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terça-feira, 23 de junho de 2015

HOMEM, MORAL E RELIGIÃO
Artigo de Jair Donato

Vejo gente preocupada demais e que investe cifras na mídia para ostentar o rótulo religioso que defende enquanto deixa um rastro de orgulho e vaidade por onde transita em detrimento a humildade e caridade, preceitos básicos que se espera de qualquer derivação religiosa. Sob esse prisma efêmero, a religião se torna insignificante e banal ao homem. Na verdade, não é que o indivíduo precisa de religião. O que ele precisa é viver moralmente correto, tratar bem as pessoas, conviver bem consigo, com o ambiente e com a natureza. Essa é uma necessidade veemente do ser humano. Contudo, se através da religião ele aprende a delinear os preceitos morais e age eticamente sem fundamentalismo, nesse caso ela pode ser válida. Mas, os caminhos para isso são vários.

Afinal, nem todo religioso tem uma moral ilibada. Há grandes traços de desvio de caráter dentro de uma série de movimentos religiosos. Existem muitos personagens que usam a religião para intromissão social através de pensamentos fundamentalistas, sectários, preconceituosos e intolerantes. São figuras politiqueiras que manipulam a fé alheia para ser o palco dos próprios delírios e até da ilicitude. E isso tem sido bem peculiar neste mundo de transição em que vivemos, cheio de joios e pouco trigo.

Mas, tanto a religião como qualquer outra ideologia, seja uma filosofia, o próprio trabalho ou um estilo de vida não dogmático pode conduzir o homem a uma vida moralmente correta. A grande questão é a capacidade de percepção que o indivíduo possui para tirar de eventos simples que existem ao redor dele a compreensão sobre a importância de ser ético.

Um indivíduo que se torna altruísta, vive bem com os outros, trata bem as pessoas sem manipular consciências e está sempre em consonância com as leis da natureza, é muito mais bem visto moral e espiritualmente do que um religioso que não age dessa maneira e tenta vender a ideia de que atua em nome de um ser divino. Certa vez, ouvi de um líder que quando o homem cresce pouco moral e espiritualmente, até mesmo a paz é uma ameaça. Isso ocorre também quando pseudo líderes tentam imprimir a ideia de imponência no mundo religioso através de manipulação e do radicalismo. Embora o que conseguem é apenas desprezo e crítica pela empáfia e presunção que apresentam.

O antagonismo em relação a fé do outro em detrimento de crença ou dogma peculiar, o a intolerância às regras e estilos sociais do mundo talvez não sejam caminhos mais adequados para sensibilizar a sociedade para uma mudança agregadora. Pois tudo o que foge do caminho natural, mesmo que tenha o aspecto de bem, pode se tornar um mal. Há os que anonimamente contribuem para um mundo melhor no silencio, sem holofotes, com espírito de sensatez e naturalidade. Que diferença você pode destacar entre essas diferentes maneiras de agir?

Atuar como religioso para criar plateia e causar polêmica no meio social, como fazem algumas “estrelas cadentes” do contexto religioso contemporâneo é tão indigno quanto alguém que entra para a política, desprovido do interesse genuíno de servir. A ganância e o desejo de se dar bem são idênticos, mudam-se os palcos, a postura é a mesma.

Ser educado, ético, desenvolver uma consciência altruística e visão holística, entender quanticamente que todos são um através do respeito à individualidade humana, essa é uma via da espiritualidade. E para viver bem consigo, com os outros e com o meio em que vive, o indivíduo nem precisa de barganha, tampouco alienar-se a nenhum preceito religioso que seja carregado de sectarismos.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

terça-feira, 16 de junho de 2015

RELACIONAMENTO NO TRABALHO
Artigo de Jair Donato 

Como é que as pessoas se relacionam no seu ambiente de trabalho? A cada dia no mundo de descontinuidade em que vivemos, a habilidade do relacionamento interpessoal se torna imprescindível, principalmente dentro das organizações. Algumas empresas possuem áreas de atuação com a denominação central de relacionamento com o cliente, cujo objetivo é o gerenciamento do relacionamento, tanto com clientes internos, quanto externos. Altos investimentos na área de tecnologia também são realizados a exemplo de uma gama de programas disponíveis no mercado para essa finalidade.

A fidelização do cliente externo traz maior lucratividade para a empresa e perpetuação por um período mais longo para o negócio. E o bom relacionamento interno se reverte em inúmeros benefícios, dentre eles podem ser destacados a melhoria do clima organizacional, o aumento da motivação, do empenho. Mensura-se ainda considerável diminuição da rotatividade e do absenteísmo, que é a falta ao trabalho.

Ao considerar os itens existentes nas melhores empresas para trabalhar, um estudo que foi realizado pelo coordenador de pesquisas do Instituto Gallup, Tom Rath, apresentou que aqueles que possuem amigos no emprego tem sete vezes mais chances de se dedicar ao trabalho. Enquanto os que não possuem esse vínculo, a chance deles se empenharem é apenas de uma em doze. É considerável o número de doenças de ordem psicossomáticas que são geradas em função do mau relacionamento com chefes e colegas no ambiente organizacional. Emoções negativas, ressentimentos, e descontentamentos, se mantidos numa espécie de ciclo vicioso podem somatizar no indivíduo e de alguma forma se converter em patologias de ordem física ou emocional. 

Ao longo das últimas décadas diversos estudos e experimentos têm apontado que ter uma boa relação interpessoal é fundamental para quem quer se destacar na carreira. Uma das habilidades essenciais para que isso se estabeleça é o trabalho em equipe. Saber conviver e gerir conflitos dentro de uma equipe de trabalho sem perder o foco, é algo difícil, se não for desenvolvida essa competência. Mas, aos que conseguem existe a percepção de que vale apena, pois um bom clima organizacional pode trazer muitos resultados benéficos, tanto para a empresa quanto aos que nela trabalham.

Uma pesquisa do núcleo de estudos e negócios em desenvolvimento de pessoas da Escola Superior de Propaganda e Marketing, ESPM, mostra que tendo em vista a importância do bom relacionamento nos resultados da empresa e na qualidade de vida dos funcionários, as organizações têm adotado atividades com esse direcionamento. Um dos casos citados é o da Fundação Oswaldo Cruz, cuja área de recursos humanos desenvolve atividades direcionadas para o estímulo das relações interpessoais entre os colaboradores, através de uma série de atividades dinâmicas que objetivam a melhoria das relações entre as equipes. Ao invés de atitudes centralizadoras, observa-se que a ajuda mútua faz parte do desenvolvimento de projetos e contribui para que o desempenho individual se potencialize.

Um dos pressupostos é que o indivíduo trabalhador passa a maior parte do tempo dentro do local onde ele trabalha e a qualidade de vida dele, em parte, depende da convivência nesse ambiente. É possível considerar que os resultados apresentados pelos colaboradores no ambiente de trabalho tem uma relação direta com os vários fatores existentes no ambiente, tais como o clima entre os colegas, a liderança, a cultura da organização e a maneira de condução das atividades. Uma organização que desenvolve a cultura participativa, aonde as pessoas por mais competentes que sejam não deixam de trabalhar em equipe e se comprometem juntas com os resultados, se torna mais competitiva e permanece por mais tempo no mercado.
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É comprovado que a cultura do reconhecimento e da valorização pessoal e profissional dentro do ambiente de trabalho são indicadores certeiros para melhoria do relacionamento interpessoal e da qualidade de vida das pessoas. Essa pode ser uma via de mão dupla, uma relação em que ganham e convivem bem todos os lados envolvidos.

Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

terça-feira, 9 de junho de 2015

PESSOAS QUE SE SABOTAM
Artigo de Jair Donato

Em recente artigo publicado abordei sobre a diversidade de causas que leva as pessoas a sabotarem a si mesmas. Mas dificilmente o indivíduo faz isso como processo consciente. Através de uma linguagem do inconsciente, podem ocorrer desde pequenos erros no cotidiano, deslizes, constrangimentos, atos falhos, até grandes enganos que afetam áreas importantes da vida, como relacionamentos, saúde e vida profissional. Mas, afinal, por que o ser humano boicota a si mesmo através de hábitos rotineiros dessa natureza? Aí está uma tamanha complexidade que envolve a natureza humana.

Há uma cena divulgada na Internet de uma dupla que planejava entrar no Ônibus pela porta da frente com o intuito de praticar furto. É perceptível o nervosismo de ambos assim que o ônibus chega ao ponto de parada. Enquanto um deles resolve subir de última hora, antes de o veículo partir, o comparsa desiste. O meliante que entra ataca de imediato uma pessoa que está à frente tentando tomar a bolsa dela, bem ao lado do motorista. No entanto, ele não consegue furtar os pertences devido ao nervosismo e por perceber que o ônibus bate em retirada.

Ele que deve ter pensado em pegar a bolsa e sair do ônibus em seguida pelo fato de ainda está na escada de entrada, deu tudo errado. Quando percebeu arrancada do veículo tentou sair, mas não conseguiu e ao tentar abrir a porta à força mesmo em movimento, a mão direita dele ficou presa pela pressão do mecanismo de tranca. Foi então que o motorista ao lado dele, sacou um tacape e começou a acoitá-lo fortemente acertando-lhe o braço esquerdo que usou como autodefesa. Levou várias porretadas, e o motorista com a outra mão conduziu o ônibus até um local em que a polícia veio e  generosamente acolheu o indivíduo.

Pela cena é possível ver o nervosismo e o medo que assolaram o meliante que preso à porta, apanhou e ainda foi entregue à polícia. Será que conscientemente ele havia planejado tal fim para si mesmo? Ou foi uma vítima, indiferente ao que atraiu para ele? Quem o colocou naquela presepada senão algo ligado a si mesmo?

Parece haver um senso de justiça intrínseco que faz com que o indivíduo desenvolva mecanismos que dificultem ou impeçam que algo dê certo ao cometer atos que intimamente a pessoa sabe que não condiz com as referências internas aprendidas como certas ou erradas. Um fato que pode ser observável é que determinadas situações ocorrem na vida do indivíduo como uma espécie de autoexpiação, uma maneira encontrada pela própria pessoa de se punir, como reflexo de um desejo oculto que representa algum tipo de alívio, mesmo que rejeite ou ache absurda tal ideia no âmbito do consciente.

Segundo o psicanalista Luiz Fernando Garcia, autor da obra “O Inconsciente na sua vida profissional”, mui­tas vezes, por mais que conscientemente o indivíduo tente agir de outra forma, acaba seguindo um mesmo roteiro, ainda que esse roteiro possa lhe ser reconhecidamente prejudicial, a exemplo das compulsões do ego - comida, compras, jogo, sexo, dentre outros comportamentos. Não se pode descartar o poder de escolha que todos possuem, mas é incrível como padrões psíquicos e comportamentais podem ser repassados de pai para filho a ponto de serem cultivados em uma família durante várias gerações, destaca.

O autoconhecimento é fundamental para que o indivíduo conduza o roteiro do próprio destino de maneira entusiasta e fique aten­to aos possíveis processos de autossabotagens. Pois, inconscientemente, o ser humano pode conduzir a própria vida para um caminho antagônico ao que deseja de modo consciente e viver uma espécie de autopunição. É quando ele passa o tempo minando os principais aspectos da vida que para ele representa valor, restando-lhe apenas resultados medíocres. Conhecer melhor a si mesmo é como parar de dá tiro no próprio pé.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com