
Artigo de Jair Donato
No decorrer dos últimos anos o mundo tem sido palco de discussões sobre as mudanças climáticas e fez avaliações sobre o aquecimento global, as causas e os efeitos desse fenômeno inconveniente, provocado pela ação humana. Embora os principais países ditos ‘desenvolvidos’ ainda preferiram se portar como meros espectadores, sem o intento de atuar na mudança de paradigmas ecologicamente corretos.
No entanto, outros países começam a repensar sobre como fazer diferente, a exemplo do Brasil, que trilha por um roteiro de nova interpretação na área ambiental, embora ainda necessite de sincronia entre planejamento, consciência e ação, por parte do governo, das empresas e da população. Ações efetivas com foco na sustentabilidade, num planeta cujo aumento populacional é significativo a de alto consumo, pode ser a saída para a garantia de qualidade de vida às gerações futuras.
É preciso estabelecer um novo paradigma econômico mundial com foco sustentável. As matrizes energéticas precisam ser revistas para que as demais ações de conservação e preservação surtam efeito, como é o caso das florestas. “Do ponto de vista das mudanças climáticas, só vale a pena preservar se mudar a matriz energética mundial, com redução do uso de combustíveis fósseis”, declara o pesquisador Antonio Manzi, gerente-executivo do projeto Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA).
De acordo com especialistas do clima, o maior risco de perda da Amazônia pelo aquecimento global, não é pelos desmatamentos e queimadas, que representam 20% das emissões de gases poluentes, como o CO². Mas, principalmente pelo uso exacerbado dos combustíveis fósseis usados no mundo inteiro. Países como a China, cujo percentual gira em torno de 85% em relação ao uso de energia suja, vinda do carvão, precisam rever as formas de ganho agora para que o clima na Terra não altere tanto, já que reduzir o que está quente é impossível.
Mas, espere. Essa não é nenhuma transferência de responsabilidade. Isso não é aval para descuidar das nossas florestas, provocar aumento nos processos industriais, consumir exageradamente, dentre outros fatores, só porque o maior vilão é o setor energético fóssil. Cada habitante agora se torna ainda mais responsável pela contenção da larga emissão de gases poluentes. A Amazônia está em risco sim, mas o mundo inteiro também, e todas as demais formas de vida. Isso é um alerta e não uma previsão, define a linguagem científica atual.
Não são poucas as propostas para gerar energia renovável a partir de recursos com baixo impacto ambiental ou zero, que podem vir do sol, do vento, dos recursos hídricos, além do biogás, da biomassa, da geotérmica dentre outros. Investir em energia limpa, um recurso em constante renovação, é um assunto que começa a fomentar a economia mundial em grandes proporções.
Trilhões de dólares serão investidos no setor de ‘energia verde’ nos próximos anos. E o tempo é curto, segundo alerta dos cientistas e da Organização das Nações Unidas. Em quinze anos, no máximo, o mundo precisa de um conjunto de ações sustentáveis, dentre elas, o estabelecimento de novas fontes de matrizes energéticas. Falar de energia limpa no contexto ambiental atual é discutir sobre a vida no planeta. Em casa, cada um pode contribuir ao fazer o uso da energia que tem disponível, com racionalidade, mesmo que venha de fontes hídricas, como no caso do Brasil.
Continuo acreditando que o mundo mudará mais rápido pela mudança, antes, da consciência de cada um, pelo consumo racional da energia, pela reutilização, pela preservação e conservação dos recursos naturais, com redução de desmates e queimadas e pelo desenvolvimento sustentável. Esse é o maior desafio para todos em 2009 e nas próximas décadas. Neste novo ano, muita energia verde a todos!
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

