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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

QUAL LÂMPADA VOCÊ É?
Artigo de Jair Donato

Você já se atentou para o fato de que a lâmpada só emite calor porque antes ela esquenta? Caso tenha em sua mão uma lâmpada fria, não haverá luz, porque nessa condição não há liberação de energia em forma de calor. O mesmo ocorre quando uma pessoa expressa algo em que ela mesma acredita ou sente, pois tudo acontece antes, nela, como ponto de partida. Analogamente, convivemos com pessoas no cotidiano que se assemelham às lâmpadas frias, gente que age sem emoção e sequer acredita no que diz, tampouco transmite confiança ou gera credibilidade pelo que faz.

Não é difícil constatar esse fato. Lembra-se da última vez que você se expressou explicitamente, com sinceridade? Recorda-se do ambiente e do clima gerado na ocasião? Pode ter sido um pensamento, um sentimento ou mesmo uma palavra, como foi que isso vibrou em você? Através dessa análise poderá perceber a alteração que houve no ritmo da voz, a emoção provocada, se ficou trêmulo ou simplesmente acreditou no que expressou. Descubra o que realmente fez com que você transmitisse confiança. Quando há coerência entre o que você expressa e o que você acredita, sente ou vivencia, é semelhante ao calor que gera aquecimento e irradia luz.

Sabe por que ocorrem tais sensações? Porque você se esquentou antes de transmitir o calor, ou seja, houve verdade, congruência na expressão. Por isso é importante controlar o que se expressa no cotidiano, nas relações interpessoais e nas tomadas de decisão. Pois se o que comunica for de aspecto negativo, se há fricções como momentos de raiva, decepção ou frustração, isso pode esquentar tanto você por dentro, e não apenas alterar a temperatura do corpo, mas altera seu próprio destino, provocando-lhe mágoas e ressentimentos a ponto de queimar-se por internamente, o que não gera energia equilibrada para emitir luz, atraindo doenças de origem psicossomática como resultante desse desequilíbrio.

No entanto, quando as pessoas expressam palavras, sentimentos e pensamentos agradáveis, elogiosos e amáveis, o calor gerado produzirá mais disso, as relações se tornam duradouras e saudáveis, seja no ambiente de trabalho, na família ou no convívio social. Quando há expressão com o intuito de ajudar verdadeiramente o outro, com a vontade de contribuir para o desenvolvimento do próximo, a luz própria de cada um conseguirá iluminar mais do que qualquer irradiação externa que haja no ambiente, sem reflexo ou sombra.

O calor dessa luz pode ser um sorriso verdadeiro, um abraço fraterno, uma palavra encorajadora, um elogio sincero, uma atitude criativa, um pensamento entusiasta, um desejo altruísta, tudo irradia calor e luz. Dentro de uma empresa, aquele que emite o calor que aproxima, consegue exercer liderança que agrega e conduzir equipes produtivas. Saber expressar palavras encorajadoras, adotar postura otimista, agir com naturalidade são maneiras de aquecer os relacionamentos e gerar animosidade.

Atualmente, um dos principais temas trabalhados nas organizações é a humanização no atendimento. O que hoje fideliza o cliente é o atendimento caloroso. Existe uma intensidade variável que é atingida quando o profissional aborda um cliente. Pesquisas mostram que se há animosidade na abordagem, há uma energia de bem-estar e satisfação que perpassa o coração do cliente. Contudo, quando o atendimento é frio, semelhante a uma lâmpada sem calor, não há motivos para que o cliente volte àquele local ou em ser atendido pela mesma pessoa. Da próxima vez que você estabelecer uma comunicação, ansiar por um resultado, e frustrar-se com suas expectativas, perceba se está expressando-se por completo, se emite calor na sua maneira de interagir consigo mesmo, com as pessoas ao seu redor e com meio ambiente em que vive.

O que você tem feito na vida para que seu nome seja lembrado? Você emite energia, calor e luz na maneira como interage e se relaciona com as pessoas e com os seus objetivos? Lembre-se que o filamento ideal que pode aqueçer sua vida está na maneira como você se orienta através da sua atitude e dos próprios atos.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, escritor, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, escritor, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

MERCADO DA DISRUPÇÃO
Artigo de Jair Donato

O que as novas modalidades para os negócios já existentes apresentam ao mercado de trabalho cada vez mais inconstante e competitivo? Ameaças ou oportunidades? É inegável que as diferentes formas de movimentar a economia fazem parte da única certeza que a realidade do mundo descontínuo em que vivemos, que são as mudanças.

Disruptivo torna-se então um termo cujo significado se adequa bem ao cenário atual no mundo dos negócios. Uma inovação disruptiva não é apenas uma revolução. Ela contextualiza um avanço inesperado com forte impacto nos produtos e serviços. Ou seja, quando surge uma nova maneira de desenvolver negócios que ameaça ou até mesmo interrompe o curso normal e cíclico daquilo estabelecido anteriormente, isso causa uma disrupção. Advindo da eletricidade, aquilo que é disruptivo tem como característica o rompimento e a alteração de um estado. No mundo organizacional o termo pode ser atribuído a um serviço ou produto que surge de uma inovação tecnológica capaz de derrubar ou provocar mudanças numa tecnologia que já vem sendo praticada no mercado.

Durante anos, como exemplo, o serviço de táxi se tornou uma alternativa constante na prestação de serviços aos consumidores. Isso durou até que surgisse um aplicativo que mudou esse contexto e passou a desestruturar um meio replicado a décadas. Mas a velocidade das mudanças é um atributo cada vez mais rápido. Talvez eu não fale especificamente do Uber ou do Yet Go, que em breve esses dois também poderão ser superados por outra maneira que mais agrade ao consumidor, talvez até introduzida pelos próprios taxistas. É importante pensar na velocidade em que as mudanças ocorrem e na proporção do surgimento das novas oportunidades. E isso pode ocorrer em todas as áreas, seja nos negócios ou na vida.

Como será que ficaram os fabricantes e vendedores de lampiões a gás quando se propagou pelo Brasil o uso da energia elétrica no início do século XX? Foi também a época em que os bondes deixaram de ser puxados pelos burros em detrimento dos bondes elétricos. Antes, como a americana Ford teve que reagir devido a cultura de não fabricar carros além da cor preta ao ver a GM chegar nos EUA e fabricar carros com cores variadas? As pessoas do cinema mudo tentaram não acreditar na ideia de que o cinema falado vingasse. Quando surgiu a TV, o que disserem os profissionais do rádio? E com o advento da Internet, que sensação permeou nos profissionais do jornal impresso? Como é que ficaram as grandes locadoras de fitas de vídeo e dvds quando surgiram netflix e correlatas?

Não há dúvidas que todos tiveram que passar pelo processo da adaptação, se descongelarem da zona de conforto antes criada para atuarem em novos paradigmas. Há segmentos que aprenderam a conviver com outros, e se dão bem, incorporaram-se. Rádio, TV, jornal impresso e eletrônico, livro impresso e digital se dão bem, cada um com seu espaço. Outros deixaram de existir pela resistência e inadequação. As escolas e professores exímios de datilografia, onde estão? Os hábeis cortadores de cana, em função da informática e das colheitadeiras modernas, tiveram que mudar o curso no mercado de trabalho. Enfrentar as mudanças é um processo doloroso, requer esforço, determinação, reinvenção, mas é indiscutível.

A verdade é que para você se libertar de velhos hábitos exige-se esforço contínuo, será preciso alta performance e muito preparo. Os que não se libertam disso só reclamam. Pode ser que uma parte de você fique indignada com sua decisão de fazer diferente. Mas, é daí que surge a resistência. Uma situação distuptiva não é necessariamente um negócio novo, mas é fundamentalmente fazer algo de maneira diferente e com mais velocidade do que antes. Da TV preto e branco para o surgimento da colorida demorou em torno de 30 anos. Hoje, um aplicativo lançado no mercado é atualizado quase que instantaneamente. Essa é a principal característica das mudanças do passado para o cenário atual, a velocidade.

Disrupção é uma fase de descongelamento para a mudança, a revolução de um paradigma do velho para o novo. E você está preparado para isso? Além de flexibilidade, resiliência e adaptabilidade, quais competências o mercado poderá exigir de você nos próximos anos? Há quem prefere fazer qualquer outra coisa, menos mudar. Afinal, vale bem mais uma postura de reflexão do que de resistência.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, escritor, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, escritor, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br