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terça-feira, 29 de abril de 2014

VISÃO MÍOPE
Artigo de Jair Donato* 

O ser humano se diferencia dos demais seres pela capacidade que possui em transformar a natureza, inventar, ter ideias, produzir coisas e eventos para si e para o meio em que vive. Enfim, é ele é capaz de produzir ‘cultura’. Essa diferença é o que provoca transformação, seja para conservar ou para destruir. No entanto, o homem também age continuamente com visão de curto prazo, sem pensar na em relação que possui com o planeta e os impactos que nele pode gerar.

Tudo que se compra, come ou veste, a água ou a energia que é utilizada, até chegar aos resíduos que são descartados, têm consequências diretas na qualidade de vida do próprio ser humano na face Terra. O mundo necessita de uma nova forma de ver e lidar com os fatos, em virtude dos frequentes fenômenos de alterações climáticas quem tem ocorrido, e não são poucos. É necessário rever a cegueira que permite apenas olhar o ‘próprio umbigo’.

Toda vez que o homem faz uso daquilo que é natural e que não dependeu da própria ação dele, e o transforma, ele cria uma cultura, seja no reino mineral, vegetal ou animal. Desde a alteração do curso de um rio, abertura de uma nova estrada, a construção de um imóvel, a domesticação e alteração genética de animais, ou o cultivo de novas plantações em grande escala, ele altera um ciclo natural de longo prazo. É o homem o único ser que consegue interferir na própria espécie sem obedecer necessariamente a um ciclo natural.

A cultura do capitalismo e o avanço tecnológico têm apressado o homem a transformar velozmente o próprio ambiente. Não que seja inconsequente produzir melhoria, mas o que provoca a destruição da natureza é a inconsequência humana ao mudar as coisas em prol de valores falsos, a exemplo do lucro imediato e demais interesses que desconsideram o bem comum sustentável.

É a mentalidade do homem que precisa ser revista, é preciso o fortalecimento de uma nova cultura, vista ainda apenas como idealismo de ambientalistas. Mas a sobrevivência na Terra certamente dependerá dessa mudança. Através das relações sociais estabelecidas, das diferentes formas de trabalhos e produção, o homem altera deliberadamente à própria vida e o meio ambiente em que vive, como se fosse indiferente a tudo isso. Com poder parcial de criação, o homem não se mostra competente para restituir à natureza tudo o que consome na mesma intensidade em que destrói.

O filósofo chinês Confúcio, bem antes da Era Cristã, deixou um preceito fundamental para os dias atuais, que pode ajudar a entender melhor o conceito de sustentabilidade. “As pessoas que não pensam bastante à frente, inevitavelmente têm problemas ao alcance das mãos”. O fato é que há uma inter-relação entre o ser humano e as demais espécies do reino animal, vegetal e mineral, muito mais do que ele possa imaginar. Cada um pode fazer diferente na hora em que decidir.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 25 de abril de 2014

ORIENTAÇÃO SEXUAL DEFINE CARÁTER?
Artigo de Jair Donato*

Qual é o impedimento que existe para que alguns assuntos sejam privados de transitarem com naturalidade dentro da família ou do ambiente religioso? Sem apologia, vamos refletir sobre o que é fato. Por exemplo, quando se trata da homossexualidade, fato que sempre esteve presente em todas as épocas, mas tido como assunto velado ou tabu no seio familiar tradicional ou como pecado para os religiosos. Talvez pensassem que tratando sobre esse fato com “olhos vendados” poderia ser menos dolorido ou que não fossem castigados.

No Brasil, segundo estudos, existe em torno de dezenove modelos de família, característica da sociedade da Era do Conhecimento. Embora, culturalmente a família tradicional ainda mantenha ideias preconcebidas sobre uma série de novas situações no meio social, como a possibilidade de haver uma relação íntegra entre pessoas do mesmo sexo, como se caráter e integridade fossem atributos da orientação sexual e não da moral humana.

A história apresenta que sempre houve bizarrices, perversões sexuais, torturas, crimes e imoralidade em todos os ambientes, inclusive no seio das famílias mais tradicionais, em qualquer parte do planeta. Qual é a prova de que é a orientação sexual que define o caráter humano? Qual evidência que existe sobre isso e quem ousou afirmar algo a respeito? Qual é a pesquisa que aponta que a canalhice, a traição, a infidelidade, a prevaricação, a perversão e o mau-caratismo estão vinculados a determinado tipo de orientação sexual, seja homo ou heterossexual?

Embora haja quem pressuponha o contrário, a imoralidade é um atributo vinculado à falta de crescimento moral humano, e não à orientação sexual. Deve ser o respeito ao próximo, a integridade consigo e com os demais e a eliminação da rigidez ao julgar as pessoas que tornará o ser humano mais digno, e não o apego a rótulo algum, seja religioso ou ativista. Talvez pensar assim nem requeira tanto esforço, pode ser apenas uma questão de ver o mundo por uma lente mais ampla, dado a natureza da complexidade humana.

O que torna o caráter do homem sem moral é a defesa fundamentalista pela própria orientação sexual a ponto de chamar a atenção da sociedade pelo exibicionismo e pela intolerância. É o caso do ativismo exacerbado e afrontante de um lado, e a homofobia de outro. É a banalidade sexual, seja com parceiro do mesmo sexo ou do sexo oposto, que faz o ser humano desconstituir-se de nobreza. Se o mau caráter fosse uma característica intrínseca a um grupo com determinada orientação sexual específica, talvez a solução fosse a eliminação da outra parte, de orientação contrária.

Contudo, percebe-se que esta não é uma situação radical, como insistem muitos ao querer curar o que nunca foi doença. A cura do mau caráter, da falta de sensatez e transparência, da presunção, do fundamentalismo, do sectarismo e da intolerância é que deve ser o grande projeto da atualidade. E isso começa individualmente. É cada um cuidar da própria moral. Assim, percebe-se que não é a sexualidade que define o caráter.

Na verdade, quando o homem cresce pouco, espiritual e moralmente, até mesmo a paz é uma ameaça, como parafraseia o líder espiritualista Paiva Neto. A empatia aplicada na compreensão da natureza humana, esse deve ser o maior atributo presente na família contemporânea, em detrimento a quaisquer formas de ideias preconcebidas.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O SER HUMANO E A PEDRA
Artigo de Jair Donato*

Você sabe a diferença entre a pedra da foz e a pedra da nascente do rio? Essa é uma analogia que propicia reflexão sobre o desenvolvimento humano. As pedras enquanto estão na nascente possuem formas discrepantes. Enquanto umas são pontiagudas, outras são toscas, cheias de arestas, algumas quadradas e com tamanhos desproporcionais, pouco lapidadas.

Mas, ao deslocarem-se e rolarem pelo leito do rio, elas vão se chocando umas com as outras e pelo atrito que provocam, naturalmente vão sendo eliminadas as arestas e as pontas finas. Quanto mais rolam e colidem entre elas, vão perdendo as desproporcionalidades e tomando formas semelhantes, ficando mais arredondadas e lisas. No entanto, permanece uma característica, elas não se tornam necessariamente iguais.

Faremos agora uma analogia desse fato com o ser humano. É possível seja no início da carreira profissional, quando começa um novo relacionamento, na inserção em um grupo social diferente, ou mesmo no início de qualquer outra área da vida, que as pessoas se relacionem de maneira tosca, pontiagudas, cheias de “não me toques”. Agem de tal maneira que não permitem que os demais se aproximem delas. Também podem ter ideias preconcebidas e atitudes individualistas. E isso só afasta um bom relacionamento.

Contudo, a medida que cada um passa a viver em grupo, pelo atrito natural da convivência em diferentes ambientes, começa a perceber que em prol do coletivo é importante ceder em vários momentos. É quando o indivíduo passa a aceitar quem pensa diferente, entende que as pessoas possuem gostos e preferencias díspares. Ele descobre que vai se tornando cada vez mais semelhante ao próximo, que na essência todos provém da mesma natureza. E assim cada um vai se tornando mais uníssono e parecido com o outro, o que é um indício de maturidade. E tudo isso ocorre sem que cada um perca a própria individualidade.

Chega então o momento na vida em que surge a necessidade de uma profunda reflexão. Descubra ao perguntar a si mesmo: “Em que área da minha vida ainda assemelha-se à pedra da nascente do rio e em que área já me encontro como a pedra da foz?” Através desse inventário interno é que cada indivíduo pode analisar a própria condição e quais são as características que podem ser melhoradas. Afinal, a vida é um constructo de aprendizados e valores que vão se formando à medida que cada um se permite ver os fatos por outra perspectiva, apreende o que há de bom nas adversidades e assimila que o mundo não está centrado unicamente em si mesmo.

Dessa forma você poderá vislumbrar patamares evolutivos na própria história da vida pessoal e social, enquanto criatura que depende da convivência com o outro para socializar-se e contribuir com o progresso humano no ambiente em que vive. A prática da auto-observação talvez seja o melhor caminho para fazer dos atritos naturais da vida o meio de lapidar a si mesmo e assim se permitir conviver melhor com os outros sem tanto orgulho e vaidade. E tudo isso sem deixar de ser você mesmo.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

terça-feira, 22 de abril de 2014

TECNOLOGIA AFASTA AS PESSOAS?
Artigo de Jair Donato*

O mundo virtual torna mesmo os relacionamentos mais frios? Há quem defende que atualmente as pessoas estão cada vez mais se isolando devido a conectividade com o mundo nesta era do advento das redes sociais que são acessadas de forma ininterrupta pelos dispositivos móveis, um meio comum a maioria e por vezes exageradamente utilizado por usuários de quase todas as idades.

Expressões como “antigamente as pessoas conversavam mais” ou “as pessoas estão ficando mais frias, não se aproximam mais”, geralmente são expressas com tons saudosistas, como se sentimentos fossem coisas só do passado e o ser humano daqui por diante perdesse a faculdade de sentir. Mas, será mesmo que em detrimento da tecnologia o homem perderá a capacidade de se relacionar uns com os outros e se tornará insensato?

Vou ilustrar com um episódio que presenciei em um restaurante. Certa mãe chegou com um casal de filhos de aproximadamente cinco anos de idade, cada um. Ao sentarem-se à mesa, o pai veio depois, percebi que o garçom ao atender ao pedido da mãe até o momento em que ele serviu a todos, as crianças ficaram conectadas cada uma com o próprio tablet, sem se falarem, e a mãe como se estivesse sozinha. Então imaginei que ao serem servidos pelo garçom aquela mão iria solicitar que os filhos guardassem os aparelhos eletrônicos para que enfim, saboreassem a refeição na base da conversa, sem a presença do wi-fi, só no tête-à-tête.

Enganei-me. A mãe deixou-os como estavam. Não sei se daquela maneira ela também se sentia mais livre ou talvez menos incomodada. O fato é que os filhos comeram com os aparelhos ao lado competindo com o cardápio que fora servido. E a cena permaneceu até que me retirei daquele local, reflexivo, é claro.

Presenciar tal fato, o que hoje é comum em vários ambientes, apenas reforçou o que penso sobre a facilidade que temos de nos conectar com o mundo através das redes sociais. Não é a tecnologia que faz com que as pessoas superficializem os relacionamentos. Não são as redes sociais que tornam as pessoas frias. Definitivamente, não pode ser a Internet a causa do distanciamento entre as pessoas a ponto de estarem no mesmo ambiente e não dizerem um “oi” pessoalmente e preferirem trocar mensagens virtuais na enorme variedade de aplicativos que existem. Antes, isso é uma questão de educação, de valores pessoais.

O que faz as pessoas se afastarem e parecerem “frias” é a falta da capacidade de se adequarem a esse novo estilo de vida, em que o mundo perde paredes e fronteiras, onde tudo se torna interligado. É a falta de equilíbrio ao fazer uso daquilo que facilita a vida nos dias atuais, como é o caso da tecnologia. É o ser humano que está despreparado para lidar com a tecnologia de maneira coerente, e não o contrário. Não há que culpar o avanço tecnológico, e sim superficialidade a que se propõe ao lidar com esse novo estilo de vida, algo que é irrefutável, e não vai deixar de existir porque no passado não era assim. O adulto precisa se reeducar para lidar melhor com essa realidade. Pois, para as crianças isso não é nenhum problema, o que elas precisam é de uma orientação sobre o que é equilíbrio e adequação.


É natural a humanidade passar por transformações no decorrer do tempo, sempre que crescem as necessidades humanas. Mas o que se torna antinatural é a falta de adaptação aos novos ritmos. Vejo que o maior problema está na falta de sensatez na hora de se adaptar, o que é uma característica interna, e não na tecnologia ou nos dispositivos, que são periféricos tanto quanto perecíveis.

Talvez o equilíbrio esteja em não ser o primeiro a adotar uma nova tecnologia, mas que também não seja o último a abandonar um velho hábito. Não adianta desejar o passado de volta nem reclamar do presente. Velocidade e conectividade são os novos ritmos na mesma intensidade que surgem as novas gerações. O jeito é se adaptar e reeducar-se.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

domingo, 20 de abril de 2014

IMPERMANÊNCIA
Artigo de Jair Donato*

Há um conto budista de um famoso mestre espiritual que se aproximou do portal principal do palácio real. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se até onde o monarca estava solenemente sentado no trono.

"O que vós desejais?" perguntou o rei, imediatamente reconhecendo o visitante.
"Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria," replicou o mestre.
"Mas aqui não é uma hospedaria, bom homem," disse a majestade, "Este é o meu palácio."
"Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?" perguntou o mestre.
"Era do meu pai. Ele está morto, retrucou o rei."
"E a quem pertenceu antes dele? Continuou o sábio"
"Foi do meu avô," disse o rei já bastante intrigado. "Mas ele também está morto."
"Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem, vós me dizeis que esse lugar não é uma hospedaria?"

O que há de análogo nesse conto é que a humanidade ainda age de modo semelhante ao citado monarca, como se a grande casa que é o planeta em que habita, fosse propriedade exclusiva que pudesse ser explorada sem abrigar a todos, e sem consequência alguma. Essa história não fala da residência individual de cada um. É uma analogia que se refere ao grande lar natural disponível a todos para que se abriguem, com muitas dependências e alimentos, ar puro, biomas, água a vontade, muitos frutos e flores, vegetais, peixes e uma diversidade de recursos naturais incomensuráveis.

Mas o que será que está acontecendo? Pois nem todos valorizam esta casa. O ar já está poluído, o clima está ficando mais quente, diversos cômodos sendo alagados, outros tantos desertificados. Desde o século XX há larga emissão de gases poluentes que superaquece o planeta. Muitos apenas exploram e comercializam os recursos limitados da natureza,  sem que benefício socioeconômico e ambiental sejam proporcionais. Por que alguns se intitulam como donos deste palácio e o governam como tal, enquanto a maioria vive como se no porão estivesse? Seria a falta de percepção que este caminho é bilateral.

O homem como hospedeiro da Terra tem descuidado muito deste lugar. Já não seria a hora de cada um repensar e mudar, antes que seja tarde? Afinal, o homem nunca foi nem será o centro do Universo, pois o planeta não é um elemento periférico. O que dirão os netos e as gerações futuras sobre os que não optarem pela mudança hoje?

A impermanência, ou seja, a mudança, considerada o ensinamento básico do budismo, é uma reflexão de que há a inexistência de uma entidade apenas individual. Tudo muda, essa é uma verdade básica que ninguém pode negar.  A essência de cada experiência e a natureza de toda existência é a própria mudança. A perene verdade é que tudo muda, seja na relação do homem com ele mesmo, com o outro e também com o meio ambiente em que vive.

Então, por que o ser humano tem dificuldade de desapegar-se e aceitar a mudança, mesmo correndo o risco de perder o palácio em que mora? Não seria essa uma grande causa do sofrimento humano? Refletir sobre a mudança e tornar-se a própria mudança é um caminho para fazer as pazes com o mundo.

*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 18 de abril de 2014

MILHO BOM
Artigo de Jair Donato*

Certa vez o repórter de um jornal entrevistou um fazendeiro que todo ano concorria com o milho que produzia e sempre ganhava o prêmio "milho-crescido", o maior da feira de negócios que participava. Durante a entrevista o repórter descobriu algo interessante sobre como aquele agricultor cultivava o milho que o fez campeão por vários anos. Ele ficou sabendo que o fazendeiro compartilhava a semente do milho com os vizinhos dele.

- Como pode você se dispor a compartilhar sua melhor semente de milho com seus vizinhos quando eles estão competindo com o seu em cada ano? Perguntou o repórter.
- Por quê? Disse o fazendeiro. Você não sabe? O vento apanha pólen do milho maduro e o leva através do vento de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade do meu milho. Se eu for cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom.

Analogamente, tem muitos chefes dentro das organizações de trabalho que ainda não entenderam essa equação importante para os relacionamentos e aumento de produtividade. Aquele fazendeiro era atento às conectividades da vida. Sabia que o milho dele não poderia melhorar a menos que o milho do vizinho também melhorasse. Assim também é nas mais diversas áreas da vida. Aqueles que querem viver bem, ao propiciarem o mesmo aos outros, podem viver melhor ainda. Trabalhar em equipe, em prol do bem comum, mesmo no mundo dos negócios é atuar como o dono do milho bom, pois o bem-estar de cada um está ligado ao bem-estar de todos.

Essa lição serve para cada um de nós. Se formos cultivar milho bom, temos que ajudar nossos vizinhos a cultivar milho de qualidade. É somente dessa forma que o conceito de sustentabilidade do planeta pode se tornar um fato que contribuirá para o bem coletivo, agora e nas gerações vindouras. Quaisquer benefícios ao social e a economia só advirão caso o meio ambiente seja cuidado e conservado. Isso é interação que gera crescimento.

A mesma prática também vale para as relações de negociação no mercado competitivo que atuamos. A nova teoria ecoeconômica diz que o verdadeiro ganho daqui pra frente depende da bilateralidade. Ou seja, se apenas um lado se sair bem, então não há sustentabilidade. O jogo ganha-ganha depende não só de estratégia, mas de consciência.

A atual situação do planeta que se refere às alterações climáticas é um exemplo que exige mudança imediata nas políticas pública e privada, e principalmente, nos hábitos e no estilo de vida de cada habitante. Afinal, todos os dias você planta ações como se fosse semente de milho. Agora pense como está a qualidade do seu milho? Que tipo de semente está sendo levada através das suas atitudes e jogada nos campos das pessoas à sua volta? Veja como será possível polinizar suas ações em larga escala, dentro e fora de si mesmo.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 17 de abril de 2014

DEMISSÃO DE PLUTÃO
Artigo de Jair Donato*

Plutão foi desbancado e perdeu o status de planeta ainda na primeira década deste século. Ele foi rebaixado por falta de características exigidas para continuar sendo um planeta. Fizeram um downsizing no sistema solar, um enxugamento da máquina, ou melhor, da órbita. São as mudanças do mundo globalizado, que ressoam até na realidade planetária.
                       
Astrônomos do mundo inteiro se reuniram na República Checa, e enquanto astrólogos aguardavam a inserção de três novos planetas, o que não ocorreu, plutão perdeu a função no sistema solar, sabe por quê? Ele já não atendia as especificações definidas para que continuasse como planeta. Deram a ele outra função, a de planeta anão. Netuno passou a ser a bola da vez, o último do sistema solar. Para a decepção de Plutão, logo após a perda da função ele foi rebaixado de novo, por terem encontrado outro planeta anão maior que ele.

Mas, o que tenho a ver com isso? Você pode se perguntar. É bom que reflita, afinal muitos profissionais da atualidade correm o mesmo risco quanto a carreira profissional frente às constantes mudanças e exigências no mercado de trabalho. Mais dinâmica do que as regras que definem se um astro pode ser considerado um planeta ou não, são as mudanças que acontecem no mundo corporativo. Segundo um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro na mesma década, foram eliminados dez milhões de postos de trabalho no país. A máquina, por exemplo, foi um instrumento que tomou o lugar do homem no campo e na indústria. E, centenas de outros postos continuam desaparecendo em detrimento a tantos novos.

É natural no decorrer do tempo a humanidade passar por transformações, sempre que crescem as necessidades humanas. O que ocorre é que as mudanças são mais velozes nos dias atuais. O conhecimento que adquirimos hoje no decorrer de uma semana apenas, um europeu bem informado que vivia no século XVII levava uma vida inteira para ter acesso a eles. Para ser igual aos demais, a regra é ser diferente. Essa é uma condição crucial, pois velocidade e conectividade são os novos ritmos.

O profissional “anão” é aquele que não atende as necessidades do mercado, perde espaço e competição. A falta do desenvolvimento constante de novas competências é o fator que gera autoexclusão. Para a astrologia, Plutão, um planeta impessoal que atua no inconsciente coletivo, não muda. Ele continua com a validade de um planeta. Mas, o profissional que não cresce simplesmente não será considerado pelo mercado de trabalho. A necessidade de desenvolver novas habilidades é constante, caso contrário, qualquer profissional que tenha sido sucesso antes pode se tornar um anão da noite para o dia. 

Isso vale para empresas e profissionais, quem não for flexível e adaptável às freqüentes mutações e expectativas, facilmente terá o espaço ocupado por outro astro, e nem precisa ser do sistema solar. Afinal, o que garante a permanência na preferência do cliente é o fazer diferente, e na hora certa. Em tempos de competição virtual, não espere que lhe tirem de órbita. Prepare-se.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 16 de abril de 2014

PARADOXO DA SUPERIORIDADE HUMANA
Artigo de Jair Donato*

Certa vez, quando o astronauta japonês Mouri subiu ao espaço, disse: “Na Terra não existem linhas divisórias das fronteiras”. Realmente, ao considerar essa visão, não deveria existir fronteiras na terra, assim como não existem raças, senão a humana. A mesma visão aplica-se em relação a diversas questões que assolam a coletividade, como as alterações climáticas, um problema que transcende fronteiras. Pois se cada nação pensar e agir em prol dos próprios interesses, os problemas ecológicos em âmbito mundial continuarão sem solução.

Mudanças climáticas não é um problema ambiental que existe por si só. Trata-se de algo que se inter-relaciona com várias questões, como os recursos naturais, o alimento, a economia, o índice populacional, a cultura e a política. Quando se fala de direito ambiental, deve-se falar também de direitos humanos. Pois é impossível separar o dever de preservar e conservar a natureza do direito que o ser humano possui de viver num ambiente saudável. Somente pela mudança cultural na sociedade através da ética ecológica, poderá garantir um futuro sem problemas dessa natureza. Teria mesmo o homem um centralismo tamanho para agir impunemente tratando a Terra como material periférico, sem as devidas consequências? Eis um grande dilema ético.

Quando um inseto ou um animal ataca alguém, ele entra em movimento por defesa, por se sentir ameaçado, isso é concebível. Mas, e o ser humano, por qual motivo ele ataca e destrói o ambiente que o abriga e os recursos naturais que garantem a própria sobrevivência? O que motiva tal superioridade? Talvez esse seja o cerne da uma profunda reflexão. A espiritualidade do homem pode ser avaliada não apenas pela fé religiosa. Mas, também pelo grau de altruísmo e de consciência sustentável que possui. São variáveis preponderantes que revelam o equilíbrio que há em cada um na relação com o meio ambiente.

É necessária uma mudança radical no comportamento atual do ser humano. É chegada a hora de cada um repensar a atitude que têm em relação a si mesmo, aos demais, e, principalmente, ao meio ambiente em que vive. Mudar é algo saudável, espirituoso, principalmente quando o motivo que redireciona o movimento de quem o faz é voltado para o bem coletivo. Reza um dos preceitos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura - Unesco, que a paz começa e termina na mente. Portanto é na mente dos homens que as defesas da paz devem ser construídas.

Vale refletir sobre o que disse o escritor Rubem Alves: “Antes que qualquer árvore seja plantada, ou que qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro não tem jardins por fora. E nem passeia por eles.” O cerne da uma mudança será sempre de dentro pra fora. Além disso, não poderá ser uma mudança verdadeira.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

sábado, 12 de abril de 2014

VAI DIZER O QUE NA HORA DA MORTE?
Artigo de Jair Donato*

Você já refletiu sobre esse evento natural da vida humana, a hora da morte? O ser humano tem a tendência de não valorizar no tempo certo os relacionamentos consigo, com os demais que vivem ao redor dele, nem com o meio ambiente em que vive. Essa é uma reflexão importante que deve ser inserida no bojo das atitudes no decorrer da vida.

A enfermeira australiana Bronnie Ware, após conviver por muitos anos com doentes terminais, publicou um livro relatando os cinco maiores arrependimentos que as pessoas têm antes da hora de morrer. É uma excelente oportunidade para refletir sobre uma fase inevitável em que todos chegarão a ela. Agora pense, talvez o relato de quem já passou pela experiência e também de quem acompanhou possa fazer com que você altere parte do roteiro da sua vida. Sempre é tempo.

Segundo Ware, eis o primeiro arrependimento: “Queria ter aproveitado a vida do meu jeito e não da forma que os outros queriam”. Afirma a autora que é na hora que a vida chega ao fim que fica mais fácil perceber quantos sonhos foram deixados para trás, em prol de agradar mais aos outros do que a si mesmo. Segundo: “Queria não ter trabalhado tanto”. A enfermeira conta que esse desejo era comum a todos os homens que ela atendeu, os que pouco viram de perto os filhos crescerem, nem estiveram tanto na companhia das esposas. Desejo esse também relatado por mulheres.

Terceiro arrependimento: “Queria ter falado mais sobre meus sentimentos”. Muita gente aprende desde pequena a suprimir os próprios sentimentos, se anular, como maneira de viver em paz com outras pessoas. De acordo com a enfermeira, muitas doenças foram desenvolvidas nos pacientes por guardarem rancores sobre fatos, mas nunca falavam sobre o assunto. Quarto: “Não queria ter perdido contato com meus amigos”. Segundo a autora, todos sentem falta dos amigos quando estão morrendo. Ela diz que muitos não percebem, mas sentem saudades dos amigos semanas antes da morte. Para muitos, eles ocupam lugares até mais fortes do que determinados parentes.

E o quinto arrependimento, que é uma síntese dos demais: “Queria ter me permitido ser feliz”. A autora diz que muitas pessoas só percebiam no fim da vida que a felicidade é uma questão de escolha e descobriam que o foi o medo de mudar que fez com que eles fingissem para os outros que estavam satisfeitos, mas no fundo queriam ter mais momentos alegres. A proximidade da morte faz com que as pessoas vão perdendo a capacidade de fingir, elas passam a serem mais elas mesmas, revela a autora.
               
É da natureza humana levar um tempo para unir os pontos. Mas chegará o dia do Juízo Final, diz o ambientalista americano Al Gore. Ou seja, será quando você vai desejar ter ligado os pontos, mais rápido. Talvez, não haja declaração mais frustrante do que o arrependimento pelo que poderia ter sido feito antes. E você, o que ainda não fez, mas que poderia? Quem sabe uma viagem, um investimento, uma proeza, um sonho a mais, talvez um pedido de perdão, mais sorrisos, pense. No fim, a consciência ideal talvez seja a de sentimentos de compensação por ter feito a coisa certa, no momento certo, sem arrependimento, frustração ou punição.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 11 de abril de 2014

PERVERSÃO DE CADA DIA
Artigo de Jair Donato*

Percebo dentro das organizações como também no ambiente doméstico que há pessoas que possuem um desejo constante de se sobressaírem aos demais com certa dose de superioridade, sem tê-la. De alguma maneira isso as faz sentirem-se aliviadas, não se sabe do quê. Desde um aparente comportamento de ignorar quem esteja por perto, uma crítica, um trato com grosseria, ou até mesmo uma brincadeira constrangedora, perversa.

Experimentos da neurociência mostram a descoberta no cérebro humano de uma área específica para sentir prazer quando “o outro se ferra”. Esse é o perfil de gente que se sente bem quando algo não dá certo para outrem, chega a dar risadas de puro sarcasmo ao ver alguém em apuros, ativando ainda mais essa área neural. O atual pontífice da Igreja Católica, que esteve em visita ao Brasil, Papa Francisco, afirmou que “Não há necessidade de consultar um psicólogo para saber que quando você denigre o outro é porque você mesmo não consegue crescer e precisa que o outro seja rebaixado para você se sentir alguém”.

Pois há gente que costumeiramente tem atitudes de escarnio, petulância e sente prazer em satirizar os demais. Isso parece aliviar momentaneamente a própria condição de inferioridade. Contudo, quer vê-lo desestabilizado rapidamente? É só alguém fazer o mesmo com ele, satirizá-lo. Então, logo perderá as estribeiras e pode ir até a agressão física por descontrole emocional. Mas é gente que às vezes precisa de ajuda, por se tornar insuportável para si mesma. A fragilidade é tamanha que precisa demonstrar dureza, orgulho, pescoço duro. Como se assim fosse, pura autodefesa,

Mas, qual é o prejuízo que uma pessoa com lesões psicológicas, tais como baixa estima e frustrações íntimas, pode provocar? O que esperar de colegas profissionais ou familiares com tal postura? Talvez o maior dano seja a eles mesmos, embora isso afete também quem estiver por perto. Pessoas assim perdem inúmeras oportunidades de serem úteis e agradáveis. Até quando riem é por euforia, porque no fundo possuem um aspecto amargo e de insatisfação consigo e com o mundo. E sem perceber vivem num constante ciclo de autossabotagem, são os maiores perdedores em quaisquer relações.

De maneira explícita ou implícita, os comportamentos perversos, maquiados pela ironia, pelo orgulho, desdém e sarcasmo são tóxicos, e devem ser analisados por quem os expressa, sobre o que causa em si mesmo e aos demais que vivem no entorno. Ao seguir a linha de pensamento do sumo sacerdote católico, uma boa dose de autorreflexão permite ressignificar esse comportamento. Porém, há sintomas que requer ajuda e admitir isso já é um indício de cura. Foi Sêneca quem disse que “Cinquenta por cento da cura está no desejo de ser curado”.
 

*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 10 de abril de 2014

FLEXIBILIDADE É A SAÍDA
Artigo de Jair Donato*

Há um diálogo, supostamente verídico, ocorrido na década de 1990, entre um navio da Marinha americana e as autoridades costeiras canadenses, próximo ao litoral de Newfoundland, que retrata o reflexo da presunção, da arrogância e da inflexibilidade humana.

Assim começaram os americanos:
- Favor alterar seu curso 15 graus para Norte para evitar colisão com nossa embarcação. Os canadenses responderam na hora:
- Recomendo mudar o seu curso 15 graus para o Sul.
O americano ficou mordido:
-Aqui é o capitão de um navio da Marinha americana. Repito, mude o seu curso.
Mas o canadense insistiu:
- Não, mude o seu curso atual. E o papo começou a ferver. O capitão americano berrou ao microfone:
- Este é o porta-aviões USS Lincoln, o segundo maior navio da frota americana no Atlântico. Estamos acompanhados de três destroyers, três fragatas e numerosos navios de suporte. Eu exijo que você mude seu curso 15 graus para Norte, ou então, tomaremos contramedidas para garantir a segurança do navio.
E o canadense, após ouvir o tom de ameaça do americano, respondeu:
- Aqui é um farol, câmbio...

O que se observa nessa história é a atitude de recusa à mudança por parte do capitão americano, evidenciada pela prepotência. Mas, será que tal ocorrência foi só nesse episódio? Não seria essa mentalidade inflexível o que mais pesa quando se trata do relacionamento interpessoal nas organizações? Pois o mesmo ocorre dentro das empresas e entre nações. Talvez as melhores lições que os gestores podem tirar da constatação darwinista, sejam a flexibilidade e adaptabilidade. Para quem ainda não sabe o significado destas palavras, basta entender que o contrário delas pode significar a impossibilidade de uma carreira promissora no mercado de trabalho.

Para viver bem, mais e melhor, o ser humano precisa aprender a flexibilizar, rever os próprios valores e desvencilhar-se de velhos paradigmas. Diante de quaisquer situações, é possível agir de forma adequada seja ao contexto, à pessoa, à situação ou ao lugar. É importante saber avaliar mais os fatos do que as interpretações e ajustar-se sempre, ao invés de reagir com postura de inflexibilidade e rigidez. Contudo, a flexibilidade não é fazer qualquer coisa sem pensar, apenas porque algo seja solicitado, sem nenhum sentido ou análise prévia, isso seria inconsequência. Para tudo na vida exige-se postura, é possível ser flexível sem vulgaridade ou intolerância.

Uma das principais características de uma pessoa flexível é a resiliência, uma competência que de acordo com a Associação Americana de Psicologia, é definida como processo de adaptação bem sucedida às experiências adversas, especialmente, através da flexibilidade mental, emocional e comportamental.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 9 de abril de 2014

RESSIGNIFICAR DE MOLDES
Artigo de Jair Donato*
  
Você já parou para refletir sobre quais são suas crenças? Em que realmente você acredita, como e por que acredita? Há quem vive há décadas com uma única maneira de ver a vida e interpreta tudo sempre pela mesma ótica, sem adequar-se ao contexto em que vive. O que fundamentalmente tem sido diferente na sua vida em decorrência do seu modelo mental, da sua forma de pensar, ou melhor, dos seus paradigmas?

Há uma história da China antiga, advinda do taoísmo, sobre um camponês que habitava numa aldeia muito pobre do interior. Ele era considerado bem de vida porque possuía um cavalo que usava para arar a terra e como meio de transporte. Certa vez o cavalo desse camponês fugiu. Todos os vizinhos exclamaram que isso era terrível; ele disse simplesmente: “Talvez”.

Alguns dias depois o cavalo que havia sumido voltou e com ele trouxe mais dois cavalos selvagens. Todos os moradores da redondeza alegraram-se com a boa sorte do camponês, mas ele com simplicidade assim exclamou: “Talvez.” No dia seguinte, o filho do camponês entusiasta com os cavalos selvagens, tentou montar num deles; este o lançou por terra e o rapaz quebrou a perna. Os vizinhos todos se condoeram com o azar daquela família, mas novamente o camponês disse: “Talvez.”

Na semana seguinte, vieram os oficiais da convocação militar até à aldeia para recrutar todos os jovens daquela localidade para o exército. E o que ocorreu? Rejeitaram o filho do camponês porque estava com a perna quebrada. Dessa vez os transeuntes vibrantes comentaram que realmente aquele vizinho como tinha muita sorte, o camponês respondeu: “Talvez.”

O significado de qualquer evento na sua vida vai depender da maneira como você irá percebê-lo. Nossa visão é como se fosse um molde. Se mudarmos a moldura, mudamos o significado. Ao mudar o significado, mudam também as respostas e o comportamento da pessoa. Para o camponês da história, ter dois cavalos selvagens é uma coisa boa até que se considere o fato no contexto da perna quebrada do filho. Esta perna quebrada parece uma coisa ruim no contexto do estilo de vida calmo daquele lugarejo, mas, no contexto do recrutamento e da guerra, naquela situação, subitamente torna-se um acontecimento positivo.

A isso se diz “ressignificar”, ou seja, mudar o molde. Ver um mesmo fato por ângulos diferentes. Da próxima vez que algo parecer apenas negativo ou te deixar eufórico, mude o molde a fim de alterar o significado. Quando o significado se modifica, respostas e comportamentos da pessoa também se modificam. Vale uma reflexão sobre o que disse o ensaísta americano, Mark Twain: “Quando sua única ferramenta for um martelo, todo problema você pensa que é prego”.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 7 de abril de 2014

MORREU DE QUÊ?
Artigo de Jair Donato* 

Você é uma pessoa que expressa o que sente? De que maneira faz isso? Há muita gente que se torna inexpressiva por falta de exercitar a habilidade de externar o que pensa, idealiza ou sente. Tanto no ambiente organizacional como no meio social, são muitas oportunidades perdidas e doenças geradas por falta de expressão. Veem-se muitos profissionais que ocupam cargos de liderança, no entanto com baixo grau de assertividade. São aqueles que dizem ‘não’ quando tudo o que queriam era dizer ‘sim’, e vice versa. Esse é um comportamento nada saudável para o corpo, nem para as emoções.

A expressabilidade no cotidiano através do diálogo e dos sentimentos, alegres ou tristes, assim como clareza e objetividade na comunicação, previne uma série de doenças que se originam no campo emocional por um processo denominado somatização, quando são reprimidos sentimentos, pois ficam acumulados. Aquele que se reprime por medo de desagradar, ofende a si mesmo. Se não diz o que pensa, não se porta, nem ocupa o próprio espaço e apenas cede, carregando-se de frustrações internas, torna-se ‘bom’ perante os outros e mal para si mesmo. Isso é o que mostra uma série de estudos no ramo da medicina psicossomática, que apresenta a relação entre a qualidade das emoções e as doenças no corpo.

Há um relato de que certa vez foram o velhinho e a velhinha ao cemitério, após viverem 65 anos de casamento, para comprarem dois túmulos. Ao escolherem o local onde seriam enterrados após a morte, o velhinho disse à esposa: “Olha, se eu morrer primeiro, por favor, me enterre do lado esquerdo”. Sem entender, retrucou a velhinha: “Esquerdo? Mas você sempre dormiu do lado direito?” Ao que ele respondeu: “É verdade, eu sempre dormi do lado direito, mas eu gostava mesmo era do lado esquerdo”.

Isso é apenas uma historinha? Nada, é uma representação de muitos relacionamentos, na família ou dentro das empresas. Quantas pessoas convivem no mesmo teto, no mesmo ambiente, no mesmo trabalho e um não sabe o que esperar do outro por falta de expressão. Quantos se magoam por mensagens subentendidas, pois um acha que o outro sabe o que deve ser feito e leva a vida mais na interpretação do que em fatos.

Pensa numa equipe cujos colaboradores não sabem o que esperar do líder e ele também nunca sabe o que esperar da equipe por falta de dirimir dúvidas, praticar feedback, alinhar objetivos, crenças e valores. Essa proporção é a mesma, seja na empresa, em casa, ou na vida pessoal.

Então, expressar-se é crucial para que você não corra o risco de ter um epitáfio na lápide do túmulo, assim: “Morreu de que? Se sufocou pelas palavras que nunca disse”. Talvez o mais adequado seja dizer sim, se for sim, ou não se for o melhor, sem perder a naturalidade.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sábado, 5 de abril de 2014

GHANDI E O BRILHO DA MAÇÃ
Artigo de Jair Donato*

Conta-se que certa vez uma mãe levou o filho dela para uma visita ao líder indiano Mahatma Gandhi na esperança de que a criança fosse orientada por ele. Ao aproximar-se essa mãe falou da preocupação que tinha pelo fato do filho ingerir muito doce e que ele não a ouvia mais. No entanto, ela acreditava que um conselho de Gandhi direto ao filho poderia fazer com que ele diminuísse ou eliminasse o vício pelo doce.

Ao ouvir o pedido daquela mãe e fitar por alguns instantes o menino, o guru pediu que ela levasse o filho para casa e que o trouxesse novamente quinze dias após. Sem entender nada, mas considerando que fazia parte do processo, ela assim fez. Após uma quinzena, eis que mãe e filho retornam e apresentam-se novamente a Gandhi, o qual disse convicto ao filho da senhora: “Filho, pare de comer doce”.

Mas, só isso? Interpelou a mãe, diante dessa instrução, que aos olhos dela era muito simples. Pois esse conselho ele poderia ter dado ao filho há quinze dias antes, sem a necessidade de voltarem novamente. Ao que Gandhi respondeu: “Mãe, acontece que há quinze dias, quando a senhora veio até aqui eu também comia doce”. Aquela mãe entendeu a mensagem.

Bom seria se a maioria dos políticos, religiosos, negociadores e profissionais do mundo corporativo também compreendessem o que de fato há nessa passagem. Certamente os exemplos seriam mais transparentes e teríamos o realce da ética. A postura aparente é um aspecto muito importante, mas somente se houver conteúdo interno. Pregar discursos de um jeito e agir de outro é uma incongruência, algo semelhante ao brilho da maçã, que se for adquirida apenas por esse aspecto estético poderá estar podre por dentro.

Engana aquele que enverniza as palavras, porém age ao contrário do que apregoa. Por isso é que a liderança de fato não pode ser apreendida como teoria e sim pelo comportamento. O resto é faz de conta. Facilmente se veem expostas atrás das mesas de muitos “chefes” coercitivos coletâneas de livros sobre liderança, além de certificados de cursos de imersão para líderes. Sim, eles não são ignorantes em relação ao assunto. Mas, por que na prática agem ao contrário? É que não se torna um líder sem mudança de atitude.

Você tem dúvida disso? Então pergunte, se é que você mesmo não já passou por situação semelhante, como é que se sente uma pessoa que já foi ou é subordinada a um chefe dessa natureza. Na verdade, parece apetitosa aquela maçã cujo invólucro seja brilhoso e com agradável estética. Mas, prefira junto verificar o conteúdo, nele está o sabor. Não aposte só no brilho, ouça mais o que Gandhi tem a ensinar. Liderança de fato é assim, só ocorre pelo exemplo.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br