VISÃO
MÍOPE
Artigo de Jair Donato*
O ser humano se diferencia dos
demais seres pela capacidade que possui em transformar a natureza, inventar, ter
ideias, produzir coisas e eventos para si e para o meio em que vive. Enfim, é
ele é capaz de produzir ‘cultura’. Essa diferença é o que provoca
transformação, seja para conservar ou para destruir. No entanto, o homem também
age continuamente com visão de curto prazo, sem pensar na em relação que possui
com o planeta e os impactos que nele pode gerar.
Tudo que se compra, come ou veste,
a água ou a energia que é utilizada, até chegar aos resíduos que são descartados,
têm consequências diretas na qualidade de vida do próprio ser humano na face
Terra. O mundo necessita de uma nova forma de ver e lidar com os fatos, em
virtude dos frequentes fenômenos de alterações climáticas quem tem ocorrido, e
não são poucos. É necessário rever a cegueira que permite apenas olhar o ‘próprio
umbigo’.
Toda vez que o homem faz uso daquilo
que é natural e que não dependeu da própria ação dele, e o transforma, ele cria
uma cultura, seja no reino mineral, vegetal ou animal. Desde a alteração do
curso de um rio, abertura de uma nova estrada, a construção de um imóvel, a
domesticação e alteração genética de animais, ou o cultivo de novas plantações
em grande escala, ele altera um ciclo natural de longo prazo. É o homem o único
ser que consegue interferir na própria espécie sem obedecer necessariamente a
um ciclo natural.
A cultura do capitalismo e o
avanço tecnológico têm apressado o homem a transformar velozmente o próprio ambiente.
Não que seja inconsequente produzir melhoria, mas o que provoca a destruição da
natureza é a inconsequência humana ao mudar as coisas em prol de valores
falsos, a exemplo do lucro imediato e demais interesses que desconsideram o bem
comum sustentável.
É a mentalidade do homem que
precisa ser revista, é preciso o fortalecimento de uma nova cultura, vista
ainda apenas como idealismo de ambientalistas. Mas a sobrevivência na Terra certamente
dependerá dessa mudança. Através das relações sociais estabelecidas, das
diferentes formas de trabalhos e produção, o homem altera deliberadamente à
própria vida e o meio ambiente em que vive, como se fosse indiferente a tudo
isso. Com poder parcial de criação, o homem não se mostra competente para
restituir à natureza tudo o que consome na mesma intensidade em que destrói.
O filósofo chinês Confúcio, bem
antes da Era Cristã, deixou um preceito fundamental para os dias atuais, que
pode ajudar a entender melhor o conceito de sustentabilidade. “As pessoas que não pensam bastante à frente,
inevitavelmente têm problemas ao alcance das mãos”. O fato é que há uma
inter-relação entre o ser humano e as demais espécies do reino animal, vegetal
e mineral, muito mais do que ele possa imaginar. Cada um pode fazer diferente
na hora em que decidir.
Jair Donato* - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com













