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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

MUNDO CLIMÁTICO EM PAUTA



Artigo de Jair Donato

O alerta de que as mudanças climáticas podem custar a humanidade mais caro do que ela pensa parece ainda não ter sido entendido. Mas, as catástrofes do clima estão acontecendo em proporções desoladoras nos vários continentes. O grave de tudo é que o que tiver de ser feito tem que ser agora. A garantia da sobrevida destas e das gerações vindouras não depende de mega projetos para o futuro, e sim de ações firmes, sustentáveis e concretas de forma que todos se comprometam com essa causa, já, que antes de tudo, começa dentro de casa, na atitude.

Se nada for feito, poderá custar muito mais caro ao mundo do que foi a primeira e a segunda guerra mundial juntas, além de todo o prejuízo econômico já ocorrido, alertam os cientistas. Calcular o preço do planeta, embora os ecoeconomistas simulam prováveis cálculos, é complexo. Porém, a perda dos valores dos recursos naturais é crescente. A ação do homem foi tão degradante em todo o século XX, e continua sendo, que parte do meio ambiente natural que ainda existe, mesmo diante de tentativas de preservação e conservação, já está condenada, como apontam os estudos sobre a Amazônia, que inevitavelmente entrará em período crítico de estiagem a partir do ano de 2025.

O nível de dióxido de carbono, CO², cada vez mais alto engrossa a camada do efeito estufa, e também o dos oceanos está aumentando em proporções superiores a do século passado. Secas e enchentes se tornam fenômenos disparates. Culturas inteiras perderão as próprias identidades, a exemplo dos moradores da Ilha de Tuvalu, no pacífico Sul, que se viram diante da perda de tudo que tinham ao serem invadidos pela água marítima. Os refugiados ambientais serão uma situação-problema para os demais países, inclusive os mais desenvolvidos.

Segundo o economista Nicholas Stern, que conduz estudos sobre impacto econômico das mudanças climáticas, se as iniciativas corretas fossem tomadas agora, o custo seria apenas de 1% do PIB mundial. Ele alerta ainda que os pobres em todo o mundo são os que mais sofrerão. Por volta de 2080, mais de 1,8 bilhão de pessoas viverão com racionamento, mais de 600 milhões sofrerão por escassez de alimentos e quase meio bilhão estão expostos à malária.

Quem tem olhos, veja. Os negócios relacionados às mudanças climáticas e que fomentam a economia tem proporções gigantescas. A necessidade do mundo atual se chama produção sustentável e consumo consciente. Nos países desenvolvidos, a principal fonte de emissão CO² é a geração de energia com uso de combustíveis fósseis. Logo, o mundo se vê diante da necessidade de gerar energia limpa, segmento no que será investido trilhões de dólares nos próximos anos.

A questão ambiental é uma crise, com devidas vantagens. Para quem tem visão e disposição para fazer diferente, esse é um momento de criar novas oportunidades, de inovar, de reaproveitar, de reciclar, de repensar. Mudança de paradigma no que se refere às questões climáticas não é modismo, definitivamente. Para todos, seja do primeiro, segundo ou terceiro setor, se trata de tendência.

Há um emergente mercado de tecnologias ambientais, ligado a gestão de resíduos, a despoluição e ao tratamento de água, e controle de poluição que promete se consolidar, inclusive no Brasil. Surge um novo paradigma de produção sustentável e de consumo que exige uma transformação, antes cultural. O que sempre foi disponibilizado às custas da exploração começa a ser redefinido, porque o consumidor está no processo do repensar cotidiano.

E repensar implica também no bolso, desde a troca de um insumo que agride mais o meio ambiente por um que causa menos impacto, mesmo com diferenças de custo. O fazer diferente, quando se trata das questões ambientais se resulta num investimento com resultados duradouros e sustentáveis.

Na verdade, toda mudança se provocada pela consciência, pode mudar o mundo; é a mudança de fora para dentro. Mudar apenas por imposição ou sanções, não é mudança, é somente cumprimento de legalidade. Anseio para que cada um mude pela consciência.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

CONSCIÊNCIA SUSTENTÁVEL


Artigo de Jair Donato
Entende-se por sustentabilidade, três principais dimensões. A dimensão da ecologia, que se trata da qualidade do meio ambiente, preservação e conservação dos recursos naturais. Outro aspecto é o social, uma eqüidade com respeito aos valores culturais. E por fim, a dimensão econômica, responsável pelo aspecto rentabilidade. O respeito a essas condições significa uma considerável redução de riscos e de certificação da capacidade de agregar valor em médio e longo prazo.

O foco dos indicadores de sustentabilidade deve ser veemente no monitoramento das três dimensões, ambiental, social e econômica. Segundo Frtijof Capra, físico austríaco, da transição atual para um futuro sustentável não é apenas um problema técnico ou conceitual. É uma questão de valores, vontade política e também de liderança. Capra apresenta a visão de que uma sociedade sustentável é aquela que não interfere na habilidade inerente à natureza de sustentar a vida.

O crescimento econômico e principalmente o populacional, até 2100, certamente provocará um impacto ainda incalculável, porém certeiro, na emissão de CO2 no planeta, se não forem tomadas sérias medidas de redução do gás carbônico. O papel do governo e do mundo corporativo, com o apoio do terceiro setor e o aval da base científica precisam se concentrar nesse desafio, possivelmente o mais coletivo desde o início da humanidade. No entanto, o apoio definitivo para uma mudança no estilo de vida de todos vai depender muito da disposição de cada um em prol do meio ambiente.

Em uma pesquisa publicada no último semestre pela Climate Confidence Monitor, em 12 países, com 12 mil pessoas, mostra que embora o cenário climático se mostre mais grave, a população está menos preocupada com o clima, em relação a 2007. O retrocesso, segundo o estudo, se caracteriza pela menor disposição percebida nas pessoas em mudar comportamentos e contribuir para minimizar o aquecimento global. Isso mostra que a consciência mundial sobre o problema climático caiu significativamente. Se, em 2007, cerca de 70% dos entrevistados disseram ter ouvido falar muito sobre o tema, esse percentual passou para menos de 40% em 2008, triste mensuração da referida pesquisa.

Essa é uma visão estarrecedora. O grave é que periodicamente são publicados dados de avanços na crise ambiental, como é o caso do estudo divulgado no final do ano passado pela Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU. Foi revelado que o nível de gás carbônico no ar atingiu novo recorde e subiu 0,5% em apenas um ano. Estudos apresentam que o nível atual dos gases de efeito estufa na atmosfera já é de quase 40% a mais que na era pré-industrial e sem sinal de que vai diminuir.

Mas afinal, o que explicaria esse fenômeno de desinteresse, se as questões da sustentabilidade parecem cada vez mais difundidas na sociedade? Parte dos entrevistados na pesquisa da agência americana alegou que a estabilidade econômica, seguida pela violência, como no caso dos brasileiros, preocupa mais. Mudanças climáticas aparecem em terceiro lugar, na conclusão.

As constantes mudanças de valores e crenças que ocorrem na velocidade atual exigem remodelagens conceituais e práticas no mundo, seja nos negócios ou na administração pública. Daqui por diante, é preciso mudança acima de tudo, no cotidiano de cada cidadão. O que se espera é a compreensão individual e coletiva, a começar pela sensibilização sobre o uso e o consumo que compete a cada um, no contexto atual, crítico ambientalmente.

Acredito que a via da educação pode ser caminho que mais tem haver com uma base sustentável que garanta a permanência bem sucedida das gerações futuras. As crianças de hoje, que ouvem e praticam lições ambientais dentro de sala de aula, como laboratório, ao se tornarem os gestores nas décadas seguintes, certamente entenderão isso mais profundamente; percepção que as gerações de todo o século XX não conseguiram. Em curto, médio e longo prazo, a maior crise é a ambiental. Os fatos comprovam e os alertas oportunizam o que ainda pode ser feito, agora.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

OS PRINCÍPIOS PARA UMA SOCIEDADE SUSTENTÁVEL


Artigo de Jair Donato
Consta no relatório “Cuidando do planeta Terra”, publicado em 1991, os nove princípios para se tornar uma sociedade sustentável. O primeiro deles se trata do respeito e do cuidado com a comunidade dos seres vivos. A melhoria da qualidade de vida do ser humano é o segundo preceito, e, que está em risco se o próprio homem não se cuidar.

Permanecer nos limites da capacidade de suporte da Terra é outro princípio. Cálculos mostram que mais pessoas nasceram no século XX do que em todo o resto da história da humanidade. Desde a revolução industrial, a população na Terra aumentou cerca de oito vezes. Na década de 1950, eram pouco mais de 2,5 bilhões. E, segundo a previsão da Organização das Nações Unidas, chegará o ano de 2050 com 9 bilhões de pessoas. Isso pode ser sinônimo de desequilíbrio se a forma de considerar os recursos naturais e o desenvolvimento sócio-econômico continuarem no paradigma da exploração.

Modificar atitudes e práticas pessoais é um outro princípio. Talvez, o mais significante, pois trata de responsabilidade individual de cada um dos humanos. Certa vez, James Lovelock, renomado cientista, um dos mais influentes do século XX, que criou a teoria de Gaia, num evento em Oxford, se levantou e repreendeu Madre Teresa por pedir à platéia que cuidasse dos pobres e "deixasse que Deus tomasse conta da Terra".

Como Lovelock explicou a ela, "se nós, as pessoas, não respeitarmos a Terra e não tomarmos conta dela, podemos ter certeza de que ela, no papel de Gaia, vai tomar conta de nós e, se necessário for, vai nos eliminar". Ele quis dizer que o homem deve cuidar da própria casa, preservar o ambiente em que vive, afinal, ele é o morador. Lovelock, pela visão espiritualista que possui, assim como desenvolveu a teoria de que a Terra é um organismo vivo, entende também de que Deus está em cada um dos homens e não como uma entidade à parte, fiscalizadora.

Segundo o sempre provocador cientista, embora respeitado no meio científico, o aquecimento global é irreversível e pode provocar a morte de 6 bilhões de pessoas neste século em função das alterações climáticas. A raça humana está em perigo real e imediato, diz Lovelock.

Dentre os demais princípios para uma sociedade sustentável estão, minimizar o esgotamento de recursos não renováveis, permitir que as comunidades cuidem de próprio meio ambiente, gerar uma estrutura nacional para a integração de desenvolvimento e conservação, construir uma aliança global.

O doutor em ciências ambientais, Geraldo Rohde, classifica quatro fatores que tornam a civilização contemporânea claramente insustentável a médio e longo prazo. A começar pelo crescimento populacional acelerado, seguida pela depleção da base de recursos naturais. Acompanhados pelos sistemas produtivos que utilizam tecnologias poluentes e de baixa eficácia energética. E, por fim o sistema de valores que propicia a expansão ilimitada do consumo material.

Segundo físico austríaco Fritjof Capra, a crise ecológica é uma situação complexa, multidimensional, cujas facetas afetam todos os aspectos da vida humana. Percebe-se que essa é uma questão global que envolve governantes, fabricantes, produtores, prestadores de serviços e consumidores. Depende do desempenho em rede com foco contínuo nos aspectos ambientais.

Segundo a organização The Word wide fund nature, uma sociedade mundial sustentável só surgirá quando o estilo de vida do ser humano e a população global não excederem a capacidade de suporte da Terra. Tudo parece mesmo que o ser humano, por conseqüência de uma visão míope, está numa corda bamba.


Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

2009 - O ANO DOS 7 R’S



Artigo de Jair Donato

Segundo estudos da numerologia, o ano de 2009 traz a vibração da sociabilidade, da intuição e da sensibilidade. Também pode representar a dualidade, simbolizada pelo pólo positivo, a força do Yang; e pelo pólo e negativo, a força do Yin, segundo a filosofia taoísta. Fundamentalmente, este novo ciclo remete o ser humano a uma consciência mais desperta para as questões ligadas à preservação e conservação dos recursos naturais. Espera-se que tudo isso se converta em bom senso e sensibilidade do homem frente às questões ambientais.

O uso e o consumo consciente deve a partir de agora se tornar uma cultura de âmbito global. Evitar o excesso e consumir com redução e seleção pode ser a política da solução coletiva e individual, a exemplo da pratica diária dos 7 R’s, um jeito adequado de viver.

1ºR – Respeite: Entender as formas de vida no planeta é a primeira atitude para respeitá-las. É preciso entender que o ser humano é apenas mais um elemento que compõe o planeta e não é dono nem o senhor de tudo. Deve respeitar todas as outras formas de manifestação da vida, a diversidade natural e as diferentes formas de pensamento existentes no mundo. Preserve.

2º R – Repense: O início do XXI é o ponto de mutação em que a humanidade começa a repensar o estilo de vida que teve até agora. É necessária uma mudança de dentro para fora, mudança de conceito, de paradigma, de produção, de consumo e acima de tudo, de ganho.
Resignificar o conjunto de valores e paradigmas de ganho, como os apregoados pelo capitalismo, até então, é fundamental para o ser humano. Significa parar o que está fazendo e rever as atitudes em relação ao planeta. Ao reavaliar as ações a respeito do meio ambiente, o homem perceberá que precisa viver de forma diferente e adotar novos conceitos e novas formas de pensar e agir.

3ºR – Reduza: O consumo exagerado é um dos principais erros da maneira de viver da atual sociedade. Afinal, consumir mais do que precisa significa que está abusando do que o planeta pode oferecer. Além disso, o consumo de forma descontrolada causa diferenças sociais, pois muitas pessoas ficam sem o que consumir, e também provoca o desperdício.

4ºR – Reutilize: Alguns materiais vão para o lixo sem necessidade. Eles podem ser reutilizados. As pessoas são freqüentemente muito imaginativas ao reutilizarem os objetos, ao invés de jogá-los fora. Desde as latas de alumínio vazias que podem ser amassadas e usá-las como chapa de metal, artesanatos e tantas outras formas, até o plástico, o papel, os restos de uma construção ou um filtro para coar café. São móveis que podem ser feitos com sobras de madeira, vidros bem lavados que servem para guardar alimentos e tantos outros materiais.

5ºR – Recicle: Se objetos como garrafas de vidro, latas de metal, jornais e plásticos não puderem ser reutilizados, talvez seja possível reciclá-los. Por exemplo, o vidro é lavado em fábricas especiais, quebrado em pedacinhos e, então, derretido para fazer vidro “novo”, pronto para a fabricação de alguma outra coisa. O mesmo processo é utilizado para o papel e muito do que até então era considerado como “lixo”.

6ºR – Recupere: Muita coisa em nosso planeta sofre com a poluição e a degradação. Rios têm água contaminada, florestas foram desmatadas e muitos animais estão quase extintos. Esses são apenas alguns exemplos. Agora, mediante a necessidade de uma nova forma de viver neste planeta, é preciso pensar em como recuperar tudo que vem sendo destruído. Todos devem também criar e propor soluções, cobrar das empresas e do governo que tomem atitude, para que possam recuperar o máximo possível dos recursos naturais ainda existentes. Conserve.

7º R – Recuse: É importante que o consumidor observe, além da data de fabricação do que leva para casa, garantia ou qualidade, ver se o produto escolhido é ambientalmente correto. Qualquer produto que esteja de acordo com os princípios sustentáveis agrega valor para quem produz e mais consciência para quem consome. Essa é uma realidade que já está acontecendo. Mudar a maneira de produzir ou fabricar é a garantia da permanência no mercado com responsabilidade. E redirecionar a forma de consumo é garantia de mais qualidade de vida.

Acredito mesmo que a via da educação é o caminho mais rápido que pode sensibilizar os que produzem, os que intermediam, os prestadores de serviços e os consumidores.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com