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sexta-feira, 30 de maio de 2014

VOCÊ É ÁCIDO OU ALCALINO?
Artigo de Jair Donato*

Sangue humano com pouca alcalinidade, acometido por acidose, é sintoma de doença, o que pode desencadear uma série de problemas e desajustes no corpo. Velhice é acidez, juventude é alcalinidade. Tem pessoas que mesmo com pouca idade, são velhas em atitudes, ácidas, possuem pensamentos enrijecidos, poucos flexíveis. Os ácidos são substâncias que tem sabor azedo. Contudo, há pessoas na melhor idade que são alcalinizadas, de bem com a vida, simpáticas, saudáveis, e alegres por isso.

Substâncias ácidas são aquelas que dissolvidas em água liberam um tipo de sabor azedo que lembra limão, vinagre, e alguns tipos de frutas. Já as substâncias alcalinas quando dissolvidas em água, liberam um sabor adstringente, lembrando o creme dental e algumas frutas como o caqui verde. Tem pessoas que passam pela vida na via da acidez, são as que reclamam, agem com ingratidão, revoltam-se, por isso tornam-se apáticas, pouco amáveis e doentias.

Substância alcalina é composta por moléculas com excesso de elétrons, enquanto os ácidos são todos os compostos com excesso de prótons. Para que o equilíbrio ideal do sangue no organismo se mantenha, é necessário adotar uma nutrição com pelo menos, cerca de no mínimo setenta por cento de alimentos que alcalinizam, e o restante de alimentos acidificantes. Depende do organismo de cada um, a proporção de alcalinidade pode subir para até cem por cento, reduzindo quase totalmente os efeitos acidificantes. Basicamente, um sangue alcalino fortalece todo o sistema imunológico, o que previne muitas doenças, mantêm o ânimo e a disposição no cotidiano. 

Uma alimentação com predominância de alimentos crus, composta por frutas, hortaliças, castanhas e sementes, evita o processo de acidificação do sangue e provoca aumento da eficiência do sistema imunológico. Analogamente, uma pessoa que vive com naturalidade, que expressa simplicidade e se alimenta constantemente de pensamentos saudáveis, emoções positivas, provoca aumento da produção de substâncias químicas benéficas ao organismo ocasionando aumento da defesa imunológica, isso é o que atestam os cientistas.

O que não combina é alimentar-se transitoriamente de frutas ou quaisquer outros alimentos que combatam alta oxidação e manter pensamentos de acidez permanente nas atitudes. As emoções negativas são ácidas, enfraquecem o corpo e bloqueiam até mesmo a capacidade do organismo absorver determinadas substâncias dos alimentos na totalidade. A hiperacidez é proveniente de um estilo de vida desarmonioso.

No entanto, há ocasiões em que aquilo que é originalmente ácido pode se tornar alcalino; é quando o ser humano vive em equilíbrio. A exemplo do limão e da laranja que mesmo sendo ácidos, quando ingeridos geram resíduos alcalinizantes pelo processo da digestão. Analogamente, na vida, o processo de mudança de atitude pode transformar um ambiente íngreme em fácil local de convivência, dependendo da maneira como as pessoas vivem.

Há pessoas que tentam manter aparência de “boazinhas”, contudo, internamente são ácidas com maquiagens alcalinas, elas agem por puro interesse, sem alcalinidade altruística alguma. A colunista americana Abigail Van Buren dizia que o melhor indicador do caráter de uma pessoa é como ela trata as pessoas que não lhe podem trazer nenhum benefício. Portanto, se uma pessoa trata-lhe muito bem, mas não trata bem o garçom, então esta não deve ser uma boa pessoa. E você, qual tem sido o nível de alcalinidade na sua vida? Pense nisso! Que seu novo ano seja alcalino.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 23 de maio de 2014

PERDÃO, COISA DE GENTE GRANDE
Artigo de Jair Donato*

Quero abordar sobre um assunto relevante para a qualidade de vida do ser humano e que desde o século XX extrapolou os ambientes religiosos. Hoje é um dos principais temas discutidos e pesquisados nos laboratórios científicos das melhores universidades do mundo. Trata-se do perdão e a relação direta que ele possui com a saúde física e mental do homem. Há um caráter científico que explica que além da saúde, também o sucesso no mundo dos negócios e no trabalho dependem de um bom relacionamento.

Uma das sandices existentes no senso comum é afirmar que um ser humano não pode perdoar o outro. “Isso é só Deus que O faz”, afirmam tantos, declarando uma falsa e hipócrita modéstia. Tal crença mais parece um esquivo do erro cometido, talvez por ser mais cômodo deixar que o outro resolva os próprios problemas, mesmo que seja uma divindade. Denota-se certo grau de insanidade no indivíduo que se permite encher o coração de mágoa ou ainda o que ressente profundamente a outrem, abrir a boca para dizer que somente “Deus perdoa”. Ora, quem pode e precisa perdoar, assim como ser perdoado é o próprio homem. A lógica é simples. Parte do próprio coração dele esse sentimento fétido chamado rancor, mágoa ou ressentimento, que é mais poderoso do que a bomba atômica ou qualquer outro armamento bélico já inventado. Certa vez disse um sábio pensador que “Odiar é como tomar um copo de veneno e esperar que o outro morra”.

Perdoar é um recurso reparador de quem odeia, e isso é prodígio da mente humana. Perdão é o outro lado da mesma moeda, de quem odeia ou ressente-se. É a solução que elimina o ressentimento, que é uma criação do ser humano, e, por sinal, está dentro dele mesmo. Perdoar não é necessidade nem interesse de Deus – Ele está acima disso, deve ser interesse do homem. É claro que as pessoas que possuem fé, podem promover o perdão de si mesmas e dos outros mais rapidamente, embora essa não seja a única via, se não houver a educação do próprio comportamento. Afinal, eliminar a mágoa é uma conta que cada um tem que ver consigo, e não esperar que outros resolvam, nem Deus.

Segundo o psicólogo americano dr. Frederic Luskin, criador do Projeto para o Perdão, da Universidade de Stanford, ao desculpar as pessoas, desencadeia-se uma reação que mantém o bem-estar, garantindo o controle das doenças. Pesquisas conduzidas pelo dr. Luskin, mostram que culpar os outros ou apegar-se às mágoas estimulam o organismo a liberar na corrente sanguínea as mesmas substâncias químicas associadas ao stress que prejudicam o corpo. Com o tempo, o acúmulo de compostos nocivos gerados por esses sentimentos causa danos ao sistema nervoso, diminuindo a imunidade. Diz também o estudo que apegar-se a mágoas torna a vida profissional desorganizada e quem assim age toma decisões equivocadas. Comprovou-se que a mágoa tem o poder de criar um desenvolver doenças como o câncer com exata precisão e muitos outros tipos de tumores. Além disso, problemas cardiovasculares, o risco de sofrer um derrame, levando-o à morte, além da destruição psicomental ocasionada na mente de quem abriga esse tipo de sentimento.

Diz ainda dr. Luskin que o perdão também é para os pequenos problemas: se o cliente não retorna a ligação, perdoe. Se alguém rouba o seu cliente, perdoe. Se sua mulher briga porque você está atrasado para o jantar, perdoe. “Perdoar não é esquecer. Perdoar é viver em paz. O exercício do perdão é uma forma de evitar esses males”, conclui.

Há duas competências que auxiliam o desenvolvimento do perdão, tanto no mundo dos negócios como nas relações sociais e na família. São elas a resiliência e a assertividade. Quem não as possui pode passar a vida inteira “engolindo sapo” e se sentindo vítimas do destino, ressentindo-se a cada adversidade. Isso gera mágoas e somente quem é capaz de estabelecer conexões com uma vida de qualidade através do perdão, pode viver melhor. O maior entrave para estabelecer o perdão é que as pessoas resistem a livrarem de si mesmas as amarras que os prendem ao rancor e as decepções. É bom lembrar que perdoar não é tornar o outro impune, é antes eliminar de si mesmo o que entrava o próprio destino. Que tal aprender a pedir mais desculpas, arrepender-se mais vezes e mudar de caminho, pedir perdão a ser mais feliz? Afinal, perdoar é antes de tudo um ato de inteligência, é habilidade de gente grande.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

sábado, 10 de maio de 2014

Consciência sustentável
Artigo de Jair Donato*

Entende-se por sustentabilidade, três principais dimensões. A dimensão da ecologia, que se trata da qualidade do meio ambiente, preservação e conservação dos recursos naturais.  Outro aspecto é o social, uma equidade com respeito aos valores culturais. E por fim, a dimensão econômica, responsável pelo aspecto rentabilidade. O respeito a essas condições significa uma considerável redução de riscos e de certificação da capacidade de agregar valor em médio e longo prazo, para esta e para as futuras gerações.

O foco dos indicadores de sustentabilidade deve ser veemente no monitoramento dessas três dimensões: ambiental, sociocultural e econômica. Segundo o físico austríaco Fritjof Capra, da transição atual para um futuro sustentável não se trata apenas um problema técnico ou conceitual. É antes, uma questão de valores, vontade política e também de liderança. Capra apresenta a visão de que uma sociedade sustentável é aquela que não interfere na habilidade inerente à natureza de sustentar a vida.

O crescimento econômico e principalmente o populacional, até 2100, certamente provocará um impacto ainda incalculável, porém certeiro, na emissão de CO2 no planeta, se não forem tomadas sérias medidas de redução do gás carbônico, o que ainda é o desafio para muitas nações. O papel do governo e do mundo corporativo, com o apoio do terceiro setor e o aval da base científica, é dar mais atenção a esse desafio coletivo, possivelmente o maior desde o início da história da humanidade. No entanto, o apoio definitivo para uma mudança no estilo de vida de todos vai depender muito da disposição de cada um em prol das questões sustentáveis.

Quanto à redução de gases do efeito estufa, recentemente em Varsóvia, na Conferência do Clima da ONU, COP 19, foi alcançado um acordo de princípios para ser firmado como comprometimento da comunidade internacional na Conferência de 2015, que será em Paris, para entrar em vigor em 2020, cujo objetivo é limitar o aquecimento do planeta a 2°C em relação ao período pré-industrial. É mais uma tentativa, e isso é duvidoso. Afinal, já houve formulação até mais rigorosa que esta nas conferencias anteriores, porém rejeitada por grandes países emergentes, a exemplo da China e da Índia. Espera-se uma mínima consciência desta vez por parte dos governantes, visto que o aquecimento exacerbado da Terra não se trata de modismos nem fraude, como queriam os opositores às mudanças do clima. Todos estão diante de algo sério.

Contudo, as constantes mudanças de valores e crenças que ocorrem na velocidade atual exigem remodelagens conceituais e práticas no mundo, seja nos negócios ou na administração pública. Daqui por diante, é preciso mudança acima de tudo, no cotidiano de cada cidadão. O que se espera é a compreensão individual e coletiva, a começar pela sensibilização sobre o uso e o consumo que compete a cada um, no contexto atual, crítico ambientalmente. Afinal não será apenas pela via da política que as mudanças necessárias deverão ocorrer.

Acredito que a via da educação pode ser o caminho mais oportuno e com uma base sustentável que garanta a permanência bem sucedida das gerações futuras. As crianças de hoje, que ouvem e praticam lições ambientais dentro de sala de aula, como laboratório, ao se tornarem os gestores nas décadas seguintes, certamente entenderão isso com mais profundidade; percepção que as gerações de todo o século XX não conseguiram. Afinal, o mundo está diante de uma situação que exige atitude, mais que política, pois essa é uma questão moral. Os fatos comprovam e os alertas oportunizam o que ainda pode ser feito, agora.

*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 9 de maio de 2014

CONSUMO E ATITUDE
Artigo de Jair Donato*

Penso que todo cidadão enquanto consumidor através de ações simples e cotidianas na relação de consumo consciente pode contribuir voluntariamente para a conservação e a preservação do meio ambiente. Pode ainda estimular a melhoria na qualidade de vida desta e das gerações futuras. Quem consome pode fomentar a economia com foco na bilateralidade, onde não haverá perdas para o meio ambiente nem para o social. A consciência é a chave e o poder está nas mãos de cada ser humano que polui muitas vezes pelo consumo exacerbado.

As indústrias, produtores e prestadores de serviços, precisam rever os conceitos de ganho e de produção. Torna-se necessário valorizar mais os recursos naturais e investir em sustentabilidade, e isso é uma visão em médio e longo prazo. Essa é a garantia de maior probabilidade de permanecerem no mercado por muito tempo. Daqui por diante será o consumidor que ditará as regras, a exemplo do cliente europeu, que ao retirar um produto da gôndola, o faz consciente da procedência do que adquire, ele é mais seletivo ao privilegiar produtos para consumo.

Foi o militar britânico Charles Cunningham Boycott, que em 1880 deu origem ao verbo boicotar, considerado como um homem intratável com quem os irlandeses se recusaram a fazer qualquer tipo de transação. O lema do fundador do boicote era não comprar, propositadamente, mercadorias de origem duvidosa e fazer guerra comercial a certos produtos, ou seja, entravá-los. O boicote passou a ser um método padrão da desobediência civil e da política de não-violência, praticado pelos ativistas das campanhas pelos direitos civis nos Estados Unidos. Também na Irlanda do Norte realizadas na década de 1960 e por Mahatma Gandhi.

Gandhi conseguiu quebrar o sistema econômico da Inglaterra e consequentemente dos Estados Unidos através da simples desobediência civil. A população indiana, insatisfeita com a política dos americanos, simplesmente não comprava mais produtos têxteis da Inglaterra. Ghandi não praticou violência alguma. Aliás, nenhum movimento social precisa ser burro, a exemplo de muitos no Brasil, do tipo que invade o que é alheio, depreda prédios ou quebra vidraças. Afinal, isso não é o mesmo que consciência, é mais ausência de educação e pensamento crítico. O boicote do consumidor deve ser a seletividade, individual e coletiva.

Atualmente, além da preocupação com as questões climáticas, o consumo desenfreado precisa ser revisto em face ao aumento populacional que sobrecarrega o planeta, que por volta de 2050 chegará a 9 bilhões de pessoas. Foi-se o tempo que a questão relativa às mudanças climáticas era apenas um tema de interesse de ambientalistas. Atualmente, todos os setores começam a perceber que a economia real pode ser afetada gravemente se não for estabelecido um novo paradigma de produção e de ganho.

A relação das mudanças climáticas com a construção civil, com o uso da terra e também com a energia, a alimentação e a saúde, enfim, com todos os estilos de vida da população, é direta. Na América Latina, por exemplo, média de 75% da população vive em grandes cidades, sem contato próximo nem controle sobre a produção de alimentos. Por isso é importante que quem consome passe a se importar mais com o que leva para casa e se torne mais seletivo. E para quem exerce a cidadania, exercer a escolha sustentável é atitude.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 8 de maio de 2014

ALERTA DO CLIMA
Artigo de Jair Donato*

O alerta de que as mudanças climáticas podem custar a humanidade mais caro do que ela pensa, parece ainda não ter sido entendido. Mas, as catástrofes do clima estão acontecendo em proporções desoladoras nos vários continentes. O grave de tudo é que o que tiver de ser feito tem que ser agora. A garantia da sobrevida destas e das gerações vindouras não depende de mega projetos para o futuro, e sim de ações firmes, sustentáveis e concretas de forma que todos se comprometam com essa causa, já, que antes de tudo, começa dentro de casa, na atitude.

Se nada for feito, poderá custar muito mais caro ao mundo do que foi a primeira e a segunda guerra mundial juntas, além de todo o prejuízo econômico já ocorrido, esse é um alerta dos cientistas. Calcular o preço do planeta, embora os ecoeconomistas simulam prováveis cálculos, é complexo. Porém, a perda dos valores dos recursos naturais é crescente. A ação do homem foi tão degradante em todo o século XX, e continua sendo, que parte do meio ambiente natural que ainda existe, mesmo diante de tentativas de preservação e conservação, já está condenada, como apontam os estudos sobre a Amazônia, que inevitavelmente entrará em período crítico de estiagem a partir do ano de 2025.

Segundo o economista Nicholas Stern, que conduz estudos sobre impacto econômico das mudanças climáticas, se as iniciativas corretas fossem tomadas agora, o custo seria apenas de 1% do PIB mundial. Ele alerta ainda que os pobres em todo o mundo são os que mais vão sofrer. Por volta de 2080, mais de 1,8 bilhão de pessoas viverão com racionamento, mais de 600 milhões sofrerão por escassez de alimentos e quase meio bilhão estão expostos à malária. Culturas inteiras perderão as próprias identidades, a exemplo dos moradores da Ilha de Tuvalu, no pacífico Sul, que se viram diante da perda de tudo que tinham ao serem invadidos pela água marítima. Os refugiados ambientais serão uma situação-problema para os demais países, inclusive os mais desenvolvidos que não estarão fora dos impactos, até porque são os que mais poluem.

Contudo, a questão ambiental é uma crise com devidas vantagens. Para quem tem visão e disposição para fazer diferente, esse é um momento de criar novas oportunidades, de inovar, de reaproveitar, de reciclar, de repensar. Mudança de paradigma no que se refere às questões climáticas não é modismo, definitivamente. Para todos, seja do primeiro, segundo ou terceiro setor, se trata de tendência e dever ser contida nos planejamentos estratégicos.

Há um emergente mercado de tecnologias sustentáveis, ligado a produção de energia limpa, gestão de resíduos, despoluição e tratamento de água, e controle de poluição que promete se consolidar, inclusive no Brasil. Surge um novo paradigma de produção sustentável e de consumo que exige uma transformação, antes cultural. O que sempre foi disponibilizado às custas da exploração começa a ser redefinido, porque o consumidor também está no processo do repensar cotidiano.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

quarta-feira, 7 de maio de 2014

RELAÇÃO COMPLEXA  HOMEM X NATUREZA
Artigo de Jair Donato*

Empresas inteligentes com gestores de negócios que possuem visão de futuro sabem que questões que envolvem as mudanças climáticas são tendências e não devem ser vistas como coisas de estação ou mero modismo. A nobre pauta que permeia os planejamentos estratégicos de organizações visionárias é a sustentabilidade, movida pela perspectiva real de ganho e lucro para qualquer porte e em diferentes setores, seja de energia, recursos hídricos, alimentação, vestuário, transportes, tecnologia da informação, seguros, e da prestação de serviços. O resto é maquiagem verde, processos mascarados.

O mundo da produção e consumo passa por uma alteração radical nas relações com o meio ambiente e precisa urgentemente rever os paradigmas de ganho e de parceria, como forma de se manter no mercado pelas próximas décadas. Diferente da Era da Revolução Industrial, hoje as mudanças, por ser a única certeza que existe, ocorrem numa velocidade que um negócio para se manter precisa ser repensado constantemente. Flexibilidade, negociação bilateral com o social, com a economia e com a natureza é a adaptabilidade que todos necessitam.

Desde as revoluções Científica e Industrial, o ser humano parece ter se considerado superior ao mundo natural. Ele adotou um comportamento mercantilista que deu forças a uma cultura de capital numa relação maniqueísta, e que pouco agrega quando se trata dos recursos naturais. O ambientalista Al Gore, autor do livro e documentário “Uma Verdade Inconveniente”, diz que as consequencias dos problemas ambientais ocorrem tão depressa que desafiam nossa capacidade de reconhecê-las, compreender as devidas implicações e organizar uma resposta apropriada ao tempo.

E o homem continua poluindo mesmo diante de novos paradigmas, ele ainda destrói mais do que conserva ou preserva. Mesmo nas Eras do conhecimento, da informação e da competência, ele continua sem a habilidade de resgatar uma relação de harmonia com a natureza. Parece nada poderá ser diferente se não houver uma revolução de consciência. A evolução humana se torna necessária para cuidar de coisas simples, não apenas em níveis biológicos, mas fundamentalmente em níveis cultural, psicológico, moral e ético.

 “Todos os seres humanos fazem parte da comunidade dos seres vivos e, embora possuam autonomia de existência, não são independentes em relação à natureza”, afirmou reflexivamente o pensador alemão Goethe. Na verdade, a natureza é um complexo que corresponde a todos os seres e a todas as formas de vida. É uma força ativa de ordem natural, severamente alterada por gerações sem consciência, ignorantes a grande teia interdependente da vida.

Contudo, a relação do homem com a natureza não é apenas uma variável política, por isso ela se torna complexa. Essa é uma questão moral e ética para o homem refletir e agir, agora.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 2 de maio de 2014

VOCÊ QUESTIONA O QUE COMPRA?
Artigo de Jair Donato*

Mais importante do que preservar e conservar os recursos do planeta ou adotar alternativas para compensar perdas causadas, é mudar o modo de pensar quanto a utilização desses recursos. O comportamento do consumidor é uma variável que transita entre a necessidade e o desejo, entre o que é necessário e o que está disponível. E dentre o que está disponível há muito de supérfluo e desnecessário, a exemplo dos modismos e das compras por impulso. Você pensa bem antes de comprar? Importa-se mesmo com procedência tanto quanto com qualidade e validade do que consome?

Especialistas observam que os consumidores brasileiros estão mais exigentes e tem feito com que os produtores adotem melhores práticas no campo, por exemplo, com a finalidade de tornar a cadeia de produção de alimentos mais sustentável. O comprador começa a questionar mais e essa é uma atitude saudável. Quando os produtos disponibilizados à base exploratória dos recursos naturais forem refugados pelo consumidor, toda a cadeia produtiva será mudada, condição para permanecer no mercado. Investir em novas fontes de fabricação, na certificação, na rastreabilidade produtiva é um bom negócio na cadeia da produção até a prestação de serviços. Essa já é uma nova realidade, mas ainda há muito que mudar até que se estabeleça uma cultura, que não seja apenas pelo valor mercantil.

É na hora da compra que o consumidor precisa ser mais atento. Pois esse é um momento de filtragem das opções que precisam continuar dispostas nas gôndolas ou nos estoques. Tem muita gente que não percebe o quanto polui o meio ambiente pelas escolhas que faz, através do próprio consumo diário. Desde o uso da energia, o uso incorreto da água, a preferência pelo que põe à mesa, pelo que veste, assim como o meio de transporte que utiliza, o ar condicionado ou aparelhos eletrônicos que adquirem. O que mais polui, na verdade, são os velhos hábitos e a maneira por vezes exagerada de usar tudo sempre como as gerações antecessoras faziam.

Afinal, melhor que despoluir é não poluir. O que é válido na hora de se portar como um consumidor ecologicamente correto, embora ainda não seja fácil, é analisar e optar pelo que causa menos impacto. Há uma série de componentes importantes que não estão embutidos no custo direto do produto que somente com a inserção de novos hábitos podem ser ressaltados. A meta global de sustentabilidade das empresas, dos fabricantes e prestadores de serviços, pode ser controlada pela escolha consciente de quem consome. Toda a emissão de gases poluentes na atmosfera, que está engrossando assustadoramente a camada do efeito estufa, tem como finalidade o consumo, por vezes exagerado, sem consciência. Mudar isso é parte da solução.

Mesmo diante de grandes demandas, tudo começa pela escolha individual. O processo da compra é um ato político e o cidadão tem nas mãos o poder de decidir. É um momento de escolha que pode se tornar numa opção sustentável que afeta a atual e as futuras gerações. Qualidade de vida começa mesmo é na atitude. Saiba que é saudável questionar e reavaliar tudo antes da compra. Afinal, consciência para se tornar qualidade de vida, têm um preço.


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

quinta-feira, 1 de maio de 2014

VOCÊ PLANEJOU SUA VIDA?
Artigo de Jair Donato*

Você possui metas claras, definidas e principalmente por escrito? Pense numa vida planejada, dirigida com responsabilidade e foco. Uma pesquisa realizada em 1953 com formandos de uma faculdade na universidade americana de Harward, a respeito de metas, mostrou um resultado surpreendente. Perguntaram para dois mil acadêmicos já no fim do curso de economia, quantos dentre eles tinham objetivos e metas claramente definidos e por escrito. 85% dos entrevistados responderam que não tinham nem ideia do que iriam fazer após terminarem a faculdade. Já 12% tinham uma idéia vaga do que queriam fazer, montar um negócio, trabalhar em uma grande corporação, voltar para a cidade em que nasceram, trabalhar com o pai, ou prestar um concurso, dentre outras declarações. E os 3% restantes tinham metas claramente definidas e no papel.

Vinte anos após, em 1973, os pesquisadores foram conferir como estava a vida de cada um daqueles profissionais no mercado de trabalho. E o resultado foi realmente impressionante. Aqueles 3% que duas décadas antes, sabiam exatamente o que queriam, valiam mais econômica e financeiramente do que os outros 97% juntos. Sabe o que isso significa? Se somasse a renda daquela minoria, resultava em um montante maior que o ganho dos outros 97%. E mais: a qualidade de vida em termos familiares, atitudes positivas, saúde, viagens, paz de espírito e outros itens, que não dá para contabilizar em números, era muito superior do que dos demais componentes da pesquisa.

Coincidência? Não poderia ser. Acontece que aqueles que faziam parte dos três por cento sabiam o que queriam, como queriam e para onde estavam indo com as próprias vidas. Na verdade, todo ser humano passa pela fase do “construir”, sejam sonhos, ideais, objetivos, além de estabelecer metas e planejar o que for desejável na vida, trabalhar e investir na busca da autorrealização. Porém, nem todos otimizam essa fase através do estabelecimento de objetivos e metas bem claros e definidos. É estratégico um planejamento nas mais diversas áreas, seja pessoal, profissional, financeira, mental ou social, dentre outras. Mas nem todos possuem o comportamento de planejar a vida. Afinal, isso é uma questão de educação. É certo que ninguém planeja fracassar, porém a maioria fracassa por não planejar e deixar-se levar pelas circunstâncias da vida.

Planejar bem é uma política que deve fazer parte também da cultura das organizações desde antes da produção e em todo o processo logístico subsequente. Muitas empresas fecham as portas por falta desse comportamento, assim como ocorre com a carreira de muitos profissionais, que não decolam por não saberem planejar.  

A verdade é que faz muita diferença na vida de uma pessoa ou de uma empresa, no decorrer de uma década, quando há objetivos e metas bem traçados e definidos, de preferência, por escrito. Confúcio afirmou certa vez que “quando você não sabe par aonde ir, qualquer caminho o levará a lugar nenhum”. Então, para que direção mesmo você está seguindo?


*Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br