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quinta-feira, 23 de julho de 2009

PEQUENO PASSO


Artigo de Jair Donato
Neste mês comemora-se 40 anos que o homem pisou na lua pela primeira vez, momento em que o astronauta Neil Armstrong expressou que se tratava de um pequeno passo para o homem, mas um grande salto para a Humanidade. Certamente se tratava de uma corrida espacial importante para o mundo da ciência. A agência espacial americana está preparando nova viagem para os próximos anos, com maior aparato tecnológico.

As conquistas, sejam do espaço ou do ambiente em que cada um se encontra, é fundamental para o progresso coletivo e o crescimento individual. Diante do cuidado com o planeta e a necessidade de sobrevivência que a humanidade possui em tempos em que a temperatura na Terra está cada vez mais alta e catástrofes ambientais se proliferam, é bom que os moradores desta “Terra azul”, como expressou o astronauta Yuri Gagarin, do espaço, dê pequenos passos todos os dias, em prol dos recursos naturais como a água, a energia, o solo e todas as espécies de vida existentes.

Pequenos passos devem ser ações efetivas rumo à conservação dos recursos naturais, a preservação das árvores, a recuperação das matas, a reutilização do que ainda pode ter outras finalidades, a reciclagem do que pode ser transformado e a recusa do que não for ambientalmente correto. Respeitar o meio ambiente será o maior passo que cada um pode dar como garantia de qualidade de vida para a humanidade.

Quando a agência espacial americana lançar uma nova jornada à lua, daqui a duas décadas, será uma ocasião em que novos astronautas poderão dar muitos outros passos e andar de automóvel por lá numa distância de 200 quilômetros aproximadamente. Mas, será necessária uma grande caminhada, com bilhões de passos aqui na Terra, ainda nesta década, para que ocorra um salto gigantesco na consciência das pessoas.

Talvez seja essa a maior descoberta que o homem ainda está por fazer, uma enorme viagem dentro de si mesmo, até chegar ao “planeta consciência”, numa galáxia não muito distante. A cada pequeno passo, como símbolo do comprometimento da maioria, pode garantir por mais tempo a vida neste planeta, o ar menos poluído, melhor clima e multiplicação do verde para os bilhões de moradores que aumentam a cada dia. Dessa forma, certamente o homem poderá voltar à lua quantas vezes desejar, além de explorar várias outras localidades no espaço.

Contudo, um passo significativo que se espera de todos daqui por diante, atributo que deve surgir a partir da consciência, é a atitude sustentável. Segundo o físico e escritor austríaco Frtjjof Capra, uma sociedade humana sustentável é aquela que não interfere na habilidade inerente à natureza de sustentar a vida. E sustentabilidade não é responsabilidade de um único ramo científico nem de setor específico da sociedade. É uma tarefa global, uma somatória de todas as pessoas, extensiva às futuras gerações.

A grande mudança no contexto ambiental, econômico e sócio-cultural deve ocorrer pela somatória de pequenas ações, praticadas pela maioria das pessoas. Esse esforço coletivo transformará o estilo de vida humana mais rápido do que apenas grandes passos, se dado por poucos ou por imposição.

Cada movimento individual ou em grupo, seja pequeno ou grande, precisa ser estabelecido pela consciência. Na verdade, cada um deve saber aonde pisa, pois o impacto de uma pegada pode ser global. Através de bilhões de pequenos passos aqui na Terra haverá um grande salto para a evolução da humanidade. Ter consciência é viver com responsabilidade e ter noção do que se faz. Embora ainda tenha muita gente que parece viver como se nada tivesse acontecendo no ambiente ao seu redor, no “mundo da lua”.

Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 16 de julho de 2009

TEIA DA VIDA

Artigo de Jair Donato


A relação entre homem e natureza se dá não apenas no âmbito biológico, ocorre também em níveis culturais e psicológicos. Segundo o físico austríaco Frijot Capra, a natureza é tão complexa que a denomina como uma “teia da vida”. Ela se entrelaça e possui interdependência com todos os fenômenos. Uma breve viagem ao tempo favorece a compreensão sobre o comportamento e o estilo de vida do homem na Terra.

As concepções da natureza criadas pelo ser humano ao longo da história foram diversas, a começar pela visão sacralizada, quando conhecer os fenômenos naturais era adorá-los, época de quase nada em conhecimento científico. A natureza era então um mistério panteísta povoada por muitos deuses. Havia uma concepção politeísta e também anímica. Ou seja, era repleto de espíritos para cada fenômeno, pois eram atribuídos deuses para o fogo, para a água, para o trovão, para a relva, para a chuva, a lista era infindável.

Veio então a descoberta da agricultura e da pecuária, o início da dessacralização, rumo ao profano. Daí surgiu o processo discrepante na relação do homem com o meio ambiente. Ainda por volta do século VI a V a.C., no mundo helênico, os pensadores deixavam de cultuar, eles simplesmente contemplavam a natureza e refletiam sobre ela e os respectivos fenômenos. Alcançaram nessa época uma visão mais interrogativa e holística que englobava a natureza, os seres nela existentes, inclusive os humanos, e ainda os deuses.

Veio depois, com o tempo, a visão judaico-cristã, uma semidessacralização que retirou a cosmovisão holística e aderiu toda criação natural a uma entidade, laveh para os judeus, como processo da história. Após esse rumo do povo hebreu-judeu, parte do mundo natural perdeu o caráter de sacral.

Já com a visão mecanicista da natureza, no auge cristão do ocidente, prevalece de vez o postulado judaico-cristão no mundo. Fortalece concomitantemente no homem a concepção de portar-se como o senhor da natureza. E que os corpos, sejam humanos ou dos animais e até o Universo, funcionariam como meras máquinas projetadas.

Por fim, desde o início do século XX, com o desmoronar da concepção mecanicista, veio o surgimento da incerteza, momento em que o absolutismo foi contestado, características de uma visão organicista contemporânea. Surgem nesse contexto a teoria darwinista, sobre a evolução das espécies, a teoria da relatividade e a aproximação científica da vida, a exemplo da biologia molecular, quando o homem passou a ser visto intrínseco ao contexto bioecológico, composto também por traços comuns à natureza.

Essa rápida passagem pela linha do tempo na relação do homem com o meio em que vive e dele depende, apresentada detalhadamente pelo pesquisador Arthur Soffiati, traz uma reflexão sobre como o próprio homem age atualmente, na cultura capitalista neste novo século. As revoluções científica e industrial, pela via da descoberta e do crescimento, foram momentos necessários. Contudo, nessa transição, o homem passou a ter uma posição de como se fosse superior ao mundo natural, que pudesse explorar e domar a vida nele existente.

No entanto, o mundo natural continua sendo uma complexidade indomável pela astúcia humana, com limites próprio e exposto ao tempo. O homem não é o centro, é como se assim dissesse a natureza, caso se expressasse verbalmente. Mas é esse o recado que ela deixa ao reagir bruscamente nesses tempos, ditos modernos, de alterações climáticas.

Percebe-se que não pode haver mudança alguma se não houver mudança de dentro para fora. É um novo comportamento, mais reflexão e compreensão sobre a fragilidade da terra que o homem precisa adquirir. A natureza não pede para ser sacralizada de novo, basta que cada um devote a ela mais respeito, estima, cuidado, recuperação, contemplação. Que todo ser humano acolha a tudo que é natural como parte de si, da própria essência. Isso é repensar o modo de viver por aqui.

Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 8 de julho de 2009

HOMEM E NATUREZA, UMA RELAÇÃO COMPLEXA





Artigo de Jair Donato

Empresas inteligentes com gestores de negócios que possuem visão de futuro sabem que questões que envolvem as mudanças climáticas são tendências e não mero modismo, como coisas de estação. A nobre pauta que deve permear os novos planejamentos estratégicos das empresas é a sustentabilidade, movida pela perspectiva real de ganho e lucro para qualquer organização de diferentes setores, seja de energia, de recursos hídricos, de alimentação, vestuário, transportes, tecnologia da informação, seguros, dentre outros, produção ou prestação de serviços.

O mundo da produção e do consumo passa por uma alteração radical nas relações com o meio ambiente e precisa urgentemente rever os paradigmas de ganho e de parceria, como forma de se manterem no mercado pelas próximas décadas. Diferente da Era da Revolução Industrial, hoje as mudanças, por ser a única certeza que existe, ocorrem numa velocidade que um negócio para se manter precisa ser repensado constantemente. Flexibilidade, negociação bilateral com o social, com a economia e com a natureza é a adaptabilidade que todos necessitam.

O ambientalista Al Gore, autor do livro e documentário “Uma Verdade Inconveniente”, diz que as consequencias dos problemas ambientais ocorrem tão depressa que desafiam nossa capacidade de reconhecê-las, compreender as devidas implicações e organizar uma resposta apropriada ao tempo.

Desde as revoluções Científica e Industrial, o ser humano parece ter se considerado superior ao mundo natural. Ele adotou um comportamento mercantilista que deu forças à cultura capitalista numa relação maniqueísta, e menos para o lado do bem quando se trata dos recursos naturais, que se tornou num grande desrespeito as questões ambientais.

E continua poluindo, o homem ainda destroi mais do que conserva ou preserva. Mesmo nas Eras do conhecimento, da informação e da competência, ele continua sem a habilidade de resgatar uma relação de harmonia com a natureza. Nada poderá ser diferente se não houver uma revolução de consciência. A evolução humana se torna necessária para cuidar de coisas simples, não apenas em níveis biológicos, mas fundamentalmente em níveis cultural, psicológico, moral e ético.

“Todos os seres humanos fazem parte da comunidade dos seres vivos e, embora possuam autonomia de existência, não são independentes em relação à natureza”, afirmou reflexivamente o pensador alemão Goethe. Na verdade, a natureza é um complexo que corresponde a todos os seres e a todas as formas de vida. É uma força ativa de ordem natural, severamente alterada por gerações sem consciência, ignorantes a grande teia interdependente da vida.

O que é necessário é a mudança, a adaptação, a criação de alternativas sustentáveis, tecnologias mais limpas, atitudes verdes na hora da fabricação, da produção e do consumo. Sem dúvida, mudança é a única variável que pode sustentar a vida na Terra daqui por diante. Mas que fique claro, mudar com foco no coletivo, na qualidade de vida desta e das demais gerações vindouras. Ganhar de outra forma, só destrói. A história do homem no planeta mostra isso.

Um exemplo da pouca consideração dada pelo homem ao meio ambiente, especialmente no século XX, está no nível do CO² que continua aumentando, o que acelera as alterações climáticas. Últimos estudos apresentam que o aumento da temperatura na região do Ártico pode causar a liberação de mais de um trilhão de toneladas de gases do efeito estufa, quase três vezes tudo o que já foi liberado pela humanidade desde a revolução industrial.

Bilhões de toneladas desses gases, dentre eles os vilões, dióxido de carbono, metano e o óxido nitroso, liberados pela decomposição de animais e vegetais que estiveram armazenados por centenas de milhares de anos sob o gelo que cobre a vegetação predominante das regiões próximas ao Ártico, já estão “vazando” em virtude do degelo de algumas áreas desse ecossistema, é o que recentemente constataram pesquisadores russos e finlandeses.

Mas, tudo isso não ia acontecer mesmo um dia? Afinal o planeta não vai aquecer? Sim, claro! E alguém teria duvida disso que é ensinado até no ensino básico? O grave não é o fato, mas a maneira como ele está acontecendo. O dilema é que tudo isso seria daqui a algumas centenas de milhares de anos, provavelmente. Essa é uma questão ética para o homem refletir e agir, agora.

Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com