Total de visualizações de página

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

CUIABÁ DECRETA O ANO DO PLANETA


Artigo de Jair Donato

O Decreto 4.619 assinado no último dia 28 pela prefeita em exercício, profª Jacy Proença, instituiu 2008 como o Ano Municipal do Planeta Terra. Merecido marco para Cuiabá, portal de entrada dos biomas Amazônia, Cerrado e Pantanal. Trata-se de um programa de ações ambientais em parceria com secretarias do governo municipal, organizações corporativas e a sociedade. Penso que esse ato sirva para cada cidadão, empresa e demais envolvidos, como oportunidade para refletir sobre as ações que de fato estejam fazendo em prol do meio ambiente e da qualidade de vida, inclusive para as gerações futuras.

A Organização das Nações Unidas (ONU) elegeu 2008, dentre o triênio 2007-2009, como o Ano Internacional do Planeta. Um ato mundialmente importante, assumido por instituições científicas e dezenas de países, para o direcionamento enérgico das ações humanas em favor da preservação ambiental e da conservação dos recursos naturais. Por isso é necessário que nas esferas nacionais, estaduais e municipais essa idéia seja sedimentada.

A assinatura do decreto foi no histórico Museu da Água, ocasião em que pude fazer uma retrospectiva da trajetória ambiental que cientistas, governos, educadores e autoridades em todo o mundo vêm realizando para estabelecer ações concretas e uma consciência global sobre o meio ambiente. O passo inicial se deu em 1972, na primeira Conferência Mundial da ONU, em Stocolmo, evento que inspirou a criação dos pilares da sustentabilidade, lançados em 1987 pela comissão Burtland, um modelo de negócios em que todos ganham: a economia, a sociedade e o meio ambiente.

Cinco anos após, o Brasil sediou a Eco-92. E novamente a Cúpula da Terra se reuniu e vários planos de ações foram criados, como a Agenda 21, um documento participativo de âmbito global, nacional e local, que resulta na análise da situação atual de um país, estado, município, região, setor e planeja o futuro de forma sustentável. Também foram elaborados o Tratado de Educação Ambiental, por mais de 600 educadores, o convênio sobre a Diversidade Biológica e a convenção sobre Mudanças Climáticas. Surgiu na ocasião, como sugestão da ONU, a primeira versão da. Em 1998 realizou-se em Cuiabá, a Conferência Continental das Américas onde foi definida a Minuta de referência brasileira à Carta da Terra.

Em 1997 foi aprovado o Protocolo de Kyoto, sendo ratificado posteriormente, com a finalidade de reduzir as emissões de gases poluentes. Desde 1988, após a ONU criar o Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas (IPCC), foram lançados 04 relatórios, sendo o último em 2007, que avaliou e fez alertas sobre os aspectos científicos da mudança do clima, da vulnerabilidade socioeconômica, dos sistemas naturais, dentre outros impactos.

E 2007, considerado pela ONU o Ano Polar Internacional, o mais ambicioso estudo sobre as regiões polares dos últimos 50 anos, terminou com a Conferência de Bali, na Indonésia, onde se estabeleceu a discussão sobre a contribuição das florestas no equilíbrio climático, a criação de um Fundo de Proteção e Conservação da Amazônia. E também de um grupo de trabalho para estudo da redução do efeito estufa; Mato Grosso terá um Projeto Piloto inserido.

Mas, não parece fácil se sensibilizar com uma causa, que mesmo sendo do interesse de todos, com evidencias cotidianas e milhares de alertas por estudiosos, acompanhados da fúria do próprio planeta. Estão ocorrendo mudanças. No entanto, muita coisa ainda precisa ser diferente e não temos muito tempo. A base de tudo está na mudança do comportamento do ser humano. Produzir sem destruir, calcular e consumir racionalmente para preservar, conservar e multiplicar os recursos naturais é o novo estilo que precisa se estabelecer.

Todos os esforços já travados em prol da defesa ambiental até agora, como suporte ético, pedagógico, moral e político para o desenvolvimento sustentável do planeta, espero ser base para a re-construção de um mundo melhor. Esse é o desafio. Que todos os anos daqui por diante sejam do planeta.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

ISAAC NEWTON E O MEIO AMBIENTE




Artigo de Jair Donato

O físico e matemático inglês, Isaac Newton, que teve como função científica descobrir as leis universais e apresenta-las de forma clara e racional, foi quem explicou os fenômenos físicos mais importantes do universo observado, como a lei da gravidade. Em 1687 foram publicadas as três leis de Newton. Refletindo sobre elas, percebo que são perfeitamente aplicáveis numa reflexão comportamental sobre as ações do homem no contexto ambiental e na relação com a natureza.

Primeira lei: Um corpo mantém o próprio estado de repouso ou movimento a não ser que uma força agindo sobre ele faça-o mudar. As pessoas tendem a fazer as mesmas coisas sempre, e resistem às mudanças. Para um poluidor em potencial mudar a forma de produzir e a relação com o meio ambiente, precisa de um atrito que ameace o próprio negócio, a exemplo da mudança do consumidor. A razão pela qual boa parte das pessoas muda dificilmente se pela consciência própria, mas pela imposição, seja das leis, do cliente ou do mercado. Assim fica difícil o mundo mudar na intensidade que precisa.

O ser humano, mesmo sendo mais que um corpo, prefere estabelecer e viver numa ‘zona de conforto’ que atenda os próprios interesses, pois se torna mais cômodo viver assim. Os paradigmas dos padrões econômico e sócio-ambiental precisam de nova direção e de novas formas de se estabelecerem, para que todos saiam ganhando. Esse movimento ainda não é circular. Mudar dói, deforma.

Segunda lei: A mudança ocorre na mesma direção e proporção da força aplicada. Quanto mais arraigados os hábitos de consumo, sejam de energia ou dos recursos naturais, como a água, um bem já escasso, maior é a importância de se encontrar razões para mudar. Ainda tem muita gente que nada faz para alterar o curso da destruição ambiental. E certamente, a mudança só ocorre na mesma intensidade da necessidade que o mundo detecta e propõe. Que siga os bons, e conscientes. A proposta? Se quem produz e vende não concentrar na direção e necessidade do mundo atual, que é de preservar e conservar a natureza, no mínimo vai perder mercado, vai sumir.

Terceira lei: Toda ação produz uma reação da mesma intensidade e direção contrária. Isso nos lembra o adágio popular: “Tudo que se planta, colhe”. A Terra é um organismo vivo que reage de forma implacável, na mesma proporção em que é afetada. E as conseqüências são realmente devastadoras. Milhões de pessoas estarão desabrigados nos próximos anos, sem ter o que comer, continentes se reduzirão, por causa da reação acerca da própria ação humana, na maior parte das vezes, por puro egoísmo.

O exemplo de um vendedor que tenta forçar uma venda a um cliente que não quer determinado produto, a única coisa que ele consegue é aumentar a reação negativa do comprador. Da mesma forma, o consumidor começa a reagir negativamente aos produtos que são disponibilizados à custa da destruição do meio ambiente. Por isso é importante que quem produz tenha plena consciência do que o usuário e o meio ambiente que o cerca precisam, e que essa consciência seja maior do que o desejo de apenas levar vantagem pessoal.

Mudanças na aplicabilidade do conceito de lucro, na necessidade do consumidor e no cuidado com a natureza são fundamentais para se estabelecer ações práticas que resultem em impactos positivos na economia, no contexto social e ambiental.

Acredito que somente o pensamento, o comportamento e as ações sustentáveis do homem, com foco no aumento da riqueza no mundo, mas, alicerçados na base social e na conservação do meio ambiente, é que podem direcionar a intensidade do impacto sobre a qualidade de vida de todos, numa direção que seja de beneficio coletivo.

O filósofo chinês Lao Tse disse: “Para alcançar o conhecimento, acrescente coisas todos os dias. Para alcançar a sabedoria, remova coisas todos os dias.” Certamente, o homem, mesmo cheio de teorias, só se tornará sábio, quando remover lixos comportamentais como o paradigma da auto-destruição e viver de forma mais harmônica com a natureza. Isso é possível, só depende da direção que for tomada.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

INFLEXIBILIDADE HUMANA


Artigo de Jair Donato

Existe um diálogo, supostamente verídico, ocorrido no ano de 1995, entre um navio da Marinha americana e as autoridades costeiras canadenses, próximo ao litoral de Newfoundland, que retrata o reflexo da presunção e da arrogância humana.

Assim começaram os americanos:
- Favor alterar seu curso 15 graus para Norte para evitar colisão com nossa embarcação. Os canadenses responderam na hora:
- Recomendo mudar o seu curso 15 graus para o Sul.

O americano ficou mordido:
-Aqui é o capitão de um navio da Marinha americana. Repito, mude o seu curso.

Mas o canadense insistiu:
- Não, mude o seu curso atual. E o papo começou a ferver. O capitão americano berrou ao microfone:

- Este é o porta-aviões USS Lincoln, o segundo maior navio da frota americana no Atlântico. Estamos acompanhados de três destroyers, três fragatas e numerosos navios de suporte. Eu exijo que você mude seu curso 15 graus para Norte, ou então, tomaremos contramedidas para garantir a segurança do navio.

E o canadense, após ouvir o tom de ameaça do americano, respondeu:
- Aqui é um farol, câmbio...

O que se observa nessa história é a atitude prepotente, a recusa à mudança por parte do capitão americano. Mas, será que tal ocorrência foi só nesse episódio? Não seria essa a mentalidade inflexível que mais pesa quando se trata de tomar medidas sérias para proteger o planeta e evitar uma catástrofe ainda maior?

O exemplo que foi observado na última conferência, em Bali, na Indonésia, no final de 2007, vindo do governo americano, sem querer alterar o curso da poluição do planeta, foi semelhante. Apenas procurou tumultuar o encontro, querendo manter a posição de entrave, de irredutível, em função da taxa altíssima de emissão de gases do efeito estufa.

Toda essa inflexibilidade é em nome de um falso crescimento econômico, sem visão em longo prazo. É o tipo de ação que ameaça a vida na terra, pois as mudanças climáticas são fatos reais, mas eles não desejam alterar o curso. Dá a impressão que os paises poluidores como EUA, Austrália, China, dentre outros, pensam que a Terra é que tem que mudar a direção, ou seja, se adaptar a eles, para não colidir com os próprios interesses, principalmente os econômicos, por vezes vis e desiguais.

No entanto, a história da evolução dos seres vivos mostra o que ocorre com quem se posta como inflexível. Darwim mostrou muito bem que não é a mais forte nem a maior das espécies a que sobrevive na natureza. Mas sim aquela que mais se adapta às mudanças. As minúsculas baratas, por exemplo, se estão em toda parte é porque resistiram às transformações, no decorrer do tempo, desde há milhões de anos. E os brutamontes dos dinossauros, cadê? Por que sumiram todos? Afinal, eram tão fortes e enormes.

O mesmo ocorre com as empresas e com as nações. Há uma mudança explícita no paradigma da sobrevivência e muitos ainda não querem ver. Talvez as melhores lições que os dirigentes dos países maiores poluidores do mundo, gestores do primeiro ou segundo setor, podem tirar da constatação darwinista, sejam as seguintes: Flexibilidade e adaptabilidade. Para quem ainda não sabe o significado destas palavras, basta entender que o contrário delas pode significar a impossibilidade do homem viver na face da Terra.

Hoje, para viver bem no planeta e garantir qualidade de vida às gerações futuras, de forma sustentável, não é a Terra que terá de se adaptar à presunção humana. É o ser humano que tem que se flexibilizar, rever os próprios valores, e, ao invés de se sobrepor, cuidar mais do meio ambiente em que vive.

É tempo de desamarrar a armadilha do próprio ego e partir para a sensibilização em prol do bem comum, de uma nova cultura, um novo estilo de vida, uma nova concepção ética e moral. É uma necessidade urgente o despertar de uma consciência ecológica, o mais cedo possível, se bem que começa a ficar tarde. Mas, ainda dá tempo,

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

RESIGNIFICAR AMBIENTAL


Artigo de Jair Donato

No decorrer do ano que passou, o mundo discutiu muito sobre as questões das mudanças climáticas, as causas e efeitos desse fenômeno inconveniente, provocado pela ação humana. Mas, em 2008 esperamos por ações mais concretas e rápidas, pois não há muito tempo.

Para o Brasil, a conferência de Bali terminou com a inserção da discussão sobre a contribuição das florestas no equilíbrio climático. Também foi apresentada a proposta para criação de um Fundo de Proteção e Conservação da Amazônia, que visa a arrecadação de US$ 1 bilhão para esse fim. Além da criação de um grupo de trabalho para estudo da redução de gases do efeito estufa, cujo coordenador será o diplomata brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo Machado. E Mato Grosso terá um Projeto Piloto nesse grupo. No entanto, a situação parece bem mais complexa, em escala global.

Quando cientistas, climatólogos e ambientalistas alertam o mundo sobre a poluição que engrossa a camada do efeito estufa, se trata de trilhas de poluição sem volta. Desde o aceleramento da emissão de gases poluentes, após a explosão da Era Industrial, no início do Século XX, que a temperatura da Terra aumenta cada vez mais. Todo o gás emitido desde essa época continua esquentando a Terra e vai continuar aquecendo com maior intensidade.

Contudo, um novo paradigma econômico mundial precisa se estabelecer, com foco sustentável. As matrizes energéticas precisam ser revistas para que as demais ações de conservação e preservação surtam efeito, como é o caso das florestas. “Do ponto de vista das mudanças climáticas, só vale a pena preservar se mudar a matriz energética mundial, com redução do uso de combustíveis fósseis”, declara o pesquisador Antonio Manzi, gerente-executivo do projeto Experimento de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA).

Se todo o desmatamento das últimas décadas, que já destruiu 17% da Amazônia brasileira, parasse hoje, mesmo assim a floresta continuaria a correr o risco da savanização, essa é a conclusão dos cientistas na conferência de Bali, Indonésia, em dezembro passado. De acordo com especialistas do clima, o maior risco de perda da Amazônia pelo aquecimento global, não é pelos desmatamentos e queimadas, que representam 20% das emissões de gases poluentes, como o CO². Mas, principalmente pelo uso exacerbado dos combustíveis fósseis usados no mundo inteiro, especialmente nos países mais desenvolvidos.

Mas, espere. Essa não é nenhuma transferência de responsabilidade. Isso não é aval para descuidar das nossas florestas, só porque o maior vilão é o setor energético fóssil. Cada um de nós agora se torna ainda mais responsável pela contenção da larga emissão de gases poluentes. A Amazônia está em risco e é bom que isso seja do conhecimento de todos.

“Se o setor produtivo não contar com alternativas para valorizar as florestas em terras privadas, o desmatamento continuará contribuindo para a diminuição das chuvas na região amazônica. Isso afetará não apenas a própria produção agrícola, como também a mata e a vida das populações indígenas e tradicionais”, diz Paulo Moutinho, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)

Em 2008, será necessário o desenvolvimento de programas de sustentabilidade, de conservação, de preservação do meio ambiente e do consumo racional de energia e de produtos. E, principalmente, o aumento da consciência do consumidor e do cidadão que vota, por ser um ano de eleição. Anseio para que tudo isso se resulte em ações mensuráveis e renovação do clima no planeta.

A natureza não se reconstitui na mesma intensidade em que é destruída. A forma como se utilizava os recursos naturais há cerca de 30 anos, por exemplo, precisa ser repensada, resignificada. Não dá mais pra continuar fazendo as mesmas coisas, porque no passado era assim. Precisamos de um novo significado na atitude e nas ações para conseguir manter a casa em ordem, ou melhor, o planeta em equilíbrio. Continuo acreditando que o mundo mudará mais rápido pela mudança, antes, da consciência de cada um.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com