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terça-feira, 30 de dezembro de 2008

UM 2009 CHEIO DE ENERGIA VERDE



Artigo de Jair Donato

No decorrer dos últimos anos o mundo tem sido palco de discussões sobre as mudanças climáticas e fez avaliações sobre o aquecimento global, as causas e os efeitos desse fenômeno inconveniente, provocado pela ação humana. Embora os principais países ditos ‘desenvolvidos’ ainda preferiram se portar como meros espectadores, sem o intento de atuar na mudança de paradigmas ecologicamente corretos.

No entanto, outros países começam a repensar sobre como fazer diferente, a exemplo do Brasil, que trilha por um roteiro de nova interpretação na área ambiental, embora ainda necessite de sincronia entre planejamento, consciência e ação, por parte do governo, das empresas e da população. Ações efetivas com foco na sustentabilidade, num planeta cujo aumento populacional é significativo a de alto consumo, pode ser a saída para a garantia de qualidade de vida às gerações futuras.

É preciso estabelecer um novo paradigma econômico mundial com foco sustentável. As matrizes energéticas precisam ser revistas para que as demais ações de conservação e preservação surtam efeito, como é o caso das florestas. “Do ponto de vista das mudanças climáticas, só vale a pena preservar se mudar a matriz energética mundial, com redução do uso de combustíveis fósseis”, declara o pesquisador Antonio Manzi, gerente-executivo do projeto Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA).

De acordo com especialistas do clima, o maior risco de perda da Amazônia pelo aquecimento global, não é pelos desmatamentos e queimadas, que representam 20% das emissões de gases poluentes, como o CO². Mas, principalmente pelo uso exacerbado dos combustíveis fósseis usados no mundo inteiro. Países como a China, cujo percentual gira em torno de 85% em relação ao uso de energia suja, vinda do carvão, precisam rever as formas de ganho agora para que o clima na Terra não altere tanto, já que reduzir o que está quente é impossível.

Mas, espere. Essa não é nenhuma transferência de responsabilidade. Isso não é aval para descuidar das nossas florestas, provocar aumento nos processos industriais, consumir exageradamente, dentre outros fatores, só porque o maior vilão é o setor energético fóssil. Cada habitante agora se torna ainda mais responsável pela contenção da larga emissão de gases poluentes. A Amazônia está em risco sim, mas o mundo inteiro também, e todas as demais formas de vida. Isso é um alerta e não uma previsão, define a linguagem científica atual.

Não são poucas as propostas para gerar energia renovável a partir de recursos com baixo impacto ambiental ou zero, que podem vir do sol, do vento, dos recursos hídricos, além do biogás, da biomassa, da geotérmica dentre outros. Investir em energia limpa, um recurso em constante renovação, é um assunto que começa a fomentar a economia mundial em grandes proporções.

Trilhões de dólares serão investidos no setor de ‘energia verde’ nos próximos anos. E o tempo é curto, segundo alerta dos cientistas e da Organização das Nações Unidas. Em quinze anos, no máximo, o mundo precisa de um conjunto de ações sustentáveis, dentre elas, o estabelecimento de novas fontes de matrizes energéticas. Falar de energia limpa no contexto ambiental atual é discutir sobre a vida no planeta. Em casa, cada um pode contribuir ao fazer o uso da energia que tem disponível, com racionalidade, mesmo que venha de fontes hídricas, como no caso do Brasil.

Continuo acreditando que o mundo mudará mais rápido pela mudança, antes, da consciência de cada um, pelo consumo racional da energia, pela reutilização, pela preservação e conservação dos recursos naturais, com redução de desmates e queimadas e pelo desenvolvimento sustentável. Esse é o maior desafio para todos em 2009 e nas próximas décadas. Neste novo ano, muita energia verde a todos!

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

TEMPO CURTO


Artigo de Jair Donato
A Era do acerto de contas já começou. A humanidade parece que ainda está numa encruzilhada e sem saber o que fazer. Mas, andar bem rápido é o caminho. O alerta que vem sendo dado pelos mais de 2500 cientistas do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU e tantos outros de várias partes do mundo, aponta de forma direta que o mundo está diante de uma irreversibilidade, cuja responsabilidade é humana, sem escapatória.

O conjunto de valores e interesses cultuados pelo capitalismo do ganha-perde, especialmente após a segunda metade do século XX, tem produzido efeitos que já excederam os limites da biosfera. O real impacto causado pelo aquecimento global, isso ninguém sabe até aonde vai. Mas, as conseqüências já não são opcionais, todos começam a pagar a conta pelo inconseqüente abuso dos recursos naturais e da poluição exacerbada do meio ambiente.

Regiões inteiras ao redor do mundo desaparecerão deixando muita gente sem moradia, alimentação e saúde. Os países precisam reinventar os estilos de gestão, produção e consumo. Os aspectos desastrosos ocorrem numa reação em cadeia e não estão ligados apenas a crise financeira, como também as questões relacionadas a segurança alimentar, a fome, a desnutrição, ao aumento de doenças contagiosas que ultrapassa os limites das regiões tropicais, a moradia, dentre outros fatores. Tudo isso se agrava mais rapidamente em função das alterações climáticas.

A ONU estima que em 2050, o planeta com cera de 9 bi de pessoas, terá 200 milhões delas como refugiados ambientais, ou seja, gente sem casa, sem terra, sem cidade e milhões sem identidade cultural, devido as mudanças climáticas. O mundo precisa agir num tempo muito curto. E as mudanças devem começar agora, em casa, no dia-a-dia, na rua, na empresa, no acompanhamento dos trabalhos dos representantes políticos e, principalmente, na atitude de cada um, através de comportamentos e de ações com foco sustentável.

As políticas governamentais e a governança corporativa precisam se tornar mais atuante. São vários os cases ambientalmente corretos que começam a surgir justamente nos países em desenvolvimento, a exemplo do Brasil que, embora precise levar mais a sério os interesses político-ambientais, já tem uma boa imagem frente a outros países altamente poluidores e pouco empenhados em mudar a forma de sustentação econômica, quando se trata do cuidado com os recursos naturais.

A humanidade, em poucas décadas, está diante de fatos que em outras eras de aquecimento do planeta, demorariam centena de milhares de anos para chegar, tamanha é a agressão humana na relação com o meio em que vive. A razão disso tudo? Interesses meramente vis e mercantilistas, sem garantias sustentáveis para o planeta e para as gerações presente e futura.

No entanto, em meio a toda essa turbulência, começam a surgir boas notícias também. Iniciativas dos governos de diversos países, inclusive do Brasil, como também planos de ação movidos por organizações corporativas então sendo implantados. Pois há um caminho que sugere solução para as gerações presentes e futuras, que se mostra viável. É o da sustentabilidade. É o que pode readaptar o estilo de vida do homem na Terra e sustentar uma nova economia, um convívio social mais adequado às mudanças ambientais.

O ambientalista Al Gore diz que as pessoas se acostumam a pensar em mudanças tendo como referência um período muito curto, como uma semana, um mês, um ano, e no máximo, um século. Ele afirma ainda que a maioria das pessoas ainda não consegue enxergar na relação do homem com a natureza a profunda transformação que houve no novo padrão que se estabelece, em parte porque isso é global, e todos não estão acostumados a ter uma visão espacial. A maioria ainda vê e se preocupa só com o local onde está, com o ‘próprio umbigo’, como se fosse uma ilha.

Muita gente pode achar que não é tão seria a necessidade de mudar o estilo de vida. Os riscos potenciais que corre a humanidade talvez ainda não seja compreendidos por muitos. Mas, é a capacidade de cada habitante viver na face da Terra que está em risco.O que pode diminuir todo o impacto que ainda está por vir, certamente é a ação humana, em contraposição a tudo que já foi destruído até agora. O tempo corre e o que não convém daqui por diante é a resistência em mudar.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

O VIDRO, O ESPELHO E O MEIO AMBIENTE



Artigo de Jair Donato

A cada dia fica mais próximo do prazo que os cientistas mensuram como crucial para que o mundo reformule a maneira de consumir energia, de utilizar os recursos naturais, de tratar a terra, de preservar e conservar os biomas e, principalmente da mudar o estilo de vida e o hábito de consumo. Mais que políticas públicas, é fundamental que haja uma reformulação no modo de pensar do homem, que se estabeleça uma consciência ética e moral sobre a forma de viver neste planeta que já não está tão limpo.

Conta-se que certa vez um jovem muito rico foi ao encontro de um Rabi e pediu-lhe um conselho para orientar a vida que levava. O Rabi conduziu o jovem até a janela e perguntou:
- O que você vê através dos vidros?
- Vejo homens que vão e vêm e um cego pedindo esmolas na rua. Então o Rabi mostrou-lhe um grande espelho e novamente perguntou:
- Olhe neste espelho e diga-me agora o que você vê?
- Vejo a mim mesmo.
- E já não vê os outros, acrescenta o sábio. Repare que a janela e o espelho são feitos da mesma matéria-prima, o vidro. No espelho, porque há uma fina camada de prata colada ao vidro, você não vê nele mais do que a si mesmo.

Pode-se fazer uma analogia do ser humano ao vidro e ao espelho. Uma pessoa de consciência vê os outros, assim como vê o meio ambiente em que vive, conserva e preserva-os, e tem consideração por eles. A outra, coberta de prata, egoísta e pobre de espírito, vê apenas a si mesma. O real valor do ser humano se manifesta cada vez que ele tiver a coragem de arrancar o revestimento de prata que tapa os próprios olhos, para poder, assim, de novo ver, amar e respeitar o que o cerca.

Quanto à historinha acima, complementa o sábio, que todos vivam como fossem anjos de apenas uma asa. E só é possível voar quando abraçados uns aos outros. A analogia do espelho pode ser comparada à cegueira do mercantilismo que assola o delírio inconsciente da humanidade pelo capitalismo, o acúmulo para poucos em detrimento da perda do social e da natureza, em nome de um crescimento econômico em curto prazo, sem se importar que o meio ambiente é que externa a vida a todos as espécies no planeta. Imagina o mundo sem água, com ar e terra contaminados. Quem sobreviveria?

O grande espelho que rebate a luz solar em demasia na Terra, formado pelas geleiras como as do Ártico, da Groenlândia e da Antártida, estão se esvaindo devido ao aquecimento global. Essa é uma troca errada. O maior espelho que deveria ser quebrado e reciclado em vidro transparente está no interior do ser humano. O mundo precisa de uma consciência límpida, clara, de visão em longo prazo e consideração ao meio ambiente natural em que cada um vive.

Espero ver a janela de cada um aberta para a necessidade do outro, dos arredores que precisam do verde, da água, do solo e do ar, cada vez mais renovados, limpos e adequados a um clima melhor no planeta. Essa janela é da alma, da consciência, que passa pela porta da sensibilização e do cuidado com a vida, que se parece muito frágil e precisa ser pensada em longo prazo A capacidade do ser humano viver no planeta dignamente merece cuidado.

Uma necessidade urgente que o mundo tem é o aumento de fontes de energias limpas. Esse é um desafio, que pode alterar o ritmo da economia temporariamente, mas garante a sustentabilidade do planeta, apesar de ser um grande negócio. E essa é uma equação matemática, pautada na moral, na ética e nos princípios que os países, governos e sociedade devem ter.

E, as conseqüências provindas desses fatos são irreparáveis. Para evitar tragédia maior, é necessários que nos próximos 15 anos, governos e empresas de todo o mundo estabeleça padrões consideráveis de redução de gases poluentes na atmosfera, principalmente em relação ao uso dos combustíveis fósseis, alem de evitar e controlar as queimadas e os desmatamentos, também vilões.

O Ministério do Meio Ambiente se prepara para lançar o primeiro Plano Nacional sobre Mudança do Clima brasileiro (PNMC), conforme afirmou recentemente o ministro Carlos Minc, que vai ser apresentado na Conferência do Clima da ONU, na Polônia, em dezembro. O Brasil, mesmo tendo assinado o Protocolo de Kyoto e poluir menos através do uso da energia, poderá contribuir muito mais ao estabelecer políticas mais veementes e ambientalmente corretas. O gargalo do País ainda está na terra, quanto aos desmates e queimadas ilegais.

Uma boa perspectiva mundial é que o novo presidente que assumirá a economia americana a partir de 2009, Barak Obama, parece que vai mesmo contribuir para as mudanças no clima. Ao menos durante a campanha à corrida presidencial, o combate às mudanças climáticas foi um dos principais pontos da campanha dele. O mundo vislumbra por um novo cenário mundial, rumo a um futuro climático correto.

Obama promete aprovar um sistema de comercialização que limita o total de emissões voltar às emissões de 1990 até 2020, após vários anos de omissão do atual e findo governo Bush, em nome de uma falsa economia, que agora começou a derrocada. A Europa, por exemplo, já leva a sério meta de redução de 20% das emissões até 2020.

O maior entrave que talvez não permita que se separe a fantasia do fato, o joio do trigo, o espelho do vidro, seja a falta de postura ética, quando se trata das alterações climáticas no planeta.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

RUPTURA AMBIENTAL


Artigo de Jair Donato
O médico austríaco fundador da Psicanálise, Sigmund Freud, afirmou que “O homem não é o centro nem de si mesmo e que a consciência é apenas a ponta do iceberg de seu mundo inconsciente”. Essa ruptura existencial talvez seja a maior causa da falta de consciência e do corte na relação que o homem tem com o meio ambiente em que vive, principalmente quando se considera o alto índice de poluição no planeta pelo uso exacerbado dos recursos naturais.

Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio e as que estão na foz? Certo autor usou essa pergunta para apresentar uma analogia muito interessante sobre a pedra e o ser humano. Acontece que as pedras enquanto permanecem na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas. E à proporção que elas vão sendo carregadas pelo rio, sofrendo a ação da água e se atritando umas com as outras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas.

As arestas vão sumindo. Elas ficam mais orgânicas, menos toscas, mais suaves, lisas, e o melhor, vão ficando cada vez mais parecidas com as outras, sem necessariamente serem iguais. Quanto mais longo o curso do rio, mais evidente é o fenômeno. O incrível é que a mesma coisa parece acontecer na vida do ser humano. Somente se ele se permitir estar em contato com as pessoas, sendo conduzido pelo rio da vida, no “atrito positivo”, no relacionamento com o próximo, com respeito à natureza, é que vai eliminando arestas, desbastando diferenças, parecendo-se e harmonizando-se mais uns com os outros, sem necessariamente perder a identidade que possui.

È claro que alguns desses contatos e atritos podem deixar marcas e tirar lascas, são as experiências. Mas, possivelmente um coração sem marcas será um coração que não amou, que não viveu. Um coração com sentimentos como o amor, o respeito ao que estiver próximo e a si mesmo e com valores como a ética e a reciprocidade, é como o tempero da existência. Sem isso a vida seria monótona, árida. O fato é que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro, sem a existência do ambiente ao redor, sem o contato com que existe à volta de cada um.

Passar pela vida sem se permitir o contato próximo com os demais, com as outras formas de vida, sem destruí-las, não crescer, não evoluir, não se transformar é o mesmo que começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa, sem aprendizados. O homem está por aqui há tão pouco tempo, se comparado ao período de formação da Terra, e já provocou rupturas irreversíveis pelo excesso, pela ganância e por um mercantilismo barato.

Muita gente começa a jornada da vida como grandes pedras, cheia de excessos, e continuam assim, sem perceber a necessidade que tem de mudar, de se adequar, a si mesmo, aos demais e ao meio ambiente em que vive. Os seres de grande valor percebem que com o passar do tempo, até o final da vida, foram perdendo todo os excessos que formavam as arestas, se aproximando cada vez mais da própria essência, e ficando cada vez menores, e maiores em valor. É como um diamante, que muito se tira do próprio excesso para chegar ao âmago peculiar que o transforma em enorme valor.

As catástrofes ambientais ocorridas nas últimas décadas, como fenômenos antinaturais, tem sido uma amostra do quanto o ser humano precisa despertar, esse ser ainda com pouca consciência, como uma pedra da nascente do rio, de forma tosca e egoísta, que tem destruído milhares de nascentes e rios, a fauna, a flora, as florestas, contaminando oceanos e engrossando vertiginosamente a camada do efeito estufa que faz com que a Terra esteja sendo aquecida rapidamente e provocando inúmeras alterações no clima.

O pioneiro no desenvolvimento da consciência ambiental, James Lovelok, afirma que “Não é a Terra que é frágil. Nós é que somos frágeis. A natureza tem resistido a catástrofes muito piores do que as que produzimos. Nada do que fazemos destruirá a natureza. Mas podemos facilmente nos destruir”.Talvez o homem ainda esteja incompetente para perceber tudo o que está provocando no meio em que vive. O escritor e roteirista Aldous Huxley registrou que “A experiência não é o que acontece com um homem. É o que o homem faz com o que acontece com ele”.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

VOCÊ É GEOCÊNTRICO OU HELIOCÊNTRICO?


Artigo de Jair Donato
A dificuldade que houve na cosmovisão do geocentrismo para o heliocentrismo, ou seja, na maneira de ver e aceitar as mudanças e os novos fatos científicos no Século XVI, se repete ainda hoje, em pleno século XXI, frente às questões ambientais, tanto por governos de países com economias fortes e grandes corporações, como também em situações comportamentais do cotidiano.

Aristóteles e Pitolomeu, filósofos predecessores da teoria Geocêntrica, que a igreja católica, aceitava amplamente, afirmavam que a Terra era o centro do Universo. Portanto, os demais planetas giravam em torno dela, inclusive o Sol. Um ponto de vista meramente mitológico. Mas, que foi aceito, virou lei e crença religiosa, uma espécie de verdade absoluta.

No entanto, o polonês Nicolau Copérnico foi quem resgatou a teoria heliocêntrica criada pelo astrônomo grego Aristarco. Ou seja, que a rotação era outra. O Sol seria o centro do sistema e, a Terra, assim como os demais planetas da galáxia é que giravam ao redor dele. Contudo, isso contrariava o que a igreja pensava, e ela se achava dona da verdade. Copérnico, como não tinha um telescópio eficiente que pudesse provar aquela descoberta, sucumbiu-se.

Por último, o astrônomo Galileu Galilei, nascido em 1564, cientista italiano de grande projeção no desenvolvimento do método científico, que também descobriu a lei da inércia, foi quem endossou a teoria heliocêntrica de Copérnico. Ele ousou enfrentar os dogmas, a falsa “verdade” que a igreja detinha e disse que o certo e comprovado era que a Terra era só mais um planeta do sistema cujo Sol era o astro principal.

Então, as autoridades eclesiásticas, em uma demonstração de poder e pseudo conhecimento, obrigou Galileu a retratar-se, e o julgaram diante da inquisição, em Roma. Frente ao clero, após a retratação exigida, eis que Galileu registrou o célebre desabafo, aos 67 anos de idade: “A verdade é filha do tempo, não da autoridade”.

Isso nos remete ao comportamento dos poluidores do meio ambiente, que em pleno século XXI que continuam a destruir os recursos naturais e a engrossar a camada do efeito estufa, como se o ser humano fosse o centro da natureza. É esse comportamento ‘geocêntrico’, de quem se acha dono da verdade de que ‘não polui’, que compromete as gerações futuras e antecipa o fim da humanidade. É preciso uma outra mudança radical no modo de ver a vida na Terra, e sem demora. Afinal, a Terra é um pontinho na relação com o Universo, mas é tudo que o homem precisa para viver. A natureza é frágil e está em agonia, por conseqüência de mentalidades retrógradas e inflexíveis.

Galileu provava o que estava dizendo, sem sequer fazer uso do senso comum, tampouco de ‘achismos’ ou suposições. Por várias vezes o cientista clamava pela presença das autoridades religiosas da época para que fossem até o observatório dele e observassem o fenômeno do sistema solar no telescópio de alcance elevado que possuía. Mas, todos se recusavam a aceitar a mudança de que a terra girava, porque era daquela forma que a igreja acreditava, ninguém poderia mudar. Ele foi julgado pela violação ‘às leis’ de 1616.

Conta-se que Galileu, após retratar, fazendo o gosto das autoridades, disse em voz baixa e olhando na direção do solo: “Mas, que move, move”. Ele percebia o que pulsava no Universo

Mas, mesmo com todo um histórico de inflexibilidade, o ser humano é capaz de mudar, se tiver empenho e consciência. O fim da corrida nuclear entre EUA e a ex-União Soviética, o Protocolo de Montreal em favor do fim dos CFC’s, as legislações ambientais mais rigorosas, o Protocolo de Kyoto, e tantas outras conquistas são algumas dessas provas de que o homem pode construir diferente, e sem destruir.

Se cada segmento comprometer e agir dentro dos próprios sistemas, mecanismos e valores, desde que com o mesmo foco, pode ser possível mudar esse curso sombrio a que o planeta está se destinando. A grande questão é se os gestores de interesses econômicos estão prontos e vão despertar a tempo para essa necessidade.

É importante que o homem reflita sobre a forma que age em relação às causas ambientais, a começar pela rotina simples do dia-a-dia, dentro de casa, na empresa, na rua, nas horas de lazer, enfim no ambiente em que vive. Afinal, você como cidadão, como consumidor e poluidor em potencial, é geocêntrico ou heliocêntrico? Possui uma única verdade ou é flexível às mudanças? A vida na Terra e a extensão dos recursos naturais às gerações futuras dependem da atitude de cada um, agora. A lição de Galileu precisa ser apreendida.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

E DEPOIS DO VOTO, FAZER O QUE?


Artigo de Jair Donato
E agora? Passou o período eufórico das eleições municipais, vencedores e derrotados estão aí. E quem votou, vai esperar mais quatro anos para de novo criticar, escolher e votar em outros candidatos, ou nos mesmos? Ou participar democraticamente da gestão pública dos bens que possuímos em favor da coletividade? Essa é uma questão que merece profunda reflexão, pois se trata da cultura de um povo, que ainda não apreendeu ao todo o significado da democracia, do processo da escolha até a efetividade dos trabalhos dos políticos no poder.

“O preço que os homens de bem pagam pelo seu desinteresse da política é a qualidade dos políticos”, disse Platão. Acompanhar bem o trabalho dos políticos municipais é importante, porque é no município que está a base, o povo. O voto consciente deve ser mais do que apenas escolher um candidato no dia das urnas. Pois assim como ainda tem político que não sabe o que fazer, após ter ganhado as eleições, maior parte da população também não sabe porque votou e se desliga de vez do compromisso de ter elegido alguém.

Atualmente, além da questão ética e moral, o que mais está ligado às questões ambientais que assola o mundo, é a política. E para falar sério de meio ambiente na política, isso começa de casa, na decisão em família pelo voto. Depois, saber as diretrizes que o escolhido defende, do vereador até o presidente da República. Isso é cidadania efetiva, é mais do que cobrar direitos individuais ou de minorias.

Enquanto o indivíduo ficar passivamente a espera de políticas que mudem a vida de todos, sem que cada um se mova e faça a parte que lhe compete, poderá ser tarde demais. A crise atual que o mundo enfrenta é mais do que econômica e ambiental. É crise de atitude. É preciso fazer diferente, o resto será reflexo. Enquanto houver ‘maquiagem verde’ na atitude, seja nas empresas, no governo ou no comportamento individual, tudo será falso.

Como consumidores, eleitores, fiscalizadores e cidadãos conscientes, todos precisam ficar de olho. O Brasil ainda é uma nação de credores ecológicos consideráveis, pois têm mais recursos ecológicos do que o que consome. E ainda exporta essa bio-capacidade para os países altamente devedores e mais poluidores do mundo. A grande questão é, se por causa do capitalismo selvagem, do ganha-perde, isso vai continuar assim? Até quando? “A Terra tem o suficiente para a necessidade de todos, mas não para a ganância de uns poucos”, expressou Ghandi.

Recentemente, cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), que avaliam os impactos, adaptação e vulnerabilidades ao aquecimento global, divulgaram no Brasil o relatório sobre um novo estudo acerca das mudanças no clima ao redor do mundo. Martin Parry, cientista inglês que coordenou o grupo de estudo, afirma que a redução global precisa ser de 80% das emissões de carbono até 2015. Esse deve ser um compromisso de todos os governos, empresas e sociedade.
O Estudo alerta que mesmo que as emissões fossem cessadas hoje, o planeta continuaria aquecendo, mas as conseqüências seriam mais facilmente absorvidas, com acréscimo menor que 2 ºC na temperatura. Mas, se forem mantidos os atuais padrões de emissão de gases que engrossam a camada do efeito estufa, o aumento da temperatura na Terra poderá chegar a mais que o dobro até o final deste século.
"Em resumo, tenho dois recados sérios: precisamos reduzir muito as emissões e precisamos reduzir já", concluiu Parry. Ainda complementou que um atraso de 10 anos em tomar qualquer medida já resultará no aumento de 0,5 ºC da temperatura média terrestre.
Segundo Carlos Nobre, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é possível o Brasil contribuir com essa meta, se der fim aos desmatamentos. "Se o Brasil atingisse a meta do desmatamento ilegal zero, reduziríamos de 70% a 80% o desmatamento”. Afinal, são os desmatamentos e as queimadas que eleva o Brasil ao ranking dos paises mais poluidores atualmente.
O fato é que se nada for feito agora, certamente nas próximas eleições o clima estará bem mais quente.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

FIB, QUAL É O SEU ÍNDICE?



Artigo de Jair Donato

Penso em contribuir ao abordar um assunto como este, pouco divulgado, deveras importante, pois se trata da felicidade das pessoas e do bem comum. Não são poucas as métricas do progresso no mundo cheio de mudanças em que vivemos. A área científica e a econômica têm tratado da condição humana na produção e no trabalho e mensuram isso através de vários índices, PIB, IDH, IDS, IQV, IDCV, IGP, dentre tantos outros.

Mas o que é FIB? É o índice de Felicidade Interna Bruta, termo criado em
1972 pelo rei do Butão, pequeno reinado nas encostas do Himalaia, como forma de protesto em resposta as críticas que taxavam a economia daquele País como miserável. Com uma base holística, na construção da economia aliada à cultura, aos valores espirituais, éticos e morais, o conceito de Felicidade Interna Bruta foi estabelecido inicialmente para mostrar outra forma de avaliar as condições de vida considerando também as questões mais profundas do relacionamento humano e o progresso através da espiritualidade, levando em consideração as dimensões sociais, ambientais e econômicas.

De lá para cá o FIB, uma contraposição ao PIB – Produto Interno Bruto, tem sido aplicado para medir o bem-estar das pessoas. Para o PIB, quanto mais recursos naturais são degradados, mais o valor cresce. Com o FIB é diferente, cujos pilares estão pautadas na promoção do desenvolvimento sócio-econômico sustentável e igualitário. São considerados o desenvolvimento material, o espiritual e o pessoal, através de uma governança ética e sensata.

Neste último trimestre o Brasil sediará a I Conferência Nacional sobre Felicidade Interna Bruta, na capital paulista, com a presença de autoridades no assunto, vindas do Butão e do Canadá e um economista da USP. Segundo a psicóloga Susan Andrews, do Instituto Visão Futuro, responsável pelo evento no Brasil, “O FIB não é apenas uma idéia interessante. É uma necessidade urgente num mundo que está se despedaçando”. Angatuba, cidade no interior de São Paulo, será a experiência-piloto apresentada por fazer uso do FIB, em parceria com o Instituto para mensurar o desenvolvimento local.

Agora é tempo para que as pessoas possam refletir sobre o próprio FIB, que é uma condição interna. Sem necessidade de réguas, mas pela reflexão, cada pessoa pode aumentar o índice que possui, e dessa forma contribuir para um mundo melhor, mas ético, mais altruísta, mais sociável e mais ambientalmente correto. Esses são indicadores de espiritualidade que se resultam na paz mundial e na felicidade.

As questões ambientais, um dos pilares do FIB, ainda precisam ser tratadas com mais sensatez. Recentemente foi apresentada uma pesquisa, resultado de meses que vários repórteres percorreram a região da bacia do Rio Xingu, no Pará e em Mato Grosso, cujo objetivo foi mostrar a relação entre o consumo em São Paulo e a devastação da Floresta Amazônica. A pesquisa que teve foco em três setores estratégicos, a pecuária bovina, o extrativismo vegetal e o plantio de grãos, mostra que há uma produção ainda predatória, cuja matéria-prima chega de forma direta ou indireta aos grandes centros de São Paulo.

O estudo mostra que há vários setores de grandes ou pequenas redes, que destroem para produzirem, além de manterem trabalho escravo na Amazônia. Parte deles fornece livremente carne aos grandes frigoríficos que abastecem a cidade paulista, a milhares de quilômetros. Na verdade, quem consome precisa ficar mais atento e saber a origem do que leva para casa.

As melhores escolhas para a mente, para o corpo, para o bolso e para o mundo são as dicas que os especialistas dão para que o ser humano possa elevar o índice FIB. Então, qual é o seu? E da sua família? Da sua comunidade? Da sua empresa? Saiba que ele pode ser melhor, e você também pode contribuir.

Estamos numa Era de acerto de contas. A humanidade precisa se convergir o mais rápido possível para o bem coletivo. As mudanças climáticas talvez seja o mais assertivo feedback que a natureza está dando ao mundo como resposta pela falta de espiritualidade humana e pela incapacidade do homem viver em harmonia com o meio ambiente. É preciso que haja a mudança agora. Pense no que você pode fazer, e comece.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

HONESTIDADE, VOCÊ TEM?

The Ladders, uma empresa que recruta executivos com salários superiores a 100 mil dólares, produziu esse vídeo que atraiu a atenção de todos que passavam por uma caixa postada no meio da rua com 100 mil dólares e sem ninguém para vigiar. Tudo monitorado por câmeras.
O objetivo da empresa era mostrar a idéia de que essa quantia de dinheiro atrai muita gente, mas apenas a Ladders atrai a pessoa certa. Interessante!

É preciso de muita gente honesta e competente também para gerir os nossos recuros naturais, nossos biomas. É preciso auto-gestão para cuidar da ética e da moral ao lidar com aquilo que temos que vale muito mais, excessivamente mais do que centenas de millhares de dóalres.

A NATUREZA, O MEIO AMBIENTE!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

CRISE GLOBAL AMBIENTAL


Artigo de Jair Donato
A crise que assola o mercado financeiro mundial mobilizou a atenção dos governos rapidamente. Disse recentemente o presidente americano George W. Bush, “Esta é uma séria crise global e por isso precisa de uma resposta global séria para o bem de nossas populações". Bom seria se o mesmo presidente tivesse essa visão e tamanha rapidez ao se valer das soluções para as questões ambientais, a médio e longo prazo.

Crise na economia nos próximos anos pode resultar significativamente da área ambiental em escala global. E a causa disso pode está na falta de empenho coletivo de forma mais séria, agora. O governo americano pensa mover céus e terra para salvar a economia americana. Mas essa crise pode ser o inicio de uma situação muito mais séria, arraigada na cultura do capitalismo selvagem de países altamente poluidores, a começar por lá.

Os cientistas mostram através de medições que se o nível de CO² continuar aumentando com tem ocorrido nas últimas três décadas, a economia mundial poderá sofrer um colapso, em pouco tempo, caso continue assim nas próximas duas décadas. Os líderes mundiais possuem grande responsabilidade em orientar e implantar soluções macro.

Mas, toda e qualquer mudança que produza resultados em favor do planeta não pode ser esperada apenas dos governos e organizações, nem de cientistas ou ecologistas. Deve partir de cada cidadão. Quem produz deve respeitar o meio ambiente. Mas, quem consome deve se responsabilizar pelo que está levando pra casa ou para o uso no dia-a-dia.

Os governos podem criar políticas de desenvolvimento e ter a iniciativa privada e demais setores como parceiros. Os cientistas têm subsídios para uma avaliação dos efeitos provocados. No entanto, o maior poder é o do indivíduo, que começa pela educação dentro de casa, no convívio social e no trabalho, e resulta em uso e consumo.

Contudo, para por em prática, mesmo as pequenas ações, que antes não faziam parte da rotina de cada um, e que agora fazem a diferença no contexto global devido às mudanças climáticas, é preciso de muita coragem. Ainda tem gente que considera “mico” guardar uma latinha até encontrar um local adequado, levar menos sacolas do supermercado, ou nem levar, se possível, e até mesmo selecionar o lixo em casa. E esse é um movimento replicado em grande escala, como nas indústrias e nos governos dos países que mais poluem.

O físico austríaco Fritjof Capra, que desenvolve trabalho na área da educação ambiental, e estará no Brasil em Novembro deste ano, ocasião em que vai orientar um evento sobre gestão de pessoas em Cuiabá, define que jamais a civilização humana teve no âmbito do planeta, o poder destruidor que a sociedade atual possui. A humanidade está num momento de definição histórica, segundo a agenda 21, em 2005. “Estamos chegando a um momento decisivo como indivíduos, como sociedade e como civilização”, afirma Capra.

“Quanto mais estudamos os principais problemas de nossa época, mais somos levados a perceber que eles não podem ser entendidos isoladamente, sendo problemas sistêmicos, interligados e independente”, conclui físico Capra. A Terra entrou num período em que as mudanças no clima ocorrem de forma diferente das anteriores, pois as alterações atuais têm a predominância humana como causa. Peter Drucker, o pai da administração moderna disse que “O século XX testemunhou o surgimento de uma nova e importante tarefa: proteger a natureza do ser humano”.

Segundo dados da Word Wide Fund For Nature, a taxa de crescimento da população no século XX foi maior do que em todos os outros períodos da humanidade. Em 1950 tinham 2,5 bilhões de pessoas. A Organização das Nações Unidas prevê que em 2050 o mundo terá 9 bilhões de seres humanos na face da Terra, e como se sabe, todos poluidores em potencial. Muito de preservação, conservação e consciência precisa se estabelecer daqui pra frente.

É preciso fazer diferente, dentro de casa. O resto é reflexo. Enquanto houver ‘maquiagem verde’ nas empresas, ou seja, enquanto fizerem mais publicidade do que atividades sustentáveis, tudo será falso. Enquanto cada indivíduo também ficar a espera de políticas que mudem a vida de todos, sem que cada um faça a sua parte, poderá ser tarde demais. A crise é mais que econômica e não será apenas ambiental. É crise de atitude.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

PERÍODO CRÍTICO


Artigo de Jair Donato
Segundo estudos publicados recentemente por uma Organização Internacional Protetora dos Animais, ¼ dos animais do planeta poderão ser extintos em decorrência das mudanças climáticas dos últimos anos. Mas, as questões climáticas afetam diretamente, e cada vez mais, a economia mundial. Para quem ainda pensa que esse é assunto só de ambientalista, pode estar enganado.

Foi publicado um estudo científico pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) sobre uma projeção do quanto que a mudança climática da Terra poderá afetar o mapa agrícola do Brasil. O aquecimento global poderá forçar a migração de culturas, a diminuição de área de cultivo e maior pressão sobre a chamada área de “fronteira agrícola” entre o Cerrado e a Amazônia, define o estudo.
As regiões que já estão afetadas, como o Sul, o Sudeste e o Nordeste do país, terão as culturas transferidas para áreas agricultáveis da Amazônia Legal, como também o aumento do fluxo migratório para a região. No entanto, segundo o coordenador do estudo, Hilton Silveiro Pinto, áreas agricultáveis da Amazônia “não deverão sofrer qualquer problema”. Mas, isso será confirmado mesmo se houver empenho na implementação de um programa sério de desenvolvimento sustentável.
O estudo divulgado indica que se nada for feito para reverter o aquecimento da Terra, a agricultura brasileira poderá perder até R$ 7,4 bilhões ao ano, a partir de 2020, chegando a contabilizar até o dobro em 2070, a R$ 14 bilhões/ano, com a diminuição da safra de grãos. Nessa consideração, os pesquisadores estimam uma perda de área agricultável de até 40%. A soja que, na safra 2007/2008 colheu 61 milhões de toneladas de grãos será a cultura mais prejudicada.

O mundo precisa rever os conceitos de ganho, de capital, de investimento e de qualidade de vida. Sem pensar nas gerações futuras, o que for feito agora pode se resultar numa armadilha para as gerações presentes. E não basta construir ou fazer diferente sem estudos e sem logística ambientalmente correta, com visão de futuro.

Um exemplo disso é mostrado através do estudo apresentado pelo biólogo Philip Martin Fearnside, pesquisador do Instituto Nacional Pesquisas da Amazônia (INPA), sobre o papel dos reservatórios em áreas de floresta tropical na emissão de gases de efeito estufa. Que as hidrelétricas são fábricas de metano, já é fato conhecido, mas isso pode ser mais do que o que já se sabe.

O estudo se resume em mostrar que calcular as emissões de gases de efeito estufa de barragens hidrelétricas é importante para o processo de tomada de decisão em investimentos públicos nas várias opções para geração e conservação de energia elétrica.

Fearnside, que estuda problemas ambientais na Amazônia brasileira desde 1974, pontua no Estudo “Hidrelétricas são fábricas de metano” que: “Reservatórios em áreas tropicais, como a Amazônia, freqüentemente têm grandes áreas de deplecionamento (esvaziamento), onde a vegetação herbácea, de fácil decomposição, cresce rapidamente. Esta vegetação se decompõe a cada ano no fundo do reservatório quando o nível d'água sobe, produzindo metano. O metano oriundo da vegetação da zona de deplecionamento representa uma fonte permanente deste gás de efeito estufa, diferente do grande pulso de emissão oriundo da decomposição dos estoques iniciais de carbono no solo, nas folhas e liteira (serapilheira ou folhiço) da floresta original”.

Continua o estudo: “.As turbinas e vertedouros puxam água de níveis abaixo da termoclina, isto é, da barreira de estratificação por temperatura que isola a água do fundo do reservatório, rica em metano, da camada superficial que está em contato com o ar. Quando a água do fundo emerge das turbinas e dos vertedouros, grande parte da sua carga de metano dissolvido é liberada para a atmosfera. O gás carbônico oriundo da decomposição da parte superior das árvores da floresta inundada, que fica acima da lâmina d'água, representa outra fonte significativa de emissão de gás de efeito estufa nos primeiros anos depois da formação do reservatório”, conclui.

O homem deve ter uma consciência mais profunda sobre as questões que discutem as formas de vida e de crescimento sustentável. Os estudos são parâmetros, mas o rumo certo certamente estará sempre a cargo de uma atitude limpa, ética e moralmente aceita, por estas e pelas futuras gerações. Sustentabilidade está antes de tudo, na atitude.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

domingo, 5 de outubro de 2008

DESMATOU OU NÃO DESMATOU?


Artigo de Jair Donato
É grande a repercussão em relação ao ‘disque me disque’ quanto aos números divulgados nos últimos meses sobre queimadas e desmatamentos na Amazônia. Não tenho interesse em repeti-los aqui na íntegra. A questão é muito mais séria do que a quantidade de quilômetros desmatados, se isso foi verdade ou não, ou quem quer que tenha desmatado. Afinal, ninguém quer ser o ‘pai da criança’.

A última é que há uma certa lista com os cem maiores desmatadores da Amazônia, divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente recentemente. O hilário foi a reação dos seguintes personagens nesta semana. A ex-ministra que negou ter sido na época dela a elaboração da lista; o atual ministro que admitiu não ter lido a lista antes de ser divulgada, pode? O governo, que dizer, o Incra, que até já reivindicou revisão da lista, alega injustiça. Os demais, donos de terras, esses, como de praxe, “todos inocentes”, já estão fervendo com tamanho ataque, acreditam assim.

E a informação parece mesmo que gerou mal-estar em todo mundo, do governo aos produtores. Todos querem contestar a lista e reivindicar uma revisão, de preferência, que tire o nome de cada um, pois se sentem “injustiçados”. É importante uma revisão mesmo. Porém, será que todos os citados são tão inocentes a ponto de serem incluídos numa lista dessa natureza, ao menos que tenha sido incompetência pura do próprio Ministério do Meio Ambiente, vergonha e descrédito se isso for verdade. No entanto, se portar como “vítima” ou “injustiçado” é bem semelhante a certos candidatos políticos que ainda usam essa tática para ganhar votos, coisa antiga, já não cola mais.

Mais hilário ainda é que todos os personagens dessa história dizem que estão preocupados e apreensivos com os altos índices de devastação da Amazônia. Anseio por ver uma lista divulgada com os cem exemplos de ações sustentáveis, de fato, da região. Por uma questão de honra ao nosso País. Porque a lista dos desmatadores, essa já ganhou projeção internacional, bem rápido.

Definitivamente, estamos diante de uma questão descarada, imoral, aonde sempre que surgem medidas de controle, ninguém quer assumir nada. Ainda estamos bem longe de uma realidade sustentável enquanto o paradigma do ganha-perde for evidente. Quando os ditos “injustiçados” reivindicam determinados direitos, é porque mexe com o próprio lucro, com o brio ou com a zona de conforto em que vivem, não porque querem mesmo contribuir para preservar ou conservar nada. A maioria se puder burlar, burla mesmo, dane-se o bem comum.

E quem devasta sempre procura se esconder atrás de maquiagens falsamente sustentáveis. Na verdade, ainda mais se destrói do que preserva e conserva. Não se trata de ‘caça as bruxas’, trata-se de rever a postura ética e moral de todos que de alguma forma, têm ligação com os biomas brasileiros, seja Amazônia, Cerrado, Caatinga, a quase extinta Mata Atlântica, dentro os demais. A questão ambiental deve ser mais seletiva e rigorosa pelos órgãos fiscalizadores do País, senão fica a ilusão de controle enquanto os índices só aumentam.

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) Mato Grosso desmatou só no mês de agosto, cerca de 756 quilômetros quadrados de novas áreas, um aumento de 134% em relação a julho e 229% em relação a agosto do ano passado. Será uma coincidência logo neste limiar eleitoreiro? Só resta saber quem vencerá essa batalha da sensibilização em prol dos recursos naturais dos biomas brasileiros, se o governo, em favor do social e de uma economia sustentável, ou o vil interesse de quem se embrenha na mata ou no cerrado com a finalidade extrema de se dar bem.

Contudo, o cerne dessa questão está na mudança da atitude individual e coletiva para um novo comportamento que se resulte em ações inovadoras, limpas e ambientalmente corretas. Acredito que o primeiro, o segundo e o terceiro setor possuem a responsabilidade de maior propagação das atividades que visam à sensibilização e ao acompanhamento das pessoas, pela via da educação, no sentido de focar para uma única direção, o cuidado com o meio ambiente em que essa geração e as vindouras terão de viver, com os recursos que temos agora.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

PRESERVAR E CONSERVAR É ATITUDE



Artigo de Jair Donato

A situação ambiental já provocada no planeta requer por parte de cada indivíduo, ações que mudem o curso da fúria antinatural que assola a vida de milhões de pessoas todos os dias. Aumenta o número de tufões, tempestades, tornados, furacões. Também alteram os graus da temperatura em determinadas regiões, avança a seca em outras e tudo isso tem sido causa do surgimento de uma nova situação, os refugiados ambientais. Lastimável.

O solo, a água, o ar, as plantas e demais espécies que há milhares de anos garantem a vida na Terra estão ameaçados pela ação humana. Infelizmente o Brasil está sendo assolado por quase todos os fenômenos provindos das mudanças climáticas, aumento da estiagem e diminuição da umidade no Centro-oeste e na Amazônia, desertificação no nordeste e sudeste do País, além da fúria largada pelas tempestades e furacões na região Sul.

Nesta semana foi publicada no Diário Oficial da União, uma lista de Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, que traz o número de 472 espécies. Em 1992 o número era de apenas 108 espécies, mais que quadruplicou em um período de 16 anos. Especialmente, o dito “progresso” dos últimos 30 anos representa uma grande ameaça para o futuro do planeta se nada for redirecionado com rapidez daqui pra frente.

A lista apresentada foi elaborada pela Fundação Biodiversidade, a pedido do Ministério do Meio Ambiente. E fica a cargo do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, a coordenação de um plano de ação nos próximos cinco anos para a retirada das espécies ameaçadas da lista, que classifica os biomas com maior número de espécies.

Em primeiro, a Mata Atlântica com 276, seguida do Cerrado com 131 e da Caatinga com 46. Na Amazônia foram classificadas 24 espécies em extinção, o Pampa com 17 e o Pantanal com duas delas. Algumas das espécies constantes na lista divulgada aparecem em mais de um bioma, o que resulta na disparidade dos números apresentados.

Foi em 1968 a edição da primeira Lista Oficial das Espécies da Flora Brasileira Ameaçadas de Extinção, que incluía apenas 13 nessa situação. Em 1980 foram incluídas 13 espécies a mais, seguidas dos anos de 1992 e esta última com a inclusão também de 12 espécies nobres de madeiras ameaçadas de extinção. Segundo o ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, a Mata Atlântica está entre os biomas mais ameaçados, seguida da Caatinga e do cerrado, que estão sendo destruídos de forma mais agressiva.

Espero que isso seja um alerta e que pelo fato da Amazônia ter boa parte ainda preservada, não sirva de motivação para seguir o mau exemplo que ocorreu com a Mata Atlântica, que hoje restam apenas 7% do que existia. Será a partir da alteração do estilo de vida de quem consome, especialmente dos países mais desenvolvidos, que desperdiçam muito os recursos da natureza e poluem em potencial, assim como a junção do esforço volitivo das nações que ainda possuem o que preservar e conservar, como é o caso do Brasil, que a mudança será mais rápida.

Todos precisam de energia, combustível, alimento, vestiário e demais necessidades. Contudo, as questões sócio-culturais e econômicas só terão equilíbrio se todos tiverem uma casa para respirarem melhor. Daqui por diante as rodadas de negociações, sejam em pequena ou em grande escala, necessariamente passarão pelo crivo ambiental. Isso já é realidade também nos países desenvolvidos, mas de uma outra classe que não pensa em apenas consumir agora, mas preservar para manter o consumo no futuro.

A causa de não querer mudar? Talvez porque isso implica em começar de novo para muitos segmentos, ou em fazer diferente para tanta gente que desde a barriga da mãe já percebia movimentos rotineiros. Mudar dói, transforma, regenera, ressignifica, dá novos resultados, e isso não é tão fácil, não é para qualquer rum. Mas, mudar pela dor, talvez seja mais drástico. Enfim, tudo é uma questão de escolha, e atitude.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ROTA DE AUTOCOLISÃO



Artigo de Jair Donato

Os seres humanos e o mundo natural estão em rota de colisão. As atividades humanas provocam danos sérios e freqüentemente irreversíveis no meio ambiente e em recursos cruciais. Se não forem detidas, muitas das nossas atividades colocam em sério risco o futuro que desejamos para a sociedade humana e para os reinos vegetal e animal, e podem alterar tanto o mundo dos seres vivos que ele se tornará incapaz de sustentar a vida da maneira que conhecemos. Mudanças fundamentais são urgentes se queremos evitar colisão que a nossa rota atual irá causar”.

O alerta acima foi divulgado em 1992 por uma comunidade de 1600 estudiosos da União dos Cientistas conscientizados, sendo a maioria deles ganhadores do prêmio Nobel da área de Ciências. O meio ambiente está recebendo traumas cruciais, avisa a comunidade científica mundial. A atmosfera, as reservas de água, os oceanos, o solo, as florestas e as espécies vivas, assim como a população, tudo está ameaçado.

O abaixo-assinado dos cientistas, assinado nessa ocasião, sugere ações que podem ser feitas em várias áreas paralelamente. São elas: Proteção da integridade dos sistemas terrestres, sem os quais ninguém poderá viver, através do controle das atividades prejudiciais ao meio ambiente. Um bom exemplo disso é a utilização de energia cada vez mais limpa e o abandono dos combustíveis fósseis, como também a adesão ao desmatamento zero e maior conservação das terras de cultivo.

A segunda ação propõe uma gestão dos recursos indispensáveis ao ser humano, como a água e outros bens, de forma crucial. E também manter a expansão, a conservação e a reciclagem como foco. Estabilizar a população é outra pontuação feita pelos cientistas. Segundo eles, essa prática será possível se as nações reconhecerem que isso requer melhoria das condições sócio-econômicas. Em seguida, reduzir, e por fim, eliminar a pobreza. São essas algumas das proposições que eles fizeram.

Há uma profunda reflexão que se deve fazer em torno dessas alternativas. Talvez essa seja a maneira de perceber que a atitude possa ser o maior cerne da destruição em escala global, a medir pelos efeitos aí instalados pela natureza. E, certamente, a diminuição do impacto global em decorrência das mudanças climáticas, pode se dá pela união das nações em prol de um mesmo objetivo, cujo foco seja a preservação e a conservação dos recursos naturais, de forma sustentável. Existem também outras centenas de alternativas. Mas devemos começar mesmo a partir do que estiver próximo a nós.

Dentre os princípios de responsabilidade universal, constantes na Carta da Terra, documento aprovado pela Unesco, no que tange ao respeito e ao cuidado da comunidade e da vida, entende-se que todos devem respeitar a Terra e a vida em toda a diversidade. Cuidar de tudo isso com amor. Aceitar que o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem com o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente.

Mostra-se também como princípio, assumir o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder como responsabilidade na promoção do bem comum. Assim como construir sociedades democráticas que sejam justas, sustentáveis e que vivam em harmonia. A asseguração dos direitos humanos, a promoção da justiça econômica e social e a transmissão de valores e tradições as futuras gerações são formas, em longo prazo, de garantia da prosperidade humanas e ecológicas do Planeta.

O homem está indo ‘de encontro’ consigo mesmo, ao invés de ir ‘ao encontro’ da essência interior que a possui. Esse é um choque contra a própria vida que se dá pela inversão de valores cultuados frente ao consumismo e a vulnerabilidade quanto ao respeito a si, ao próximo e ao meio em que vive. Essa, talvez seja a maior das colisões, que põe em risco a vida de todos, inclusive daqueles que nascerão nas próximas décadas.

Enfim, o homem, esse poderoso agente de alteração dos ciclos naturais, embora frágil para reagir a tais efeitos, não pode chocar com nada que não esteja dentro de si mesmo. É unicamente a si que ele consegue prejudicar de fato, de forma irreversível. E a rota que pode evitar essa colisão está instalada na consciência de cada um.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

sábado, 13 de setembro de 2008

GOVERNANÇA AMBIENTAL E ATITUDE


Artigo de Jair Donato
Mediante os desastres ambientais que ocorrem praticamente no mundo inteiro, quem realmente consegue influir para mudar essa situação? De que forma as decisões na área ambiental em diferentes partes do mundo são tomadas? Ou deveriam ser? Assim como nas organizações, meio ambiente também é tema de discussão ligado a questões de governança.

A visão e a formação sobre gestão, fundamentais para um planejamento com excelência, que são alguns dos princípios da governança corporativa, como também a transparência, a equidade e principalmente a ética, se tornam imprescindíveis na área de meio ambiente.

No entanto, ao começar pelas organizações, qual o índice da performance ética ambiental no mundo corporativo hoje? Tirando toda a ‘maquiagem verde’, ou seja, as ações marqueteiras em prol de uma ‘responsabilidade ambiental’, que é mais publicitária do que diretriz do negócio, resta pouco.

Grandes empresas investem frações mínimas do que retira do meio ambiente e multiplica esse vulto com propagandas, mas nem de perto é uma recompensa justa para a natureza. Isso ainda se mostra real, talvez por falta de melhor gestão dos recursos naturais do planeta, fonte essencial para a vida de qualquer ser vivo. Isso compete aos governos, a iniciativa privada e ao cidadão.

Dentro de uma empresa, quando as diretrizes são claras para todos os níveis, estratégico, tático e operacional, espera-se os melhores resultados. O desempenho pode ser mensurado pelo cumprimento das regras, tanto na relação interna como externa, seja entre os funcionários ou fornecedores, clientes ou comunidade. Vejo o termo ‘governança’, antes de tudo, na atitude de cada um. Essa talvez seja a forma mais eficaz de consolidação desse novo termo de gestão.

E por falar em mudança de comportamento, de estilo de vida, todas as pessoas devem assumir essa responsabilidade, por naturalmente serem poluidoras em potencial. Autoridades mundiais discutem sobe governança em fóruns realizados em diversos países. E isso é uma questão que afeta a vida econômica das nações, a políticas, a sócio-cultural e a capacidade do homem viver no planeta, agora e no futuro.

Um plano de governança ambiental objetiva a promoção do desenvolvimento sustentável por meio da preservação e o adequado controle do uso e da ocupação dos recursos naturais, integrando planejamento e execução de ações de programas e projetos públicos e privados. Esse é um tema que vem sendo tratado nos últimos anos, mas que precisa de ações emergentes com mais rapidez, seja na área financeira, social ou educacional. É assim que poderá haver garantia de vida às futuras gerações.

É do equilíbrio entre a produção, o manejo, o consumo, a preservação, a conservação e o uso racional e consciente de tudo que é necessário para o ser humano, que advirão maiores chances de sobrevivência da raça humana no planeta. E tudo depende do que for feito ainda na primeira metade deste século. Isto consiste em planejar e executar conforme projetado, com respeito e ética nas relações com o meio ambiente. Usar, reutilizar, repensar na medida certa é a dica da vez.

Os estudos científicos mostram que há uma rápida aceleração quando os efeitos deixam de ser por mudanças naturais, em detrimento dos efeitos da ação humana. As mudanças climáticas já ocorridas até agora provavelmente levariam centenas de milhares de anos para ocorrerem se não tivesse a interferência direta do homem no ciclo natural da Terra.

Ainda estamos diante dos dois pratos da balança. De um lado, você pode imaginar trilhões em barras de ouro. Quem não gostaria de levá-las? Já no outro prato, imagine, lá está o planeta inteiro. Então, o que você faria? Vai levar as barras de ouro? Mas, espere, pra onde? Afinal, o que fazer com elas sem um planeta para morar? Essa é a opção que há relutas, mas tem que ser feita agora, antes que o prato das pedras douradas, que já não serão tão preciosas, pese mais. Aí pode não ter mais volta. Governar o que tem começa por dentro, pela atitude de cada um.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

AMAZÔNIA, PARA SEMPRE?



Artigo de Jair Donato

Neste 05 de setembro comemora-se o dia da Amazônia. Gostaria que fosse uma celebração. Pois se trata do maior bioma do mundo, cuja maior parte está no território brasileiro e encanta a todos pelo mistério que possui e pela umidade que exala em vários países, por enquanto. Toda a área recoberta por essa maior floresta tropical do planeta ocupa um espaço de 6 milhões de quilômetros quadrados e abriga 50% de todas as espécies que existem, entre plantas, aves, peixes, mamíferos, anfíbios, répteis, árvores e milhões de insetos.

São dois quintos da América do Sul e metade do território brasileiro que abrangem os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e parte dos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. O bioma amazônico é riquíssimo em minerais, vegetais e animais, além de guardar cerca de um quinto das reservas de água doce do mundo. O Brasil é a maior potencia hidrográfica global devido à água da Amazônia.

A parte da Amazônia brasileira, calculada em 3 milhões e meio de quilômetros quadrados, representa mais de 50% da floresta e 42% do território nacional, com cerca de 3.500 espécies e uma infinidade ainda não catalogada. O que intriga é que embora não conhecida na totalidade, já corre o risco do fim.

Além da biopirataria, que é a apropriação indevida de conhecimento e de recursos genéticos das comunidades agrícolas, indígenas e de toda a biodiversidade existente, a região amazônica é alvo de queimadas e desmatamentos, fato que coloca o Brasil como grande poluidor da camada do efeito estufa. A seca já marca presença na Amazônia e aos poucos dá sinais do que pode ocorrer num futuro breve, até o final deste século.

Climatólogos apresentam estudos que mostram a realidade do bioma por volta de 2025, período em que começa a aumentar a estiagem em fases gradativas e assustadoras. Mesmo que hoje os desmatamentos e as queimadas cheguem a zero, maior parte da Amazônia corre o risco de se tornar uma savana, avaliam os cientistas do clima. Na verdade, toda forma de poluição, seja pelo uso da energia e da emissão de demais gases que engrossam a camada do efeito estufa, contribui para sufocar a floresta. O mundo inteiro é responsável pelas florestas tropicais existentes.

No entanto, mesmo com toda essa fragilidade, parece que começa a se desdobrar ações em prol da conservação da Amazônia brasileira. Em breve será votado um projeto de lei no senado que visa instituição de políticas de combate à seca na região. O projeto propõe que a União, em articulação com os estados e municípios, desenvolva ações de defesa civil em caso de seca na Amazônia. A finalidade do projeto, de autoria do senador do Pará, Mário Couto, é de combater e prevenir os efeitos que provocam a seca, embora não seja possível controlar esse fenômeno.

Certamente, esse será um projeto que também precisa ser validado pela consciência da maioria das pessoas, usuários e exploradores da Amazônia. Em 2007, na ocasião da realização da conferência de mudanças climáticas pela ONU, na Indonésia, foi divulgada pelo governo brasileiro a criação de um Fundo Internacional para captar recursos para ações de preservação da floresta amazônica. A boa notícia anunciada recentemente pelo ministro do Meio ambiente, Carlos Minc, é que o Brasil já deve receber a primeira doação, vinda da Noruega, no valor pouco mais de US$ 100 milhões, essa é a expectativa.

Há também a predominância de unidades de conservação em prol da Amazônia que permitem a prática de atividades econômicas controladas, como as áreas de proteção ambiental, reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável. Todas essas ações são saudáveis, solidárias e viabilizam mais propostas sustentáveis, mas são paliativas se não houver mudança no comportamento humano em relação a conservação e a preservação ambiental.

A garantia de mais vida a essa parte do planeta que já não respira tão bem está na contribuição de cada um, na atitude coletiva que se dá pelas pequenas ações, seja dentro de casa, na rua, no trabalho, enfim. Consciência é pensar globalmente e ter atitude localmente. A Amazônia é vida, se é para sempre, depende do que for feito agora.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

FALSAS RAZÕES



Artigo de Jair Donato

A atenção às questões ambientais é um assunto sério, principalmente nas atividades ligadas a sustentabilidade, que se compromete também com o crescimento econômico e o legado sócio-cultural. Cuidar do patrimônio natural, fomentar a economia e viabilizar qualidade de vida social e justa não pode se encerrar em ações que apenas aumentam os índices marqueteiros como fazem muitas organizações, cuja finalidade é aumentar o lucro atual em nome de uma nobre causa. Isso caracteriza uma maquiagem corporativa, são razões pseudas.

Ainda há muita confusão e oportunismo quando se fala de soluções verdes como saída para um futuro sustentável. Enquanto poucos se dedicam por acreditar na mudança, muitos ainda fingem serem ecologicamente corretos, poluem o que é de todos e o que seria para o bem comum. Cuidar das causas ambientais não pode se resumir em patrocinar financeiramente a perpetuação só da flora e da fauna, por exemplo. O ser humano faz parte da natureza. Portanto, a atenção em torno de si só é validada quando se estende também ao meio em que vive e aos outros que habitam esse meio.

O físico Fritjof Capra mostra que sustentabilidade é a conseqüência de um emaranhado padrão de organização que se dá através de cinco características básicas. São elas: interdependência, reciclagem, parceira, flexibilidade e diversidade. Será mesmo que a sociedade atual está pronta e dotada de uma visão sistêmica e sustentável capaz de satisfazer as próprias necessidades sem diminuir as perspectivas das futuras gerações? Esse é um questionamento cuja resposta ainda está numa leve construção.

Conta-se que certa vez um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento. A época era de escassez, porém, ele tinha o faro aguçado, sentiu o cheiro de comida e foi até um acampamento de caçadores. Ao chegar lá, o urso percebeu que o local estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou uma enorme panela de comida.

Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo. Mas, enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo. Na verdade, era o calor da tina. Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava. O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida.

Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra si mesmo. Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o próprio corpo e mais alto ainda rugia. Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida. Ele tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela. E o imenso corpo que possuía, mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.

Ao refletir sobre essa analogia do urso, percebe-se que na vida, por muitas vezes, as pessoas abraçam certas coisas, sejam hábitos, crenças ou modelos de produção e consumo, que julgam serem importantes para elas, mesmo que a forma como fazem essas coisas, possa significar o a perda da capacidade de viver em consonância com o meio ambiente, agora e no futuro.

Algumas dessas ‘panelas’ a que se agarram podem fazer gemer de dor, queimar por fora e por dentro, e mesmo assim, ainda as julgam importantes. No entanto, o medo de abandonar velhos paradigmas pode colocar a todos numa situação de sofrimento e de desespero. ‘Apertar’coisas contra o coração e por vezes terminar derrotados por algo que tanto protege e defende, se chama apego, o que é doentio. Isso gera a incapacidade de mudar e de criar algo novo.

Inovar é preciso em tempos de mudanças climáticas. Ter a coragem e a visão que o urso não teve e tirar do caminho tudo aquilo que pode fazer arder o coração desta e das gerações futuras é o ideal.Vale a reflexão sobre o texto de uma crônica do escritor Luis Fernando Veríssimo: "Somos inquilinos do mundo, com várias obrigações, inclusive a de prestar contas de cada arranhão no fim do contrato". Então, solte a panela!

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

INVESTIR NAS CRIANÇAS


Artigo de Jair Donato
Educai as crianças e não será preciso castigar os homens, apregoou Pitágoras, filósofo grego que viveu antes da Era Cristã. O que me faz acreditar na mudança do mundo, em relação às questões ambientais, é a consciência que está se estabelecendo na atitude e no comportamento infantil através da educação. Sinto-me feliz sempre que participo de atividades nas escolas sobre a preservação do meio ambiente com este público, sem paradigmas formados ou opiniões e conceitos prontos.

As crianças de hoje se tornarão os dirigentes e líderes organizacionais e políticos amanhã. E certamente elas não apresentarão resistência em mudar, como se comportam atualmente os adultos, que pensam que estão prontos e cheios de sabedoria, embora sendo destruídos pelo vício de poluir e destruir a natureza sem foco no coletivo.

Independente de sistemas ou regime político, se o homem vive numa cultura capitalista ou não, isso apenas influencia. Mas, o que determina é a atitude de cada um, a falta do repensar na condição sócio-ambiental e econômica do planeta, frente ao maior desafio da humanidade, que é a capacidade de viver por aqui com qualidade de vida.

Recentemente, foi publicado um dos artigos que escrevi sobre meio ambiente no Caderno de Orientação ao Professor, uma obra do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Fundação Itaú Social, distribuída aos professores como ferramenta para ser incorporada ao dia-a-dia escolar.

O objetivo da escolha do artigo pela comissão da ‘Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro’ é a formação de opinião através de pontos de vista sobre a questão das alterações climáticas, enriquecer o trabalho nas escolas, por crianças e jovens dos vários cantos do Brasil. O programa ‘Escrevendo o Futuro’ é uma metodologia adequada que o MEC encontrou para realizar uma das ações do Plano de Desenvolvimento da Educação, idealizado para fortalecer o ensino no País, avalia a comissão organizadora do trabalho publicado.

É gratificante a oportunidade que surge em poder contribuir de alguma forma, seja pela escrita ou não, para a sensibilização acerca de uma causa tão importante, necessária e fundamental, como essa de cuidar da consciência ecológica e ambiental seja nas crianças, juvenis ou adultos. Confesso que quanto a estes primeiros, meus olhos brilham ao pensar neles como gestores sustentáveis e ecologicamente corretos no futuro. Pois já demonstram tal preocupação.

Segundo cálculos, cada pessoa produz em média 5 quilos de lixo por semana. No Brasil, de cada cem quilos, apenas dois são reciclados. Esses números mostram o quanto a consciência sobre o cuidado com a natureza ainda deve aumentar. Além de reciclar, é importante que se estabeleça a cultura de reutilizar o que pode ser aproveitado para outros fins. Outro fator importante é reduzir o consumo no cotidiano, repensar o que leva para casa ou para o trabalho, isso é consumir racionalmente.

A atitude de recusar o que não é ecologicamente correto na hora de fazer as compras é fundamental para que quem produz repense na forma de considerar o meio ambiente e passe a adotar um novo estilo de produzir e disponibilizar. Enfim, o repensar sobre todas essa questões está na atitude, que na seqüência se transforma em comportamento, que resulta em ações saudáveis, sustentáveis para essa e as gerações futuras.

Estimular as pessoas à sua volta a terem mais consciência ecológica é importante. Fazer também a parte que compete a cada um é o que pode fazer a diferença. "Se não podemos modificar o nosso comportamento, como esperar que os outros o façam?" Essa é uma reflexão do mestre budista Dalai Lama.

O estado em que vai se encontrar as décadas seguintes depende do que for feito agora. Eu continuarei acreditando nas crianças. Devemos aprender muito ainda com elas.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

MACACO, SER HUMANO E MEIO AMBIENTE


Artigo de Jair Donato
Conta-se que em algumas tribos africanas utilizam um engenhoso método para capturar macacos. Como os macacos são muito espertos e vivem saltando nos galhos mais altos das árvores, os nativos desenvolveram o sistema de pegar uma cabaça de boca estreita e colocar dentro uma banana. Em seguida ela é amarrada ao tronco de uma árvore freqüentada por macacos. Afastam-se e esperam as presas.

Um macaco curioso desce, olha dentro da cabaça e vê a banana. Enfia a mão e apanha a fruta. Mas, como a boca do recipiente é muito estreita, ele não consegue retirar a banana. Surge então um dilema. Se largar a fruta, a mão sai e ele pode ir embora livremente. Caso contrário, continua preso na armadilha.

Depois de um tempo, os nativos voltam e, tranqüilamente, capturam os macacos que, teimosamente, recusam-se a largar as bananas. O final é trágico, pois os macacos são capturados para servirem de alimento. Você deve estar achando inacreditável o grau de estupidez dos macacos. Afinal, basta largar a banana e ficar livre do destino de ir para a panela.

O problema deve estar na importância exagerada que o macaco atribui à banana. Ela já está ali, na mão dele. Parece uma insanidade largá-la. Essa história é interessante, porque muitas vezes as pessoas fazem exatamente como os macacos. Permanecem agarradas a coisas que prejudicam a si próprias como também aos demais em sua volta e ao meio ambiente em que vivem. São velhos paradigmas, velhas formas de ganho e produção que muitos não querem trocar por estilos novos, mesmo sendo sustentáveis.

A ‘banana’ da analogia citada, numa visão capitalista, pode ser simbolizada pelo poder e pela ganância de querer sempre mais, mesmo colocando em risco os recursos naturais que possui, como a capacidade de viver e a garantia de sobrevivência às próprias gerações. Segurar a banana pode significar ter mais ao queimar, destruir para acumular um lucro aparente, embora semelhante à construção de castelos em arenito.

A ação humana natural provoca impacto na emissão de gases que permanecem na camada do efeito estufa. Mas, de longe é isso o que põe em risco o planeta. É a produção em excesso do homem industrial, que usa combustível fóssil em demasia, queima e desmata sem planejamento e preocupação mútua, que está levando o planeta a uma pressão acima do que é capaz de suportar. Ele já não respira bem, vida sintomática é o que temos, com risco de agravamento.

Os valores que fazem a maioria dos altamente poluidores, governos e organizações, permanecerem com a mão na cumbuca do ganha-perde estão invertidos. Não seguram uma banana, como o simples macaco africano, e sim grandes dinamites, ao continuarem poluindo. E o estopim é a falta de consciência que ainda prevalece na ação de tantos.

Contudo, uma luz no fim do túnel começa a surgir, e vem da consciência do cidadão, do consumidor, da dona de casa. O dia-a-dia já conta com incontáveis pequenos exemplos, que sendo efetivos, pode fazer a diferença em cada localidade. E é claro que o impacto é global. Coisas simples podem causar menos impacto e que podem ser feitas dentro de casa. Quer refletir mais sobre isso? Veja o que cada mãe pode fazer.

No mundo, atualmente, nascem cerca de 09 crianças por segundo. Cada mãe que opta por usar fraldas de pano, por exemplo, pode contribuir para poluir menos o planeta. As fraldas descartáveis levam cerca de 450 anos para se decompor ao serem depositadas em lixões e aterros sanitários. Estimativas apontam que elas representam cerca de 30% do lixo mundial não biodegradável e 2% dos resíduos gerados numa cidade. E essa é uma ação que pode ser evitada em casa.

Com esse pequeno exemplo é possível perceber que muito do que está para ser feito compete a cada um de nós, individualmente. Basta que o pensamento seja voltado para o coletivo. A vida é preciosa demais para trocarmos por uma banana, que, apesar de estar na nossa mão, pode levar-nos direto ao caos. Agir sem apegos e disposto à mudanças é bem melhor, é viver com naturalidade.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

FENÔMENO ANTINATURAL



Artigo de Jair Donato

Nada há de errado no fato do planeta aquecer e esfriar. Isto sempre foi um ciclo natural da Terra desde há milhões de anos. Houve inclusive épocas em que ela esteve muito mais quente do que as previsões atuais indicam ao que pode chegar, até o final deste século. Esse movimento é uma transição, readaptação e continuidade das mais variadas formas de vida.

O que é estranho e assustador, para leigos e estudiosos do clima, é a forma como o planeta está esquentando, numa velocidade inimaginável até então. O que antes demorou centenas de milhares de anos, somente as últimas décadas já superou aquele período. Estamos numa era de destruição exacerbada, contínua e sem visão sustentável. Dentre tudo isso o que agrava é a causa que está nas intenções e nas ações do ser humano, que ainda produz e consome de foram irracional, em boa parte do mundo, isso é antinatural.

Vivemos numa cultura de valores invertidos sobre a vida e as diversas formas que ela possui ao se manifestar. Mostra-se uma violência na relação do homem com si mesmo. Afinal, o meio ambiente natural vai se reconstituir nos próximos milhões de anos que ainda possui, lentamente, sem demora, ele tem essa força. Pois em todos os reinos a vida está presente, de alguma forma, mesmo naquilo que parece inerte. A raça humana é que está em jogo.

Diante de tudo isso, a pergunta que não quer calar: O que, afinal, pode ser feito? Como estará o planeta por volta de 2100 possivelmente com mais de 10 bilhões de pessoas, com toda a pressão poluidora exercida sobre ele? Investir com visão de futuro agora pode ajudar e planejar melhor e entender as conseqüências que poucas gerações passadas já provocaram por centenas de outras.

A principal causa do aquecimento da Terra está na alta concentração de gases emitidos que se acumulam na camada do efeito estufa. Os setores industriais e energéticos, as políticas de governo, econômicas e a consciência do cidadão é que podem mudar esse curso. As queimadas e desmatamentos agravam ainda mais essa situação se não houver fiscalização mais assertiva em quem só pensa no lucro do ganha-perde, e perde de fato o meio ambiente.

O aumento do nível do mar, a alteração e a frivolidade da temperatura em diversas partes do mundo, o degelo das calotas polares, a acidez do mar devido maior absorção de CO² e o aumento do calor na água, que provoca extinção da vida marinha, além do aumento de furacões. Também a proliferação de doenças e a fome, o número de refugiados ambientais que começa a subir, são apenas alguns dos efeitos já presentes devido as atuais alterações climáticas rompantes.

O avanço do desequilibro no clima em função da ação humana exterminará milhares de espécies nos próximos anos, segundo uma série de estudos publicados por cientistas de várias partes do globo. 25% dos mamíferos correm alto risco de extinção nos próximos anos, um terço dos anfíbios e quase metade das tartarugas estão ameaçados, segundo a União de Conservação Mundial.

A taxa atual de extinção, revela a UCM, é de mil a dez mil vezes maior do que o índice natural. Isso é desequilibro. Ainda mostram os números que cerca de 2% do total das espécies escritas, em torno de 8.400 correm o risco de sumir do planeta em pouco tempo. Não é só o homem que sofrerá com o que provoca. A casa inteira está em risco. É tempo de pensar, rever e agir em prol de mais qualidade de vida coletiva para as atuais e as futuras gerações.

Ainda tem saída. “É importante repensarmos os padrões de consumo e produção da humanidade. Cada pessoa pode contribuir tanto a partir de seu comportamento individual, economizando energia e água, gerando o mínimo de resíduo possível”, diz sabiamente Luiz Piva, coordenador da campanha de clima do Greenpeace.

Acredito que o mundo mudará mais rápido assim, através de ações simples, que envolva o maior número de pessoas, do que apenas por grandes projetos de poucos sem a consciência ética da maioria. Todos estão com a vida comprometida, ninguém pode se eximir dessa responsabilidade. Talvez aí esteja a maior lição a apreender neste curto tempo que o homem abriga a Terra como visitante, ainda não tem bem educado, por sinal.


Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com