LIDERANÇA SUSTENTÁVEL
Artigo de Jair Donato*
Será possível desenvolver nas
lideranças a percepção de sustentabilidade autêntica e espontânea dentro das
organizações, como um valor que esteja além da promoção de imagem? Este não é
um aspecto fácil, em função do paradigma econômico que permeia a cultura
mercantilista, mais arraigadamente no último século, o da revolução industrial,
em que para alguém ganhar, outro terá que perder. Há quem entenda por
liderança, a capacidade de influência pelo poder formal. Isso também ocorre.
Mas, se dá principalmente pela atitude advinda do poder pessoal ou informal,
também denominado de “autoridade”, segundo o escritor James Hunter.
E, por sustentabilidade, entende-se
a dimensão da ecologia, que se trata da qualidade do meio ambiente, preservação
e conservação dos recursos naturais. Seguido
do aspecto social, uma equidade com respeito aos valores culturais. E por fim,
a dimensão econômica, responsável pelo aspecto rentabilidade. O respeito a
essas condições significa uma considerável redução de riscos e de certificação
da capacidade de agregar valor em médio e longo prazo. Essa deve ser a maior
competência de um líder para agregar organizacional nas relações com o mercado
e com a qualidade de vida no planeta. E você, se encaixa nesse perfil?
Sabe-se que o maior desafio do
mundo atual, e mais do que isso, a única chance de sobrevivência de qualquer
organização tanto hoje como no futuro, é se tornar sustentável. Contudo, o
maior entrave para que os líderes se adaptem a tendência da sustentabilidade é
a mudança de paradigma. Seja na política, no mundo dos negócios, na economia,
tudo precisa ser diferente. Mudar um paradigma, fundamentalmente é o fazer as
coisas de modo diferente. Daqui por diante nenhum negócio se perpetuará nos
moldes antigos de ganhar dinheiro sem aplicar os princípios da
sustentabilidade, que são a relação com a o meio sociocultural, ambiental e
econômico.
Diz o ambientalista americano Al Gore,
que é difícil uma pessoa
compreender uma situação quando o salário dela depende em não compreendê-la.
Muita gente durante décadas se sustentou desestruturando o meio social e
explorando os recursos naturais. Esse é uma velha faceta da economia em que necessita
mudança. Nessa relação perdeu muito a natureza em função da alta produção em
prol da autorrealização de poucos, uma relação sem equidade.
Será preciso que seja revista a
visão dos modelos hierárquicos na liderança. A troca do desenho vertical, típico
da Era da industrialização, aonde prevalecia o velho ditame “manda quem pode,
obedece quem tem juízo”, pelos modelos horizontais, com empoderamento nas bases
que lideram. Ainda prevalece fortemente nas estruturas de poder o ápice dos
chefes e da mão-de-obra, como grande entrave no desenvolvimento de uma
consciência sustentável.
É nas lideranças que o fomento
dos pilares sustentáveis podem se concretizar, desde que os líderes sejam
educados dentro do paradigma ecoeconômico,
com fundamentos justos social e culturalmente, através das frentes de
trabalho e das políticas púbicas que visem o crescimento das pessoas, a
produção e a disponibilização de bens e serviços com respeito ao meio ambiente,
agora e com garantias para as gerações futuras. A única via transformadora que pode provocar
essa mudança de paradigma denomina-se educação, é o que muda o ser humano.
Qualquer estratégia de negócio que não
estiver alinhada com o desenvolvimento sustentável comprometerá os resultados e
o tempo de vida da própria organização. Por fim, que o bom líder esteja atento,
pois o que caracteriza o valor sustentável dele no mercado é o cuidado que
tiver em cada decisão que tomar, principalmente ao saber avaliar os impactos
ecológicos. O líder precisa antes de tudo se tornar um educador, replicar
movimentos que agregam valor para as gerações contemporâneas sem prejudicar as
futuras.


