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sexta-feira, 28 de março de 2014

VOCÊ IMPÕE OU INFLUENCIA?
Artigo de Jair Donato* 

No artigo anterior a abordagem foi sobre porque que chefe não é um líder. Toda organização necessita de gestão, contudo a liderança se torna um fator primordial em todas elas. Infelizmente essa tem sido uma negligência por parte de muitos gestores. No mundo da administração, processos e tecnologia são partes de uma tríade que só é completa quando as pessoas são bem conduzidas, isso é liderança. Ao passo que o processo de liderança é uma influência de relacionamento, a gestão é uma relação de autoridade, e juntos, um complementa o outro.

Liderança é necessária em todas as áreas da vida, como também é primordial nas empresas. O administrador ou o gestor precisa entender sobre o que provoca a motivação humana, nisto consiste o saber conduzir pessoas, é aí que está a arte de liderar. Para que se estabeleça a eficácia, é necessário entender que a liderança é mais que uma competência técnica, entender de comportamento, do que de fato influencia positivamente as pessoas é fundamental.

É por isso que a liderança é um aspecto de subjetividade, pois ela depende dos outros perceberem naquele que assume a função de líder a competência em liderar, é daí que surge a confiança. Apenas executar um bom trabalho não é suficiente para se tornar um líder, é necessário que seja reconhecido sem se impor. Um cargo hierárquico isolado de habilidades de relacionamento e controle das emoções não faz de nenhum profissional um líder. Pois liderar não está na posição que ocupa, é uma escolha que deriva da percepção do outro, ou seja, da equipe liderada. Quem não lidera pouco propõe e mais impõe, e isso gera pessoas confusas. O verdadeiro líder é o que sabe defender valores que representam a vontade coletiva. Pois se ele não soubesse fazer isso, não seria capaz de influenciar os liderados à ação.

Por essa razão é que o poder legítimo, aquele conferido pela posição funcional ocupada na organização, varia de um para outro. Enquanto o líder o aplica para promover as demais pessoas, o que não tem o devido preparo e atua apenas como “chefe”, pode usa-lo em prol das próprias frustrações e interesses, provocando imposição e massacre psicológico na equipe que gere, isso tem sido grande causa de assédio moral atualmente nas corporações. Uma das maiores figuras americanas, Abraham Lincoln,  disse que para conhecer mesmo uma pessoa, dê a ela poder.

Produtividade, alto desempenho, suplantar metas com lucratividade são resultados advindos de boas práticas de gestão com liderança e o que foge disso são apenas resultados em curto prazo e ausente de fatores ligados a qualidade de vida. É chegada a hora em que chefes, administradores e demais profissionais com cargos de responsabilidades nas organizações repensarem sobre as habilidades que possuem para liderarem melhor.

O ato de liderar, portanto é agir como agente de mudança e tem muito mais a ver com atitude e comportamento do que com preparo técnico. Há muitas empresas que se tornam reféns de alguns profissionais apenas por possuírem habilidade técnica, mas desprovidos de liderança. Basta conferir o alto índice de rotatividade nos setores que esses profissionais atuam. E mais, a insatisfação dos que permanecem no ambiente de trabalho mascaram a produtividade apresentada.

*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 26 de março de 2014

POR QUE CHEFE NÃO É UM LÍDER?
Artigo de Jair Donato*

Diz-se que um profissional tem a tendência de organizar as tarefas no ambiente de trabalho semelhantemente a maneira como ele organiza as gavetas dos armários na casa dele. Sem interpretar essa comparação superficialmente, o que é observável é que o indivíduo possui uma tendência de replicar na fase adulta, principalmente no trabalho, área ligada a aquilo que representa valor, as referências de outrora que mantêm internamente, através de crenças e atitudes. É por aí que é possível diferenciar o comportamento do chefe e do líder, algo muito além de uma estrutura hierárquica.

A repetição de movimentos, na maioria das vezes inconsciente, é um dos fatores contundentes que diferencia o perfil entre chefe e líder. A relação com o poder pode ser um exemplo. Enquanto o líder encara o poder a ele concedido como algo natural, e em diversas ocasiões o utiliza na informalidade, até como se não o tivesse, para o chefe isso se torna uma fonte de realização pessoal. A história mostra os exemplos de massacres e extravases de frustração pelo uso frequente do poder formal como forma de se estabelecer por muitas pessoas que dele fez uso negativamente.

Sendo a Liderança um processo de influenciar, apoiar e conduzir pessoas trata-se de uma competência valorizada pelas empresas no contexto atual do mercado de trabalho, que propicia maior competitividade entre as organizações dos diversos setores da economia. O problema é que dentro das organizações, onde muitas pessoas que ocupam cargos hierárquicos e designadas para função de liderança, não expressam comportamentos esperados. Há os que se tornam verdadeiros “chefes”, que ao invés de influenciarem, proporem, apenas impõem. Gente que antes de promover a equipe e torna-la criativa, a torna confusa.

É claro que não me refiro a “chefe” ou “líder” como descrição de cargo, e sim ao comportamento que as pessoas expressam quando exercem tais funções. Até porque é fácil encontrar um profissional com uma nomenclatura no próprio crachá, mas com uma postura diferente da que está lá. Nome da função é só um rótulo, a atitude é o que valoriza ou desvaloriza. É enorme o número de ditadores e manipuladores que se perderam ao longo do tempo, massacraram equipes inteiras, por terem exercido uma influencia negativa, manipuladora. Enquanto os exemplos de liderança sempre trabalham em favor da criatividade, da influência positiva, do reconhecimento, da inovação e do desenvolvimento interpessoal. Liderança é um estilo altamente competitivo desejado pelas organizações do mundo atual, onde resultados voltados para a qualidade de vida agregam mais valor para qualquer marca do que apenas lucro financeiro imediato.

Existe o chefe cuja única oportunidade que encontra para se sentir bem e poderoso é ao “pisar” sobre os subalternos, constrangê-los e humilhá-los de alguma forma, ou a quem ele prefere colocar numa posição inferior. E ele faz isso sempre que sua percepção sinaliza situação de possível confronto, que represente algum perigo ou ameaça ao próprio cargo.  Por outro lado, quem se submete aos desejos e delírios de quem é chefe acaba se tornando um vicio talvez por ser menos complicado ceder do que lutar, além do risco de torna-lo semelhante. Para o chefe que lida com quem não sabe o que quer e tem desejos difusos fica mais fácil manter uma relação de dependência

O pai da administração moderna, Peter Druker, afirma que dificilmente um funcionário se demite da empresa em que trabalha, geralmente ele se demite do chefe que possui. Outro fator que faz com que as pessoas agem mais como chefes do que como líderes, é que embora sejam informadas sobre os aspectos da liderança, lideram apenas pelo poder hierárquico, estrutural. Enquanto o verdadeiro líder se dá pela coerência entre os processos: cognitivo, racional, psicológico e emocional. É do equilíbrio que surge uma liderança que agrega.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sexta-feira, 21 de março de 2014

VOCÊ É RARO OU IMPORTANTE?
Artigo de Jair Donato*

O que você faz é importante ou raro? Se você deixar de fazer o que faz agora, quantos a mais continuarão executando da mesma forma que você? O ensaísta americano Mark Twain relatou o caso de um roteirista que havia sido contratado, na modalidade tempo determinado, por uma empresa cinematográfica dos Estados Unidos, cujo contrato estava para findar em um mês. Mas, esse roteirista estava sem atividade nessa empresa e praticamente não tinha nada para fazer. Então a probabilidade do contrato dele não ser renovado era enorme.

Foi quando um diretor de produção desse roteirista recebeu uma ligação telefônica de uma empresa cinematográfica concorrente que iria precisar de um roteirista para a produção de um filme. Então o diretor viu isso como uma oportunidade de ganhar mais dinheiro e disse que tinha esse profissional e que o cederia por uma quantia de dez mil dólares mensais. A empresa solicitante achou alto o preço, mas por fim acabou aceitando a proposta. Então o contrato do roteirista foi renovado e ele recebeu antecipadamente tal quantia.

Ou seja, quando a procura é grande e tem pouca oferta, o produto ou um serviço será adquirido por valor maior que o real. Ou seja, no mercado de trabalho o profissional é mais valorizado pela raridade do que pela importância que possui.

Aquele que se relaciona bem com os outros, que se dedica ao que faz e faz bem, principalmente quando se trata de algo que é executado por poucos, é negociado por alto preço. Por mais brilhante que seja uma pessoa, se ela não satisfaz as exigências do mercado atual, passará a viver com um a mais numa multidão disponível.

Vejamos o quão importante é a atividade de um professor, alguém tem dúvida disso? Mas, até que ponto ela é valorizada? Após anos de estudo, mestrado e doutorado, esse profissional recebe um salário ainda irrisório. Seria a missão de educar uma atividade que possui mais importância do que a de um jogador de futebol, cuja formação acadêmica para a maioria não é prioridade? Por que então algumas raridades futebolísticas faturam milhões anualmente? E um professor que educa, contribui para a formação de vidas, ganha pouco?

Mas, a questão não é pelo fato de ser professor, isso é apenas importante. Ser um professor raro hoje garante maior procura pelo mercado, a exemplo de alguns que existem nas instituições que inovam a metodologia, saem do obvio, esses são bem procurados e ganham mais. Mesmo na área educacional, percebe-se que o desenvolvimento de competências que leva o profissional a se tornar raridade é mais importante. Agora descubra e avalie em quais áreas da sua vida e em quais aspectos, além de importantes, você pode se tornar uma raridade.

Pergunte-se sobre qual é o seu tamanho, seja no mercado de trabalho, na família ou no meio social. No filme Stuart Little, há uma passagem em que a personagem Margalo faz essa pergunta ao ratinho Stuart: Qual é o seu tamanho? O ratinho, por ele se achar pequeno, complementou que “você pode ser do tamanho que quiser”. Descubra o seu.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 19 de março de 2014

O profissional futurista
Artigo de Jair Donato*                                                               

Este artigo não se trata do futuro das pessoas pelo prisma do misticismo, do sexto sentido ou de qualquer outra forma de previsão através do sobrenatural. Trata-se do novo perfil profissional que surge nas empresas, denominado de futurista.

No mercado em que personagem principal, o consumidor, se revela cada vez mais mutante, a bola de cristal da vez é antecipar-se às objeções e às tendências. Cabe ao profissional futurista, em face das expectativas do cliente, prever quais as tendências e orientar as empresas para criação e exposição de novos produtos que sejam práticos, solucionáveis e econômicos, pois são esses os principais desejos do consumidor.

Não estamos mais na época de perguntar ao cliente o que ele deseja, pois nem sempre ele sabe especificamente o que quer. O que o consumidor possui são necessidades e expectativas, o que nem sempre é de forma objetiva. Antecipar-se a isso é o grande desafio por parte de quem cria, disponibiliza produtos e serviços. O futurista é um consultor cuja função não se limita em pesquisar o mercado para saber o que é necessário oferecer. A finalidade é antecipar-se e deixar o cliente extasiado. Prever e orientar para inovar são as principais habilidades tidas como missão desse profissional.

A inovação deve ser em produtos, serviços, processos, modelos de negócios, nas práticas gerenciais e na gestão de pessoas, cujo foco deverá ser sempre o cliente, principal stakeholder, ou seja, a parte mais interessada da empresa. Hoje, é o conceito de Marketing 3.0, uma nova visão do marketing mais holística e agregadora de valor que orienta o profissional futurista.

Esta é uma era em que a fidelidade é um termo cada vez mais difícil de ser conquistado pelas empresas. Assim como na vida afetiva dos adolescentes, o cliente, antes de encarar um compromisso sério, se tornar fiel, ele prefere “ficar”. O cliente “ficante” é aquele que até se sente atraído momentaneamente pela empresa. Mas, no dia seguinte, pode nem lembrar mais quem o atendeu, tampouco a localização.

Ante a pluralidade de opções que existe no mercado, o cliente não pensa duas vezes em trocar um fornecedor pelo concorrente. Fidelização e previsibilidade são realidades cada vez mais distantes no comércio; comportamentos típicos da época da venda na caderneta. Retenção é o máximo que muitas empresas conseguem ter, por meio de contratos, que muitas vezes só constrangem os consumidores. Porém, possuir um rol de clientes fieis é agregar valor à marca.

Para o filósofo e futurista austríaco, Peter Drucker, considerado pai da administração moderna, “o desafio mais importante de nossos dias é o encerramento de uma época de continuidade - época em que cada passo fazia prever o passo seguinte”. Conforme Drucker, o maior advento atual é a era de descontinuidade, onde o imprevisível é o pão de cada dia para os homens, para as organizações e para a humanidade.

Vivemos literalmente no mundo do “salve-se quem prevê”. Pessoas e empresas de comportamento reativo ou passivo não sobreviverão ao mundo de mudanças constantes. Hoje, o perfil profissional mais valorizado na área de atendimento é o “clientável”. É Isso mesmo. É mais que a habilidade de ser empregável ou empreendedor. Sabe por quê? É que o poder não está mais na empresa, está no cliente. Por isso, o grau de clientabilidade de um profissional deve ser substancialmente superior ao talento ou apenas capacitação técnica.

O profissional de recursos humanos não deve contratar apenas talento. Talento tinha na seleção brasileira, na penúltima copa do mundo de 2006. Lembra-se do quadrado mágico? Pois é, o que faltou foi encantar, surpreender e se relacionar. Decepção para os clientes brasileiros, os torcedores. O que é necessário contratar é a habilidade que o profissional tem de gostar de se relacionar com pessoas, de agradar o cliente; e fazer isso com sinceridade. O lucro é certo.

Ao contrário da forma de administrar no início da Era Industrial, quando Henry Ford afirmava que o cliente poderia comprar o carro da cor que quisesse, desde que fosse preta, agora, a empresa competitiva tem que assumir a posição de ser uma escolha do cliente, e não a opção.

Encantar, superar e surpreender. Estes são os verbos que o profissional futurista e clientável precisa saber conjugar muito bem, e no tempo presente. Porque, após a fase do encantamento, vem talvez o maior desafio, o de manter o cliente, fidelizá-lo. Se não, ele apenas “fica” com o produto ou com o serviço. E, no dia seguinte, prefere o próximo fornecedor da fila. E olha que o consumidor tem cada vez mais excelentes opções disponibilizadas por viáveis condições de aquisição.

Então, a saída pode ser mudar, se adaptar ou morrer. É uma questão de escolha.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

domingo, 16 de março de 2014

TEIA DA VIDA
Artigo de Jair Donato* 
A relação entre homem e natureza se dá não apenas no âmbito biológico, ocorre também em níveis culturais e psicológicos. Segundo o físico austríaco Frijot Capra, a natureza é tão complexa que a denomina como uma “teia da vida”. Ela se entrelaça e possui interdependência com todos os fenômenos. Uma breve viagem ao tempo favorece a compreensão sobre o comportamento e o estilo de vida do homem na Terra.

As concepções da natureza criadas pelo ser humano ao longo da história foram diversas, a começar pela visão sacralizada, quando conhecer os fenômenos naturais era adorá-los, época de quase nada em conhecimento científico. A natureza era então um mistério panteísta povoada por muitos deuses. Havia uma concepção politeísta e também anímica. Ou seja, era repleto de espíritos para cada fenômeno, pois eram atribuídos deuses para o fogo, para a água, para o trovão, para a relva, para a chuva, a lista era infindável.

Veio então a descoberta da agricultura e da pecuária, o início da dessacralização, rumo ao profano. Daí surgiu o processo discrepante na relação do homem com o meio ambiente. Ainda por volta do século VI a V a.C., no mundo helênico, os pensadores deixavam de cultuar, eles simplesmente contemplavam a natureza e refletiam sobre ela e os respectivos fenômenos. Alcançaram nessa época uma visão mais interrogativa e holística que englobava a natureza, os seres nela existentes, inclusive os humanos, e ainda os deuses.

Veio depois, com o tempo, a visão judaico-cristã, uma semidessacralização que retirou a cosmovisão holística e aderiu toda criação natural a uma entidade, laveh para os judeus, como processo da história. Após esse rumo do povo hebreu-judeu, parte do mundo natural perdeu o caráter de sacral.

Já com a visão mecanicista da natureza, no auge cristão do ocidente, prevalece de vez o postulado judaico-cristão no mundo. Fortalece concomitantemente no homem a concepção de portar-se como o senhor da natureza. E que os corpos, sejam humanos ou dos animais e até o Universo, funcionariam como meras máquinas projetadas.

Por fim, desde o início do século XX, com o desmoronar da concepção mecanicista, veio o surgimento da incerteza, momento em que o absolutismo foi contestado, características de uma visão organicista contemporânea. Surgem nesse contexto a teoria darwinista, sobre a evolução das espécies, a teoria da relatividade e a aproximação científica da vida, a exemplo da biologia molecular, quando o homem passou a ser visto intrínseco ao contexto bioecológico, composto também por traços comuns à natureza.

Essa rápida passagem pela linha do tempo na relação do homem com o meio em que vive e dele depende, apresentada detalhadamente pelo pesquisador Arthur Soffiati, traz uma reflexão sobre como o próprio homem age atualmente, na cultura capitalista neste novo século. As revoluções científica e industrial, pela via da descoberta e do crescimento, foram momentos necessários. Contudo, nessa transição, o homem passou a ter uma posição de como se fosse superior ao mundo natural, que pudesse explorar e domar a vida nele existente.

No entanto, o mundo natural continua sendo uma complexidade indomável pela astúcia humana, com limites próprio e exposto ao tempo. O homem não é o centro, é como se assim dissesse a natureza, caso se expressasse verbalmente. Mas é esse o recado que ela deixa ao reagir bruscamente nesses tempos, ditos modernos, de alterações climáticas.

Percebe-se que não pode haver mudança alguma se não houver mudança de dentro para fora. É um novo comportamento, mais reflexão e compreensão sobre a fragilidade da terra que o homem precisa adquirir. A natureza não pede para ser sacralizada novamente, basta que cada tenha por ela mais respeito, estima, cuidado, recuperação, contemplação. Que todo ser humano acolha a tudo que é natural como parte de si, da própria essência. Isso é repensar o modo de viver por aqui.

*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quinta-feira, 13 de março de 2014

INVERSÃO INCONSCIENTE
Artigo de Jair Donato*

Certa ocasião quatro mendigos se encontraram sincronicamente numa encruzilhada da Algéria: um turco, um árabe, um persa e um grego. Para celebrar o acontecimento decidiram fazer uma refeição festiva. Então providenciaram uma cota e cada um após o outro, despejava alguns trocados para ver quanto daria. Mas o que iriam comprar com o dinheiro?
- Uzum, disse o turco.
- Ineh, disse o árabe.
- Inghûr, disse o persa.
- Staphilion, disse o grego.

Cada um havia expressado o próprio desejo em um tom que parecia excluir qualquer possibilidade de entendimento. Surgiu uma discussão violenta e teria havido ali mesmo um conflito se um dervixe poliglota não tivesse aparecido entre eles e se oferecido para revelar o que queriam dizer. Com palavras diferentes, explicou o entendido, vocês quatro querem a mesma coisa: Uvas.

Este conto de Gerard de Nerval é oportuno para uma reflexão sobre a forma de expressão que o homem faz em prol da natureza e o cuidado com o meio ambiente. Não há ninguém em sã consciência que não deseje viver bem e em clima agradável, num lugar onde possa respirar, se alimentar e se servir das múltiplas opções que a biodiversidade pode oferecer.

Mas, qual a razão para destruir o próprio habitat? O que leva o ser humano a destruir a grande casa em que vive? O comportamento atual do homem se confunde em meio a uma inversão inconsciente, rumo à extinção do que representa a vida, a partir do conflito acerca dos próprios interesses e o contexto sócio-ambiental. O consumo irracional dos recursos naturais, a contaminação do solo, do ar e da água é uma forma inconsciente de derrocar a própria caminhada e destruir o caminho a percorrer para as gerações futuras. É como se dissesse a si próprio, caso o inconsciente verbalizasse: já que eu destruo, mereço sofrer. Assemelha-se mesmo a uma atitude de auto-sabotagem e perversão.

Foi divulgado recentemente ao mundo o mais completo levantamento já feito sobre o impacto humano nos oceanos, em uma das últimas edições da revista científica Science. O estudo mostra que não existe mais uma gota de água nos oceanos que não tenha sido afetada de alguma forma pela ação do homem. Quase metade da superfície oceânica, mais de 40% está sob forte pressão de atividades humanas, como pesca e poluição. Apenas 4% permanecem relativamente livres de impacto, nas regiões do Ártico e da Antártida, onde o homem tem dificuldade para chegar.

E as geleiras por lá andam derretendo em proporções assustadoras. Segundo os cientistas que apresentaram esse estudo, os efeitos mais severos na água têm relação com o aquecimento global. Áreas como costa Sudeste do Brasil, o Mar do Norte e o Mar da China, onde há forte concentração de navios e atividade industrial, já sofrem esse impacto da poluição de forma severa.

Mais que políticas ou imposições, é preciso muita consciência acerca do que deve se preservar e conservar, Essa é a condição essencial para manter a vida no ciclo natural. Mas, as línguas ainda parecem estranhas quando se fala nesse assunto. O capitalismo grita alto e o mercantilismo corrompe a ética e o senso moral para resguardar o interesse de uma parcela que ainda produz sem repor o que destrói. E essa não é uma linguagem comum quando se considera o tripé da sustentabilidade, que além do crescimento econômico, visa fundamentalmente a relação prática e efetiva com o social e o meio ambiente. O que fugir disso será sempre um pseudo crescimento que não subsidia o que se perde.

O escritor Rubem Alves disse que antes que qualquer árvore seja plantada, ou que qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro não tem jardins por fora. E nem passeia por eles. A humanidade é parte de um vasto Universo em expansão, diz a Carta da Terra. Mas, o homem se mostra confuso, numa inversão de valores sobre si mesmo e o meio ambiente. Pois nem sempre ele age como parte e pensa como se fosse o centro. É preciso um repensar nas ações. Consciência urgente!


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 11 de março de 2014

RAZÃO E CONSCIÊNCIA
Artigo de Jair Donato*
Como é sua postura ao se envolver numa discussão? Você se destaca dentre os que preferem ficar com a razão, principalmente quando há evidências fortes de que esteja certo? Ou costuma dar razão aos outros, mesmo que aparentemente eles não possuem? Já pensou nas consequências que podem surgir para você ao defender uma posição, como se fosse absoluta? Então reflita. Quantas pessoas se travestem da empáfia como se donos da razão fossem e chegam a humilhar os outros com tal postura. Ademais, mesmo sabendo posteriormente que na verdade não estavam tão certos como achavam, fica difícil admitir isso e ainda assim mantêm uma pose de absolutismo. Gente que age como “chefe”, do estilo inflexível, que prefere impor ao invés de propor, incorre sempre em situação dessa natureza.

Dizem que quando o outro não tem razão é um motivo a mais para que você dê razão a ele. Conta-se que certa vez o presidente Getúlio Vargas teve de resolver um entrevero entre dois comerciantes amigos dele, que tinham se envolvido num conflito, o qual se desencadeou numa agressão física. O combinado foi que o presidente decidiria quem tinha razão em relação à situação, e os dois aceitariam o resultado sem questionar.  Getúlio era hábil e resolveu receber os oponentes separadamente. O primeiro comerciante entrou e lhe contou o caso, apresentando as razões, justificativas e ataques ao segundo. Após ouvir atentamente a argumentação, ponderou algumas questões e, ao final disse-lhe: “O senhor tem razão”. O comerciante saiu feliz da audiência, satisfeito com a resposta de Getúlio e, na saída, ainda desdenhou do adversário.

Então o segundo comerciante foi ter-se com o também amigo Getúlio, e preocupado com a atitude do desafeto, entrou e expôs por sua vez a situação conforme o ponto de vista próprio, cheio de ataques e reclames sobre o primeiro. Ao final, ele perguntou ao presidente quem tinha razão. Getúlio, pensativo, observa-o com seriedade durante certo tempo e diz-lhe o seguinte: “O senhor tem toda razão!”.  O segundo comerciante também sai feliz da audiência, afinal teria recebido uma boa resposta do amigo.

Estarrecida com a situação, dona Darcy Vargas, esposa do presidente, que a tudo assistira não se conteve e questionou: “Getúlio, acho que não está absolutamente correto o que você acabou de fazer, desaprovo. Isto não deve atitude de quem dirige uma nação como presidente, pois você deu razão a um comerciante que lhe contou uma história de um jeito, e em seguida também deu razão ao outro comerciante que lhe contou uma historia oposta. É assim que você deseja conduzir este país? Você teria que ter atitude, pois você é o presidente.”

Getúlio observa as ponderações da esposa atentamente, considera seriamente o que ela falou e lhe responde com convicção: “Sabe, Darcy, você tem razão”. Getúlio era um mestre da persuasão, e conhecia profundamente a natureza humana. Ele sabia que era inútil criticar e contradizer aos outros, portanto prestava bastante atenção às pessoas, interessava-se pelos seus problemas, procurava dar razão a todos e, no final, as pessoas faziam o que ele queria.

Essa é uma postura sábia, pois há gente que sempre quer ter razão em tudo e briga por ela. O ser humano poderá conviver bem melhor se preferir não ficar com a razão. A tendência que as pessoas possuem de julgar aleatoriamente o comportamento de outras ou emitirem um juízo como se fosse o final, geralmente está relacionada com referências métricas internas que trazem consigo mesmo, adquiridas através de experiências ou crenças próprias. Paradigmas de repressão, de preconceito e de pouca afetividade podem influenciar o comportamento de quem julga, acreditando que em determinadas ocasiões, o moralismo seja o único caminho para fazer justiça. Uma criança reprimida, provavelmente se tornará um adulto repressor, a não ser que no decorrer da vida, consiga ressignificar essa referência. As organizações contemporâneas ainda estão cheias de gestores assim.

As empresas abrigam chefes rígidos que possuem prazer em fazer julgamentos. São os que preferem sempre ficar com a razão e muitas vezes terminam por colherem traumas, desafetos e sabotagens. Julgamento, poder e perversão transitam numa linha tênue, aplicados como válvulas de escape para frustrações de muitos, às vezes se torna uma espécie de orgasmo para gente mal resolvida. Claro que não há receita nem bula para conviver bem. No entanto, ao invés de estabelecer julgamentos e até condenar quem estiver ao redor, é bom fazer o seguinte questionamento, após um fato ou diante de uma atitude: Isso é adequado? Ao invés de procurar encaixar tudo dentro do conceito de certo ou errado, uma via de mão dupla que permite considerar o outro, gerar menor atrito nos relacionamentos é procurar ver se o que está em questão é adequado ou inadequado.

Então, antes de julgar um fato ou uma situação, o melhor é conhecer quem está envolvido, em que momento se deu e como ocorreu? Assim poderá perceber que tudo está correto, naquele momento, para aquela pessoa, na hora do ocorrido e naquele lugar. Então, e se você se perguntar: e agora? Se entrego a razão ao outro, fico com o que? Bem caro leitor, fique com a consciência, sem dúvida. Ela o fará dormir tranquilo e será fator preponderante para melhor qualidade de vida. Pois nem sempre quem fica com a razão, fica também com a saúde, nem dorme tranquilo. Opte por analisar ao invés de julgar. Prefira a consciência ao invés da razão. Muita gente pune a si mesma pelo fato de se sentirem mal, mesmo tendo ficado com a razão, pelo fato de não ter ficado também com a consciência tranquila. Você pode escolher entre ter razão ou ser feliz.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 10 de março de 2014

TODO MUNDO É INCOMPETENTE, INCLUSIVE  VOCÊ
Artigo de Jair Donato*

Calma, este título não é uma visão pessimista, nem uma ofensa. É o nome do livro de Laurence Peter e Raymond Hull, que investigaram sobre aspectos que funcionam tão mal, no sentido prático, a começar pelas coisas que enguiçam, pifam, desabam, saem do contrário, além do mau atendimento nas empresas e no comportamento de muitos profissionais.

Quero abordar sobre o conceito de competência e incompetência que por vezes é confundido com capacidade e incapacidade, compreensão essa que pode se tornar a causa do insucesso e da mediocridade do ser humano, na vida pessoal e profissional.

No mundo acadêmico o termo incompetência é atualmente denominado de não competência, o que dá no mesmo. Todo mundo ao mesmo tempo em que é competente ao fazer algo, pode ser incompetente ao executar uma outra ação. Isso é natural, tanto no campo do saber como no fazer. Assim como há especialistas na área de exatas, existem outros na área de humanas. Até mesmo a dona de casa, pode ser melhor ao cuidar da educação dos filhos do que cozinhar. Um exímio jogador de futebol pode ser incompetente em desenhar, ou em redigir um bom texto.

O que é necessário saber é que incompetência é apenas uma competência não trabalhada. Ou seja, uma habilidade que o ser humano possui e que não foi treinada. O ex-jogador Oscar Schmidt, apelidado como “mão santa”, não se tornou competente ao marcar um gol na mesma intensidade em que foi competente para fazer incontáveis cestas no basquete. No entanto, ele sempre teve capacidade de jogar futebol. Seria apenas uma questão de ter treinado até chegar a excelência. O mesmo pode-se dizer dos fenômenos do futebol em relação ao basquete.

Há pessoas que se justificam, como autodefesa, por não gostarem de algo como sendo incapazes de realizar aquilo. À luz da psicologia moderna, todo ser humano é capaz, à exceção de anomalias mentais ou debilitações físicas, que apenas o limita em algumas situações. O maior índice que existe é o de incompetência, do despreparo, o que pode ser desenvolvido a partir do momento que houver disposição para mudar ou desenvolver até chegar a excelência.  Então, a grande confusão é entender uma não competência como incapacidade de realização. Essa crença, ou mesmo, falta de percepção, é fator limitante para o ser humano.

Existem empresas incompetentes, que após esforços estratégicos se tornam competentes no que fazem, criam referências e se destacam. Assim como profissionais que em início de carreira são rejeitados, mas, tomam consciência de que são capazes, desenvolvem competências específicas, trabalham as imperfeições e se tornam gestores disputados pelo mercado.

Pergunte a si mesmo: No que eu sou bom? O que eu não sei fazer? Por uma questão de vaidade pessoal, existe profissional sem a humildade suficiente para declarar que é incompetente em determinada área, e se torna medíocre por não se aprimorar. O primeiro passo para uma pessoa se tornar boa no que faz é reconhecer as próprias falhas, as incompetências. Assim, fica claro e fácil para treinar e investir em si e aumentar o índice de competência. O mercado de trabalho atual privilegia as pessoas que tem o maior número de competências desenvolvidas, não apenas as técnicas, mas as comportamentais são essenciais.
A competência para negociar bem, gerar bons relacionamentos, criar oportunidades em momentos de crise, administrar conflitos, emoções, pessoas e processos. Esse é o executivo que os caçadores de talentos procuram à luz de lanterna. Segundo a UNESCO, no relatório apresentado por Jacques Delors, sobre educação pluridimensional no século XXI, são quatro os pilares da competência que o ser autônomo, solidário e competente deverá desenvolver. A Competência Pessoal (aprender a ser); a Competência Social (aprender a conviver); a Competência Produtiva (aprender a fazer); e a Competência Cognitiva (aprender a aprender).

Lembra qual foi a maior incompetência de Ayrton Sena, no início da carreira? Era a corrida na pista molhada. A chuva era o inimigo dele nas corridas de kart que o levou ao primeiro fracasso. No entanto, sabendo que era capaz, ele fez daquele obstáculo, por meio do treino constante, uma das maiores competências que marcou vitórias inesquecíveis na Fórmula I. É o reconhecimento das nossas incompetências que nos faz crescer até chegarmos a competência. Dessa forma, é a somatória das competências que permite a evolução do mundo e da sociedade.

Lembre-se disso na próxima vez que você pensar que é incapaz, verá que isso pode ser apenas um equívoco, uma competência não desenvolvida, talvez por falta de ação. Afinal, dizem que na vida, quem não sabe escrever sessenta é sempre obrigado a preencher dois cheques de trinta.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sexta-feira, 7 de março de 2014

Olhe para cima
Artigo de Jair Donato*

Qual sua visão sobre sua carreira profissional? Pois há quem vive como se estivesse em baixo da árvore e há os que conseguem ter a visão da floresta inteira. Você é o tipo de profissional que valoriza o contexto ou tem visão em curto prazo, conforma-se com o imediatismo, acostuma-se com o status atual?

Diz-se que se colocar um falcão num cercado de um metro quadrado e inteiramente aberto em cima, o pássaro, apesar da habilidade que possui para voar, torna-se um prisioneiro. Pois o falcão sempre começa o voo com uma pequena corrida em terra. Mas, sem espaço para correr, nem mesmo tentará voar e ali ele permanecerá como prisioneiro pelo tempo que lá ficar, na pequena cadeia sem teto.

E o morcego, que é notavelmente ágil no ar, não pode sair de um lugar nivelado. Se for colocado em um piso complemente plano, tudo que ele conseguirá fazer é andar de forma confusa, dolorosa, procurando alguma ligeira elevação de onde possa se lançar. Já um zangão, se cair em um pote aberto, ficará lá até morrer ou ser removido. Ele não vê a saída no alto, por isso, persiste em tentar sair pelos lados, próximo ao fundo. Procurará uma maneira de sair onde não existe nenhuma, até que se destrua completamente, de tanto se atirar contra o fundo do vidro.

Analogamente, no mercado de trabalho também existem pessoas como o falcão, o morcego e o zangão. Em muitas situações, não são as oportunidades que não existem, e sim a maneira como o profissional se posiciona, que não permitem que decole na própria carreira. Ainda há quem fica preso repetindo por décadas o que aprendeu em um ano, sem desenvolver novas competências. Até se sente magoado quando a empresa não concede a ele uma promoção, e sim a outro que ingressou na organização há pouco tempo.

Tem aqueles que se forem transferidos para  ambientes diferentes, ou que pela necessidade de mudança se veem com novas responsabilidades, ficam confusos e não sabem o que fazer. Por falta de flexibilidade não se adaptam facilmente e perdem o equilíbrio. São ágeis somente naquilo que fazem rotineiramente. A mudança para esse tipo de profissional é apenas um processo doloroso e a dificuldade de ter perspectivas diferentes advém da zona de conforto que é reforçada pela insistência em não querer mudar.

Por fim existem os profissionais que se atiram de maneira obstinada contra os obstáculos, sem perceberem que a saída poderá estar logo acima se agirem com visão ampla. No entanto, sequer procuram analisar a situação por outro ângulo. Isso se dá na maioria dos casos por falta de uma postura de imparcialidade sobre os fatos, sem considerar o contexto da situação, quaisquer que sejam elas. Perdem energia, desfocam a capacidade produtiva por insistirem em ficar no mesmo lugar, com os mesmos conhecimentos, sem olhar para cima, para frente, ou para onde houver novas possibilidades.

Olhar para cima é crescer, procurar alternativas, adaptar-se, buscar outras maneiras de se destacar na vida profissional. O perfil de gente empreendedora mostra o que é agir diferente do falcão, do morcego e do zangão, quando do nada ou de uma crise, exterioriza-se o melhor de cada profissional ao empreender uma ideia que transforma vidas e agrega valor ao mercado. Então, se você está como um falcão, mesmo que o espaço concedido a você seja pequeno e suas habilidades são poucas, invista mais em você e amplie seus horizontes. Se atua como morcego, perceba as adversidades como variáveis pedagógicas, aprenda novas competências e alce voo. Ou se percebe em si o comportamento no estilo zangão, não desperdice energia reclamando e querendo que as coisas voltem a ser como era, evite dá “murro em ponta de faca”. Não viva cercado de problemas por todos os lados, olhe para cima. Descubra seu caminho por outra perspectiva, outros ângulos, olhares múltiplos, foque o contexto.

Mesmo que esteja em baixo da árvore, vislumbre o potencial da floresta e localize onde você está no contexto organizacional. Visualizar a amplitude da floresta é uma questão de atitude. No mercado de trabalho, mediante as mudanças constantes, permanece na ativa quem sabe onde está e até onde pode chegar. Atinge resultados produtivos que se localiza e muda a rota sempre que necessário. Tem sucesso quem se adapta, aquele que aprende de novo sem apego aos hábitos do passado.

Afinal, insano é o indivíduo que deseja resultados diferentes e continua a fazer as mesmas coisas que sempre fez. Olhe de novo, veja por cima, situe-se e descubra o que pode fazer para não se tornar um prisioneiro de si mesmo, nem reclamar das circunstâncias.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quinta-feira, 6 de março de 2014

QUAL SEU GRAU DE RESILIÊNCIA? - Parte II
Artigo de Jair Donato*

E você, enxerga a si mesmo como um exemplo de resiliência? Há alguém na sua família com esse perfil? No artigo anterior foi abordado sobre habilidades que contribuem para desenvolvimento dessa competência. São vários os significados dados por estudiosos para explicar o que é resiliência, e um dos mais evidentes é superação. É claro que quanto maior o grau de resiliência, maior é a força para superar, pois quem supera facilmente é devido a resiliência que possui. No entanto, vejo que resiliência possui significado mais amplo que superação. Por exemplo, se um atleta treina bastante e a cada dia suplanta os recordes anteriores, tornando-se mais forte, competitivo e chega a vencer os próprios limites, isso é superar. Mas se esse mesmo atleta, na carreira ou na vida, sofrer perdas físicas, materiais, afetivas, emocionais ou psicológicas, e voltar a si sem se macular, não se desgastar internamente com isso, então ele é resiliente.

Há pessoas que com a perda de um ente querido, de um emprego ou qualquer outro aspecto valioso na vida, não se recuperam por décadas, outras se deprimem até o fim da vida. Há aquelas que até se levantam para sobrepor resultados anteriores, contudo, permanecem carregadas de ressentimento, vingança ou qualquer outro sentimento autodestrutivo; essa energia não é resiliência. É importante ressaltar que todos possuem a capacidade de se tornar resiliente, trata-se de uma competência comportamental. Porém, o que difere de um para outro é o grau individual que varia de acordo o ambiente, a cultura e as referências internas de cada um, mediante os acontecimentos na formação da história do ser.

Existem casos de pessoas que mesmo com a perda de membros físicos, ao terem pernas ou braços amputados, não se deixaram abater-se por lesões psicológicas, elas não só se levantaram e superaram, foram resilientes. Há quem após ter uma “unha decepada”, se inquieta e passa a remoer tal fato por longo tempo, em detrimento a outros que vivem sem braços e aproveitam a vida tirando as melhores conclusões dela. É importante considerar que o tempo e uma série de outros fatores, como apoio social, família, fé, valores internos, são importantes para que o indivíduo que for ocasionado por uma situação de perda, seja de que natureza for, se reconcilie e consiga em tempo curto ressignificar o fato. Resiliência, melhor definindo, é uma questão de reconciliação, é estabelecer a harmonia e voltar a naturalidade.

Um caso que retrata bem o exemplo de resiliência foi o ocorrido com uma professora carioca, no ano de 2003, quando teve as duas pernas extirpadas pelas hélices de uma lancha que colidiu com o banana boat em que passeava numa praia do litoral do Rio de Janeiro. Ela não foi socorrida pelo infrator, que ainda tirou a vida de um estudante de 16 anos no mesmo acidente. A professora relatou que ficou chocada e triste, sentiu-se violentada, o que é normal devido ao choque, ademais ela é humana. Para ela andar durante a recuperação foi difícil, caiu várias vezes em diversos lugares ao tentar sair sozinha, pois houve uma perda, mas logo ela ponderou que não teria mais as pernas de volta, portanto não adiantaria ficar na cama chorando. Foi aí que ela decidiu usar e energia dela para mudar o roteiro da própria história. Afinal, tinha de cuidar da família e de si mesma.

Mas a vida para ela não parou por aí. Essa mulher surpreendeu muita gente pelo otimismo que encarou tal situação. Ela relatou que o marido, a família, os filhos e a espiritualidade foram fundamentais como apoio para a recuperação que teve. Certa vez uma repórter perguntou se ela não tinha momentos de tristeza. Ela disse que sim, mas não entrava em depressão. Sempre que percebia um pouco de tristeza, ela dizia a si própria para levantar a cabeça. Essa é uma postura que nem todas as pessoas conseguem manter, devido ao grau de resiliência que possui.

Houve momentos cruciais na vida dessa professora. Um deles foi na hora do acidente, quando ela viu e sentiu uma perna sendo cortada, a ponto de exclamar a Deus que tirasse a outra, mas que não tirasse a vida dela, e permaneceu lúcida durante todo o tempo. Outro momento marcante foi quando ainda no hospital, ela recebeu a primeira visita do marido que só conseguiu visita-la após um período, e quando adentrou no quarto, chegou chorando. Ela então pediu a ele que não chorasse e que não se prendesse ao que ela tinha perdido, mas sim ao fato dela estar viva. Ela frisou a ele que só havia perdido as pernas, nada mais. E preferiu não entrar em depressão para não prejudicar a própria família, que a princípio ficou chocada. Talvez esse exemplo deixa bem claro o que é ser resiliente. Foi o poeta Carlos Drummond de Andrade quem disse que “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional”.

Então a professora preferiu viver sem o sentimento de perda. Já no carnaval do ano seguinte ela desfilou na escola de samba Tradição mesmo na cadeira de rodas, e foi aplaudida pelo exemplo. Ela relatou que a ocorrência desse episódio na vida dela a fez deixar de ser apegada a coisas materiais e se tornou menos ciumenta. Despertou a vontade de ajudar outras pessoas amputadas e trabalhar para defender os direitos dos deficientes. Após ganhar uma bolsa para cursar fisioterapia numa Universidade, idealizou abrir uma clínica e doar próteses a quem não tem condição de pagar. Depois que muita gente passou a procura-la para dizer que recuperou a vontade de viver após de conhecer a história dela, entendeu que tinha uma missão maior do que antes.

Também numa visão institucional, empresas resilientes são aquelas que mesmo frente à concorrência, à mudança de mercado ou crises internas, conseguem dar a volta por cima, sobressaem a momentos difíceis por meio de planos estratégicos, investimento e, principalmente, com visão de futuro e esforço. E ao avaliar habilidades e competências de uma equipe, a resiliencialidade é um comportamento importante para a promoção de líderes, assim como para conquista de novas oportunidades. Afinal, como tem sido o seu comportamento, esse elástico aspecto da individualidade, frente às crises?


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br
QUAL SEU GRAU DE RESILIÊNCIA?
Artigo de Jair Donato*

Ao partir do princípio de que o ser humano pode desenvolver a competência da maleabilidade e da flexibilidade para se adaptar ao meio em que vive, quero abordar sobre um tema cuja necessidade está meio empresarial e nas relações interpessoais e que merece reflexão por parte daqueles que vivem sob pressão. E quem não vive? Trata-se da resiliência. Ou seja, da capacidade que o indivíduo possui de viver em ambiente insano e fazer dele um espaço para crescimento pessoal e profissional, sem descompensar-se. Fundamentalmente, é viver no “inferno” e manter-se tranquilo, com serenidade suficiente para não perder o equilíbrio psicológico ou emocional.

Resiliência é um termo que vem da física e se refere ao objeto que, mesmo após ser submetido ao choque, tem o poder de retornar ao estado natural e se recuperar. São exemplos uma mola ou uma vara de salto, que após forte pressão e envergaduras, se recuperam sem lesão. Contudo, este é um tema que perpassou a física, de onde se originou e possui abordagens por outras áreas da ciência. A biologia defende o ponto de vista genético, ao afirmar que cada ser humano é dotado de um potencial, sendo uns mais resistentes que outros. A psicologia enfatiza as relações familiares, sobretudo na infância, período em que se sedimenta a capacidade de suportar determinadas crises e de superá-las. A sociologia considera que a as questões culturais, o ambiente e as tradições são influências que constroem a capacidade resiliente no individuo que o faz sobrepor às adversidades.

Para os especialistas a resiliência é o que o senso comum denomina como “dar a volta por cima”. O comportamento resiliente molda-se a cada situação e obstáculo, frente as necessidades de mudança e tudo continua normal, sem máculas. Uma pessoa resiliente pode sentir dor, mas não traduz isso como sofrimento. Ela se abate, mas não facilmente, não culpa os demais por aquilo que não deu certo, tampouco perde o entusiasmo perante a vida. Age sempre com ética e coragem, com bom humor e sabe tirar lições positivas de tudo que ocorre ao redor dela.

Nas relações do mundo corporativo este conceito é considerável, pois se trata de como o comportamento humano se dá mediante determinados estímulos. Qual o impacto na vida de uma pessoa que não consegue ser resiliente ante as pressões do dia-a-dia seja nos negócios, frente ao mercado competitivo, ou mesmo na relação familiar? O contrário de ser resiliente talvez possa se traduzir em diagnósticos de doenças como câncer, tumores, sintomas gástricos, alto índice de estresse, sendo reflexo de mágoas, frustrações e ressentimentos, resultados da somatização do que acontece alheio às expectativas pessoais e profissionais de cada indivíduo.

Pessoas com pouca resiliência geralmente possuem baixo índice de inteligência emocional. Estouram fácil, em face de mínima hostilidade no ambiente de trabalho. Perdem oportunidades de se colocarem onde realmente deveriam estar. No entanto, ser resiliente é mais que controlar as emoções. Trata-se da capacidade de resignificar fatos, processos, ambientes e atitudes. É mais do que apenas aceitar, ser tolerante ou condescendente. É compreender e viver em harmonia. Existem fatores determinantes para o sucesso de quem vive nas organizações. Dentre eles, a pró-atividade, a eficácia e a flexibilidade ante as mudanças. E mais, comunicação, adaptabilidade, criatividade, capacidade de negociar, gerir processos e entender de gente. Desenvolver essas habilidades e competências é um dos caminhos da excelência. E, se não houver capacidade de recuperar-se e manter o poder de solução, o ser humano não resiste a tudo isso. Resiliência pode ser uma competência adquirida.

Pessoas não resilientes são como portas enferrujadas, que rangem e não mudam. O pensamento unilateral e a resistência às mudanças não fazem parte das pessoas que sobressaem de situações difíceis na vida, sem macularem a si ou aos demais. A capacidade de resistir às adversidades, desde tempos remotos, foi o diferencial dos grandes líderes e estadistas que o mundo já teve. Fatores sociais e crises nos negócios podem ser vistos sob uma ótica mais rarefeita pelas pessoas que possuem uma visão de resiliência. Geralmente se tornam mestres na arte de lidar com contratempos.

Vivemos em um contexto de fortes prismas sobre a espiritualidade. A resiliência talvez seja o fator primordial para compreensão acerca de uma convivência holística entre o ser humano, o meio ambiente e a biodiversidade que o cerca. Afinal, nem tudo é só pressão. Vivemos numa realidade que pode ser insana e agitada. Mas é também o mundo dos desafios e das conquistas para quem nele vive e enfrenta as dificuldades. E pressão não é sinônimo de sofrimento. Caso fosse, o que seria de nós sem a lei da gravidade? O resiliente, esse ser elástico e flexível, sabe disso. E você, enxerga a si mesmo como um exemplo de resiliência? Continua no próximo artigo.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 5 de março de 2014

PREDADOR DE POLVO SOFRE
Artigo de Jair Donato* 

Ao fazer uma analogia entre os seres vivos pelo processo da seleção natural, no que concerne ao comportamento humano, estabelece-se uma importante reflexão na história da evolução do homem. Segundo a teoria da seleção natural de Charles Darwin, para explicar a adaptação e especialização dos seres vivos, as mutações genéticas podem ser repassadas aos descendentes. Dessa forma, cada nova geração tem uma herança genética colocada à prova pelas condições ambientais em que vive; mecanismos comprovados ao longo do tempo através das evidências fósseis.

Logo, aqueles seres que permanecerem apenas com características originais, assim como variações inadequadas dentro do ponto de vista da adaptação, deverão desaparecer no decorrer da história, conforme os descendentes que as possuem vão sendo substituídos pelos parentes mais bem sucedidos.

Analogamente, o mesmo processo ocorre dentro das organizações, ambiente em que muitos profissionais se estagnam, deixando de promover a carreira profissional por não se adaptarem às constantes mudanças no mercado, tais como convivência com novas regras, novas tecnologias e o desenvolvimento de múltiplas competências, voltadas para resultados produtivos e alto nível de competitividade. A convivência entre as gerações X, Y e Z retratam essa analogia, porque as pessoas e o ambiente mudam, e cada vez mais velozmente.

No convício social e na família é semelhante. As pessoas quando se portam mais pela resistência em ceder e não se tornam empáticas, agem como se de tudo já soubessem, sem ter compreensão ao se relacionarem com as outras, mesmo que sejam familiares ou íntimas, facilmente se tornam aversivas e pouco aceitas. No processo de desenvolver pessoas, seja ao criar filhos ou desenvolver equipes, se quem tiver à frente valer-se apenas de regras antigas, não maleáveis, não respeitar as mudanças culturais e as novas maneiras de comportamento, a rejeição por esse tipo de liderança se tornará cada vez maior, até o afastamento ou abolição dela.

A história da seleção natural dos seres vivos mostra o que ocorre com quem se porta como inflexível. Darwim elucidou que não é a mais forte nem a maior, ou a mais inteligente das espécies a que sobrevive na natureza. Mas sim aquela que mais se adapta às mudanças, ao meio. As minúsculas baratas, por exemplo, se estão em toda parte é porque resistiram às transformações, no decorrer do tempo, desde há milhões de anos. E os brutamontes dos dinossauros, onde estão? Por que sumiram todos? Afinal, eram tão fortes e enormes, não é mesmo? Hoje, sabemos que existiram devido aos fósseis seculares.

Todas as espécies passam pelo processo de adaptação ao longo do tempo para garantir a sobrevivência no meio ambiente, inclusive o homem. Mas, por que ele resiste tanto às mudanças? Dentre os vários fatores que podem contribuir para esse fato, destaca-se o comportamento que possui e, cuja limitação se dá muitas vezes por variáveis subjetivas. Geralmente, baseadas em crenças míopes, paradigmas retrógados, as pessoas se recusam em investir mais em si mesmas, não desenvolvem novas habilidades, tampouco valorizam o conhecimento em decorrência das necessidades externas, que são as demandas do mundo natural, por vezes insano.

O polvo é um molusco exemplo de adaptabilidade. Ele vive no ambiente marinho e possui várias formas de se defender dos predadores. Quando percebe a presença do inimigo, libera substâncias escuras para despistá-lo, enquanto muda de local. Se o predador segura-o por um dos oito tentáculos que possui, ele foge e deixa o tentáculo para trás, em seguida nasce outro; caso resolvido. Ele ainda camufla, pois possui pigmentos na pele que o faz ficar da cor do coral, da areia ou da pedra em que se encontra na hora que o inimigo surge. Há momentos e que o predador está bem próximo e ali tem um cardume, ele fecha os tentáculos, assume a forma de peixe e vai embora junto com a mesma cor dos transeuntes. Há ainda o polvo-véu, que libera uma membrana que aumenta o próprio tamanho, como se fosse enorme, isso provoca medo no predador que logo foge. Contudo, ele não perde a característica de polvo, apenas garante a sobrevivência através do processo de adaptação.

E você, tem sido um profissional polvo ou jurássico? Pessoas inflexíveis sofrem, adoecem e com o tempo extinguem a si mesmas, seja do mercado de trabalho ou do convívio social, e assim permanecem até o fim dos dias. Contudo, ser flexível e adaptar-se às mudanças não significa descaracterizar-se, não implica em perda de personalidade, é preciso saber mudar. Talvez as melhores lições que os líderes nas empresas e os profissionais que administram carreiras possam tirar da constatação darwinista, sejam a flexibilidade e adaptabilidade. Para quem ainda não sabe o significado destas definições, basta entender que o contrário delas pode ser a extinção. Mas, o ser humano resiliente adapta-se em qualquer que seja o ambiente. No entanto, esse é o assunto do próximo artigo.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br