
Artigo de Jair Donato
Existe um diálogo, supostamente verídico, ocorrido no ano de 1995, entre um navio da Marinha americana e as autoridades costeiras canadenses, próximo ao litoral de Newfoundland, que retrata o reflexo da presunção e da arrogância humana.
Assim começaram os americanos:
- Favor alterar seu curso 15 graus para Norte para evitar colisão com nossa embarcação. Os canadenses responderam na hora:
- Recomendo mudar o seu curso 15 graus para o Sul.
O americano ficou mordido:
-Aqui é o capitão de um navio da Marinha americana. Repito, mude o seu curso.
Mas o canadense insistiu:
- Não, mude o seu curso atual. E o papo começou a ferver. O capitão americano berrou ao microfone:
- Este é o porta-aviões USS Lincoln, o segundo maior navio da frota americana no Atlântico. Estamos acompanhados de três destroyers, três fragatas e numerosos navios de suporte. Eu exijo que você mude seu curso 15 graus para Norte, ou então, tomaremos contramedidas para garantir a segurança do navio.
E o canadense, após ouvir o tom de ameaça do americano, respondeu:
- Aqui é um farol, câmbio...
O que se observa nessa história é a atitude prepotente, a recusa à mudança por parte do capitão americano. Mas, será que tal ocorrência foi só nesse episódio? Não seria essa a mentalidade inflexível que mais pesa quando se trata de tomar medidas sérias para proteger o planeta e evitar uma catástrofe ainda maior?
O exemplo que foi observado na última conferência, em Bali, na Indonésia, no final de 2007, vindo do governo americano, sem querer alterar o curso da poluição do planeta, foi semelhante. Apenas procurou tumultuar o encontro, querendo manter a posição de entrave, de irredutível, em função da taxa altíssima de emissão de gases do efeito estufa.
Toda essa inflexibilidade é em nome de um falso crescimento econômico, sem visão em longo prazo. É o tipo de ação que ameaça a vida na terra, pois as mudanças climáticas são fatos reais, mas eles não desejam alterar o curso. Dá a impressão que os paises poluidores como EUA, Austrália, China, dentre outros, pensam que a Terra é que tem que mudar a direção, ou seja, se adaptar a eles, para não colidir com os próprios interesses, principalmente os econômicos, por vezes vis e desiguais.
No entanto, a história da evolução dos seres vivos mostra o que ocorre com quem se posta como inflexível. Darwim mostrou muito bem que não é a mais forte nem a maior das espécies a que sobrevive na natureza. Mas sim aquela que mais se adapta às mudanças. As minúsculas baratas, por exemplo, se estão em toda parte é porque resistiram às transformações, no decorrer do tempo, desde há milhões de anos. E os brutamontes dos dinossauros, cadê? Por que sumiram todos? Afinal, eram tão fortes e enormes.
O mesmo ocorre com as empresas e com as nações. Há uma mudança explícita no paradigma da sobrevivência e muitos ainda não querem ver. Talvez as melhores lições que os dirigentes dos países maiores poluidores do mundo, gestores do primeiro ou segundo setor, podem tirar da constatação darwinista, sejam as seguintes: Flexibilidade e adaptabilidade. Para quem ainda não sabe o significado destas palavras, basta entender que o contrário delas pode significar a impossibilidade do homem viver na face da Terra.
Hoje, para viver bem no planeta e garantir qualidade de vida às gerações futuras, de forma sustentável, não é a Terra que terá de se adaptar à presunção humana. É o ser humano que tem que se flexibilizar, rever os próprios valores, e, ao invés de se sobrepor, cuidar mais do meio ambiente em que vive.
É tempo de desamarrar a armadilha do próprio ego e partir para a sensibilização em prol do bem comum, de uma nova cultura, um novo estilo de vida, uma nova concepção ética e moral. É uma necessidade urgente o despertar de uma consciência ecológica, o mais cedo possível, se bem que começa a ficar tarde. Mas, ainda dá tempo,
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com
2 comentários:
Opa...
Inflexibilidade, será que isso tem CURA?
Sempre penso nisso, as vezes penso que é inata, ou seja, o ser humanos já nasce com..
Mas é um pensamento que nego-me a acreditar, pois penso em construção sempre, inclusive nas criaturas humanas.
Seguindo esta linha de raciciocinio, se a inflexibilidade for sentimento (egoicooooo e egoistaaaa) construído ao longo da existência de uma pessoa, este pode ser Re-Significado!! Olha a dica aí..(olha tbém o link com o outro artigo teuuuuuuuuuu).
Bjins!!
Assunto pra reflexão mesmo heim Carlinha!
Obrigado, viu. Vc, grande colaboradora nesta causa!
Bjs
Postar um comentário