Total de visualizações de página

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

POR QUE PESSOAS BOAS ADOECEM?
Artigo de Jair Donato* 

Na infância, quando morava no interior, cresci ouvindo minha mãe se expressar, às vezes indignada, sempre que uma pessoa “boa”, segundo ela, amiga, bem vista na sociedade, e que era modelo de liderança familiar, vinha a falecer de alguma doença como câncer. Ela se expressava questionando sobre aqueles que estavam presos na cadeia e eram saudáveis. Por que tais indivíduos viviam tanto tempo com saúde, enquanto aquelas pessoas boas, amigas, que nunca tinham usurpado bens de ninguém, e que não mereciam tais doenças, morriam cedo? Que justiça divina poderia ser aquela? Dizia ela.

Hoje, estudos mostram que pessoas consideradas “boazinhas”, que sempre procuram agradar a tudo e a todos, e que só dizem “sim” sempre que solicitadas, mesmo querendo dizer “não”, podem viver a vida inteira com uma espécie de “capa” para esconder como elas verdadeiramente pensam ou sentem. Elas aprendem esse modelo desde cedo com os pais e educadores, de que para viver bem, serem aceitas no meio social, têm que serem sempre boas e agradáveis. E mais, aprendem que ser “bom” é dizer apenas sim, e agradar os demais, e com isso acabam por não preservarem a si mesmas.

Será mesmo uma atitude saudável dizer sempre sim aos outros, mesmo que não queira? Saber ceder, ter flexibilidade ou empatia são habilidades inteligentes, mas não devem ser confundidas com anulação e submissão do próprio ser.  Por essa razão é que muita gente se torna pouco assertiva nos relacionamentos. Há pessoas “boas” que vivem numa via dupla, do tipo que agrada pais, cônjuges, filhos, parentes, amigos, vizinhos, menos a si mesma. Qual é a consequência desse comportamento? A princípio, vai depender de como a própria pessoa trabalha isso internamente, se ela extravasa, compensa de alguma maneira ou não.

Mas, ao depender da intensidade e da condição cíclica de tais ocorrências, isso pode gerar tamanha frustração íntima, e uma somatória de ressentimentos petrificados que no fim da vida, pode resultar em uma das tantas formas de doenças que corroem por dentro, devido ao processo de somatização, como simbolismo de intransigência no campo emocional. Isso pode ocorrer mesmo que a pessoa envolvida nunca tenha pensado ou “merecido”, como se referia minha saudosa mãe. Afinal, é difícil rotular alguém de “bom” apenas pelo modo aparente do indivíduo se comportar. Essa é uma definição que antes tem haver como os moldes internos de cada um.

Estamos na época do fim de um ciclo cronológico em que muita gente costuma refletir sobre o ano que passou, as atitudes e as ações decorrentes da maneira como se relacionou com os demais. Perdão, reconciliação, melhor entendimento entre as pessoas são mais comuns nesses períodos em que há uma expectativa coletiva de mudança. Então, este é um período oportuno para que cada um repense sobre tudo aquilo que pode ter acumulado, mas que poderia ter sido expresso antes. Que nota você daria hoje para sua assertividade? Quantos sentimentos reprimidos podem ter sidos internalizados? Quantos ressentimentos você pode ter gerado. Lembre-se que eles são prejudiciais, é melhor livrar-se desse tipo de acúmulo. Talvez esse seja o meio mais adequado para preservação da sua saúde física, psicológica e emocional.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

FALSOS PROFETAS
Artigo de Jair Donato*

O perigo do contexto religioso para a humanidade é grande, especificamente quando a religião se torna instrumento de dominação. Não é de hoje que o mundo está permeado de falsos profetas mascarados como “salvadores”, “missionários”, “apóstolos”, dentre uma infinidade de nomenclaturas inspiradas na vitrine de opções sectárias que existe. A finalidade?  Consiste em enganar o povo que a isso dá crédito e iludir a fé alheia. O refúgio para muita gente de moral duvidosa com traços marcantes de perversão, astúcia e manipulação está na religião, como também numa série de outras instituições, como a política, os negócios e até na família. O poder e a vaidade são elementos comuns nesse contexto.

Há uma grande massa, por outro lado, que se recusa a pensar, raciocinar ou mesmo sentir. Essa massa é formada por milhões de vítimas que são estupradas pela persuasão dos falsos líderes que descaradamente “ungem”, “desobesediam” e fingem expulsar “demônios” explorando a ignorância de quem os seguem. Enfim, sambam na cara dos pobres de consciência e carentes, logrados pela astúcia e hipocrisia desses ditos profetas.

Usar o nome de Deus, Alá ou qualquer outra divindade, assim como nome de Cristo, Maomé, Buda ou quaisquer outros encetadores religiosos dignos de admiração e que foram inspirados pelo bem, é algo que comove a maioria dos seguidores. Esse é um caminho seguro para o ataque dos falsos profetas, pois eles agem em nome dos grandes ícones da fé religiosa, algo quase que inquestionável por muitos. Afinal, quem não gostaria de ser “salvo” ou sentir-se ao lado de Jesus? Quem não quer a “salvação” do todo poderoso? Esse é o marketing de muitos lobos que se travestem de cordeiros dentro dos templos para se mascararem, enquanto na vida prática possuem uma realidade bem antagônica ao que pregam.

Dentro do próprio cristianismo está repleto de dissidências más, conduzidas por gente que prega belas palavras, mas dissonantes da própria moral. Gente que rouba tempo, dinheiro e a fé de milhões de pessoas como se fossem a cura das angústias delas. Consta que o próprio Jesus previu o surgimento dos falsos profetas, talvez ele alertou isso para que todos ficassem espertos, o que ainda não ocorreu.

Qualquer um que repensar sobre os métodos efusivos que tais espertalhões utilizam, a condição social em que vivem e o rastro de orgulho que deixam por onde passam, isentos de amor genuíno, consegue identificá-los. Sem dúvida, são astutos, atraem e retém muita gente. São brilhantes na aparência e a força do ego deles se torna o grande alicerce para que construam grandes organizações que impressionam os transeuntes.

Os falsos profetas fundam agremiações dissidentes, mas não deixam de usar o nome do mestre que pregam, por ser coletivamente conhecido. Embora, se pudessem, inventavam o próprio objeto de veneração, só que não teriam fiéis. Outro fator que motiva essa turma de pretensos líderes é o uso do comercio como consequência de um mercantilismo fraudulento, e ainda isento de impostos. Eles administram grandes pontos de venda de produtos para lesarem a fé do povo. Literalmente exploram a credulidade alheia através da lábia, da astúcia e da persuasão, e são preparados tecnicamente para isso. Não são iluminados de fato, apenas os holofotes externos projetam neles para camuflagem das próprias sombras.

Não faço defesas, pois não vejo vítimas nessa história. De um lado se posicionam os que manipulam e tira proveitos. E do outro, fica quem se permite e outorga o próprio poder e até a razão de existir aos exploradores, ao executar ritos infundados e delapidar o próprio senso moral.

Enfim, é a falta de educação moral e do respeito ao ser humano que está presente na personalidade desses falsos profetas, quando chegam aos patamares da efemeridade, triste fim. E como distinguir dentre os falsos e os religiosos sinceros? Antes de tudo, isso deve fazer parte da percepção e seleção de cada um. É preciso mais esclarecimento. Contudo, não é difícil perceber aqueles que exercem e trilham um caminho de nobreza sem preocupação com rótulos e convencimentos. Geralmente estes últimos se encontram fora dos templos estéticos, sem preocupação com fama, dízimos ou rituais. Eles amam, e isso basta.


Jair Donato* - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

PODER DA EDUCAÇÃO
Artigo de Jair Donato

Educar é a única via de acesso para que o indivíduo consiga explorar o potencial latente e agregar o que há de melhor em si mesmo. Já a falta dela é uma força que denigre a moral humana e faz decrépita uma sociedade. A atual crise no âmbito climático, assim como a condição social permeada de violência, seguidos do contexto geral que provoca sofrimento ao ser humano provém da falta de educação. Trata-se de ocorrências que  afetam simultaneamente as dimensões física, psicológica e emocional do indivíduo. Constata-se que a falta de educação dos sentimentos, por exemplo, é um fator que desencadeia patologias e transtornos nos mais diversos graus.

Educação é uma característica que se projeta de dentro para fora, ela já pode despontar desde a vida intrauterina. Educar os impulsos dos desejos, da postura, da atitude mental dos pais infere no desenvolvimento biopsicossocial dos filhos desde a gestação. Pois se não há consciência numa criança ainda no ventre, há por parte de quem a cria e a conduz do útero, tornando-se um processo ainda mais complexo após o nascimento.

A ética, ou a falta dela, os traços de personalidade condizentes ao jeito de se comportar, os processos de aprendizagem, isso tudo são condições intrínsecas ligadas à educação. O educador Paulo freire parafraseia que a educação é uma resposta de finitude da infinitude. E que ela é possível para o homem, porque este é inacabado e educar é um processo implica uma busca permanente de si mesmo.

Visto assim, a educação é uma estrutura da vida humana que está muito além das instituições formais de ensino. Ela abrange mais do que apenas o desenvolvimento do intelecto. Uma pessoa educada não necessita se afundar no vício para prover a si mesma momentos de alívio. Tampouco se torna dependente religiosa, como a muleta para se esconder. Se ela se torna religiosa, é por espontaneidade ou afinidade, não para valer-se de estados de fuga.

O autocontrole, conhecer a si mesmo, aprofundar-se no mecanismo da autopercepção é educar-se para a vida. Estes são processos que propiciam a qualquer processo de aprendizagem e flexibilidade para conviver na diversidade do ambiente externo.

Lidar bem com si mesmo, com as próprias frustrações, sentimentos de perda, ansiedade e sobressair-se no desafio da convivência social, isso tudo vem de uma mente educada. Quem não possui essas habildiades, facilmente de descompensa, mesmo que por razões torpes.

Enfim, educação é uma via de espiritualidade que torna o homem mais humano, sensível, acolhedor e altruístico. A falta da educação mesmo que no contexto religioso, gera pessoas fanáticas, corruptas e mal intencionadas. Educar-se começa pelo autoconconsciência.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

PARA ONDE VOCÊ VAI?
Artigo de Jair Donato*

Você tem consciência daquilo que quer para sua vida? Certa vez uma pessoa perguntou a outra: Eu costumo correr cinco mil metros por dia, será que é pouco, muito ou está bom? Ao que teve como resposta, outra pergunta: Qual é sua meta? Quantos metros você estabeleceu para correr por diariamente? Comparando com outras pessoas da sua idade e com semelhante estado de saúde, você está na frente, atrás ou ao lado? Comparando com o que você corria há dois anos, você está correndo mais ou menos?

Há quem simplesmente afirma que quer ganhar mais dinheiro. Mas, o que é mais dinheiro? Faça essa pergunta para um empresário de médio porte, para um grande investidor, para um servente de obras ou para um pedinte de esmola. Certamente terá respostas diferentes, valores diferentes. É comum ouvir pessoas dizerem que o maior objetivo delas é serem felizes. Será que ser feliz pode ser objetivo de alguém? Afinal, a felicidade é um estado de espírito. Por isso não há necessidade de depender de conseguir algo para ser feliz. Basta aceitar-se assim mesmo como está, aqui e agora, qualquer um pode alcançar esse estado.

Contudo, há quem pense que a sensação de felicidade possa advir de algo externo ou depender de outrem. No entanto, pode haver uma pessoa abastada e outra carente, ambas infelizes, esperando conseguirem nem sabem o que, para então afirmarem-se felizes.

Há uma passagem no livro “Alice no País das Maravilhas”, que apresenta um diálogo entre a personagem Alice e o Gato, quando ela está numa encruzilhada, sem saber ao certo para onde ir.
Alice - Poderia me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui?
Gato - Isso depende muito do lugar para onde você quer ir.
Alice - Não me importa muito onde.
Gato - Nesse caso, não importa por qual caminho você vá.

Saber o objetivo da caminhada que percorremos nesta vida é essencial para cumprir nossa missão. “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho o levará a lugar nenhum”, disse sabiamente o filósofo chinês Confúcio.  Alice não tinha uma direção naquele momento da encruzilhada, o mesmo pode ocorrer na vida do ser humano, caso ele não tenha um projeto de vida.

Desde o início do pensamento através da filosofia, com os pré-socráticos, o planejamento tem sido um tema destacado pelos gurus, sábios, religiosos, reis, guerreiros e grandes líderes sociais e políticos. Segundo Platão, vivemos no mundo da segunda criação. Ou seja, tudo no mundo é criado duas vezes. A primeira é no mundo mental, das ideias, importante na fase do planejamento. E a segunda criação é no mundo físico, a fase da concretização. Então, através de um pensamento elaborado, levado ao campo do esforço e da prática é que se concretiza efetivamente o que foi idealizado. Apenas o desejo não tem força suficiente para realizar os sonhos, é preciso sonhar, projetar e executar.

O guru da administração, Tom Peters, afirmou que nos próximos 20 anos, todo o trabalho dos executivos do planeta será desenvolvido por meio de projetos. Planejar a vida é mesmo uma questão de atitude. Qual é o seu referencial de resultado? Como você nivela atualmente suas tomadas de decisões? Você possui foco ou deixa a vida te levar? Saiba que a escolha é importante porque é antes de tudo um processo de aprendizagem. O fato é que não decidir é o mesmo que decidir, pois a escolha é sempre inevitável. Agora pense sobre o que você quer para sua vida.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Autoliderança - Jair Donato



Você lidera bem a si mesmo? 

Veja os 5 passos para sua Autoliderança – com o consultor, jornalista e educador Jair Donato. Um programa da série "Desenvolvimento Humano", com o jornalista Luiz Fernando.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

PROTEGER A TERRA DOS DANOS DO HOMEM
Artigo de Jair Donato

Acabou a era dos avisos. A humanidade já está diante do maior alerta para a mudança do estilo de vida das pessoas antes que o planeta reaja de maneira mais agressiva expurgando ou tornando inviável a vida milhões de habitantes em vários continentes. E o motivo todo mundo já conhece, embora muitos ainda agem de maneira insensata. São as alterações climáticas, devido vultosa emissão de gases poluentes na atmosfera e exploração abusiva dos recursos naturais. Será preciso mudança de todos os lados, dos governos, do mundo corporativo e principalmente de cada cidadão consumidor, que tem o poder da escolha na hora da aquisição. Todos em potencial são poluidores.

O que se almeja é um consumo mais consciente e o uso racional dos recursos dispostos na natureza, seja água, energia, alimento e todas as variáveis que implicam no meio ambiente e na economia. Nesta primeira quinzena do último mês de 2015 será a oportunidade para a maioria dos líderes de países do mundo inteiro firmarem um acordo Conferência do Clima, que ocorrerá em Paris. Vinte e três anos após a ECO-92, no Brasil, o que se espera agora é maior responsabilidade especialmente dos países altamente poluidores. O peso da poluição na terra tem sido devastador.

Há uma observação feita pelo pai da administração moderna, Peter Druker, que chama atenção para o fato do poder destruidor da civilização humana contemporânea"O século XX testemunhou o surgimento de uma nova e importante tarefa: proteger a natureza do ser humano". Isso é reflexivo, e necessário. Contudo, este planeta, como em todas as eras de aquecimento e arrefecimento que já houve, se refez, brotou, floriu novamente ao longo dos quase 5 bilhões de existência. A vida do homem, que há pouco existe por aqui, é que está em jogo. Cuidar do meio ambiente, portanto, é uma defesa em causa própria, é manter qualidade de vida para si e para as próprias gerações que virão. Falta mesmo é amor e gratidão na relação do homem com o meio ambiente.

O maior desafio para os negócios e para a sociedade em geral neste século é a continuidade da produção e o aumento do consumo, porém, com redução das emissões dos gases que causam o efeito estufa. E o compromisso das empresas em todo o mundo com a redução desses gases será a estratégia que garantirá uma boa imagem como alicerce da reputação no mercado. O negócio de qualquer empresa tem o foco no lucro, é assim que a economia cresce. No entanto a missão de uma organização deve ser muito mais ampla do que apenas lucrar, precisa contemplar todos os aspectos do meio em que sobrevive. Essa pode ser a melhor forma de ganho.

Fundamentalmente, este novo ciclo da história da humanidade remete o ser humano a uma consciência mais desperta para as questões ligadas à preservação e conservação dos recursos naturais. Espera-se que isso se converta em bom senso e na sensibilidade do homem frente às questões ambientais. Espera-se que empresários, administradores, gestores e líderes percebam que as ações em prol das causas ambientais são importantes por uma questão de sobrevivência não só dos negócios, mas da raça humana. Portanto, trata-se de uma tendência que o mundo precisa adotar. Sejam pessoas ou organizações do primeiro, do segundo ou do terceiro setor, todos possuem responsabilidades.

Em tempos de aceleradas alterações climáticas o maior dilema ético é sobre o que cada um pode fazer para que o planeta superaqueça menos do que o esperado. O uso e o consumo consciente, a partir de agora, deve se tornar uma cultura de âmbito global. Evitar o excesso e se tornar seletivo no uso e no consumo pode ser uma política de solução tanto coletiva quanto individual, mediante a necessidade humana de viver em harmonia cada um consigo, com os demais seres e com o meio ambiente que o circunda.

O filósofo Platão, discípulo de Sócrates, disse que tudo começa no mundo das ideias. E o pensar sustentável é o que conduz a uma atitude ambientalmente responsável, que motiva o ser humano a agir em prol da mudança e fazer diferente. Há uma expressão que diz: “Você não pode escolher como vai morrer ou quando. Você só pode decidir como vai viver agora.” Penso que cada um pode refletir melhor sobre isso e fazer do “agora” um ambiente melhor.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 24 de novembro de 2015

VOCÊ TEM SORTE?
Artigo de Jair Donato

O que suscita na sua mente quando você ouve ou lê esta pergunta? Sorte pode ser um termo mentalista que para muita gente envolve a concepção de mistério, magia ou crença no sobrenatural. Contudo, para quem é objetivo, há uma visão racional e convincente sobre o que seja sorte. É um olhar prático que faz muita gente bem sucedida e que atrai resultados precisos. A junção do preparo mais a oportunidade é uma racionalização oportuna para explicar o que é sorte. Afinal, toda pessoa bem preparada mediante qualquer oportunidade, só resta-lhe ser bem sucedida. E mesmo que a oportunidade não surja de imediato, quem tem o preparo a cria. Essa é a realidade de maior parte dos empreendedores.

Certa vez conheci a história do homem intitulado como o mais sortudo do Brasil, um carioca, administrador e na época com 24 anos. Trata-se de uma história sem trevos com quatro folhas no contexto, nem patuás ou crenças injustificadas. Na época ele já havia ganhado uma casa de quase cem mil reais e um automóvel importado cujo valor era de 150 mil. E mais, computador, fogão, bicicleta, geladeira, freezer, micro-ondas, máquina de lavar, DVD, jogos, móveis, roupas, título de previdência privada, dentre outros prêmios. Segundo o sortudo, houve meses em que ele chegou a ganhar mais de vinte promoções.

Qual é o segredo para aquele homem de sorte ganhar tanto assim? Você tem ganhado o que nos últimos tempos, especialmente nas promoções que existem no mercado? Se não tem ganhado nada, deve ser mesmo porque você não em sorte. Mas, por que esse rapaz tem tanta sorte assim? Segundo o cineasta, Wood Allen, noventa por cento do sucesso se baseia simplesmente em insistir.

Dois fatores foram fundamentais para que aquele administrador se tornasse um sortudo. Primeiro, ele aproveitava todas as oportunidades de promoção e se inscrevia nelas. Você se inscreveu em quantas promoções no último mês? Ele se inscrevia em mais de vinte mensalmente. Entende agora porque você pode não ter tanta sorte. A ideia é a de que quanto mais você se movimenta, entra em ação e pratica, mais sortudo você fica. O hábito daquele sortudo de participar de todas as oportunidades foi algo aprendido. Esse é o segundo fator importante para o sucesso dele.

Numa entrevista, a mãe do rapaz disse que quando ele era criança, tinha como principal brincadeira, sortear papel picado. Ele jogava vários papeis para o alto e exclamava para si mesmo que havia ganhado. Era uma brincadeira que mudou a vida da família. Foi nesse período que aconteceu algo importante para o aumento do índice de sorte dele. Pois dessa maneira ele treinou a rede neural do cérebro com a convicção de que tinha sorte e poderia ganhar tudo aquilo em que se movimentasse e participasse.

A consolidação da sorte para qualquer pessoa é a mesma. Ou seja, entrar em ação. Há muita gente que almeja ganhar um sorteio sem sequer preencher um cupom ou ganhar numa loteria sem efetuar um jogo. O rapaz treinou o cérebro numa fase importante do desenvolvimento da vida dele, ainda na infância, o que também pode ser feito em qualquer época.

Vale refletir um pouco sobre suas crenças. O que disseram a você na infância sobre o ato de possuir as coisas. Você cresceu ouvindo que “sorte é para poucos” ou que “não é para qualquer um?” Da próxima vez que algo não der certo para você, apenas reveja se seu cérebro foi treinado para isso. Na vida tudo é aprendizado. A maneira como o cérebro aprende, assim o executa. O desinteresse de muita gente para não aproveitar as boas oportunidades é o que as faz sem sorte. Há um provérbio africano que diz: “Se você acredita em reza, então reze. Mas, enquanto isso vá fazendo”. Começa por ai. E aproveite as promoções do fim de ano. Boa sorte na vida!


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 17 de novembro de 2015

DINHEIRO NO RALO E PUBLICIDADE DO GOVERNO
Artigo de Jair Donato

Qual é a razão para o governo federal dissolver pelo ralo quase 60 milhões de reais numa campanha publicitária apenas para apresentar o slogan de que é possível enfrentar e vencer a crise? Essa é a justificativa numa alusão às olimpíadas de 2016. E mais, a presidente do país explicou, e muito pouco, que isso fortalecerá o slogan de que “Somos todos Brasil”. Só que não. Está na hora dos governantes agirem racionalmente com foco no bem comum. Seguindo o exemplo, essa é reação é em cadeia. É uma cultura presente em todas as esferas do governo, do federal ao municipal, que precisa ser mudada.

Infelizmente, mediante medidas para redução de gastos, vejo o governo do Estado de Mato Grosso investir altas cifras para uma ação de efeito apenas estético. Veiculam-se principalmente na TV, peças publicitárias cuja produção não é barata. Uma é para mostrar as frentes de trabalho que o governo está encetando. Outra ainda mais absurda é tão somente para mostrar que o governo está pagando uma cifra, que ficou por volta de 3,8 milhões, para uma consultoria apontar se será viável ou não a implementação do VLT, do qual um bilhão de reais já se foi. Pode isso? Por que não mostrar apenas o resultado daquilo que conseguir ficar pronto? Já seria uma redução de custos. Quer mais? Recentemente foi lançado edital de concorrência pública para contratação de agências para que elaborem projetos e campanhas institucionais e de utilidade pública no valor de R$ 70 milhões para um contrato com vigência de 12 meses, e pode ser prorrogado. Chupa essa manga contribuintes.

Em tempos de agilidade nas vias de comunicação o governo tem meios de divulgação suficientes para elucidar sobre o que investe, sem ter que necessariamente ocupar horários nobres para uma superprodução da própria gestão. É um absurdo justificar que isso é para manter o povo informado. Comunicar é preciso, mas falo do princípio da necessidade que é achincalhado com o intento de campanhas dessa natureza. Quantas campanhas publicitárias sobre obras faraônicas ficam apenas na veiculação, e nunca são terminadas? Se o governo começar apenas por investir em campanhas referentes às obras entregues, já daria um passo consciente.

Sabe o que é mesmo necessário? Seria reduzir tamanha superficialidade e destinar maior parte desses recursos ou pelo menos metade deles em favor dos hospitais públicos que matam pelo péssimo atendimento. E as escolas, aonde a violência se instala, acha que elas não poderiam ser beneficiadas com isso? Além dos incrementos na infraestrutura dos serviços públicos, eles não seriam melhores beneficiados se essas verbas fossem destinadas para essa finalidade? É muita maquiagem no âmbito do governo. Os gestores públicos sambam na cara do povo fazendo uso de verbas para politicagens que servem antes para eles como campanhas publicitárias para reeleição dos próprios egos, do que atenderem ao bem comum.

Sei da nobreza da publicidade e da importância do trabalho dos publicitários neste país. Não é da prestação de serviço deles que me refiro, até porque os que se beneficiam da enorme fatia do governo são bem poucos em relação ao mercado que existe. Sei que a publicidade é uma ponte que se move entre o mundo corporativo e o consumidor. Mas, no mundo dos negócios, o investimento corresponde aos fatos, o que não ocorre no setor público. O empresário investe e não apenas joga dinheiro fora a esmo como faz a máquina pública. O mercado publicitário é um negócio e os profissionais estão aí para produzirem e fomentar a economia, portanto não deponho contra eles. O que chamo atenção é o absurdo que o governo faz ao destinar verbas altíssimas, que sequer beneficiam toda a classe publicitária. Isso é o mesmo que encerrar a casca da maçã para dar brilho, cujo conteúdo anda bem podre na maior parte das instâncias. A falta do equilíbrio é a derrota de qualquer gestão.

Ou talvez, eu esteja errado. Não há mesmo problemas sociais no Brasil, pois se tem dinheiro de sobra. Ha escolas, hospitais, estradas, segurança, emprego e moradia para todos, sem contar a infraestrutura impecável nos serviços públicos. Afinal quais seriam os impactos das centenas de milhões de reais que ao invés de investirem em publicidade de autopromoção, fossem destinadas a educação, saúde, transporte, segurança pública e emprego? Investimento sem necessidade também é corromper o erário concedido pela sociedade. Pensa quanto o Brasil joga pelo ralo anualmente com publicidade que não corresponde aos fatos. Na verdade, essa é uma ponta do iceberg, a exemplo de uma série de desperdício monetário em vários outros setores. Daria uma série se em cada artigo escolhesse uma área em que dinheiro público é gasto sem uso do princípio da necessidade, tudo isso pela cultura da displicência com o dinheiro público.

Um questionamento para os governos. Será mesmo que desperdiçar milhões em campanhas publicitárias é a maneira de deixar mais claro para a sociedade sobre o que está sendo feito? O que será que tem maior poder de alcance: imagem ou reputação? Pense no impacto que pode produzir apenas na divulgação de relatórios de obras concluídas. Traria ou não maior benefício para a sociedade, além de permanecer na memória de todos em longo prazo? Isso é reputação. É algo que por mais vultosa que seja uma campanha publicitária, ela não consegue proporcionar.

Estimo que nesta ocasião de guerra contra a corrupção e movimentos em prol da ética, o governo se perceba melhor e contribua com a nação sendo mais parcimonioso na fala e nos gastos, além de mais contundente nos resultados. Será preciso um basta no continuísmo do mau uso do dinheiro público, um vício cultural que necessita ser extirpado.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O MUNDO NÃO QUIS OUVIR
Artigo de Jair Donato

A Organização das Nações Unidas após análise dos planos para redução de gases poluentes firmados por mais de 170 países, divulgou recentemente que ainda não foi feito o que prometeram. E que o atual cenário no planeta pode mesmo levar a temperatura a chegar a 2,7º, acima da meta acordada até então. Esta situação será apresentada em dezembro, na Conferência do Clima, que ocorrerá em Paris. Mas, o que impedem as pessoas de atentarem-se aos alertas?

Enfim, há décadas que isso não é novidade. A história do homem na terra desde os primórdios saiu de uma postura de dependência e submissão, seguida por uma visão sacralizada sobre a natureza até chegar ao antropocentrismo. Foi a partir desse contexto que a exploração desenfreada cujos impactos perdurarão por milênios daqui por diante passou a perder o limite. Mais recentemente, ao longo do século XX, o relacionamento entre o homem e o planeta alcançou grande proporção de transformação, sobretudo na percepção dos transtornos ambientais que ele tem provocado.

Os sistemas ambientais de maneira global não apresentam respostas lineares. É por isso que pequenas perturbações a esmo no meio ambiente podem provocar grandes efeitos e de formas inesperadas. É isso que tem ocorrido nas últimas décadas. Nada mais pode ser entendido isoladamente, sem uma visão sistêmica. Não dá para alguém dizer que em determinado local ou o que ele faz de antagônico à natureza não seja prejudicial ao todo. Qualquer ação sem planejamento gera progressões inimagináveis numa velocidade não esperada. São efeitos que se desdobram em outros.

Pensadores antigos ainda do século XIX, como também naturalistas, filósofos, intelectuais, religiosos e artistas já retratavam sobre a importância de uma consciência ecológica devido a poluição industrial e a destruição das matas nativas, como no caso do Brasil colônia, fato que provocava indignação até nas pessoas comuns da época. E de lá para cá ao fazer um retrospecto da área ambiental, há uma enxurrada de alertas, movimentos, relatórios e gritos de socorro em prol do planeta. Mas, pouco foi feito até agora.

Mas essa era uma época em que problemas ambientais afetavam apenas os trabalhadores. Foi a partir da segunda metade do século XX que os impactos gerados no planeta começaram afetar as classes mais favorecidas que o mundo passou a dar mais atenção ao fato. Hoje, a proporção é tamanha que afeta a maneira de viver, a qualidade do ar, a temperatura e a economia em escala global. Será que será possível um despertar a tempo? Se o mundo ainda não acordou de fato, não tem sido por falta de alerta.

Desde antes da década de 1950 que vieram surgindo no mundo, especialmente no científico, movimentos, estudos com indicadores sobre a preocupação ecológica. A Carta de Atenas, de 1933, redigida por uma equipe de arquitetos, que pontuava algumas críticas pontuais sobre essa temática. Após vários outros movimentos, surgiu a criação da Organização das Nações Unidas, em 1945, que além da paz e dos direitos humanos, gradativamente foi assumindo cada vez mais a percepção sobre a preocupação com as questões ambientais. Hoje é a responsável por chamar os países para as conferências globais sobre a situação do planeta, como a que vai ocorrer em dezembro deste ano na França.

O mundo inteiro sabe sobre os marcos que foram as conferências de Estocolmo, em 1972 e tudo que ocorreu como avisos até chegar a Rio-92, no Brasil em 1992. Relatórios, estudos, aferições, dados precisos já foram apresentados sobre o caos que está nas condições climáticas da terra, especialmente nas últimas décadas. Mas, poucos líderes governantes assumiram entusiasticamente tal compromisso em nome das nações mais poluidoras do planeta. É inegável que cresceu uma consciência ambiental neste tempo, mas os impactos ambientais têm sido ainda maiores.

O ambientalista americano Al Gore diz que as pessoas se acostumaram a pensar em mudanças por um período bem curto, como uma semana, um mês, um ano, quando muito, por um século. Contudo, a maioria das pessoas não consegue enxergar esse novo padrão da nossa relação com o meio ambiente que tem sofrido exacerbada transformação. Isso ocorre porque ele é global e não estamos acostumados a uma nova visão espacial assim tão ampla. Mas, penso que é preciso que o mundo veja isso o mais rápido que puder. Já não estamos mais na era dos avisos, o mundo está em alerta. Que a humanidade possa adentrar 2016 com compromissos mais sérios sobre o meio ambiente. Isso reforçará o que for definido na Conferência do Clima, em Paris.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br  

terça-feira, 27 de outubro de 2015

O PRAZER DE NEGAR
Artigo de Jair Donato

Sabe o perfil de pessoas que quando você necessita de uma ajuda ou colaboração, antes elas naturalmente negam o que foi solicitado, mesmo sendo possível atender ao pedido feito? Pois é, essa é uma maneira controversa delas se comunicarem. Se você pede uma informação, mesmo que elas saibam, antes negam. Quem age assim só se disponibiliza após o ato concreto de negar. Constata-se que há um tipo de prazer envolvido sempre que algo é negado. Pode ser que elas nem percebam, ou não querem ver. Se isso ocorre ocasionalmente, sem problemas. Porém, se é algo cíclico no comportamento, pode ser o resultado de traços comportamentais que atrapalham a elas mesmas, além de desagradável para os que convivem ao redor.

Mas, o que ocorre em seguida? O negador vem ordeiramente e se presta a fazer o que foi solicitado como se nada tivesse ocorrido, o que pode ser mais uma crise de consciência do que solidariedade. E como autodefesa se justifica dizendo que deu um jeitinho para poder ajudar. Afinal, ele já teve o efêmero momento de prazer ao desapontar o outro, ou se frustrou por ter visto que o outro nem ligou para o que ele não fez. E, quando ele não nega, no mínimo coloca uma série de barreiras e dificuldades para o ato de servir com naturalidade. O prazer está em gerar o mesmo desconforto no outro que um dia ela teve, de ter algo negado, é assim que se sente detentor, poderoso. Esse é um movimento que se a pessoa não perceber nem corrigi-lo, provavelmente será replicado pela vida inteira.

Esse é o indivíduo que difere das pessoas agregadoras, que são aquelas que se disponibilizam antes de negar ao menos para ouvir o outro, entender melhor a necessidade dele para depois dar uma resposta certeira, sem arrependimento. É claro que nem sempre podemos atender a tudo que os outros precisam, pois as vezes há limites da nossa parte. Além do que fazer tudo que os outros pedem pode ser doentio. Isso já seria uma linha oposta de quem nega, seria como justificar a anorexia pela bulimia. Qual então o melhor caminho? O equilíbrio, o que é fundamental nas relações. Se você vive em família ou em equipe dentro das organizações, ou até mesmo no meio social com os amigos, é o ambiente onde deve haver a colaboração ou no mínimo, a boa vontade. É óbvio que nem sempre você conseguirá atender a todos, mas negar o tempo inteiro não é atitude saudável. Tanto aquele que diz sim para tudo como o que a tudo nega, sabota a si próprio.

A atitude de negação nem sempre está relacionada a uma postura de maldade, o que não deixa de ser, antes para próprio negador. É que isso de alguma maneira foi aprendido no decorrer da vida e pode resultar-lhe consecutivamente em ganhos secundários, tais como se sentir melhor e mais importante ou ser reconhecido e com poder. Enfim, encontra-se tal comportamento também em gente de boa índole, que se autopune constantemente por agir dessa maneira, o que gera uma imagem negativa em torno de si mesma.

Este é um típico traço característico de neurose: nega, mas faz. É um comportamento que provoca a ilusão de poder e provisão, um alívio momentâneo para a frustração que o próprio sujeito carrega talvez por terem negado a ele no passado os desejos que tinha de liberdade e de posse. Quem sabe um retrocesso a infância do sujeito que age assim possa explicar algo dessa natureza. Pessoas que geralmente foram criadas num ambiente de negação, que foram privadas daquilo que causavam prazer a elas, seja a aquisição de brinquedos, de roupas ou até mesmo de comidas nos momentos que desejavam, podem desenvolver traços de negação na fase adulta. Mas, é óbvio que o mundo nada tem a ver com isso. Seria como cobrar uma dívida de quem não a contraiu. É por isso que gera desconforto.

Daí o indivíduo vive como se passasse o tempo todo tentando recompensar a falta sentida numa espécie de vingança, negando aos outros aquilo que a ele foi negado. Isso se torna algo gera prazer mesmo no desprazer. A pessoa naturalmente desenvolve mecanismos de apego em relação ao dinheiro que ganha, age de forma desconfiada quanto a segredos bobos, daqueles que ninguém quer saber. Enfim, a frustração é para vida toda porque ela nunca vai reaver o que nunca teve. Quando ela nega e depois oferece, é como se reaviesse algum poder, é o momento quando posa de benfeitor. Só que não, pois isso desagrega e descontenta os demais. Deixar o outro esperar um pouco mais para depois ajudar, agir satiricamente ou esboçar humor irônico e sarcástico, antes de uma ajuda dá a ilusão de alegria a quem tem esse perfil.

Mas, se sou assim ou conheço pessoas que agem dessa maneira, o que fazer? Talvez a percepção de si no caminho da negação contínua junto à escolha de doar-se mais seja o caminho para uma reversão. Por ser um movimento que na maior parte das vezes é inconsciente, a autopercepção ou a busca de ajuda pode ser a saída. A verdade é que há um emaranhado de complexidade em tudo o que compõe a estrutura das relações no comportamento humano. Vale refletir.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 20 de outubro de 2015

PROJEÇÃO
Artigo de Jair Donato

Por que determinados comportamentos simples de uma pessoa incomodam tanto a outra, enquanto nada significa para alguém que talvez esteja no mesmo ambiente? Já ocorreu com você de se irritar com a fala, gesto ou modo como alguém conduz uma ação, enquanto para outras pessoas ao seu redor o mesmo estímulo parecia agradável e fonte de admiração? Frequentemente vejo pessoas criticarem determinadas situações ou estilos de outrem ao se comportarem, quando tudo que elas queriam era ter aquela mesma espontaneidade de agir, mas se reprimem o tempo todo enquanto atacam como defesa para se esconderem de si mesmas.

Projeção é um fenômeno da mente humana. Trata-se de um mecanismo que se dá cada vez que o indivíduo atribui a outra pessoa os próprios sentimentos, pensamentos e emoções inaceitáveis ou mesmo defeitos pessoais que não pretende aceitar. Projetar quer dizer arremessar. Para a psicologia a projeção é um mecanismo de defesa. Ela pode ser algo que permite uma diminuição de ansiedade cada vez que o sujeito irradia no outro determinado impulso indesejável ou não, principalmente pela via do inconsciente.  

A corrente psicanalítica encetada por Freud desenvolveu a teoria da Projeção, que explica que geralmente quando o indivíduo abriga sentimentos ameaçadores, reprimidos e que não deseja tomar ciência deles, isso é arremessado, projetado em alguém. É um movimento em que o indivíduo repele e expulsa dele mesmo sejam qualidades, sentimentos, desejos ou mesmo objetos que ele recusa e também desconhece. Em seguida localiza isso no outro, pessoa ou situação,

Um exemplo dessa natureza é o comportamento que a pessoa adquire de culpar os outros pelo próprio fracasso. Isso porque se torna mais cômodo e menos doído atribuir a culpa a outrem do que tomar consciência da falha cometida. Este pode ser um movimento que se replicará por toda a vida, exceto se ela buscar ajuda para tornar consciente a própria fraqueza e provocar a mudança. Mas, o indivíduo pode achar isso muito caro e para não investir nessa empreitada, ele passa a vida inteira em fuga. Contudo, se arriscasse poderia ver o que o barato, ou seja, permanecer como está é o que lhe custa muito mais. Afinal, ele banca isso só para não se expor a si mesmo.

Tais conteúdos projetivos podem ser advindos desde ao longo da infância ligados à repressão, ao medo da castração, dentre outros equivalentes psíquicos e que no percorrer do tempo, embora atemporais, foram gerando frustrações que se projetam no contexto do relacionamento humano.

O cotidiano das pessoas está repleto de exemplos de projeção. É o caso daquele pai ou mãe que se frustrou na vida ao fazer o curso que não queria e que tenha trabalhado com o que não lhe trouxe realização, o que resta a ele? Manipular o desejo dos filhos para fazerem o que não querem sem respeito à individualidade deles, é sugar tal realização para si. Ou aquela mãe que enche a filha de bonecas, sendo que a menina nem liga tanto para isso. Na verdade, as bonecas nem são para ela, pois é o alimento da infância que essa mãe nunca teve.

Na empresa, pode ser aquele chefe que persegue um membro da própria equipe quando o acusa de pouco ágil, incompetente e descomprometido, quando tudo o que provoca a ira do chefe é a liberdade que o subordinado tem de viver o próprio tempo e lidar bem com a frustração. Tem o exemplo da recatada, que no shopping center lança ironicamente o olhar enviesado àquela mulher fina e bem vestida que adentra esfuziante com o decote à mostra e a cadelinha no braço, e comenta: “Olha a roupa daquela perua, se veste muito mal e aqui nem é lugar de transitar com cachorros”. Triste arremesso. Não que ela talvez desejasse ter aquele cachorro ou o vestido daquela mulher. Mas a elegância e a liberdade de transitar sem se preocupar com o que os outros poderiam dizer é tudo o que aquela recatada nunca teve, por isso projeta através da inveja e da ironia toda a frustração acumulada.

Você já ouviu falar no adágio popular de que tudo que vai, volta? Então esse é um fenômeno apresentado pelo psicanalista Jung como contraprojeção, algo que é uma espécie de efeito da projeção do próprio sujeito. Foi Nietzsche quem deu um claro exemplo do que é contraprojeção ao se expressar que "aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Pois quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo também olha para você”.

Há pessoas cujo foco na vida se concentra em comentar sobre a vida dos outros. Tecem falatórios sobre o que eles usam, viagens e lugares que frequentam, bens que adquirem ou amizades que conquistam. O aparente desprezo por aquilo em que é criticado pode ser mais que a incompetência em admirar. Gente que desdenha, fala demais sobre o que detesta, despreza, condena e satiriza, acaba por atrair sempre mais daquilo, tamanho é o impulso inconsciente gerado. E o senso comum logo apelida isso tudo de inveja, recalque ou algo do gênero.

“Quase todas as pessoas que observei recriminado os outros caíram naquilo que criticavam”, assim pontuou o espiritualista brasileiro Francisco Cândido Xavier, alguém que conviveu com centenas de milhares de pessoas. Talvez, o mais importante na observação desses fenômenos humanos seja a consciência dos próprios movimentos.

Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

SABE TUDO
Artigo de Jair Donato 

Há momentos na vida em que o ser humano emperra o próprio autodesenvolvimento pelo fato de intelectualizar tudo à volta dele e encher-se disso. É quando ele, mesmo na fase de sofrimento sobre determinado desafio que não consegue superar, diz que sabe tudo sobre o que está ocorrendo, estuda sobre o assunto, até ensina e aconselha os demais, mas dificilmente consegue sair de onde está.

Lembro-me da infância em que tinha um colega de sala de aula que recebia o apelido de “sabe tudo”. Era um menino que se destacava no âmbito da aprendizagem, por vezes tinha boa memória e tirava excelentes notas. Ele respondia tudo que a professora perguntava e fazia questão de ser o primeiro a levantar a mão quando havia um questionamento para a sala. Porém, isso gerava inconvenientes em muitas ocasiões, devido ao fato dele não deixar outros colegas se expressarem também, a ponto da educadora solicitar sempre que o “sabe tudo” desse a vez para outro. O saber é bom, mas requer um equilíbrio para expressá-lo. A condição de aprendiz contínuo é algo ligado à sabedoria. O resto é astúcia.

Há quem vive como se de tudo já soubesse, porta-se como se dono da verdade fosse e age de tal modo como se nada mais houvesse para aprender. Apresenta-se como se fosse uma criatura pronta e sem espaço para o novo, soberbamente detentora do conhecimento e da sabedoria. O filósofo japonês Masaharu Taniguchi elucidou que “a vida do ser humano começa a se arruinar quando ele passa a se envaidecer dos próprios conhecimentos e a se considerar diplomado”.

Esse é um tipo de comportamento denominado como “xícara cheia”. A xícara é um recipiente que pode ser análogo à mente do indivíduo, que se ela estiver sempre cheia, transbordante, não sobrará espaço para que novo conteúdo seja adicionado. Há pessoas que vivem assim, “cheias”, “prontas”. Isso é ameaçador, presunçoso e limitante. Contudo, quando a mente está propícia a receber, a apreender, naturalmente ali há o desenvolvimento rumo a evolução cotidiana.

O indivíduo que se mantém na mesma posição como se já fosse o suficiente e sem a postura de aprender o novo ou mesmo reaprender o que já estudou no passado, poder revelar ai também uma postura de autodefesa em relação à mudança. Pois aprender implica sempre em mudar, adquirir novos hábitos, outros comportamentos. Sobre isso, o escritor Leandro Doorneles pontua que “as pessoas buscam mudanças, mas, quando realmente se deparam com a oportunidade de mudarem para melhor, elas simplesmente não se esforçam para se transformarem”.

Na pessoa inflexível à mudança até mesmo o insight, que é uma habilidade cognitiva de conhecimento adquirido mais intuitivamente sobre o modo de funcionamento de si mesmo, capaz de provocar mudanças de comportamento e até mesmo de determinados aspectos da personalidade, se torna superficial. É quando o sujeito passa a compreender tudo apenas do ponto de vista intelectual. Ele relata as possíveis causas do próprio sofrimento, nomeia o que há de errado em si mesmo, mas se contagia pelo racionalismo extremo a ponto de não se tornar um agente de mudança na própria vida.

O saber é importante, desde que isento de inflexibilidade, limites, prazos, regras ou quaisquer barreiras ligadas ao rótulo e ao preconceito. Foi o físico alemão Albert Einstein quem disse que a mente é como o paraquedas, é melhor mantê-los abertos. Afinal, só o saber nem sempre transforma, exceto se aliado à prática.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

POR QUE AS PESSOAS NÃO MUDAM?
Artigo de Jair Donato

O sofrimento do indivíduo deriva muito das escolhas que ele faz. Nem sempre são escolhas no sentido de movimentar-se, fazer algo novo ou diferente. É quando o sujeito opta por ficar na mesmice dos ciclos viciosos. Ele reclama, fala, repete, sofre, e nada faz para mudar. O ato de não optar já é uma escolha. E não fazer nada é talvez a pior escolha, pois desencadeia sempre em estagnação.

O ser humano possui uma tendência de ligar a mudança sempre a algo prazeroso, o que nem sempre é veraz. É quando ele se recusa a empenhar-se ou se esforçar em prol daquilo que às vezes é doído, mas é o que causa transformação. Desejar a mudança, mas recusar-se a sair da zona de conforto, mesmo que ela implique em sofrimento, é fantasia. Há quem perde relacionamentos significativos e novas oportunidades pelo fato de continuar agindo do jeito que sempre agiu.

Afinal, por que as pessoas não mudam? É simples. Por que elas não querem. Mesmo que o ato de querer seja um processo que não se passa unicamente pelo estado consciente, não deixa de ser evento cuja responsabilidade é do próprio sujeito. Não é coerente culpar a outrem pelo fato de alguém não mudar a si próprio.

Dentre os vários tipos de comportamentos há os que se destacam. Um deles está na expressão de quem se posiciona como vítima do destino, lamuria e culpa os demais ou mesmo as situações extrínsecas pela mesmice em que vive ou pela mediocridade que se estabelece. Há também o pseudo entusiasta, que se abarrota de conhecimento, entretanto se sabota o tempo inteiro. Investe sempre na pessoa e na situação que o leva ao fracasso e rejeita o que possa lhe fazer crescer. É o indivíduo que se apresenta como disposto à mudança, mas continua inflexível por dentro. É um falso sabedor, pois teoriza tudo e pouco faz. O excesso de conhecimento adquirido só o atrapalha porque tudo fica no âmbito da informação e não gera interpretação que provoque mudanças. É quando a intelectualidade isolada se resulta em entrave, da mesma forma que a ignorância e o apego.

Conta-se que um urso faminto perambulava pela floresta em busca de alimento. A época era de escassez, porém, ele tinha o faro aguçado, sentiu o cheiro de comida e foi até um acampamento de caçadores. Ao chegar lá, o urso percebeu que o local estava vazio, foi até a fogueira, ardendo em brasas, e dela tirou uma enorme panela de comida. Quando a tina já estava fora da fogueira, o urso a abraçou com toda força e enfiou a cabeça dentro dela, devorando tudo. Mas, enquanto abraçava a panela, começou a perceber algo lhe atingindo. Na verdade, era o calor da tina. Ele estava sendo queimado nas patas, no peito e por onde mais a panela encostava.

O urso nunca havia experimentado aquela sensação e, então, interpretou as queimaduras pelo corpo como uma coisa que queria lhe tirar a comida. Começou a urrar muito alto. E, quanto mais alto rugia, mais apertava a panela quente contra si mesmo. Quanto mais a tina quente lhe queimava, mais ele apertava contra o próprio corpo e mais alto ainda rugia. Quando os caçadores chegaram ao acampamento, encontraram o urso recostado a uma árvore próxima à fogueira, segurando a tina de comida. Ele tinha tantas queimaduras que o fizeram grudar na panela. E o imenso corpo que possuía mesmo morto, ainda mantinha a expressão de estar rugindo.

Analogamente, é assim que age o indivíduo quando se atém a um comportamento ou hábito nocivo a si mesmo, e insiste nisso. Pode ser um relacionamento tóxico, hábitos que se resultam em fracasso e uma infinidade de situações do gênero. Afinal, o que você mantem preso a si e não mudou até hoje? Isso pode ser uma pulsão de morte, algo nocivo que o impede de ser bem sucedido. Morre lentamente aquele que segura uma tina de vícios que ferem a ele mesmo. O que impede você de soltar sua tina?

Há situações tão sabotadoras que o indivíduo chega a afirmar que as reconhece, promete agir de outro modo, mas brota um impulso tamanho a ponto dele continuar repetindo os mesmos movimentos do passado, sem nada fazer por si, seja por orgulho, presunção ou vaidade. Enfim, mudança é movimento de gente grande. Toda transformação é um evento que gera deformação.

Por fim, se destacam de maneira autêntica aqueles que se sobrepujam às situações difíceis pelo fato de se tornarem causas para a mudança a partir dos eventos que lhes ocorrem. A principal característica desse tipo de comportamento está em assumir responsabilidades e agir de outros modos. São os que ouvem mais, se sensibilizam de fato, recebem e internalizam os feedbacks que a vida oferece a eles. Quem age assim muda, estabelece foco e se move a qualquer custo. É quem se liberta daquilo que o impede de crescer. É o que se desacorrenta e não se prende ao que queima o próprio ser. Mudar é uma escolha.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

terça-feira, 15 de setembro de 2015

TRÂNSITO E APRENDIZAGEM
Artigo de Jair Donato

A convivência social no trânsito ainda é um fenômeno que está longe de ser igualitário. É algo que para ser mudado depende da atitude do cidadão e de maior comprometimento do poder público. É uma situação que mesmo com altas infrações e constantes fiscalizações, a mudança não se estabelece enquanto o condutor não for assolado pelo processo da educação. A dificuldade do ser humano em adaptar às mudanças é um evento que provoca muitos prejuízos.

Tenho presenciado nos últimos meses vários acidentes nas faixas de pedestres em algumas localidades da cidade. O fato é que as pessoas aprenderam a não respeitar as faixas, a ponto de manterem o cérebro nesse foco, agindo em dissonância à própria legislação. Elas continuam dirigindo numa velocidade como se ninguém tivesse a necessidade de transitar a pé. E faixas de pedestres já não são novidades no trânsito da Capital. Há ainda quem quando para, faz isso quase esbarrando no pedestre, e como se fizesse um favor ao transeunte. Só que não, isso é um dever.

A situação é caótica. É um desrespeito que tenho presenciado em outras cidades também. De um lado, aquele pedestre que age corretamente, demora passar à espera de alguém que o considere. E, quando consegue passar, anda carregado de tensão, pois não há confiança se o motorista vai esperá-lo para fazer uma passagem segura. Têm motoristas que já param acelerando, apressando quem atravessa. Além do risco que o pedestre também corre de surgir outro desatento na pista ao lado e invadir a faixa. Há aqueles que param por força da situação, e por isso freiam já em cima da própria faixa, dividindo-a com quem atravessa.

E o fato extremo que tem ocorrido com frequência são as batidas traseiras pelo descontrole de quem dirige logo atrás sem olhar para frente. É um risco que envolve o pedestre, aquele que para enquanto ele atravessa, e quem chega logo em seguida, pela desatenção. É comum observar que os motoristas que se atentam em parar nas faixas de pedestres, para evitar um choque na traseira do carro, precisam ligar o sinal de alerta, porque sempre tem alguém que não se preocupa em parar, ignorando a existência da faixa. Diariamente ocorrem batidas, freadas bruscas de carros e quedas de motociclistas por esse motivo.

A falta de consciência e da preocupação com o outro faz com que parte das pessoas se envolva em acidentes dessa natureza, e por puro individualismo. Então é importante que essa consciência seja ativada. O ser humano passa por vários processos de aprendizagem até adquirir um novo hábito, inclusive pela ignorância. Mas é preciso mais respeito, eliminar a resistência e rever os modos de convivência coletiva. A desatenção do motorista no trânsito é um fenômeno que tem feito do automóvel uma arma de destruição de muitas vidas. Por outro lado, o pedestre também contribui nessa desordem cada vez que não faz o uso correto da faixa prioritária a ele. A consciência deve partir de todos.

Qual é o caminho eficaz para chegar a essa solução? São milhares de novos veículos inseridos no mesmo espaço anualmente. Se não houver mudança no comportamento das pessoas, a perspectiva será o aumento do caos. Contudo, do caos pode surgir a ordem, se cada um assumir a responsabilidade por si em relação ao outro, através da sensibilização e do respeito ao próximo. Este é o primeiro passo para a mudança, sensibilidade é o portal de entrada para a educação. E a via da educação é o único meio seguro que transforma a sociedade.
Segundo, será a responsabilidade do poder público municipal que deve investir mais na infraestrutura e sinalização dos locais próximos às faixas e em pesadas e contínuas campanhas de prevenção. Pois as multas em decorrência das leis são combates apenas em curto prazo. Até pode rechear os cofres, mas, não é o que muda a consciência de quem dirige, mesmo que isso possa doer no bolso dele. Educação é um processo de longo prazo, mas, requer com urgência iniciativas no presente.
O que você pode fazer? Que tal partilhar esse gesto de consideração humana. Isso também uma questão de educação e consciência. Acredito na sensibilidade humana e na mudança de comportamento a partir do momento que um ato seja internalizado. O exemplo tem esse poder. Se o indivíduo age de maneira adequada ou inadequada, é que de alguma forma ele aprendeu isso. Contudo, o homem pode reaprender a qualquer momento, se desejar.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br