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terça-feira, 26 de agosto de 2014

QUAL É O SENTIDO DA VIDA?
Artigo de Jair Donato*

O que será que mais conta na vida, o fato ou a interpretação sobre os fenômenos que nela que ocorre? Afinal, interpretar é sempre interpretar. E o homem faz isso segundo aquilo em que ele crê, o que nem sempre coaduna com os fatos que lhe sucedem. Segundo o filósofo Michel Foucault, no contexto social, o indivíduo nunca está diante de um objeto real concreto, e sim de um objeto real de conhecimento, algo construído.

Há uma reflexão contida numa passagem apresentada pelo escritor Hugo P. Homem sobre as sandálias de um discípulo que ressoavam surdamente nos degraus de pedra que o conduzia aos porões de um antigo mosteiro. Ao empurrar a pesada porta de madeira que cerrava os aposentos do ancião que lá morava, ele custou a localizá-lo na densa penumbra. Mas, lá encontrou o velho mestre com o rosto velado por um capuz, sentado atrás de uma escrivaninha, onde, apesar de escuro o ambiente, fazia anotações num grande livro, também muito velho.

Então, o discípulo avidamente assim interpelou o mestre: Qual é o sentido da vida? Ao que o velho monge, permanecendo em silêncio, apenas apontou um pedaço de pano, um trapo grosseiro que estava no chão junto à parede. Em seguida, com o dedo indicador mostrou, no alto do aposento, o vidro da janela, opaco sob décadas de poeira e teias de aranha.

O discípulo rapidamente foi até o local apontado, pegou o pano e subiu em algumas prateleiras de uma pesada estante forrada de livros. Conseguiu alcançar a vidraça e começou então a esfregá-la com vigor, retirando a sujeira que impedia a transparência. Logo o sol inundou o aposento e iluminou os objetos ali dispostos, instrumentos raros, dezenas de papiros e pergaminhos com misteriosas anotações e signos cabalísticos.

O discípulo, sem caber em si de contentamento, com fisionomia que denotava o brilho da satisfação, declarou ao mestre que havia entendido naquele momento a lição. E então expressou que devemos nos livrar de tudo que atrapalha nosso aprendizado. E também retirarmos o pó dos preconceitos e as teias das opiniões que nos impedem receber a luz do conhecimento e então enxergaremos a verdade, com mais nitidez. O jovem discípulo fez então uma reverência, e deixou o aposento, sentindo-se iluminado, a fim de compartilhar com os outros a lição recém-aprendida naquele âmbito espirituoso.

Então, o pacífico mestre ainda com o rosto encoberto pelo largo capuz, sendo invadido pelos raios de sol da manhã que banhava-o com uma claridade a que se desacostumara, olhou o discípulo se afastando. Deixou escapar um tênue sorriso e pensou: “Mais importante do que aquilo que alguém mostra é o que o outro enxerga”. E disse baixinho para si mesmo: “Eu só queria que ele colocasse o pano no lugar de onde caiu”.

E você caro leitor, que leitura tem feito sobre os eventos que ocorrem ao seu redor, no convívio com as pessoas e diante dos fatos que ocorrem no cotidiano? Como tem lidado com as responsabilidades que lhe são mostradas? Talvez um eventual conselho dado pelo velho monge do mosteiro não ajudasse tanto aquele discípulo como a própria compreensão que ele teve a partir de uma construção interna que propiciou a si mesmo. O teólogo Leonardo Boff expressou que cada um lê com os olhos que têm e interpreta a partir de onde os pés pisam. Há quem espera receber respostas prontas na vida. Mas, há quem as encontra a partir da realidade construída mediante cada momento vivenciado. Tudo pode ser uma questão de sensibilidade.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A FEBRE DO COACHING
Artigo de Jair Donato* 

Na década de 1990 houve uma leva de gente embrenhada numa ferramenta que virou modismo no Brasil, a Programação Neurolinguística, popularmente conhecida como PNL. As pessoas tratavam essa ferramenta, que propicia a excelência na comunicação, como se fosse receita de bolo e achavam uma pomposidade afirmarem que tinham cursos e trabalhavam com PNL. De fato, como outras modalidades, é uma ferramenta que produz resultados, mas que não se torna útil nos domínios de aventureiros. O que restou depois da febre? Hoje, somente os profissionais sérios, que não a encaravam como modismo, continuam na área.

Recentemente “bombou” outra modinha que muita gente imaturamente se apressa em mostrar os certificados de curto prazo e alterar as nomenclaturas funcionais com autodenominação de “coach”, o profissional que aplica o processo coaching. Há gente que baniu todos os títulos profissionais de até então, e simplesmente intitulou-se “coach”. Mais uma vez, outra ferramenta séria e que produz resultados práticos, está sendo encarada como se fosse receita de bolo. Muitos encaram a atividade como se fosse daquele tipo de raizeiro que ao oferecer uma garrafada, afirma ser boa para todos os males. É incrível a capacidade do ser humano de se fascinar, alienar-se.

Conheço o coaching desde o início dos anos 2000, época em que muita gente sequer interessava pelo assunto, outro tanto nem o conhecia. Trabalho na área de gestão de pessoas há quase duas décadas, sei da eficácia dessa ferramenta quando aplicada coerentemente, que se trata de uma prática de ajuda às pessoas a atingirem resultados, mais sei também dos limites dela. É uma pena que há quem após um curso de breves módulos, inebria o ego com uma certificação internacional, e opta por intitular-se “profissional coach”, o que não é uma profissão, e acaba por queimar a imagem de muitos que levam a sério a habilidade de desenvolver pessoas, otimizar resultados nas equipes e potencializar o tempo. Virou comércio, pois a oferta desses cursos prontos é enorme, preços altos, cujo foco está mais na certificação do que na competência que a própria ferramenta propõe. O coaching não pode ser visto com fascinação, como se fosse paixão de adolescente, como foi na PNL. Coaching é um processo e não pirâmide, a exemplo de tantas mascaradas de marketing de relacionamento que só alienam a massa.

Por mais poderosa que seja uma ferramenta de gestão, se for encarada como amadorismo, pela euforia do momento, ela perde o valor. Diz um pensador oriental que até o bem, se aplicado de maneira inadequada, deixa de sê-lo e produz efeito contrário. A superficialidade é um fator agravante diante disso. No mercado de trabalho e no ambiente acadêmico, recebo depoimentos frustrantes de gestores que são praticamente obrigados a fazerem sessões de coaching dentro empresa porque a chefia achou por bem que isso era bom para aumentar os resultados. Então contrata um profissional coach de renome, e todos precisam passar pelas sessões. Como assim, imposição? Sim, muitos líderes de empresas não entenderam a ferramenta e praticamente impõem aos dirigentes que lideram, só porque eles próprios fizeram um curso de imersão, e acharam oportuno enfiar isso garganta abaixo, sem o respeito ao perfil, ao desejo e ao tempo de cada um. Porém, quando há um mínimo grau de maturidade, percebe-se a falha e que isso não é uma varinha mágica. Pois em boa parte das vezes a cultura da própria organização sequer combina com a inserção do processo.

Antes, querer faz parte do processo. O filósofo Sêneca dizia quem o desejo faz parte da cura. Sem entender com maturidade o processo de coaching, por mais que ele tenha potencial, não atenderá a isso, por essa razão muita gente apenas fica fascinada, empolgada, e por ver os demais na mesma onda, seguem-na. Mas, é como chama que logo se apaga ao vento.

Penso que a criticidade sobre tudo aquilo a que nos propusermos é fundamental. Uma boa prática de coaching pressupõe que o coach, o profissional, tenha um bom conhecimento antes de si mesmo. E isso não é do dia para a noite. O processo do coaching é uma aprendizagem que permite atingir metas, solucionar problemas e desenvolver novas habilidades e competências. Não se atinge isso com euforismo, na cultura do “oba-oba”. Espero ver maior grau de maturidade no mercado de trabalho e na vida das pessoas sobre essa concepção. Febre passa.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 19 de agosto de 2014

GESTÃO BURRA
Artigo de Jair Donato* 

Na gestão organizacional todo movimento precisa ter foco, e antes de tomar uma decisão, entender o contexto é primordial para obter melhores resultados. Conta-se que certa ocasião uma empresa entendeu que estava na hora de mudar o estilo de gestão. Então foi contratado um novo gerente geral para que implementasse a mudança. O recém-chegado veio determinado a agitar as bases e tornar a empresa mais produtiva. No primeiro dia, acompanhado dos membros de uma comissão formada por ele, fez uma inspeção nas diversas áreas da empresa. Quando a comitiva chegou ao armazém era momento em que todos por lá estavam trabalhando, exceto um rapaz novo que estava encostado na parede e com as mãos no bolso.

Vendo ali uma boa oportunidade para demonstrar a nova filosofia de trabalho, o gerente novato assim questionou rapaz: Quanto é que você ganha por mês? - Trezentos reais, por quê? - respondeu o rapaz sem saber do que se tratava. Rapidamente, o gestor tirou a quantia dita pelo transeunte e deu a ele, dizendo: - Aqui está o seu salário deste mês. Agora desapareça e não volte aqui na empresa nunca mais. O rapaz guardou o dinheiro e saiu conforme a ordem recebida.

O gerente então, enchendo o peito, perguntou ao grupo de trabalhadores ali presente, se alguém dentre eles sabia o que aquele tipo fazia ali sem fazer nada, e qual seria a função dele no setor. Ao que lhe responderam atônitos: - Sim Senhor, o conhecemos, ele é o entregador de pizza, apenas veio fazer uma entrega e estava aguardando para receber o que deviam a ele. Foi nesse instante que o gerente apavorado percebeu o que fez. Aí está o resultado de um estilo de gestão que faltou inteligência, e deu prejuízo.

O gestor insensato age assim. Ele confunde inovação com arbitrariedade. Pelo erro de não levantar informações mensuráveis e checa-las com antecedência, comete sandices em nome da criatividade e da eficácia. Não basta dar arrancada sem rumo, sem foco, pois isso não é um estilo estratégico na gestão. Como consultor de pessoas, percebo que as empresas não podem ficar paradas no tempo sem investir em treinamento e desenvolvimento de pessoas, novos processos, tecnologia e em novas políticas de gestão. No entanto, não é sábio quando o gestor age por impulso da mesma maneira que resolve aderir a qualquer novidade apenas para se inserir no contexto da competitividade. É preciso agir de forma racional e comedida.

Se o gestor gere só na boa intenção, no achismo ou pelo impulso, sem seguir um planejamento ou diretriz, pode ter resultados desastrados. Até mesmo características subjetivas como a criatividade e a flexibilidade precisam de foco e direcionamento. Dificilmente uma decisão tomada por impulso pode ser acertada, sem que antes reflita sobre os impactos que ela pode provocar. Perguntar mais, investigar melhor, conhecer bem o contexto, o ambiente, são condições mínimas para evitar perda de dinheiro, de tempo e gasto da imagem tanto do profissional quanto da organização.

Há que se pensar no resultado prático de qualquer ação ou atitude antes de implantá-la na empresa. O que você pretende com a nova ação? Qual é o impacto que tal ação deve ter na equipe e nos clientes? Como vai medir os resultados? Descubra se você está investindo ou gastando. Mais do que uma mudança, o importante é a forma como ela é praticada e entendida. Resta saber entre se o que você faz tem sido mesmo estratégico. Pois bons resultados só se originam por meio de estratégias inteligentes.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

FOCO NA COMUNICAÇÃO
Artigo de Jair Donato*

Conta-se que havia um monge zen cujo nome era Hotan. Ele sempre ouvia atentamente as preleções de um mestre. Na estreia das palestras, havia um público numeroso. Mas, a pouco e pouco, nos dias seguintes, a sala se esvaziou, até que, um dia, Hotan ficou só na sala com o mestre. Diante daquela cena, o mestre disse ao discípulo que não poderia fazer a conferência só para ele, ademais estava cansado. Hotan prometeu voltar no outro dia na espera de ter muita gente. Porém, voltou só, não veio ninguém mais. Não obstante, ele disse ao mestre que poderia fazer a conferência naquele dia, porque trouxera numerosa companhia. O discípulo trouxe na ocasião muitas bonequinhas, que as espalhou pela sala.

O mestre surpreendeu-se e disse a Hotan que aquilo era apenas um número de bonecas, apena isso. Com efeito, respondeu-lhe Hotan que todas as pessoas que ali vieram não eram mais do que bonecas também, pois não compreenderam patavina dos  ensinamentos ali apregoados. - Só eu lhes compreendi a profundeza e a verdade, disse o discípulo ao mestre. E mesmo que muita gente tivesse vindo, serviria tão somente de enchimento, decoração, vazio sem fundo. 

Esse conto retrata duas facetas importantes no processo da comunicação, que são as responsabilidades do emissor e do receptor. Há quem mediante o acesso a mensagens fundamentais para próprio desenvolvimento ou cumprimento de atividades inerentes aquilo a que se compromete, a tudo assiste de maneira distraída, enquanto perde tempo e forclui grandes oportunidades de crescimento na vida.

Por outro lado, é de suma importância que o emissor, aquele que codifica uma mensagem para ser transmitida, atente-se para que o conteúdo que deseja transmitir seja adequado ao tempo, ao público e às necessidades do interlocutor. Mesmo uma grande verdade, se não for adequadamente repassada, perde o sentido. A competência em expressabilidade é muito valiosa para externar aquilo que se sabe, é o que agrega valor. Existem doutores em determinadas áreas que falham no momento de expressar o que sabe para formação de outros profissionais. Há muita gente com boa intenção, mas que se comunica mal nos relacionamentos.

Pode ser que o tema não interesse a determinado público, pode ser ainda que a linguagem não esteja adequada ao momento, mas se ela for estratégica, qualquer assunto se torna interessante quando expresso por quem possui metodologia que agrada a quem recebe. Grandes líderes da espiritualidade, a exemplo de Jesus e Budha, se comunicavam por parábolas, transmitiam assuntos de tamanha complexidade para a época, porém com uma singularidade ímpar que havia quem as entendia. Embora, ainda hoje são incompreensíveis por muitos.

A escritora brasileira Nélida Piñon, primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras, afirma que é importante atentar-se com a maneira de dizer, pois se você não alcançar essa maneira de dizer, é como se o que quer dizer não existe. A simplicidade no processo de comunicação, o foco na ideia central do que que deve ser transmitido importam mais do que o grau de rebuscagem naquilo que que se comunica. Quem comunica deve sempre tomar conta se a mensagem principal chegou ao alcance almejado.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

ABORTO DE UM SONHO

Artigo de Jair Donato* 

O aborto de uma criança é um ato considerado por muitos como atitude imoral e abominável, principalmente, quando ocorre em face da vaidade. É uma prática desprovida de senso ético e de amor próprio quando justificada por escolha estética. Mesmo sendo um ato legalizado em vários países, para quem possui princípios fortes sobre valorização à vida, continua sendo um crime. Mas, quem defende a esmo a prática do aborto, parece considerar apenas o tamanho minúsculo do feto, baseando-se possivelmente numa visão permeada de simplismo e materialista, diferença que não é justificável quando se trata do respeito à vida.

No entanto, a polêmica existente em torno desse tema se deve pelo fato de ser uma ocorrência ligada aos valores que cada um possui. Mas, seria mesmo essa a única forma de aborto provocada pelo homem? Seria esse o único aborto que tornaria o ser humano em vítima? O que faz o indivíduo viver no mundo sem autoexpressão e transitar pela linha da mediocridade, que pode durar a vida inteira? Existem outras formas de aborto à natureza humana. E uma delas se dá quando o homem perde a capacidade de cultivar o próprio sonho e vive sem a perspectiva de um ideal. São muitos os que encontram a oportunidade de nascer, e, após adultos, abortam o potencial latente neles. Isso ocorre quando o indivíduo deixa de acreditar na possibilidade, não se esforça o necessário, sequer pensa numa missão de vida. Confina-se num processo de autodestruição com a justificativa de que não possui sorte, ou sabe-se lá, Deus quisesse que fosse assim.

“Sonho” aqui discorrido, não se trata de fantasias ou processos psíquicos que ocorrem durante o sono. Falo do sonho delineado por meio de um projeto de vida mensurável. Você possui um? É um detentor de aspirações idealizadoras? Sabe qual é sua missão nesta vida? Tem uma visão de futuro? O que poderia trazer-lhe a sensação de autorrealização enquanto ser humano? Infelizmente, muitos abrem mão da própria razão de existir e desistem na primeira ou na segunda tentativa. Então, abortam a própria chance de autoexpressabilidade. Claro que esse não é um ato condenável por qualquer lei humana, mas destrói vidas, limita destinos e sucumbe a quem dele não sai.
           
Ora, o mundo atual não existiria se não houvesse os sonhadores, os que projetaram e acreditaram em grandes ideais. Podemos afirmar que a cultura atual, a interatividade social e tecnológica que possuímos é o resultado daqueles que sonharam no passado. Na vida, só há duas escolhas, seguir avante ou recuar. Regredir não significa desfazer ou desaprender o que já sabe. Basta ficar parado no tempo, sem atualização e novos aprendizados. Em tempos de globalização, quem corre, anda. E se anda, está parado.

Uma consulta ao Guines Book, revela o desbravamento de muitos sonhadores. A biografia dos líderes que deixaram os próprios nomes marcados na história comprova que todos eram fortes sonhadores. Tudo de prático e funcional que hoje está disponível é fruto da mente idealizadora dos predecessores e contemporâneos. A invenção do avião, da lâmpada, do automóvel, a cura de diversas doenças, tudo partiu da mente daqueles que um dia sonharam e dedicaram-se a nobres ideais.

Há pessoas que escolherem caminhos íngremes, quando decidiram seguir por qualquer caminho sem o escrúpulo de ferirem a si mesmos. São os profissionais frustrados que queriam ser médicos, por exemplo, mas, por algumas vezes reprovados no vestibular, fizeram outro alheio ao próprio ideal. Tomaram a famosa segunda opção como atalho. Terrível escolha. É como se nunca chegassem a lugar algum. É grande o número de advogados, arquitetos, professores, assistentes sociais e tantos outros profissionais que existem na sociedade, descontentes consigo mesmos, executando trabalhos sem afinidade com as aptidões que possuem, como se fossem impostores diplomados. Essa é uma das causas do estresse, mal comum no âmbito profissional do mundo competitivo. Tudo porque não lutaram até o fim, não se esforçaram mais um pouco.

A biografia de Thomas Edison, também inventor do fonógrafo, registra que ele persistiu por mais de cem vezes, até encontrar o filamento ideal para que a lâmpada se tornasse uma realidade. No entanto, ele declarou que não teve cem fracassos. Teria encontrado mais de cem formas de não fazer uma lâmpada. Genial essa atitude mental, somente os vencedores e campeões a possui. Mas, todos possuem a liberdade de sonhar e agir, e detém potencial para isso. Portanto, é preferível o esforço, não o aborto. Tudo vai depender da escolha, e da atitude.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 12 de agosto de 2014

PEQUENOS HÁBITOS
Artigo de Jair Donato*

Diz um adágio popular que quando as formigas se juntam, conseguem transportar até um elefante. A verdade é muito forte o poder das pequenas ações quando repetidas constantemente no cotidiano. Até mesmo uma montanha poderá ser transposta se um punhado de terra for retirado dela todos os dias. 

Conta-se que certa vez um escritor que morava em uma tranquila praia, junto de uma colônia de pescadores, ao caminhar pela manhã à beira do mar para se inspirar, viu um vulto que parecia dançar. Ao chegar perto, ele reparou que se tratava de um garoto que recolhia estrelas-do-mar da areia para jogá-las uma por uma de volta ao oceano. Então o escritor o questionou sobre o motivo daquela atitude dele. Em seguida, ouviu a explicação do jovem de que a maré estava baixa e o sol brilhando. Elas iriam secar e morrerem se ficassem a esmo ali na areia.

Foi aí que o escritor espantou-se e disse: "Meu jovem, existem milhares de quilômetros de praias por este mundo afora, e centenas de milhares de estrelas-do-mar espalhadas pela praia. Que diferença faz? Você joga umas poucas de volta ao oceano. A maioria vai perecer de qualquer forma”. Então o jovem pegou mais uma estrela na praia, a jogou de volta ao oceano, olhou para o escritor e respondeu: "Para essa aqui eu fiz a diferença”.

Naquela noite o escritor não conseguiu escrever, sequer dormir. Pela manhã, voltou à praia, procurou o jovem e uniu-se a ele, então juntos começaram a jogar estrelas-do-mar de volta ao oceano.

Eis aí o valor das pequenas ações entrelaçadas pela efetividade. Pode-se considerar a essa analogia, os impactos advindos das alterações climáticas, em que a humanidade se encontra diante de uma oportunidade de mudança do próprio destino. É necessário cuidar com mais afinco de ações práticas, seja em casa ou no trabalho, em prol do meio ambiente. O mundo pode mudar mais rápido se todos se juntarem e contribuírem para conter as consequências surgidas do superaquecimento da terra em escala global através das microações semelhantes as que realizaram o escritor e o garoto na praia.

Pequenas ações em prol do combate a alta emissão de gases poluentes que engrossam a camada do efeito estufa podem ser providas de maior senso ético e feitas sem muitos custos ou dificuldades; pois isso é antes apenas questão de atitude. O mínimo ato de ler as indicações ambientais que vêm nos rótulos dos produtos e privilegiar aqueles que forem ecologicamente corretos já é considerável. Todos podem consumir menos, de forma racional e consciente. Cada um pode contribuir sempre, mesmo com pouco.

É válido o simples ato de consertar uma torneira ou apagar as luzes desnecessárias em um local. Cada cidadão pode estabelecer um programa familiar sobre o cuidado com os resíduos domésticos. Exemplos como a quantidade de entulhos e restos de materiais de construção, que podem e devem ser reutilizados, reciclados e reintroduzidos na cadeia produtiva, gerar renda e ainda beneficiar o social. Educar as crianças e sensibilizar os adultos é o caminho, mas, antes cada um deve prover o exemplo, assim ficará mais fácil convencê-los. Daqui por diante, quem não atender aos padrões de necessidades sustentáveis, sofrerá grandes consequências que poderão provocar o aumento do caos coletivo.

As mudanças climáticas como efeito de tudo o que o homem provocou nos últimos anos é talvez o maior obstáculo que a humanidade precisa transpor e conviver. Devemos repensar este ritmo de vida que existe há centenas de anos. O fundamental é que haja mudança no comportamento de cada um. Essa certamente será a medida mais eficaz que todos podem tomar para viver melhor na Terra. E isso pode começar agora, fazendo aquilo que estiver diante de cada um de nós. Você já fez a sua parte hoje?


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

domingo, 10 de agosto de 2014

ÍNDICE DE FELICIDADE
Artigo de Jair Donato*

Felicidade não pode ser um objetivo, uma meta, nem depender disso. Para muita gente a felicidade é um estado de espírito, um modo de vida, um estilo que consiste em viver confortavelmente em si mesmo. Não seria mais adequado entender que você pode ser feliz agora mesmo, com o que possui e onde está, sem depender de nada além de você mesmo? Não são poucas as métricas de progresso no mundo de predominante cultura capitalista em que vivemos, cheio de mudanças e marcado pela alta competitividade.

As áreas científica e econômica têm tratado do desenvolvimento da condição humana na produção e no trabalho e mensuram isso através de vários índices tais como PIB, IDH, IDS, IQV, IDCV, IGP, dentre uma gama de outros parâmetros. E medir a felicidade seria possível? Desde a década de 1970 que esse desafio foi encetado quando o rei do Butão, pequeno reinado nas encostas do Himalaia, criou o índice de Felicidade Interna Bruta, como forma de protesto em resposta as críticas que taxavam a economia daquele País como miserável.

Com uma base holística na construção da economia aliada à cultura, a valores espirituais, éticos e morais, o conceito de FIB foi estabelecido inicialmente para mostrar outra forma de avaliar as condições de vida considerando também as questões mais profundas do relacionamento humano e o progresso através da espiritualidade, levando em consideração as dimensões sociais, ambientais e econômicas.

De lá para cá esse índice para medir a felicidade de um povo tem sido uma contraposição ao Produto Interno Bruto (PIB). Ele é aplicado para medir o bem-estar das pessoas. Tradicionalmente, para o PIB, quanto mais recursos naturais são degradados, mais o valor cresce. Com o FIB é diferente, cujos pilares estão pautados na promoção do desenvolvimento socioeconômico sustentável e igualitário. São considerados além do desenvolvimento material, o espiritual e o pessoal através de uma governança ética e sensata.

O Brasil sediou uma das Conferências sobre Felicidade Interna Bruta em 2008, evento que ocorre em vários países com a presença de autoridades no assunto e economistas. A cidade de Angatuba, no interior de São Paulo, foi a experiência-piloto apresentada no evento por fazer uso do índice do FIB. Outras cidades no País também engendram por esse caminho para mensurar o desenvolvimento local, cuja premissa se baseia de que essa é uma necessidade urgente num mundo que está se despedaçando.

A Fundação Getúlio Vargas propôs se empenhar na elaboração de uma metodologia para ser aplicada no Brasil, e fornecer dados ao governo federal no intuito de melhoria às políticas públicas do País.  A ideia do FIB em tempos de mudanças climáticas é se tornar um caminho viável para proporcionar o desenvolvimento sustentável. O FIB é um índice composto por indicadores que são ligados a uma condição interna. E, sem necessidade de réguas, é possível a cada um avaliar a própria condição interna com mais sensatez e dessa forma contribuir para um mundo melhor, mas ético, altruísta, mais sociável e ambientalmente correto. Esses podem ser indicadores que resultarão em maior índice de felicidade.

As melhores escolhas para a mente, para o corpo, para o bolso e para o mundo são as dicas que os especialistas dão para que o ser humano possa elevar o índice FIB. A conversão para o bem coletivo, o cuidado consigo e com o outro podem ser atitudes que o direcione para esse fim. Então, qual é o seu índice? E o da sua família? Pense ainda na sua comunidade e na sua empresa. Saiba que ele pode ser melhor, e você também pode contribuir para esse resultado. Afinal, vivemos numa era de mudanças profundas, radicais e tão aceleradas que parece vivermos diante de um acerto de contas.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sábado, 9 de agosto de 2014

SEU QUOCIENTE EMOCIONAL
Artigo de Jair Donato

Qual é a sua perspectiva sobre a vida nos contextos em que você vive? Diante de uma situação inesperada qual sua visão de imediato, reage de maneira entusiasta, negadora ou negativa? Essa análise é um importante indicador sobre o nível do quociente emocional que você possui. Preceitua o escritor Leonardo Boff que cada um lê com os olhos que têm. E interpreta a partir de onde os pés pisam.

Há uma antiga história sobre um imperador Chinês cujo nome era Kru Won. Governante inteligente e muito cruel, por isso temido, liderava o povo com mão-de-ferro. Tinha muitas esposas guardadas por eunucos reais, e o prazer dele estava em se divertir jogando e divertia os súditos com jogos públicos. Certa vez, um dos generais de maior confiança do imperador apaixonou-se por uma das esposas prediletas dele e fugiu com ela. Não demorou muito e foram capturados e trazidos de volta à corte de Kru Won para receberem o castigo.

Naquela ocasião, em vez de decidir cortar a cabeça do traidor, como era costume, o imperador achou interessante divertir a corte. Mandou colocar o general no meio de um anfiteatro que tinha duas portas. Inclinando-se por cima de um balcão em direção ao general, o imperador disse que ele deveria abrir uma daquelas duas portas. E que atrás de uma delas havia uma bela donzela, enquanto atrás da outra havia um tigre faminto. Assim, de acordo a sorte que tivesse, ou ele se casaria ou seria comido vivo na frente de todos.

Em seguida o imperador informou que a própria esposa, que estava presente ao lado dele, aquela que havia partilhado a cama e fugido o general, sabia atrás de que portas se encontram a donzela e o tigre. E complementou dizendo que pelo fato de os dois terem nutrido um profundo sentimento pelo outro enquanto amantes, ele deu à mulher permissão para indicar ao capturado que porta deveria abrir. O general olhou para a mulher amada, e ela indicou a porta à esquerda. Então, ele correu e abriu-a imediatamente.

Caro leitor, pare um pouco aqui e responda a seguinte pergunta: quem você acha que o general encontrou atrás da porta? A donzela ou o tigre? Qual foi a resposta que veio naturalmente como à sua mente? E fique calmo porque isso não é uma pegadinha, tampouco esse questionamento não pretende induzir você a qualquer tipo de resposta porque nesse caso não há certo ou errado. Essa história serve apenas que você se situe sobre a atitude interna que possui em relação à vida, uma reflexão apenas. Sua resposta apenas evidencia, conforme sua escolha, o tipo de atitude básica que você pode ter, mesmo que não perceba, em relação à vida e às pessoas. Bem, se já fez sua escolha, agora continue.

Há quem faz a escolha pelo tigre. Se essa foi a sua também, é interessante que se permita algumas reflexões. Pessoas que fazem esta escolha tendem a ter uma atitude de desconfiança em relação ao mundo e às pessoas com as quais convivem. Podem acreditar, por exemplo, que sempre que alguém oferece ajuda, está querendo alguma coisa em troca. Em alguns contextos, a opção pelo tigre indica uma atitude reativa em relação o modo de viver. Isto é, tem uma tendência pessimista em relação a possíveis resultados e, sem perceberem, acabam perdendo boas oportunidades de sucesso e crescimento por causa dessa atitude. Pense um pouco. Não seria essa atitude algo que possa limitar você diante de grandes oportunidades?

Mas, caso sua opção tenha sido pela donzela, isso pode indicar a presença de uma atitude positiva em relação à vida e às pessoas. Essa opção indica bom nível de maturidade e equilíbrio emocionais e, que junto a outros fatores podem indicar alto nível de inteligência emocional. Constata-se que é importante a presença de otimismo na personalidade de uma pessoa, assegura o psicólogo Daniel Goleman, autor do livro "Inteligência Emocional". Segundo ele, essa presença de uma visão otimista é um fator de equilíbrio e maturidade emocional, grandemente responsável pelo sucesso e pela felicidade das pessoas.

Após anos de estudos sobre o tema, constata-se que pessoas otimistas e positivas são mais felizes e realizadas, desenvolvem relacionamentos afetivos, amorosos, sociais, profissionais e familiares mais equilibrados e gratificantes, afirma Goleman. Daqui pra frente, observe seus pensamentos diante de fatos que ocorrem no dia-a-dia, você pode concentrar mais nas soluções e nas oportunidades. Afinal, quando você ouve uma “cantada de pneus” no asfalto, uma freada brusca, o que vem antes à sua mente? Essa é uma boa observação.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

NÃO SEJA UM PROMETEU
Artigo de Jair Donato*

Há uma síndrome que afeta grande parte das pessoas que se aventura trabalhar no comércio, especialmente nas áreas de vendas e atendimento. São pessoas que deixam muito a desejar no perfil que apresenta na hora de atender o cliente. É gente que cumpre horários como mero executor de tarefas, transita sem o interesse genuíno de um consultor. Gente que não mostra brilho nos olhos, tampouco sente orgulho pelo que faz.

Na mitologia grega houve um titã cujo nome era Prometeu. Ele gostava muito dos humanos e procurava agradá-los. Certa feita ele roubou o fogo dos céus, que simbolizava a sabedoria e a ciência, e deu aos homens. Ao saber do ato praticado por Prometeu, Zeus ficou enraivecido e mandou que o punisse com o castigo de ficar encadeado a uma rocha no pilar de Cáucaso, com mãos atadas por fortes correntes e uma leve túnica apenas envolvendo parte do corpo dele. Uma águia se aproximava do acorrentado diariamente bicava o fígado dele durante todo o dia.  

O fígado é um órgão do corpo humano que possui a capacidade de se regenerar. Então, a noite enquanto a água se retirava, a parte lesada do fígado de Prometeu começava a se regenerar. Mas, com o raiar do dia seguinte eis que surgia novamente a águia e o sofrimento dele continuava. Essa é uma analogia observada no comportamento do profissional que vive como um “Prometeu” no trabalho, como também nas relações interpessoais como um todo.

Questione a si mesmo. Em que área da sua vida você pode ser um ‘Prometeu’? Em que situação você se permite e deixa com que “comam-lhe o fígado” o dia inteiro, a semana toda, o ano e quem sabe isso pode vir ocorrendo há décadas? Há quem reclama do ambiente em que se encontra, do relacionamento que possui, fala da insanidade que vive no local de trabalho, no entanto, se deixa acorrentar a essa situação sem atitude alguma que o desenlace dela, só reclama. Há quem vive num relacionamento doentio com o parceiro ou numa relação de assedio e constrangimento com o chefe no trabalho, e não se esforça nem se expõe à mudança.

Já ouviu alguma dessas expressões? “Ah, estou aqui para cumprir ordens”, “Faço só o que me pedem”, “Faço a minha parte” “Eu estava esperando você pedir”, “Se você quer assim” ou “Fazer o que né”. Pode ser que estejam carregadas de um sentimento de incapacidade para fazer diferente, expondo-se ao determinismo e subjugação dos outros.

Também há outro número de pessoas que faz o que não agrada a si mesmo, mas que faz pelo dinheiro, pelo poder, status ou por algum outro motivo que não corresponda ao ideal interno, tampouco à aptidão inerente. Isso pode ocorrer por falta de habilidades necessárias para almejar aquilo que de fato contribui para a autorrealização, enquanto profissional. Daí é quando se aventuram pela vida a desempenhar quaisquer atividades, o que não deixa de ser uma forma de acorrentar-se a mesmice, à zona de conforto.

Há quem se acorrenta nas crenças limitantes que possui e das que lhe impõem e delas não se liberta facilmente, deixando de crescer na carreira, evoluir na vida ou ter uma mentalidade mais aberta, menos preconceituosa, mais livre e benéfica a si mesmo. Enfim, o que pode propulsionar esse desvencilhamento pode ser o ato de se questionar. Em que área da sua vida você pode ser um “Prometeu”? Talvez essa seja uma boa reflexão para o aumento da vitalidade dos seus relacionamentos e do crescimento na sua carreira.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

QUAIS SÃO SUAS CRENÇAS?
Artigo de Jair Donato*

Até que ponto as crenças que você possui limitam a obtenção dos resultados esperados na sua vida? Você já parou para refletir que poderia ser mais produtivo se conhecesse melhor aquilo que você realmente acredita? Será que o que você pensa sobre dinheiro, amor, sexo, felicidade, saúde, sucesso e uma série de outras concepções é o mesmo que pensam as pessoas que convivem ao seu redor? O que os difere então? O que pode ser percebido é que a identidade do homem é formada a partir das crenças e valores que orientam cada um desde tenra idade, marcados antes de tudo pela subjetividade. E cada indivíduo possui moldes mentais distintos, são frames que modelam o próprio modo de ser delineados pelas percepções, experiências e vivências peculiares.

O que há em você que impede seu crescimento na carreira ou no relacionamento interpessoal? Como o indivíduo vive num mundo de escolhas, e com a probabilidade de poder modifica-las, torna-se importante orientar o comportamento frente às diversas situações modificando antes as crenças que são limitantes. Muito daquilo que te disseram ainda na infância, e isso para você não está consciente, pode limitar seu desempenho hoje. Parece também que algumas pessoas não mudam e acreditam nessa situação, é quando negam o desejo de mudança.

Todo indivíduo vive em função de um sistema de crenças que ele cria. Pode tornar-se mais livre ou não com o uso desse sistema, em função do que representa pra ele os modelos preservados e alimentados internamente. O pensamento gira em torno dessas referências internas. Há um axioma oriental que diz que a rã do poço não sabe que existe o oceano. Cada um possui uma noção de limite que nem sempre corresponde com a relação espaço-tempo em que vive. Há quem deseja a saúde e atrai a doença, quer um salário melhor e isso não acontece, outros se especializam, mas perdem as melhores oportunidades, é como se patinassem, dificilmente chegam aonde desejam. Sequer percebem que podem ser traídos pelo próprio campo de crenças.

Há um conto do Japão feudal, em que um pequeno batalhão estava prestes a enfrentar um exército muito maior. O general, preocupado com a reputação dos homens dele, resolveu adentrar em um templo que havia à beira da estrada para orar. Algum tempo depois ele sai, reúne todos os soldados e joga uma moeda ao ar, dizendo: - Nosso destino está nas mãos dos deuses. Se der cara, venceremos; se der coroa, perderemos. Então, a moeda cai e todos os homens exultam. Deu cara, e todos partem confiantes, para derrotar o exército inimigo que era numeroso.

Após longa e árdua batalha, eis que o destacamento menor vence o maior, exatamente como havia sido previsto. Um dos soldados se aproxima do general e disse: - Realmente, ninguém pode ir contra a sorte designada pelos deuses. O general apenas sorri e mostra a moeda. Ambos os lados era cara. A moral da história é que cada um deve fazer a própria sorte, estruturar as crenças, modifica-las quando necessário for e assumir a responsabilidade de si. 

Crença é algo que ocorre internamente e pode motivar o alcance daquilo que antes era percebido como impossível. Certa vez disse Henry Ford: “Se você acha que pode ou se acha que não pode, de qualquer maneira, você está certo”. Pois a crença é sua, se acha a vida é repleta de cara e coroa ou que tem mais coroa do que cara e vice-versa, assim poderá ser. Crenças formam um sistema que motiva o comportamento humano, limitando-o ou impulsionando-o. Ao pensar sobre si mesmo, sobre o meio em que vive e sobre as pessoas ao seu redor, no que de verdade você acredita?


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 5 de agosto de 2014

ÉTICA INTRAUTERINA
Artigo de Jair Donato*

Minha experiência como docente tem me permitido ouvir diversas respostas sempre que pergunto sobre ética aos acadêmicos dos cursos em que ministro aula. Este é um tema de reflexão que independe da disciplina aplicada, por se tratar de um tema que deve ser trabalhado na transversalidade.

Dentre as várias definições, muitas são repetidas, miradas em conceitos bem articulados sobre o assunto. Mas, certa ocasião houve uma resposta de um estudante recém-adentrado ao ambiente acadêmico que me chamou a atenção por dois motivos. Primeiro, pela naturalidade que ele teve ao se expor. Segundo, pelo conteúdo que ele abordou.

A opinião dele me fez refletir sobre como está o inconsciente coletivo da sociedade. Pois simplesmente disse que o significado que melhor poderia ser dado para ética seria “utopia”. Pensei por instantes no que aquele jovem havia dito e antes de ouvir outras definições, resolvi provocar o início de uma discussão. Utopia? Sim. Estaria aquela definição errada? Aquele cidadão falou algo sem pensar?

Vi naquele momento uma longa distância entre a realidade de um mundo ético e a postura dos líderes atuais, e como ocorre essa influência. Seja na área da política, da administração, da religião, da família ou outra qualquer, de alguma maneira esses campos serviriam de referenciais para a afirmação daquele acadêmico. Pois o que ele afirmou certamente o disse pautado nos exemplos cotidianos apresentados à sociedade, por meio das instituições corporativas, governamentais e demais organizações. Ele não se valeu do conceito, ou seja, da teoria acerca do que deveria ser ética. Tal resposta seria apenas simpática, porém incongruente com o comportamento da maioria das pessoas que provavelmente repete definições elaboradas.

A ética não pode e nem deve ser um conceito, modismo ou uma resposta pronta, como aqueles que são fixados nas paredes de muitas empresas ou nos gabinetes políticos que sequer coadunam com os atos praticados. O delírio pelo poder, pela competitividade e a visão superficial sobre valores e princípios morais, que são comuns no mundo contemporâneo, se dá continuamente pela incongruência entre discursos e práticas de gente que se porta nos papeis de liderança sem ao menos se importar com o exemplo de ética que deveria ser para uma nação inteira.  

Ética, afinal, tem de ser comportamento. É necessário que resida na consciência do cidadão. Defendo a ideia de que ética precisa fazer parte da educação intrauterina. Ou seja, o ser humano, desde a barriga da mãe, já deveria receber as primeiras noções sobre ética. No entanto, para garantir uma sobrevivência social saudável será preciso que o indivíduo que já não está mais no ventre materno e sim no seio da sociedade, reveja urgente a distante visão que possui sobre comportamento ético. E isso se faz somente por meio de atitude.

Vivemos em tempos que em função das alterações climáticas se torna necessário um planeta melhor para as gerações futuras. No entanto, deve-se lembrar da urgência de deixar filhos melhores, educados, dignos, responsáveis e éticos para o nosso o planeta, Isso só será possível pelo exemplo. Na verdade, o maior debate no futuro não será sobre ciência ou tecnologia. Será sobre ética e a moralidade humana.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br