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quinta-feira, 27 de março de 2008

SUA EMPRESA É ESTRATEGICAMENTE VERDE?


Artigo de Jair Donato

O que vai acontecer com as empresas que não se ocuparem com ações para redução dos impactos ambientais provocados pelas próprias atividades, seja de produção, implementação, logística ou consumo? Vão sumir, é isso mesmo. Enquanto algumas estão contribuindo com ongs, através de projetos de responsabilidade sócio-ambiental, outras estão em fase de elaboração de projetos. E existem exemplos que já estão sendo viabilizados.

Talvez o maior entrave ainda seja a ignorância por parte de quem pode e deve investir, mas pensa que as mudanças climáticas, como o aquecimento global, não têm nada a ver com o comportamento humano, com os negócios e com a economia mundial. Muitas empresas poluidoras em potencial estão pouco preocupadas com o meio ambiente, o faturamento é o que importa. Mas, certamente isso não será por muito tempo.

No artigo anterior abordei sobre o alerta que a ONU faz para governos e empresas do mundo inteiro, caso não mudem o paradigma e repensem nas ações com sustentabilidade nos negócios. E o personagem principal que deixará de privilegiar os produtos que não forem ecologicamente produzidos e comercializados, será o consumidor. Ele tem a força e a cada dia fica mais informado, embora ainda precise de mais postura e consciência na hora de retirar um produto da gôndola do supermercado ou qualquer outra compra que efetuar.

Imagem ou reputação? Esse é o questionamento estratégico que cada empresário deve fazer. Uma agencia de publicidade consegue cuidar da primeira opção. Mas reputação não se constrói com peças publicitárias apenas. É o dia-a-dia da empresa, o comportamento dela frente aos negócios, em relação ao social e ao meio ambiente. É a atitude da organização em relação aos parceiros, a comunidade e a natureza que garantirá a permanência dela no mercado numa visão de longo prazo.

As empresas já perceberam que investir em ações sociais é uma forma inteligente de agregar valor à marca, sem fazer filantropia. No entanto, a questão ambiental é sumamente importante, por ser base de sobrevivência tanto do social quanto de qualquer negócio, independente de origem, porte ou setor em que atua. É preciso ser estratégico ao tratar das ações ambientais e não apenas se envolver pelo aspecto marketeiro, pois o consumidor pode não corresponder a qualquer expectativa que não seja sustentável.

Contudo, é importante reconhecer que já existem exemplos corporativos ecologicamente corretos no mercado. Indústrias e prestadores de serviço surpreendem em relação à preservação do meio ambiente através de programas de reutilização e o uso racional da água, um bem finito ainda mal utilizado. A neutralização da emissão de carbono, a troca de materiais poluidores por opções alternativas, o uso de energia limpa, dentre uma infinidade de outros exemplos que abordarei nos artigos posteriores.

Penso que qualquer empresa pode começar sem a preocupação com o quanto vai gastar. É possível iniciar uma ação ambiental no local de trabalho sem investimento financeiro. Pelo contrário, ao viabilizar um programa de consumo consciente de energia e de água, de reaproveitamento de materiais, reciclagem de papel e coleta seletiva dos resíduos, como também repensar nos fornecedores de matéria prima, a empresa ao invés de gastar, passa a economizar, além de alimentar uma cadeia social produtiva e reduzir os impactos ambientais.

E sabe por onde tudo isso começa? Pela implementação da educação ambiental. Um programa simples, como reuniões periódicas com os clientes internos, inclusive com fornecedores, que propicie numa primeira fase, a sensibilização de todos para a causa ambiental. Em seguida, dá-se o início a implementação de ações cabíveis a cada negócio.

Sem alardes e sem grandes investimentos é possível fomentar a economia, beneficiar o social, preservar e conservar a natureza com toda a infinidade de recursos naturais que ainda existe à disposição de todos. A boa vontade é o começo de tudo. O que sua empresa pode fazer? Decida agora, ainda é tempo. Diz um provérbio africano: “Se você acredita em reza, então reze. Mas, enquanto isso vá fazendo”. Comece.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 19 de março de 2008

ESTRATÉGIA AMBIENTAL NAS EMPRESAS


Artigo de Jair Donato

Investir em soluções ambientais não é um delírio da mente de ambientalistas, como muitos homens de negócios pensavam até pouco tempo e agora são obrigados a rever os próprios conceitos. As empresas inteligentes sabem que precisam de uma nova postura, ante as mudanças climáticas. E também não é estratégico adotar programas ambientais apenas como ações marketeiras. Não há mais espaço para a maquiagem corporativa quando o assunto é o cuidado com o meio ambiente.

Os investimentos que as organizações estão fazendo em várias partes do mundo são decisões que fazem parte do negócio delas como forma de sobrevivência num mercado cada dia mais exigente e consciente. Quem for maleável que se adapte. Já é perceptível uma mudança, embora pequena, no comportamento do consumidor, que começa na hora de retirar um produto da gôndola do supermercado. Essa é a tendência e quem insistir em dispor produtos ou serviços à custa de danos ambientais, sem repor, que se cuide.

Os fenômenos provocados pelas alterações climáticas evidenciam a necessidade de ações efetivas por parte de quem produz, fabrica, faz intermediações e consome. Novas alternativas de negócios para redução da emissão de gases poluentes estão levando investidores a repensarem o desenvolvimento econômico mundial. A captura e armazenamento do carbono, o aumento da produção de alimentos e a busca da energia limpa como alternativa, que são necessidades para sobrevivência, tem sido atrações no mundo dos negócios.

O aumento da potencialidade dos recursos naturais e a diminuição do desperdício são desafios para empresas e governos neste final da primeira década do Século XXI. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um alerta, em 2007, para empresas e governos do mundo inteiro quando declarou: “Qualquer país ou empresa que continue a prejudicar o meio ambiente com a produção de gases de efeito estufa será condenado pela história”.

No fim da primeira quinzena de março, ocorreu na capital paulista o 3º Encontro Latino Americano e Caribenho da Rede de Governos Regionais para o Desenvolvimento Sustentável, evento que reuniu palestrantes de vários países para debate de estratégias e das dificuldades que as nações têm pela frente para combater as mudanças climáticas. Uma das discussões foi sobre o modelo atual de desenvolvimento dos países é fortemente baseado no lucro excessivo e no alto consumismo, sem margens consistentes à sustentabilidade.

Na ocasião, o secretário de meio ambiente do estado de São Paulo, Francisco Graziano, que implementou o projeto "SP amigo da Amazônia", anunciou que a partir de 2009 as empresas poderão ter certificação estadual e receberem um ‘selo verde’. E as empresas públicas só comprarão de quem possuir esse selo. São Paulo é um grande consumidor da madeira amazônica e essa é uma forma de combater o desmatamento ilegal, segundo Graziano.

Recentemente, parlamentares britânicos elaboraram uma proposta de lei visando responsabilizar criminalmente as empresas que comprarem ou comercializarem produtos oriundos do desmatamento ilegal em qualquer país, até mesmo do próprio Reino Unido. Lá, em vez de criar selos, a proposta pretende dificultar a permanência da empresa que não checar de onde vêm os produtos que compram. Caso uma empresa cometa tal ato uma única vez, já será o suficiente para a própria derrocada, a começar pela prisão dos donos.

É crucial que as empresas invistam na implementação de modelos ambientalmente responsáveis para se tornarem competitivas e se manterem eticamente produtivas num mercado, que em tempos de globalização, não tem fronteiras. Vários países mostram que é possível combater o aquecimento global sem desacelerar a economia, a exemplo da Alemanha, maior parque eólico do mundo.

A opção pelas ‘ações verdes’ é a onda que veio para ficar no mundo dos negócios. E a única estratégia capaz de equilibrar as necessidades da produção, do consumo atual e da qualidade de vida no planeta é a sustentabilidade. É a maneira de manter a capacidade de sobrevivência do homem na Terra.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 13 de março de 2008

GAIA PEDE SOCORRO


Artigo de Jair Donato

A Terra é um organismo vivo e os homens, assim como todas as formas de vida, são integrantes dela e não apenas passageiros como se pensou na época das conquistas espaciais, quando o planeta foi observado do espaço. Essa é a teoria de Gaia, do cientista inglês James Lovelock e da pesquisadora americana Lynn Margulis. Portanto somos células do tecido de Gaia, nome que os gregos antigos deram à Terra. Mas, para que o planeta possa ser salvo e compreendermos essa teoria, será necessário mudar a forma de ver o mundo, dizem os cientistas criadores da teoria.

O ser humano acostumou a ver o ambiente natural como algo fora de si, sem interdependência alguma. Talvez seja essa uma das causas da destruição da natureza em prol de objetivos egoísticos. Para que o homem pudesse surgir na Terra em condições ideais, a mãe Gaia durante bilhões de anos se preparou para gerar diferentes espécies e formas de vida. Enfim, permitiu a vinda de milhões de filhos que de forma ingrata, começaram a destruir a própria genitora. Esse equilíbrio natural foi rompido pelo aquecimento global, afirma Lovelock.

A cadeia alimentar, as plantas, a água, o solo, toda a biodiversidade existente não surgiu ao acaso, tudo faz sentido. A construção biológica na Terra ao longo dos bilhões de anos é uma forma de vida complexa, porém frágil, que faz parte de um organismo ainda mais profundo de ser entendido. Desse ponto de vista, somos um grão de areia, que nas últimas décadas tem se mostrado revolto com a própria causa. Em poucas dezenas de anos o homem conseguiu alterar significativamente o ritmo da vida por aqui. Algo que demorou centenas de milhares de anos para se organizar, a ação humana está destruindo em pouquíssimo tempo, isso é assustador.

Um exemplo do descuidado com o meio ambiente está na relação de consumo exagerado. Nesta semana a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lançou em Brasília a campanha ‘Consumo Consciente de Embalagens’ com o slogan “A escolha é sua, o planeta é nosso”. Na oportunidade ela destacou a importância da mudança na cultura dos consumidores na hora da compra e sobre a adoção do consumo consciente de embalagens plásticas. "Um passo à frente que nós daremos é voltado para o ecodesign, onde já se vai pensar a embalagem sem desperdício de material", afirmou a ministra.

Uma maneira eficaz para ser amigo do meio ambiente está na opção feita na hora do consumo. Qualquer cidadão pode ter a consciência sobre essa responsabilidade ao retirar um produto da prateleira e preferir o mais ecologicamente correto. Ou seja, optar pelos produtos com menos embalagens plásticas, evitar o consumo exagerado das sacolas desse material distribuídas nos supermercados. O Brasil já está investindo na tecnologia das sacolas biodegradáveis, que não agridem o meio ambiente, feitas a partir de fibras vegetais. São embalagens que se decompõe juntamente com o lixo depositado nelas sem causar danos à natureza.

Todos devem reduzir o consumo dos plásticos. Evitar, dentro do possível, colocar um saco dentro de uma sacolinha que vai dentro de outra e assim por diante. Mudar de atitude exige alterar a rotina. E pensar no meio ambiente começa em casa, com pequenas ações, como separar corretamente os resíduos produzidos, reaproveitar o que for possível, reciclar materiais que podem ser utilizados de outra forma, destinar às usinas e cooperativas as sobras e demais resíduos que possam ser transformados e gerar renda para outras famílias também.

O mundo precisa de um movimento rápido e certeiro para que o curso da Terra não seja alterado ainda mais e de forma drástica como tem sido nos últimos anos. Após a revolução industrial, adentramos num caminho sem volta devido a utilização absurda dos recursos naturais sem preservar e conservar a maior parte.

Cuidar do planeta é se ocupar das pequenas ações que estiverem ao próprio alcance. “Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha”, disse o filósofo chinês Confúcio. É a capacidade do ser humano viver no planeta que está em risco. Cuidar do planeta mãe é preciso.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 6 de março de 2008

REBULIÇO AMBIENTAL


Artigo de Jair Donato

Entrou em vigor nesta semana uma instrução normativa publicada pelo governo federal que regulamenta a suspensão das atividades nas propriedades com problemas ambientais visando conter a destruição na Amazônia. Serão embargadas as áreas dos produtores rurais que desmatarem na região. Mato Grosso é considerado pelo Ministério do Meio Ambiente o Estado que ainda mais desmata. Dos 36 municípios com restrições para atividades ambientais, conforme o decreto 6.321 publicado neste ano, 19 deles são mato-grossenses. Do outro lado, os agricultores dizem que estão sendo massacrados pelo governo.

Contudo, é absurda a atitude do ser humano, ainda desprovido de princípios, valores morais e éticos que se dá de maneira irresponsável tanto na esfera social, na economia, no trabalho, na política e também na relação com o meio ambiente. Recentes publicações mostram uma realidade sórdida entre o Amazonas e o Pará. Trata-se do golpe que já é aplicado há algum tempo para esquentar a madeira retirada ilegalmente da Amazônia, através de fraudes feitas com os Planos de Manejo Florestal Sustentável em Pequena Escala, destinado ao benefício de áreas de até 500 hectares.

O que foi criado como alternativa sustentável de renda para pequenos proprietários de terra vira alvo de gente desonesta que ameaça os que trabalham para manter o que ainda existe de saudável para o bem comum. A questão a ser considerada é que a verdadeira solução dessa questão depende de cada um. As leis e a fiscalização fazem parte, mas se tornam ineficientes à medida que o desejo de burlar, o instinto de destruir e o delírio pela riqueza emergente surgem da falta de ética e do pensamento em longo prazo.

A atitude de destruição é pior do que a mata devastada, o cerrado alterado e a falta de água. Essa é a mudança que nenhuma lei parecerá eficaz enquanto cada um não repensar e optar pela não continuidade do vandalismo ambiental. É incrível, mas todos os dias surgem notícias de gente exploradora, no meio dos bons. E eles continuam até que ações mais enérgicas sejam aplicadas, que a princípio, pode prejudicar os que não devem, mas no contexto geral se torna um bem.

O desmate em diferentes áreas continua, a poluição também, a extração de madeira ilegal é uma atividade do dia-a-dia, a exemplo do que acontece na Amazônia. Enquanto isso o governo e os órgãos fiscalizadores não se entendem com os números da destruição, por outro lado, donos de grandes áreas tentam se eximir de responsabilidades ambientais. E parte destes últimos se porta como crianças quando se melam com guloseimas e fingem que nada comeram, embora fiquem com os cantos da boca melados à vista.

Muita gente ainda se importa com a natureza por força da lei ou por imposição fiscalizadora, e não por consciência. Várias ações ditas em prol do cuidado com o meio ambiente são superficiais. Quando a maioria se pautar pelos princípios de uma vida coletiva saudável, nem serão necessárias tantas leis e fiscalizações. Mas, por enquanto esse é o paliativo para os inconvenientes.

Será muito bom quando a mudança for por plena consciência. Pois todos terão que mudar para sempre a maneira de queimar, desde o lixo no quintal aos enormes parques produtivos, assim como o desmate, a exploração dos recursos naturais, o consumo de alimentos, a utilização da água e os demais bens finitos da natureza.

E sabe onde está o poder para esse basta? Está em cada cidadão no ato de compra no supermercado, na roupa que se veste, na alimentação que é colocada à mesa, enfim, nas opções de consumo em todas as classes sociais. Está também no cuidado do meio ambiente à volta de cada um, na preservação e na conservação dos recursos naturais.

O mundo precisa de consciência e mentalidades geradoras de benefícios coletivos. Já existem bons exemplos espalhados por aí. Mas falo de uma mudança comportamental que marcará este século e que vai nortear os limites do terceiro milênio. A saída mais provável é a mudança de atitude.


Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com