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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

UM 2009 CHEIO DE ENERGIA VERDE



Artigo de Jair Donato

No decorrer dos últimos anos o mundo tem sido palco de discussões sobre as mudanças climáticas e fez avaliações sobre o aquecimento global, as causas e os efeitos desse fenômeno inconveniente, provocado pela ação humana. Embora os principais países ditos ‘desenvolvidos’ ainda preferiram se portar como meros espectadores, sem o intento de atuar na mudança de paradigmas ecologicamente corretos.

No entanto, outros países começam a repensar sobre como fazer diferente, a exemplo do Brasil, que trilha por um roteiro de nova interpretação na área ambiental, embora ainda necessite de sincronia entre planejamento, consciência e ação, por parte do governo, das empresas e da população. Ações efetivas com foco na sustentabilidade, num planeta cujo aumento populacional é significativo a de alto consumo, pode ser a saída para a garantia de qualidade de vida às gerações futuras.

É preciso estabelecer um novo paradigma econômico mundial com foco sustentável. As matrizes energéticas precisam ser revistas para que as demais ações de conservação e preservação surtam efeito, como é o caso das florestas. “Do ponto de vista das mudanças climáticas, só vale a pena preservar se mudar a matriz energética mundial, com redução do uso de combustíveis fósseis”, declara o pesquisador Antonio Manzi, gerente-executivo do projeto Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA).

De acordo com especialistas do clima, o maior risco de perda da Amazônia pelo aquecimento global, não é pelos desmatamentos e queimadas, que representam 20% das emissões de gases poluentes, como o CO². Mas, principalmente pelo uso exacerbado dos combustíveis fósseis usados no mundo inteiro. Países como a China, cujo percentual gira em torno de 85% em relação ao uso de energia suja, vinda do carvão, precisam rever as formas de ganho agora para que o clima na Terra não altere tanto, já que reduzir o que está quente é impossível.

Mas, espere. Essa não é nenhuma transferência de responsabilidade. Isso não é aval para descuidar das nossas florestas, provocar aumento nos processos industriais, consumir exageradamente, dentre outros fatores, só porque o maior vilão é o setor energético fóssil. Cada habitante agora se torna ainda mais responsável pela contenção da larga emissão de gases poluentes. A Amazônia está em risco sim, mas o mundo inteiro também, e todas as demais formas de vida. Isso é um alerta e não uma previsão, define a linguagem científica atual.

Não são poucas as propostas para gerar energia renovável a partir de recursos com baixo impacto ambiental ou zero, que podem vir do sol, do vento, dos recursos hídricos, além do biogás, da biomassa, da geotérmica dentre outros. Investir em energia limpa, um recurso em constante renovação, é um assunto que começa a fomentar a economia mundial em grandes proporções.

Trilhões de dólares serão investidos no setor de ‘energia verde’ nos próximos anos. E o tempo é curto, segundo alerta dos cientistas e da Organização das Nações Unidas. Em quinze anos, no máximo, o mundo precisa de um conjunto de ações sustentáveis, dentre elas, o estabelecimento de novas fontes de matrizes energéticas. Falar de energia limpa no contexto ambiental atual é discutir sobre a vida no planeta. Em casa, cada um pode contribuir ao fazer o uso da energia que tem disponível, com racionalidade, mesmo que venha de fontes hídricas, como no caso do Brasil.

Continuo acreditando que o mundo mudará mais rápido pela mudança, antes, da consciência de cada um, pelo consumo racional da energia, pela reutilização, pela preservação e conservação dos recursos naturais, com redução de desmates e queimadas e pelo desenvolvimento sustentável. Esse é o maior desafio para todos em 2009 e nas próximas décadas. Neste novo ano, muita energia verde a todos!

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

TEMPO CURTO


Artigo de Jair Donato
A Era do acerto de contas já começou. A humanidade parece que ainda está numa encruzilhada e sem saber o que fazer. Mas, andar bem rápido é o caminho. O alerta que vem sendo dado pelos mais de 2500 cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU e tantos outros de várias partes do mundo, aponta de forma direta que o mundo está diante de uma irreversibilidade, cuja responsabilidade é humana, sem escapatória.

O conjunto de valores e interesses cultuados pelo capitalismo do ganha-perde, especialmente após a segunda metade do século XX, tem produzido efeitos que já excederam os limites da biosfera. O real impacto causado pelo aquecimento global, isso ninguém sabe até aonde vai. Mas, as conseqüências já não são opcionais, todos começam a pagar a conta pelo inconseqüente abuso dos recursos naturais e da poluição exacerbada do meio ambiente.

Regiões inteiras ao redor do mundo desaparecerão deixando muita gente sem moradia, alimentação e saúde. Os países precisam reinventar os estilos de gestão, produção e consumo. Os aspectos desastrosos ocorrem numa reação em cadeia e não estão ligados apenas a crise financeira, como também as questões relacionadas a segurança alimentar, a fome, a desnutrição, ao aumento de doenças contagiosas que ultrapassa os limites das regiões tropicais, a moradia, dentre outros fatores. Tudo isso se agrava mais rapidamente em função das alterações climáticas.

A ONU estima que em 2050, o planeta com cera de 9 bi de pessoas, terá 200 milhões delas como refugiados ambientais, ou seja, gente sem casa, sem terra, sem cidade e milhões sem identidade cultural, devido as mudanças climáticas. O mundo precisa agir num tempo muito curto. E as mudanças devem começar agora, em casa, no dia-a-dia, na rua, na empresa, no acompanhamento dos trabalhos dos representantes políticos e, principalmente, na atitude de cada um, através de comportamentos e de ações com foco sustentável.

As políticas governamentais e a governança corporativa precisam se tornar mais atuante. São vários os cases ambientalmente corretos que começam a surgir justamente nos países em desenvolvimento, a exemplo do Brasil que, embora precise levar mais a sério os interesses político-ambientais, já tem uma boa imagem frente a outros países altamente poluidores e pouco empenhados em mudar a forma de sustentação econômica, quando se trata do cuidado com os recursos naturais.

A humanidade, em poucas décadas, está diante de fatos que em outras eras de aquecimento do planeta, demorariam centena de milhares de anos para chegar, tamanha é a agressão humana na relação com o meio em que vive. A razão disso tudo? Interesses meramente vis e mercantilistas, sem garantias sustentáveis para o planeta e para as gerações presente e futura.

No entanto, em meio a toda essa turbulência, começam a surgir boas notícias também. Iniciativas dos governos de diversos países, inclusive do Brasil, como também planos de ação movidos por organizações corporativas então sendo implantados. Pois há um caminho que sugere solução para as gerações presentes e futuras, que se mostra viável. É o da sustentabilidade. É o que pode readaptar o estilo de vida do homem na Terra e sustentar uma nova economia, um convívio social mais adequado às mudanças ambientais.

O ambientalista Al Gore diz que as pessoas se acostumam a pensar em mudanças tendo como referência um período muito curto, como uma semana, um mês, um ano, e no máximo, um século. Ele afirma ainda que a maioria das pessoas ainda não consegue enxergar na relação do homem com a natureza a profunda transformação que houve no novo padrão que se estabelece, em parte porque isso é global, e todos não estão acostumados a ter uma visão espacial. A maioria ainda vê e se preocupa só com o local onde está, com o ‘próprio umbigo’, como se fosse uma ilha.

Muita gente pode achar que não é tão seria a necessidade de mudar o estilo de vida. Os riscos potenciais que corre a humanidade talvez ainda não seja compreendidos por muitos. Mas, é a capacidade de cada habitante viver na face da Terra que está em risco.O que pode diminuir todo o impacto que ainda está por vir, certamente é a ação humana, em contraposição a tudo que já foi destruído até agora. O tempo corre e o que não convém daqui por diante é a resistência em mudar.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

O VIDRO, O ESPELHO E O MEIO AMBIENTE



Artigo de Jair Donato

A cada dia fica mais próximo do prazo que os cientistas mensuram como crucial para que o mundo reformule a maneira de consumir energia, de utilizar os recursos naturais, de tratar a terra, de preservar e conservar os biomas e, principalmente da mudar o estilo de vida e o hábito de consumo. Mais que políticas públicas, é fundamental que haja uma reformulação no modo de pensar do homem, que se estabeleça uma consciência ética e moral sobre a forma de viver neste planeta que já não está tão limpo.

Conta-se que certa vez um jovem muito rico foi ao encontro de um Rabi e pediu-lhe um conselho para orientar a vida que levava. O Rabi conduziu o jovem até a janela e perguntou:
- O que você vê através dos vidros?
- Vejo homens que vão e vêm e um cego pedindo esmolas na rua. Então o Rabi mostrou-lhe um grande espelho e novamente perguntou:
- Olhe neste espelho e diga-me agora o que você vê?
- Vejo a mim mesmo.
- E já não vê os outros, acrescenta o sábio. Repare que a janela e o espelho são feitos da mesma matéria-prima, o vidro. No espelho, porque há uma fina camada de prata colada ao vidro, você não vê nele mais do que a si mesmo.

Pode-se fazer uma analogia do ser humano ao vidro e ao espelho. Uma pessoa de consciência vê os outros, assim como vê o meio ambiente em que vive, conserva e preserva-os, e tem consideração por eles. A outra, coberta de prata, egoísta e pobre de espírito, vê apenas a si mesma. O real valor do ser humano se manifesta cada vez que ele tiver a coragem de arrancar o revestimento de prata que tapa os próprios olhos, para poder, assim, de novo ver, amar e respeitar o que o cerca.

Quanto à historinha acima, complementa o sábio, que todos vivam como fossem anjos de apenas uma asa. E só é possível voar quando abraçados uns aos outros. A analogia do espelho pode ser comparada à cegueira do mercantilismo que assola o delírio inconsciente da humanidade pelo capitalismo, o acúmulo para poucos em detrimento da perda do social e da natureza, em nome de um crescimento econômico em curto prazo, sem se importar que o meio ambiente é que externa a vida a todos as espécies no planeta. Imagina o mundo sem água, com ar e terra contaminados. Quem sobreviveria?

O grande espelho que rebate a luz solar em demasia na Terra, formado pelas geleiras como as do Ártico, da Groenlândia e da Antártida, estão se esvaindo devido ao aquecimento global. Essa é uma troca errada. O maior espelho que deveria ser quebrado e reciclado em vidro transparente está no interior do ser humano. O mundo precisa de uma consciência límpida, clara, de visão em longo prazo e consideração ao meio ambiente natural em que cada um vive.

Espero ver a janela de cada um aberta para a necessidade do outro, dos arredores que precisam do verde, da água, do solo e do ar, cada vez mais renovados, limpos e adequados a um clima melhor no planeta. Essa janela é da alma, da consciência, que passa pela porta da sensibilização e do cuidado com a vida, que se parece muito frágil e precisa ser pensada em longo prazo A capacidade do ser humano viver no planeta dignamente merece cuidado.

Uma necessidade urgente que o mundo tem é o aumento de fontes de energias limpas. Esse é um desafio, que pode alterar o ritmo da economia temporariamente, mas garante a sustentabilidade do planeta, apesar de ser um grande negócio. E essa é uma equação matemática, pautada na moral, na ética e nos princípios que os países, governos e sociedade devem ter.

E, as conseqüências provindas desses fatos são irreparáveis. Para evitar tragédia maior, é necessários que nos próximos 15 anos, governos e empresas de todo o mundo estabeleça padrões consideráveis de redução de gases poluentes na atmosfera, principalmente em relação ao uso dos combustíveis fósseis, alem de evitar e controlar as queimadas e os desmatamentos, também vilões.

O Ministério do Meio Ambiente se prepara para lançar o primeiro Plano Nacional sobre Mudança do Clima brasileiro (PNMC), conforme afirmou recentemente o ministro Carlos Minc, que vai ser apresentado na Conferência do Clima da ONU, na Polônia, em dezembro. O Brasil, mesmo tendo assinado o Protocolo de Kyoto e poluir menos através do uso da energia, poderá contribuir muito mais ao estabelecer políticas mais veementes e ambientalmente corretas. O gargalo do País ainda está na terra, quanto aos desmates e queimadas ilegais.

Uma boa perspectiva mundial é que o novo presidente que assumirá a economia americana a partir de 2009, Barak Obama, parece que vai mesmo contribuir para as mudanças no clima. Ao menos durante a campanha à corrida presidencial, o combate às mudanças climáticas foi um dos principais pontos da campanha dele. O mundo vislumbra por um novo cenário mundial, rumo a um futuro climático correto.

Obama promete aprovar um sistema de comercialização que limita o total de emissões voltar às emissões de 1990 até 2020, após vários anos de omissão do atual e findo governo Bush, em nome de uma falsa economia, que agora começou a derrocada. A Europa, por exemplo, já leva a sério meta de redução de 20% das emissões até 2020.

O maior entrave que talvez não permita que se separe a fantasia do fato, o joio do trigo, o espelho do vidro, seja a falta de postura ética, quando se trata das alterações climáticas no planeta.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com