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segunda-feira, 30 de junho de 2014

REZA E ASSOMBRAÇÃO 
Artigo de Jair Donato*

Parece incoerência, mas existem reviravoltas que ocasionalmente ocorrem na vida das pessoas, principalmente quando elas estão em processo de mudança interna, seja através da espiritualidade, da religiosidade, da reflexão ou até mesmo dedicando-se a práticas altruísticas. Qual seria a razão para esse fato? Você já ouviu a expressão de que quanto mais reza, mais assombração aparece?

Esse tipo de expressão popular pode até impressionar a quem não entende a causa de desintegrações de ordem física ou emocional quando há mudança de atitude, principalmente quando se altera o pensamento de um estado pessimista para uma condição entusiasta. A impressão é como se a prática de atos benfazejos ou adoção de mentalidade otimista atraísse fatos indesejáveis; embora isso não seja visto assim por todos, pois é um ângulo distorcido de ver os fatos.

Contudo, essa consideração merece uma análise. Imagine um copo transparente com água turva pela mistura com um punhado de terra. A água, que simboliza vida, assemelha-se ao destino do homem, que pode ficar turvo pelos inúmeros pensamentos e atos distorcidos. No entanto, se esse copo for colocado numa base fixa e lá deixado, a terra se acomodará no fundo dele. O mesmo ocorre numa caminhada pela estrada de chão, será natural que a poeira se levanta a cada passo dado. Mas, se ela não for movida, continuará no mesmo local.

Aparentemente, dependendo do ângulo em que for visto esse copo, a água parecerá límpida, porém a sujeira continua lá, incrustrada como conteúdo interno daquele vasilhame. Entretanto, se o copo for mudado de posição e for balançado, do fundo poderá ebulir a sujeira e subir até a borda. Se em seguida, o copo for colocado em baixo de uma torneira para troca da água com terra, ela momentaneamente voltará a ficar turva, devido a reviravolta e o atrito com a água limpa. Fato semelhante ocorre quando o ser humano se propõe a uma mudança no interior de si mesmo e torna-se acometido por revezes no destino, que a princípio surgem como forma de obstáculos, mas que se convertem em caminho para tudo ficar bem, se houver determinação. Pois se retirar o copo debaixo da torneira antes que toda a água seja trocada e deixá-lo como está, volta a ilusão de que estará límpido.

Enquanto cada pingo d’água limpa cai dentro do copo sujo, e se essa ação for contínua, gota a gota, chegará o momento em que o conteúdo do recipiente será totalmente trocado, a terra será removida até a água voltar a limpidez de antes. De maneira semelhante, se houver persistência no ato da mudança de si mesmo sem hesitação e com foco, passo a passo, poderão ser eliminadas do cotidiano as obstruções que até então provocavam dissabores, dessa maneira a própria vida se torna mais límpida e coerente.

Esclarecendo melhor essa analogia, certa vez disse uma sábia amiga fraterna: “O rio corre por si mesmo, movimenta-se e expele as impurezas que existem no fundo dele. Ao remover tais impurezas, a água pode ficar temporariamente suja, mas ele purifica-se se tornando em água límpida. É um processo natural”.

Da próxima vez que você se propor a mudar e evoluir para melhor, não dê importância aos adventos que surgirem para atrapalhar sua decisão. Lembre-se que a persistência é como o copo d’água turva exposto a cada pingo da torneira, com o tempo tudo se tornará transparente. O fato é que toda transformação implica em deformação. É como a reforma de uma casa, antes será preciso deformá-la. Uma pintura nova será aplicada se antes lixar ou desfazer a antiga. Em qualquer área da vida e em quaisquer situações, sempre vence aquele que persiste com foco, fé, confiança e determinação. Por fim, não há assombração, há mudança.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sexta-feira, 27 de junho de 2014

VOCÊ CONSTRÓI CERCAS OU PONTES?
Artigo de Jair Donato* 

Há uma antiga história sobre dois  irmãos  que  moravam  em  fazendas vizinhas, e a distância entre eles era apenas um riacho. De repente, tudo mudou e após um pequeno mal entendido e troca de palavras ríspidas, entraram em conflito. Toda uma vida de trabalho juntos passou a ser marcada pela desavença.

Certa manhã, o irmão mais velho foi atender à porta e encontrou um carpinteiro à procura de trabalho naquela localidade. Então, logo o fazendeiro apontou para a direção da casa do irmão mais novo, na fazendo vizinha, separada apenas pelo riacho e pediu ao carpinteiro que utilizasse uma pilha de madeira que havia no celeiro para construir uma cerca bem alta, pois devido a briga ele já não suportava mais olhar para o irmão vizinho.

Ao ouvir a solicitação, o carpinteiro disse entendê-la e perguntou onde estaria o material necessário, enxadão, pregos e martelo. O irmão mais velho entregou o material e foi para a cidade, enquanto o homem ficou ali cortando, medindo, e trabalhou o dia inteiro.

Ao retornar para casa no final da tarde, o fazendeiro chegou e quase não acreditou no que viu. Pois em vez da cerca que havia solicitado, uma ponte  foi  construída no local, a qual ligava as duas margens do riacho. Bem construída, ficou um belo trabalho, mas o fazendeiro ficou  enfurecido e chamou o carpinteiro de atrevido e inconsequente, pois não fora aquilo que ele encomendou, ainda mais sabendo da briga entre os irmãos.

Ainda atônito ao ver aquilo, eis que outra surpresa ocorre naquele momento. Foi quando ao olhar novamente para a ponte, viu o irmão  dele se aproximando de braços abertos. Ele ficou imóvel ao lado do rio, e boquiaberto, ouviu a declaração do irmão mais novo: - Você realmente possui coração magnânimo e foi muito amigo ao construir esta ponte mesmo depois do que eu lhe disse. No impulso, então o irmão mais velho correu na direção dele e abraçaram-se,  choraram copiosamente no meio da ponte e reestabeleceram ali o bom relacionamento de antes.

Naquela hora, o carpinteiro que fez o trabalho, começou a fechar a caixa de ferramentas e ao despedir-se dos irmãos, recebeu o convite para que ficasse com eles, pois havia ali muito trabalho para ele. Ao que o carpinteiro respondeu: - Eu adoraria, mas tenho outras pontes a construir.

E você, tem construído mais cercas,  muros, ou pontes? Como anda sua ligação com amigos, família e colegas de trabalho? Qual sua conexão com a espiritualidade, com o mundo do conhecimento e com a sua carreira? Tem desistido de quem você ama só pelo fato de pequenos entreveros do cotidiano? Ainda pode ser viável a construção de grandes pontes, você pode encher o mundo de pontes, para todos os lados, inclusive para o lado dos aparentes desafetos, de quem não concorda com você. Essas são as pontes nobres.

Uma das competências valorizadas nos processos de seleção nas organizações e nas promoções internas, além das habilidades técnicas, é o relacionamento interpessoal. A carreira profissional, por exemplo, não é marcada somente por características intrínsecas à função em que desempenha. Cada vez mais é reconhecida e avaliada uma série de posturas de caráter subjetivo, dentre elas, a maneira como o profissional se relaciona com os demais, e com a as situações de pressão. Isso define excelentes posições na vida.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quinta-feira, 26 de junho de 2014

SIMPLES É O MELHOR
Artigo de Jair Donato*

Há uma série de abordagens e analogias sobre estilos de liderança e gestão dentro das organizações, e na maior parte dessas referências a complexidade é um fator que prepondera. Contudo, a simplicidade é o atributo considerável que deixa uma imagem positiva aos líderes e clientes de quaisquer áreas. A verdadeira liderança, aquela que agrega valor, não depende de estratégias complexas, de caráter pouco aplicável. De origem grega, o termo “complexo” significa algo que possui “muitas dobras”. Já o “simples” possui uma dobra só. Há gente que complica a vida como um todo, dessa maneira esquece-se de viver de forma simples.

Gerir um negócio é como um relacionamento, quanto mais simples e conciso melhor, embora na maioria dos casos não é o que ocorre, o que gera muitas discussões, dissensões e perdas. No trabalho em equipe, de que vale empenhar-se em muitas atividades, se não chegar ao resultado que realmente importa? De que vale uma abordagem ao cliente, e da mesma forma, implantar processos burocráticos em demasia, se não tiver a necessidade deles? É grande o número de processos que fora da linha da simplicidade e da praticidade, apenas dificulta os resultados esperados, por morosidade ou alto grau de complexidade; é a conhecida confusão entre urgência e importância.  

A simplicidade é um atributo das pessoas assertivas na comunicação, que evitam discursos prolixos, tanto numa negociação como no relacionamento interpessoal. Seja médico, feirante, treinador, educador, escritor ou profissional de vendas, todos são negociadores, e obterão melhores resultados somente quando transmitem a outrem conteúdos com linguagem simples. O foco, a clareza e a objetividade são atributos intrínsecos à simplicidade. O milionário pode ser tão simples quanto o menos desfavorecido economicamente; pois ser simples é antes uma questão de atitude.

A simplicidade está ligada a essência humana. Talvez por isso é que uma pessoa vaidosa encontra dificuldade em lidar com tudo o que é simples. Há quem titubeia ante a um questionamento e ao invés de optar por uma resposta estilo “não sei”, prefere dar retornos evasivos como se soubesse, mas sem a certeza de nada. Gente de estilo simples não se preocupa em dar respostas prontas, ou conceitos fechados.

Enfim, ser simples é mesmo uma questão de postura. Disso depende o sucesso de uma pessoa, de uma equipe, de uma empresa e até mesmo de uma nação. Agir com simplicidade está na forma de se vestir, pelas escolhas no ato do consumo, nas preferências e no jeito descomplicado de relacionar com as pessoas.

Sabiamente elucidou o filósofo chinês Lao Tse, que para alcançar o conhecimento, deve-se acrescentar coisas todos os dias. Mas, para alcançar a sabedoria, será preciso remover coisas todos os dias. Talvez aí esteja a enorme diferença entre o conhecimento e a sabedoria. Os dois são importantes, porém uma pessoa sábia é antes de tudo uma pessoa simples.

O mundo precisa de gente simples, transparente. Pessoas que tenham a habilidade de dizer “não” ou “sim” sem medo algum, sem maquiagens. Pessoas que possuem flexibilidade, resiliência, admitem quando erram e pedem desculpas, se necessário. Não complicam os relacionamentos, enfrentam os próprios medos, ousam, criam desafios, vivem sem cobranças, aceitam quando perdem e sabem buscar novos horizontes. Então, ser simples pode ser a melhor solução.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 3 de junho de 2014

OUSE, CALCULE O MELHOR
Artigo de Jair Donato*

É grande o número de pessoas que calcula apenas o modo como as coisas podem dar errado na própria vida. É gente que não planeja, fala sobre o que não quer, age por impulso, vive sem objetivos e aprende apenas a “pré-ocupar” a mente com aquilo que não deseja, por isso perde tempo e energia. Já dizia um pensador que a preocupação é a fé na coisa errada.

Em meados do século XX houve um escritor que entrevistou Henry Ford, um dos maiores gênios industriais, criador da Ford Motor Company, que viera a se tornar na época o homem mais rico do mundo após 25 anos de trabalho. Dentre várias perguntas, o escritor indagou a Ford se a preocupação havia sido para ele um problema. Ao que Ford respondeu que fora um problema até que ele ficara ocupado demais para se preocupar.

E no decorrer do diálogo, o industriário deu ao escritor o que ele chamava de fórmula segura para eliminar a preocupação. Então ele disse: “Creia no melhor, pense o melhor, estude da melhor forma possível, tenha um alvo para alcançar o melhor, nunca se satisfaça com menos do que o seu melhor, tente o seu melhor e no final todas as coisas irão resultar no melhor. O último conselho dele foi: sempre calcule o melhor”.

Na vida é preciso ter raízes e não âncoras. Raízes são sedimentos que alimentam, propiciam fertilização, frutos e prosperidade. Âncoras imobilizam, podem ser crenças limitantes, atitudes sem foco, pensamentos ínfimos e falta de ação. Quem vivifica raízes planeja, calcula, idealiza o futuro. Quem vive como âncora, mais afunda do que avança, vivencia mais marcas de frustração do que realizações. Mas, tudo isso não é predestinação, trata-se da atitude que se preza perante a vida.

Há também os que vivem entre a aventura e a audácia, o que pode ser uma linha tênue, na teoria; embora no mundo prático tais conceitos façam a diferença. Quem age na vida como aventureiro, sempre fica ofegante, morre no combate, pois vive o estilo “se der, deu”. Contudo, há os que são audaciosos, esses agem de forma organizada, calculada, e seguem confiantes. A probabilidade de atingir o que almeja é bem maior.

O início de cada ano, assim como deve ser o início de cada dia, é sempre um portal para repensar na carreira, no relacionamento com as pessoas e acima de tudo, na vida. É tempo de ressignificar os episódios até então desagradáveis e compreender as lições deles atribuídas. É tempo de planejar, calcular para em seguida agir resoluto. Pois a confiança está mais para quem possui foco do que para o aventureiro.

Se perceber que até agora você fez pouco, então faça mais. E se errou, peça desculpas. Se não poupou, desperdice menos. Se se relacionou pouco, socialize-se mais. Sentiu-se magoado? Perdoe. Mas se magoou, peça perdão. Lembre-se, calcule sempre o melhor. Pois antes tudo isso pode fazer sentido em si mesmo e no contexto em que vive.

Por fim, será o trabalhe o estopim para a realização de tudo que calculou e planejou. E mais, o resultado poderá ser duradouro se tal empenho for energizado por altas doses de entusiasmo; essa é uma preciosa dica das biografias dos vencedores. Foi também Henry Ford que deixou o seguinte legado: “Se você acha que pode ou se você acha que não pode, de qualquer forma, você está certo”. Pois a crença é sua. Pense e calcule que você pode para então entrar em ação rumo ao que você quer. Lembre-se, não planeje para um ano, planeje a sua vida.

*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br