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terça-feira, 26 de julho de 2016

QUAL É SUA AGENDA?
Artigo de Jair Donato

Por natureza, sou incentivador do desenvolvimento das pessoas, acredito piamente no potencial latente em todos. Certa vez ao conversar com uma pessoa ainda bem jovem, ela revelou ter vontade de cursar psicologia ou direito. Incentivei-a e ela aparentemente se mostrou empolgada para tal desafio. E mediante minha disponibilidade em ajuda-la ainda naquele ano a fazer o vestibular, ela afirmou que gostaria sim de iniciar um desses dois cursos. Disse que dentre os demais, esses eram os que mais ela admirava. No entanto, alegava que até então não havia cursado devido o trabalho, embora ela mesma regesse o horário de entrada e saída do local em que prestava serviços.

Na ocasião, por indicação minha, ela poderia ter isenção da taxa de matricula na Universidade, o que já seria uma ajuda. Então fiz o comunicado sobre o dia do vestibular. Ela aparentemente confirmou que compareceria no dia do exame. Em seguida se justificou alegando que não daria para participar da seleção porque no dia marcado ela teria que trabalhar. Perguntei se não poderia negociar com alguém, pois o horário que ela deixaria de comparecer para fazer a prova seria pouco e logo retornaria. Mas, retrucou que não teria como.  Foi aí que ela disse que era a agenda estava cheia.

Então perguntei se a agenda de um dia de trabalho dela era maior do que a carreira e o futuro profissional que um dia disse ter almejado. Ela apenas disse que não iria cancelar a agenda. Ela estava certa, afinal era ao que ele se dedicava, e era assim que ela se empenhava. Certo, por ser atitude dela, mas não estava sendo competitiva para o mercado de trabalho. O fato é que eu não citei aqui um caso isolado. Isso acontece cotidianamente.

É grande o número de pessoas que por uma visão míope não consegue perceber o impacto que uma vida não planejada pode ter no futuro. É gente que talvez só vai reclamar quando a energia física e emocional já estiver esgotada, a capacidade de trabalho diminuída e as oportunidades no mercado terem se tornado mais seletivas. E é justamente essa gente que passa a reclamar do país em que vive, do ganho que obtém e confina-se a um destino de poucas opções quando se trata de qualidade de vida.

E você, já se perguntou o que tem como pauta na sua agenda pessoal? Qual é o tamanho do seu sonho, e da sua ousadia pessoal? Vale apena acordar mais cedo, disciplinar-se melhor para adquirir conhecimento e desenvolver habilidades que possam garantir um futuro promissor? Há quem pensa assim, são as pessoas que estão melhores no mercado de trabalho e na vida.

Quanto à pessoa a que me referi no inicio, ainda tentei argumentar sobre o tamanho da carreira que ele poderia ter ao concluir um curso universitário versus a agenda de um dia de trabalho, por mais comprometida que ela fosse. Ela simplesmente respondeu que sabia disso, eu duvido que sim, mas que não iria se prejudicar naquele momento. A verdade que até o prejuízo é uma dimensão relativa. A vida é feita de escolhas, uns escolhem a agenda, outros a carreira.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor e especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O QUE TE FAZ MELHOR?
Artigo de Jair Donato

Você tem consciência daquilo que te faz sentir melhor na vida e te produz uma mudança interior? Na visão do Dalai Lama, essa consciência está ligada à espiritualidade. Quanto tempo você investe naquilo que propicia qualidade de vida e bem estar a você, aos demais à sua volta e ao ambiente em que vive? Isso pode ajuda-lo a perceber o quanto tem de espiritualidade expressa na sua existência. Vários autores sinalizam que os líderes empresariais que serão bem-sucedidos daqui por diante são líderes com bases na espiritualidade, com valores íntegros, postura holística e sistêmica.

Hoje, nas organizações também é abordado o contexto da espiritualidade no trabalho, e sem necessariamente se tratar de religião, dogmas ou sectarismos peculiares. Mas de ações e práticas altruístas, socialização de valores como ética, humanização, motivação, reconhecimento, solidariedade e consideração às pessoas. E acima de tudo, o investimento no potencial latente que há no indivíduo com respeito à individualidade de cada um. Os mesmos preceitos são válidos para os demais contextos de convivência humana.

Investir em programas com foco na consciência sustentável, que dão relevância às questões sociais e ambientais, desde que por consciência e não por imposição da legislação, isso é espirituoso. E mais, direcionar os negócios com postura ética nas relações com o cliente, assegurando-lhe transparência nas operações, a prática da governança corporativa através de uma liderança transformadora, tudo isso reflete em crescimento moral dos envolvidos. É o mais puro reflexo da espiritualidade, sem preconceitos ou teorias dogmáticas.

A espiritualidade nas organizações é uma temática perceptível não apenas na esfera pessoal. Percebe-se ela na cultura organizacional através dos padrões de influência e poder, nas normas formais e informais, tanto implícitas como explícitas, que influenciam o comportamento dos integrantes. E fundamenta-se se pela junção dos valores, hábitos e posturas, atributos expressos pelas atitudes e interação entre pessoas e processos.

Um ambiente onde o preconceito, a corrupção, a cultura de coerção, o mau atendimento ao cliente, a violência, falta de integridade, resistência à mudança e a desvalorização da equipe interna prevalece é um espaço carente da nobreza de espiritualidade. Contudo, caráter, respeito, harmonia, trabalho em equipe, discernimento, seriedade, cultivo de virtudes, o cuidado com a moral pessoal, maturidade nas decisões e no tratamento dispensado ao semelhante, comprometimento, colaboração, empatia e amizade são aspectos dignos de uma espiritualidade sadia. São fatores que se comungam e se tornam aspectos colaborativos para uma convivência saudável. Definitivamente, para que isso ocorra não é necessária imposição de rótulo religioso, e sim de melhores níveis de consciência.

Para quem reflete e toma consciência diária sobre os próprios movimentos, estabelece conexões de estima consigo, preserva, respeita, considera as demais pessoas, o ambiente em que vive e os ecossistemas, não há rótulo religioso, ideologia ou teoria que supere isso. Viver pela consciência e não se comportar apenas por obrigação ou imposição da lei é um caminho para o equilíbrio. Estes são preceitos básicos sobre seu nível espiritualidade.

Pode haver alguém mais espiritualista do que aquele que age com sinceridade, integridade, e ainda propicia momentos felizes aos outros através de um sorriso, um elogio ou uma simples acolhida? O indivíduo que lida bem com as próprias emoções e se torna cada vez mais assertivo, resiliente, altruísta, ético e colaborativo, esse sabe fazer uso da subjetividade contida na espiritualidade em favor do bem comum. Então, como está seu quociente de espiritualidade?


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor e especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 4 de julho de 2016

ESCRAVOS DE JÓ

Artigo de Jair Donato

Certa vez li sobre a explicação que uma pessoa deu, ante a uma tendência quase incontrolável que ela confessava ter para a invenção. Contou ela que numa certa manhã tentou convencer uma moça de que a música infantil "Escravos de Jó" era uma composição poética referente à homossexualidade cujo significado permanecia por centenas de anos.

Então relatou que a cantiga vinha dos acampamentos militares espartanos, que se tornaram famosos por incentivar namoros entre os próprios soldados, pois aquela seria uma maneira de lutarem com mais bravura. Esses soldados eram normalmente recrutados entre os escravos. Jó teria sido um general famoso, amante de Péricles numa das mais belas páginas da história antiga devido à rivalidade entre as cidades que pertenciam a ambos. Ele escrevera alguns livros, hoje já perdidos, que estabelecia a relação entre a guerra e a homossexualidade.

A explicação para a composição não era difícil de entender. O verso "Escravos de Jó jogavam caxangá" significava que os escravos sexuais de Jó faziam brincadeiras entre eles. Caxangá, em grego vulgar arcaico, era uma dança sensual, vinda da Turquia, um movimento em que os órgãos sexuais dos dançarinos se tocavam.

A parte da música "Tira, bota deixa o zabelê (ou Zé Pereira) entrar" era uma referência clara à penetração e à necessária permissão da parte passiva. Enquanto "Guerreiros com guerreiros fazem zig-zig-zá" novamente fazia referências aos jogos sexuais. Isso, claro, configurava uma orgia, realizada alegremente nos acampamentos dos valorosos espartanos. Pronto, aí está a explicação sobre a origem da música. O que você achou?

E sabe o que fez a pessoa que ouviu tal explanação? Ela acreditou. Foi aí que o contador de história disse sustentar a ideia de que é fácil convencer as pessoas de quaisquer absurdos que você queira. Basta que alguém não conheça o assunto em questão e você reforce sua teoria com alguns dados pretensamente históricos, e dá certo. Sabe o motivo? As pessoas normalmente têm preguiça de checar as fontes.

É mais fácil acreditar leigamente no que alguém diz do que averiguar os fatos. As pessoas partem do princípio de que ninguém é tão idiota a ponto de inventar uma história dessas, conclui o contador dessa história, que afirma ter sido esse o exemplo mais próximo da semiótica que ele teve, quando uma besteira combina com a outra.

Embora contido numa aparente brincadeira, isso traz uma reflexão para o cotidiano. Na área profissional e nos relacionamentos em geral, é uma postura de maturidade não acreditar cegamente em qualquer coisa. O que já disseram a você sobre os diversos aspectos da vida? As vezes, por pura desinformação as pessoas vão repassando uma história que a princípio até possuía alguns elementos verdadeiros, mas que se perdem em pouco tempo.

Especialmente com o advento das redes sociais, é comum as pessoas replicarem informações falsas como se fossem reais. E ainda há outro tanto que compartilha com comentários distorcidos, e a situação vira uma bola de neve. E devido a rápida abrangência, se torna pior do que a lúdica atividade do telefone sem fio.

Da próxima vez que tiver que repassar uma informação recebida, será prudente verificar a fonte e quem sabe evitar desde o replique de um vírus no seu dispositivo eletrônico ou até quem sabe, um ruído que possa atrapalhar a própria vida.

Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor e especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br