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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

OUTRO LADO DA FILA
Artigo de Jair Donato*

Você já percebeu como acontece a formação de uma fila? E o que você faz quando está numa delas à espera para ser atendido? Na maior parte das vezes a sequência é a mesma, uma pessoa à frente, seguida de outras, sem contar aquelas que contam com uma companhia ao lado para fomentar as futilidades do momento. É assim praticamente em todo lugar. É o que a maioria das pessoas faz quando está em uma fila? É isso mesmo: nada! Seja na fila do banco, do embarque, do show, do protocolo, para compra de um ingresso, enfim, o assunto que mais gira é em torno dos reclames.

Reclama-se do tempo, da demora, do atendimento, do atendente, do local, da falta de assento, do tamanho da própria fila, do frio ou do calor. Há quem reclama do salário do mês seguinte porque o atual já nem existe mais, das dívidas, da política, do governo, da virose do momento, do modo de vestir de alguém que passa do outro lado da rua, do vizinho, do que poderia ter. Geralmente estende-se uma sequência quase que interminável. Há filas que se assemelham a um muro de lamentações. Enquanto outros expõem as próprias frustrações, mágoas, falácias sobre o chefe, críticas sobre o time adversário e comentários que não agregam valor nenhum a moral humana. É cada pauta que chega a deprimir os transeuntes da localidade. De vez em quando surgem uns transeuntes divertidos, ou pelo menos tentam ser, que contam piadas e até alegram o ambiente.

A maioria desses perfis de usuários de longas filas possui algo em comum, aversão a elas. Talvez por isso procurem passar o tempo de qualquer maneira, sem tirar proveito do que elas podem oferecer. Contudo, existem os raros casos de gente vista como inusitada, louca, pois é assim que outrora já me adjetivaram. São pessoas que curtem o ambiente das filas, algo avesso à maioria, e fazem dele um espaço para agregar conhecimento. Este é meu caso. Sempre fui beneficiado por esse espaço. Principalmente, na minha adolescência, pois devido ao trabalho, tinha mais tempo para exposição em filas do que para visitação a bibliotecas. Não mensurei o quanto, mas muito conhecimento eu adquiri com proveitosas leituras nas enormes e incontáveis filas que já percorri. Desde cedo aprendi que na vida tudo é uma questão de perspectiva. Parece engraçado, mas, quantas vezes já cheguei a desejar que o atendente adiasse um pouquinho minha chamada no painel, assim daria tempo chegar ao fim do capítulo, que estava logo ali, em algumas linhas à frente. Cômico? Talvez não, estratégico.

O que quero enfatizar é que existe o outro lado da moeda, quer dizer, da fila. Sabe o motivo que faz o brasileiro ler pouco, cujo índice é uma vergonha em relação a outros países? Em parte é porque essa gente ainda não sabe o valor que uma fila proporciona. É isso mesmo. Afinal, a maneira de se comportar em qualquer ambiente é também um fator cultural e as pessoas não são educadas para aproveitar bem essa oportunidade e transformá-la em pequenos momentos de felicidade, como a descoberta de que uma leitura proporciona. Descobri que se cada pessoa lesse sempre que estivesse numa fila, teria um grau cultural melhor e teríamos um maior índice anual de edição de livros por habitante.

Quero incitar os usuários das filas, geralmente pela motivação do trabalho ou por motivos pessoais, aos que vão todo dia, aos que vão semanalmente ou uma vez ao mês, até mesmo aos casuais, convoco-os para fortalecerem esse movimento e que vejam a fila sob outro ponto de vista. Que cada um use a fila como agente de informação, reflexão e conhecimento, e se torne multiplicador cultural por meio da leitura, ao ler uma página, no mínimo, em cada uma que entrar. O resultado disso será notório no decorrer da vida, seja na carreira profissional, no convívio social e na vida. É isso que acontece se cada um criar e se permitir aproveitar essa excelente oportunidade, logo se tornará um hábito.

Sim, existe o outro lado da fila. É um espaço onde o tempo não registra a demora, tampouco causa irritação ou estresse. Gosto da fila porque a vejo por outro ângulo, o do conhecimento. E moro em um país onde filas existem em abundância, e longas. Pode ser hilário, mas isso é fato.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em qualidade de vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

COMO ESTÁ SUA COMUNICAÇÃO?
Artigo de Jair Donato*

O processo da comunicação é uma perspectiva abrangente, essencial para que as pessoas interajam umas com as outras e para que a sociedade tenha um sentido de conhecimento de uma situação atual e do que tenha que ser feito. Dentro de uma organização a comunicação visa desenvolver um quadro de referência com foco na promoção e na da identidade dela, para consolidar uma imagem externa e focar o posicionamento esperado no mercado.

No relacionamento interpessoal, a comunicação também significa a ação de tornar algo comum a muitos. É o processo de transmissão de pensamento ou mensagem, dirigida de um indivíduo para outro, com o fim de informar, persuadir ou sensibilizar. Ocorre pela troca de informações entre o emissor e um receptor, é a inferência do significado entre os indivíduos envolvidos.

Na prática, a excelência na comunicação é um dos fatores mais importantes para o êxito no convívio e nos relacionamentos do ser humano, sejam nos negócios, na política, na família, no meio social ou nas relações internacionais. De fato, a comunicação se consolida através daquilo que o outro entende. Conflitos de natureza individual, social, na vida a dois, como também em escala mundial, na maior parte das vezes ocorrem por falhas na maneira de estabelecer uma comunicação.

Aconteceu um fato na Rússia, na década de 1990, que retrata o impacto de um ruído na comunicação. Embora pouco divulgado na mídia, foi um evento que deixou o mundo bem próximo da terceira guerra mundial. Quando a Noruega, no início dos anos 90, lançou um foguete de pesquisa para estudar a aurora boreal, fenômeno luminoso observado a olho nu nos céus noturnos do hemisfério norte, a equipe responsável dessa missão avisou a Força Militar da Rússia sobre o lançamento, dez dias antes. O único interesse dos pesquisadores noruegueses era estudar o fenômeno, que são pequenas explosões no Sol que espalham no espaço e ao contato com as extremidades do planeta Terra, causam efeitos visuais deslumbrantes.

No entanto, a secretária da base militar da Rússia recebeu o comunicado oficial e, por um lapso, não repassou a informação para o comando geral. Então, no dia e hora marcados, o radar russo detectou o foguete no espaço aéreo como se fosse um míssil. Perceberam que a velocidade era de cerca de 1500km/h, e, que dentro de dez minutos atingiria a capital, Moscou.

Pensando ser um ataque americano, o comando militar russo acionou dentro de oito minutos vários mísseis nucleares, nas bases distribuídas pelo país, que há um minuto antes de dispará-los, descobriu-se toda a verdade. O que parecia ser um míssil inimigo rumo ao Sul era apenas um foguete de pesquisa norueguês, que logo se despedaçaria caindo no oceano. Se a Rússia disparasse dentro de um minuto o arsenal acionado, poderia naquele momento ter dado o início à terceira guerra mundial, pois certamente a base militar americana iria revidá-la. E qual seria a causa? A displicência de uma secretária. É isso que ocorre quando uma comunicação não é repassada a pessoa certa ou não compartilhada adequadamente, provoca tragédias na sociedade, na família, na empresa e até mesmo entre nações.

Uma mensagem se não for expressa com clareza e objetividade pode causar insatisfação, ressentimentos que duram anos e gerar conflitos irreversíveis. Na escola, um erro de comunicação pode fechar as portas para o futuro de muita gente. No relacionamento afetivo, põe fim a uma relação que poderia dar certo. Na profissão, pode ser o fim de uma carreira. Contudo, foco na comunicação pode ser sinônimo do êxito na vida das pessoas. Na verdade, a maneira que utilizamos para nos comunicar com o mundo, com as pessoas ao nosso redor, reflete diretamente no resultado a ser obtido em nossas interações. Comunicar bem é sinônimo de excelência, e trata-se de uma competência que pode ser desenvolvida.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

CHEFE OU CIGARRO
Artigo de Jair Donato*

Você já teve um “chefe intragável” no trabalho? Se não, desejo que nunca o tenha, embora na vida tudo seja aprendizado. Mas, essa é uma figura ainda presente em muitas organizações. Geralmente, ele é pouco inspirador, é manipulador, narcisista, agressivo, coercitivo, cuja presença não agrega valor positivo no ambiente, pois gera medo. Manda por deleite e pela força do cargo, em detrimento da inabilidade de influenciar por estilos de liderança que agregam valores saudáveis.

Ao falar sobre “chefe”, evidente que não me refiro ao cargo, mas ao comportamento de quem o exerce. Há muitos líderes que se tornam exemplos formidáveis no processo de desenvolver pessoas, cujo organograma da empresa em que trabalham mantém a denominação de chefe. Sem problemas, talvez isso seja melhor do que maquiar uma função, denominando-a como “liderança” alocando nela um perfil comportamental repressor. Nome da função é só um rótulo, a atitude é o que valoriza ou desvaloriza.

Um artigo publicado recentemente na rede Linkedin revelou analogamente que um chefe ruim pode fazer mal a saúde dos funcionários tanto quanto alguém que fuma passivamente. Os males que o cigarro provoca são mais de cinquenta, em função de mais de 4700 substâncias tóxicas inaladas por quem faz uso dele. O fumante passivo passa a ser a todo aquele que fica no próximo do fumante e inala a fumaça expelida, ainda mais contaminada. E os alvos mais fáceis de serem atingidos pelo tabaco no organismo são o coração e o pulmão.

De maneira semelhante, a influência de chefes intragáveis e intransigentes desencadeiam sentimentos negativos como mágoa, frustração e medo. Isso gera patologias das mais diversas e atinge o coração de muita gente. A cultura de coerção, do temor e da falta do reconhecimento é comum em ambientes permeados por chefes. Segundo a publicação citada, para 75% dos americanos os chefes são os mais responsáveis pelo estresse no ambiente de trabalho. Quanto mais tempo se permanece ao lado de chefes ruins, menor a probabilidade de qualidade à saúde física e mental.

É enorme o número de ditadores e manipuladores que se perderam ao longo do tempo, massacraram equipes inteiras, por terem exercido uma influencia negativa, manipuladora. Infelizmente, pela necessidade financeira, e até psicológica, muita gente permanece e se conforma com empregos estressantes dessa natureza, pelo medo, dificuldade de sair da situação ou despreparo, evitam pedir demissão e não conseguir outro trabalho em seguida.

Dificilmente um funcionário se demite da empresa em que trabalha, geralmente ele se demite do chefe que possui, assim pontuou o pai da administração moderna, Peter Druker. Então, qual dos dois seria mais saudável, um chefe ruim ou o cigarro? Nenhum, a princípio. Contudo uma chefia intragável afeta a saúde física e ainda contamina o estado psicológico e emocional dos subordinados a ele. Quant o tabaco, não se discute. Desintoxicar-se dessa antagônica realidade pode ser o passo para melhorar a qualidade de vida do profissional.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

PULE O MURO
Artigo de Jair Donato*

Pense agora que no mundo não exista automóvel. Então, você teve a ideia de criar um veículo motorizado com rodas e que possa transportar pessoas de uma localidade para outra com mais rapidez do que os cavalos e as carroças. Mas, todos à sua volta consideraram sua ideia ridícula pelo ato de não existir estradas no mundo para isso. E as casas não teriam como guardar essa coisa nova que você inventou.

Afinal, todas as residências tinham um lugar predileto para guardar as carruagens, pois essas vieram para ficar. E aí, pensou? Como você se sentiu? Foi assim que ocorreu com o homem que se tornou o mais rico do mundo na primeira metade do século XX, Henry Ford, um humanista que deixou mais do que um legado no mundo dos negócios.

Há uma tendência que faz com as pessoas beirem a linha da mediocridade. É quando elas aceitam hipnoticamente que algo ainda não realizado não tem chances de dar certo. Certa vez, Carl Jung afirmou que todas as pessoas nascem originais, mas que a maioria morre uma cópia. De fato, todos possuem uma personalidade única, embora grande parte vive e morre com crenças e atitudes medíocres que vão se replicando. O ser humano aprende e desenvolve comportamentos e crenças dos outros que se espalham e limitam potenciais, e faz isso sem questionar, como se fosse natural, isento de ousadia e desbravamento. Cria barreiras ou deixa que seja imposto a ele mesmo obstáculos com a ilusão de intransponibilidade que não o leva a lugar nenhum.

Não se torna empreendedor aquele que age dentro do quadrado com medo de se tornar ridículo. A evolução que existe no mundo atual derivou da mente daqueles que um dia ousaram fazer, criar e inovar de maneira diferente. Foi o banqueiro do industrial Henry Ford quem disse a ele para desistir da ideia de inventar o automóvel, pois aquilo não daria certo, ninguém iria se interessar pela invenção dele. Pense se aquele visionário tivesse acreditado na mediocridade de tal sugestão e não tivesse criado um novo paradigma no meio de transporte que mudaria a vida das pessoas.

Tentaram impor um muro de dificuldades para que Ford não o pulasse. Ele planejou, se organizou, idealizou o que queria, formou equipes para concretizar o ideal que tinha de tornar o mundo o melhor, e conseguiu. Não foi fácil a trajetória até que o primeiro modelo Ford fosse lançado no mercado. Mas, foi a persistência e a convicção do fundador que prevaleceu.

Certa vez, Ford expressou que se você acha que pode ou se acha que não pode, de qualquer maneira, você está certo. Com isso ele quis evidenciar, sem julgamento, que o homem se torna o resultado daquilo em que acredita ser. Há quem vive na certeza de que este mundo é sem possibilidades ou sem chances para que tenha sucesso. No mesmo ambiente, há quem cria todas as possibilidades possíveis e prova a si mesmo que é possível empreender na vida e atingir os melhores resultados.

Tem pessoas brilhantes no mundo das ideias que sonham com inventos formidáveis, mas se deixam levar pela negatividade dos que se frustraram e não investem na própria capacidade de criar e inovar. O escritor norte-americano Harold Sherman contou que certa vez o renomado físico alemão Albert Einstein mostrou-lhe arquivos cheios de cartas, jornais, revistas, publicações científicas e relatórios, atacando-o, ridicularizando-o e menosprezando-o de maneira furiosa.  No entanto, posteriormente, as teorias dele forma aceitas.

Então, qual é o tamanho do seu muro? Quais crenças mais preponderam em você, elas são suas ou são dos outros? O questionamento e a autodescoberta podem ser os diferenciais para a superação daquilo que o limita.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br