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quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

2008, O ANO DO PLANETA


Artigo de Jair Donato

Conta-se que há mais de 200 anos, uma índia fez a seguinte profecia: "Um dia a Terra vai adoecer. Os pássaros cairão do céu, os mares vão escurecer e os peixes aparecerão mortos na correnteza dos rios. Quando esse dia chegar, os índios perderão o seu espírito. Mas, vão recuperá-lo para ensinar ao homem branco a reverência pela sagrada terra. Aí, então, todas as raças vão se unir sob o símbolo do arco-íris para terminar com a destruição. Será o tempo dos guerreiros do arco-íris."

A cultura nativa, como a dos indígenas, em que a caça, a pesca, o derrubada de árvores eram apenas para a sobrevivência, sem o olho gordo mercantilista, certamente não colocaria o clima e a condição do planeta em risco em tão pouco tempo. Apenas quero dizer que muito se perdeu de ética e princípios de respeito à natureza em nome de um falso crescimento, que compromete a qualidade da vida no planeta.

Faz parte da cultura de quem segue o calendário gregoriano, a consideração do primeiro dia de janeiro como o início de um novo ciclo. Muitos programam novos objetivos e mudam as metas. Outros refletem sobre o que fez no ano que se finda. Para 2008 é importante seja acrescentado como item primordial no projeto de vida pessoal, em curto, médio e longo prazo, mais ações efetivas em prol do planeta. Em 2007 as discussões sobre as mudanças climáticas foram importantes. No entanto, isso foi apenas um princípio do que precisa ser fomentado dia-a-dia.

A partir de agora, temos que nos ocupar com ações, por mínimas que sejam, no intuito de minimizar todo o impacto que temos como alerta, que o planeta talvez possa não suportar. Certamente, a Terra não vai acabar tão cedo, mas ele reage e tem os próprios mecanismos de defesa, a ponto de colocar em risco a vida de todos os que nela vivem. Que cada pense no bem comum e contribua. A melhor notícia é que ainda dá tempo.

O ser humano geralmente alimenta dois pensamentos, numa visão maniqueísta, como apregoou Mani, profeta persa que viveu no século III d.C., sobre o embate entre o bem e o mal. O primeiro é positivo, que preserva, recicla, valoriza a vida. O segundo, que alimenta interesses individualistas, é o que destrói, queima, desmata, acaba com o que é vivo. São pensamentos que através da atitude, se concretizam e provocam os resultados concernentes.

Certa vez, um velho índio americano descreveu os conflitos que tinha dizendo que dentro dele havia dois cachorros, um deles era cruel e mau. O outro era muito bom. Os dois brigavam constantemente. Perguntaram-lhe, então, que cachorro costumava ganhar as brigas. O ancião parou, pensou, sorriu e respondeu: Aquele que eu alimento mais freqüentemente.

Gostaria de fazer uma analogia dessa história com a consciência ecológica do homem, entre preservar, conservar ou destruir. Então, qual destes comportamentos vai prevalecer em você em 2008? Certamente, será aquele que for alimentado todos os dias. Estimo que tenha sabedoria suficiente para distinguir o que vai servir para o bem comum e do planeta.

Daqui por diante, que todos os anos sejam o ‘ano do planeta’. Para isso precisamos rever todos os nossos hábitos, como os conceitos antigos sobre o ganho econômico, o uso irracional dos recursos naturais, da energia, da água, do solo, dos vegetais, das florestas, da exploração das espécies e de tudo que tiver vida ao nosso redor. Em 2008, que nossas ações sejam em prol do verde com a esperança de um mundo melhor.

Anseio também por ver esse pensamento se estender pelo inconsciente e consciente coletivo da humanidade e que se reverta em práticas ecologicamente corretas e sustentáveis. Que o novo ciclo não seja apenas cronológico. Que seja uma nova era de mudança interior e de consciência ética, moral e espiritual mais elevada.

Talvez, esta seja a primeira vez na história, que a humanidade toda precisa focar em um único objetivo coletivamente, salvar o planeta. O mundo precisa agora do esforço de cada um para atingir o resultado que beneficiará a todos. Esse pode ser o caminho mais adequado para concretizar a paz mundial.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

MANCHETE PARA 2030


Artigo de Jair Donato

Enfim, o planeta respira melhor. O mundo conseguiu reduzir o nível de CO² na atmosfera a um percentual anterior à década de 1970. Graças à fiscalização eficaz dos governos, houve controle das queimadas, dos desmatamentos e foram implementadas novas medidas para proteção e conservação ambiental. A Amazônia agora já e um patrimônio que pertence à consciência de todos. As nascentes que eram sazonais são perenes; e brotam tantas outras a cada dia. Os rios e córregos estão agora cobertos de cílios e extintos de assoreamentos provocados pelo homem.

Empresas e indústrias do mundo inteiro se comprometeram e implementaram inúmeras práticas ambientalmente corretas. E, finalmente, maior parte das pessoas consome água, energia e alimentos de forma racional. A humanidade atualmente, combate o desperdício, pois aprendeu a lição da reciclagem e da reutilização. Todos reduziram o consumo desenfreado e aumentou a recusa aos produtos ecologicamente incorretos.

A sustentabilidade ganhou força e são inúmeros os programas sustentáveis em todos os países. A qualidade de vida do ser humano melhorou, as alterações climáticas estão amenas e já não põe em risco o clima na Terra. O planeta não está mais em agonia e respira bem. O homem percebeu que deveria mudar o estilo de vida e deu foco a essa causa.

Todos trabalham para manter a redução dos gases poluentes para que a camada do efeito estufa não volte a engrossar. A consciência adquirida pelas pessoas certamente permitirá que a Terra fique cada vez mais verde. As implementações dos projetos de exploração ambientalmente responsável, na Amazônia, os programas de manejo e desenvolvimento sustentável, o reflorestamento das áreas devastadas no início do Século XXI, são todos executados pensando em longo prazo.

Comemora-se também o fim da biopirataria, o crescimento da Eco-economia e da valorização dos fatores culturais, do investimento do governo na ciência, na educação e na tecnologia. Caíram as ações policialescas em todo o mundo sobre a preservação e a conservação dos recursos ambientais. A causa? Foi a consciência da população que aumentou em índices entusiásticos e a ética deixou de ser utópica.

Enfim, o mundo retorna à própria origem. O planeta, já com quase 9 bilhões de pessoas a bordo, encontra o equilíbrio ambiental, econômico e sócio-cultural como realidade. Certamente, o juízo final da humanidade será de compensação, por está fazendo a coisa certa. Ufa!

Qual foi o pensamento que veio à sua mente ao ler essa explosão de manchetes noticiosamente boas? É possível acreditar em tudo isso? Ou lhe parece fantasia, algo do imaginário de uma mente ambientalista? Neste trigésimo artigo sobre mudanças climáticas, essa é a expectativa que tenho em ver relatos ainda melhores. Segundo Platão, tudo começa no mundo das idéias. Então que comecemos por visualizar um mundo melhor, e assim, partir para a ação. A mudança no comportamento do ser humano pode fazer isso possível.

Afinal, temos grandes desafios pela frente. Se continuar no ritmo atual, segundo relatório divulgado pela WWF no início de dezembro, até 2030, 55% da Amazônia desaparecerão. Mas, quem devasta e não pensa em longo prazo prefere afirmar que a parte devastada hoje ainda é pequena, ou seja, a vontade de mudar ainda é muito pouca. Isso não é previsão, é um alerta.

Outro dado preocupante publicado no Relatório dos Direitos Humanos, recentemente, mostra que em 25 anos metade da população mundial poderá ficar sem água potável. Hoje, mais de um bilhão de pessoas no mundo não tem acesso a esse recurso. No Brasil, maior potencial hídrico do mundo, a distribuição desigual da água e o desperdício é o gargalo. Pergunta-se: O que fazer diante de tanta necessidade de mudança de hábito?

Ainda é possível cuidarmos da própria casa. Contudo, isso dependerá do jeito como for direcionado o livre arbítrio de cada um. Afinal, somos livres, só para plantar. A colheita será obrigatória. Espero que ela seja prazerosa também. O que vai acontecer com o planeta é a conseqüência do que cada um acredita, e faz.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

CARNE E ESPIRITUALIDADE


Artigo de Jair Donato

O antropocentrismo é uma visão que concebe o homem como superior ao animal e por isso passa a ser normal eles não terem o direito à vida e serem mortos ao bel prazer para alimentação. Mas, seria mesmo justo sacrificar a vida de um animal para alimentar uma pessoa, principalmente se a vida dessa pessoa não depende da vida do animal? A idéia do vegetarianismo mostra que devem co-existir, homem e animal. Desse ponto de vista, não é ético comer carne. O animal pode ser incapaz de pensar, mas, certamente ele é capaz de sofrer.

Na Índia, por milhares de anos, a alimentação vegetariana foi um princípio de saúde e de ética, que após a invasão muçulmana e a colonização católica na região, houve um triste desgaste nesses princípios, mesmo sendo parcial. Porém, ainda hoje, a preferência dos indianos Hindus é o sistema ovo-lacto-vegetariano. Ao se referir a alimentação, Albert Einstein disse que “A ordem de vida vegetariana, por seus efeitos físicos, influenciará o temperamento dos homens de uma tal maneira que melhorará em muito o destino da humanidade”.

Tenho abordado a questão alimentar vegetariana, não apenas como uma dieta puramente saudável, porque a maneira como se produz vegetais atualmente, cheios de defensivos agrícolas, não podemos dizer que estejam isentos de substâncias nocivas, a exceção do que se consome organicamente cultivado. Mas, fundamentalmente, por não destruir o meio ambiente na mesma intensidade que a produção de carnes.

Sidharta Gautama, o iluminado da tribo dos Sakias, na Índia, há cerca de 3000 anos, disse que “Feliz seria a terra se todos os seres estivessem unidos pelos laços da benevolência e só se alimentassem de alimentos puros, sem derrame de sangue. Os dourados grãos que nascem para todos dariam para alimentar e dar fartura ao mundo”. É preciso muita sensibilidade para entender a essência dessa sábia mensagem.

Mas será que haveria grãos para todo mundo ou ocorreria um colapso se o mundo parasse de comer carne? Poderia ser mais fácil isso acontecer se ninguém mudasse. Hoje, o gado ao redor do mundo consome uma quantidade de alimento que equivale às necessidades calóricas de 8,7 bilhões de pessoas, número de seres humanos que a Terra atingirá até o ano de 2050, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Somente o que é destinado para ração animal, cerca de 35% da produção mundial, eliminaria a fome dos países pouco desenvolvidos.

Em tempos de mudanças climáticas, alimentação vegetariana não é a solução, mas é uma boa ajuda na redução da emissão de gases poluentes na camada do efeito estufa, pois diminui o consumo de carne. O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que a ONU mostrou ao mundo em 2007 em 04 parciais, confirmou que as mudanças climáticas são conseqüências do uso exacerbado dos recursos naturais pelo homem. Portanto, o consumo consciente e seletivo na alimentação é uma maneira segura de poluir menos.

É antagônico, mas o homem consegue envenenar praticamente tudo o que é produzido para se alimentar, e ainda destrói a biodiversidade do planeta em que vive, como se provocasse o próprio fim. Não seria essa uma forma de autopunição? E o dilema é que a humanidade ainda almeja um ideal tão esperado: a paz mundial.

Contudo, é impossível falar em paz no mundo sem concretizar o amor, o respeito e a ética aos seres vivos e ao meio ambiente. Um dos preceitos da constituição da UNESCO reza que é na mente do homem que a paz começa; que deve ser construída. Ou seja, a consciência é o início de tudo. É hipocrisia o homem desejar a paz mundial e não cuidar do meio ambiente, dos hábitos cotidianos, e, amar a natureza e todas as formas de vida nela existente.

Disse São Basílio que “Os vapores das comidas com carne obscurecem o espírito. Dificilmente pode-se ter virtude ao se desfrutar de comidas e festas em que haja carne”. É uma expressão profunda, mas o ser humano talvez ainda não tenha despertado ética, moral e espiritualmente ao ponto de apreendê-la. Embora, ainda é tempo, inclusive de rever o que se come.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

domingo, 2 de dezembro de 2007

VEGETARIANISMO E MEIO AMBIENTE


Artigo de Jair Donato

Um dos princípios de saúde, de ética ambiental e de espiritualidade, além de ser econômico na utilização dos recursos naturais, como o potencial hídrico, é a alimentação vegetariana. Mas, não dá dinheiro, por isso não é o negócio da vez, embora haja incontáveis estudos e recomendações sobre o balanceamento de uma alimentação à base de vegetais.

A antiga cultura de comer carne é hoje fomentada mais pelo rentável negócio de criar bois, suínos e congêneres; um forte reflexo do mundo capitalista. Cerca de um terço dos grãos produzidos no mundo são destinados para consumo animal. Nos países desenvolvidos, mais de 80% dos cereais que possuem são fornecidos ao gado. Ainda que a carne fosse algo muito saudável, na atual conjuntura, seria ético rever o consumo em função do impacto que causa ao planeta, como os desmatamentos das florestas e a emissão de gases poluentes.

Pense no inofensivo e costumeiro churrasco de fim de semana, ao espetar aquela carne macia e suculenta, regada com bebida, uma boa dose de humor e descontração, que já faz parte da cultura brasileira, algo aparentemente saudável. Contudo, para quem refletir sobre a lei de causa e efeito, e poucos fazem isso, pode começar pela fumaçinha gerada pela brasa, somada aos demais impactos que houve até a chegada do boi ao espeto, vai perceber que esse é um prazer que já não compensa tanto. A reflexão maior é que não podemos continuar fazendo as mesmas coisas, porque sempre foram assim.

E as conseqüências à saúde pelo fato de comer carne, são poucas? Não. São altos os números estatísticos ligados aos índices de enfarte e de câncer, principais causas de mortes no mundo. Distúrbios na saúde, anomalias e até impotências, podem surgir, por causa do nível de toxina descontrolado no organismo. Médicos e cientistas orientam pacientes para diminuírem o consumo de carne vermelha. Algumas dessas substâncias que vem da carne animal em diferentes níveis, não são liberadas, nem mesmo após cozimento em alta temperatura. Até o nível de humor e o instinto de um carnívoro de carteirinha é diferente, concluem.

A questão é que atualmente, o que já não é tão bom para o organismo, está sendo ruim para a qualidade de vida no planeta, pois degrada o meio ambiente. O grave é a produção desmedida de carne, em nome de um crescimento econômico em curto prazo. Ao redor do mundo, animais são reproduzidos em lotes, facilmente. A fatura é o que importa. Qual é o lucro? Essa é a diretriz.

Quando criticam quem fala da necessidade do repensar na alimentação, a única justificativa é que mandar carne para o mundo comer é um alicerce da economia no País. E querem monopolizar essa idéia, como se ignorassem outros aspectos do bem comum, a exemplo do desenvolvimento sustentável, uma realidade ainda pouco existente na produção carnívora.

Na história da humanidade, uma menor parte se permite refletir sobre o triste fato de matar milhões de animais diariamente como se transformasse um mero produto em outro, sem considerar o respeito à vida. É um tipo de comida que implica na crueldade de seres que possui vida, sentem dor e medo no processo da morte, e liberam descargas de toxinas que são ingeridas pelos que absorvem as substâncias da carne. Para informação do leitor, isso não é qualidade de vida. Esse é um assunto também ligado à expressão filosófica e espiritualista, que abordarei a posteriori.

Considerando apenas a questão ambiental, ou, o cuidar da própria casa, a explosão do crescimento animal para abate, atualmente é muito alta. A Organização Mundial da Saúde (OMS) orienta autoridades governamentais do planeta que reduzam a gordura saturada. Várias autoridades em diferentes países aconselham a população a comer menos carne vermelha para aumento da qualidade de vida.

Mas, O que fazer? Parar de comer carne? Talvez seja radical essa proposta. Então, é comer a medida certa. Ou seja, consumir racionalmente, em perfeita combinação com o vegetal e demais fontes protéicas da natureza. Para começar a mudança, isso já é um repensar, e sem radicalismo.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

CARNE, PROTEÍNA OU VENENO?


Artigo de Jair Donato

Comer carne deve atender apenas ao interesse de matar a fome e de uma economia que mais destrói do que preserva? Ou, pelo puro prazer de se deleitar por um alimento disponível, embora muita gente no Brasil ainda não tenha acesso a ele todos os dias? Essa deve ser uma discussão ligada muito mais às questões ambiental, ética e sócio-cultural, do que econômica. Pois se trata de aspectos não muito distantes do estilo de vida das pessoas e da moralidade humana.

Sobre meu último artigo “Embate do boi e da ética”, um dos leitores me enviou e-mail afirmando que fui sentimentalista e, por ser um especialista em qualidade de vida, não deveria criticar veementemente à produção da proteína animal ‘saudável’. Pergunto: Saudável, a carne? E mais, ele preferiu admitir que defendo interesses Irlandeses ou de ONGs européias e americanas.

Pois é, sou brasileiro nato, com muito orgulho, e defendo os interesses coletivos do meu País e do planeta. Me estranha quem não pensa assim. Não tenho a intenção de polemizar sobre um dos principais alimentos da humanidade, tampouco me referir a quem cria gado pelo delírio econômico e por ser o negócio da vez, assim como quem desmata, seja para que finalidade for. Pois não acredito que o mundo mudará por quem depende disso para sobreviver.

Quero falar é com quem consome, quem compra e ainda não é seletivo. Hoje a ética está em tudo o que é primordial, básico e necessário ao ser humano. Comer carne é um dos hábitos que precisa ser revisto sim, em cada consumo. Nada contra esse alimento, pois é uma das fontes de proteínas, mas longe de ser alimento totalmente saudável. É uma saúde 100% mercantilista, um desfalque para a natureza. Pois a maioria das pessoas ainda come carne à custa de uma produção não sustentável.

É claro que para quem cria, produz, industrializa e distribui, está mais na defesa do próprio ‘umbigo’ do que no bem comum, a exceção de poucos. Mas, o poder não está nas mãos de produtores ou criadores. Está nas mãos do consumidor final, que é a solução mais rápida para um mundo verde e mais saudável. O que precisamos é de pensamento crítico até na hora de comer.

Que aumente a produção de gado, mas que seja sustentável. Nada contra o fomento a economia. Desde que seja um ganho para todos, inclusive para o meio ambiente. Nos últimos 40 anos, ¼ de floresta da América Central foi destruída para criação de pastos. Na América do Sul, mais de 38% da floresta amazônica desapareceram em detrimento das fazendas com desmates, queimadas e grandes áreas de pastos.

Certamente, seria uma atitude sarcástica exigir que o brasileiro de repente parasse de comer carne bovina ou suína, devido às questões ambientais. Essa contenção é mais fácil nos países em que esse costume alimentar não é forte. No entanto, de alguma forma o comportamento e o estilo de vida de quem é carnívoro e de quem devasta para criar animais precisa ser repensado. O consumo exagerado de carnes, bovina ou qualquer outra, já não é uma postura ética, nem tão saudável como se espera.

E esse não é um ponto de vista apenas de ambientalistas e de vegetarianos. É um apelo também feito por cientistas que se dedicam aos estudos das mudanças climáticas, em função de se consumir um alimento potencial poluidor do meio ambiente.

No passado, a ingestão de proteína animal, que era algo natural e saudável, foi importante para o desenvolvimento do cérebro do homem e da inteligência. Pois ele só comia isso, frutas, raízes e folhas. No entanto, hoje o ser humano tem o conhecimento e pode ter uma dieta rica em proteínas, sem comer carne, que já não é tão natural.

Até quando o homem continuará com uma visão antropocêntrica, se considerando acima de todos os seres, inclusive dos animais? Immanuel Kant disse que "Nós julgamos o coração e o espírito do homem pelo seu tratamento com os animais”. Qual será o juízo que faremos daqui por diante sobre cada uma das nossas próprias resistências e mudanças? Consumir carne, de qualquer tipo, sem racionalidade, pode ser veneno.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

EMBATE DO BOI E DA ÉTICA


Artigo de Jair Donato

O artigo que escrevi, “carne, vilão ecológico”, teve uma notável repercussão, não apenas por ser uma questão ligada à economia e à saúde. Mas, fundamentalmente, por se tratar de uma necessidade ética na alimentação. O hábito de continuar fazendo as mesmas coisas, sem reflexão, porque no passado era assim, impede o ser humano de repensar sobre as ações que comete no presente, principalmente no contexto ambiental que causa impactos irreversíveis ao planeta, agora e no futuro.

Por se tratar de um assunto complexo, que convém a fatores econômicos de poucos, e, dos hábitos alimentares da maioria da população, merece ser pauta de discussão na família, no ambiente acadêmico e no comportamento do consumidor. Certamente, se deixar questões ligadas à devastação da Amazônia só com quem explora, não será a solução que o planeta precisa.

Dos quase 200 milhões de cabeças de gado no País, número que supera a população brasileira, 35% desse rebanho está na Amazônia, às custas do desmatamento e da ocupação de terras públicas, para uma produção mais barata. E o discurso de quem defende a idéia de transformar floresta em pasto é que apenas uma pequena parcela do bioma foi desmatada para criação bovina, assim como para o plantio de grãos. A pergunta é: deveria ser mais?

No entanto, essa chamada ‘pequena fatia’ aumenta. Segundo últimas informações do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área destruída na Amazônia brasileira, no período entre junho e setembro deste ano, comparado ao mesmo período de 2006, chegou a 8%. E, claro, a pecuária e agricultura são as principais causas. Isso é fato. E o que necessita são políticas para essa fatia não aumentar desregradamente, a exemplo da mata atlântica, que começou com a ocupação portuguesa e hoje restam apenas 7% de extensão.

A tendência ambiental alerta o consumidor a rever o costume de comer carne, assim como os derivados que dependem da destruição dos recursos naturais. Nos últimos dois anos o consumo de carne bovina, em função da melhoria de renda do brasileiro, passou de 36 para 41 quilos/ano, por habitante, um aumento de dez por cento.

João Meirelles Filho, autor de “O livro de Ouro da Amazônia”, ao considerar um consumo médio de 36 kg de carne por ano, alguém que vive 72 anos, devora um boi a cada 6,6 anos, 11 bois inteiros durante a vida. Isso resulta em 2,6 toneladas de carne. “Destes 11 bois, pelo menos 4 terão vindo da Amazônia, ou seja, a cada três dias o brasileiro come um bife da Amazônia”, mostra Meirelles. Mas, o consumidor da classe média e alta chega a comer mais de 3 vezes esta quantidade.

Não quero, propositalmente, dizer que não deva comer carne. Seria radical propor isso em um país tipo de alimento é cultural, e hoje, praticamente todos, podem ter acesso a ele. Particularmente, nunca comi carne. Mas, imagino que para quem tem esse hábito carnívoro, possa ser difícil ficar sem ele, embora não seja impossível um repensar na diminuição. Mesmo que o boi não seja o único fator responsável pela devastação das nossas florestas e do Cerrado, é inegável que nos últimos 15 anos, o tem sido o maior vilão da Amazônia.

Acredito que o produtor deve investir mais nas maneiras de criação bovina sem destruir os biomas. Todo animal abatido ou vegetal derrubado cria uma cadeia de gases lançados diariamente na atmosfera. Além de emitir gases mais poluentes do que o gás carbônico, como metano e óxido nitroso, a criação bovina demanda o uso de outros bens naturais que são finitos, como o recurso hídrico.

O consumo de água, por exemplo, é muito grande. Para se produzir 1 kg de carne de boi são necessários cerca de nove mil litros de água. Já a produção de um quilo de arroz, com menos de dois mil litros é possível.

Se não contiver o delírio pela economia a base bovina, sem visão de futuro, essa proporção vai aumentar aos poucos. Então, é melhor pensar e resguardar o futuro da Amazônia agora, ou não? Antes de encher o prato de carne daqui por diante, repense. Suas gerações futuras podem viver mais e melhor pela sua decisão.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

ÁGUA, QUANTO CUSTA?


Artigo de Jair Donato

Seja por omissão ou ignorância, ainda existe quem não se preocupa com o uso racional da água, um bem finito e precioso que nem todos possuem à disposição. Esse é um elemento vital para manter a vida na Terra, que compõe maior parte da massa do corpo humano e do planeta. Tem gente que desperdiça água e justifica que não estará aqui mesmo nos próximos 50 anos, como se não tivesse filhos ou descendentes que precisarão viver com qualidade de vida.

O filósofo chinês, Confúcio, disse que as pessoas que não pensam bastante à frente, inevitavelmente têm problemas ao alcance das mãos. A falta do planejamento em longo prazo e do uso racional e sustentável dos recursos naturais coloca em risco a capacidade do homem de viver. "Se não defendermos o planeta, ele vai se defender sozinho", esse é um alerta do Greenpeace, caso a humanidade não diminua os impactos ambientais.

A Organização das Nações Unidas instituiu o período de 2005/2015 como a Década das Águas. Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável. Até o final deste século, mais de 3 bilhões sofrerão com a escassez. Estima-se que quase dois milhões de mortes no mundo, anualmente, têm como causa a poluição da água. Esses são dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). E a poluição tende a crescer.

A água doce já se esgota em muitas partes do planeta. Somente 2,5% de toda a água do globo terrestre é doce. E 99,7% dessa água estão inacessíveis nas geleiras e embaixo do solo, nos lençóis freáticos. Somente 0,03% desse percentual estão disponíveis para consumo, dos quais, 50% ficam em sete países, dentre eles o Brasil, com 3% da população mundial, e dispõe de um potencial hídrico de 12%, o maior do mundo.

Das águas superficiais, 75% estão na Amazônia, maior região hidrográfica, dentre as doze que existem mapeadas no País. O paradoxo? É um dos países que mais desperdiçam esse recurso. Só o uso doméstico consome cerca de 10% do total. No Maranhão já tem lugares onde faltam água e os moradores precisam retirá-la de cacimbas. A principal causa para a seca dessa fonte é o desmate e as queimadas sem planejamento.

Mato grosso é a terceira unidade federativa do País em extensão territorial, considerado o Estado das Águas, por abrigar nascentes importantes que formam rios das Bacias: Amazônica, Platina e Araguaia. Mas, precisa gerenciar melhor esse recurso hídrico. Infelizmente, muitas nascentes no Cerrado já secaram.

No entanto, a lição pode começar dentro de casa. Todos podem tomar um banho de consciência ecológica e fazer a diferença. 75% da água que consumimos em casa são gastos no banheiro. 32% do consumo doméstico de água vêm dos chuveiros, que gastam cerca de 20 litros por minuto.

Cada um pode contribuir. Prefira duchas rápidas ao invés de ficar longo tempo na banheira. Ligar o chuveiro somente para se molhar e retirar o sabonete do corpo é um ato racional. Uma pessoa chega a consumir mais de 300 litros por dia na realização das atividades cotidianas. Por exemplo, a cada copo de água que você toma, outros dois copos são gastos para lavá-lo.

Ao fazer uma vistoria na residência, é melhor trocar válvulas de descarga por caixas de seis litros, pois cada descarga com válvula gasta de 10 a 30 litros de água. Fechar a torneira ao escovar os dentes, lavar as mãos ou fazer a barba. Consertar ou trocar as torneiras que estão pingando. Cada torneira aberta deixa correr de 12 a 20 litros de água por minuto. Cada uma pode perder mais de 40 litros de água por dia. Esses são exemplos simples e do cotidiano.

A dona de casa pode redimensionar o uso da água nas atividades do dia-a-dia. Evitar lavar pisos e calçadas com esguicho. Reutilizar na limpeza, a água usada para lavar roupas. E se você lava o carro com uma mangueira permanentemente aberta, saiba que mais de 600 litros de água são gastos em poucos minutos. E isso pode ser evitado.

É necessário que cada um reflita sobre o fato de que não é possível desperdiçar água sem as devidas conseqüências. Esse é um bem de valor incalculável, uma dádiva que precisa ser vivificada.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

VOCÊ SABE O QUE É BIOMA? E BIOTA?


O Brasil é um País rico em biodiversidade, possui sete diferentes biomas. São eles: Floresta Amazônica, Caatinga, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica, Zonas Costeiras e Campos Sulinos.

Em ecologia, chama-se bioma a uma comunidade biológica, ou seja, fauna e flora e as interações entre elas e o ambiente físico: solo, água e ar.

Mato Grosso é o único Estado que possui 03 Biomas, o Pantanal, O Cerrado e a Amazônia. A natureza fez a parte dela, nos contemplou com essa riqueza. Cabe a cada um de nós cuidar dessa preciosidade de valor incalculável. E como complemento, ainda temos a belíssima Chapada dos Guimarães e a região do Araguaia com mistérios fantásticos, acompanhados de uma rica cultura indígena em todo o Estado.

Biota é a definição para a soma da flora e da fauna de um ecossistema. É o conjunto de seres vivos que habitam determinado ambiente geológico.

In.: Pesquisa

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

DESMATE, O VILÃO MERCANTILISTA.


Artigo de Jair Donato

O avanço desenfreado que fez da pecuária o vilão número um da Amazônia nos últimos quinze anos foi o assunto do artigo anterior. Agora quero abordar sobre o segundo vilão, o desmatamento, que alimenta o primeiro. Embora não gostaria de falar de nenhum deles. Afinal, não se trata de plantar grãos ou criar gado, não faço apologia contrária a isso. A situação está na falta de escrúpulo por parte de quem desmata e queima a floresta na busca do delírio pelo poder econômico, na defesa do interesse de poucos.

Planejamento, sustentabilidade, manejo, consciência, ética, responsabilidade com o clima e com o social, pouco se vê disso na prática. Então, deve-se dar vazão à defesa dos que desmatam e queimam? Ou nos dados que os satélites mostram diariamente, nas fotos e nos estudos com números agravantes sobre a devastação barata das nossas florestas?

Até quando iremos ouvir a historinha de que a parte desmatada da Amazônia é pequena, e que não oferece risco? É melhor ficar de olho. Assim começou a destruição da mata Atlântica. Hoje, já não existem 97% daquele bioma. Ou o governo cuida e fiscaliza a contento e estabeleça um planejamento sério na região amazônica, ou a situação se agravará ainda mais, mediante as atuais condições e perspectivas pouco otimistas, considerando o interesse de quem planta de tornar a Amazônia, o Cerrado e onde for possível em quintais canavieiros.

Será que o avanço da queima e do desmate já não é um alerta suficiente? Tenho a sensação de que a Amazônia está virando um tabuleiro mercantilista. Quem dá mais? Quer pagar quanto? Se o lance da vez for a cana, vamos plantar e faturar. Agora com a oportunidade do etanol, há quem pense que esteja diante da solução para mundo, e não é nada disso. É apenas uma alternativa de energia que ainda não é limpa, e, que deve ser muito bem ponderada.

Enquanto o governo não trocar a cultura do ‘tapa buraco’, como faz com as estradas brasileiras, e de agir só em curto prazo, perderá o meio ambiente e o desenvolvimento sóciocultural da nação. No primeiro semestre deste ano, o relatório da Situação das Florestas no Mundo, publicado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação – FAO, mostrou que nos últimos quinze anos, o mundo perdeu em torno de 20 mil hectares de florestas diariamente.

Somente na América Latina, foram em torno de 64 milhões de hectares extintos, desde 1990. Entre os dez países que reúnem 80% das florestas primárias, dentre eles o Brasil, houve as maiores perdas nos últimos sete anos. Mostra ainda o relatório que o mundo reduziu a perda anual líquida de superfície florestal em torno de 7,3 milhões de hectares, um aparente progresso, que de 2006 para cá tem aumentado em taxas preocupantes, com focos de queimadas e desmates. O Brasil continua como maior desmatador da América do Sul. Responde por 73% das perdas florestais na região.

Cerca de 30% da Terra são cobertos por quase 4 bilhões de hectares de florestas, que mediante o alargamento dos desmatamentos e queimadas, o plantio de árvores e a expansão florestal natural reduziram significativamente. Segundo o Greenpeace, foram eliminados 17% da cobertura florestal da Amazônia Brasileira nos últimos 35 anos, sendo as principais causas, a exploração ilegal de madeira e a crescimento da agropecuária.

E os impactos? O calor e a estiagem aumentam na região Centro-Oeste. O rio Araguaia está secando. Surgem no meio do rio Negro áreas com gramíneas e bancos de areia. No Norte do Mato Grosso, presenciei recentemente, córregos e rios que já não existem mais, alguns possuem apenas vales de areia sem jorrar vida por ali. Em 2001, quando publiquei minha primeira matéria sobre esse assunto, já fazia um alerta sobre o potencial hídrico de Chapada dos Guimarães, que estava secando.

A verdade é que os biomas são partes de um mesmo organismo vivo. Se não cuidarmos das nascentes no Cerrado, é óbvio que os rios na Amazônia secarão, o Pantanal terá períodos de maior estiagem e mudará todo o ritmo de uma biodiversidade existente.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

ANO POLAR INTERNACIONAL


Notícia

Cientistas de todo o mundo deram início em março deste ano ao mais ambicioso estudo sobre as regiões polares dos últimos 50 anos. O chamado Ano Polar Internacional é um projeto que vai durar dois anos e reuniu 50 mil pesquisadores de 63 países, inclusive o Brasil.

O mutirão de pesquisa quer investigar principalmente como o derretimento das geleiras pode afetar o clima de todo o planeta. O lançamento mundial do projeto foi em Paris, na França, e em outros países, como a Austrália.

De agora até março de 2009, cientistas vão comandar 228 pesquisas. Eles vão analisar as alterações na fauna e na flora nos pólos Ártico e Antártico. A maior preocupação dos pesquisadores é com as dramáticas mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global, como o derretimento de gelo da Antártica.

Os pesquisadores querem descobrir as condições nos pólos e como eles interagem e influenciam os oceanos, a atmosfera e o continente. “É cada vez mais essencial entender como a Antártica afeta o cotidiano do cidadão brasileiro“, disse Jefferson Simões, do programa Antártico-Brasileiro.

O custo estimado do projeto é de cerca de 3 bilhões de euros, mais de R$ 8,5 bilhões.

Fonte: JH

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

INVASÃO DO BOI NA FLORESTA


Artigo de Jair Donato

O vilão que mais desmata a Amazônia é a pecuária, e não a soja, o contrário do que muitos pecuaristas dizem. É o que mostra um estudo realizado pelo Conselho Regional de Economia do Distrito Federal, referência que servirá de base para o planejamento do território amazônico, pelo Ministério da Integração Nacional. “O fantasma da Amazônia não é a soja, é a pecuária", diz o economista Julio Miragaya, autor do estudo, que escreve uma tese de doutorado sobre o papel da pecuária na ocupação da Amazônia.

Somente em Rondônia, plena Amazônia Legal, em 15 anos a criação bovina cresceu em 560%, seguida do Acre com 478%. Mato Grosso e o Pará registram aumento de 200% nesse período. Miragaya mostra que o avanço do plantio de soja em áreas que antes eram ocupadas pela pecuária, como no Centro-Oeste, forçou o avanço do gado para as áreas amazônicas.

Mas, isso não é verdade, contesta o presidente da Sociedade Rural Brasileira, Cesário Ramalho. "Não é a pecuária a responsável pela invasão na região amazônica. Falta na região um melhor controle do direito de propriedade. Muitas das propriedades não têm título e é isso que gera a disputa pela terra e fomenta a invasão de áreas", diz Ramalho. Ele afirma ainda que o próprio mercado decide se vale a pena plantar ou não.

É fato que por falta de planejamento, a região perde muito. Um péssimo exemplo de crescimento dessa natureza é o Centro-Oeste. O avanço desordenado foi uma das causas da crise no agronegócio. Para quem veio há cerca de trinta anos para cá, onde só precisava desmatar e plantar, e depois criar gado, as regras do jogo mudaram. Hoje, o negócio do plantio e da criação bovina precisa ser estratégico e planejado. Para se relacionar com comercio interno ou externo, é necessário atender outras exigências, principalmente em relação ao meio ambiente.

Já não é suficiente ser apenas competitivo nessa época em que o negócio da vez é o desenvolvimento sustentável. O governo precisa fiscalizar melhor, enquanto quem planta e quem cria deve investir mais em consultoria sobre o que faz e os impactos possíveis das ações implementadas. E o consumidor deve ficar sempre atento com o que leva para a mesa, priorizar marcas responsáveis ambientalmente e consumir com racionalidade.

Enquanto isso, o desmate continua. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre junho e setembro deste ano, houve desmatamento na Amazônia de 8% a mais, se comparado ao mesmo período de 2006. E ainda alerta que a tendência é aumentar. Daí a importância de planejar e de fiscalizar. E o risco de devastação, frente aos interesses eleitoreiros que se aproximam com as eleições de 2008, é grande. Já que consciência parece contar o mínimo possível, infelizmente.

O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgou através do Sistema de Alerta do Desmatamento, que só no Pará, o número de focos de calor, aumentou em 15%. Enquanto em agosto de 2006 ocorreram 1.674 pontos de incêndio, foram detectados 1.920 em agosto deste ano. Mato Grosso também foi péssimo exemplo, de uma queda que havia do ano passado para cá, voltou a crescer, fator que preocupa e mostra o quanto a Amazônia é frágil. Essas queimadas não são apenas acidentais. O aumento do período de estiagem no Cerrado, na Amazônia e no Pantanal já é preocupante.

Penso que não se trata de apenas acusar eu defender quem desmata mais, se é a pecuária ou a soja. O que precisa ser avaliado são os impactos já causados, alguns irreversíveis e partir para a solução. Pois uma coisa é certa, as mudanças climáticas provocadas por pela devastação da Amazônia, não vem das culturas nativas, mas sim da exploração mercantilista, que enriquece poucos, empobrece e mantém a maioria desprovida de condições sustentáveis para o futuro.

É o comportamento do ser humano que precisa ser auto-sustentável, antes de qualquer planejamento e tomada de decisão. Talvez seja esse o caminho mais eficaz para um futuro, cujo meio ambiente seja sinônimo de qualidade de vida às futuras gerações.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

POR QUE O SER HUMANO RESISTE À MUDANÇA?


Artigo de Jair Donato

Tenho um sonho, almejo fazer parte de uma sociedade ambientalmente responsável. E me dedico a isso voluntariamente. Ao longo de 2007, realizei dezenas de conferências sobre aquecimento global. Visito empresas, instituições de ensino, órgãos do governo e demais organizações. Já estive com mais de 3000 pessoas diretamente. A mídia também tem sido parceira nessa causa, contribuindo com espaços para disseminação de informações à sociedade, sobre as ações individuais que cada um pode fazer. Sei que posso e devo fazer muito mais. Contudo, esse é um trabalho que precisa ser da maioria.

Centenas de sugestões foram colhidas nessas atividades, sobre ações mínimas para conter a larga emissão de gases poluentes que são lançados na atmosfera. Tenho divulgado parte delas nesta série de artigos que escrevo sobre mudanças climáticas e os principais impactos. É necessária uma profunda reflexão sobre a mudança do estilo comportamental do homem, frente a atual situação que o mundo atravessa.

É importante que a população tenha consciência sobre o que cada um tem de responsabilidade no contexto ambiental. Estamos diante de uma necessidade que possivelmente nossos avós não viam como ‘causa urgente’, embora o aumento da temperatura da Terra seja um problema há décadas. Mas, não despertava interesse das pessoas.

Talvez, seja por isso que ainda é comum perceber um alto grau de resistência por parte dos adultos, quando se trata do consumo racional e da não poluição do meio ambiente. Além dos profissionais ambientalistas, as crianças, são notáveis exemplos sobre educação ambiental. São verdadeiros mestres para muitos pais e avós, que ainda pensam que ações como conservar e preservar sejam brincadeiras infantis.

Muita gente ainda prefere ‘deixar como está para ver como que fica’. Peter Drucker, pai da administração moderna, disse que “As pessoas não resistem às mudanças. Elas resistem a serem mudadas”. Ao conversar com universitários, durante as apresentações, ouvi vários dizerem que se sentem amigos do meio ambiente, procuram não poluir e que sabem do impacto ambiental provocado pela destruição dos recursos naturais. Mas, que os pais deles, alguns poluidores em potencial da natureza, sequer permitem comentar sobre aquecimento global dentro de casa.

Minha percepção é que em diversos segmentos, ainda se dá pouca atenção ao assunto, existe um compromisso mínimo. Há um interesse falso, mesmo diante das catástrofes que ocorrem no mundo, conseqüentes do aquecimento da Terra. Às vezes reflito sobre o quanto a humanidade vive em um processo de autopunição, decorrente dos próprios atos, como se fosse um meio reparador. Mas, talvez a psicanálise explique melhor essa questão.

O ser humano possui tendência a viver no estágio da ‘negação’, acerca de fatos óbvios, como o aumento da temperatura da terra, em função das queimadas, desmatamentos desenfreados e o uso demasiado de energia e combustível fóssil, dentre tantas outras ações poluidoras. O gelo do mundo está derretendo e o nível dos oceanos está subindo. O clima está sendo alterado. Mas, para muitos, nem parece que isso esteja acontecendo. Daí, no fim da etapa, surge o segundo estágio, o do ‘desespero’.

Quando o ladrão rouba uma casa, por exemplo, surgem traumas e preocupação. Então, todas as formas de prevenção são instaladas. No entanto, em relação ao planeta, ainda não fabricaram outro semelhante para ser substituído à medida que este estiver sendo invadido pela fúria da natureza, que é implacável.

Vejo que cada pessoa compreende a questão ambiental de forma diferente. Trabalhar por essa causa é uma defesa que precisa estar na alma, tem que fazer parte de um ideal de vida e missão pessoal. Caso contrário gera frustração. Pois nem sempre a expectativa de quem defende essa causa, é a mesma de uma maioria egoísta, interesseira e destruidora. Acredito que cada um deve fazer a parte que estiver próxima a si. O mundo pode se tornar bem melhor a partir da consciência individual, em prol do todo.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

terça-feira, 30 de outubro de 2007

ÉTICA E ALTERAÇÃO CLIMÁTICA


Artigo de Jair Donato

Devido ao desequilíbrio da Terra, um minuto já se passa em 58 segundos, mostra um estudo alemão. Esse pode não ser um impacto visível, mas o mundo já não é o mesmo. Hoje, é impossível abordar causas das alterações climáticas apenas pelo prisma da política e da economia. Enquanto maior parte das ações estiver focada em posições ou no interesse de poucos e, não em princípios, a Terra será a maior vítima. Penso que nossa defesa deve moral, não política.

Ética não é uma resposta pronta, como uma bula ou receita. Ou se tem, ou não tem. Desde a época de Sócrates e Platão, esse já era um assunto que tinha interpretações diferentes. Ao verificar os acontecimentos no contexto ambiental, especialmente nos últimos 30 anos, paralelo ao paradigma de crescimento e produção de riqueza do mundo capitalista, é inegável que o planeta foi o único perdedor nas negociações dos bens retirados da própria Terra, o organismo mais logrado desde o início da Era Industrial, em detrimento de um pseudo desenvolvimento.

Em 2004, dados divulgados pelo International Water Management Institute IWMI, mostravam que no ano de 2025, 1,8 bilhão de pessoas no mundo viveriam sem água. Estamos em 2007 e essa já é uma realidade de 1,7 bi de pessoas. Assim como as previsões mostradas pelo conservador Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas - IPCC, órgão oficial da ONU, desde o primeiro relatório, em 1990, que sempre errou para menos quanto as previsões sobre o aumento da temperatura da Terra. O planeta esquentou mais que o previsto.

Há cinco anos, biólogos imaginavam que os efeitos nocivos do aquecimento global sobre os seres vivos só apareceriam num futuro mais distante, disse o professor de ecologia da Universidade de Nova York, Douglas Futuyma. "Sinto como se estivéssemos olhando a crise na cara", disse ele. "A coisa não está parada em algum ponto na estrada à nossa frente: está vindo a toda, em nossa direção. Qualquer um com 10 anos de idade hoje encarará um mundo muito diferente e assustador quando chegar aos 50 ou 60".

Mas, todas as previsões poderiam ter sido acertadas ou não terem alcançadas as proporções estimadas. Então, o que faz com que secas, enchentes, furacões, aumento do nível do mar, desmatamentos e perda de biodiversidade, se resultem no aumento da camada do efeito estufa, a cada dia? Isso provoca uma reflexão sobre ética e consciência ecológica.

Segundo dados do Imazon, entre 2005 e 2006, cerca de 90% dos desmatamentos e queimadas em Mato Grosso, ocorreram de forma ilegal. Ou seja, por inescrupulosos. Onde está a ética e a consciência em prol do bem comum? A vegetação brasileira sofre pela queima e desmatamentos desde a ocupação portuguesa, o que parece se traduzir em certo prazer pela destruição, que virou cultural.

Nas conferências que realizo sobre alterações climáticas, às vezes me interpelam sobre o papel do governo, que deveria criar mais leis. Concordo, mas, somente aumento de leis não resolve a falta de ética. Na verdade, o Brasil já é um exemplo para muito outros países sobre leis de proteção ambiental.

Estatisticamente, os países mais antiéticos do mundo são os que mais leis possuem, e o Brasil não está de fora desse rol. Então precisamos de recursos mais eficazes que leis e punição. Mesmo com medidas legais, somente a consciência é possível mudar o curso da destruição ambiental dos recursos naturais ainda existentes.

A postura ética já deveria ser um comportamento linear no ser humano. Parecemos mesmo ser uma civilização pouco evoluída, nesse aspecto. O homem precisa recorrer aos valores morais, oriundos dos princípios de preservação, conservação e amor próprio. Daqui por diante, e nas gerações futuras, o maior debate não será sobre ciência ou tecnologia. Será sobre ética e a moralidade humana.

Acredito na essência do ser humano. Afinal, degradar a natureza não é genético nem hereditário. É uma questão de consciência. Quem a possui, muda. Penso que deveríamos aprender mais com as crianças. Elas cuidam mais da natureza do que muitos adultos.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

domingo, 28 de outubro de 2007



PENSE NISSO!




Ao homem de grande visão recolher o lixo das ruas não incomoda, pois ele sabe que isso faz parte do trabalho de tornar o planeta mais belo;

Ao homem de pouca visão tornar o planeta mais belo não fascina; pois ele sabe que isto traz consigo o trabalho de recolher o lixo das ruas.


(anônimo)

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

SUSTENTABILIDADE, CONDIÇÃO OU CONSCIÊNCIA?


Artigo de Jair Donato

É imprescindível que as soluções sustentáveis devam ser pautadas nos princípios do respeito à natureza, no crescimento econômico bilateral e na consideração dos valores sócio-culturais. O uso demasiado dos recursos naturais tem sido a maior ameaça ao planeta nas últimas décadas. A contenção da emissão de gases poluentes é o grande desafio, individual e coletivo, para evitar catástrofes irreversíveis.

A sustentabilidade precisa ter base na atitude do ser humano. É necessário, em tempos de alterações do clima, um repensar na produção e no consumo de alimentos, bens e serviços. É plantar e criar com foco em uma nova realidade. Pois o planeta já não é o mesmo. O homem poluiu em demasia e um novo estilo de consumir sem degradar se torna necessário.

Sustentabilidade, portanto, é evitar destruir para produzir. Aproveitar melhor os resíduos, reutilizar e transformar o que era lixo em consumo para novos fins e ainda gerar renda. É saber calcular racionalmente cada espaço explorado para desenvolvimento dos negócios, principalmente quando se trata do meio ambiente.

O Brasil ainda tem pouca representatividade mundial quando se fala de sustentabilidade. O governo prioriza mais os interesses eleitorais do que os econômicos e sócio-ambientais. Decisões apenas políticas só deturpam a perpetuidade do bem comum. Deveria investir seriamente tanto na infra-estrutura do País, como na formação de cientistas e na educação geral do brasileiro.

Será que por causa desses fatores não serem investimentos em curto prazo, não provoca tanto o interesse nos ‘ditos’ representantes do povo? O governo é fraco politicamente para tornar o país sustentável. Isso demonstra falta de visão e de planejamento em longo prazo para o futuro. Não fiscaliza o meio ambiente e não prioriza a educação como deveria.

Precisa investir muito na interação logística, da produção à mesa do consumidor. Criar mais oportunidades de negócios para a industrialização e o design no País. Sem esses fatores, só alimenta a cultura do faz-de-conta e não há crescimento.

Desenvolvimento sustentável não se trata de tendência de mercado. Os negócios daqui para frente precisam de estruturas em um novo paradigma econômico, produzir sem poluir e sem degradar. Produto e serviço sustentável será uma necessidade contínua da humanidade. As empresas deverão se preocupar mais com a reputação do que com a imagem. Essa última opção, uma agência de publicidade pode construir. Mas, reputação é atitude. É algo que se constrói somente com o tempo.

É falsa a idéia de que apenas produzir e exportar, a exemplo dos grãos, commodities brasileiras, seja crescimento para o País, a exceção do ganho de poucos, em detrimento da degradação dos biomas e do emperramento social. Dessa forma o País não se torna sustentável. E o mundo não suporta mais negócios em que ganham alguns e perde a maioria, inclusive a natureza.

O uso do carvão vegetal, a partir do capim e de fibrosos, assim como o uso de biodigestores na suinocultura, a prática do manejo sustentável – florestas e pastos, e a recuperação de áreas degradadas, são ótimos exemplos de desenvolvimento sustentável no mundo dos negócios.

É preciso investir na troca da energia fóssil pela energia renovável e aumentar o uso racional dos recursos naturais. Tudo isso é em longo prazo e ainda é econômico. Outras ações como a troca da produção de fibras de origem fóssil por produtos renováveis, originados do bioetanol. E fibras a partir do milho – biofibras, já começam a serem utilizados por empresas ao redor do mundo.

Outro exemplo crescente, principalmente nas comunidades locais, é a promoção do artesanato regional, uma atividade simples como forma de reaproveitar, despoluir e gerar renda, além de promover interação sócio-cultural.

O contexto atual merece uma reflexão. Será que medidas paliativas, ou seja, a cultura do ‘tapa-buracos’ pode salvar o mundo? Ou deveria se instalar uma maior consciência, e urgente, nas ações de produção e consumo? Afinal, assumir responsabilidades é uma atitude sustentável.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

SUSTENTABILIDADE E MEIO AMBIENTE

Artigo de Jair Donato

Sustentabilidade não é sinônimo de ações ligadas apenas ao meio ambiente. No entanto, a relação com as questões ambientais é maior do que muitos negócios estão envolvidos. O princípio da sustentabilidade se dá pela interação de três pilares: a garantia do crescimento da economia, o desenvolvimento sócio-cultural e o uso dos recursos naturais; sem tolher o crescimento e sem comprometer as gerações futuras. Esse é o desafio.

Desenvolvimento sustentável é uma expressão surgida em 1983, pela comissão liderada pela então primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland. O relatório da comissão que propôs os três pilares da sustentabilidade foi inspirado na Conferência de Estocolmo, em 1972 e amplamente divulgado na Conferência da ONU, no Rio, a ECO-92. O planejamento de sistemas produtivos, a mudança do paradigma econômico e o repensar social estão inseridos no documento elaborado.

Em tempos de alterações do clima no planeta, provocadas pelo consumo desenfreado, pela poluição exacerbada e destruição da natureza, em prol apenas do fator econômico, perde o meio ambiente e sofre o social. Milhares de pessoas se tornarão refugiadas nas próximas décadas, muitas sofrerão pelas secas, chuvas, aumento de temperatura, inundações e alastre de doenças infecciosas.

É fundamental que o objetivo da sustentabilidade seja compreendido e praticado. Pois ele só ocorre quando houver equilíbrio dos três fatores, ao mesmo tempo. E, isso só poderá ocorrer se houver planejamento e investimento a longo prazo, por parte dos governos e das organizações.

A Agenda 21, plano de ação elaborado na Rio-92, que contempla programas de inclusão social, acesso à educação, saúde e distribuição de renda, aponta a sustentabilidade, urbana e rural, assim como preservação e conservação dos recursos naturais e minerais, como um planejamento rumo ao desenvolvimento sustentável a longo prazo. Evitar a cultura do desperdício é uma das prioridades que contempla a Agenda 21, nos âmbitos global, nacional e local.

A mudança de comportamento e novos paradigmas precisam ser inseridos no contexto de desenvolvimento da sociedade atual. O modelo econômico arcaico que ainda prevalece no mundo capitalista, em que alguns ganham e a maioria perde, é inadequado para os padrões sustentáveis.

A atenção dispensada, principalmente pelos governos, às demandas sociais é ineficiente; penso que nunca foi. Por fim, o abuso e a degradação dos recursos naturais da Terra estão colocando em risco a própria capacidade do homem de viver com qualidade de vida.

É preciso deixar de pensar que o Brasil é um país do futuro. Quando se trata de ação, o que existe de fato é o presente. É no ‘agora’ que precisa ocorrer a transformação social e econômica, que considere o meio ambiente. A degradação das florestas brasileiras, que começaram desde a ocupação portuguesa precisa de um basta. Não é mais possível dar vazão a essa herança cultural que degrada e polui.

Mediante os incontáveis desastres ambientais em diferentes partes do mundo, que já comprometem a vida Terra, a maior mudança que se faz necessária daqui por diante, certamente é a do estilo de vida do homem, desde as ações domésticas à industrialização em grande escala. É preciso o juntar de esforços, entre governos, quem produz e quem consome.

Uma empresa sustentável tem mais credibilidade e reputação. Além disso, detém maior capital intelectual e valor de mercado. Isso é mais valioso que apenas ações de marketing, que cumprem outras finalidades. Os setores público e privado precisam calcular tudo isso racionalmente, de olho na perpetuidade dos negócios, na estabilidade da economia, na garantia do bem estar social e na preservação do meio ambiente.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

A MASCARA DO EFEITO ESTUFA


Artigo de Jair Donato
(Série Escurecimento Global III)

Não é o Planeta que vai acabar. É a raça humana que pode desaparecer, ser extinta pelo calor ou pelo frio, caso o homem não repense urgentemente o modo egoísta de viver no Planeta. A maior polêmica não se dá só pelos efeitos do aquecimento ou do esfriamento da Terra. A causa é mais séria. É o destrato do homem em relação ao meio ambiente em que vive. É a degradação barata, interesseira e promíscua em relação aos recursos naturais. Um novo estilo de vida precisa surgir.

Este é o terceiro artigo da série ‘Escurecimento global’, fenômeno que provoca a diminuição da radiação solar na Terra, em contraposição ao aquecimento, que pela força do efeito estufa, aumenta a temperatura. Será que todas as previsões sobre o futuro do nosso clima podem estar erradas?

O efeito do uso dos combustíveis fósseis, 75% da energia utilizada no mundo ainda vem desse recurso, altamente poluente, foi mostrado por cientistas da Universidade da Califórnia, realizado nas Ilhas Maldivas, no Oceano Índico. A queima produz a poluição invisível, que engrossa a camada do conhecido efeito estufa, e aquece. Mas, a radiação visível, formada por pequenas partículas de fuligem, além de outros compostos, forma nuvens densas que dificultam a radiação do Sol na Terra.

Outro fator constatado em 20 anos de pesquisas pelo climatólogo David Travis, da universidade americana de Winsconsin, é que as trilhas de condensação deixadas pelas aeronaves, no espaço, também tem efeito sobre as alterações climáticas, formando nuvens que obstruem os raios do Sol na superfície terrestre.

Estudos mostram que as demais formas de poluição, como os desmatamentos, as queimadas ilegais, a degradação do solo, os resíduos domésticos e industriais lançados nos rios e na natureza, alteram o clima, devido os gases que vão para a camada do efeito estufa, e provocam o aquecimento da Terra. E, quanto ao efeito contrário, o do escurecimento, quais os possíveis impactos? São efeitos maiores ou menores? O mundo anseia por mais estudos elaborados pelos cientistas.

Uma certeza já foi apresentada. A poluição desenfreada, pelo interesse capitalista e antiético da humanidade, causa mais de um efeito. Na verdade, ocorre um desencadear de impactos, que poderão ser incontroláveis pelo próprio homem, em um futuro bem próximo, caso não seja repensado o estilo de vida na face da Terra.

Novas medições mostram que em virtude da queima de óleo e carbono de forma mais limpa em alguns países, assim como o uso dos catalisadores nos automóveis, são medidas que reduzem o escurecimento, embora não diminuem os efeitos do aquecimento global. Então, com ficará o mundo se forem extintos os efeitos do escurecimento global? Como a humanidade vai se sobressair dessa?

Pelo que tudo indica, se o escurecimento desaparecesse imediatamente o fim da humanidade poderia estar bem próximo, pois a Terra esquentaria em proporções ainda maiores. O efeito do escurecimento, ainda não é tão visível, devido o aquecimento, e vice-versa. Embora seja uma ameaça, um efeito parece proteger a humanidade do outro, ambos devastadores.

O que pode perceber é que o velho comportamento humano de poluir exacerbadamente, consumir sem racionalidade, queimar, desmatar e emitir gases sujos das mais variadas formas, polui de forma visível e invisível. Ou seja, todos os tipos de uso dos recursos naturais desencadeiam reações no planeta.

Contudo, ainda é tempo para refletir e agir. Cada um deve repensar ecologicamente na condição em que vive no planeta, e conter ao máximo, o uso irracional dos recursos naturais; e poluir menos. E, isso será possível, se governos, empresas e, acima de tudo, o próprio indivíduo, perceber essa necessidade. O planeta pede socorro.

É preciso consumir de forma consciente e pensar no bem comum. Disponibilizar novas fontes de energia renovável, alargar a escala de geração de riqueza e produção sustentável, preservar e conservar os biomas, dentre muitas outras alternativas já apresentadas ao mundo. Para os cientistas, os efeitos climáticos não é uma previsão, é um alerta.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

terça-feira, 23 de outubro de 2007

MUNDO DAS SOMBRAS

Artigo de Jair Donato
(série Escurecimento Global II)

O escurecimento global, fenômeno que age como máscara do efeito estufa, é responsável pela menor incidência dos raios solares na Terra. O artigo anterior abordou sobre o esfriamento que vem ocorrendo nos últimos anos, como conseqüência da poluição visível que aumenta, a cada ano, e afeta a energia solar no planeta. Mas, isso não é uma contraposição ao aquecimento global? É o que ainda intriga a comunidade científica.

O assunto é realmente instigante e complexo, mas a Terra poderia estar pior. Descobertas há 40 anos, em Israel, mostraram um paradoxo. O cientista Gerry Stanhill, biólogo, precisava medir a intensidade da radiação solar para organizar sistemas de irrigações em solo israelense. Ele precisava medir a radiação solar para saber a quantidade de água que as plantações precisavam.

Foi aí que ele se surpreendeu, ao saber que 20 anos mais tarde, houve uma grande redução da energia solar naquele País, que chegou a 22%. Então, se isso fosse verdade, Israel não teria que estar congelando? Tinha que haver algo errado, já que a temperatura no mundo inteiro continuava aumentando.

Após outras constatações, entre as décadas de 1950 a 1990, da queda da incidência de radiação solar, como na Rússia, em mais de 30%, nos EUA, na Antártida e em partes das ilhas Britânicas, Stanhill percebeu que se tratava de um fenômeno em escala planetária, e deu a ele o nome de Global Dimming, escurecimento global.

Biólogos australianos como Michael Roderick e Graham Farqurar, que mediam a taxa de ‘Evaporação de Panela’, uma medição diária da quantidade de água necessária em um local, para voltar ao nível da água do dia anterior, constataram que o índice estava diminuindo, em relação aos últimos 100 anos de coletas.

Surgia a contradição: como a taxa de evaporação da água nas panelas estava menor se a temperatura do planeta estava aumentando? A queda da evaporação também sincronizou com a diminuição da luz solar na Terra, segundo demais estudos em várias partes do mundo. Então os biólogos entenderam que se a taxa estava caindo, era porque tinha menos radiação no solo.

Eis os dois mundos, o do aquecimento e o do escurecimento global. O efeito estufa aquece e o escurecimento esfria. Um mascara o outro. Outra questão era a de que o Sol, em todo esse período, não emitiu menos radiação. Então, o que seria responsável por isso? A única conclusão é que poderia ser algo que estivesse na Terra. Viram que as nuvens de fumaça da queima de combustíveis estavam tornado-se espelhos gigantes que além de refletir de volta os raios solares, podiam alterar o padrão de chuvas globais.

O renomado climatólogo Veerabhadra Ramanathan, da Universidade da Califórnia, fez um estudo nas Ilhas Maldivas, um conjunto de mais de 1800 ilhotas desertas no oceano Índico, onde constatou duas correntes de ar vindas de diferentes locais. As ilhas do Norte eram atingidas por uma corrente de ar poluído, com mais de 3 quilômetros de altura, vinda da Índia, enquanto as ilhas do Sul eram atingidas por uma corrente de ar puro e limpo vinda da Antártida.

As ilhas do Norte recebiam menos energia que as do Sul, em média 10%, devido às nuvens espessas de poluição. Os quatro anos de pesquisa de Ramanathan mostraram que a queima de combustível produz a poluição invisível, que aumenta o aquecimento global, tanto quanto a radiação visível, pequenas partículas de fuligem e outros compostos, que dificultam a radiação do Sol. Mas, na época, a comunidade científica ignorou os estudos apresentados.

O conhecido aquecimento global pode ser apenas a parte visível do grande iceberg destrutivo que pode por fim a raça humana e a transformação das formas de vida no planeta. O mundo precisa ficar mais atento. Pois as conseqüências da destruição são, vertiginosamente, arrasadoras.

Afinal, a humanidade corre o perigo de viver no mundo do aquecimento ou das sombras? Se correr o bicho pega; se ficar, o bicho come. Eis o enigma. Será que todas as previsões sobre o futuro do nosso clima podem estar erradas? É o que veremos no próximo artigo desta série.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach -, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com