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quinta-feira, 26 de março de 2009

HORA DO PLANETA 2009


Artigo de Jair Donato
Será neste sábado, dia 28, o movimento mundial denominado “A hora do Planeta” que tem o objetivo de chamar a atenção da humanidade sobre o fenômeno do aquecimento global. Através de um ato simbólico que pretende apagar as luzes por 60 minutos, das 20h30 às 21h30, espera-se a adesão de 1 bilhão de pessoas em torno de mil cidades ao redor da Terra. É uma maneira de sensibilização e será importante que cada um ao aderir a essa causa, faça mais do que apagar as luzes por uma hora. O uso racional da energia para menor emissão de gases poluentes na atmosfera é o alerta principal nos países em que os combustíveis fósseis é o que fornece energia, a exemplo da China.
Esta é a terceira edição e a primeira vez que o Brasil vai participar do movimento. A organização não-governamental WWF-Brasil, articuladora, também quer conscientizar a população brasileira sobre o desmatamento e as queimadas, o que ainda coloca o Brasil como grande emissor de gases do efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO²). Dados de órgãos ambientais do governo mostram que a maior parte dos desmatamentos e queimadas se dá pela ilegalidade.

É notável que ainda prevalece uma preferência em burlar os preceitos legais para tratar a terra de maneira ecologicamente incorreta. O fator que motiva a esse crime contra o meio ambiente está em maior busca do lucro insensato e mercantilista do que no benefício social. Crescimento econômico? Não é só isso. Pois numa base unilateral não pode existir produção sem destruição. A concepção da sustentabilidade, um negócio bilateral, ou seja, produzir sem destruir para esta e as futuras gerações, precisa começar na atitude, nos valores de cada um.

Em cerca de 200 anos a Terra perdeu 6 milhões de quilômetros quadrados de florestas. A carga sedimentar resultante da erosão do solo aumentou três vezes nas principais bacias fluviais e oito vezes nas bacias menores e mais intensamente usadas. O volume de água retirado de mananciais cresceu de 100 para 3.600 km³ por ano, é o que revelou o Relatório Cuidando do Planeta Terra, ainda na década de 1990. E as proporções dessa destruição dos recursos naturais são alarmantes e tem aumentado na última década. Trata-se de fatos que merecem profunda reflexão do ser humano que produz e, principalmente, do que consome.

“O gesto simples de apagar as luzes por sessenta minutos, possível em todos os lugares do planeta, tem como objetivo chamar para uma reflexão sobre a ameaça das mudanças climáticas”, esclarece a equipe da WWF-Brasil. Mais de 55 municípios brasileiros vão participar do movimento e cerca de 650 empresas, organizações e instituições cadastrados já confirmaram a adesão à Hora do Planeta, além de um número incontável de pessoas.

O alerta continua e o homem precisa trabalhar para a garantia da própria capacidade de viver na Terra através da mudança no estilo de compra, no uso, na produção, e acima de tudo, na educação. Educar a si próprio e aos que circundam seu ambiente.

Na verdade, chegou a hora da humanidade. Chegou a hora da mudança no paradigma de consumo e do uso dos recursos naturais, desde o uso doméstico até as mega produções às custas da destruição do que é natural e fator de equilíbrio para o planeta. O mercantilismo exacerbado presente no mundo capitalista é muito barato em relação a uma destruição pode valer a vida de todos. A vida dos humanos está comprometida agora. E parece incrível ter muita gente que vive alheia a tudo isso, principalmente aqueles cuja mudança sobre as questões ambientais, implica no salário que recebe.

Participar de manifestações como essa é uma questão de atitude. É simples. Apague as luzes da sua sala. E todos podem aderir a “Hora do Planeta”, pessoas em grupos ou individualmente, escolas, empresas e organizações. Para se cadastrar e obter mais informações, basta acessar o site www.horadoplaneta.org.br.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 19 de março de 2009

CRISE MUNDIAL DA ÁGUA


Artigo de Jair Donato
A Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) criou desde 1993 o Dia Mundial da Água. É importante que neste dia, em 22 de março, como também nos demais, todos repensem sobre o uso e elimine o abuso desse bem finito e já escasso para mais de 1 bilhão de pessoas em todo o planeta. A previsão é que mais de 3 bilhões sofrerão com a escassez de água potável, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A falta de água é uma crise que se torna global. O fato é que há um desastre ecológico e o uso irracional desse precioso líquido põe em risco a qualidade de vida do homem na Terra.

Foi instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU), o período de 2005 a 2015, como a década da Água, cujo objetivo é a redução da água pela metade, através do uso sustentável. Este é um momento crucial para os que têm privilégio de utilizar a água todos os dias. Pois a falta do planejamento em longo prazo e do uso racional e equilibrado dos recursos naturais coloca em risco a capacidade do homem de viver na Terra.

A água doce potável se esgota em muitas partes do planeta. Somente 2,5% de toda a água do globo terrestre é doce. E 99,7% dessa água estão inacessíveis nas geleiras e embaixo do solo, nos lençóis freáticos. Somente 0,03% desse percentual estão disponíveis para consumo, dos quais, 50% ficam em sete países, dentre eles o Brasil, com 3% da população mundial, e dispõe de um potencial hídrico de 12%, o maior do mundo. E é um dos países que mais desperdiçam esse recurso. Só o uso doméstico consome cerca de 10% do total.

Das águas superficiais brasileiras, 75% estão na Amazônia, maior região hidrográfica, dentre um total de doze mapeadas no País. E a água já é escassa em vários estados. O desmate e as queimadas sem planejamento se tornam principais causas para a seca. Mato Grosso é a terceira unidade federativa do País em extensão territorial, considerado o Estado das Águas, por abrigar nascentes importantes que formam rios das Bacias: Amazônica, Platina e Araguaia. No entanto, devido ao desequilibro ecológico, em parte por falta de gerenciamento eficaz dos recursos hídricos, muitas nascentes no Cerrado já secaram.

Outro fator importante é o tratamento adequado para o uso da água. O cientista irlandês Patrick Dunlop, que coordenou estudos sobre a água, disse no Brasil, em recente encontro sobre empreendedorismo e físico-química das mudanças climáticas, realizado pelo Programa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), que ocorrem mais de 4 bilhões de casos de diarréia no mundo, sendo 88% decorrentes de uso de água contaminada. Segundo dados da ONU, a cada 20 segundos morre uma criança vítima de más condições de saneamento.

Se os atuais padrões de consumo se mantiverem até 2025, duas em cada três pessoas no mundo vão sofrer escassez moderada ou grave de água, informa a Organização das Nações Unidas, que calcula a população mundial na casa dos 9 bilhões de pessoas por volta de 2050. Portanto, a água não é uma demanda local e deve ser tratada como um assunto que avança os limites geográficos, socioeconômicos e culturais. Devido ao fenômeno crescente das mudanças climáticas, áreas que já vêm sendo afetadas pela escassez de água tendem a sofrer com secas mais frequentes.

Enfim, o que pode ser feito? Nas empresas, programas simples para utilização racional da água podem contribuir. Contudo, a lição pode começar dentro de casa. Todos podem tomar um banho de consciência ecológica e fazer a diferença. Cerca de 75% da água que consumida em casa são gastos no banheiro. 32% do consumo doméstico de água vêm dos chuveiros, que gastam cerca de 20 litros por minuto.

Cada um pode ajudar ao tomar uma ducha rápida ao invés de ficar longo tempo no banho. Ligar o chuveiro somente para se molhar e retirar o sabonete do corpo é um ato racional. Uma pessoa chega a consumir mais de 300 litros por dia na realização das atividades cotidianas. Por exemplo, a cada copo de água que você toma, outros dois copos são gastos para lavá-lo.

Enfim, são tantos exemplos simples no cotidiano como a dona de casa que pode redimensionar o uso da água nas atividades do dia a dia. Evitar lavar pisos e calçadas com esguicho. Reutilizar na limpeza a água usada para lavar roupas. É certo que o consumo das gerações futuras depende do que for preservado agora. Água é vida, literalmente.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 12 de março de 2009

CONSUMO DE DIÓXIDO DE CARBONO


Artigo de Jair Donato
Caiu no oceano pacífico o primeiro satélite da agência espacial americana (Nasa) projetado para mapear as concentrações de dióxido de carbono (CO²) na atmosfera terrestre. O objetivo do recente lançamento era detalhar a localização do CO² que engrossa a camada do efeito estufa e saber onde o gás está sendo emitido e ou absorvido em maior concentração. Esse seria o primeiro satélite lançado exclusivamente para estudo do gás carbônico e representava um enorme avanço para a comunidade científica. Mas, o mais grave é a contínua e acelerada emissão de gases, os vilões do aquecimento global, isso assusta.

No entanto, o que mais a humanidade precisa tomar consciência é de que toda a concentração do CO² e demais gases na atmosfera se deve ao uso demasiado humano, da energia fóssil a destruição do verde em face de um crescimento desigual unilateral, assim como demais práticas do consumismo coletivo irracional. O homem ainda não entendeu sobre a importância de uma convivência bilateral com o meio ambiente. Age como se não fosse parte da natureza e a trata como elemento periférico. A mesma natureza que se revolta e se torna agora impiedosa, pela lei da ação e reação. Afinal, se trata da destruição de um organismo vivo, além de complexo.

A queima de combustível fóssil e a mudança no uso da terra, onde as florestas são substituídas por plantações, é um dos principais fatores da alta concentração de gases poluentes na atmosfera, como o CO², disse o diretor de pesquisas do Instituto Polar Norueguês, Kim Holmen. E é um aumento condizente com a tendência de longo prazo, complementa o cientista. Alerta que vem sendo feito também por milhares de cientistas do Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas, IPCC. Mudar é preciso, e rápido.

No final do século XIX, um dos traços distintivos do ser humano era a capacidade de consciência e raciocínio. Surgia ali o pressuposto que consiste no conceito de que o ser humano poderia ser distinguido pela capacidade de raciocínio, de solução lógica de problemas e de flexibilidades na busca de opções e de soluções. Atualmente, as teorias que utilizam pressupostos racionais são amplamente aplicadas no estudo de consumidores e nas empresas.

Foi a partir de estudos de grupos de consumidores que surgiram várias teorias sobre o comportamento no consumo. As teorias racionais consideram os afetos humanos secundários, os quais só controlariam pessoas com problemas. Assim a grande massa dos consumidores teria consciência de seu comportamento e a controlaria. Surgiu também a teoria econômica com a visão de que o consumo é ditado por escolhas racionais sobre as disponibilidades dos produtos e dos recursos necessários para obtê-los. Será mesmo assim que age todo consumidor nessa era mercantilista?

Já os criadores das teorias psicodinâmicas motivacionais, muito comentadas e utilizadas no marketing, fundamentam que o comportamento pode ser entendido no jogo das emoções e dos afetos que fluem nos sujeitos, deixando o racional em segundo plano. É infindável a quantidade de produtos anunciados como propiciadores de satisfação dos mais variados desejos, não objetivamente relacionados ao funcionamento ou utilidade lógica.

Para os motivacionais, o consumismo é largamente praticado por meros impulsos. Segundo o criador da Psicanálise, Sigmund Freud, as pessoas não conhecem seus verdadeiros desejos, pois muitos deles não são conscientes. Assim, o comportamento de consumo seria uma das formas de satisfação dos desejos inconscientes. Trata-se de um jogo unilateral, de mão única. E essa certamente é uma causa cujos efeitos poluem o planeta.

A tendência mundial mostra que o mais adequado é uma sincronia do consumo com a motivação, a necessidade, a renda, a avaliação e o desejo. É comprar com consciência e racionalidade para se tornar sustentável e contribuir para maior produção e uso ecologicamente corretos. Cada um deve pensar mais sobre o meio em que vive, sobre os outros que estão à volta de si, assim como nas próprias gerações futuras, tanto quanto em si mesmo.

Qualquer satélite a ser lançado só vai mapear o quanto o ser humano polui através das mais diversas atividades, sem princípios sustentáveis. Contudo, a mudança está aqui na Terra, na atitude de cada um como consumidor. O uso racional e o ressignificar desse uso podem ser a chave para a solução ambiental.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 5 de março de 2009

VOCÊ QUESTIONA O QUE COMPRA?



Artigo de Jair Donato

Mais importante do que apenas preservar os recursos do planeta ou adotar alternativas para compensar a perda causada, é mudar o modo de pensar e a utilização desses recursos. O comportamento do consumidor é uma variável que transita entre a necessidade e a tendência. É o que determina o que gera serviços, produz ou comercializa. Na mudança do estilo de compra está a chave para mudar o jeito de quem fabrica e dispõe produtos e alimentos para consumo.

Especialistas observam que os consumidores brasileiros estão mais exigentes e tem feito com que os produtores adotem melhores práticas no campo, por exemplo, com a finalidade de tornar a cadeia de produção de alimentos mais sustentável. O comprador começa a questionar mais, isso é uma atitude saudável. Quando os produtos disponibilizados à base exploratória dos recursos naturais forem refugados pelo consumidor, as empresas mudarão, se quiserem permanecer no mercado. Investir em novas fontes de fabricação, na certificação, na rastreabilidade produtiva é um bom negócio para quem produz e presta serviços.

No entanto, na hora da compra o consumidor ainda precisa ser mais atento. Pois esse é um momento de filtragem das opções que precisam continuar dispostas nas gôndolas ou nos estoques. Tem muita gente que não percebe o quanto polui o meio ambiente pelas escolhas que faz, através do próprio consumo diário. Desde o uso da energia, o uso incorreto da água, a preferência pelo que põe à mesa, pelo que veste, assim como o meio de transporte que utiliza, o ar condicionado ou aparelhos eletrônicos que adquirem. O que mais polui, na verdade, são os velhos hábitos e a maneira por vezes exagerada de usar tudo sempre como as gerações antecessoras faziam.

O que é válido na hora de se portar como um consumidor ecologicamente correto, embora ainda não seja tão fácil, é analisar e optar pelo que causa menos impacto. Ao escolher frutas e verduras, por exemplo, é ético valorizar o que se produz na região. Mas, nem sempre o impacto causado ao meio ambiente de um produto produzido próximo é menos do que um transportado de longínquas regiões do País. São vários os itens a serem observados, como a forma de fertilização da terra, os agrotóxicos aplicados, a energia, a água, enfim, uma série de componentes que não estão embutidos no custo do produto. Saber a origem é importante.

A meta global de sustentabilidade das empresas, dos fabricantes e prestadores de serviços, pode ser controlada pela escolha consciente de quem consome. Recentemente, uma pesquisa britânica mostrou que a metade do crescimento recente das emissões de dióxido de carbono (CO²) da China e um terço do total da poluição do País advém da produção de produtos para exportação. Como também nos países desenvolvidos, a principal fonte de emissão do CO² é a geração de energia com uso de combustíveis fósseis.

Os números mostram ainda que a mudança no uso da terra e florestas foi responsável pela maior parcela das emissões de CO², percentual que chega a 75%, principalmente pelo fato da conversão de florestas para outros usos, em particular o agrícola. Toda a emissão de gases poluentes na atmosfera, que está engrossando assustadoramente a camada do efeito estufa, tem como finalidade o consumo, por vezes exagerado, sem consciência. Mudar isso é parte da solução.

Ainda sobre a China, o jornal americano The New York Times também publicou uma matéria sobre a gravidade da falta de água naquele País. O fato é que os locais destinados à produção agrícola estão secando e a demanda crescente por alimentos produzidos em outros países aumenta. O alto consumo permeia por várias escalas, dentre elas, a mais importante, que é a necessidade básica, principalmente em função do aumento populacional. No entanto, o mais grave é quando o consumo passa a ser por exagero, pela demasia em função do poder aquisitivo, do status e da falta de consciência sustentável.

Mesmo diante de grandes demandas, tudo começa pela escolha individual. O processo da compra é um ato político e o cidadão tem nas mãos o poder de decidir. É um momento de escolha que pode se tornar numa opção sustentável para a atual e as futuras gerações. Qualidade de vida começa mesmo é na atitude. O saudável é questionar e reavaliar tudo antes da compra. Afinal, a consciência tem um preço.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com