Total de visualizações de página

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

COMO GERIR MELHOR O TEMPO?
Artigo de Jair Donato*

O que é exatamente a administração do tempo? Falta de tempo é desculpa daqueles que perdem tempo por falta de métodos, foi o que disse o físico Albert Einstein. Para vários especialistas, a administração do tempo pode ser definida de maneira simples, como um plano de utilização e controle dele de forma mais eficiente e eficaz. Contudo, é óbvio que o tempo é algo mais do que isto que a definição sugere. Um plano deve ser criado para atender às necessidades específicas de uma pessoa. Mas um único sistema não pode ser adequado para todos. Ele precisa ser flexível, adaptável de forma a ajustar-se a situações que estão em constantes mudanças.

Dizem que para perceber o valor de um ano, pergunte a um estudante que repetiu de série. Para perceber o valor de um mês, pergunte para uma mãe que teve o bebê prematuramente. Para saber o valor de uma semana, pergunte a um editor de um jornal semanal. Para mensurar o valor de uma hora, pergunte aos amantes que estão esperando para se encontrar. Para perceber o valor de um minuto, pergunte a uma pessoa que perdeu um trem. Para que saiba o valor de um segundo, interrogue uma pessoa que conseguiu evitar um acidente. Para você mensurar o valor de um milésimo de segundo, pergunte a alguém que ganhou a medalha de prata em uma olimpíada.

O mais adequado é valorizar todos os momentos que você tem, é fazer dos diversos espaços, pequenos momentos de felicidade, de autorrealização e de utilidade ao mundo à sua volta. E valorizar também o tempo dispensado às pessoas com quem você convive. Saber dividir com alguém, pois pode ser que tal oportunidade não se repita. Lembre-se de que o tempo não espera por ninguém.

Tempo, enquanto atua como um carrasco implacável para muitos, torna-se fonte de realização para outros. No entanto, é notável que aquele que administra estrategicamente o tempo ao conciliar as atividades concernentes, obtém resultados satisfatórios, em detrimento aquele que o desperdiça. Há quem em curto prazo pretende fazer tudo aquilo que não conseguiu durante décadas, por falta de planejamento, o resultado disso pode ser a frustração.

Para quem sabe administrar o tempo percebe que é o desinteresse e o descomprometimento com aquilo a que se propõe que se traduz no clichê da maioria das pessoas: falta de tempo. Afinal, o tempo é cronologicamente o mesmo para todos, mas, insuficiente para muitos, unicamente por falta de gestão. O mundo em que vivemos está repleto de mudanças, inovações constantes e uma disposição de tarefas e informações que surgem como avalanches. Por isso, se não houver gestão do próprio tempo, qualquer um facilmente se perderá em meio a um emaranhado de compromissos e atividades paralelas, indefinidamente.

Conciliar as atividades, assumir compromissos que se encaixam na própria agenda sem a desculpa de executar, caso sobre tempo, desenvolver a competência seletiva e saber identificar o que é importante e prioritário, são algumas das alternativas para melhor conviver no tempo que tem disponível. Isso evita o estresse e propicia o alcance de melhor desempenho nas principais áreas da vida. O meio mais eficaz para alcançar isso é ter um projeto de vida, saber planejar com foco e definir objetivos claros.

Tempo vale bem mais que dinheiro, ele é vida. Trata-se de algo que não deve ser avaliado por quantidade, como por exemplo, se o que você tem disponível são 24 horas, um ano ou meio século. Ele deve ser mensurado pela qualidade, pela maneira como é aplicado no decorrer das atividades enquanto você vive, se o aplica adequadamente para alcance dos resultados almejados ou não. Uma década na vida de uma pessoa vai passar de qualquer jeito. A questão é o que será feito nesse período? Quais melhorias, conhecimentos agregados e investimentos feitos que possam causar impacto em longo prazo?

Tempo e circunstâncias estão em frequentes mudanças, quando visto pela ótica do preparo em lidar com eles. As relações interpessoais, aliadas à gestão do conhecimento e a intimidade necessária com novas tecnologias obriga o homem moderno a redimensionar o tempo, através do foco nas ações do cotidiano. Caso contrário, será o mundo da mediocridade que o espera. O melhor de tudo é que gestão do tempo é uma competência, e pode ser desenvolvida. Afinal, sempre é tempo.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

INCONSCIENTE, COMPORTAMENTO E LIDERANÇA
Artigo de Jair Donato*

Há quem talvez não entenda a razão de conviver com pessoas que não exercem saudavelmente a liderança como uma competência que agrega e influencia positivamente. Por que muita gente, embora saiba o que quer, não atinge resultados satisfatórios? É importante que cada pessoa conheça a si mesma através de constantes análises sobre os próprios movimentos no cotidiano, principalmente sobre os atos repetitivos. Eles atrapalham ou favorecem a conquista dos objetivos traçados? O que realmente você quer?

O autoconhecimento é fundamental para que o indivíduo conduza a vida de maneira entusiasta e fique atento aos possíveis processos de autossabotagens. Inconscientemente, o ser humano pode conduzir a própria vida para um caminho antagônico ao que deseja conscientemente e viver uma espécie de autopunição, daí passa o tempo minando os principais aspectos da vida que para ele representa valor, restando-lhe apenas resultados medíocres.

Portanto, é imprescindível que cada um estabeleça de maneira contínua uma autoavaliação sobre os hábitos que possui rotineiramente, se eles são construtivos, se a liderança que utiliza ao influenciar as pessoas é benéfica ou mascara os objetivos e referências conscientes que possui. Liderança é uma competência que se solidifica em três bases essenciais. A primeira é a estrutural-hierárquica, fácil de ser exercida pela maioria das pessoas, pois basta que haja indicação ou promoção dentro de uma organização. Em seguida, vem a estrutura racional-cognitiva, seguida da psicológica-emocional, sendo que essas duas últimas nem sempre atuam sincronizadas com a hierárquica.

Afinal, é grande o número de pessoas que ocupa posições de liderança, mas exerce uma influencia negativa, baseada apenas no poder, sem controle das próprias emoções. Além disso, o que provoca são lesões psicológicas nos demais, com pouca racionalidade e percepção distorcida. O que há no inconsciente pode se projetar a favor ou contra ao que for estabelecido como projeto de vida, pode atrair ou não os desejos bons e altruístas. Segundo o autor do livro “O Inconsciente na sua vida profissional”, Luiz Fernando Garcia, muitas vezes, por mais que conscientemente o indivíduo tente agir de outra forma, acaba seguindo um mesmo roteiro, ainda que esse roteiro possa lhe ser reconhecidamente prejudicial, a exemplo das compulsões do ego - comida, compras, jogo, sexo, etc.

Nós não podemos descartar o poder de escolha que todos temos, mas é incrível como padrões psíquicos e comportamentais podem ser repassados de pai para filho a ponto de serem cultivados em uma família durante várias gerações. Numa pesquisa pioneira sobre padrões de comportamento que levam as pessoas a prejudicarem as próprias carreiras, e como superá-los, apresentada pelos autores James Waldroop e Timothy Butler, no livro “Sucesso Máximo”, foram identificados os 12 hábitos que ameaçam a carreira profissional. O estudo retrata como as pessoas costumam sabotarem a vida profissional fazendo coisas que fazem com que sejam rebaixadas até o nível em que acham que devem estar. Há o relato do caso de uma pessoa que havia cometido uma série de gafes tão estúpidas que realmente conseguiu ser demitida. E não fez isso por nenhuma razão, como depois descobriram, a não ser pelo fato de se sentir que não pertencia ao ambiente onde estava.

Segundo Waldroop e Butler, muitas pessoas, em função da falta de autoestima, se sentem assim e, de forma sutil ou mais calamitosa, se autossabotam ou encontram formas de se autorrefrearem para nunca “sofrerem”. Elas simplesmente nunca sobem além do nível em que se sentem confortáveis. O indivíduo que não se sente suficientemente bom no trabalho que executa, com toda certeza vai levar esse sentimento para a vida pessoal. Há muitas manifestações possíveis desse padrão, desde sabotar os relacionamentos afetivos com parceiros adequados, que achamos que são “bons demais” para nós, até começar uma amizade com alguém a quem vemos como “acima de nós” em algum sentido.

Esse tipo de autossabotagem nunca é consciente. Ninguém acorda de manhã e diz: “Sabe, eu simplesmente não me sinto confortável no cargo de vice-presidente; portanto, acho que vou chegar no trabalho hoje e estragar tudo!”, complementam Waldroop e Butler . Por isso é importante um retrospecto, a avaliação de si mesmo para conseguir enxergar o que fez, e o fez por alguma razão poderosa, porém inconsciente, fora daquilo que foi programado no consciente.

Em grande parte, são os fatores do inconsciente, termo empregado por Freud, pai da psicanálise, que levam o ser humano a comportar-se ora como líder que influencia positivamente, ora como ditador. Tudo depende das referências internas que a pessoa possui sobre o ambiente em que vive, sobre os outros e sobre si. Por isso a autopercepção é o caminho para tornar consciente aquilo que está no inconsciente e assumir o leme da própria vida.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida; e cursa psicologia.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O MUNDO À BEIRA DA TERCEIRA GUERRA MUNDIAL
Artigo de Jair Donato*

O processo da comunicação é uma perspectiva abrangente, essencial para que as pessoas interajam umas com as outras e para que a sociedade tenha um sentido de conhecimento de uma situação atual e do que tenha que ser feito. Dentro de uma organização a comunicação visa desenvolver um quadro de referência com foco na promoção e na da identidade dela, para consolidar uma imagem externa e focar o posicionamento esperado no mercado.

No relacionamento interpessoal, a comunicação também significa a ação de tornar algo comum a muitos. É o processo de transmissão de pensamento ou mensagem, dirigida de um indivíduo para outro, com o fim de informar, persuadir ou sensibilizar. Ocorre pela troca de informações entre o emissor e um receptor, é a inferência do significado entre os indivíduos envolvidos. Na prática, a excelência na comunicação é um dos fatores mais importantes para o êxito no convívio e nos relacionamentos do ser humano, sejam nos negócios, na política, na família, no meio social ou nas relações internacionais.

Conflitos de natureza individual, social, na vida a dois, como também em escala mundial, na maior parte das vezes ocorrem por falhas na maneira de estabelecer uma comunicação. Aconteceu um fato na Rússia, na década de 1990, que retrata bem isso. Embora pouco divulgado na mídia, foi um evento que deixou o mundo bem próximo da terceira guerra mundial. E qual foi fator principal? Um ruído na comunicação.

Quando a Noruega, no início dos anos 90, lançou um foguete de pesquisa para estudar a aurora boreal, fenômeno luminoso observado a olho nu nos céus noturnos do hemisfério norte, a equipe responsável dessa missão avisou a Força Militar da Rússia sobre o lançamento, dez dias antes. O único interesse dos pesquisadores noruegueses era estudar o fenômeno, que são pequenas explosões no Sol que espalham no espaço e ao contato com as extremidades do planeta Terra, causam efeitos visuais deslumbrantes.

No entanto, a secretária da base militar da Rússia recebeu o comunicado oficial e, por um lapso, não repassou a informação para o comando geral. Então, no dia e hora marcados, o radar russo detectou o foguete no espaço aéreo como se fosse um míssil. Perceberam que a velocidade era de cerca de 1500km/h, e, que dentro de dez minutos atingiria a capital, Moscou.

Pensando ser um ataque americano, o comando militar russo acionou dentro de oito minutos vários mísseis nucleares, nas bases distribuídas pelo país, que há um minuto antes de dispará-los, descobriu-se toda a verdade. O que parecia ser um míssil inimigo rumo ao Sul era apenas um foguete de pesquisa norueguês, que logo se despedaçaria caindo no oceano.

Se a Rússia disparasse dentro de um minuto o arsenal acionado, poderia naquele momento ter dado o início à terceira guerra mundial, pois certamente a base militar americana iria revidá-la. E qual seria a causa? A displicência de uma secretária. É isso que ocorre quando uma comunicação não é repassada a pessoa certa ou não compartilhada adequadamente, provoca tragédias na sociedade, na família, na empresa e até mesmo entre nações.

Uma mensagem se não for expressa com clareza e objetividade pode causar insatisfação, ressentimentos que duram anos e gerar conflitos irreversíveis. Na escola, um erro de comunicação pode fechar as portas para o futuro de muita gente. No relacionamento afetivo, põe fim a uma relação que poderia dar certo. Na profissão, pode ser o fim de uma carreira. Contudo, foco na comunicação pode ser sinônimo do êxito na vida das pessoas.

Há também incongruência na comunicação quando alguém diz algo verbalmente, mas, a expressão não verbal o sabota. Ou seja, quando o comportamento expressa exatamente o contrário da intenção manipulada; prática comum na política e nas convenções sociais. Enfim, o ato de comunicar pode ser a diferença entre prosperar ou fracassar.

Na verdade, a maneira que utilizamos para nos comunicar com o mundo, com as pessoas ao nosso redor, reflete diretamente no resultado a ser obtido em nossas interações. Comunicar bem é sinônimo de excelência, e trata-se de uma competência que pode ser desenvolvida.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

QUAL O SEU REFERENCIAL?
Artigo de Jair Donato* 

Afinal, o que você quer para sua vida? Certa vez uma pessoa perguntou a outra: Eu costumo correr cinco mil metros por dia, será que é pouco, muito ou está bom? Ao que teve como resposta com outra pergunta: Qual é sua meta? Quantos metros você estabeleceu para correr por dia? Comparando com outras pessoas de sua idade e com semelhante estado de saúde, você está na frente, atrás ou ao lado? Comparando com o que você corria há dois anos, você está correndo mais ou menos?

Tem gente que simplesmente afirma que quer ganhar mais dinheiro. Mas, o que é mais dinheiro? Faça essa pergunta para um empresário de médio porte, para um grande investidor, para um servente de obras e para um pedinte de esmola. Certamente terá respostas diferentes, valores diferentes. É comum ouvir pessoas dizerem que o maior objetivo delas é serem felizes. Será que ser feliz pode ser objetivo de alguém? Afinal, a felicidade é um estado de espírito. Ninguém depende de conseguir algo para ser feliz. Basta aceitar-se assim mesmo como está, aqui e agora, qualquer um pode ser feliz.

Embora tenha quem pense que a sensação de felicidade possa advir de algo externo ou depender de outrem. Pode haver uma pessoa abastada e outra carente, ambas infelizes, esperando conseguirem nem sabem o que, para então afirmarem-se felizes. Contudo, isso é uma questão de olhar para dentro de si mesmo, perceber o que possui e descobrir o que deseja.

Há uma passagem no livro “Alice no País das Maravilhas”, que apresenta um diálogo entre a personagem Alice e o Gato, quando ela está numa encruzilhada, sem saber ao certo para onde ir.
Alice - Poderia me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui?
Gato - Isso depende muito do lugar para onde você quer ir.
Alice - Não me importa muito onde.
Gato - Nesse caso, não importa por qual caminho você vá.

Saber o objetivo da caminhada que percorremos nesta vida é essencial para cumprir nossa missão. “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho o levará a lugar nenhum”, disse sabiamente o filósofo chinês Confúcio.  Alice não tinha uma direção naquele momento da encruzilhada, o mesmo pode ocorrer na vida do ser humano, caso ele não tenha um projeto de vida.

Desde o início do pensamento através da filosofia, com os pré-socráticos, o planejamento tem sido um tema destacado pelos gurus, sábios, religiosos, reis, guerreiros e grandes líderes sociais e políticos. Segundo Platão, vivemos no mundo da segunda criação. Ou seja, tudo no mundo é criado duas vezes. A primeira é no mundo mental, das ideias, importante na fase do planejamento. E a segunda criação é no mundo físico, a fase da concretização. Então, através de um pensamento elaborado, levado ao campo do esforço e da prática é que se concretiza efetivamente o que foi idealizado. Apenas o desejo não tem força suficiente para realizar os sonhos, é preciso sonhar, projetar e executar.

Ter um planejamento balanceado nas diversas áreas da vida, ser estratégico e esforçar-se por um ideal com visão de futuro é muito importante. O guru da administração, Tom Peters, afirmou que nos próximos 20 anos, todo o trabalho dos executivos do planeta será desenvolvido por meio de projetos. Planejar a vida é mesmo uma questão de atitude. Qual é o seu referencial de resultado? Como você nivela atualmente suas tomadas de decisões? Você possui foco ou deixa a vida te levar? Saiba que a escolha é importante porque é antes de tudo um processo de aprendizagem. O fato é que não decidir é o mesmo que decidir, pois a escolha é sempre inevitável. Agora pense sobre o que você quer para sua vida.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

LADRÃO DE TEMPO
Artigo de Jair Donato* 

Existem várias formas de roubar os outros. Talvez você possa considerar que um ladrão seja apenas alguém que venha subtrair algo material de outrem. Isso é crime, claro. No entanto, na correria do dia a dia em que as pessoas vivem, seja no contexto organizacional ou pessoal, marcar um compromisso e cumpri-lo com atraso, ou, pior ainda, deixar o outro à espera sem dar-lhe satisfação, é uma atitude de quem rouba o bem mais precioso do que um objeto: Tempo. Pois é ladrão também aquele que rouba o tempo dos outros quando marca um compromisso e deixa-o a espera, ou quando frustra a expectativa do outro, quando promete e não cumpre. Toda vez que se estabelece uma comunicação com ausência de feedback, principalmente quando o receptor depende dele para continuidade das atividades, há um “roubo” de tempo e de paciência, fato que causa uma espera ansiosa e estressante.

Gente que diz "daqui a cinco minutinhos estarei chegando", quando na verdade sabe que não é verdade, não entende porque é acometida por alguns tipos de doenças que se manifestam no corpo como reflexo dessa atitude mental, conforme princípios psicossomáticos. Erroneamente há quem pense que o sinônimo de feedback seja a solução do que o outro espera; nem sempre. Em muitas situações, justamente por não haver solução de algo é que se deve dar  feedback, que é apenas um retorno, termo que advém da eletrônica e significa retroalimentação. Mesmo que a resposta seja um não, ou um comunicado de que o resultado esperado terá um tempo bem maior do que o almejado, ou mesmo que ele não será viável, comunicar isso ao receptor é importante.

Quando o líder de uma equipe faz com que os liderados fiquem na expectativa e se frustram por não saberem que rumo tomar ou como está o andamento do que foi iniciado, por exemplo, é um tipo de subtração de algo mais valioso do que um objeto físico, pois afeta, de acordo a situação e o momento, os fatores emocional e psicológico. O líder deve repensar quando esse tipo de atitude se torna um comportamento repetitivo nas ações e no relacionamento interpessoal. Pois isso pode resultar em menor produtividade, menor confiança e pouca credibilidade entre as pessoas envolvidas. Na verdade, isso reflete mais o comportamento de um chefe do que de um líder.

O líder responsável sabe que não deve se ausentar e deve dar satisfação pela decorrência de qualquer que seja a situação, sem vergonha de dizer não, se preciso for, pois um parecer, uma opinião, uma resposta é antes de tudo, uma forma de consideração ao interlocutor. Assertividade e clareza na comunicação deve fazer parte da postura dos líderes em qualquer relacionamento interpessoal. O fato é que sem feedback o líder pode comprometer a confiança entre os interlocutores e causar insatisfação. A falta do retorno claro e preciso significa desinteresse e desconsideração. Por que dar um feedback? Além de consideração ao interlocutor, é uma questão de responsabilidade que gera credibilidade e confiança ao líder.

Há casos em que após enviar proposta para uma empresa, ocorre uma demora significativa para receber feedback, isso quando recebe. A cultura do “quem for interessado que vá atrás” parece ainda muito comum. Por que isso ocorre com frequência?  É porque o ser humano, embora solicite algo, possui a tendência mais centrada em si do que na consideração ao outro, mesmo que não intencional. A prova disso é que se a proposta estiver dentro do que ele espera, sendo algo de que realmente necessita em curto prazo, de imediato haverá um retorno. Mas, caso não o faça interesse, também parece não haver consideração em ao menos dizer ao emissor da proposta que não será possível fechar o negócio proposto. Essa é uma outra situação que caracteriza roubo de tempo, de expectativa e as vezes até de paciência dentro das organizações.

Há quem dá feedback apenas quando lhe é oportuno. Ou seja, se há interesse próprio ou que de alguma forma tal ação o favoreça, a pessoa liga, passa e-mail, cutuca, visita, enfim, faz um acompanhamento para lembrar o receptor de todas as formas. Mas, quando o assunto não lhe faz interesse, mesmo sendo importante a outra parte, quase não existe retorno. Afinal, dar feedback nem sempre é oferecer a solução esperada, mas é um retorno, que sem ele pode comprometer a confiança entre interlocutores. Valorizar o tempo dos outros é uma forma de assertivamente dizer a eles que você também espera que o seu tempo, sua paciência e sua disponibilidade sejam valorizados.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O OUTRO LADO DA FILA
Artigo de Jair Donato* 

O que você faz quando está numa fila à espera de ser atendido? Você já percebeu como acontece a formação de uma fila? Na maior parte das vezes a sequência é sempre a mesma, uma pessoa à frente, seguida de outras, sem contar aquelas que ficam com uma companhia ao lado para fomentar as futilidades do momento. É assim praticamente em todo lugar. É incrível perceber o que a maioria das pessoas faz quando está em uma fila. É isso mesmo que você está pensando: Nada!

Seja na fila do banco, do embarque, do protocolo, para compra de um ingresso, do show, enfim, o assunto que mais gira é em torno dos reclames. Reclama-se do tempo, da demora, do atendimento, do atendente, do local, da falta de assento, do tamanho da própria fila, do frio ou do calor. Reclama-se também do salário do mês seguinte porque o atual já nem existe mais, das dívidas, da política, do governo, do modo de vestir de alguém que passa do outro lado da rua, do vizinho, do que poderia ter. Geralmente estende-se uma sequência quase que interminável. Há filas que se assemelham a um muro de lamentações.

Numa fila existem alguns personagens divertidos, ou pelo menos tentam ser, que contam piadas e até alegram o ambiente. Enquanto outros expõem as próprias frustrações, mágoas, falácias sobre o chefe, críticas sobre o time adversário e comentários que não agregam valor nenhum a moral humana. É cada pauta que chega a deprimir os transeuntes da localidade. Tem ainda aqueles que aproveitam e repassam com quem estiver próximo, o capítulo da novela do dia anterior, expondo a indignação, sarcasmos e contentamentos com os personagens em questão. Todos esses perfis de usuários de longas filas possuem algo em comum, detestam-nas e procuram passar o tempo de qualquer maneira, sem tirar proveito do que elas podem oferecer.

Contudo, existem os raríssimos casos de gente vista como inusitada, louca, pois é assim que outrora já me adjetivaram. São pessoas que curtem o ambiente das filas, algo avesso a maioria, fazem dele um espaço para agregar conhecimento. Sempre fui beneficiado por esse espaço. Principalmente, na minha adolescência, pois devido ao trabalho, tinha mais tempo para exposição em filas do que para visitação a bibliotecas. Não mensurei o quanto, mas muito conhecimento eu adquiri com proveitosas leituras nas enormes filas que já percorri.

O que quero enfatizar é que existe o outro lado da moeda, quer dizer, da fila. Sabe o motivo que faz o brasileiro ler pouco, cujo índice é uma vergonha em relação a outros países? Em parte é porque essa gente ainda não sabe o valor que uma fila proporciona. É isso mesmo. Afinal, a maneira de comportar-se em qualquer ambiente é também um fator cultural e as pessoas não são educadas para aproveitar bem essa oportunidade e transformá-la em pequenos momentos de felicidade, como a descoberta de que uma leitura proporciona. Descobri que se cada pessoa lesse sempre que estivesse numa fila, teria um grau cultural melhor e teríamos um maior índice anual de edição de livros por habitante.

Quero incitar os usuários das filas, geralmente pela motivação do trabalho ou por motivos pessoais, os que vão todo dia, os que vão semanalmente ou uma vez ao mês, até mesmo os casuais, os convoco para fortalecer esse movimento para que vejam a fila sob outro ponto de vista. Mais ainda, que um use a fila em benefício próprio, como agente de informação, reflexão e conhecimento, e se torne um multiplicador cultural por meio da leitura. Leia uma página, no mínimo, em cada fila que entrar. Então será notório o resultado disso no decorrer da vida e perceberá o aumento da probabilidade de se dar bem na carreira profissional e no convívio social. É isso que acontece se cada um criar e se permitir aproveitar essa excelente oportunidade, logo se tornará um hábito.

Confesso, desde minha adolescência adquiri esse hábito e parte de tudo que já li, devo às enormes e incontáveis filas em que estive. E sempre que surge, e não são poucas as filas brasileiras, me porto sempre preparado com meu exemplar a tiracolo. Tudo na nossa vida depende da maneira como vemos e encaramos, qualquer que seja a situação. Parece engraçado, mas, quantas vezes já cheguei a desejar que o atendente adiasse um pouquinho minha chamada no painel, assim daria tempo chegar ao fim do capítulo, que estava logo ali, em algumas linhas à frente. Cômico? Talvez não, estratégico. É isso que acontece quando você vê e vivencia os pequenos fatos e oportunidades do dia a dia sob outro ângulo.

O outro lado da fila é um espaço onde o tempo não registra a demora. O tempo é real, pois não fica vazio na mente, nem os pensamentos são perdidos devido ao foco. Tampouco causa irritação ou estresse. Sua atitude em relação às filas também pode ser diferente e poderá utilizá-las a seu favor. Na verdade, uma fila é como a própria vida. Dependendo do lado em que você estiver, ela poderá ser chata ou o melhor aprendizado. Gosto da fila sim, porque a vejo por outra perspectiva, a do conhecimento. E moro em um país onde fila existe em abundância, e longas. Pode ser hilário, mas é fato.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

VOCÊ SABE QUEM É SEU CONCORRENTE?
Artigo de Jair Donato* 

Se lhe perguntasse sobre um forte concorrente que teve as empresas aéreas na última década, o que você diria? Certamente poderia vir à sua cabeça respostas como aeronaves mais sofisticadas ou qualquer outro meio de transporte rápido, aumento da frota terrestre, enfim. Grande engano! Qualquer resposta no sentido cartesiano pode ser mais fácil quando surge um desafio, o que nem sempre faz parte da solução. Chegou a hora de mudar o paradigma. Foi a teleconferência, que seguida da telepresença, em tempos de holograma que fez com que muitos executivos trocassem antigas estratégias pelas soluções via internet.

É isso aí, os equipamentos multimídias passaram a concorrer diretamente com as aeronaves. Quem diria! Centenas de executivos simplesmente trocaram viagens distantes, às vezes enfadonhas, por reuniões interativas, via satélite. E, com menor risco e maior economia para as empresas, atualmente na cifra de milhões em dólares anualmente. Contratações, demissões, promoções e negócios vultosos são realizados virtualmente. Essa é uma característica do mundo em que aumenta cada vez mais intimidade com a tecnologia, frente à eminente gestão da geração Z.

O que mudou no mundo foi o conceito de concorrência. Até há bem pouco tempo, concorrente era aquele que abria um comércio no mesmo segmento que o outro. Hoje, na era em que o consumidor praticamente não compra mais produtos, ele compra serviços, o diferencial está agilidade e nas novas formas de atender as necessidades dele. Apenas o segmento, pouco importa ao cliente. Praticamente tudo fora da empresa, e fora dela, pode ser um concorrente, especialmente a rapidez e agilidade efetiva no atendimento.

Outra característica que mudou na concorrência foi a localização. Ela já não é mais geográfica. Ou seja, concorrente antes era o comerciante que abria um estabelecimento na frente do outro, ao lado ou na rua de trás. Agora, o concorrente é virtual, ele pode está do outro lado do mundo. Em apenas um clique o cliente troca um pelo outro. Fidelidade é coisa cada vez mais séria e criteriosa.

A melhor saída para essa situação talvez seja considerar todos os segmentos como aliados, estabelecer parcerias e gerar marketing de relacionamento, por excelência. E como dizia Aristóteles, que a excelência não é um feito, e sim um hábito. Essa é a importância da efetividade no exímio tratamento ao cliente.

Segundo Charles Darwin: “Não é a mais forte nem a maior das espécies a que sobrevive na natureza. Mas sim aquela que mais se adapta às mudanças”.  Temos o exemplo das baratas que estão em toda parte porque resistiram às transformações, no decorrer do tempo, desde há milhões de anos, e continuarão existindo, mesmo ante as alterações climáticas. E os dinossauros, cadê eles? Por que sumiram todos? Afinal, eram tão fortes e enormes. Mas, certamente pouco móveis e ágeis. Faltou adaptabilidade.

O mesmo ocorre com as empresas. Atualmente, existem corporações flexíveis com faturamentos espetaculosos, com sede em cubículos físicos e um número ínfimo de funcionários. Grandes empresas já não são sinônimas de volume de matéria prima e de espaço físico. Não é medida só por área construída, número da frota de veículos, tampouco por enormes quadros de funcionários. Essa foi a mudança do paradigma da tangibilidade.

Talvez as melhores lições que os gestores podem tirar da constatação darwinista, sejam a flexibilidade e a adaptabilidade. Para quem ainda não sabe o significado destas palavras, basta entender que o contrário delas pode significar o desaparecimento do profissional ou da empresa no mercado atual, altamente competitivo. Trata-se de características comportamentais, que um século após a Era da administração de Taylor, são cruciais para  manter a empregabilidade e o empreendedorismo.

Hoje, no mercado, não é o mais forte que vence o mais fraco, nem o maior que sobrepõe ao menor; é o mais veloz que ultrapassa o mais lento. Agora, pense de outra forma também. O concorrente pode não ser o outro. Pode ser você mesmo. Portanto, inove, mude, flexibilize. Mudar é bom, transforma.

Contudo, lembre-se que mudar é preciso e sempre que necessário, porém não abra mão de ser estratégico frente a toda e qualquer mudança proposta. Tampouco esqueça dos seus valores. Pois nesse cenário de mutação contínua, quase tudo pode ser negociável, menos a ética, a transparência o seu caráter ou a reputação da sua organização. Afora isso, mude o resto, sempre é tempo.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

domingo, 16 de fevereiro de 2014

QUESTÃO DE EDUCAÇÃO
- Artigo de Jair Donato
O que pode ser de fato, educação? Penso que não seja uma condição que venha apenas “de berço”, pois ela pode ser adquirida. Mas, isso é algo que vem de dentro. Vivo em ambiente acadêmico e tenho gosto pela atuação com educador. Contudo, quero abordar aqui sobre alguns aspectos da educação por uma ótica além dos limites do ambiente de ensino formal. Afinal, tudo em nossa história, individual e coletiva, é o resultado da forma como somos educados. É preciso educar-se para viver em harmonia, ter saúde, bem-estar, tranquilidade, crescimento pessoal e tornar-se bem sucedido, até para desenvolver a espiritualidade.

É a falta de educação que arruína o destino do homem, quando ele deixa de agir com leveza no trato ao próximo e a si mesmo. Mesmo que uma pessoa cumpra todas as regras de etiqueta ou normas sociais, se ela age com dureza no coração, aspereza nas palavras ou sarcasmos nas atitudes, então não há uma educação pautada na moral da boa convivência. Dar risadas hilárias só nos momentos que estiver com estranhos ou fora do convício íntimo, e, no entanto manter o cenho fechado às pessoas próximas, isso é falta de uma educação genuína. Educação é aprendizado. É preciso ser educado para lidar com as dificuldades e delas extrair o melhor de si mesmo.

Quem não se educa então se rebela ante ao que não atende às próprias expectativas. Seja dentro das organizações, na carreira profissional, como na família ou na vida social, se as pessoas empobrecem, se tornam medíocres e por vezes sofrem perdas irreparáveis e até adoecem, pode ser falta de educação. Estudos sobre pessoas bem sucedidas mostram que elas são prósperas porque foram educadas para isso, não porque caíram do céu quantias vultosas de dinheiro ou bens. Outros estudos mostram que quem ganha muito dinheiro, e somente isso, sem possuir educação financeira, perde tudo em pouco tempo. Esse mesmo princípio vale para a gestão nas empresas, os relacionamentos interpessoais e com o meio ambiente em que vive.

Educar-se pelas as atitudes, antes de tudo, é a propulsão que faz o ser humano enriquecer-se em nobreza de alma. Isso o torna saudável, atrai a estima dos demais e o faz viver com melhor qualidade de vida. Educação deve ser o sinônimo de leveza e fino trato nas relações consigo, com o próximo, com os fatos e nas circunstâncias. Alguém que ciclicamente bate uma porta ou soca um utensílio e destrata sem causa, é destituído da educação do bom senso. No entanto, apenas cuidar de algo ou tratar bem a quem quer que seja, pela posição, classe social ou por próprio interesse, é agir deslealmente com os valores do bem comum.

Respeitar normas, títulos, seguir preceitos de etiqueta social ao sentar-se nos lugares adequados, apresentar cumprimentos e fazer uso de utensílios apropriados, não é sinônimo de educação, isso é convenção. Os títulos acadêmicos obtidos também não explicitam graus de educação adquiridos, isso é formação. O ato de apenas fazer o uso da palavra numa cerimônia, por exemplo, mesmo que se fale baixo, quase aos sussurros, nem sempre condiz com sentimento de naturalidade, se ele não existir por dentro. Fingir comportamento é algo deprimente para quem o faz e o torna deselegante na consciência.

No entanto, penso que atentar-se ao bem comum, tornar-se solidário, altruístico e primar pela ética, isso é agir com educação. Desse ponto de vista, há analfabetos extremamente educados e bem instruídos, em face de doutores e intelectuais que se tornam deselegantes. Disciplina, paciência, compaixão, reciprocidade, bom humor, integridade, isso tudo caracteriza a essência da educação. Ser educado é considerar o próximo, é antes de tudo compreendê-lo, agir com sensibilidade. Educação, afinal, é nobreza da alma. Uma pessoa verdadeiramente educada quando pede licença ou pede um favor, solicita com o coração. Ela também agradece, pois sabe o poder que gera o sentimento de gratidão, melhora o destino.

Mesmo que você não vença uma discussão, nem atinja os resultados desejados, ou ainda que seja derrotado pela adversidade e tenha que ceder espaço para outro, retire-se com educação. Pois mostrar-se elegante apenas nos momentos de ganho ou de conveniência, parece uma moral mesquinha. É por essa razão que nem sempre as pessoas sofrem por não possuírem algo, mas por não terem sido educadas para viverem com sentimento natural.

Diz um dito popular que se alguém o trata bem, mas se essa mesma pessoa é grosseira com o garçom, não deve ser uma boa pessoa. Afinal, o homem se torna o resultado daquilo que a educação faz dele. Viva com educação.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

FATO OU INTERPRETAÇÃO?

Você já percebeu que diante de um fato que gera impacto, ou, até mesmo diante de ocorrências simples, surgem vários relatos sobre a mesma situação baseados na maneira como cada um percebe, e não necessariamente no fato como ocorreu? Agora pense, você age baseado no que parece ser ou, naquilo que infere? Não é pouco o número de pessoas que se convencem sobre determinada situação sem inferir se o motivo do convencimento, ou da atitude tomada em decorrência disso, foi um fato ou uma interpretação a partir de alguma referência interna que possui ou adquiriu na ocasião.

Certa vez, Heródoto, historiador da Grécia antiga, elucidou que havia um rei muito poderoso que, sentindo-se ameaçado pela força do exército do reino vizinho, ainda mais poderoso, resolveu invadir e atacar o outro rei antes que fosse atacado primeiro. Pensou que ao atacar antecipadamente, isso lhe garantiria a vitória. Porém, antes de sair na empreitada de ataque, ele preferiu consultar o oráculo de Delfos para saber o que iria acontecer após a invasão premeditada. Então, o oráculo ao ser consultado respondeu assim, caso houvesse mesmo o grande confronto: “O vencedor será o grande rei”.

Após isso, confiante na vitória o rei invadiu o reino vizinho. Mas, foi obrigado a se recuar e fraquejou. O inimigo vendo-o enfraquecido invadiu as terras e tomou posse do reino dele. Derrotado, o rei perdedor foi reclamar no oráculo que a previsão dele não tinha dado certo e que ele falhou. O oráculo novamente respondeu que a previsão que ele tinha dado era correta: “O vencedor será o grande rei”. O que aconteceu? Era a interpretação de que ele, o perdedor, era o grande rei, que estava errada. Assim, o modo como as pessoas interpretam a realidade seja na empresa ou nos aspectos pessoais depende das crenças e valores que professam. Entretanto, interpretar é sempre interpretar segundo aquilo em que se crê, o que nem sempre coaduna com os fatos.

Imagine a seguinte situação. Você é o gerente de uma empresa e após contatar um novo colaborador, passa a se incomodar com o desempenho dele nos primeiros meses de trabalho. Então você começa a pensar que esse subordinado por ser um novato na empresa, não está nenhum um pouco comprometido com o trabalho, porque os resultados não aparecem, apesar de você ter explicado como ele deveria exercer a função assim que foi contratado. Nessa história, o que é fato? O que é interpretação?

Fato. O colaborador realmente é novo no ambiente de trabalho. Agora, afirmar que ele está descomprometido baseado em um ponto de vista sem certificar-se de tal comportamento poderá ser arriscado e colocar em risco sua carreira de gestor que lida com pessoas. Sabe-se que para uma causa pode existir um número incontável de efeitos. Então, por que você acha que pelo fato dele não está atingindo os resultados esperados, esse novo integrante não estaria comprometido com a empresa? É comum os casos de gestores de áreas que simplesmente rotulam os membros da equipe sem levantar dados precisos sobre a forma de atuação, seja individual ou de equipe, sem entrevistar, sem observar os processos e ferramentas disponibilizados pela empresa, ou a metodologia e tipo de treinamento aplicado ao perfil de cada integrante.

Simplesmente afirmar que alguém está alegre apenas porque deu um sorriso, ou que esteja triste só porque não esboçou um olhar expressivo, não é fato, é só um ponto de vista, uma interpretação elaborada, por vezes com base apenas no conteúdo interno de quem avalia. Isso difere quando um comportamento é inferido ou constatado através de testes, entrevistas ou qualquer outra metodologia que esteja além de achismos ou do senso comum. Mesmo que várias pessoas concordam com um mesmo ponto de vista, a exemplo das crendices populares que permeiam coletivamente, você deve distinguir entre o que é fato e o que é interpretação.

Segundo o psiquiatra Eric Berne, criador do método psicológico Análise Transacional, sobre os papéis que vivemos na vida através dos estados de ego, “uma pessoa age e sente, não de acordo com o modo como as coisas realmente são, mas de acordo com a imagem mental que se têm dessas coisas”. Talvez isso evidencie a discrepância que existe entre o que vem das interpretações e da veracidade. Afinal, quando algo é mal interpretado, pode ser prejudicial a todos.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br