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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

PRESERVAR E CONSERVAR É ATITUDE



Artigo de Jair Donato

A situação ambiental já provocada no planeta requer por parte de cada indivíduo, ações que mudem o curso da fúria antinatural que assola a vida de milhões de pessoas todos os dias. Aumenta o número de tufões, tempestades, tornados, furacões. Também alteram os graus da temperatura em determinadas regiões, avança a seca em outras e tudo isso tem sido causa do surgimento de uma nova situação, os refugiados ambientais. Lastimável.

O solo, a água, o ar, as plantas e demais espécies que há milhares de anos garantem a vida na Terra estão ameaçados pela ação humana. Infelizmente o Brasil está sendo assolado por quase todos os fenômenos provindos das mudanças climáticas, aumento da estiagem e diminuição da umidade no Centro-oeste e na Amazônia, desertificação no nordeste e sudeste do País, além da fúria largada pelas tempestades e furacões na região Sul.

Nesta semana foi publicada no Diário Oficial da União, uma lista de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, que traz o número de 472 espécies. Em 1992 o número era de apenas 108 espécies, mais que quadruplicou em um período de 16 anos. Especialmente, o dito “progresso” dos últimos 30 anos representa uma grande ameaça para o futuro do planeta se nada for redirecionado com rapidez daqui pra frente.

A lista apresentada foi elaborada pela Fundação Biodiversidade, a pedido do Ministério do Meio Ambiente. E fica a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, a coordenação de um plano de ação nos próximos cinco anos para a retirada das espécies ameaçadas da lista, que classifica os biomas com maior número de espécies.

Em primeiro, a Mata Atlântica com 276, seguida do Cerrado com 131 e da Caatinga com 46. Na Amazônia foram classificadas 24 espécies em extinção, o Pampa com 17 e o Pantanal com duas delas. Algumas das espécies constantes na lista divulgada aparecem em mais de um bioma, o que resulta na disparidade dos números apresentados.

Foi em 1968 a edição da primeira Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, que incluía apenas 13 nessa situação. Em 1980 foram incluídas 13 espécies a mais, seguidas dos anos de 1992 e esta última com a inclusão também de 12 espécies nobres de madeiras ameaçadas de extinção. Segundo o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, a Mata Atlântica está entre os biomas mais ameaçados, seguida da Caatinga e do cerrado, que estão sendo destruídos de forma mais agressiva.

Espero que isso seja um alerta e que pelo fato da Amazônia ter boa parte ainda preservada, não sirva de motivação para seguir o mau exemplo que ocorreu com a Mata Atlântica, que hoje restam apenas 7% do que existia. Será a partir da alteração do estilo de vida de quem consome, especialmente dos países mais desenvolvidos, que desperdiçam muito os recursos da natureza e poluem em potencial, assim como a junção do esforço volitivo das nações que ainda possuem o que preservar e conservar, como é o caso do Brasil, que a mudança será mais rápida.

Todos precisam de energia, combustível, alimento, vestiário e demais necessidades. Contudo, as questões sócio-culturais e econômicas só terão equilíbrio se todos tiverem uma casa para respirarem melhor. Daqui por diante as rodadas de negociações, sejam em pequena ou em grande escala, necessariamente passarão pelo crivo ambiental. Isso já é realidade também nos países desenvolvidos, mas de uma outra classe que não pensa em apenas consumir agora, mas preservar para manter o consumo no futuro.

A causa de não querer mudar? Talvez porque isso implica em começar de novo para muitos segmentos, ou em fazer diferente para tanta gente que desde a barriga da mãe já percebia movimentos rotineiros. Mudar dói, transforma, regenera, ressignifica, dá novos resultados, e isso não é tão fácil, não é para qualquer rum. Mas, mudar pela dor, talvez seja mais drástico. Enfim, tudo é uma questão de escolha, e atitude.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ROTA DE AUTOCOLISÃO



Artigo de Jair Donato

Os seres humanos e o mundo natural estão em rota de colisão. As atividades humanas provocam danos sérios e freqüentemente irreversíveis no meio ambiente e em recursos cruciais. Se não forem detidas, muitas das nossas atividades colocam em sério risco o futuro que desejamos para a sociedade humana e para os reinos vegetal e animal, e podem alterar tanto o mundo dos seres vivos que ele se tornará incapaz de sustentar a vida da maneira que conhecemos. Mudanças fundamentais são urgentes se queremos evitar colisão que a nossa rota atual irá causar”.

O alerta acima foi divulgado em 1992 por uma comunidade de 1600 estudiosos da União dos Cientistas conscientizados, sendo a maioria deles ganhadores do prêmio Nobel da área de Ciências. O meio ambiente está recebendo traumas cruciais, avisa a comunidade científica mundial. A atmosfera, as reservas de água, os oceanos, o solo, as florestas e as espécies vivas, assim como a população, tudo está ameaçado.

O abaixo-assinado dos cientistas, assinado nessa ocasião, sugere ações que podem ser feitas em várias áreas paralelamente. São elas: Proteção da integridade dos sistemas terrestres, sem os quais ninguém poderá viver, através do controle das atividades prejudiciais ao meio ambiente. Um bom exemplo disso é a utilização de energia cada vez mais limpa e o abandono dos combustíveis fósseis, como também a adesão ao desmatamento zero e maior conservação das terras de cultivo.

A segunda ação propõe uma gestão dos recursos indispensáveis ao ser humano, como a água e outros bens, de forma crucial. E também manter a expansão, a conservação e a reciclagem como foco. Estabilizar a população é outra pontuação feita pelos cientistas. Segundo eles, essa prática será possível se as nações reconhecerem que isso requer melhoria das condições sócio-econômicas. Em seguida, reduzir, e por fim, eliminar a pobreza. São essas algumas das proposições que eles fizeram.

Há uma profunda reflexão que se deve fazer em torno dessas alternativas. Talvez essa seja a maneira de perceber que a atitude possa ser o maior cerne da destruição em escala global, a medir pelos efeitos aí instalados pela natureza. E, certamente, a diminuição do impacto global em decorrência das mudanças climáticas, pode se dá pela união das nações em prol de um mesmo objetivo, cujo foco seja a preservação e a conservação dos recursos naturais, de forma sustentável. Existem também outras centenas de alternativas. Mas devemos começar mesmo a partir do que estiver próximo a nós.

Dentre os princípios de responsabilidade universal, constantes na Carta da Terra, documento aprovado pela Unesco, no que tange ao respeito e ao cuidado da comunidade e da vida, entende-se que todos devem respeitar a Terra e a vida em toda a diversidade. Cuidar de tudo isso com amor. Aceitar que o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem com o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente.

Mostra-se também como princípio, assumir o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder como responsabilidade na promoção do bem comum. Assim como construir sociedades democráticas que sejam justas, sustentáveis e que vivam em harmonia. A asseguração dos direitos humanos, a promoção da justiça econômica e social e a transmissão de valores e tradições as futuras gerações são formas, em longo prazo, de garantia da prosperidade humanas e ecológicas do Planeta.

O homem está indo ‘de encontro’ consigo mesmo, ao invés de ir ‘ao encontro’ da essência interior que a possui. Esse é um choque contra a própria vida que se dá pela inversão de valores cultuados frente ao consumismo e a vulnerabilidade quanto ao respeito a si, ao próximo e ao meio em que vive. Essa, talvez seja a maior das colisões, que põe em risco a vida de todos, inclusive daqueles que nascerão nas próximas décadas.

Enfim, o homem, esse poderoso agente de alteração dos ciclos naturais, embora frágil para reagir a tais efeitos, não pode chocar com nada que não esteja dentro de si mesmo. É unicamente a si que ele consegue prejudicar de fato, de forma irreversível. E a rota que pode evitar essa colisão está instalada na consciência de cada um.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

sábado, 13 de setembro de 2008

GOVERNANÇA AMBIENTAL E ATITUDE


Artigo de Jair Donato
Mediante os desastres ambientais que ocorrem praticamente no mundo inteiro, quem realmente consegue influir para mudar essa situação? De que forma as decisões na área ambiental em diferentes partes do mundo são tomadas? Ou deveriam ser? Assim como nas organizações, meio ambiente também é tema de discussão ligado a questões de governança.

A visão e a formação sobre gestão, fundamentais para um planejamento com excelência, que são alguns dos princípios da governança corporativa, como também a transparência, a equidade e principalmente a ética, se tornam imprescindíveis na área de meio ambiente.

No entanto, ao começar pelas organizações, qual o índice da performance ética ambiental no mundo corporativo hoje? Tirando toda a ‘maquiagem verde’, ou seja, as ações marqueteiras em prol de uma ‘responsabilidade ambiental’, que é mais publicitária do que diretriz do negócio, resta pouco.

Grandes empresas investem frações mínimas do que retira do meio ambiente e multiplica esse vulto com propagandas, mas nem de perto é uma recompensa justa para a natureza. Isso ainda se mostra real, talvez por falta de melhor gestão dos recursos naturais do planeta, fonte essencial para a vida de qualquer ser vivo. Isso compete aos governos, a iniciativa privada e ao cidadão.

Dentro de uma empresa, quando as diretrizes são claras para todos os níveis, estratégico, tático e operacional, espera-se os melhores resultados. O desempenho pode ser mensurado pelo cumprimento das regras, tanto na relação interna como externa, seja entre os funcionários ou fornecedores, clientes ou comunidade. Vejo o termo ‘governança’, antes de tudo, na atitude de cada um. Essa talvez seja a forma mais eficaz de consolidação desse novo termo de gestão.

E por falar em mudança de comportamento, de estilo de vida, todas as pessoas devem assumir essa responsabilidade, por naturalmente serem poluidoras em potencial. Autoridades mundiais discutem sobe governança em fóruns realizados em diversos países. E isso é uma questão que afeta a vida econômica das nações, a políticas, a sócio-cultural e a capacidade do homem viver no planeta, agora e no futuro.

Um plano de governança ambiental objetiva a promoção do desenvolvimento sustentável por meio da preservação e o adequado controle do uso e da ocupação dos recursos naturais, integrando planejamento e execução de ações de programas e projetos públicos e privados. Esse é um tema que vem sendo tratado nos últimos anos, mas que precisa de ações emergentes com mais rapidez, seja na área financeira, social ou educacional. É assim que poderá haver garantia de vida às futuras gerações.

É do equilíbrio entre a produção, o manejo, o consumo, a preservação, a conservação e o uso racional e consciente de tudo que é necessário para o ser humano, que advirão maiores chances de sobrevivência da raça humana no planeta. E tudo depende do que for feito ainda na primeira metade deste século. Isto consiste em planejar e executar conforme projetado, com respeito e ética nas relações com o meio ambiente. Usar, reutilizar, repensar na medida certa é a dica da vez.

Os estudos científicos mostram que há uma rápida aceleração quando os efeitos deixam de ser por mudanças naturais, em detrimento dos efeitos da ação humana. As mudanças climáticas já ocorridas até agora provavelmente levariam centenas de milhares de anos para ocorrerem se não tivesse a interferência direta do homem no ciclo natural da Terra.

Ainda estamos diante dos dois pratos da balança. De um lado, você pode imaginar trilhões em barras de ouro. Quem não gostaria de levá-las? Já no outro prato, imagine, lá está o planeta inteiro. Então, o que você faria? Vai levar as barras de ouro? Mas, espere, pra onde? Afinal, o que fazer com elas sem um planeta para morar? Essa é a opção que há relutas, mas tem que ser feita agora, antes que o prato das pedras douradas, que já não serão tão preciosas, pese mais. Aí pode não ter mais volta. Governar o que tem começa por dentro, pela atitude de cada um.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

AMAZÔNIA, PARA SEMPRE?



Artigo de Jair Donato

Neste 05 de setembro comemora-se o dia da Amazônia. Gostaria que fosse uma celebração. Pois se trata do maior bioma do mundo, cuja maior parte está no território brasileiro e encanta a todos pelo mistério que possui e pela umidade que exala em vários países, por enquanto. Toda a área recoberta por essa maior floresta tropical do planeta ocupa um espaço de 6 milhões de quilômetros quadrados e abriga 50% de todas as espécies que existem, entre plantas, aves, peixes, mamíferos, anfíbios, répteis, árvores e milhões de insetos.

São dois quintos da América do Sul e metade do território brasileiro que abrangem os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e parte dos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. O bioma amazônico é riquíssimo em minerais, vegetais e animais, além de guardar cerca de um quinto das reservas de água doce do mundo. O Brasil é a maior potencia hidrográfica global devido à água da Amazônia.

A parte da Amazônia brasileira, calculada em 3 milhões e meio de quilômetros quadrados, representa mais de 50% da floresta e 42% do território nacional, com cerca de 3.500 espécies e uma infinidade ainda não catalogada. O que intriga é que embora não conhecida na totalidade, já corre o risco do fim.

Além da biopirataria, que é a apropriação indevida de conhecimento e de recursos genéticos das comunidades agrícolas, indígenas e de toda a biodiversidade existente, a região amazônica é alvo de queimadas e desmatamentos, fato que coloca o Brasil como grande poluidor da camada do efeito estufa. A seca já marca presença na Amazônia e aos poucos dá sinais do que pode ocorrer num futuro breve, até o final deste século.

Climatólogos apresentam estudos que mostram a realidade do bioma por volta de 2025, período em que começa a aumentar a estiagem em fases gradativas e assustadoras. Mesmo que hoje os desmatamentos e as queimadas cheguem a zero, maior parte da Amazônia corre o risco de se tornar uma savana, avaliam os cientistas do clima. Na verdade, toda forma de poluição, seja pelo uso da energia e da emissão de demais gases que engrossam a camada do efeito estufa, contribui para sufocar a floresta. O mundo inteiro é responsável pelas florestas tropicais existentes.

No entanto, mesmo com toda essa fragilidade, parece que começa a se desdobrar ações em prol da conservação da Amazônia brasileira. Em breve será votado um projeto de lei no senado que visa instituição de políticas de combate à seca na região. O projeto propõe que a União, em articulação com os estados e municípios, desenvolva ações de defesa civil em caso de seca na Amazônia. A finalidade do projeto, de autoria do senador do Pará, Mário Couto, é de combater e prevenir os efeitos que provocam a seca, embora não seja possível controlar esse fenômeno.

Certamente, esse será um projeto que também precisa ser validado pela consciência da maioria das pessoas, usuários e exploradores da Amazônia. Em 2007, na ocasião da realização da conferência de mudanças climáticas pela ONU, na Indonésia, foi divulgada pelo governo brasileiro a criação de um Fundo Internacional para captar recursos para ações de preservação da floresta amazônica. A boa notícia anunciada recentemente pelo ministro do Meio ambiente, Carlos Minc, é que o Brasil já deve receber a primeira doação, vinda da Noruega, no valor pouco mais de US$ 100 milhões, essa é a expectativa.

Há também a predominância de unidades de conservação em prol da Amazônia que permitem a prática de atividades econômicas controladas, como as áreas de proteção ambiental, reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável. Todas essas ações são saudáveis, solidárias e viabilizam mais propostas sustentáveis, mas são paliativas se não houver mudança no comportamento humano em relação a conservação e a preservação ambiental.

A garantia de mais vida a essa parte do planeta que já não respira tão bem está na contribuição de cada um, na atitude coletiva que se dá pelas pequenas ações, seja dentro de casa, na rua, no trabalho, enfim. Consciência é pensar globalmente e ter atitude localmente. A Amazônia é vida, se é para sempre, depende do que for feito agora.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com