
Artigo de Jair Donato
O Islamismo, maior religião do mundo, em número de adeptos, é um movimento religioso fundado pelo profeta Muhammad, na Península Arábica, 570-632. A doutrina Islam, termo que significa “submissão a Deus” baseia-se no livro sagrado Alcorão. É uma religião monoteísta e os mulçumanos acreditam que Allah, único Deus, criou a natureza por meio de um ato de misericórdia. Mas, o que Islam pode oferecer para uma vida moralmente correta nas questões ligadas ao meio ambiente?
Fora a visão fundamentalista, apresentada na mídia, em face de algumas ações radicais do viver de uma parte mulçumana, o Islamismo é uma religião que traz na essência o contexto da harmonia, focado na paz e nos valores éticos. Segundo Adan Z. Amim, diretor do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas em Nova Iorque, além da preocupação do Islam com a justiça social, do cuidado com os pobres, com órfãos e com as viúvas, possui também uma relevância mais ampla que envolve as questões ligadas ao meio ambiente, a proteção do solo e ao tratamento adequado da biodiversidade, que atualmente estão sendo defendidas pelos fiéis e professores.
Mas, se os ensinamentos islâmicos valorizam grandemente a natureza como criação de Deus, por que razão muitos estados islâmicos optam por destruir a natureza? O iraniano Seyyed Hosseum Nasr, professor de Estudos Islâmicos da Universidade de George Washington, destaca esses contrastes culturais através da visão islâmica em relação a natureza em contrapartida a atual civilização islâmica que não tem conseguido condutas de acordo com a tradição. Também o professor de Paz Islâmica, Abdul Aziz Said, esclarece que pelo conflito existente nos países mulçumanos que causa um desapontamento pela proliferação e degradação ecológica e dos recursos naturais no mundo mulçumano é que causa um choque entre a cultura tradicional do Islam e a realidade dos países islâmicos que brigam pelo poder e pela influência. Contudo, não é difícil encontrar no Alcorão uma ética para a administração ambiental, diz Said.
Ocorrem diversas questões nos paises de maioria mulçumana, onde estão concentradas importantes reservas energéticas do mundo, tanto no Oriente Médio, como na Ásia Central e na região do Cáucaso, conforme comenta o professor José Arbex Jr, da PUC de São Paulo, como os conflitos entre xiitas e sunitas, em relação aos mulçumanos das demais áreas. Mas não dá para falar num só mundo islâmico para não associar o termo Islam com idéias de fundamentalismo e fanatismo, atos praticados por movimentos extremistas de países islâmicos, que se apropriam da religião para preencher vazios de opções políticas e sociais, questões de poder e influência, afirmam os estudiosos do Islam. No entanto o espaço aqui é curto para abordar esses aspectos e o foco somente na essência do Islã, talvez seja o mais importante para a reflexão proposta sobre o meio ambiente.
Ainda segundo Amin, as reflexões sobre a metáfora Islâmica do jardim e as imagens da águas férteis fornecem recursos para repensar o relacionamento humano com o mundo natural. Uma característica marcante do discurso corânico, conforme apresenta o professor Abdul Said, é a ênfase a que os povos usem a inteligência inata para compreender a orientação revelada no Alcorão e na natureza. Pois o “livro sagrado” exorta o leitor a ponderar, refletir, pensar e entender. A verdadeira base da Paz no Islam é o conhecimento da unidade transformadora, frisa a responsabilidade e a importância de respeitar limites, o sentido do cuidar e do servir, complementa o professor.
Na visão do Islam, todo o Universo, incluindo a Terra, todos os seres viventes e o próprio homem foram criados por Deus (Allah). “E de Allah é o que há nos céus e o que há na terra. E Allah está, sempre, abarcando todas as cousas”, suhah 4: 126. Estudiosos do Alcorão afirmam que o meio ambiente baseia-se no entendimento de que tudo no Universo é criação de Deus, pois é Ele quem adorna o céu com o Sol, a lua e as estrelas e a face da terra com flores, árvores, jardins, pomares e espécies animais.
O teólogo Marcial Maçaneiro apresenta o texto corânico como um elenco de virtudes intelectuais, morais e espirituais. Ele destaca 04 princípios de sustentabilidade, que expressam a base da moralidade ecológica do Islam: 1. Princípio da Unidade (tawid), mostra que Deus criou a todos de forma igual e com os mesmos direitos. 2. Princípio da Criação (fitra), continua na questão da criação e fala sobre biodiversidade e da necessidade de conservar essa diversidade. 3. Princípio da Balança (mizan), preceito em que o contexto desse equilíbrio é reforçado. 4. Princípio da Responsabilidade (khalifa), sobre a conservação da criação como forma de corresponder a vontade divina.
O tawid demonstra que todos são unos e iguais perante Deus e que os seres humanos não são “donos” dos demais seres e que o mundo não é uma propriedade para ser usada sem planejamento e irresponsavelmente, complementa Maçaneiro. No próximo artigo, a visão do Judaísmo sobre o mundo natural.
Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br
Fora a visão fundamentalista, apresentada na mídia, em face de algumas ações radicais do viver de uma parte mulçumana, o Islamismo é uma religião que traz na essência o contexto da harmonia, focado na paz e nos valores éticos. Segundo Adan Z. Amim, diretor do Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas em Nova Iorque, além da preocupação do Islam com a justiça social, do cuidado com os pobres, com órfãos e com as viúvas, possui também uma relevância mais ampla que envolve as questões ligadas ao meio ambiente, a proteção do solo e ao tratamento adequado da biodiversidade, que atualmente estão sendo defendidas pelos fiéis e professores.
Mas, se os ensinamentos islâmicos valorizam grandemente a natureza como criação de Deus, por que razão muitos estados islâmicos optam por destruir a natureza? O iraniano Seyyed Hosseum Nasr, professor de Estudos Islâmicos da Universidade de George Washington, destaca esses contrastes culturais através da visão islâmica em relação a natureza em contrapartida a atual civilização islâmica que não tem conseguido condutas de acordo com a tradição. Também o professor de Paz Islâmica, Abdul Aziz Said, esclarece que pelo conflito existente nos países mulçumanos que causa um desapontamento pela proliferação e degradação ecológica e dos recursos naturais no mundo mulçumano é que causa um choque entre a cultura tradicional do Islam e a realidade dos países islâmicos que brigam pelo poder e pela influência. Contudo, não é difícil encontrar no Alcorão uma ética para a administração ambiental, diz Said.
Ocorrem diversas questões nos paises de maioria mulçumana, onde estão concentradas importantes reservas energéticas do mundo, tanto no Oriente Médio, como na Ásia Central e na região do Cáucaso, conforme comenta o professor José Arbex Jr, da PUC de São Paulo, como os conflitos entre xiitas e sunitas, em relação aos mulçumanos das demais áreas. Mas não dá para falar num só mundo islâmico para não associar o termo Islam com idéias de fundamentalismo e fanatismo, atos praticados por movimentos extremistas de países islâmicos, que se apropriam da religião para preencher vazios de opções políticas e sociais, questões de poder e influência, afirmam os estudiosos do Islam. No entanto o espaço aqui é curto para abordar esses aspectos e o foco somente na essência do Islã, talvez seja o mais importante para a reflexão proposta sobre o meio ambiente.
Ainda segundo Amin, as reflexões sobre a metáfora Islâmica do jardim e as imagens da águas férteis fornecem recursos para repensar o relacionamento humano com o mundo natural. Uma característica marcante do discurso corânico, conforme apresenta o professor Abdul Said, é a ênfase a que os povos usem a inteligência inata para compreender a orientação revelada no Alcorão e na natureza. Pois o “livro sagrado” exorta o leitor a ponderar, refletir, pensar e entender. A verdadeira base da Paz no Islam é o conhecimento da unidade transformadora, frisa a responsabilidade e a importância de respeitar limites, o sentido do cuidar e do servir, complementa o professor.
Na visão do Islam, todo o Universo, incluindo a Terra, todos os seres viventes e o próprio homem foram criados por Deus (Allah). “E de Allah é o que há nos céus e o que há na terra. E Allah está, sempre, abarcando todas as cousas”, suhah 4: 126. Estudiosos do Alcorão afirmam que o meio ambiente baseia-se no entendimento de que tudo no Universo é criação de Deus, pois é Ele quem adorna o céu com o Sol, a lua e as estrelas e a face da terra com flores, árvores, jardins, pomares e espécies animais.
O teólogo Marcial Maçaneiro apresenta o texto corânico como um elenco de virtudes intelectuais, morais e espirituais. Ele destaca 04 princípios de sustentabilidade, que expressam a base da moralidade ecológica do Islam: 1. Princípio da Unidade (tawid), mostra que Deus criou a todos de forma igual e com os mesmos direitos. 2. Princípio da Criação (fitra), continua na questão da criação e fala sobre biodiversidade e da necessidade de conservar essa diversidade. 3. Princípio da Balança (mizan), preceito em que o contexto desse equilíbrio é reforçado. 4. Princípio da Responsabilidade (khalifa), sobre a conservação da criação como forma de corresponder a vontade divina.
O tawid demonstra que todos são unos e iguais perante Deus e que os seres humanos não são “donos” dos demais seres e que o mundo não é uma propriedade para ser usada sem planejamento e irresponsavelmente, complementa Maçaneiro. No próximo artigo, a visão do Judaísmo sobre o mundo natural.
Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br


