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quinta-feira, 29 de novembro de 2007

CARNE, PROTEÍNA OU VENENO?


Artigo de Jair Donato

Comer carne deve atender apenas ao interesse de matar a fome e de uma economia que mais destrói do que preserva? Ou, pelo puro prazer de se deleitar por um alimento disponível, embora muita gente no Brasil ainda não tenha acesso a ele todos os dias? Essa deve ser uma discussão ligada muito mais às questões ambiental, ética e sócio-cultural, do que econômica. Pois se trata de aspectos não muito distantes do estilo de vida das pessoas e da moralidade humana.

Sobre meu último artigo “Embate do boi e da ética”, um dos leitores me enviou e-mail afirmando que fui sentimentalista e, por ser um especialista em qualidade de vida, não deveria criticar veementemente à produção da proteína animal ‘saudável’. Pergunto: Saudável, a carne? E mais, ele preferiu admitir que defendo interesses Irlandeses ou de ONGs européias e americanas.

Pois é, sou brasileiro nato, com muito orgulho, e defendo os interesses coletivos do meu País e do planeta. Me estranha quem não pensa assim. Não tenho a intenção de polemizar sobre um dos principais alimentos da humanidade, tampouco me referir a quem cria gado pelo delírio econômico e por ser o negócio da vez, assim como quem desmata, seja para que finalidade for. Pois não acredito que o mundo mudará por quem depende disso para sobreviver.

Quero falar é com quem consome, quem compra e ainda não é seletivo. Hoje a ética está em tudo o que é primordial, básico e necessário ao ser humano. Comer carne é um dos hábitos que precisa ser revisto sim, em cada consumo. Nada contra esse alimento, pois é uma das fontes de proteínas, mas longe de ser alimento totalmente saudável. É uma saúde 100% mercantilista, um desfalque para a natureza. Pois a maioria das pessoas ainda come carne à custa de uma produção não sustentável.

É claro que para quem cria, produz, industrializa e distribui, está mais na defesa do próprio ‘umbigo’ do que no bem comum, a exceção de poucos. Mas, o poder não está nas mãos de produtores ou criadores. Está nas mãos do consumidor final, que é a solução mais rápida para um mundo verde e mais saudável. O que precisamos é de pensamento crítico até na hora de comer.

Que aumente a produção de gado, mas que seja sustentável. Nada contra o fomento a economia. Desde que seja um ganho para todos, inclusive para o meio ambiente. Nos últimos 40 anos, ¼ de floresta da América Central foi destruída para criação de pastos. Na América do Sul, mais de 38% da floresta amazônica desapareceram em detrimento das fazendas com desmates, queimadas e grandes áreas de pastos.

Certamente, seria uma atitude sarcástica exigir que o brasileiro de repente parasse de comer carne bovina ou suína, devido às questões ambientais. Essa contenção é mais fácil nos países em que esse costume alimentar não é forte. No entanto, de alguma forma o comportamento e o estilo de vida de quem é carnívoro e de quem devasta para criar animais precisa ser repensado. O consumo exagerado de carnes, bovina ou qualquer outra, já não é uma postura ética, nem tão saudável como se espera.

E esse não é um ponto de vista apenas de ambientalistas e de vegetarianos. É um apelo também feito por cientistas que se dedicam aos estudos das mudanças climáticas, em função de se consumir um alimento potencial poluidor do meio ambiente.

No passado, a ingestão de proteína animal, que era algo natural e saudável, foi importante para o desenvolvimento do cérebro do homem e da inteligência. Pois ele só comia isso, frutas, raízes e folhas. No entanto, hoje o ser humano tem o conhecimento e pode ter uma dieta rica em proteínas, sem comer carne, que já não é tão natural.

Até quando o homem continuará com uma visão antropocêntrica, se considerando acima de todos os seres, inclusive dos animais? Immanuel Kant disse que "Nós julgamos o coração e o espírito do homem pelo seu tratamento com os animais”. Qual será o juízo que faremos daqui por diante sobre cada uma das nossas próprias resistências e mudanças? Consumir carne, de qualquer tipo, sem racionalidade, pode ser veneno.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

EMBATE DO BOI E DA ÉTICA


Artigo de Jair Donato

O artigo que escrevi, “carne, vilão ecológico”, teve uma notável repercussão, não apenas por ser uma questão ligada à economia e à saúde. Mas, fundamentalmente, por se tratar de uma necessidade ética na alimentação. O hábito de continuar fazendo as mesmas coisas, sem reflexão, porque no passado era assim, impede o ser humano de repensar sobre as ações que comete no presente, principalmente no contexto ambiental que causa impactos irreversíveis ao planeta, agora e no futuro.

Por se tratar de um assunto complexo, que convém a fatores econômicos de poucos, e, dos hábitos alimentares da maioria da população, merece ser pauta de discussão na família, no ambiente acadêmico e no comportamento do consumidor. Certamente, se deixar questões ligadas à devastação da Amazônia só com quem explora, não será a solução que o planeta precisa.

Dos quase 200 milhões de cabeças de gado no País, número que supera a população brasileira, 35% desse rebanho está na Amazônia, às custas do desmatamento e da ocupação de terras públicas, para uma produção mais barata. E o discurso de quem defende a idéia de transformar floresta em pasto é que apenas uma pequena parcela do bioma foi desmatada para criação bovina, assim como para o plantio de grãos. A pergunta é: deveria ser mais?

No entanto, essa chamada ‘pequena fatia’ aumenta. Segundo últimas informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área destruída na Amazônia brasileira, no período entre junho e setembro deste ano, comparado ao mesmo período de 2006, chegou a 8%. E, claro, a pecuária e agricultura são as principais causas. Isso é fato. E o que necessita são políticas para essa fatia não aumentar desregradamente, a exemplo da mata atlântica, que começou com a ocupação portuguesa e hoje restam apenas 7% de extensão.

A tendência ambiental alerta o consumidor a rever o costume de comer carne, assim como os derivados que dependem da destruição dos recursos naturais. Nos últimos dois anos o consumo de carne bovina, em função da melhoria de renda do brasileiro, passou de 36 para 41 quilos/ano, por habitante, um aumento de dez por cento.

João Meirelles Filho, autor de “O livro de Ouro da Amazônia”, ao considerar um consumo médio de 36 kg de carne por ano, alguém que vive 72 anos, devora um boi a cada 6,6 anos, 11 bois inteiros durante a vida. Isso resulta em 2,6 toneladas de carne. “Destes 11 bois, pelo menos 4 terão vindo da Amazônia, ou seja, a cada três dias o brasileiro come um bife da Amazônia”, mostra Meirelles. Mas, o consumidor da classe média e alta chega a comer mais de 3 vezes esta quantidade.

Não quero, propositalmente, dizer que não deva comer carne. Seria radical propor isso em um país tipo de alimento é cultural, e hoje, praticamente todos, podem ter acesso a ele. Particularmente, nunca comi carne. Mas, imagino que para quem tem esse hábito carnívoro, possa ser difícil ficar sem ele, embora não seja impossível um repensar na diminuição. Mesmo que o boi não seja o único fator responsável pela devastação das nossas florestas e do Cerrado, é inegável que nos últimos 15 anos, o tem sido o maior vilão da Amazônia.

Acredito que o produtor deve investir mais nas maneiras de criação bovina sem destruir os biomas. Todo animal abatido ou vegetal derrubado cria uma cadeia de gases lançados diariamente na atmosfera. Além de emitir gases mais poluentes do que o gás carbônico, como metano e óxido nitroso, a criação bovina demanda o uso de outros bens naturais que são finitos, como o recurso hídrico.

O consumo de água, por exemplo, é muito grande. Para se produzir 1 kg de carne de boi são necessários cerca de nove mil litros de água. Já a produção de um quilo de arroz, com menos de dois mil litros é possível.

Se não contiver o delírio pela economia a base bovina, sem visão de futuro, essa proporção vai aumentar aos poucos. Então, é melhor pensar e resguardar o futuro da Amazônia agora, ou não? Antes de encher o prato de carne daqui por diante, repense. Suas gerações futuras podem viver mais e melhor pela sua decisão.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

ÁGUA, QUANTO CUSTA?


Artigo de Jair Donato

Seja por omissão ou ignorância, ainda existe quem não se preocupa com o uso racional da água, um bem finito e precioso que nem todos possuem à disposição. Esse é um elemento vital para manter a vida na Terra, que compõe maior parte da massa do corpo humano e do planeta. Tem gente que desperdiça água e justifica que não estará aqui mesmo nos próximos 50 anos, como se não tivesse filhos ou descendentes que precisarão viver com qualidade de vida.

O filósofo chinês, Confúcio, disse que as pessoas que não pensam bastante à frente, inevitavelmente têm problemas ao alcance das mãos. A falta do planejamento em longo prazo e do uso racional e sustentável dos recursos naturais coloca em risco a capacidade do homem de viver. "Se não defendermos o planeta, ele vai se defender sozinho", esse é um alerta do Greenpeace, caso a humanidade não diminua os impactos ambientais.

A Organização das Nações Unidas instituiu o período de 2005/2015 como a Década das Águas. Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável. Até o final deste século, mais de 3 bilhões sofrerão com a escassez. Estima-se que quase dois milhões de mortes no mundo, anualmente, têm como causa a poluição da água. Esses são dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). E a poluição tende a crescer.

A água doce já se esgota em muitas partes do planeta. Somente 2,5% de toda a água do globo terrestre é doce. E 99,7% dessa água estão inacessíveis nas geleiras e embaixo do solo, nos lençóis freáticos. Somente 0,03% desse percentual estão disponíveis para consumo, dos quais, 50% ficam em sete países, dentre eles o Brasil, com 3% da população mundial, e dispõe de um potencial hídrico de 12%, o maior do mundo.

Das águas superficiais, 75% estão na Amazônia, maior região hidrográfica, dentre as doze que existem mapeadas no País. O paradoxo? É um dos países que mais desperdiçam esse recurso. Só o uso doméstico consome cerca de 10% do total. No Maranhão já tem lugares onde faltam água e os moradores precisam retirá-la de cacimbas. A principal causa para a seca dessa fonte é o desmate e as queimadas sem planejamento.

Mato grosso é a terceira unidade federativa do País em extensão territorial, considerado o Estado das Águas, por abrigar nascentes importantes que formam rios das Bacias: Amazônica, Platina e Araguaia. Mas, precisa gerenciar melhor esse recurso hídrico. Infelizmente, muitas nascentes no Cerrado já secaram.

No entanto, a lição pode começar dentro de casa. Todos podem tomar um banho de consciência ecológica e fazer a diferença. 75% da água que consumimos em casa são gastos no banheiro. 32% do consumo doméstico de água vêm dos chuveiros, que gastam cerca de 20 litros por minuto.

Cada um pode contribuir. Prefira duchas rápidas ao invés de ficar longo tempo na banheira. Ligar o chuveiro somente para se molhar e retirar o sabonete do corpo é um ato racional. Uma pessoa chega a consumir mais de 300 litros por dia na realização das atividades cotidianas. Por exemplo, a cada copo de água que você toma, outros dois copos são gastos para lavá-lo.

Ao fazer uma vistoria na residência, é melhor trocar válvulas de descarga por caixas de seis litros, pois cada descarga com válvula gasta de 10 a 30 litros de água. Fechar a torneira ao escovar os dentes, lavar as mãos ou fazer a barba. Consertar ou trocar as torneiras que estão pingando. Cada torneira aberta deixa correr de 12 a 20 litros de água por minuto. Cada uma pode perder mais de 40 litros de água por dia. Esses são exemplos simples e do cotidiano.

A dona de casa pode redimensionar o uso da água nas atividades do dia-a-dia. Evitar lavar pisos e calçadas com esguicho. Reutilizar na limpeza, a água usada para lavar roupas. E se você lava o carro com uma mangueira permanentemente aberta, saiba que mais de 600 litros de água são gastos em poucos minutos. E isso pode ser evitado.

É necessário que cada um reflita sobre o fato de que não é possível desperdiçar água sem as devidas conseqüências. Esse é um bem de valor incalculável, uma dádiva que precisa ser vivificada.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

VOCÊ SABE O QUE É BIOMA? E BIOTA?


O Brasil é um País rico em biodiversidade, possui sete diferentes biomas. São eles: Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica, Zonas Costeiras e Campos Sulinos.

Em ecologia, chama-se bioma a uma comunidade biológica, ou seja, fauna e flora e as interações entre elas e o ambiente físico: solo, água e ar.

Mato Grosso é o único Estado que possui 03 Biomas, o Pantanal, O Cerrado e a Amazônia. A natureza fez a parte dela, nos contemplou com essa riqueza. Cabe a cada um de nós cuidar dessa preciosidade de valor incalculável. E como complemento, ainda temos a belíssima Chapada dos Guimarães e a região do Araguaia com mistérios fantásticos, acompanhados de uma rica cultura indígena em todo o Estado.

Biota é a definição para a soma da flora e da fauna de um ecossistema. É o conjunto de seres vivos que habitam determinado ambiente geológico.

In.: Pesquisa

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

DESMATE, O VILÃO MERCANTILISTA.


Artigo de Jair Donato

O avanço desenfreado que fez da pecuária o vilão número um da Amazônia nos últimos quinze anos foi o assunto do artigo anterior. Agora quero abordar sobre o segundo vilão, o desmatamento, que alimenta o primeiro. Embora não gostaria de falar de nenhum deles. Afinal, não se trata de plantar grãos ou criar gado, não faço apologia contrária a isso. A situação está na falta de escrúpulo por parte de quem desmata e queima a floresta na busca do delírio pelo poder econômico, na defesa do interesse de poucos.

Planejamento, sustentabilidade, manejo, consciência, ética, responsabilidade com o clima e com o social, pouco se vê disso na prática. Então, deve-se dar vazão à defesa dos que desmatam e queimam? Ou nos dados que os satélites mostram diariamente, nas fotos e nos estudos com números agravantes sobre a devastação barata das nossas florestas?

Até quando iremos ouvir a historinha de que a parte desmatada da Amazônia é pequena, e que não oferece risco? É melhor ficar de olho. Assim começou a destruição da mata Atlântica. Hoje, já não existem 97% daquele bioma. Ou o governo cuida e fiscaliza a contento e estabeleça um planejamento sério na região amazônica, ou a situação se agravará ainda mais, mediante as atuais condições e perspectivas pouco otimistas, considerando o interesse de quem planta de tornar a Amazônia, o Cerrado e onde for possível em quintais canavieiros.

Será que o avanço da queima e do desmate já não é um alerta suficiente? Tenho a sensação de que a Amazônia está virando um tabuleiro mercantilista. Quem dá mais? Quer pagar quanto? Se o lance da vez for a cana, vamos plantar e faturar. Agora com a oportunidade do etanol, há quem pense que esteja diante da solução para mundo, e não é nada disso. É apenas uma alternativa de energia que ainda não é limpa, e, que deve ser muito bem ponderada.

Enquanto o governo não trocar a cultura do ‘tapa buraco’, como faz com as estradas brasileiras, e de agir só em curto prazo, perderá o meio ambiente e o desenvolvimento sóciocultural da nação. No primeiro semestre deste ano, o relatório da Situação das Florestas no Mundo, publicado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação – FAO, mostrou que nos últimos quinze anos, o mundo perdeu em torno de 20 mil hectares de florestas diariamente.

Somente na América Latina, foram em torno de 64 milhões de hectares extintos, desde 1990. Entre os dez países que reúnem 80% das florestas primárias, dentre eles o Brasil, houve as maiores perdas nos últimos sete anos. Mostra ainda o relatório que o mundo reduziu a perda anual líquida de superfície florestal em torno de 7,3 milhões de hectares, um aparente progresso, que de 2006 para cá tem aumentado em taxas preocupantes, com focos de queimadas e desmates. O Brasil continua como maior desmatador da América do Sul. Responde por 73% das perdas florestais na região.

Cerca de 30% da Terra são cobertos por quase 4 bilhões de hectares de florestas, que mediante o alargamento dos desmatamentos e queimadas, o plantio de árvores e a expansão florestal natural reduziram significativamente. Segundo o Greenpeace, foram eliminados 17% da cobertura florestal da Amazônia Brasileira nos últimos 35 anos, sendo as principais causas, a exploração ilegal de madeira e a crescimento da agropecuária.

E os impactos? O calor e a estiagem aumentam na região Centro-Oeste. O rio Araguaia está secando. Surgem no meio do rio Negro áreas com gramíneas e bancos de areia. No Norte do Mato Grosso, presenciei recentemente, córregos e rios que já não existem mais, alguns possuem apenas vales de areia sem jorrar vida por ali. Em 2001, quando publiquei minha primeira matéria sobre esse assunto, já fazia um alerta sobre o potencial hídrico de Chapada dos Guimarães, que estava secando.

A verdade é que os biomas são partes de um mesmo organismo vivo. Se não cuidarmos das nascentes no Cerrado, é óbvio que os rios na Amazônia secarão, o Pantanal terá períodos de maior estiagem e mudará todo o ritmo de uma biodiversidade existente.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

ANO POLAR INTERNACIONAL


Notícia

Cientistas de todo o mundo deram início em março deste ano ao mais ambicioso estudo sobre as regiões polares dos últimos 50 anos. O chamado Ano Polar Internacional é um projeto que vai durar dois anos e reuniu 50 mil pesquisadores de 63 países, inclusive o Brasil.

O mutirão de pesquisa quer investigar principalmente como o derretimento das geleiras pode afetar o clima de todo o planeta. O lançamento mundial do projeto foi em Paris, na França, e em outros países, como a Austrália.

De agora até março de 2009, cientistas vão comandar 228 pesquisas. Eles vão analisar as alterações na fauna e na flora nos pólos Ártico e Antártico. A maior preocupação dos pesquisadores é com as dramáticas mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global, como o derretimento de gelo da Antártica.

Os pesquisadores querem descobrir as condições nos pólos e como eles interagem e influenciam os oceanos, a atmosfera e o continente. “É cada vez mais essencial entender como a Antártica afeta o cotidiano do cidadão brasileiro“, disse Jefferson Simões, do programa Antártico-Brasileiro.

O custo estimado do projeto é de cerca de 3 bilhões de euros, mais de R$ 8,5 bilhões.

Fonte: JH

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

INVASÃO DO BOI NA FLORESTA


Artigo de Jair Donato

O vilão que mais desmata a Amazônia é a pecuária, e não a soja, o contrário do que muitos pecuaristas dizem. É o que mostra um estudo realizado pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, referência que servirá de base para o planejamento do território amazônico, pelo Ministério da Integração Nacional. “O fantasma da Amazônia não é a soja, é a pecuária", diz o economista Julio Miragaya, autor do estudo, que escreve uma tese de doutorado sobre o papel da pecuária na ocupação da Amazônia.

Somente em Rondônia, plena Amazônia Legal, em 15 anos a criação bovina cresceu em 560%, seguida do Acre com 478%. Mato Grosso e o Pará registram aumento de 200% nesse período. Miragaya mostra que o avanço do plantio de soja em áreas que antes eram ocupadas pela pecuária, como no Centro-Oeste, forçou o avanço do gado para as áreas amazônicas.

Mas, isso não é verdade, contesta o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho. "Não é a pecuária a responsável pela invasão na região amazônica. Falta na região um melhor controle do direito de propriedade. Muitas das propriedades não têm título e é isso que gera a disputa pela terra e fomenta a invasão de áreas", diz Ramalho. Ele afirma ainda que o próprio mercado decide se vale a pena plantar ou não.

É fato que por falta de planejamento, a região perde muito. Um péssimo exemplo de crescimento dessa natureza é o Centro-Oeste. O avanço desordenado foi uma das causas da crise no agronegócio. Para quem veio há cerca de trinta anos para cá, onde só precisava desmatar e plantar, e depois criar gado, as regras do jogo mudaram. Hoje, o negócio do plantio e da criação bovina precisa ser estratégico e planejado. Para se relacionar com comercio interno ou externo, é necessário atender outras exigências, principalmente em relação ao meio ambiente.

Já não é suficiente ser apenas competitivo nessa época em que o negócio da vez é o desenvolvimento sustentável. O governo precisa fiscalizar melhor, enquanto quem planta e quem cria deve investir mais em consultoria sobre o que faz e os impactos possíveis das ações implementadas. E o consumidor deve ficar sempre atento com o que leva para a mesa, priorizar marcas responsáveis ambientalmente e consumir com racionalidade.

Enquanto isso, o desmate continua. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre junho e setembro deste ano, houve desmatamento na Amazônia de 8% a mais, se comparado ao mesmo período de 2006. E ainda alerta que a tendência é aumentar. Daí a importância de planejar e de fiscalizar. E o risco de devastação, frente aos interesses eleitoreiros que se aproximam com as eleições de 2008, é grande. Já que consciência parece contar o mínimo possível, infelizmente.

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgou através do Sistema de Alerta do Desmatamento, que só no Pará, o número de focos de calor, aumentou em 15%. Enquanto em agosto de 2006 ocorreram 1.674 pontos de incêndio, foram detectados 1.920 em agosto deste ano. Mato Grosso também foi péssimo exemplo, de uma queda que havia do ano passado para cá, voltou a crescer, fator que preocupa e mostra o quanto a Amazônia é frágil. Essas queimadas não são apenas acidentais. O aumento do período de estiagem no Cerrado, na Amazônia e no Pantanal já é preocupante.

Penso que não se trata de apenas acusar eu defender quem desmata mais, se é a pecuária ou a soja. O que precisa ser avaliado são os impactos já causados, alguns irreversíveis e partir para a solução. Pois uma coisa é certa, as mudanças climáticas provocadas por pela devastação da Amazônia, não vem das culturas nativas, mas sim da exploração mercantilista, que enriquece poucos, empobrece e mantém a maioria desprovida de condições sustentáveis para o futuro.

É o comportamento do ser humano que precisa ser auto-sustentável, antes de qualquer planejamento e tomada de decisão. Talvez seja esse o caminho mais eficaz para um futuro, cujo meio ambiente seja sinônimo de qualidade de vida às futuras gerações.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

POR QUE O SER HUMANO RESISTE À MUDANÇA?


Artigo de Jair Donato

Tenho um sonho, almejo fazer parte de uma sociedade ambientalmente responsável. E me dedico a isso voluntariamente. Ao longo de 2007, realizei dezenas de conferências sobre aquecimento global. Visito empresas, instituições de ensino, órgãos do governo e demais organizações. Já estive com mais de 3000 pessoas diretamente. A mídia também tem sido parceira nessa causa, contribuindo com espaços para disseminação de informações à sociedade, sobre as ações individuais que cada um pode fazer. Sei que posso e devo fazer muito mais. Contudo, esse é um trabalho que precisa ser da maioria.

Centenas de sugestões foram colhidas nessas atividades, sobre ações mínimas para conter a larga emissão de gases poluentes que são lançados na atmosfera. Tenho divulgado parte delas nesta série de artigos que escrevo sobre mudanças climáticas e os principais impactos. É necessária uma profunda reflexão sobre a mudança do estilo comportamental do homem, frente a atual situação que o mundo atravessa.

É importante que a população tenha consciência sobre o que cada um tem de responsabilidade no contexto ambiental. Estamos diante de uma necessidade que possivelmente nossos avós não viam como ‘causa urgente’, embora o aumento da temperatura da Terra seja um problema há décadas. Mas, não despertava interesse das pessoas.

Talvez, seja por isso que ainda é comum perceber um alto grau de resistência por parte dos adultos, quando se trata do consumo racional e da não poluição do meio ambiente. Além dos profissionais ambientalistas, as crianças, são notáveis exemplos sobre educação ambiental. São verdadeiros mestres para muitos pais e avós, que ainda pensam que ações como conservar e preservar sejam brincadeiras infantis.

Muita gente ainda prefere ‘deixar como está para ver como que fica’. Peter Drucker, pai da administração moderna, disse que “As pessoas não resistem às mudanças. Elas resistem a serem mudadas”. Ao conversar com universitários, durante as apresentações, ouvi vários dizerem que se sentem amigos do meio ambiente, procuram não poluir e que sabem do impacto ambiental provocado pela destruição dos recursos naturais. Mas, que os pais deles, alguns poluidores em potencial da natureza, sequer permitem comentar sobre aquecimento global dentro de casa.

Minha percepção é que em diversos segmentos, ainda se dá pouca atenção ao assunto, existe um compromisso mínimo. Há um interesse falso, mesmo diante das catástrofes que ocorrem no mundo, conseqüentes do aquecimento da Terra. Às vezes reflito sobre o quanto a humanidade vive em um processo de autopunição, decorrente dos próprios atos, como se fosse um meio reparador. Mas, talvez a psicanálise explique melhor essa questão.

O ser humano possui tendência a viver no estágio da ‘negação’, acerca de fatos óbvios, como o aumento da temperatura da terra, em função das queimadas, desmatamentos desenfreados e o uso demasiado de energia e combustível fóssil, dentre tantas outras ações poluidoras. O gelo do mundo está derretendo e o nível dos oceanos está subindo. O clima está sendo alterado. Mas, para muitos, nem parece que isso esteja acontecendo. Daí, no fim da etapa, surge o segundo estágio, o do ‘desespero’.

Quando o ladrão rouba uma casa, por exemplo, surgem traumas e preocupação. Então, todas as formas de prevenção são instaladas. No entanto, em relação ao planeta, ainda não fabricaram outro semelhante para ser substituído à medida que este estiver sendo invadido pela fúria da natureza, que é implacável.

Vejo que cada pessoa compreende a questão ambiental de forma diferente. Trabalhar por essa causa é uma defesa que precisa estar na alma, tem que fazer parte de um ideal de vida e missão pessoal. Caso contrário gera frustração. Pois nem sempre a expectativa de quem defende essa causa, é a mesma de uma maioria egoísta, interesseira e destruidora. Acredito que cada um deve fazer a parte que estiver próxima a si. O mundo pode se tornar bem melhor a partir da consciência individual, em prol do todo.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com