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quinta-feira, 30 de abril de 2009

QUESTÃO DE ATITUDE


Artigo de Jair Donato
Decisões quando se tratam de questões ambientais não se encerram apenas em voluntariado, embora os atos nessa área sejam providos de nobreza e ética. Mas, colocar em pauta ações que envolvem preservação e conservação dos recursos naturais e menor emissão de gases poluentes que provocam o efeito estufa é tratar fundamentalmente de negócios. O mundo prima por novas soluções em energia, alimentação e melhoria na qualidade de vida para esta e para a as gerações futuras.

Numa dessas histórias utilizadas para motivar equipes de vendas, conta-se que tinha uma indústria brasileira de sapatos com vários vendedores. Havia um deles que sempre atingia os objetivos mensais e alcançava o primeiro lugar. E outro que só ficava em último. Certo dia o vendedor que se mantinha em último lugar foi até o diretor da empresa, e questionou que o diretor dava oportunidade somente para o vendedor que ficava atingia as metas.

E o diretor lhe disse: “Eu vou dar a você a maior oportunidade de sua vida. Vou abrir uma representação de sapatos na África e você será o dono dessa representação. Vou lhe dar as passagens de ida e volta para conhecer a cidade, vou mandar um container de sapatos com você”. Ao que lhe respondeu o vendedor: “Não! Não mande o container de sapatos, de lá eu ligo e você me envia”.

Chegando lá, ele foi a um clube, em um estádio, em algumas lanchonetes e viu que ninguém usava sapatos porque era a cultura daquele País. E o vendedor ligou em seguida da África para a empresa e disse para o patrão: “Você sempre foi um covarde comigo, mande minha passagem que eu não trabalho mais com você. Aqui ninguém usa calçado, eu não vou conseguir vender sapatos para ninguém”.

Chegando no Brasil, ao adentrar à empresa o patrão o chamou na sala de reuniões e disse a esse vendedor: “Agora, não vou lhe dar a maior oportunidade de sua vida, mas, a maior lição da sua vida”. Pegou o telefone e ligou para o vendedor que só ficava em primeiro lugar. Quando o vendedor chegou na sala, onde estava o vendedor que acabara de chegar da África, ouviu o patrão dizer: “Vou lhe dar a maior oportunidade de sua vida, vou abrir uma representação de sapatos na África, e será o dono dessa representação”.

E o vendedor lhe respondeu: “Já que é a maior oportunidade da minha vida, pode mandar um container de sapatos comigo?” Chegando na África, ele foi a um clube, em uma lanchonete, e percebeu que ninguém usava sapatos e logo ligou para sua empresa e pediu que mandasse mais dez containeres de sapatos, e disse: “Aqui ninguém usa calçado, e eu vou vender sapatos para todos”.

Bem, essa simples história reflete a atitude mental de um profissional de vendas perdedor e o que o difere de um vencedor. A maneira como cada um encara o próprio trabalho, evidenciando capacidade de perceber como surgem as oportunidades é crucial para se manter no mercado e contar com a preferência do cliente. Criar oportunidades é a chave, inovar, oportunizar, gerar novos valores mesmo em campos inóspitos. E essa analogia reflete bem na oportunidade de negócio que surge nas relações ambientais.

O mundo precisa de água, comida e energia, agora e nos séculos vindouros. A empresa, seja de qualquer segmento, que desejar se manter no mercado, na preferência do consumidor, deverá obrigatoriamente aquela que tiver visão de futuro de forma sustentável. A tendência em gestão daqui por diante é a de que para se manter no topo é preciso pensar no todo, criar oportunidades aonde não eram vistas antes. Tudo que for necessário daqui por diante precisa ser sustentável.

Segundo um estudo intitulado "Caminhos para uma economia de baixa emissão de carbono no Brasil", realizado pela consultoria McKinsey e apresentado recentemente numa reunião do Fórum Amazônia Sustentável, O Brasil pode reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 70% até 2030. E sem comprometer o desenvolvimento e o crescimento econômico do país. Mesmo sendo o 4º maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, e poderia ser o 16º ou mais, se não fossem as queimadas e desmatamentos na Amazônia, o Brasil possui enorme potencial de redução de gases que engrossam a camada do efeito estufa.

A vulnerabilidade dos biomas brasileiros, a exemplo da Amazônia e do Cerrado, se dá basicamente pelo oportunismo mercantilista, dotado de visão míope que cega muito mais do que o exemplo do pobre vendedor desmotivado e pessimista que ficava sempre em último lugar. O ganhar sem precedentes talvez seja o pior dos crimes, pois corrói o espírito de ética. O ganhar sem destruir, através ousadia da coragem e do descortinar de novas oportunidades, isso é sustentável. Atingir o topo de uma consciência ambientalmente correta, certamente virá pela descoberta de novos negócios e de novas oportunidades, sem a destruição do meio ambiente. Muita gente poderá ficar sem calçados e sem não souber aonde por os pés, se não tiver atitude para criar novas oportunidades. Elas existem, mesmo no auge de qualquer crise, seja financeira ou ambiental.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

quinta-feira, 16 de abril de 2009

CAPRICHO VERDE


Artigo de Jair Donato
A violência diária é o que mais preocupa as pessoas no Brasil. A pobreza aparece em segundo lugar, só então seguida pela questão climática. Para os americanos, a preocupação sobre o clima aparece em quinto lugar, embora os EUA prevalecem há muito tempo na primeira, ora na segunda posição do ranking de poluição mundial. O que ganha maior atenção no País que mais emite gases na camada do efeito estufa, são as preocupações com a crise econômica e o terrorismo.

Esse foi o resultado de uma pesquisa feita no último semestre em 12 países, pelo HSBC, apresentada pela Climate Confidence Monitor. Segundo os dados, o México foi o único país em que a questão das alterações no clima apareceu como a mais preocupante de todas. Estudos como esse chamam a atenção porque se trata da atitude e da mudança do comportamento que o mundo espera de cada indivíduo, que ainda anda em passos lentos.

Em contrapartida, dados apresentados por órgãos sobre o clima, a exemplo da Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU, mostram periodicamente que os níveis de gás carbônico estão cada vez mais altos em função da alta emissão de gases que ainda atingem patamares alarmantes. O aumento do efeito estufa provocará catástrofes na face da Terra, segundo os estudiosos climáticos, a começar pela economia e pela qualidade do ar, pelas infestações e dizimação de espécies. Desencadeará-se também em milhões de seres humanos e animais refugiados. O grave é que tudo isso discorre em muito pouco tempo. Os efeitos já são devastadores em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, seja na água, na terra ou no ar.

Para quem tem percepção e interesse na mudança, sabe que essa abordagem não faz parte de um melodrama. Todos devem encarar os fatos climáticos já ocorridos como um alerta mundial e não encarar estilos comportamentais novos, principalmente no ato do consumo e no uso dos recursos naturais, apenas como um modismo ou “capricho verde”. Mudanças climáticas é uma tendência no planeta e todos devem se atentar enquanto ainda é tempo, o mundo precisa de mais sensibilidade em relação a essa causa, mais senso ético e comprometimento com qualidade de vida na Terra, agora e nas gerações futuras.

Enquanto empresas continuarem a praticar “maquiagem verde” nas ações que desenvolvem visando ganhar a atenção do consumidor, num caminho unilateral, estarão investindo no próprio fim. O cliente passa a não ser mais fiel apenas a marca de um produto. Ele é orientado pelo relacionamento que determinada marca tem com o meio ambiente, desde a fabricação até a disponibilidade na gôndola. Nas relações de consumo, ainda há uma percepção global de que governos e organizações corporativas não estão fazendo o suficiente para combater o aquecimento global.

O ser humano é provido de necessidades, desde as básicas até as de realização pessoal, conforme definição de Maslow, que no pós-guerra criou a escala das necessidades humanas como fator motivacional, ainda utilizado atualmente no ambiente acadêmico para estudo das relações de consumo. O Marketing pela ótica consumista empreende incentivos que visam atender aos diversos e exóticos desejos do consumidor, sem ponderar os impactos na escala ambiental. Uma boa peça publicitária convence a qualquer um a consumir qualquer coisa, desde que não tenha consciência do que consome, nem se preocupa com a procedência do que vê. As empresas inteligentes desenvolvem em tempos de mudanças no clima, o “marketing verde”, que visam muito mais atender as necessidades do que os desejos, despojado de destruição ambiental e voltado para a preservação e a conservação da natureza. Isso é extremamente estratégico para qualquer organização.

Só propaganda e publicidade não promovem uma consciência ambientalmente correta tão eficaz quanto a reputação, o comportamento diário de quem produz ou disponibiliza. E reputação não se impregna somente com uma bela campanha publicitária. É uma construção do dia-a-dia, aos olhos do consumidor, através de ações sinceras e comprovadas.

É grande o número de empresas que destinam alta fatia de lucro para manipular a preferência do consumidor como se fosse ecologicamente correta. E por falta de informação, muitos ainda compram a idéia, o que dificilmente ocorre no consumo europeu atualmente. Contudo, essa realidade começa a ser diferente, em tempo.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 10 de abril de 2009

OS PERIGOS DE ANDAR SEM RUMO CERTO


Artigo de Jair Donato
Existe a fábula sobre um cavalo-marinho que certa vez pegou as economias que possuía e saiu em busca de riqueza. Ele desejava o acúmulo de fortuna, centuplicá-las rapidamente. Não havia andado muito, quando encontrou uma Águia, que lhe disse: "Bom amigo, para onde vais?"
- Vou a busca de fortuna, respondeu o cavalo-marinho, com muito orgulho.
- Estás com sorte, disse a águia. Pela metade do seu dinheiro, deixo que leve esta asa, para que possas chegar mais rápido.

- Que bom, disse o cavalo-marinho. Pagou-lhe, colocou a asa e saiu como um raio. Logo encontrou uma esponja, que lhe disse: "Bom amigo, para onde vais com tanta pressa?"
- Vou a busca de fortuna, respondeu o cavalo-marinho.
- Estás com sorte, disse a esponja. Vendo-lhe este meu propulsor por muito pouco dinheiro, para que chegues mais rápido.

Foi assim que o cavalo-marinho pagou o resto de seu dinheiro pelo propulsor e sulcou os mares com velocidade quintuplicada. De repente, encontrou um tubarão, que lhe disse: "Para onde vais, meu bom amigo?"
- Vou a busca de fortuna, respondeu o cavalo-marinho.
- Estás com sorte. Se tomares este atalho, disse o tubarão, apontando para sua imensa boca, ganharás muito tempo.
- Está bem, eu lhe agradeço muito, disse o cavalo-marinho, e se lançou ao interior do tubarão, sendo devorado.

Certamente, nada há de errado ao cavalo-marinho, nem ao homem, buscar fortuna, pois é através do aumento da situação econômica, um dos pilares da sustentabilidade, que o mundo se torna mais próspero e todos, dessa forma, poderão usufruir muito maior qualidade de vida. Partir em busca dos sonhos, das realizações, seja através dos estudos, do trabalho ou da implementação de novas idéias é formidável. É algo intrínseco à natureza do ser humano. Todo o progresso do mundo se deve a atitude dos que ousaram e buscaram soluções de riqueza para a humanidade.

No entanto, o que causa perda, além de inadequado para a realidade de hoje, é a busca pelo acúmulo de riqueza sem rumo certo. Foi essa a causa do desequilíbrio, principalmente para o meio ambiente, primordialmente em todo o século XX, com o advento da Era Industrial. Ainda é forte a atitude maciça do mundo capitalista, em que poucos ganham e muitos perdem, alimentada pelo interesse mercantilista. É isso que faz com que produtores se tornam exploradores, fabricantes alcançam postos de vilões na emissão de gases poluentes que coloca a cada dia o planeta em risco, quando agem de forma irresponsável ambientalmente.

O resultado de buscas quando sem interesse coletivo, como no caso do cavalo-marinho, é que no fim nunca dá certo para o bem comum. A sociedade atual está cheia de representantes com atitudes como a do peixe ósseo em questão, que delira pelo lucro fácil, a qualquer custo, seja através da ilegalidade, da destruição e o que mais for viável. Mas, tem muita gente que já ganhou milhões às custas da destruição ambiental e começa agora a se sentir ameaçada, caso não recue de tal comportamento vil, em querer ganhar sem considerar o meio ambiente. Se não houver uma mudança radical no comportamento de quem produz e fabrica, assim como de quem consome, muita gente pode cair na boca do tubarão, um caminho sem volta. Esse é o alerta dos cientistas do clima. É preciso um fim, um basta, o expurgo de empresas e de produtos disponibilizados às custas da inconseqüência ambiental, que sequer contribuem para uma melhoria sócio-econômica justa.

Cada um deve perceber no ato da compra, ao que atende. Se as necessidades que possui ou aos desejos que tem? Afinal, necessidades diferem de desejos. Enquanto necessidade é primordial, os desejos podem ser volúveis, exagerados, cheio de frustrações inconscientes, o que leva ao mero consumerismo. Necessidades é uma questão de sobrevivência. Todo mundo precisa consumir para atender as necessidades que possui, principalmente as básicas, classificadas pelo psicólogo Abraham Maslow como fisiológicas, que incluem a alimentação, vestiário, abrigo e afins.

Atitude com consciência, educação, respeito à natureza e ética, talvez esses sejam os melhores caminhos que levam ao rumo certo.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

sexta-feira, 3 de abril de 2009

DESCONTINUIDADE PÚBLICA MUNICIPAL


Artigo de Jair Donato
Vejo a descontinuidade pública em relação à sensibilização ambiental como um desprezo, a exemplo do governo da Cidade Verde, capital mato-grossense, cuja população não foi incentivada a participar do movimento que houve em prol de maior alerta sobre as mudanças climáticas, denominado “A Hora do Planeta”, no último dia 28. Oficialmente, 107 Cidades participaram, sendo 13 capitais, menos Cuiabá. Mais de 1100 empresas, quase 500 organizações e 60 veículos de comunicação se mobilizaram no País e contribuíram apagando as luzes de ambientes, monumentos e demais localidades.

Cáceres e Reserva do Cabaçal foram as localidades mato-grossenses que se engajaram no Movimento mundial, que teve a participação de mais de 3.900 cidades dentre 88 países. Claro que incontáveis cuiabanos, e aqui também tem gente consciente, embora ainda falta muito para uma cidade-modelo ambiental, aderiram ao movimento, além das 52.500 pessoas, âmbito nacional, que se cadastraram para fazerem parte do voto brasileiro. A meta foi atingir 1 bilhão de pessoas no mundo.

Cuidar do meio ambiente começa em casa. Contudo, a base do governo que está no município, tem responsabilidade direta em educar, sensibilizar e mobilizar a população que consome e também vota, para participar de movimentos em que cada cidadão possa contribuir sem destruir, a exemplo da manifestação citada, que foi encetada pela Organização não governamental WWF-Brasil, uma ação pacífica e que aumenta a cada ano.

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2008 como o Ano do Planeta. E tive o prazer de fazer parte do evento de lançamento do Decreto 4.619 assinado no dia 28 de janeiro daquele ano, pela então prefeita em exercício, profª Jacy Proença, num ato de sensibilidade, que instituiu 2008 como o Ano Municipal do Planeta. Foi um merecido marco para Cuiabá, portal de entrada do Pantanal, além de contemplar a Amazônia e o Cerrado brasileiro. Um evento realizado por consciência em relação às questões ambientais e não porque era obrigação da gestão da professora Jacy Proença.

No entanto, esta última gestão parece não seguir bem a linha de campanhas dessa natureza, alheios ao que foi feito anteriormente em defesa do meio ambiente. Refiro-me aos trabalhos de mobilização social e não apenas ao cumprimento de legalidades, o que é mera obrigação. O governo se torna eficaz quando investe na educação e na sensibilização da sociedade. A base do governo está no município, na comunidade, no indivíduo, que quanto mais esclarecido, mais contribui. A mudança, enfim, essa será de cada um.

Ações como a instituição do decreto 4.619 - Ano Municipal do Planeta, fizeram parte um programa de ações ambientais em parceria com secretarias de âmbito municipal, organizações corporativas e a sociedade com o objetivo de que cada cidadão, empresa e demais envolvidos, pudessem ter uma oportunidade para refletir sobre as ações que de fato estejam fazendo em prol do meio ambiente e da qualidade de vida, inclusive para as gerações futuras. É isso que espero ver na continuidade da gestão da Cidade Verde.

A secretária executiva da WWF-Brasil, Denise Hamú afirmou no pós-evento que a mensagem da Hora do Planeta é muito clara, cidadãos do mundo todo votam, ao apagarem suas luzes, pelo combate às mudanças climáticas. Está na hora de nossos representantes mostrarem liderança e agirem em prol do planeta, uma peça fundamental é o tratado internacional de clima justo, efetivo e baseado nas ultimas descobertas científicas, complementou.

Cuiabá, que engaja uma belíssima campanha para a Copa 2014, precisa se ocupar agora, com as questões ambientais, para ser uma cidade ambientalmente responsável, antes e depois da copa, que vai durar poucos dias. E o clima, desse dependerá todas as gerações vindouras. Cuiabá ficará ainda mais bela para a copa se for desde já mais responsável pela cidadania ambientalmente consciente da população. Espero ver essa nova gestão municipal mais comprometida com a consciência ecológica.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com