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terça-feira, 10 de maio de 2016

VOCÊ CORRE EM QUE SENTIDO?
Artigo de Jair Donato*

Seus movimentos são mais de enfrentamento ou de fuga? Correr pode ter diferentes sentidos. Pode fazê-lo avançar, enfrentar ou simplesmente fugir, malograr-se. O que você faz quando está na iminência de uma dificuldade inesperada na sua vida? Acha que pode ter melhor ganho mantendo postura que sempre teve? Essa é uma reflexão que faz diferença na vida do ser humano.

Como você espera que possa agir um antílope que esteja pastando num descampado, e subitamente ouve o rugido de um leão? Imagine se você fosse um, como reagiria? Talvez fugir para bem longe e do lado contrário ao rugido poderia uma boa saída. Só que não. O escritor Emmett Murphy descreve o que ocorre com o animal quando ele deixa de enfrentar e foge por instinto para o outro lado de onde surgiu o som estridente do leão. Essa é a hora em que ele cai na boca das leoas. É isso mesmo.

Fugir da ameaça estratégica feita pelo leão é ir para a trilha da morte. Pois é dessa maneira que ele espera que a presa caia na armadilha. O macho do bando faz isso com o apoio das leoas que ficam na rota de fuga do antílope. Elas atacam e todos se beneficiam tendo a frágil presa como alimento. Analogamente, o indivíduo também faz escolhas, para saídas seguras ou para armadilhas ocultas.

Agora perceba em que direção está o êxito dos seus projetos ou mesmo sua sobrevivência. Qual é o seu movimento cada vez que você se sente ameaçado pelas circunstâncias? Seja no trabalho, nos relacionamentos e na vida pessoal, essa é uma reflexão que merece atenção.

Os conflitos que surgem no decorrer da existência humana podem ser comparados ao rugido leonino. Você os enfrenta e faz deles elementos de cunho pedagógico ou se esquiva e foge transferindo seu poder a outrem? Essa é uma questão que pode desencadear-se em inquietações tais como angústia ou mal-estar. Quando os conflitos são vistos através do medo e da ausência de coragem para serem enfrentados e geridos, a probabilidade do indivíduo cair na tocaia do destino se torna maior.

Quantas pessoas ouvem o rugido e se enchem de medo, com isso perdem excelentes oportunidades na vida. E por essa razão podem ter uma existência de reprovação, angústia, frustração e arrependimento. Elas podem pensar tardiamente, talvez, que se tivessem ousado mais e enfrentado com garra as adversidades surgidas, teriam vencido antes. Teriam mais orgulho de si mesmas. O rugir do leão não é a ameaça maior. O mesmo ocorre com as adversidades que surgem, o perigo não está nelas. A armadilha está no medo que paralisa o indivíduo, e até mata. A fuga provocada pelo medo é a tocaia para a perda da confiança em si mesmo.

Há rugidos que podem parecer veementes ameaças à própria vida do homem. Contudo, se enfrentados apropriadamente, podem se tornar vivências importantes para o autodesenvolvimento. E ameaças são eventos que surgem de todos os lados e a todo o momento. Não há lugar seguro se não houver percepção sobre o rumo daquilo que aparece ou ruge ao seu redor. A melhor maneira de correr em momentos de crise na vida pode ser para o enfrentamento. A fuga, seja lenta ou rápida, talvez não seja a melhor escolha. Fugir é da imobilidade, da inércia, da falta de coragem de tomar decisões e avançar rumo ao rugido dos novos desafios é dar ânimo à própria vida, é manter-se vivo e pleno.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor e  especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 3 de maio de 2016

CÉU OU INFERNO?
Artigo de Jair Donato*

Em que estado mental você vive? Há quem trata o título deste artigo sob a ótica subjetiva das proporções bíblicas de que há um lugar tenebroso, quente e composto por gente má, denominado inferno, aonde a maioria não deseja ir. Enquanto existe outro ambiente, este paradisíaco, aonde reina somente o bem, cheio de benesses e para onde muitos anseiam para estarem lá, e até presunçosamente acham que vão após a morte.

Mas, numa perspectiva de objetividade, vamos tratar destes dois ambientes por aqui mesmo. Ou será que tenha que morrer para conhecer esses lugares multifacetados? Talvez, depende da morte a que cada um se propuser. É possível perceber que céu ou inferno são lugares que existem sim, e são espaços que estão dentro de cada indivíduo. Seja a plenitude do céu ou a amargura do inferno, são ambientes inerentes à existência de cada ser humano, que cedo ou tarde, ele acaba tendo que se haver com isso. Há quem enfrenta, há quem foge, mas esses dois estados são inegáveis dentro de cada um. Eles independem do ambiente geográfico.

Há um conto antigo que retrata a chegada de um homem ao céu após a morte dele na terra, lugar em que fora muito rico. Ele foi recebido por um guardião que logo lhe apresentou casas e as diversas moradias existentes naquele lugar. Avistaram casas lindas com jardins espetaculosos. Diante de uma das casas formosas, o recém-chegado perguntou: Quem mora ai? Ao que o anjo respondeu: É o Antônio, que foi seu motorista e morreu no ano passado. O homem ficou contente ao pensar que se o Antônio tinha uma casa daquelas, aquele lugar realmente seria espetacular para viver. Em seguida apareceu outra casa ainda mais bonita e o homem inquiriu: E aqui, quem mora? Logo, o anjo disse que aquela era a casa da Joana, aquela senhora que foi a cozinheira dele.

O homem passou a imaginar como seria então a morada dele, no mínimo um palácio, já que os empregados tinham aquelas residências magníficas. Foi nesse momento que o anjo parou diante de um casebre construído com tábuas e disse a ele: Esta é a sua casa! O novo morador ficou indignado com o que viu lamentando o engano do guardião, dirigiu-se a ele: Como é possível? Vocês sabem construir coisa bem melhor do que isso. O anjo disse: Sim, sabemos. Mas, nós construímos apenas o prédio. O material são vocês mesmos que selecionam e enviam para cá. Isso é o que você enviou. Então, aquele homem não teve outra saída, nem outra casa conforme ele achava que merecia.

Essa analogia é uma reflexão que se trata das atitudes que cada um permeia no decorrer da vida, estando ora no céu, ora no inferno. E não será preciso a morte para a compreensão disso. O melhor talvez seja cuidar da base da morada de si mesmo, e da solidez do material para construção da própria existência. Um pequeno gesto de gentileza pode ser o acabamento que dará o brilho a sua moradia. O altruísmo poderá ser a beleza do jardim dessa edificação. Ou poderá fazer tudo ao contrário, escolher uma tapera, sem teto, flores, perfume, limpeza ou sem luz. A vida é feita de escolhas, e escolher o céu ou o inferno não depende dos anjos, somente de cada indivíduo. Tudo se decide por aqui mesmo. Então, como tem sido a escolha do seu material?


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor e  especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br