
Artigo de Jair Donato
Devido ao desequilíbrio da Terra, um minuto já se passa em 58 segundos, mostra um estudo alemão. Esse pode não ser um impacto visível, mas o mundo já não é o mesmo. Hoje, é impossível abordar causas das alterações climáticas apenas pelo prisma da política e da economia. Enquanto maior parte das ações estiver focada em posições ou no interesse de poucos e, não em princípios, a Terra será a maior vítima. Penso que nossa defesa deve moral, não política.
Ética não é uma resposta pronta, como uma bula ou receita. Ou se tem, ou não tem. Desde a época de Sócrates e Platão, esse já era um assunto que tinha interpretações diferentes. Ao verificar os acontecimentos no contexto ambiental, especialmente nos últimos 30 anos, paralelo ao paradigma de crescimento e produção de riqueza do mundo capitalista, é inegável que o planeta foi o único perdedor nas negociações dos bens retirados da própria Terra, o organismo mais logrado desde o início da Era Industrial, em detrimento de um pseudo desenvolvimento.
Em 2004, dados divulgados pelo International Water Management Institute IWMI, mostravam que no ano de 2025, 1,8 bilhão de pessoas no mundo viveriam sem água. Estamos em 2007 e essa já é uma realidade de 1,7 bi de pessoas. Assim como as previsões mostradas pelo conservador Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas - IPCC, órgão oficial da ONU, desde o primeiro relatório, em 1990, que sempre errou para menos quanto as previsões sobre o aumento da temperatura da Terra. O planeta esquentou mais que o previsto.
Há cinco anos, biólogos imaginavam que os efeitos nocivos do aquecimento global sobre os seres vivos só apareceriam num futuro mais distante, disse o professor de ecologia da Universidade de Nova York, Douglas Futuyma. "Sinto como se estivéssemos olhando a crise na cara", disse ele. "A coisa não está parada em algum ponto na estrada à nossa frente: está vindo a toda, em nossa direção. Qualquer um com 10 anos de idade hoje encarará um mundo muito diferente e assustador quando chegar aos 50 ou 60".
Mas, todas as previsões poderiam ter sido acertadas ou não terem alcançadas as proporções estimadas. Então, o que faz com que secas, enchentes, furacões, aumento do nível do mar, desmatamentos e perda de biodiversidade, se resultem no aumento da camada do efeito estufa, a cada dia? Isso provoca uma reflexão sobre ética e consciência ecológica.
Segundo dados do Imazon, entre 2005 e 2006, cerca de 90% dos desmatamentos e queimadas
Nas conferências que realizo sobre alterações climáticas, às vezes me interpelam sobre o papel do governo, que deveria criar mais leis. Concordo, mas, somente aumento de leis não resolve a falta de ética. Na verdade, o Brasil já é um exemplo para muito outros países sobre leis de proteção ambiental.
Estatisticamente, os países mais antiéticos do mundo são os que mais leis possuem, e o Brasil não está de fora desse rol. Então precisamos de recursos mais eficazes que leis e punição. Mesmo com medidas legais, somente a consciência é possível mudar o curso da destruição ambiental dos recursos naturais ainda existentes.
A postura ética já deveria ser um comportamento linear no ser humano. Parecemos mesmo ser uma civilização pouco evoluída, nesse aspecto. O homem precisa recorrer aos valores morais, oriundos dos princípios de preservação, conservação e amor próprio. Daqui por diante, e nas gerações futuras, o maior debate não será sobre ciência ou tecnologia. Será sobre ética e a moralidade humana.
Acredito na essência do ser humano. Afinal, degradar a natureza não é genético nem hereditário. É uma questão de consciência. Quem a possui, muda. Penso que deveríamos aprender mais com as crianças. Elas cuidam mais da natureza do que muitos adultos.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com













