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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

NÚMEROS CLIMÁTICOS DO SÉCULO



Artigo de Jair Donato

O mundo é matemático e através dos números, uma medida fria, porém exata, o ser humano pode refletir profundamente sobre os dados que mostram os impactos já provocados por ele na Terra desde que passou a habitar por aqui, principalmente nos últimos cem anos. Números que também se tornam úteis para analisar os choques que serão provocados até o final deste século. No ano de 2050 o planeta terá o peso do consumo de aproximadamente 9 bilhões de pessoas, segundo a Organização das Nações Unidas. Isso merece melhor atenção de cada cidadão que hoje, pelo que mostram os fatos, não ocupa tão bem o ambiente em que vive e muitas vidas já estão sendo eliminadas em virtude do mau uso dos recursos naturais e dos danos implacáveis provocados no meio ambiente.

Nas últimas 04 décadas, como consequência de toda a atividade industrial no século XX, o do nível de CO² na atmosfera chegou à média de 400 partes por milhão (ppm), faixa que não tinha sido alcançada nos últimos 650 mil anos, segundo estudos científicos. A projeção é de que 200 bilhões de pessoas podem sofrer até a metade do século com os impactos do aquecimento global, fenômeno climático que ainda não preocupa muita gente que polui em demasia, mas que já alastra catástrofes sobre os continentes.

A 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas, COP-15, evento foco do final de 2009, em Copenhague, na Dinamarca, foi organizada para que um acordo mais arrojado e que dê continuidade ao Tratado de Kyoto, com a participação de mais países, como os EUA e a China, potenciais poluidores, seja de fato assumido por governantes de mais de 150 países. Do cumprimento das metas propostas nesta conferência, para redução nas emissões de gases poluentes que aquece a Terra, depende a qualidade de vida das gerações presentes e futuras. Das grandes negociações aos pequenos acordos, todo movimento em busca de soluções verdes são válidos.

Ainda em 2007, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas fez um alerta oficial ao mundo através de estudos sobre a temperatura da Terra, que não poderá subir mais que 2ºC. E para isso seria necessário que as emissões de CO² fossem reduzidas entre 50% e 85% até 2050. Por volta de 2100, considerando os mesmos padrões de destruição ambiental e de consumo dos recursos naturais da atualidade, todos os biomas serão extremamente afetados, a exemplo da Amazônia, que poderá ser extinta em até 80%, segundo os estudiosos do clima, devido a fortes períodos de estiagem; fato extensivo ao cerrado e demais ciclos de vida da que fazem parte do meio ambiente natural em diversas partes do mundo.

A previsão para a metade deste século, com base nos atuais padrões de consumo, é que serão consumidos duas vezes mais do que o planeta pode gerar. Será estarrecedor o impacto de aproximadamente 10 bilhões de pessoas se não houver uma mudança geral no estilo de vida do ser humano, tanto nas atividades industriais quanto nas domésticas. Dados atuais mostram que uma pessoa produz, em média 1,5 kg de lixo diário. E segundo alguns cálculos, cada ser humano deveria plantar entre trezentas a quatrocentas árvores para compensar a vida dela por aqui. Ufa! Haja espaço, ainda bem que os cientistas estão criando agora as árvores sintéticas. Bancar essa idéia pode ser uma excelente ajuda.

E, falar em números sem falar da água disponível para consumo no planeta, é impossível. Trata-se de um recurso que muita gente ainda não sabe o valor que possui e o quanto é limitado na face da Terra. A Organização das Nações Unidas instituiu o período de 2005/2015 como a Década das Águas. Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas não têm acesso à água potável. Até o final deste século, mais de 3 bilhões sofrerão com a escassez. Estima-se que quase dois milhões de mortes no mundo, anualmente, têm como causa a poluição da água. Esses são dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). E a poluição tende a crescer.

Recentemente, o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, num artigo publicado às vésperas da COP-15, sobre a expectativa do resultado da Conferência, expressou: “Se nós perdermos a oportunidade de proteger o nosso planeta, não haverá segunda chance em nenhum outro momento no futuro”. Alguém sabiamente disse, conjeturando a presunção humana: “Cada geração se considera mais inteligente do que a anterior e mais sábia do que a próxima”. A sessão numérica continua.

Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. Site:
www.domNato.com.br

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

CONEXÃO RIO, KYOTO, BALI, COPENHAGUE



Artigo de Jair Donato

Foi aberta na capital dinamarquesa a Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas começou na última segunda, dia 7, na esperança de que resultados positivos podem advir dos seis dias seguintes de reuniões técnicas em que delegações de 193 países terão de apresentar propostas que cheguem a um acordo global de redução das emissões de gases causadores do efeito estufa. Em clima de esperança, o secretário executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Yvo de Bôer, ainda na cerimônia de abertura do evento disse que o tempo de declarações formais acabou e que chegou o tempo de todos dar as mãos em prol do grande desafio, reduzir as emissões de gases do efeito estufa.

O resultado esperado é que as negociações avancem neste encontro e que até o dia 18 de dezembro um novo acordo climático global possa ser firmado, principalmente com o compromisso dos países mais poluidores do planeta. Copenhague é considerada um ícone ambiental por ser a cidade mais “verde” dentre 30 outras grandes metrópoles, segundo um índice europeu que analisou indicadores como emissões, consumo energético, transportes, resíduos ou qualidade do ar. Espera-se que os representantes do mundo que se comprometeram em fazer parte desse novo acordo sobre o clima, estejam inebriados pela sensibilidade do verde da Capital anfitriã e que ouçam o clamor da natureza. E mais, que sejam solícitos a esse clamor pela via da sustentabilidade.

Desde o maior evento ambiental mundial até hoje, a Rio-92, que o mundo anseia pelo cumprimento de metas sensatas quanto a redução da poluição no planeta através da larga emissão de gases poluentes que engrossam a camada do efeito estufa, como o gás carbônico, expelido pela escala industrial, grandes áreas de desmatamento e pelo uso alastrado dos combustíveis fósseis. Já em 1997 estabeleceu-se o Protocolo de Kyoto, que pela primeira vez foram definidas metas obrigatórias para o os países industrializados, que deveriam reduzir as emissões de gases poluentes até 2012. E na 13 ª conferência anual dos países membros, realizada em Bali, 2008, decidiu-se trabalhar para um novo acordo pós-Kyoto, cujo plano visa agora, em 2009, uma negociação significativa na conferência de Copenhague.

Todas as tentativas, encontros e propostas são válidos. No entanto, espera-se que Copenhague não se torne apenas um desfile de grifes e de egos dos países altamente poluidores e que haja sensatez por parte dos respectivos representantes quanto ao acordo esperado. Faz-se necessário que cultura de preservar e conservar os recursos naturais, a menor escala na emissão de gases poluentes e o investimento em paradigmas sustentáveis seja o foco dos governantes daqui por diante e que isso se estabeleça como tendência global. Nas organizações corporativas, por exemplo, é perceptível quanto uma liderança influencia as equipes de trabalho. Da mesma forma, mediante a postura de seriedade assumida pelos líderes mundiais que discutem esse novo acordo sobre o clima pode ser uma decisiva contribuição social para que cada cidadão também se torne a mudança que deseja ver no mundo, como parafraseou Gandhi, e se comprometa com as emissões individuais, pois isso será, antes de tudo, uma questão de atitude.

Espera-se que governantes e líderes da economia mundial decidam por alternativas com foco no coletivo e não apenas visando o “próprio umbigo”. Somente com visão estratégica de ganho que considere as gerações futuras e beneficie já as gerações presentes, é que o mundo poderá ser contemplado pela via da sustentabilidade. Segundo o ambientalista Al Gore, que lançou em 2006 o filme Uma Verdade Inconveniente, “é difícil uma pessoa compreender uma situação quando o seu salário depende em não compreendê-la”. Embora muita gente gostaria de não mudar a forma de ganho, de produção e de consumo, é disso que o mundo depende. Mudar dói, transforma, mas é preciso. Quanto ao clima vamos ver no que vai dá o pós-Copenhague.

Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jair@domnato.com.br

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

SABEDORIA MÉDICA VERDE


Artigo de Jair Donato
Há um conto que retrata o episódio que ocorreu certa vez, entre o médico e a paciente. Ela num certo momento chega apavorada no consultório ginecológico, com um filho nos braços e diz: Doutor, o senhor terá de me ajudar num problema muito sério. Este meu bebê ainda não completou um ano e estou grávida novamente. Não quero filhos em tão curto espaço de tempo, mas num espaço grande entre um e outro. E então o médico perguntou: Muito bem. E o que a senhora quer que eu faça? A mulher respondeu: Desejo interromper esta gravidez e conto com a sua ajuda.

O médico então pensou um pouco e depois do seu silêncio disse para a mulher: Acho que tenho um método melhor para solucionar o problema. E é menos perigoso para a senhora. A mulher sorriu, acreditando que o médico aceitaria seu pedido. E então ele completou: Veja bem, minha senhora, para não ter de ficar com os dois bebês de uma vez, em tão curto espaço de tempo, vamos matar este que está em seus braços. Assim, a senhora poderá descansar para ter o outro, terá um período de descanso até o outro nascer. Se vamos matar, não há diferença entre um e outro. Até porque sacrificar este que a senhora tem nos braços é mais fácil, pois a senhora não correrá nenhum risco.

A mulher apavorou-se e disse: Não doutor! Que horror! Matar uma criança é um crime! Também acho minha senhora, mas me pareceu tão convencida disso, que por um momento pensei em ajudá-la. O médico sorriu e, depois de algumas considerações, viu que a sua lição surtira efeito. Convenceu a mãe que não há menor diferença entre matar a criança que nasceu e matar uma ainda por nascer, mas já viva no seio materno. Pois o crime seria exatamente o mesmo.

O aborto é um assunto polêmico e ao mesmo tempo em que é tratado por alguns como um absurdo, um crime perante a vida, para outros não. Afinal, o ser humano possui o direito de interromper uma vida no ventre materno, se assim o entender, em nome da liberdade, assim pensa muita gente. Contudo, a polêmica que existe em torno desse tema se deve pelo fato de algo que está ligado aos valores que cada um possui sobre.

Mas, numa visão macro, pensando globalmente, seria mesmo essa a única forma de aborto provocada pelo homem? Nas últimas décadas tem sido constatada a fragilidade da vida humana na Terra, na mesma medida em que as pessoas perdem a capacidade de cuidar do meio ambiente natural em que vive. O homem capitalista está abortando num ritmo veloz a oportunidade de preservar a qualidade de vida no planeta e conservar os recursos naturais, através da atitude criminosa do desperdício, do consumo demasiado e da destruição sem reposição. O ar limpo, tão necessário para as gerações presentes, como para as futuras, está cada vez mais poluído, uma espécie de asfixia que aflige o ser humano, mas é algo provocado por ele mesmo, cada vez que polui o ambiente em que vive, numa espécie de autosuicídio e de extermínio dos próprios descendentes.

É este ser humano mercantilista que foi gerado no “ventre da mãe Terra”, cujos corpos são semelhantes na constituição orgânica que sente, dentro de uma vasta diversidade de recursos naturais, que consegue destruir numa velocidade incomensurável a própria casa que o abriga e polui o ambiente que acolhe a si e aos próprios descendentes. A destruição da enorme complexidade natural do planeta ocorre de maneira tão insensível como se expelisse um feto, cujo significado parece está apenas na concentração de interesses próprios e de vaidades. Essa é uma forma de aborto ambiental.

Todas as consequencias globais devido as mudanças climáticas, a exemplo do aquecimento global, a proliferação de doenças em regiões do planeta antes inimagináveis parece se dá pela ruptura provocada pelo próprio homem com a energia que faz fluir a vida natural no planeta. E assim como o conselho médico da analogia acima, as catástrofes ambientais que ocorrem no mundo inteiro atualmente, soam como sérios alertas ao homem, sobre a situação que ele está provocando. Contudo, mais do que nunca, faz-se necessário que haja sensibilidade e percepção sobre o fato de que abortar as possibilidades de recuperar e preservar os recursos naturais do planeta coloca em risco a própria capacidade de viver na Terra.

Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jair@domnato.com.br

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

MUDANÇA DE CLIMA OU DE ATITUDE?


Artigo de Jair Donato
O que será necessário para o mundo atual, a mudança do clima ou de atitude? Segundo cientistas, a atual temperatura da Terra não regride e tende a aumentar. Por isso, tudo o que o ser humano fizer no sentido de cuidar da natureza contribuirá para amenizar, e, com isso não acelerar o processo de alteração da temperatura conforme dados previstos pelos estudiosos climáticos. No entanto, se não houver mudança no comportamento do homem frente aos desafios da produção, do consumo e da interação com o meio ambiente, certamente, o clima pode provocar complicações radicais no estilo de vida dos humanos.

Pesquisas recentes sobre os efeitos das alterações do clima ao redor do planeta indicam que os biomas estão cada vez mais vulneráveis aos efeitos climáticos, como as florestas tropicais, a exemplo da Amazônia, que a partir da próxima década começa a ter períodos de estiagem cada vez mais evidentes.

As mudanças certamente não ocorrerão como se fossem explosões mágicas, mas precisam de planejamento e de ações, o mais rápido possível, indicam os especialistas do clima. Todos os países precisarão rever os comportamentos administrativos e organizacionais ou serão submetidos a constrangimentos éticos no futuro próximo, especialmente os altamente poluidores. Isso também começa no âmbito individual. As pessoas precisam inserir no comportamento individual e coletivo, práticas sustentáveis e estilos de vida voltados para a qualidade de vida dentro de uma visão de futuro, com pensamento ambientalmente correto e com padrões de produção e de consumo que mantenha a preservação e a conservação dos recursos naturais.

No manual da reciclagem publicado no endereço eletrônico do Ministério do Meio ambiente, especialistas derrubam alguns dos mitos mais difundidos sobre a reciclagem e dão dicas básicas para quem quer começar a separar o lixo em casa. Isso antes de tudo, é atitude. Veja o que fazer:

Lâmpadas - Deve separar as fluorescentes num lixo à parte. Misturados aos outros restos, os cacos costumam ferir os catadores. Já as lâmpadas incandescentes não são recicladas, uma vez que, segundo mostram as pesquisas, não causam impacto negativo no meio ambiente - elas devem ser depositadas, portanto, no lixo comum.

Baterias - O que fazer: reciclam-se só as de telefones sem fio, filmadoras e celulares - as outras, assim como as pilhas, têm baixa concentração de metais pesados e por essa razão não são tidas como prejudiciais ao meio ambiente. Para reciclar, faça um lixo separado: como as baterias são frágeis, podem romper-se e contaminar o restante dos detritos.

Cacos de vidros planos e de espelhos - O que fazer: embalar em jornal e colocar num lixo separado. Seguirão para vidraçarias - e não para as tradicionais fábricas que reciclam vidro.

O óleo de cozinha - é um dos alimentos mais nocivos ao meio ambiente. Jogado no ralo da pia, ele termina contaminando rios e mares. Um litro de óleo de cozinha polui até um milhão de litros de água. Portanto, colocar o óleo em garrafas PET bem vedadas e entregá-las a uma das várias organizações especializadas nesse tipo de reciclagem é uma forma adequada de tratar esse resíduo.

A pesquisa é fundamental e isso cada um pode fazer individualmente para saber se é adequada a maneira como descarta os resíduos, seja em casa ou no trabalho. Mudar é o possível caminho para um planeta mais limpo. Dessa forma, para que todos tenham um clima melhor, o foco certamente estará em atitudes melhores.

Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jair@domnato.com.br