição de renda, aponta a sustentabilidade, urbana e rural, assim como preservação e conservação dos recursos naturais e minerais, como um planejamento rumo ao desenvolvimento sustentável a longo prazo. Evitar a cultura do desperdício é uma das prioridades que contempla a Agenda 21, nos âmbitos global, nacional e local.

A mudança de comportamento e novos paradigmas precisam ser inseridos no contexto de desenvolvimento da sociedade atual. O modelo econômico arcaico que ainda prevalece no mundo capitalista, em que alguns ganham e a maioria perde, é inadequado para os padrões sustentáveis.

A atenção dispensada, principalmente pelos governos, às demandas sociais é ineficiente; penso que nunca foi. Por fim, o abuso e a degradação dos recursos naturais da Terra estão colocando em risco a própria capacidade do homem de viver com qualidade de vida.

É preciso deixar de pensar que o Brasil é um país do futuro. Quando se trata de ação, o que existe de fato é o presente. É no ‘agora’ que precisa ocorrer a transformação social e econômica, que considere o meio ambiente. A degradação das florestas brasileiras, que começaram desde a ocupação portuguesa precisa de um basta. Não é mais possível dar vazão a essa herança cultural que degrada e polui.

Mediante os incontáveis desastres ambientais em diferentes partes do mundo, que já comprometem a vida Terra, a maior mudança que se faz necessária daqui por diante, certamente é a do estilo de vida do homem, desde as ações domésticas à industrialização em grande escala. É preciso o juntar de esforços, entre governos, quem produz e quem consome.

Uma empresa sustentável tem mais credibilidade e reputação. Além disso, detém maior capital intelectual e valor de mercado. Isso é mais valioso que apenas ações de marketing, que cumprem outras finalidades. Os setores público e privado precisam calcular tudo isso racionalmente, de olho na perpetuidade dos negócios, na estabilidade da economia, na garantia do bem estar social e na preservação do meio ambiente.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A MASCARA DO EFEITO ESTUFA


Artigo de Jair Donato
(Série Escurecimento Global III)

Não é o Planeta que vai acabar. É a raça humana que pode desaparecer, ser extinta pelo calor ou pelo frio, caso o homem não repense urgentemente o modo egoísta de viver no Planeta. A maior polêmica não se dá só pelos efeitos do aquecimento ou do esfriamento da Terra. A causa é mais séria. É o destrato do homem em relação ao meio ambiente em que vive. É a degradação barata, interesseira e promíscua em relação aos recursos naturais. Um novo estilo de vida precisa surgir.

Este é o terceiro artigo da série ‘Escurecimento global’, fenômeno que provoca a diminuição da radiação solar na Terra, em contraposição ao aquecimento, que pela força do efeito estufa, aumenta a temperatura. Será que todas as previsões sobre o futuro do nosso clima podem estar erradas?

O efeito do uso dos combustíveis fósseis, 75% da energia utilizada no mundo ainda vem desse recurso, altamente poluente, foi mostrado por cientistas da Universidade da Califórnia, realizado nas Ilhas Maldivas, no Oceano Índico. A queima produz a poluição invisível, que engrossa a camada do conhecido efeito estufa, e aquece. Mas, a radiação visível, formada por pequenas partículas de fuligem, além de outros compostos, forma nuvens densas que dificultam a radiação do Sol na Terra.

Outro fator constatado em 20 anos de pesquisas pelo climatólogo David Travis, da universidade americana de Winsconsin, é que as trilhas de condensação deixadas pelas aeronaves, no espaço, também tem efeito sobre as alterações climáticas, formando nuvens que obstruem os raios do Sol na superfície terrestre.

Estudos mostram que as demais formas de poluição, como os desmatamentos, as queimadas ilegais, a degradação do solo, os resíduos domésticos e industriais lançados nos rios e na natureza, alteram o clima, devido os gases que vão para a camada do efeito estufa, e provocam o aquecimento da Terra. E, quanto ao efeito contrário, o do escurecimento, quais os possíveis impactos? São efeitos maiores ou menores? O mundo anseia por mais estudos elaborados pelos cientistas.

Uma certeza já foi apresentada. A poluição desenfreada, pelo interesse capitalista e antiético da humanidade, causa mais de um efeito. Na verdade, ocorre um desencadear de impactos, que poderão ser incontroláveis pelo próprio homem, em um futuro bem próximo, caso não seja repensado o estilo de vida na face da Terra.

Novas medições mostram que em virtude da queima de óleo e carbono de forma mais limpa em alguns países, assim como o uso dos catalisadores nos automóveis, são medidas que reduzem o escurecimento, embora não diminuem os efeitos do aquecimento global. Então, com ficará o mundo se forem extintos os efeitos do escurecimento global? Como a humanidade vai se sobressair dessa?

Pelo que tudo indica, se o escurecimento desaparecesse imediatamente o fim da humanidade poderia estar bem próximo, pois a Terra esquentaria em proporções ainda maiores. O efeito do escurecimento, ainda não é tão visível, devido o aquecimento, e vice-versa. Embora seja uma ameaça, um efeito parece proteger a humanidade do outro, ambos devastadores.

O que pode perceber é que o velho comportamento humano de poluir exacerbadamente, consumir sem racionalidade, queimar, desmatar e emitir gases sujos das mais variadas formas, polui de forma visível e invisível. Ou seja, todos os tipos de uso dos recursos naturais desencadeiam reações no planeta.

Contudo, ainda é tempo para refletir e agir. Cada um deve repensar ecologicamente na condição em que vive no planeta, e conter ao máximo, o uso irracional dos recursos naturais; e poluir menos. E, isso será possível, se governos, empresas e, acima de tudo, o próprio indivíduo, perceber essa necessidade. O planeta pede socorro.

É preciso consumir de forma consciente e pensar no bem comum. Disponibilizar novas fontes de energia renovável, alargar a escala de geração de riqueza e produção sustentável, preservar e conservar os biomas, dentre muitas outras alternativas já apresentadas ao mundo. Para os cientistas, os efeitos climáticos não é uma previsão, é um alerta.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

terça-feira, 23 de outubro de 2007

MUNDO DAS SOMBRAS

Artigo de Jair Donato
(série Escurecimento Global II)

O escurecimento global, fenômeno que age como máscara do efeito estufa, é responsável pela menor incidência dos raios solares na Terra. O artigo anterior abordou sobre o esfriamento que vem ocorrendo nos últimos anos, como conseqüência da poluição visível que aumenta, a cada ano, e afeta a energia solar no planeta. Mas, isso não é uma contraposição ao aquecimento global? É o que ainda intriga a comunidade científica.

O assunto é realmente instigante e complexo, mas a Terra poderia estar pior. Descobertas há 40 anos, em Israel, mostraram um paradoxo. O cientista Gerry Stanhill, biólogo, precisava medir a intensidade da radiação solar para organizar sistemas de irrigações em solo israelense. Ele precisava medir a radiação solar para saber a quantidade de água que as plantações precisavam.

Foi aí que ele se surpreendeu, ao saber que 20 anos mais tarde, houve uma grande redução da energia solar naquele País, que chegou a 22%. Então, se isso fosse verdade, Israel não teria que estar congelando? Tinha que haver algo errado, já que a temperatura no mundo inteiro continuava aumentando.

Após outras constatações, entre as décadas de 1950 a 1990, da queda da incidência de radiação solar, como na Rússia, em mais de 30%, nos EUA, na Antártida e em partes das ilhas Britânicas, Stanhill percebeu que se tratava de um fenômeno em escala planetária, e deu a ele o nome de Global Dimming, escurecimento global.

Biólogos australianos como Michael Roderick e Graham Farqurar, que mediam a taxa de ‘Evaporação de Panela’, uma medição diária da quantidade de água necessária em um local, para voltar ao nível da água do dia anterior, constataram que o índice estava diminuindo, em relação aos últimos 100 anos de coletas.

Surgia a contradição: como a taxa de evaporação da água nas panelas estava menor se a temperatura do planeta estava aumentando? A queda da evaporação também sincronizou com a diminuição da luz solar na Terra, segundo demais estudos em várias partes do mundo. Então os biólogos entenderam que se a taxa estava caindo, era porque tinha menos radiação no solo.

Eis os dois mundos, o do aquecimento e o do escurecimento global. O efeito estufa aquece e o escurecimento esfria. Um mascara o outro. Outra questão era a de que o Sol, em todo esse período, não emitiu menos radiação. Então, o que seria responsável por isso? A única conclusão é que poderia ser algo que estivesse na Terra. Viram que as nuvens de fumaça da queima de combustíveis estavam tornado-se espelhos gigantes que além de refletir de volta os raios solares, podiam alterar o padrão de chuvas globais.

O renomado climatólogo Veerabhadra Ramanathan, da Universidade da Califórnia, fez um estudo nas Ilhas Maldivas, um conjunto de mais de 1800 ilhotas desertas no oceano Índico, onde constatou duas correntes de ar vindas de diferentes locais. As ilhas do Norte eram atingidas por uma corrente de ar poluído, com mais de 3 quilômetros de altura, vinda da Índia, enquanto as ilhas do Sul eram atingidas por uma corrente de ar puro e limpo vinda da Antártida.

As ilhas do Norte recebiam menos energia que as do Sul, em média 10%, devido às nuvens espessas de poluição. Os quatro anos de pesquisa de Ramanathan mostraram que a queima de combustível produz a poluição invisível, que aumenta o aquecimento global, tanto quanto a radiação visível, pequenas partículas de fuligem e outros compostos, que dificultam a radiação do Sol. Mas, na época, a comunidade científica ignorou os estudos apresentados.

O conhecido aquecimento global pode ser apenas a parte visível do grande iceberg destrutivo que pode por fim a raça humana e a transformação das formas de vida no planeta. O mundo precisa ficar mais atento. Pois as conseqüências da destruição são, vertiginosamente, arrasadoras.

Afinal, a humanidade corre o perigo de viver no mundo do aquecimento ou das sombras? Se correr o bicho pega; se ficar, o bicho come. Eis o enigma. Será que todas as previsões sobre o futuro do nosso clima podem estar erradas? É o que veremos no próximo artigo desta série.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

ESCURECIMENTO GLOBAL


Artigo de Jair Donato
(série Escurecimento Global I)

A Terra é organismo vivo que também possui mecanismos de defesa. O instigante fenômeno ‘Escurecimento Global’ pode ser um deles. Embora não seja um tema da mídia, é motivo de preocupação e análise por estudiosos do clima. Trata-se de um acontecimento altamente destruidor, que pode ter levado milhões de pessoas à morte por inanição. Secas como na Etiópia, em 1984, que durou dez anos de fome à população, podem ter sido provocadas por esse fato.

A comunidade científica apresenta relatos sérios e oportunos, nesses tempos em que estamos diante de uma realidade oposta e assustadora, conhecida pela maioria, como o aquecimento da Terra, resultado da alta concentração de gases poluentes na atmosfera, devido às ações do homem.

Parece irônico falar em esfriamento terrestre, um assunto complexo, justamente na época de maior concentração do nível de CO2 na atmosfera, um dos vilões do efeito-estufa. Os estudos sobre a gravidade do escurecimento global mostram que o impacto humano sobre o planeta foi considerado dez vezes mais do que o apresentado pelos efeitos do aquecimento.

Climatólogos alemães, israelenses, russos, australianos e americanos observaram que, houve especialmente, nos anos 90, um declínio da luz solar no oceano índico, assim como em demais partes pelo mundo. Até o início do Século XXI esse era um tema novo e muitos cientistas se recusavam a acreditar no que estava acontecendo, somente agora começam a discutir.

O principal argumento era o de que se isso fosse real, a Terra deveria esfriar e não esquentar, como no aquecimento global. Mas, o pioneiro do estudo sobre o assunto, Gerry Stanhill, que em 1950, iniciou as pesquisas, em Israel, mostrou um resultado instigante.

Ele mediu a incidência de radiação solar no solo, e, ao comparar com novas medições feitas em 1990, se espantou com a constatação. Havia 22% menos radiação solar do que 40 anos antes. Ele publicou isso, no entanto, os cientistas ignoraram o estudo. A razão maior seria a de que o paradigma do aquecimento global contradizia o esfriamento da terra.

As discrepâncias das chuvas, assim como as secas em diversas regiões, são explicáveis com as pesquisas sobre o escurecimento global. Um recente estudo ocorreu em meio a uma das grandes tragédias que o mundo viu recentemente, quando as torres do Word Trade Center foram abaixo, pelo ataque terrorista em 11 de setembro de 2001. Nos três dias seguintes, o espaço aéreo americano ficou sem tráfego de aeronaves comerciais. Foi um ato trágico, contudo, causou uma oportunidade positiva para medições realizadas sobre o clima americano. Os EUA estavam de luto, mas, ironicamente, o clima estava ótimo.

Era o dia seguinte, 12 de setembro, o céu americano estava muito claro. E isso chamou a atenção do cientista especializado em clima, David Travis, da Universidade de Wisconsin, quando ia para o trabalho. Travis, que há 20 anos pesquisa sobre as possibilidades das trilhas de condensação, ou seja, as fumaças expelidas pelas aeronaves, terem algum efeito sobre o clima, estava diante da chance de comprovar isso, pois era um fato raro, toda a esquadra aérea americana estar em pouso.

O efeito observado pelo cientista foi rápido e intrigante. Pois a média de mudança de temperatura nos três dias em que o espaço aéreo americano ficou sem vôos, foi de mais de 1º Celsius. Segundo o pesquisador, para um leigo, isso pode não parecer muito. Mas, para que entende de clima, é muita coisa. Nunca tinha se observado isso antes.

Vivemos em dois mundos. Um é do aquecimento, onde o efeito estufa aquece devido ao CO2, metano e outros gases nocivos. O outro é o do escurecimento global, que ocorre pela alta poluição que forma as camadas que impedem a luz do Sol de chegar a Terra. Os dois são prejudiciais, mas com a limpeza das camadas, que diminuem o escurecimento agrava ainda mais o efeito contrário, o do aquecimento.

Afinal, o que está causando o fenômeno do ‘Escurecimento Global’? Por que a humanidade corre o perigo de viver no mundo das sombras? Esse é o assunto do próximo artigo.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

ERA DA ECOECONOMIA


Artigo de Jair Donato

Estamos no início da economia ecológica. Mas, a visão do velho regime capitalista, ainda presente, cujo valor do homem é reconhecido pela produção, é que faz com que os países mais poluidores do mundo se portem nos patamares da irresponsabilidade ambiental. É isso que coloca a Terra em risco. Pensando ecologicamente, o planeta sempre perde quando se trata do uso dos recursos naturais, que não se recompõe na mesma proporção em que são utilizados.

O atual mundo da produção, e também do desperdício, destrói a natureza acima do que o planeta é capaz de repor, e polui em potencial. Já se consome 26% a mais do que a Terra consegue renovar, segundo o relatório Planeta Vivo, da Ong WWF. Nessa proporção, estudos mostram que por volta de 2050 terá um consumo mais que o dobro da capacidade da Terra. E como estará a economia na metade deste século com os 09 bilhões de habitantes previstos pela ONU?

O economista americano Lester Brown, influente pensador do movimento ambiental global, autor do livro Eco-Economy, diz que é possível existir uma economia equilibrada com o meio ambiente e apresenta a idéia de que a humanidade deve caminhar nessa direção. Os danos causados cada vez que se faz uso dos recursos naturais, como a exploração da madeira, o uso do solo e dos rios não é considerado pelo velho conceito econômico.

Certamente, os paradigmas da economia mundial já não são tão éticos, dentro do contexto ambiental, e precisam ser repensados. Um exemplo é o conceito econômico tradicional de que para um ganhar, o outro tem que perder. Essa perspectiva de negociação precisa ser trocada pela relação da bilateralidade, onde ganham todas as partes envolvidas. Mas, será que o mundo capitalista está pronto para isso?

Hoje, na nova prática do mercado competitivo, a transação ideal entre cliente e fornecedor, é a do ganha-ganha, ação que gera confiança e relacionamento rentável; conceito de clientabilidade. Assim como no mundo dos negócios em que as partes envolvidas precisam ganhar, para que o homem restabeleça uma relação de qualidade de vida no planeta, é necessário que a natureza não continue no prejuízo.

Como nenhuma relação humana sobrevive sem parceria e reciprocidade, a mesma regra vale para a convivência do ser humano com a biodiversidade e com os recursos naturais da Terra. Além do respeito, da ética, da moral e das políticas renováveis necessárias para gerar produção e lucro, sem perda da noção do valor natural do que é consumido.

Ao contrário do que ainda se faz, as atividades econômicas podem ser compatíveis com a preservação e conservação ambiental. O que precisa mudar é a forma de fazer isso, e esse é um aspecto que além de contar com novas tecnologias, necessita urgente de um novo estilo de vida no comportamento do homem.

O mundo está diante de uma necessidade de mudança. Precisa partir para a economia que gera menos desperdício e aproveita os subprodutos. A economia ambiental parte de tudo que pode ser reaproveitado, após a utilização, através da reciclagem e da re-introdução do que foi transformado, na cadeia produtiva. Isso é desenvolvimento sustentável, que ainda gera renda e beneficia o social.

A natureza é um organismo vivo e o homem necessita acordar para essa realidade, se sentir como parte do meio ambiente, não apenas como elemento que polui e destrói.

O filósofo chinês, Confúcio, antes da era cristã, disse que: “As pessoas que não pensam bastante à frente, inevitavelmente têm problemas ao alcance das mãos”. Talvez mereça, da nossa parte, uma reflexão mais profunda acerca do que expressou esse sábio.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

terça-feira, 16 de outubro de 2007

PROMISCUIDADE AMBIENTAL


Artigo de Jair Donato

O Brasil ainda é lembrado em outras partes do mundo como um lugar de prostituição e pedofilia. Estrangeiros vêm aqui e usam as garotas em tenra idade a serviço do sexo, principalmente nos corredores do sudeste e nordeste. Além da exportação de corpos novinhos para o exterior, que servem à luxúria dos gringos.

Isso é crime, mas acontece. Quem ganha com a negociata? Somente os cafetões e os traficantes do sexo, além dos usuários dos pobres corpos vendidos por pouco, que se deliciam com um prazer momentâneo, tão rápido quanto uma cuspida no asfalto a uma temperatura de 40º C. Realmente essa é uma história gozada, desculpe o trocadilho, e imoral.

Mas, também convivemos com outras ações promíscuas, o que não deixa de ser uma perversão, diria Freud. Trata-se do desrespeito a natureza, um organismo vivo, a exemplo da proposta indecente, encaminhada neste ano, ao Senado, pelos representantes dos produtores de Mato Grosso, com o intuito de transformar a Amazônia em mero cerrado. E com aval político de gente que foi eleita para representar o povo.

Isso lembra aquelas mulheres alegres e carregadas na maquiagem que ganham carona na rodovia após certas insinuações aos caminhoneiros. Querem fazer o mesmo com a Amazônia. Numa exposição explícita, despida de pudor e senso ético, querem oferecer, a qualquer custo, o que ainda temos de floresta equatorial dentro do Estado, ao povo lá de fora. A ganância para atrair a atenção dos gringos é vulgarmente, em nome do desenvolvimento. O negócio é faturar, querem mais é pegar carona.

Os produtores anseiam a transformação da Amazônia em savana para desmatá-la, plantar grãos e criar mais bois. Essa é uma explicação torpe, antiética e desonesta, de um setor onde nem todos produzem de forma ecologicamente correta, mas, poluem e degradam. Do dia para a noite, querem nos convencer que um pé de andiroba não é mais andiroba, é apenas um pé de goiaba ou um talo de cipó. Será que aprendi algo errado na escola sobre biomas, ética e preservação do meio ambiente?

Ousar transformar o Norte de Mato Grosso em cerrado significa a perda do bioma Amazônia. O fim da floresta tropical que ainda resta, em troca do delírio econômico é uma libertinagem ambiental. Mato Grosso pertence de fato à vegetação amazônica. Ou seja, não está delimitada no mapa da Amazônia Legal apenas para efeitos de governo e economia. Entre mata fechada e área de transição, são 45% do Estado que pertencem ao bioma Amazônia, que passaria a ser legalmente um cerrado, segundo o polêmico projeto, cuja proporção de áreas protegidas cai de 80% para 35%”.

Isso seria um afronta ambiental, um estupro ao bioma amazônico, aos rios, à madeira, aos animais e a biodiversidade existente, que formam um ‘filtro ecológico’ para o gás carbônico. Já não resta a película da ética quando se trata do meio ambiente, em alguns setores econômicos. É um ‘tirar a roupa’ da decência, expor e agenciar a nossa floresta para gente que não é daqui, uma vergonha para País.

A comunidade européia já disse ao mundo que não vai se servir de uma natureza virgem e preservada, e que não é para os países de lá comerem nada do que for plantado na pura e delicada Amazônia. Eles não querem ser receptadores de produtos, cujos valores não pagam a destruição provocada para produzi-los. Essa é a razão para gente que explora a mata, alguns que moram aqui há pouco tempo, negar a condição amazônica de Mato Grosso.

O Brasil precisa crescer economicamente. Mas, de forma inteligente, responsável, ética e sem redução das áreas de proteção ambiental. Esse é o novo paradigma da realidade global. Quem não tiver pautado nessa necessidade, nem merece ser vaiado, tem de ser excluído como representante do povo. Que o eleitor brasileiro lembre disso na hora do voto.

Espero que os legisladores façam prevalecer a consciência ética e ecológica necessária. E que a sociedade não fique passiva diante de intenções lascívias que visam a destruição dos parcos recursos naturais que ainda existem no mundo, em prol do prazer, do delírio, da perversão e do interesse de poucos.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

domingo, 14 de outubro de 2007

ENERGIA RENOVÁVEL


Artigo de Jair Donato

A saída para os países que usam energia elétrica suja, como o carvão e o petróleo, é descobrir novas fontes de energia renovável. A última parcial do Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas (IPCC) mostra que entre 1970 e 2004 ocorreu uma elevação de 70% nas emissões de gases-estufa, sendo que o maior poluidor é o setor energético, responsável por 145%. Em segundo lugar, o setor de transportes, com aumento de 120%.

Atualmente, 75% da energia elétrica em todo o mundo ainda provêm dos combustíveis fósseis. Se continuarem os padrões atuais de desmatamento, queimadas e consumo de petróleo, as emissões de gases que provocam o efeito estufa podem crescer de 25% a 90% até 2030, sentencia o IPCC.

A pergunta é, até quando os países altamente poluidores vão continuar explorando recursos desfavoráveis ao clima e a própria condição de vida humana, sem investir em novas tecnologias? O governo chinês, por exemplo, simplesmente anunciou que não irá tomar medidas que afetam a economia do País, em detrimento do aquecimento global. Lá existem grandes minas de carvão, que geram 85% da eletricidade utilizada.

Hoje, é expelido um volume de dióxido de carbono, quase cinco vezes maior, se comparado à 1950. São lançadas na atmosfera, 762 toneladas de CO2, em torno de 390.000 m³ por segundo, só pelo uso de combustíveis fosseis.

Existe um dado preocupante que chama atenção, até mesmo na comunidade científica, bom seria que alarmasse os poluidores em potencial. Nos últimos 650 mil anos, o nível de CO2 na atmosfera nunca ultrapassou a 300 partes por milhão (ppm). Ou seja, para cada milhão de partículas de ar, cerca de 190 a 300 partes desse volume era de dióxido de carbono.

Foi assim por mais de meio milhão de anos. Com o advento da Revolução Industrial, essa proporção aumentou e o observado é que nos últimos dez anos, a emissão de CO2 arrebentou essa escala e chegou a 370 ppm. E alerta os cientistas, que se continuar a poluição na mesma intensidade da década de 1990, esse número vai aumentar nos próximos 50 anos. Isso é assustador, pois engrossa a camada do efeito estufa, ao redor da Terra, e provoca maior aquecimento global, a cada segundo.

O mundo precisa repensar o uso dos combustíveis fósseis e optar pelo uso de energia limpa, como a captação da energia solar e eólica, que não pulem. Outro tipo de energia que vem crescendo em torno de 4% ao ano, vem da própria terra, a geotérmica, explorada principalmente nas regiões vulcânicas. Enquanto existir terra, essa energia será utilizada, ao contrário do petróleo. Investir em fontes limpas será o grande negócio daqui por diante.

O diretor de campanhas do Greenpeace no Brasil, Marcelo Furtado declarou que sem mudanças rápidas e profundas na produção e no consumo de energia, a humanidade corre o risco de "perder o planeta". E assegura: é possível cortar as emissões de gás carbônico pela metade, até 2050, sem paralisar a economia mundial. A segunda parcial do IPCC, que avalia a vulnerabilidade socioeconômica e dos sistemas naturais, em conseqüências da mudança do clima, apresentou que com 3% do PIB mundial é possível essa contenção, nos próximos anos. Resta saber o interesse dos governos mundiais em levar esses dados a sério.

Embora o Brasil tenha como maior fonte de produção de energia, as hidroelétricas, que poluem menos, a situação é global. E, cada cidadão pode contribuir. As lâmpadas da sua casa são florescentes? Se não, as troque. Compre aparelhos mais eficientes, evite banhos demorados. Apague luzes e desligue aparelhos sem utilizá-los. Faça uma auditoria na energia da sua casa. Ao cozinhar ou ferver água com a panela tampada é mais rápido e economiza gás. Diminua os padrões de economia de combustível e descubra o que mais pode ser feito.

Parece pouco? Pois é, mas são as pequenas ações praticadas pelo maior número de pessoas que podem mudar o mundo mais rápido. Isso terá mais efeito do que grandes ações impostas por poucos, sem a consciência da maioria. Acredite, ainda é tempo de solução. Repense e faça a sua parte.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

AMAZÔNIA VERMELHA


Artigo de Jair Donato

A minoria que queima e desmata as florestas que ainda existem ao redor do mundo, a exemplo do bioma Amazônia, e ainda ameaça quem denuncia tais crimes, se acha no direito de continuar destruindo, como forma de delírio e prazer pelo lucro aparente, vulnerável e efêmero, justificado por um capitalismo barato e ególatra.

Em 2005, a ONU divulgou um estudo mostrando que os desastres naturais aumentaram em 60%, comparado à década de 1990. O aquecimento da Terra tem sido um fenômeno devastador. Na Índia, geólogos compararam o centro do planeta a um reator nuclear descontrolado, como forma de exemplificar os impactos derivados do superaquecimento em escala global.

O jornal Valor Econômico (02/2006) mostrou em números o que o Brasil deixa de receber por falta de fiscalização eficaz e proibição de queimadas e desmatamentos florestais, algo em torno de seis bilhões de dólares por ano. A floresta é um ‘filtro ecológico’ imprescindível para o gás carbônico (CO2) presente na atmosfera.

Segundo cálculos da consultoria BN Design Ambiental, a queima de 2.000.000 de hectares/ano na Amazônia resulta em torno de 400.000.000 toneladas de CO2 emitidas na atmosfera. Cada tonelada de CO2, ao custo de quinze dólares, chega a soma de seis bilhões de dólares. Esse é o valor da queima da Floresta Amazônica ao ano. Mas, a perda da biodiversidade é algo incalculável, quando comparada à qualidade de vida e a capacidade do homem viver bem na relação com o meio ambiente.

O governo britânico publicou no final do ano passado, na Convenção das Nações Unidas, sobre mudanças do clima, que a concentração atual de gás dióxido de carbono na atmosfera é de 430 ppm (partes por milhão), e continua aumentando. Se nada for feito nos próximos 50 anos, esse número pode dobrar e a vida na terra poderá ser comprometida para muitos povos.

Esse número assusta porque nos últimos 650 mil anos, o nível de CO2 na atmosfera nunca tinha ultrapassado a casa de 300 partes para cada milhão de partículas de ar. E as últimas décadas foram responsáveis por um aumento que em mais de meio milhão de anos não tinha ocorrido.

Se as emissões de CO2 ultrapassarem de 550 ppm, as mudanças climáticas comprometerão a economia mundial de forma incontrolável, cujos custos poderão passar de quinze trilhões de Reais. Milhões de pessoas sofrerão de fome, e a falta de água afetará outras centenas de milhões. Isso já acontece e o maior risco está no aumento dessa escala.

Segundo publicações do relatório Planeta Vivo, da Ong WWF, o planeta está em agonia. Já se produz 26% a mais do que ele consegue absorver. Se continuar no ritmo atual, essa perda de capacidade pode passar de 50%. As emissões de gases que provocam o efeito estufa podem crescer de 25% a 90% até 2030, são os últimos alertas feitos pela ONU, através do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC).

O hemisfério norte, local que recebe maior incidência solar, está esquentando duas vezes mais rápido do que o hemisfério Sul, mostram os climatólogos. E as geleiras estão derretendo muito rápido. As regiões litorâneas do planeta serão comprometidas seriamente até o fim do século. A nova preocupação mundial são os refugiados ambientais.

Enquanto cientistas fazem alerta sobre o aquecimento da Terra devido a grande quantidade de gases poluentes lançados na atmosfera diariamente, tendo os desmatamentos e as queimadas como fator de alto impacto, outros dizem que isso é uma intimidação política. Mas uma coisa é certa. A natureza está se agonizando devido a destruição provocada pelas atividades humanas. Nossas matas já não estão só verdes.

O ensaísta americano Mark Tuwain diz que “O que nos mete em encrenca não é o que não sabemos. É aquilo que sabemos com certeza que não é verdade”. Se tem algo que realmente pode desaparecer da face da terra antes do fim do Planeta, que ainda demora mais de um bilhão de anos, é a própria raça humana. Cuidar do planeta é uma questão de auto-estima, de amor próprio.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

AQUECIMENTO GLOBAL, FATO OU FARSA?



Artigo de Jair Donato

Enquanto uma série de cientistas, há mais de 30 anos tenta alertar o mundo sobre as freqüentes alterações do clima na Terra, devido a poluição decorrente das queimadas, dos desmatamentos, do uso exacerbado dos combustíveis fósseis e da destruição dos recursos naturais, outros acreditam ao contrário.

Para esse grupo cético e suspeito, essa é a história de como uma campanha política, encetada pela ONU, se transformou em cabides de empregos burocráticos. Não é aquecimento, é uma histeria climática, um grande negócio global, apregoa o grupo, se referindo ao tema como “a religião da farsa do aquecimento global”. Afirma que não é a ação do homem que altera o clima da Terra, e que nenhuma mudança nos últimos cem anos pode ser explicada só pelo aumento do CO2. O aquecimento global é apenas um frenesi que já ultrapassou a fronteira política, conclui.

Será mesmo uma farsa? São delírios ambientalistas que nos permitem ver os desastres ecológicos, inclusive no Brasil, no cerrado, no nordeste, no Pantanal e na Amazônia? Realmente, não me preocupo muito com previsões, pois podem ser mudadas. Mas, como justificar os fatos? Podemos ignorá-los? Será que devemos continuar no estágio da negação até partir para o desespero? Em quem ou em que acreditar?

Catástrofes como secas e enchentes incontroláveis, aumento de períodos de estiagem e do nível dos oceanos, degelo, malária e dengue além dos limites tropicais, perda de corais e extinção de espécies. E mais, furacões que rasgam partes do mundo em número e velocidades cada vez maiores, a exemplo do Katrina, que atingiu o Brasil e outros que se formarão daqui por diante. Desertificação, aumento do nível de gases poluentes na atmosfera, além de outros efeitos até então inimagináveis. Devo encarar tudo isso como uma farsa e continuar poluindo para ver como fica? Penso que cada um deve ter o discernimento necessário para tomar essa decisão.

Foi produzido um documentário, com um roteiro de tom irônico e subjetivo, tratando o aquecimento global como uma farsa, mas, sem dados científicos convincentes. Mostra a alteração do clima como uma história de censura e intimidação. Diz que o movimento ambientalista criou a ameaça do desastre climático como pretexto para impedir progressos industriais vitais nos países em desenvolvimento; uma declaração contra o sonho africano.

Não seria irresponsável afirmar que o aquecimento global simplesmente não é causado pelo homem e deixa-lo devastar os recursos naturais e utilizar energia suja ao bel prazer? Isso mais parece uma cisão da realidade de uma comunidade científica, bancada por interesses econômicos ameaçados de extinção.

É sempre bom ver os dois lados de uma situação, é necessário refletir e não defender uma única idéia de forma radical. Mas, em pleno século XXI, agir na presunção de que o homem é isento de responsabilidade sobre a alteração do clima do planeta e o alto índice de gases na atmosfera, pode ser muito perigoso. São décadas de poluição e destruição do meio ambiente, agravados pela era industrial, em favor do capitalismo. Agora, dar ouvido há um grupo que, não se sabe a que interesse atende, e diz que o mundo tem que usar o carvão, o petróleo e o gás à vontade, como forma correta de gerar riqueza, é querer subjugar a consciência da humanidade.

Esses “salvadores” que desejam libertar uma humanidade que caiu no ‘conto do aquecimento global’ lembram bem o perfil covarde, irresponsável e procrastinador de alguém que, quando erra, adere a culpa aos outros, por ser mais conveniente. Afinal, eles dizem que o aquecimento da Terra é conseqüência de explosões solares, ou do CO2 que é exalado pelos oceanos, e não da ação do homem, com mostra o IPCC, documento oficial da ONU.

Sem querer vender nenhuma idéia, penso que é saudável ponderar sobre o assunto. E saber onde está a distorção científica. Contudo, acredito na essência humana. Tenho fé de que o homem sempre pode mudar, em prol do bem coletivo, mesmo diante dos questionamentos, das dúvidas e de todas as ameaças possíveis.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

UMA NOVA PREOCUPAÇÃO MUNDIAL


Artigo de Jair Donato

A mudança do clima na Terra já é causa de migrações em massa. Essa é uma nova realidade deste século, que certamente os países ricos ainda não preferem discutir. Mas, terão de assumir responsabilidades por serem altamente poluidores do meio ambiente, fato que cria mais uma condição social, a dos refugiados ambientais.

A segunda parte do relatório do Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas - IPCC, publicado pela ONU, em abril deste ano, alerta sobre o aumento da temperatura da Terra, quanto à possibilidade de que os desastres climáticos iminentes deflagrem um êxodo mundial de proporções bíblicas.

Trata-se de gente que começa a perder a soberania e a própria cultura. Populações que abandonam os lugares de origem, por causa da fúria da natureza que invade impetuosamente as áreas costeiras, devido o aumento do nível dos oceanos.

Os primeiros refugiados ambientais da história da humanidade são os moradores de Tuvalu, um País insular que fica no sul do Oceano Pacífico, entre o Havaí e a Austrália. Os moradores desse País, formado por 09 pequenas ilhas planas, foram derrotados pelo mar, que continua subindo, e os governantes decidiram abandonar o local e retirar a população, pouco mais de 11 mil pessoas.

Segundo o jornalista japonês Tetsuo Jimpo, que acompanhou a situação de Tuvalu e publicou um livro sobre o assunto, a natureza foi implacável ao atingir as ilhas. Trata-se de um fenômeno raro no mundo. A água não invadiu de fora para dentro, como se vê em uma enchente. Ela jorra impetuosamente do solo, no interior da ilha, e inunda tudo, algo inimaginável antes.

O problema é que a Austrália se recusou abrigar os refugiados tuvalianos, em 2000. E a Nova Zelândia impôs condições morosas para aceita-los. E como será que vai ficar o planeta, que em 2050 terá 9 bilhões de pessoas, previsto pela Organização das Nações Unidas? O ecologista Norman Myers, da Universidade de Oxford, argumenta que o número de refugiados ambientais pode ultrapassar a marca dos 200 milhões nos próximos 50 anos, embora esses sejam dados questionados por outros ambientalistas, por serem muitas as variáveis existentes nas áreas atingidas.

Segundo a Cruz Vermelha Internacional, cerca de 25 milhões de pessoas já começaram a se transferir de lugares que sofrem problemas ambientais sérios. Esse número pode superar o atual total de refugiados de guerra no mundo. E os oceanos continuarão a subir porque as geleiras estão derretendo de forma assustadora. Isso é conseqüência do arrefecimento da Terra, provocado pela alta concentração de gases do efeito estufa que são lançados diariamente na atmosfera.

A próxima região que está à beira da extinção devido a elevação do nível do mar, é a República das Maldivas. Um País insular situado no extremo sul da Índia. Formado por 1196 ilhas que onde residem 311 mil habitantes.

O Brasil também terá regiões litorâneas afetadas pelo aumento do nível do atlântico. Com apenas 60 cm de altura, as duas primeiras cidades que terão as orlas afetadas serão Recife e Rio de Janeiro. Catástrofe maior ocorrerá se continuar a velocidade do degelo das calotas polares, sendo derretido os lençóis de gelo da Groenlândia, da Antártida e do Tibete. Por volta de 2100, no ritmo que está, os oceanos chegarão ao nível de 6 metros de altura. O mundo praticamente ficará acuado nos continentes, devido a elevação do nível da água, apontam os cientistas.

Trata-se de uma questão séria que nem mesmo os ambientalistas e especialistas em imigração de países chegam a um consenso. Mas, será que os países altamente poluidores como a Austrália e os EUA, ainda pobres em responsabilidade ambiental, podem omitir ajuda a tanta gente de áreas costeiras que vai perder tudo o que possui nos próximos anos? Essa é uma questão política, mas, acima de tudo, uma questão de consciência ética e moral.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

QUANTO CUSTA O PLANETA TERRA?



Artigo de Jair Donato

O documentário Uma Verdade Inconveniente, do ambientalista Al Gore, ganhador do Oscar 2007, mostra o que está acontecendo com a terra afim de alertar a população mundial. Qual é o vilão de tantas alterações? É o aquecimento global, causado pelo efeito estufa, que deixa de ser um fenômeno natural, por conseqüência do excesso do dióxido de carbono e do metano, dentre outros gases, lançados diariamente na atmosfera.

Ante a essa destruição, na maior parte do preço pago pelos produtos e alimentos que consumimos, está embutido apenas o valor de produção, sem considerar os demais valores da natureza. Se avaliar só o que estiver dentro do campo visual e observar apenas a atuação do mercado, sem levar em conta o capital natural, tudo se reduz a uma visão míope da ciência econômica antiga, onde para um ganhar, alguém tem que perder. No entanto, é impossível o homem continuar usando os recursos naturais sem ter conseqüências por isso.

O valor de um terreno, por exemplo, estipulado pelo referencial capitalista, considera apenas a localização geográfica e a vasão exploratória, mais do que a capacidade produtiva ou a natureza nele composta, assim como a necessidade de preservar ou conservar o ambiente em torno dele.

Esse é o valor dado sem considerar os recursos naturais. É uma noção de custo de mercado que desconsidera o valor do solo, do rio, das nascentes, da mata e dos demais componentes naturais. Mas, será possível quantificar a natureza? Que ponto de vista econômico poderia ser aplicado?

Pensando economicamente, o planeta talvez não tenha um preço exato. Mas, a revista americana Science publicou a tese do economista ambiental da universidade Maryland, dr. Robert Costanza, que mostra o resultado de uma análise de 300 projetos de exploração executados no mundo todo, com o intuito de quantificar o valor da natureza, se é que isso seja possível.

O economista converteu em valor econômico (dólar) diversas variáveis, dentre elas, o solo, os nutrientes, a manutenção de animais e vegetais silvestres, fibras e ervas. Considerou ainda as selvas, as montanhas, os oceanos e a beleza natural, que são dádivas ecológicas que não fazem parte do custo das atividades econômicas.

Em seguida, dr. Costanza comparou esse valor à soma dos produtos agrícolas produzidos na lavoura e da madeira extraída das árvores das florestas. Ou seja, o economista somou a totalidade das atividades da natureza em si e equiparou a soma ao valor dos produtos colhidos, ligada às variáveis consideradas nas duas partes.

Concluiu a tese que a proporção entre eficácia e o custo, em escala global, considerando o meio ambiente, foi no mínimo de “100 por 1”. Segundo os cálculos, 100 foi dado à opção de manter a natureza como ela é. E sendo explorada pelo homem, esse valor cai para uma centésima parte. Enfim, quanto mais há exploração, mais perda para a humanidade.

A tese apresentou o calculo de que o valor da natureza ainda não explorada no planeta é de 33 trilhões de dólares, em média. Usando esse valor como referência, dr. Costanza chegou a conclusão de que o prejuízo anual é de 250 bilhões de dólares, pelo uso sem reparação dos recursos naturais.

Mas, quanto seria o real prejuízo levando em conta as catástrofes provocadas pelo irreversível aquecimento da terra? Certamente seria incalculável. Talvez o homem pague isso com a extinção da própria raça. Não há cálculo preciso que mensure a perda da capacidade produtiva e de sobrevivência humana no planeta. É isso que está em risco.

É preciso que haja um repensar na economia. É necessário que o homem reconsidere os valores que estão fora do mercado. O mundo anseia por uma nova ciência econômica, que haja menos desperdício e mais conservação dos recursos naturais. Afinal, estamos diante de uma situação que não há outra saída, senão a mudança no comportamento do próprio homem. Pensar e agir pela via da eco-economia pode ser a solução.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

domingo, 7 de outubro de 2007

EXTINÇÃO DAS ESPÉCIES


Artigo de Jair Donato

O aquecimento global criará um novo clima na Floresta Amazônica até o final deste século, mais quente e com maior precipitação em época de chuvas. Esse é o resultado de um estudo feito por cientistas da Universidade americana de Wisconsin, liderado pelo geógrafo Jack Williams. Mudanças climáticas não é previsão de cientistas, é fato, embora inconveniente.

Conforme dados das três parciais do relatório do Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas - IPCC, publicados neste ano, pela ONU, além da região sul do Brasil entrar na rota dos furacões, devido as alterações do clima, o nordeste brasileiro será ainda mais afetado pela desertificação. Já são 1488 municípios assolados por esse fenômeno, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. E, o Centro-Oeste, infelizmente se tornará mais quente e parte da Amazônia poderá virar uma savana, por volta de 2080.

E o que mais pode acontecer se a Terra continuar esquentando? São muitos os estudos e medições climáticas que mostram que se não for reduzida a quantidade de emissão dos gases poluentes lançados diariamente na atmosfera, que engrossam a camada conhecida como efeito estufa, a situação ficará bem mais séria. Que o mundo não se arrisque pagar para ver essa catástrofe, embora parte dela já seja real.

A grande diversidade de corais, como os da Austrália, que são riquezas tão importantes para os oceanos, quanto as florestas para o solo e o ar, já está morrendo. E, até 2100, segundos especialistas, o arrefecimento da terra pode levar à extinção de três espécies, a cada grupo de dez. Devido o degelo das calotas polares, o urso está na lista para ser o primeiro animal a ser extinto. Por volta do fim deste século, provavelmente muitos animais não se adaptarão ao alto calor dos oceanos.

Como a temperatura da Terra está aumentando de forma antes prevista, as regiões dos trópicos e sub-trópicos, com grande biodiversidade, como é o caso da Floresta Amazônica e da Indonésia, serão as primeiras a sair do patamar de climas conhecidos hoje e a formar novos climas. Com o desaparecimento de climas, existe o risco de extinção de várias espécies, é o que afirma o geógrafo Williams. Novos tipos de clima podem oferecer novas oportunidades para algumas espécies, mas é difícil prever quais sofrerão e quais se beneficiarão com isso.

Ainda segundo o cientista, muitas das espécies em áreas de grande biodiversidade não conseguirão migrar para outras localidades. Ecologistas, biólogos e demais estudiosos do assunto estão surpresos com esses fatos. A velocidade é o fator preocupante. São muitas as espécies de plantas e de animais que estão mudando ou se alterando antes do previsto, nem todas se adaptarão.

Uma recente avaliação que contém 866 estudos científicos, publicada na Annual Review of Ecology Evolution and Systematics, mostra que cerca de 70 espécies de rãs, sendo a maioria de locais montanhosos e que não tinham para onde fugir do calor crescente, extinguiram-se por causa do aquecimento global. Esse foi um trabalho conduzido pela bióloga Camille Parmesan, que também informa que entre 100 e 200 outras espécies dependentes de temperaturas baixas para sobreviverem, como os pingüins, estão em grave perigo. "Finalmente, estamos vendo espécies se extinguir", diz a pesquisadora. "Agora temos a evidência. Está aqui. É real. Não é só uma intuição dos biólogos. É o que está acontecendo", conclui.

Em Mato Grosso, o aumento dos períodos de estiagem já começa alterar o ciclo de vida das espécies da região do Pantanal, afirmam os pesquisadores que desenvolvem estudos na região.

O maior perigo? É que a terra vai continuar aquecendo. É lamentável que tudo isso possa ocorrer em tão pouco tempo se o homem não fizer nada. E toda essa cadeia que poderá ser extinta depende muito da mudança do comportamento social, da política e do repensar dos valores cultuados por um mundo capitalista, com um modelo econômico ainda na forma do ganha-perde. O que será deste planeta que já não é tão azul?

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

JUÍZO FINAL


Artigo de Jair Donato

É da natureza humana, levar um tempo para unir os pontos. Mas chegará o dia do Juízo Final. Ou seja, quando você vai desejar ter ligado os pontos, mais rápido. Essa é uma reflexão contida no documentário ‘Uma Verdade Inconveniente’ do ambientalista Al Gore (Oscar 2007), que merece ser analisada por cada ser humano, poluidor do meio ambiente, e assim, mudar o estilo de vida. Talvez, não haja declaração mais frustrante do que o arrependimento pelo que poderia ter feito antes.

Este é o vigésimo artigo que abordo sobre mudanças climáticas, especialmente sobre os dois principais fenômenos que refletem efeitos devastadores no planeta, o aquecimento e o escurecimento global. Devido a destruição dos recursos naturais e a poluição exacerbada do ser humano egoísta, por vezes ingrato, com a fantástica e incomensurável beleza contida no planeta, a Terra está em risco.

Todas as catástrofes climáticas já registradas, assim como os alertas feitos, ocorrem em função do delírio pelo consumo e crescimento econômico rápido, de poucos. E as conseqüências dos gases e fumaças provocadas pelo uso de combustíveis fósseis na energia e no transporte, queimadas, desmatamentos, dentre outras formas de poluir que o homem moderno encontrou, são irreversíveis.

Neste ano, fiz mais de 60 conferencias sobre mudanças climáticas. Um trabalho voluntário de sensibilização das pessoas sobre ações que cada um pode fazer no dia-a-dia. Estive com mais de três mil pessoas, em instituições de ensino, empresas, órgãos públicos e demais organizações. Aprendi muito, compartilhei, vi bons exemplos de ações ambientalmente corretas, embora percebi também resistência considerável ao assunto.

Contudo, fiquei feliz, faria tudo de novo, assim como continuarei fazendo. Além das diversas organizações, tenho recebido também o apoio da mídia escrita, falada e televisada nessa causa. Defender, amar, preservar e conservar a natureza faz parte da minha missão de vida. Está na alma. Sei que é pouco, mas procuro sempre fazer a parte que estiver mais próxima e possível diante de mim. De alguma maneira, mesmo em pequena proporção, quero contribuir mais para um ambiente melhor.

Tenho orgulho de viver nesta terá abençoada, onde existem três riquezas indescritíveis, os biomas Amazônia, Pantanal e Cerrado brasileiro. Temos também o Araguaia, a belíssima Chapada dos Guimarães, e tantas outras fontes turísticas, ‘filtros ecológicos’ invejáveis pelo resto do mundo. Acredito que não seja necessário perdermos nada disso para percebermos o real valor que possui toda essa maravilha ambiental, verdadeira dádiva natural.

Vejo que ainda há um equívoco comportamental. Pois, o que é feito em nome do crescimento e da geração de riqueza, destrói e atende o interesse só de alguns segmentos. O paradigma do desenvolvimento ainda é o de que a maior parte precisa perder. A desigualdade social, assim como a degradação do planeta, são fatores desconsideráveis pelo mundo capitalista. Isso é o que precisa, de fato, ser reconsiderado.

Enquanto o mundo sócio-econômico não mudar a concepção de que para um ganhar, o outro não precisa perder, o planeta será a parte mais lesada nessa história de desenvolvimento. Um novo comportamento pautado na sustentabilidade e no consumo racional precisa ser aprendido pela sociedade, pelas empresas e governos do mundo inteiro.

É a visão egoísta do ser humano, que só permite ver o que está diante do próprio umbigo, que põe o planeta em risco. Vemos isso em cada queimada ilegal que há, nos desmatamentos desenfreados, no consumo delirante e sem noção, dentre tantas outras barbáries mostradas ao mundo diariamente.

O ensaísta americano Mark Tuwain disse que “O que nos mete em encrenca não é o que não sabemos. É aquilo que sabemos com certeza que não é verdade”. Espero que homem não chegue ao ponto de dizer: “Ah, se eu pudesse voltar ao que era, eu faria diferente”. Talvez, aí seja tarde demais. Anseio para que o juízo final da humanidade seja de compensação por ter feito a coisa certa, no momento certo, sem arrependimentos. Ainda é tempo.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com