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terça-feira, 30 de setembro de 2014

LIDERANÇA SUSTENTÁVEL
Artigo de Jair Donato*

Será possível desenvolver nas lideranças a percepção de sustentabilidade autêntica e espontânea dentro das organizações, como um valor que esteja além da promoção de imagem? Este não é um aspecto fácil, em função do paradigma econômico que permeia a cultura mercantilista, mais arraigadamente no último século, o da revolução industrial, em que para alguém ganhar, outro terá que perder. Há quem entenda por liderança, a capacidade de influência pelo poder formal. Isso também ocorre. Mas, se dá principalmente pela atitude advinda do poder pessoal ou informal, também denominado de “autoridade”, segundo o escritor James Hunter.

E, por sustentabilidade, entende-se a dimensão da ecologia, que se trata da qualidade do meio ambiente, preservação e conservação dos recursos naturais.  Seguido do aspecto social, uma equidade com respeito aos valores culturais. E por fim, a dimensão econômica, responsável pelo aspecto rentabilidade. O respeito a essas condições significa uma considerável redução de riscos e de certificação da capacidade de agregar valor em médio e longo prazo. Essa deve ser a maior competência de um líder para agregar organizacional nas relações com o mercado e com a qualidade de vida no planeta. E você, se encaixa nesse perfil?

Sabe-se que o maior desafio do mundo atual, e mais do que isso, a única chance de sobrevivência de qualquer organização tanto hoje como no futuro, é se tornar sustentável. Contudo, o maior entrave para que os líderes se adaptem a tendência da sustentabilidade é a mudança de paradigma. Seja na política, no mundo dos negócios, na economia, tudo precisa ser diferente. Mudar um paradigma, fundamentalmente é o fazer as coisas de modo diferente. Daqui por diante nenhum negócio se perpetuará nos moldes antigos de ganhar dinheiro sem aplicar os princípios da sustentabilidade, que são a relação com a o meio sociocultural, ambiental e econômico.

Diz o ambientalista americano Al Gore, que é difícil uma pessoa compreender uma situação quando o salário dela depende em não compreendê-la. Muita gente durante décadas se sustentou desestruturando o meio social e explorando os recursos naturais. Esse é uma velha faceta da economia em que necessita mudança. Nessa relação perdeu muito a natureza em função da alta produção em prol da autorrealização de poucos, uma relação sem equidade.

Será preciso que seja revista a visão dos modelos hierárquicos na liderança. A troca do desenho vertical, típico da Era da industrialização, aonde prevalecia o velho ditame “manda quem pode, obedece quem tem juízo”, pelos modelos horizontais, com empoderamento nas bases que lideram. Ainda prevalece fortemente nas estruturas de poder o ápice dos chefes e da mão-de-obra, como grande entrave no desenvolvimento de uma consciência sustentável.

É nas lideranças que o fomento dos pilares sustentáveis podem se concretizar, desde que os líderes sejam educados dentro do paradigma ecoeconômico,  com fundamentos justos social e culturalmente, através das frentes de trabalho e das políticas púbicas que visem o crescimento das pessoas, a produção e a disponibilização de bens e serviços com respeito ao meio ambiente, agora e com garantias para as gerações futuras.  A única via transformadora que pode provocar essa mudança de paradigma denomina-se educação, é o que muda o ser humano.

Qualquer estratégia de negócio que não estiver alinhada com o desenvolvimento sustentável comprometerá os resultados e o tempo de vida da própria organização. Por fim, que o bom líder esteja atento, pois o que caracteriza o valor sustentável dele no mercado é o cuidado que tiver em cada decisão que tomar, principalmente ao saber avaliar os impactos ecológicos. O líder precisa antes de tudo se tornar um educador, replicar movimentos que agregam valor para as gerações contemporâneas sem prejudicar as futuras.

*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

EXPECTATIVA E FRUSTRAÇÃO
Artigo de Jair Donato* 

Por que muita gente espera do outro aquilo que ela mesma talvez nunca possa oferecer? Lidar com as expectativas é uma habilidade e quem não a possui pode gerar doenças. A pessoa que espera muito do outro ou faz o que ele não pediu, pode criar uma expectativa que posteriormente não corresponderá ao esperado, e com isso pode frustrar-se e somatizar algum tipo de patologia.

O indivíduo desenvolve a tendência de traduzir o mundo externo conforme os moldes internos que possui, e por vezes enclausurar-se nesse próprio universo. Dessa maneira ignora todas as incongruências adjacentes em si, no outro e no ambiente ao redor dele. Pois nem sempre o mapa é o território. Ou seja, parte do que forma a realidade de um indivíduo não é sedimentada em fatos, e sim nas próprias interpretações, percepções internas.

O filósofo Michel Foucault define que o indivíduo nunca está diante de um objeto real concreto, e sim de um objeto real de conhecimento, algo construído por ele mesmo. O próprio contexto cultural, ambiental e familiar é propício para formação dessa construção.

O descontentamento poderá surgir quando se espera ou exige demais dos outros, a exemplo da mãe que espera que os filhos realizem os desejos que são dela, e não deles. É o exemplo do pai ou da mãe que praticamente obriga os filhos a cursarem na universidade o curso que tem haver com a frustração dos próprios pais, e não com a realização dos filhos. Ou então, a esposa que espera que o marido seja o modelo ideal que ela mesma criou, e têm dificuldades de aceita-lo como ele é. Isso se traduz numa falta de respeito à individualidade do outro, quando se espera que ele aja conforme o que o indivíduo espera ou acha que seja certo.

Então, é importante compreender a posição do outro na vida, mesmo que ele seja seu parceiro por uma vida inteira. Evitar moldar o comportamento dele para não contrariar o seu pode ser a forma certeira de evitar o afastamento e a perda de afinidades, devido à pressão e sufoco provocados. Afinal, cada pessoa tem um canal de percepção sensorial que se distingue conforme a cultura, o meio em que vive, a linguagem que lhe é comum e às crenças que possui. Essa diversidade merece respeito.

A enfermeira australiana Bronnie Ware, após convivência durante anos com doentes terminais, publicou em um livro os cinco maiores arrependimentos que as pessoas têm antes da hora da morte. E o primeiro deles se refere a frustração de não ter  aproveitado a vida do jeito delas, e sim da forma que os outros queriam. Isso é frustrante. Segundo a autora, é na hora que a vida chega ao fim que fica mais fácil perceber quantos sonhos foram deixados para trás, em prol de agradar mais aos outros do que a si mesmo.

Quantas mães fizeram sacrifícios pelos filhos, esposas que fizeram tanto pelos maridos, e vice-versa, um amigo que fez o máximo pelo outro. Mas, será mesmo que eles pediram isso? No entanto, foi colocado um tempo nisso. Então, no fim da vida, é como se a pessoa que se dedicou tanto pensando em agradar, cobrasse pelo que fez, numa espécie de acerto de contas. Daí surge a frustração, o descontentamento e até mesmo a mágoa. “Fiz tanto por você e isso é o que recebo de volta?”, esse é um típico comentário que retrata tal fato. Talvez, não haja declaração mais frustrante do que o arrependimento pelo que poderia ter sido feito antes. E você, o que ainda não fez por você, mas que poderia?


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br
MILHO BOM
Artigo de Jair Donato* 


A nova teoria ecoeconômica diz que o verdadeiro ganho daqui para frente depende da bilateralidade. Ou seja, se apenas um lado se sair bem, então essa será uma relação em que não há sustentabilidade. O atual contexto da história socioambiental exige que o homem repense todas as formas de exploração dos recursos naturais e passe a agir com mais responsabilidade na geração de valores que sejam sustentáveis. Dessa maneira tudo o que estiver ao redor dele também terá ganho.

Tenho em mente uma história que ilustra bem esse fato. É sobre o fazendeiro que venceu o prêmio "milho-crescido". Todo ano ele concorria com o milho na feira e ganhava o maior prêmio. Uma vez o repórter de um jornal o entrevistou e aprendeu algo interessante sobre como ele cultivou o milho. Descobriu que o fazendeiro compartilhava a semente do milho premiado com os vizinhos, na redondeza.

- Como pode você se dispor a compartilhar sua melhor semente de milho com seus vizinhos quando eles estão competindo com o seu em cada ano? Perguntou o repórter.
- Por quê? Você não sabe? Complementou o fazendeiro. O vento apanha pólen do milho maduro e o leva através do vento de campo para campo. Se meus vizinhos cultivarem milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade do meu milho. Se eu for cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom.

Aquele fazendeiro estava atento às conectividades da vida. O milho dele não poderia melhorar a menos que o milho do vizinho também melhorasse. Isso ocorre, invariavelmente, nas demais áreas da vida, seja na economia, no meio social e no contexto ambiental.

Aqueles que querem viver bem têm que ajudar os outros para que vivam bem. A parceria é o meio de propiciar o próprio crescimento, sem afetar aos demais. Para saber se o milho que você cultiva é bom e competitivo, veja se trata de algo que agrega valor a si e à sociedade. E aqueles que querem melhor qualidade de vida, produção contínua, têm que ajudar os outros a terem melhoria, pois o bem-estar de cada um está ligado ao bem-estar de todos.

Essa lição serve para cada um de nós. Se você for cultivar milho bom, será necessário que ajude seus vizinhos a cultivar milho de qualidade. Isso não significa plantar e nem colher por eles, é apenas não prejudica-los, nem promover o atraso deles. Será dessa maneira que o conceito de sustentabilidade do planeta pode se tornar um fato que contribuirá para o bem coletivo. O benefício paralelo ao social e a economia só advirá caso o meio ambiente seja cuidado e conservado. E vice-versa.

A atual situação do planeta exige mudança imediata nas políticas pública e privada, e principalmente, nos hábitos e no estilo de vida de cada habitante. Afinal, esperamos que os que daqui por diante nascerem, e não serão poucos, tenham qualidade de vida e o direito de viverem de maneira produtiva.

Todos os dias você planta ações como se fosse o milho. Então, como está a qualidade do seu milho? Que tipos de sementes estão sendo levadas através das suas atitudes e jogadas nos campos da consciência das pessoas à sua volta. É necessário que os bons exemplos sejam polinizados em larga escala, pois as alterações no clima mostram que estamos em época de cuidar do que plantamos para não colher o que não queremos.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br