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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

ATIVISMO DESTRÓI
Artigo de Jair Donato

O ambiente em que permeia o ativismo percorre muito exagero, especulação, vaidade, exibicionismo, presunção e espetáculo. Na pura concepção do ativismo, quando as pessoas se agrupam, mesmo que intencione buscar conquistas, melhorias de um sistema, difusão de uma ideia ou a defesa uma ideologia, corre o risco de se alienarem no sectarismo da própria doutrina.

Seja pela busca do direito de minorias ou qualquer outra causa de natureza étnica, política, religiosa, sexualidade, dentre tantas, se houver apenas empolgação ou pura rebeldia, sem que se apure um sentido efetivo, os envolvidos correm apenas o risco de se tornarem extremistas, ou no mínimo inconvenientes. Isso ocorre quando se perde o caminho do meio, ou seja, o equilíbrio.

Fomentar a postura de intolerância e sensacionalismo, embebecida pela emoção de uma coletividade alienada só produz o caos. Pois é um ato que desconcerta o sentido bom que poderia levar à justiça e a equidade. Ativistas, sejam religiosos, climáticos, políticos ou até mesmo se lutam pelos direitos humanos, facilmente caem no sensacionalismo, se tornam radicais, preponderam pouco e agem como se o mundo girasse em torno deles.

Postura sensacionalista não combina com seriedade, sequer agrega valor. É como o furor do encantamento da paixão de adolescência. Passa. É comum ver entre ativistas, posturas fundamentalistas, radicalismo, defesa de um lado só em detrimento ao resto do mundo, uma fábrica de exibicionismo. O resto fica sem defesa e submetido a uma visão parcial e limitada.

Dentro de vários segmentos, uma postura ativista impede que os envolvidos vejam com desapego e mais independência o lado do outro. Julgamento, preconceito e intolerância surgem facilmente deste tipo de posição. Isso é sempre perigoso para o bem comum. Seja o pobre contra o rico, o negro em detrimento ao branco, o enfrentamento da violência em nome da paz, a defesa de uma religião, ou a exigência do respeito pela orientação sexual.

Reivindicar, provocar alertas ou a defesa de alguém ou algo, será sempre justo, por vivermos numa sociedade de desigualdades. Contudo, quando procuro defender uma causa, evito o ativismo, dessa maneira mantenho minha mente aberta para considerar outras opiniões, outros dados que também possam ser relevantes. Isso não sucumbe minha identidade, tampouco impede minha expressão. Dessa maneira posso certificar-me melhor sobre qual caminho esteja trilhando, ou então se devo abandoná-lo.

Vivemos numa era veloz em que ideias, dados e constatações são muito perecíveis, se perdem rápido. Hoje você pode adotar um estilo à primeira vista como se fosse perene, e amanhã abandoná-lo. Vivemos numa realidade de mudanças rápidas em que é importante ser ágil. No entanto, que se evite comprar ideias envernizadas que se disponibilizam por muitos segmentos. Talvez, seja essa a maneira de maior liberdade para que todos possam se expressar cada vez mais, propor, reivindicar e agregar valor.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A RELIGIÃO, O EXAGERO E O TRANSTORNO
- Artigo de Jair Donato 

Tudo que é exagero e enfatizado pelo excesso é anormal. Até o bem, se aplicado de maneira inadequada, deixa de ter tal aspecto. Vejo gente eufórica como criança que se lambuza com doces, ao se filiar a uma dissidência cristã, por exemplo, afirmar pejorativamente que “aceitou Jesus” e despreparadamente transitar tentando alienar os demais, além de posar como se fosse um modelo de religiosidade. Sendo que tudo que fez foi aceitar as regras de uma igreja, onde presta culto e cerimônias carregados de proibições e condições estereotipadas para conter as próprias pulsões do ego. De certa maneira o freio desacelera, mas é uma operação “tapa-buraco”. Para quem assim age, acha mais fácil submeter-se a regras externas do que conter-se e gerir os próprios impulsos.

Há indivíduo que procura religião não para aperfeiçoar-se na moral ou buscar entendimento sobre os mecanismos da fé, do amor e da vida, mas para esconder de si mesmo os impulsos ligados ao vício, a paixão e ao apego. É quando a religião passa a ser uma maquiagem na vida do transeunte que passa a viver com uma capa de um personagem que não o é. Muitas pessoas usuárias da citação “de que aceitou Jesus” reincidem nos desejos primitivos do vício, desrespeitam a diversidade da vida e facilmente julgam o próximo em detrimento aos estilos que combinam com os dogmas do rótulo religioso a que pertencem.

Lembra-se da paixão da adolescência? É uma passagem tão fugaz, em que há juras de “amor eterno” como se fossem para sempre. Meses depois, o lance esfria e outros casos surgem. É o mesmo que acontece com um religioso empolgado com uma nova religião, sai como se quisesse convencer a todos e como se a religião dele fosse absoluta e detentora de uma verdade universal. Religião, como tudo na vida, só é bom para quem tem o preparo de permeá-la com equilíbrio, pois dessa maneira é que se conseguirá absorver tudo que ela poderá oferecer de conforto, encorajamento e reflexão. Mas, vivenciar apenas a empolgação de um rito ou de um discurso esfuziante é semelhante a fase de uma criança encantada quando se vê diante de um novo brinquedo.

O próprio fato de existir centenas de correntes religiosas provindas de um mesmo líder, seja no cristianismo, no budismo e nas demais grandes concentrações doutrinárias, é o resultado de diferentes interpretações sobre uma mesma diretriz, algo característico do ego humano. Não há uma doutrina religiosa melhor do que a outra, exceto a moral de quem a pratica. Aceitar Jesus, Buda, Maomé, Brahma, Krishna, Confúcio ou qualquer outro mestre como orientador de condutas na vida, se for pelo caminho da naturalidade, não necessita de ligação com dogma religioso, tampouco com regras que os diferenciem uns dos outros.

Você conhece pessoas que se declaram agnósticas, mas que praticam caridade, tratam bem os familiares e colegas no trabalho? Conhece alguém que é ético, visita asilos, cria empregos, recolhe os impostos sem sonegação e não discrimina os outros pela orientação sexual, raça ou condição social? Então, ele só não tem religião. E quem disse que ela é condição imprescindível? Esses são os que aceitam o Ensinamento, a mensagem que os iluminados deixaram e não fizeram questão de cadastrar pessoas como seguidores deles, tampouco elegerem os que seriam supostamente salvos.

Sem dúvida, não são rótulos religiosos a garantia para o despertar da espiritualidade. As vezes o título é uma fantasia que privilegia muito mais o orgulho e a vaidade. Seja a religião, um relacionamento, um trabalho voluntário, um partido político, ou quaisquer movimentos ou crença que o indivíduo procurar, que não seja para propiciar entendimento da natureza de si mesmo, provocando-lhe reforma íntima, se torna um aspecto alienante. Ou, um álibi para encobrir o que há de nefasto em si mesmo, fuga. Basta que a escolha feita deixe de atender as próprias carências ou tornar-se uma ameaça, que ele a abandona. Esse é o risco da euforia e do encantamento fácil. Há muita gente de moral ilibada que nenhum credo aprendeu até hoje, e ele nem necessita disso. Você a reconhece pelos resultados das ações a que apreendem.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O CERTO E O DUVIDOSO
Artigo de Jair Donato*

Não por acaso, Esopo, um sábio fabulista grego que viveu bem antes da Era Cristã, afirmou que se torna um tolo e duas vezes imprudente, aquele que desiste do certo pelo incerto. Ele elucidou o exemplo do cachorro, que carregava na boca um pedaço de carne e ao cruzar uma ponte sobre um riacho, de repente, viu a própria imagem refletida na água.

Diante disso, o cão logo imagina que se trata de outro felino, com um pedaço de carne maior que o dele. Ele não demorou para agir instintivamente, deixando cair no riacho o pedaço que carregava, e ferozmente se lançando sobre o animal refletido na água. O objetivo era um só, tomar do outro aquela porção de carne que julgava ter o dobro do tamanho da que ele tinha na boca.

E foi através dessa ação que o cachorro acabou perdendo os dois pedaços de carne. Aquele que tentou pegar na água, por se tratar de um simples reflexo, o dele próprio. E o que tinha como certo, uma vez que ao largá-lo nas águas, a correnteza acabou por leva-lo para longe. Mas era um cachorro, de natureza irracional, alguém poderá argumentar. Pior ainda para o homem que faz o mesmo, e com a possibilidade de raciocínio, consciência e percepção.

Imagine alguém viciado em jogos, quantos perderam a fortuna que possuía na ganância de ganhar mais, ao apostar na usura. Há alguma diferença entre aquele cachorro da narração e o indivíduo que vende a casa em que mora e demais bens que possui para investir na ilusão de ficar rico da noite para o dia? Há sim, pois o primeiro é apenas um cachorro, desprovido de racionalidade.

Quantas pessoas perdem a oportunidade de criar vínculos mais profundos no relacionamento interpessoal, por exemplo, devido a frivolidade das relações virtuais. Há quem não valoriza a quem mais pode amar e sentir-se amado em face de paixões que provocam prazer, mas nunca êxtase de autorrealização.

Há quem ao invés de inebriar-se com o belo da natureza, valorizar o contato com o próximo e sentir o momento presente, decide embriagar-se pelo álcool ou anestesiar-se pelas drogas, sempre que se vê em situações que deveria estar presente. Há quem perde todo o pudor da sensibilidade, tratando rudemente os pertences, as pessoas em volta dele, e faz desse modo de agir o próprio mundo.

Tem ainda quem não percebe que pode ser única a chance de fazer bem feito o que surge diante de si, pois aquela poderá ser a melhor oportunidade, dentre todas, para o sucesso dele na vida. Essas são maneiras de trocar aquilo que pode ser certeiro por algo que não trará resultados proveitosos.

Afinal, a ambição, o desejo de tornar-se melhor, e também possuidor das coisas, indubitavelmente, é saudável. Mas, isso não é sinônimo de inconsequência e ganância, que junto com a imprudência e a tolice, se tornam entraves para a evolução do homem.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

DIFERENÇA ENTRE OBJETIVO E DESEJO
Artigo de Jair Donato

Você sabe o que difere entre aspiração e foco? Há muita gente que passa a vida inteira desejando aquilo que provavelmente nunca conseguirá. Há também quem conquista o que não gostaria e sofre por todo o tempo. É preciso saber bem o que quer, e então, agir.

O desejo é uma expectativa que permeia a esfera da aspiração. Podem ser vários decorrentes de uma necessidade. Meros sonhos ou desejos alçam mais rapidamente quem os possui ao patamar da ilusão e da fantasia. As pessoas perdedoras, aquelas sem muita garra na vida, geralmente são as detentoras de grandes vontades, mas apenas isso.

Já o objetivo possui uma propriedade com características realizadoras. É algo propício de quem traça metas e sabe o destino que deseja para a própria vida. Pode ser mensurável, específico, quantificado e progressivo. Pessoas bem sucedidas não se perdem em longas aspirações pelo fato de transformá-las em objetividade.

É comum perceber que quem possui apenas desejos acaba por ser dominado por eles, se torna consumista, perde o controle de si mesmo. Enquanto quem os transforma em fatores objetivos, assume as rédeas das circunstâncias. Essa diferença é crucial para obtenção de resultados. Nenhum dos dois é irrelevante, mas é o equilíbrio entre eles que propicia resultados. Pois uma aspiração sem ação se torna um mero sonho. E apenas planejar sem uma visão, nada mais será que passatempo.

O indivíduo que apenas tem a aspiração ou o sonho de um dia se casar pode expressar: “casar com alguém”. Já o que aspira de maneira objetiva diz: “diminuir a carência afetiva” ou “dedicar-se a alguém”. É aí que se torna possível descobrir que para diminuir uma carência afetiva não seja necessário contrair um casamento. Imagine uma mulher que deseja se casar para ter alguém que arrume a casa, cuide da parte elétrica, hidráulica, segurança, enfim. Ou o homem que deseja casar-se novamente para ter alguém que cuide da casa e a mantenha limpa, roupa lavada e comida servida na hora. Ambos, se tomarem tais decisão pela objetividade, verão que custará menos contratarem um profissional de serviços gerais e segurança, e no segundo caso, contratar uma secretária do lar. Descobrir o foco e real necessidade é se tornar objetivo.

A discrepância entre ter um desejo e ser objetivo provoca muitas decisões erradas na vida das pessoas. É lamentável perceber que todo dia muita gente corre atrás daquilo que de verdade, não era o que queria. Pense um vendedor que se expressa assim: “meu desejo é vender cada vez mais”. Enquanto outro se programa da seguinte maneira: “meu objetivo é aumentar a venda de produto X, em percentual Y, na região X, cujos clientes pertencem às classes A e B”. Você percebe notável diferença entre os dois profissionais acima?

As pessoas objetivas possuem mais possiblidades de acertarem o curso, seja nos negócios ou na vida pessoal. Mas essa é uma decisão que decorre da consciência e os resultados que cada um pretende na vida. E você, possui mais desejos ou consegue transformá-los em objetivos? Os dois são importantes, mas é a coerência entre eles que determinará o seu Projeto de Vida.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br