
Artigo de Jair Donato
A situação ambiental já provocada no planeta requer por parte de cada indivíduo, ações que mudem o curso da fúria antinatural que assola a vida de milhões de pessoas todos os dias. Aumenta o número de tufões, tempestades, tornados, furacões. Também alteram os graus da temperatura em determinadas regiões, avança a seca em outras e tudo isso tem sido causa do surgimento de uma nova situação, os refugiados ambientais. Lastimável.
O solo, a água, o ar, as plantas e demais espécies que há milhares de anos garantem a vida na Terra estão ameaçados pela ação humana. Infelizmente o Brasil está sendo assolado por quase todos os fenômenos provindos das mudanças climáticas, aumento da estiagem e diminuição da umidade no Centro-oeste e na Amazônia, desertificação no nordeste e sudeste do País, além da fúria largada pelas tempestades e furacões na região Sul.
Nesta semana foi publicada no Diário Oficial da União, uma lista de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, que traz o número de 472 espécies. Em 1992 o número era de apenas 108 espécies, mais que quadruplicou em um período de 16 anos. Especialmente, o dito “progresso” dos últimos 30 anos representa uma grande ameaça para o futuro do planeta se nada for redirecionado com rapidez daqui pra frente.
A lista apresentada foi elaborada pela Fundação Biodiversidade, a pedido do Ministério do Meio Ambiente. E fica a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, a coordenação de um plano de ação nos próximos cinco anos para a retirada das espécies ameaçadas da lista, que classifica os biomas com maior número de espécies.
Em primeiro, a Mata Atlântica com 276, seguida do Cerrado com 131 e da Caatinga com 46. Na Amazônia foram classificadas 24 espécies em extinção, o Pampa com 17 e o Pantanal com duas delas. Algumas das espécies constantes na lista divulgada aparecem em mais de um bioma, o que resulta na disparidade dos números apresentados.
Foi em 1968 a edição da primeira Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, que incluía apenas 13 nessa situação. Em 1980 foram incluídas 13 espécies a mais, seguidas dos anos de 1992 e esta última com a inclusão também de 12 espécies nobres de madeiras ameaçadas de extinção. Segundo o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, a Mata Atlântica está entre os biomas mais ameaçados, seguida da Caatinga e do cerrado, que estão sendo destruídos de forma mais agressiva.
Espero que isso seja um alerta e que pelo fato da Amazônia ter boa parte ainda preservada, não sirva de motivação para seguir o mau exemplo que ocorreu com a Mata Atlântica, que hoje restam apenas 7% do que existia. Será a partir da alteração do estilo de vida de quem consome, especialmente dos países mais desenvolvidos, que desperdiçam muito os recursos da natureza e poluem em potencial, assim como a junção do esforço volitivo das nações que ainda possuem o que preservar e conservar, como é o caso do Brasil, que a mudança será mais rápida.
Todos precisam de energia, combustível, alimento, vestiário e demais necessidades. Contudo, as questões sócio-culturais e econômicas só terão equilíbrio se todos tiverem uma casa para respirarem melhor. Daqui por diante as rodadas de negociações, sejam em pequena ou em grande escala, necessariamente passarão pelo crivo ambiental. Isso já é realidade também nos países desenvolvidos, mas de uma outra classe que não pensa em apenas consumir agora, mas preservar para manter o consumo no futuro.
A causa de não querer mudar? Talvez porque isso implica em começar de novo para muitos segmentos, ou em fazer diferente para tanta gente que desde a barriga da mãe já percebia movimentos rotineiros. Mudar dói, transforma, regenera, ressignifica, dá novos resultados, e isso não é tão fácil, não é para qualquer rum. Mas, mudar pela dor, talvez seja mais drástico. Enfim, tudo é uma questão de escolha, e atitude.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com


