Total de visualizações de página

terça-feira, 26 de abril de 2016

MOTIVAÇÃO OU EMPOLGAÇÃO?
Artigo de Jair Donato*

O que de fato motiva uma pessoa no trabalho? Por mais de uma década tenho vivenciado no ambiente organizacional e recebido várias propostas de clientes com posições estratégicas dentro das empresas, solicitando palestras ou alguma atividade de interação para que “motivassem” as equipes deles. De alguma maneira, os relatórios apresentavam baixa produtividade ou o clima entre os colaboradores denotava pouca animosidade, então deduziam que atividades dessa natureza poderiam motivar as pessoas. Era esse o pensamento, como se isso fosse igual a ligar um botão de interruptor que simplesmente fora desligado. Ainda ouço também por parte de funcionários reclamarem que a empresa não promove palestras ou não aumentam o salário deles para motivá-los.

Será mesmo que as pessoas entendem o que é um motivo para ação? Há empresários que ao receberem a divulgação de um ciclo de palestras com o tema “motivação” logo providencia credencial e envia toda a equipe para que fique por horas assistindo a um show bem humorado sobre como vender mais ou melhorar o relacionamento. Mas, por que logo após todo esse investimento (ou seria custo?) as pessoas se empolgam até o dia seguinte, e no máximo em uma semana voltam a se portarem como balões murchos, sem gás algum que as impulsionem?

É bom que fique claro que motivar não é semelhante a um show de comédia em que você paga, ri bastante, esquece o resto do mundo, compartilha nas redes sociais, mas no dia seguinte, todos os problemas continuam. Nunca que uma palestra ou um evento esporádico vai motivar uma equipe que não possui motivos para satisfação no trabalho dentro do próprio contexto profissional ou na vida. O mercado ainda está repleto de palestras e eventos “empolgacionais”, algo extrínseco, que vem de fora, e que não muda nenhuma configuração interna de quem participa.

Faço uma série de palestras nas empresas, e é uma das atividades que executo com prazer, mas sempre deixo claro o papel delas. Servem para lançamento de um programa na organização, um produto novo, abertura ou encerramento de um evento, reforço e sensibilização de uma mudança proposta, celebração de uma data, dentre várias outras razões, mas nunca para motivar as pessoas, isoladamente.

É notório que em muitas ocasiões uma palestra intitulada como “motivacional”, no máximo empolga o público, isso não é atingir o objetivo. Quem está ali fica contente pela habilidade de quem conduz a atividade, pode até fazer promessas de mudanças, mas nada disso ocorre de fato, se não houver estrutura que a complemente. Para a empresa motivar os colaboradores, antes ela precisa saber alinhar de maneira estratégica os valores e objetivos que possui com os valores e objetivos das pessoas.

Como uma empresa consegue motivar as pessoas, por exemplo, se a liderança não muda o comportamento e continua tratando de maneira ríspida a equipe, ou mantendo uma cultura de coerção? Impossível. É tiro que sai pela culatra ao desejar motivar pessoas sem uma mudança que surja de dentro a que faça sentido para o outro. É aí quando o que pensa ser investimento se torna custo, e caro.

Quer motivar uma equipe? Propicie a ela um projeto de vida, um plano de crescimento na carreira ou programa de treinamento e desenvolvimento que esteja coerente com a maneira de agir da própria organização. É preciso que o discurso seja congruente com o que pensa e como age a liderança da empresa, tudo isso alinhado aos processos e as ferramentas por ela dispostos. Isso pode ser dado início com uma palestra cheia de energia, jogos vivenciais ou dinâmicas de grupo que façam sentido com as coordenadas seguintes. Este pode ser o investimento que motiva e provoca mudança, o resto é empolgação, pequenos momentos de euforia.

O que há dentre os seus propósitos que o faz trabalhar para realização das metas da empresa em que você trabalha? A questão fundamental da motivação não está “no que você faz” ou “como você faz”, e sim no “porquê” você faz. Qual é motivo para isso? Há quem vive esperando se motivar por questões externas como salário, sorteios e prêmios. Isso pode incentivar, mas é um episódio que dura pouco, não motiva. Se há interação contínua entre os seus valores e os da sua empresa, ela motiva você. Se você se dedica ao trabalho como uma causa na vida, então sua motivação está em alta. Afinal, seus propósitos e suas crenças estão alinhados?


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor e , especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 20 de abril de 2016

ADIEMUS
Artigo de Jair Donato*

Vamos aproximar? Gostaria de propiciar a você, caro leitor, neste momento de efervescência que vivemos em nosso país, uma reflexão sobre este convite, que literalmente surge do termo adiemos, em latim. A proximidade é um fator que gera união e foca naquilo que é comum. Consta em um dos preceitos da ONU que a paz e a guerra, ambas começam na mente. É importante atentar-se ao conteúdo que o povo de uma nação mantem ciclicamente no âmbito do pensamento, mesmo que ainda não se resulte em ação, desde uma simples discussão até as decisões tomadas no âmbito da legalidade. Isso é algo cujo início se dá antes no âmbito individual.

O que será necessário a um país para que cresça não apenas política ou economicamente? A pauta que vigora entre os governantes é de união ou de disputa? Prevalece o progresso ou a revolta? Além de uma política limpa, economia crescente, o que mais deve aproximar as pessoas? Moralmente, ainda há poucos exemplos. Há um caso recente que merece reflexão sobre o quanto precisamos de mudança em um nível de consciência mais profundo.

A turbulência gerada pelos parlamentares no Congresso Nacional, durante a sessão para voto do impeachment da Presidente da República, evidenciou claramente sobre a postura e os valores dos representantes políticos do nosso país. Os ataques à moral dos integrantes da casa, a falta de educação dos envolvidos ao se comunicarem como gritantes eufóricos, além da ausência de objetivo comum, podem ser vistas como indícios explícitos de pouca maturidade por parte de quem se propõe ao serviço público. A escolha pelo sim ou pelo não resultou em alegações das mais torpes e individualistas. Foram destoantes com a função de cada um que é a de representar a população e trabalhar pelo bem coletivo. Ao invés de se referirem a motivos pontuais ou a projetos, citavam esposas, filhos, sobrinhos, tios, falecidos, menos a busca pela justiça ao país. Não tive certeza se sabiam mesmo o porquê de estarem votando.

Enfim, esse é um evento que pode também acontecer no mundo dos negócios ou em qualquer outro segmento, quando não há o pensamento focado na coletividade. Será que dessa maneira, há como as pessoas se aproximarem, de fato? Há um conjunto de pensamentos, sentimentos e emoções que atuam numa dimensão global que pode ser denominada de mente coletiva, que de alguma maneira exerce uma influência no ambiente em que vive o homem. Emerson, considerado pai da psicologia norte-americana ponderou que o homem se torna o resultado daquilo que ele pensa o dia inteiro. Imagine o que você e a mente coletiva pensa, durante o ano e uma década inteira. A formação desse ciclo pode perdurar por toda uma existência, ou melhor, formá-la.

Cada um se torna de fato, aquilo que se reconhece ser, pelas escolhas que faz, pelas referências e limites a que se condiciona. Isso ocorre seja pelo que se coloca em prática, pela cristalização de um campo de crenças, estilos e hábitos adquiridos. Agora pense um pouco sobre sua existência aqui na Terra. O que faz sentido e o que não faz para você? E o que você tem permitido aos outros para que façam com você? Há um contexto que necessita de mudança no aspecto social em que vivemos que vai além dos patamares da política e da economia. Essa é uma questão que se amplia no campo valorativo, da moral e da ética.

Quanto a ocorrência dos fatos, quaisquer que sejam eles, não podemos ignorá-los. Pois sempre serão propícios para reflexão e mudança. Contudo, estimo que possamos nos envolver sempre em movimentos com o pensamento que aproxime a todos, que as críticas sejam para evolução e que as diferenças sejam para unicidade. Não precisamos fugir dos eventos do mundo em que vivemos, mas podemos atuar como agentes de mudança para unir os pontos, aproximando-nos daquilo que é benéfico para o bem comum. Seja um pensamento, uma decisão ou uma ação, o que fazemos no dia a dia, aproxima-nos do que e de quem?

O que o mundo precisa é de maturidade, propósito firme e desenvolvimento de consciência. Isso é mais que atuar apenas na política ou qualquer outra inserção social que possa emergir. Aproximar-se não significa se tornar igual, agir da mesma maneira, anular-se ou concordar por condescendência. Significa aumentar o foco, a força e a unicidade em prol de uma causa maior. Que tal nos aproximarmos mais? Das causas nobres, das pessoas, daquilo que faz bem. Adiemus!


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 12 de abril de 2016

RIGIDEZ COGNITIVA
Artigo de Jair Donato*

Quantas vezes você deixou de ouvir o que uma pessoa tinha a lhe dizer com a justificativa de que já sabia do que se tratava? Essa é uma atitude que às vezes impede o indivíduo de ver o que realmente deveria, por considerar apenas os próprios referenciais internos. Por quantas vezes você consegue ouvir o outro no contexto dele, além das suas próprias expectativas?

A atitude de não prestar atenção ao indivíduo que está estabelecendo uma comunicação provoca o reducionismo dele em detrimento às questões do próprio ego de quem, pressupõe-se, que esteja na escuta. Esse é o risco da redução, ao tentar deduzir que já sabe o que o outro quer falar, como às vezes pode fazer o professor em relação ao aluno ou o pai frente ao filho.  Essa é uma conduta que pode fazer um ficar surdo na relação com o contexto do outro e assim deixar de instigá-lo a exteriorizar o que há de melhor nele. Tal falha cognitiva não faz bem ao educador ou a qualquer outra pessoa que se dispõe a contribuir para o desenvolvimento do próximo, seja na vida profissional, como em todas as demais oportunidades de desenvolvimento do ser humano.

Ao desenvolver as habilidades da empatia, do acolher e do saber ouvir sem pré-julgamentos o indivíduo pode evitar a síndrome da rigidez cognitiva. Ou seja, é quando ele se torna mais flexível e passa a entender o outro no contexto e nas referências e padrões dele. Todas essas habilidades podem ser desenvolvidas. Dentre elas, o ato de ouvir, por exemplo, não é algo que seja fácil, especialmente quando se deve captar o que o outro diz implicitamente. Talvez, por vivermos num mundo em que a pressa, a frivolidade e o que é superficial recebam mais atenção do que o olho no olho, ouvido no ouvido ou o contato corpo a corpo.

Reza um provérbio indiano que quem está apaixonado por ti sabe falar-lhe lindas palavras, mas só quem te ama sabe escutar-te. Talvez o ato de escutar o que verdadeiramente o outro tem a expressar esteja ligado a um sentimento mais profundo, a um interesse genuíno, como o sentimento de amor isento de malogros possa contemplar.

O psicólogo vienense Alfred Adler, elucidou que o indivíduo que não está interessado no seu semelhante se torna naquele que terá as maiores dificuldades na vida e causa os maiores males aos outros. É entre tais indivíduos que se verificam todos os fracassos humanos, completa. Por vezes, quando o indivíduo se aproxima e deseja uma conversa, ele não solicita mais do que isso, sequer pede conselho ou que você resolva o problema dele. A necessidade dele é falar-lhe, apenas. Contudo, nem sempre as pessoas se dispõem a isso, embora por vezes reclamem que ninguém entende os anseios delas.

Exímios comunicadores revelam que preferem a habilidade dos bons ouvintes do que apenas a dos bons faladores. Seguramente, o melhor conversador, com congruência no conteúdo e base para argumentação é aquele que atua como o melhor ouvinte. Mais que ouvir, escutar e perceber o outro são excelentes alternativas para que haja mais flexibilidade e compreensão nas relações. Ainda, perceber o inaudível é uma escuta com profundidade.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 4 de abril de 2016

SUAS IDEIAS SÃO CLARAS?
Artigo de Jair Donato

Como está sua comunicação na relação com os outros? Você é eficaz quando expressa suas ideias? Há pessoas que são tão objetivas e agradáveis ao explanar uma ideia que em cinco minutos de conversa com elas prevalece a sensação de como se tivessem conversado por mais de uma hora. Enquanto há outras que se você conversar com elas por duas horas, sairá mais confuso do que antes do diálogo. Uma comunicação mal estabelecida implica em ruído para o receptor, o que dificulta a compreensão dele.

São vários os fatores que podem dificultar a comunicação. Um deles é a forma prolixa na expressão. Exemplo disso é o tipo de texto muito extenso com uso excessivo de termos para dizer o que é óbvio. Quando alguém fala demoradamente ou escreve muitos parágrafos a mais para dizer a mesma coisa, pode causar dubiedade e rejeição pelo que deseja expressar. Outro fator prejudicial é a falta de clareza. E quando isso se torna explícito na comunicação escrita, o texto fica pouco atrativo. Há ainda quem se expressa de maneira rebuscada e desconexa, apenas provoca confusão no interlocutor.

Mas, qual são os mecanismos que estabelecem a excelência na comunicação? Um deles é a capacidade de síntese, fundamental para que uma ideia se torne objetiva. O contrário de um texto prolixo é uma mensagem concisa, sucinta, que expressa ao interlocutor sem delongas o que é essencial. Outro mecanismo é a clareza. É o que torna um texto ou uma fala com aspecto de transparência, fácil de ser apreendido. Um escrito ou uma fala de um jeito claro faz com que a mensagem cumpra o objetivo almejado. O físico alemão Albert Einstein disse que "Se você não pode explicar algo de forma simples, então você não entendeu muito bem o que tem a dizer".

Há também um aspecto relevante que dá sentido e enriquece as ideias contidas no texto ou na fala. É a coesão, que significa a harmonia estabelecida entre os elementos. Uma expressão coesa é uma ação coordenada em que cada parágrafo ou ideia estabelece ligação com o que vem a seguir.

Então, para que a comunicação agregue valor ela não depende de estratégias complexas, pois isso a torna pouco aplicável. Ela precisa ser simples. A simplicidade é um atributo das pessoas assertivas na comunicação. De origem latina, o termo “complexo” significa algo que possui “muitas dobras”. Já o “simples” possui uma dobra só. Há gente que complica a própria vida como um todo por estabelecer uma comunicação difícil com os demais. Seja médico, feirante, treinador, educador, escritor ou negociador, todos  obterão melhores resultados quando transmitem a outrem conteúdos com linguagem simples.

A simplicidade na comunicação é sinônimo de sabedoria. O filósofo chinês Lao Tse, elucidou que para alcançar o conhecimento, deve-se acrescentar coisas todos os dias. Mas, para alcançar a sabedoria, será preciso remover coisas todos os dias. Talvez aí esteja a enorme diferença entre o conhecimento e a sabedoria. Os dois são importantes, porém uma pessoa sábia é antes de tudo uma pessoa simples. Dentro de um universo de possibilidades para o estabelecimento da excelência na comunicação, expressar-se bem as vezes significa retirar os excessos para que haja simplicidade, clareza e coesão.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br