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terça-feira, 24 de novembro de 2015

VOCÊ TEM SORTE?
Artigo de Jair Donato

O que suscita na sua mente quando você ouve ou lê esta pergunta? Sorte pode ser um termo mentalista que para muita gente envolve a concepção de mistério, magia ou crença no sobrenatural. Contudo, para quem é objetivo, há uma visão racional e convincente sobre o que seja sorte. É um olhar prático que faz muita gente bem sucedida e que atrai resultados precisos. A junção do preparo mais a oportunidade é uma racionalização oportuna para explicar o que é sorte. Afinal, toda pessoa bem preparada mediante qualquer oportunidade, só resta-lhe ser bem sucedida. E mesmo que a oportunidade não surja de imediato, quem tem o preparo a cria. Essa é a realidade de maior parte dos empreendedores.

Certa vez conheci a história do homem intitulado como o mais sortudo do Brasil, um carioca, administrador e na época com 24 anos. Trata-se de uma história sem trevos com quatro folhas no contexto, nem patuás ou crenças injustificadas. Na época ele já havia ganhado uma casa de quase cem mil reais e um automóvel importado cujo valor era de 150 mil. E mais, computador, fogão, bicicleta, geladeira, freezer, micro-ondas, máquina de lavar, DVD, jogos, móveis, roupas, título de previdência privada, dentre outros prêmios. Segundo o sortudo, houve meses em que ele chegou a ganhar mais de vinte promoções.

Qual é o segredo para aquele homem de sorte ganhar tanto assim? Você tem ganhado o que nos últimos tempos, especialmente nas promoções que existem no mercado? Se não tem ganhado nada, deve ser mesmo porque você não em sorte. Mas, por que esse rapaz tem tanta sorte assim? Segundo o cineasta, Wood Allen, noventa por cento do sucesso se baseia simplesmente em insistir.

Dois fatores foram fundamentais para que aquele administrador se tornasse um sortudo. Primeiro, ele aproveitava todas as oportunidades de promoção e se inscrevia nelas. Você se inscreveu em quantas promoções no último mês? Ele se inscrevia em mais de vinte mensalmente. Entende agora porque você pode não ter tanta sorte. A ideia é a de que quanto mais você se movimenta, entra em ação e pratica, mais sortudo você fica. O hábito daquele sortudo de participar de todas as oportunidades foi algo aprendido. Esse é o segundo fator importante para o sucesso dele.

Numa entrevista, a mãe do rapaz disse que quando ele era criança, tinha como principal brincadeira, sortear papel picado. Ele jogava vários papeis para o alto e exclamava para si mesmo que havia ganhado. Era uma brincadeira que mudou a vida da família. Foi nesse período que aconteceu algo importante para o aumento do índice de sorte dele. Pois dessa maneira ele treinou a rede neural do cérebro com a convicção de que tinha sorte e poderia ganhar tudo aquilo em que se movimentasse e participasse.

A consolidação da sorte para qualquer pessoa é a mesma. Ou seja, entrar em ação. Há muita gente que almeja ganhar um sorteio sem sequer preencher um cupom ou ganhar numa loteria sem efetuar um jogo. O rapaz treinou o cérebro numa fase importante do desenvolvimento da vida dele, ainda na infância, o que também pode ser feito em qualquer época.

Vale refletir um pouco sobre suas crenças. O que disseram a você na infância sobre o ato de possuir as coisas. Você cresceu ouvindo que “sorte é para poucos” ou que “não é para qualquer um?” Da próxima vez que algo não der certo para você, apenas reveja se seu cérebro foi treinado para isso. Na vida tudo é aprendizado. A maneira como o cérebro aprende, assim o executa. O desinteresse de muita gente para não aproveitar as boas oportunidades é o que as faz sem sorte. Há um provérbio africano que diz: “Se você acredita em reza, então reze. Mas, enquanto isso vá fazendo”. Começa por ai. E aproveite as promoções do fim de ano. Boa sorte na vida!


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 17 de novembro de 2015

DINHEIRO NO RALO E PUBLICIDADE DO GOVERNO
Artigo de Jair Donato

Qual é a razão para o governo federal dissolver pelo ralo quase 60 milhões de reais numa campanha publicitária apenas para apresentar o slogan de que é possível enfrentar e vencer a crise? Essa é a justificativa numa alusão às olimpíadas de 2016. E mais, a presidente do país explicou, e muito pouco, que isso fortalecerá o slogan de que “Somos todos Brasil”. Só que não. Está na hora dos governantes agirem racionalmente com foco no bem comum. Seguindo o exemplo, essa é reação é em cadeia. É uma cultura presente em todas as esferas do governo, do federal ao municipal, que precisa ser mudada.

Infelizmente, mediante medidas para redução de gastos, vejo o governo do Estado de Mato Grosso investir altas cifras para uma ação de efeito apenas estético. Veiculam-se principalmente na TV, peças publicitárias cuja produção não é barata. Uma é para mostrar as frentes de trabalho que o governo está encetando. Outra ainda mais absurda é tão somente para mostrar que o governo está pagando uma cifra, que ficou por volta de 3,8 milhões, para uma consultoria apontar se será viável ou não a implementação do VLT, do qual um bilhão de reais já se foi. Pode isso? Por que não mostrar apenas o resultado daquilo que conseguir ficar pronto? Já seria uma redução de custos. Quer mais? Recentemente foi lançado edital de concorrência pública para contratação de agências para que elaborem projetos e campanhas institucionais e de utilidade pública no valor de R$ 70 milhões para um contrato com vigência de 12 meses, e pode ser prorrogado. Chupa essa manga contribuintes.

Em tempos de agilidade nas vias de comunicação o governo tem meios de divulgação suficientes para elucidar sobre o que investe, sem ter que necessariamente ocupar horários nobres para uma superprodução da própria gestão. É um absurdo justificar que isso é para manter o povo informado. Comunicar é preciso, mas falo do princípio da necessidade que é achincalhado com o intento de campanhas dessa natureza. Quantas campanhas publicitárias sobre obras faraônicas ficam apenas na veiculação, e nunca são terminadas? Se o governo começar apenas por investir em campanhas referentes às obras entregues, já daria um passo consciente.

Sabe o que é mesmo necessário? Seria reduzir tamanha superficialidade e destinar maior parte desses recursos ou pelo menos metade deles em favor dos hospitais públicos que matam pelo péssimo atendimento. E as escolas, aonde a violência se instala, acha que elas não poderiam ser beneficiadas com isso? Além dos incrementos na infraestrutura dos serviços públicos, eles não seriam melhores beneficiados se essas verbas fossem destinadas para essa finalidade? É muita maquiagem no âmbito do governo. Os gestores públicos sambam na cara do povo fazendo uso de verbas para politicagens que servem antes para eles como campanhas publicitárias para reeleição dos próprios egos, do que atenderem ao bem comum.

Sei da nobreza da publicidade e da importância do trabalho dos publicitários neste país. Não é da prestação de serviço deles que me refiro, até porque os que se beneficiam da enorme fatia do governo são bem poucos em relação ao mercado que existe. Sei que a publicidade é uma ponte que se move entre o mundo corporativo e o consumidor. Mas, no mundo dos negócios, o investimento corresponde aos fatos, o que não ocorre no setor público. O empresário investe e não apenas joga dinheiro fora a esmo como faz a máquina pública. O mercado publicitário é um negócio e os profissionais estão aí para produzirem e fomentar a economia, portanto não deponho contra eles. O que chamo atenção é o absurdo que o governo faz ao destinar verbas altíssimas, que sequer beneficiam toda a classe publicitária. Isso é o mesmo que encerrar a casca da maçã para dar brilho, cujo conteúdo anda bem podre na maior parte das instâncias. A falta do equilíbrio é a derrota de qualquer gestão.

Ou talvez, eu esteja errado. Não há mesmo problemas sociais no Brasil, pois se tem dinheiro de sobra. Ha escolas, hospitais, estradas, segurança, emprego e moradia para todos, sem contar a infraestrutura impecável nos serviços públicos. Afinal quais seriam os impactos das centenas de milhões de reais que ao invés de investirem em publicidade de autopromoção, fossem destinadas a educação, saúde, transporte, segurança pública e emprego? Investimento sem necessidade também é corromper o erário concedido pela sociedade. Pensa quanto o Brasil joga pelo ralo anualmente com publicidade que não corresponde aos fatos. Na verdade, essa é uma ponta do iceberg, a exemplo de uma série de desperdício monetário em vários outros setores. Daria uma série se em cada artigo escolhesse uma área em que dinheiro público é gasto sem uso do princípio da necessidade, tudo isso pela cultura da displicência com o dinheiro público.

Um questionamento para os governos. Será mesmo que desperdiçar milhões em campanhas publicitárias é a maneira de deixar mais claro para a sociedade sobre o que está sendo feito? O que será que tem maior poder de alcance: imagem ou reputação? Pense no impacto que pode produzir apenas na divulgação de relatórios de obras concluídas. Traria ou não maior benefício para a sociedade, além de permanecer na memória de todos em longo prazo? Isso é reputação. É algo que por mais vultosa que seja uma campanha publicitária, ela não consegue proporcionar.

Estimo que nesta ocasião de guerra contra a corrupção e movimentos em prol da ética, o governo se perceba melhor e contribua com a nação sendo mais parcimonioso na fala e nos gastos, além de mais contundente nos resultados. Será preciso um basta no continuísmo do mau uso do dinheiro público, um vício cultural que necessita ser extirpado.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O MUNDO NÃO QUIS OUVIR
Artigo de Jair Donato

A Organização das Nações Unidas após análise dos planos para redução de gases poluentes firmados por mais de 170 países, divulgou recentemente que ainda não foi feito o que prometeram. E que o atual cenário no planeta pode mesmo levar a temperatura a chegar a 2,7º, acima da meta acordada até então. Esta situação será apresentada em dezembro, na Conferência do Clima, que ocorrerá em Paris. Mas, o que impedem as pessoas de atentarem-se aos alertas?

Enfim, há décadas que isso não é novidade. A história do homem na terra desde os primórdios saiu de uma postura de dependência e submissão, seguida por uma visão sacralizada sobre a natureza até chegar ao antropocentrismo. Foi a partir desse contexto que a exploração desenfreada cujos impactos perdurarão por milênios daqui por diante passou a perder o limite. Mais recentemente, ao longo do século XX, o relacionamento entre o homem e o planeta alcançou grande proporção de transformação, sobretudo na percepção dos transtornos ambientais que ele tem provocado.

Os sistemas ambientais de maneira global não apresentam respostas lineares. É por isso que pequenas perturbações a esmo no meio ambiente podem provocar grandes efeitos e de formas inesperadas. É isso que tem ocorrido nas últimas décadas. Nada mais pode ser entendido isoladamente, sem uma visão sistêmica. Não dá para alguém dizer que em determinado local ou o que ele faz de antagônico à natureza não seja prejudicial ao todo. Qualquer ação sem planejamento gera progressões inimagináveis numa velocidade não esperada. São efeitos que se desdobram em outros.

Pensadores antigos ainda do século XIX, como também naturalistas, filósofos, intelectuais, religiosos e artistas já retratavam sobre a importância de uma consciência ecológica devido a poluição industrial e a destruição das matas nativas, como no caso do Brasil colônia, fato que provocava indignação até nas pessoas comuns da época. E de lá para cá ao fazer um retrospecto da área ambiental, há uma enxurrada de alertas, movimentos, relatórios e gritos de socorro em prol do planeta. Mas, pouco foi feito até agora.

Mas essa era uma época em que problemas ambientais afetavam apenas os trabalhadores. Foi a partir da segunda metade do século XX que os impactos gerados no planeta começaram afetar as classes mais favorecidas que o mundo passou a dar mais atenção ao fato. Hoje, a proporção é tamanha que afeta a maneira de viver, a qualidade do ar, a temperatura e a economia em escala global. Será que será possível um despertar a tempo? Se o mundo ainda não acordou de fato, não tem sido por falta de alerta.

Desde antes da década de 1950 que vieram surgindo no mundo, especialmente no científico, movimentos, estudos com indicadores sobre a preocupação ecológica. A Carta de Atenas, de 1933, redigida por uma equipe de arquitetos, que pontuava algumas críticas pontuais sobre essa temática. Após vários outros movimentos, surgiu a criação da Organização das Nações Unidas, em 1945, que além da paz e dos direitos humanos, gradativamente foi assumindo cada vez mais a percepção sobre a preocupação com as questões ambientais. Hoje é a responsável por chamar os países para as conferências globais sobre a situação do planeta, como a que vai ocorrer em dezembro deste ano na França.

O mundo inteiro sabe sobre os marcos que foram as conferências de Estocolmo, em 1972 e tudo que ocorreu como avisos até chegar a Rio-92, no Brasil em 1992. Relatórios, estudos, aferições, dados precisos já foram apresentados sobre o caos que está nas condições climáticas da terra, especialmente nas últimas décadas. Mas, poucos líderes governantes assumiram entusiasticamente tal compromisso em nome das nações mais poluidoras do planeta. É inegável que cresceu uma consciência ambiental neste tempo, mas os impactos ambientais têm sido ainda maiores.

O ambientalista americano Al Gore diz que as pessoas se acostumaram a pensar em mudanças por um período bem curto, como uma semana, um mês, um ano, quando muito, por um século. Contudo, a maioria das pessoas não consegue enxergar esse novo padrão da nossa relação com o meio ambiente que tem sofrido exacerbada transformação. Isso ocorre porque ele é global e não estamos acostumados a uma nova visão espacial assim tão ampla. Mas, penso que é preciso que o mundo veja isso o mais rápido que puder. Já não estamos mais na era dos avisos, o mundo está em alerta. Que a humanidade possa adentrar 2016 com compromissos mais sérios sobre o meio ambiente. Isso reforçará o que for definido na Conferência do Clima, em Paris.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br