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terça-feira, 29 de março de 2016

VOCÊ TEM GRATIDÃO?
Artigo de Jair Donato*

O que você considera que vale apena agradecer na sua vida? Há quem acha que merece agradecer apenas os bons momentos ou quando acontecem coisas boas, segundo as próprias expectativas. Embora seja milenar o preceito de que a gratidão é o elixir da vida, este é um assunto que não prepondera apenas no contexto religioso. Ele perpassa pelo viés da filosofia, dos místicos e chega aos laboratórios científicos. É um tema tão importante na vida do ser humano por está diretamente ligado ao nível de qualidade de vida.

Reclamar não fez bem, é o que diz a ciência. Longe de ser uma desintegração de emoções e experiências negativas, conhecida como catarse, o cientista e filósofo, Steven Parton, afirma que reclamar altera negativamente o cérebro. Um estudo conduzido por ele mostrou como as emoções expressas negativamente afetam a estrutura do cérebro e do corpo, e ponto de dificultar a pessoa a sair desse estado.

Todas as vezes que o indivíduo se porta como “reclamão” e passa a falar, a ver e a sentir de forma ingrata sobre tudo, está afetando-o bioquimicamente, pondo fim nas oportunidades para ser feliz. Essa é uma atitude que causa estresse. Além disso, reclamação e negatividade podem contribuir seriamente para a morte precoce, pondera Parton, que elucida que quem só reclama está menosprezando o poder de mudança que possui sobre a realidade.

Gratidão é a mãe de todos os sentimentos, esta é uma consideração de muitos estudiosos da mente humana. Há uma expressão comum em vários países que exprime o sentimento de gratidão como a memória do coração. Estudiosos na área da psicossomática apontam que a defesa do sistema imunológico de uma pessoa grata aumenta constantemente, o que propicia melhor saúde, recuperação surpreendente de uma incisão cirúrgica ou de uma de uma doença, além da serenidade mental provocada. Quem agradece, mesmo diante de fatos desagradáveis, cria um estado psicológico leve, então aumenta as chances de compreender o melhor sobre a situação em que se encontra. Ao contrário de quem só murmura, que apenas vê desilusão e energia trevosa à frente de si mesmo.

O hábito de agradecer libera o fluxo para receber o que há de melhor na vida. Agradecer é pulsão de vida, é quântico, pois é uma maneira de dizer sim para a renovação contínua. Enquanto o ato de reclamar pode ser é uma forma de admitir o fracasso de si mesmo. É comum determinadas patologias que são propícias às pessoas que expressam atitudes de ingratidão, que escracham, amaldiçoam, irritam-se quando não ocorrem os fatos do jeito que achavam que seriam.

A ingratidão atrai circunstâncias inóspitas, a gratidão propicia fatos auspiciosos, faz bem, orienta, e traz em si poder de realização. Avalie como vivem duas pessoas que você conhece e que possuem esses perfis. Agradecer pelos fatos e pelas situações, pelas pessoas e pelas condições, sejam quais forem, é como um óleo que você coloca numa fechadura que range, numa dobradiça áspera ou num trilho que gera atrito, que depois de lubrificados, deslizam silenciosamente. A gratidão gera o poder da cura mental e física, e abre as fendas da espiritualidade.

Quem agradece vive de bem consigo, com as pessoas e com o ambiente em que o circunda. Há inúmeros relatos de melhora na saúde, nos relacionamentos e na vida financeira após as pessoas adquirirem o hábito da gratidão. Uma pessoa raivosa e ingrata não consegue produzir comandos no cérebro que fazem liberar substâncias químicas saudáveis para o próprio organismo. Até uma ferida cicatriza mais rápido quando a pessoa se torna grata. Para cada sentimento e emoção gerados ciclicamente no cérebro, uma série de substâncias correspondentes são liberadas no organismo, sejam elas benéficas ou nocivas.

Quem agradece pode sentir a dor, mas não a transforma em sofrimento. Então, que tipo de mensagem você envia para o seu cérebro na maior parte do dia, da semana, do ano, da sua vida? Sente gratidão por todas as pessoas, coisas e fatos ao seu redor? Enquanto você faz sua reflexão, sinto-me grato por você ter lido este artigo!


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 15 de março de 2016

SORTE E PREGUIÇA
Artigo de Jair Donato*

A esperança da sorte, no sentido de aguardar que algo aconteça de maneira inesperada, é considerada a religião dos preguiçosos. Há quem procrastina o potencial que possui por não pensar e agir, e deixar que roteiro dos outros o leve no decorrer da vida. Será que tem como ficar rico da noite para o dia ou que do nada alguém bata à porta trazendo a solução para as dificuldades do indivíduo, sem o devido esforço? Se sim, talvez não esteja sendo contemplada nesse contexto uma relação ética com a natureza do próprio ser.

O futurista americano Alvin Toffler expressa que na vida ou você tem uma estratégia ou então será parte da estratégia de alguém. Em tempos de “crise” como a que o país vive assolado nesta fase da história, sem dúvida é o momento mais adequado para que os projetos tenham prioridade. Isso corresponde ao significado nato da palavra sorte, que explicita a junção de perigo mais oportunidade. Portanto, é algo que não tem haver com consequências sobrenaturais ou do acaso. É crucial planejar o tempo e não só o dinheiro. Planejar para a vida e não apenas um pequeno período, isso é agir estrategicamente.

O indivíduo que não escolhe e planeja o cenário futuro que quer, deve aceitar o resultado que vier. Afinal, mesmo que fique imóvel sem nada planejar, isso também é uma escolha. E a responsabilidade por ela é inevitável. O fato de lidar com as escolhas talvez seja uma das maiores causas de sofrimento psíquico humano. Enquanto há liberdade para fazê-las, sem escapatória existe a responsabilidade por elas, o que pode gerar angústia, ansiedade, medo ou arrependimento, principalmente se elas não forem planejadas.

Dificilmente existe maturidade em um contexto cujas situações ocorrem no tempo inadequado e para pessoas despreparadas. Quanta gente que ganha dinheiro, e apenas isso, a exemplo do ganho nas loterias e perde tudo em seguida, em pouco espaço de tempo por não saber lidar com tal situação? Quantos desejam que algo ocorra para eles em pouco tempo, até atropelam etapas para isso, mas logo perdem a conquista por não saber lidar com a nova realidade.

O contexto do perigo e da oportunidade, o que etimologicamente forma a origem da palavra sorte, pode significar sucesso para quem se esforça. Mas para o preguiçoso, isso é coisa do destino. A disciplina é o fator que trás sorte para os que planejam e executam os roteiros que traçam para si mesmos. Já o acaso é o que espera os procrastinadores e cheios de papos desprovidos de ação.

O que suscita alguém a reclamar que não teve sorte ao invés de se preparar mais para o desafio que enfrenta? A mera ação por puro mentalismo leva muita gente a supor que isso envolve a concepção de mistério, magia ou crença no sobrenatural. Já ouviu as expressões: “fazer o que, pois é a vida...”, “Deus quis que fosse assim”, dentre uma série de outras desculpas.

Entendo que sorte que produz resultados não está só na crença, mas acima de tudo está para quem faz, para quem vai e enfrenta os desafios. Enfim, quanto mais preparado, mais sortudo. Qual é afinal, o seu índice de sorte na vida?


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 2 de março de 2016

A NOBREZA DO SERVIR
Artigo de Jair Donato*

Uma das dimensões mais nobres que o ser humano pode vivenciar está na nobreza do ato de servir. Talvez, por essa ser uma ação constituída de tamanha simplicidade, muitas pessoas se embrenham em extensos níveis de complexidades que passam a vida sem ter a percepção do que seja tornar-se útil verdadeiramente ao outro. Servir é mais que um estilo de liderança, é a expressão da existência humana. Seja no trabalho profissional, numa atividade doméstica, nos relacionamentos ou ao oferecer um copo com água a alguém, servir está além da forma, é a maneira com que se desempenha uma atividade.

Há inclusive quem considera como se fosse posição inferior quem se ocupa de atividades em que tenha que servir às pessoas. Desde um cafezinho, conceder informações em local público e demais atividades do gênero, sendo remunerado ou não, tudo está favorável ao ato de servir. Os grandes homens nem sempre são os que estão ligados ao poder formal ou hierárquico. Por vezes são aqueles que apenas pelo poder pessoal desenvolvem a nobreza em servir. O humanista francês Michel de Montaigne elucidou a mais de meio milênio que a mais honrosa das ocupações é servir o público e ser útil ao maior número de pessoas.

Você deve conhecer aquela pessoa que fica feliz ao receber uma visita, e faz isso com maestria pelo prazer de ver a outra pessoa feliz, e não pelo status ou almejando interesse próprio. É admirável quem naturalmente ao se servir de lanche, por exemplo, antes se certifica ou mesmo compartilha o que está consigo com os demais em volta de si. E faz isso de maneira espontânea, não apenas por educação. É como aquela mãe que sempre serve por puro amor,  e de fato se importa com o outro. O indivíduo cujo egoísmo, o que não é nada singelo, está no lugar da ação servidora, é capaz de se sentar numa poltrona ou escolher a melhor iguaria, sozinho, sem ao menos oferecer ou se importar com quem estiver próximo a ele.

Servir é uma habilidade intrínseca à maturidade de cada um, e dela surge o sentimento de unidade. Pessoas que não servem se aproximam da fase do comportamento infantil em que a criança ainda não descobriu a necessidade de compartilhar com o outro. Ela age pensando em si como se o mundo e todos os pertences fossem apenas dela e para ela. O incongruente é ver adultos que agem transitando por essa fase, na pura face do egoísmo e da vaidade.

No filme “Poder Além da Vida” há uma cena em que o protagonista, um ginasta vivido pelo ator Scott Mechlowicz, questiona o fato do mentor dele trabalhar num posto de combustíveis, como se fosse uma função qualquer. Ao que o mentor respondeu a ele que não há propósito maior do que prestar serviços, isto é, servir aos outros.

Vivemos na era da prestação de serviços. Prestar serviços é bem mais valioso do que apenas uma transação comercial. O tratamento dispensado ao atender uma pessoa, seja o paciente na área da saúde, um cliente no comércio ou a um indivíduo ao dar-lhe uma orientação na rua, deve ser algo praticado com dedicação. E por mais que um bom atendente seja bem remunerado, a gentileza, a disposição e o apoio oferecidos por ele valem mais do que o ganho financeiro obtido.

Quanto mais humildade, respeito, carisma, confiança e prazer houver na prestação de serviços, mais aumenta a capacidade de servir. Para quem ainda não cultiva este hábito, saiba que esta é uma habilidade que pode ser desenvolvida. E você pode desenvolvê-la sem precisar ir longe, pode começar em casa. Servir bem e com amor aos que convivem ao seu redor, principalmente na família ou no local de trabalho é mais valioso do que se dedicar só na comunidade ou na rua para estranhos, e até mesmo para os clientes que lhe pagam por isso. Se há quem prefere servir desconhecidos enquanto destrata quem estiver próximo a si, apenas vive a farsa do servir, resulta em falsidade. Se você leu este artigo até aqui, foi um prazer em servi-lo. Sinto-me grato por isso!


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em qualidade de vida.  E-mail: jair@domnato.com.br