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sexta-feira, 29 de maio de 2009

PARADOXO DA SUPERIORIDADE HUMANA



Artigo de Jair Donato

Conta-se que o astronauta japonês Mouri, quando subiu ao espaço, disse: “Na Terra não existem linhas divisórias das fronteiras”. Realmente, na Terra não existem fronteiras e há uma única raça, a humana, que pelo comportamento mantido até agora, parece não ter ainda consciência disso. Assim também é em relação às questões climáticas, um problema que transcende fronteiras. Se cada nação pensar e agir em prol dos próprios interesses, os problemas ecológicos em âmbito mundial continuarão sem solução.

Reza um dos preceitos da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Unesco, que a paz começa e termina na mente. Portanto é na mente dos homens que as defesas da paz devem ser construídas. As guerras surgem, antes na mente das pessoas e em seguida ocorrem no mundo real, essa é a compreensão do preceito. As mudanças climáticas não é um problema ambiental que existe por si só. Trata-se de algo que se inter-relaciona com várias questões, como os recursos naturais, o alimento, a economia, o índice populacional, a cultura, a pobreza e a paz no mundo.

Sob uma visão comportamental, o modo como a mente de cada um apreende as coisas se reflete no mundo em volta de si. Se todos passarem a ver e a tratar tudo que tiver no ambiente em que vive com uma mente hostil, que usurpa, que destrói, certamente só ocorrerão conflitos ao redor. Dessa forma será impossível surgir fatos felizes, ligados à solução para o bem comum.
Quando se fala de direito ambiental, deve-se falar também de direitos humanos. Pois é impossível separar o dever de preservar e conservar a natureza do direito que o ser humano têm de viver num ambiente saudável. Somente uma mudança cultural na sociedade através da ética ecológica, poderá garantir um futuro sem problemas sócioambientais. Teria mesmo o homem um centralismo tamanho para agir impunemente tratando a Terra como material periférico, sem as devidas consequências?
Eis um grande dilema ético. Por que o homem que por vezes se julga um ser tão superior e racional, mata, destrói, e fere sem razão? Que espécie de autopunição é essa? Um inseto ou um animal ataca alguém, entra em movimento por defesa, quando se sente ameaçado, isso é concebível. Mas, e o ser humano, qual o motivo de atacar e destruir a casa que o abriga e os recursos naturais que garantem a própria sobrevivência? Talvez esse seja o cerne da uma profunda reflexão.
A espiritualidade do homem pode ser avaliada não apenas pela fé religiosa. Mas, também pelo grau de altruísmo e de consciência sustentável que possui. São variáveis preponderantes que revelam o equilíbrio que cada um têm na relação com o meio ambiente. Sustentabilidade, portanto, é coisa de gente grande, com visão de futuro, não é política somente nas empresas de grande porte. É antes de tudo, atitude individual. Apesar de muitos ainda vêem a sustentabilidade como um risco, além de custo.

É necessária uma mudança radical no comportamento atual do homem que parece se confundir em meio a uma inversão inconsciente, rumo a uma lenta autodestruição. Enfim, é chegada a hora de cada um repensar na atitude que têm em relação a si mesmo, aos demais, e, principalmente, ao meio ambiente em que vive. Mudar é algo saudável, espirituoso, principalmente quando o motivo que redireciona o movimento de quem o faz é voltado para o bem coletivo.

Vale relembrar o que disse o escritor Rubem Alves: “Antes que qualquer árvore seja plantada, ou que qualquer lago seja construído, é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma. Quem não tem jardins por dentro não tem jardins por fora. E nem passeia por eles.” O cerne da uma mudança será sempre de dentro pra fora, fora isso, não poderá ser uma mudança verdadeira.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 22 de maio de 2009

IMPERMANÊNCIA AMBIENTAL



Artigo de Jair Donato

Diz um conto budista que um famoso mestre espiritual aproximou-se do portal principal do palácio do Rei. Nenhum dos guardas tentou pará-lo, constrangidos, enquanto ele entrou e dirigiu-se até onde o monarca estava solenemente sentado no trono.

"O que vós desejais?" perguntou o Rei, imediatamente reconhecendo o visitante.
"Eu gostaria de um lugar para dormir aqui nesta hospedaria," replicou o mestre.
"Mas aqui não é uma hospedaria, bom homem," disse o Rei, "Este é o meu palácio."
"Posso lhe perguntar a quem pertenceu este palácio antes de vós?" perguntou o mestre.
"Meu pai. Ele está morto, retrucou o rei."
"E a quem pertenceu antes dele? Continuou o sábio"
"Foi do meu avô," disse o Rei já bastante intrigado. "Mas ele também está morto."
"Sendo este um lugar onde pessoas vivem por um curto espaço de tempo e então partem, vós me dizeis que esse lugar não é uma hospedaria?"

O interessante e reflexivo nesse conto é que a humanidade parece agir assim como o tal Rei, como se a grande casa, o planeta, fosse uma propriedade exclusiva que pudesse ser usada sem abrigar a todos e explorada, sem consequência alguma. Essa história não fala da residência individual de cada um. A analogia se refere ao grande lar que foi disponibilizado para que todos pudessem ser abrigados, com muitas dependências e alimentos, ar puro, água a vontade, muitos frutos e flores, vegetais, peixes e uma diversidade de recursos naturais incomensuráveis.

Mas o que será que está acontecendo? Nem todos estão morando bem nessa casa. O ar já está poluído, o clima está ficando mais quente e já têm diversos cômodos sendo alagados. Por volta de 2100, mostram os cientistas, esse grande palácio terráqueo estará com muita gente sem saber aonde morar, serão os refugiados ambientais.

Muitos criam e comercializam animais, exploram a natureza, plantam e colhem em demasia, porém o benéfico socioeconômico e ambiental não é proporcional. Por que alguns se intitulam como donos do palácio e o governam como tal, enquanto a maioria, no porão, ainda correm risco de não ficar lá? Por que tamanho apego de quem se apodera das florestas para a queima e desmatamento, ao invés de também conservá-las. Talvez pela falta de percepção de que tudo deve ser de todos, que o caminho por onde percorrem deve ser bilateral.

A impermanência, ou seja, a mudança, considerada o ensinamento básico do budismo, é uma reflexão de que há a inexistência de uma entidade apenas individual. Tudo muda, essa é uma verdade básica que ninguém pode negar. A essência de cada experiência e a natureza de toda existência é a própria mudança. A perene verdade é que tudo muda, seja na relação do homem com ele mesmo, com o outro e também com o meio ambiente em que vive.

Quando não há mudança é porque ocorre a incompreensão do próprio indivíduo em não aceitar o novo e não mudar o paradigma de que tudo pode ser diferente, é não praticar o amor-desapego. Nisto consiste a sublimidade do grande líder espiritual indiano Sidartha Gautama que há mais de três mil anos deixou uma mensagem de amor coletivo à humanidade. Por que o ser humano tem dificuldade de aceitar a mudança, mesmo correndo o risco de perder o palácio em que mora?

O homem como hospedeiro da Terra tem descuidado muito desse lugar. Especialmente em todo o século XX a larga emissão de gases poluentes que superaquece o planeta aumentou em quantidade alarmante. Chegou a hora de cada um repensar e mudar, antes que seja tarde. O homem nunca foi nem será o centro do Universo, pois o planeta não é um elemento periférico. A essência de tudo está no vivificar do que existe dentro e fora do homem. O que dirão os netos e as gerações deles sobre os que não optaram pela mudança hoje?

É por não aceitar a mudança que o homem sofre. O apego por vezes é como tentar segurar gelo nas mãos. Refletir sobre as mudanças e fazer parte delas é um bom jeito de fazer as pazes com o mundo. Na verdade, cada um pode mudar a maneira de pensar e agir. Mesmo que seja difícil, mas essa dificuldade não será sempre a mesma, depende do grau de flexibilidade e da disposição em mudar.

O paradigma do mercantilismo barato, em favor de uma cultura capitalista unilateral precisa de mudança e o início de tudo está no repensar dos valores do ser humano.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

sábado, 16 de maio de 2009

CONSUMO E ATITUDE


Artigo de Jair Donato
O cidadão enquanto consumidor, através de ações simples e cotidianas na relação de consumo consciente, pode contribuir voluntariamente para a conservação e a preservação do meio ambiente, além de estimular a melhora da qualidade de vida dessa e das gerações futuras. Pode fomentar a economia com foco na bilateralidade, onde não haverá perdas para o meio ambiente nem para o social. A consciência é a chave e o poder está nas mãos de cada ser humano que polui muitas vezes pelo consumo exacerbado.

As indústrias, produtores e prestadores de serviços, precisam rever os conceitos de ganho e de produção, valorizar mais os recursos naturais e investir em sustentabilidade com visão em médio e longo prazo. Essa é a garantia de maior probabilidade de permanecerem no mercado por muito tempo. Daqui por diante será o consumidor que ditará as regras, a exemplo do cliente europeu, que ao retirar um produto da gôndola, o faz consciente da procedência do que adquire, ele é mais seletivo ao privilegiar produtos para consumo.

Foi o militar britânico Charles Cunningham Boycott, que em 1880 deu origem ao verbo boicotar, considerado como um homem intratável com quem os irlandeses se recusaram a fazer qualquer tipo de transação. O lema do fundador do boicote era não comprar, propositadamente, mercadorias de origem duvidosa e fazer guerra comercial a certos produtos, ou seja, entravá-los. O boicote passou a ser um método padrão da desobediência civil e da política de não-violência, praticado pelos ativistas das campanhas pelos direitos civis nos Estados Unidos. Também na Irlanda do Norte realizadas na década de 1960 e por Mahatma Gandhi.

Gandhi conseguiu quebrar o sistema econômico da Inglaterra e consequentemente dos Estados Unidos através da simples desobediência civil. A população indiana, insatisfeita com a política dos americanos, simplesmente não comprava mais produtos têxteis da Inglaterra. Ghandi não praticou violência alguma. Aliás, nenhum movimento social precisa ser burro, a exemplo de muitos no Brasil, do tipo que invade o que é alheio, depreda prédios ou quebra vidraças. Afinal, isso não é o mesmo que consciência, é mais ausência de educação e pensamento crítico. O boicote do consumidor deve ser a seletividade, individual e coletiva.

Atualmente, além da preocupação com as questões climáticas, o consumo desenfreado precisa ser revisto em face ao aumento populacional que sobrecarrega o planeta, que por volta de 2050 chegará a 9 bilhões de pessoas. Foi-se o tempo que a questão relativa às mudanças climáticas era apenas um tema de interesse de ambientalistas. Atualmente, todos os setores começam a perceber que a economia real pode ser afetada gravemente se não for estabelecido um novo paradigma de produção e de ganho.

A relação das mudanças climáticas com a construção civil, com o uso da terra e também com a energia, a alimentação e a saúde, enfim, com todos os estilos de vida da população, é direta. Na América Latina, por exemplo, média de 75% da população vive em grandes cidades, sem contato próximo nem controle sobre a produção de alimentos. Por isso é importante que quem consome passe a se importar mais com o que leva para casa e se torne mais seletivo. Uma excelente dica é oportunizar a prática dos 07 R’s, a seguir.

Repense sobre tudo que você compra. Reduza o consumo. Recuse o que tiver procedência duvidosa, consuma produtos sem componentes poluentes. Reutilize, evite jogar fora tudo aquilo que você ou outras pessoas possam utilizar para outros fins; o artesanato é um bom exemplo do que a criatividade pode fazer. Recicle, pois nem tudo é lixo. Recupere matas, nascentes, cuide das plantações e das áreas verdes, até mesmo no quintal da sua casa. E, por fim, Respeite. Cuide da Terra, que é a mais bela e abrigável forma de vida, que sente e sofre assim como a gente.

Enfim, a sustentabilidade para as empresas deve ser encarado como negócio e não apenas como ação marqueteira. E para quem exerce a cidadania, sustentabilidade é atitude. Cada um pode evitar o consumo de produtos disponibilizados as custas da alta poluição agrícola, dos combustíveis fósseis ou de qualquer outra forma destruidora do meio ambiente. Emitir menos carbono na atmosfera é o desafio para todos que desejam viver com qualidade de vida e garantir a sobrevivência das gerações futuras eticamente daqui por diante. Saber escolher é uma atitude.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 7 de maio de 2009

ESTRATÉGIA DO JOÃO BURACÃO


Artigo de Jair Donato
É notável que uma pessoa sozinha tem o potencial de mudar o mundo ao seu redor. Recentemente um fato ganhou espaço na mídia e alcançou dimensão em vários estados brasileiros. É a história do João Buracão, boneco que virou celebridade, foi recebido até pelo prefeito carioca, é na verdade um alerta as autoridades públicas. A criação foi de um borracheiro que não suportava mais o buraco enorme que havia na frente da oficina dele, um descaso da administração municipal no subúrbio carioca.

O borracheiro morador da região suburbana do Rio, Marechal Hermes, após pedir ajuda por várias vezes ao poder público e não ser atendido, criou um boneco e o instalou à beira da cratera com uma vara de pescar a postos, como forma de alertar os transeuntes. No dia seguinte a prefeitura tapou o buraco e em três meses o personagem “JB” fez a prefeitura 2000 buracos nas demais ruas da cidade. E ele não parou por aí.

Os pedidos de réplica do boneco aumentaram e ele já se espalhou por rodovias de outros estados, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Ceará, e se tornou uma mistura de humor e indignação. Parece cômico, mas a verdade é que os administradores passaram a temer as "visitas" do João Buracão, em face da repercussão negativa que elas provocam.

Toda boa idéia deve ser propagada e a família do João precisaria de um reforço urgente para um desafio bem maior, agir contra o aquecimento global. Quem sabe com a chegada do “João Queimada”, do “João Desmate”, do “João efeito-estufa”, o alerta ambiental sobre preservação e conservação dos biomas brasileiros aumentaria, pois são conseqüências piores do que buracos que são resolvidos ao serem consertados.

Exemplos semelhantes ao do borracheiro pode ser seguido na hora do consumo, ao não permitir que muitos produtos permanecem nas gôndolas dos supermercados às custas da destruição do solo, poluição do ar, da água e demais formas de consumir os recursos naturais sem repor. Cada cidadão exerce melhor a cidadania quando se expressa não apenas na hora do voto, mas pela atitude no cotidiano.

A ousadia na atitude de fazer diferente é fundamental para que as coisas aconteçam. E isso pode ser feito de forma simples e econômica. Todos individualmente podem estabelecer pequenas mudanças para poluir menos e preservar mais. Cada um pode ser mais seletivo e pesquisar melhor ao fazer compras no supermercado, ao utilizar a energia, a água, a madeira e a alimentação.

A preferência pelos produtos com menor quantidade de embalagens plásticas, a escolha dos alimentos produzidos na região aonde mora. Cuidar melhor dos resíduos em casa, separar o vidro e as embalagens tetra pak do material orgânico, destinar o que pode ser reciclado ou reutilizado aos locais que fazem reaproveitamento. Imprimir em papel reciclado ou ambientalmente correto, aliás, reduzir o número de impressões, revisar mais na tela do computador antes de usar o papel. Ao usar chuveiro elétrico no quente, que seja o mínimo possível. Usar mais o etanol e rodar menos quilômetros. Tudo isso são pequenos exemplos que no geral fazem a diferença.

Entre a quantidade e a qualidade, é preferível a segunda e consumir de maneira seletivo. Se cada pessoa adotar mais consciência ambiental e ética na hora das escolhas e na relação com os recursos naturais, todos poderão viver sem fortes punições, seja da natureza ou das leis. E não haverá degradação em excesso.

“João buracão, acabando com os buracos, ele é a solução”, diz a letra de um funk criado em homenagem ao porta-voz de moradores de ruas esburacadas. Na verdade, o mundo se torna melhor à medida que o ser humano observa e constrói através de novas atitudes.

Disse o ensaísta William James, ícone da psicologia norte-americana: “A maior descoberta da minha geração é que qualquer ser humano pode mudar de vida, mudando de atitude”. Adquirir hábitos ambientalmente corretos é uma postura que faz bem para a saúde e para a melhoria do planeta. A flexibilidade para mudar certamente será a maior contribuição individual que pode ser oferecida e garantir uma vida sustentável para quem vive agora e para as gerações futuras.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

sábado, 2 de maio de 2009

CHAPADA DOS GUIMARÃES PODE SECAR



Artigo de Jair Donato

Foi esse o título da reportagem que publiquei em 2001, ocasião em que despertou meu interesse mais amplo sobre as questões ambientais. De lá para cá muita coisa ainda não mudou. Mas, não desistirei. O enfoque da matéria, na ocasião, era sobre o potencial hídrico do município de Chapada dos Guimarães, essa beleza exuberante, com formações exóticas, desenhadas secularmente pela chuva e pelo vento desde há 15 milhões de anos. O que foi gelo há meio bilhão de anos, fundo do mar 300 milhões de atrás e tomou a forma atual após o surgimento da Cordilheira dos Andes, hoje está secando. Quem diria?

As fontes de água que abastecem a cidade já não são as mesmas nas últimas décadas. Dentre os fatores que mais contribuíram para o desequilibro da região, a interferência humana é destacável. O próprio cultivo desatencioso, o garimpo, as pastagens e construções irregulares, comprometem ao longo do tempo o paraíso de recursos naturais que é a Chapada, além de levarem várias espécies à extinção.

Pesquisadores mostraram através de estudos que a situação erosiva, principalmente no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, se agravaram mais pelas atividades do homem do que pelo fenômeno natural do meio ambiente. Conheci, ainda no final da década de 1980 as belezas de Chapada e lembro-me da areia natural da cachoeira principal da Salgadeira. Cachoeira que só existe hoje por causa de uma construção que garantiu o não desmoronamento do local. A falta de consciência é o que rege qualquer destruição.

O assoreamento dos rios, as erosões, a seca das nascentes, as queimadas desenfreadas castigaram muito a exuberância chapadense. Esse é um triste foco que se repete em todo o estado, único que abriga 03 biomas fascinantes, o Cerrado, o Pantanal e a Amazônia. Além da Chapada, tem o Araguaia, a beleza indígena, belíssimos vales e muita história secular.

O alerta continua. Se o homem não rever a posição que ocupa em relação ao meio em que vive, toda a riqueza natural que hoje ainda está visível pode apenas fazer parte da história. E questiono, que história? Será contada pra quem? Afinal, é a capacidade do homem viver na Terra que está em risco.

Na indescritível Chapada, desde as belas cavernas de arenito, cachoeiras, canyons, penhascos, paredões, grutas, riachos e mirantes, tudo se apresenta frágil diante da falta de sensibilização humana, que ainda explora mais do que repõe. Isso acontece também nas demais localidades do Estado, no País e de forma global. Esse é o maior entrave que provoca as alterações climáticas, a exemplo do aquecimento global.

A preocupação com os recursos hídricos, estudo de vários pesquisadores, deveria ser uma preocupação de todos.O Brasil ainda é recorde em desperdício de água por habitante no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU). Talvez essa falta de consciência quanto ao uso exacerbado de água se dá pela falta de valor e o descaso em relação a esse bem. O País é o maior potencial hídrico mundial e por isso muitos devem pensar que água é um recurso infinito.

Mas, o abuso provoca perdas irreversíveis. Ainda é tempo de mudar, a começar pela casa de cada um. Á água utilizada no banheiro, na cozinha, na lavanderia, no jardim, tudo isso pode ser revisto, assim como o cuidado com a eliminação de vazamentos. São pequenas ações, contudo, de grande valia. E esse mesmo cuidado é o que vale para o cerrado, aonde brota a água. E para as matas, aonde correm os rios.

Na Carta da Terra, documento elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), consta no referencial sobre responsabilidade universal: “Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um modo no qual as dimensões local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos.”

O que dirão as gerações futuras diante da irresponsabilidade humana, quando não encontrarem as mesmas belezas que existem hoje? Por que vocês não fizeram nada antes? Se assim perguntarem, o que dizer a eles? Para que situação seja diferente depois é preciso que tudo comece a ser feito agora. Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente, sinaliza a Unesco.

As belezas que existem no cerrado da Chapada, no Pantanal, na Amazônia, e todas as demais riquezas naturais disponíveis, são dádivas. O que falta é gratidão, cuidado, amor, ética e consciência. Se cada um cuidar, nada pode secar.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com