
Artigo de Jair Donato
Conta-se que certa vez um jovem muito rico foi visitar um Rabi e pediu-lhe um conselho para orientar a vida que levava. O Rabi conduziu o jovem até a janela e perguntou:
- O que você vê através dos vidros?
- Vejo homens que vão e vêm e um cego pedindo esmolas na rua. Então o Rabi mostrou-lhe um grande espelho e novamente perguntou:
- Olhe neste espelho e diga-me agora o que você vê?
- Vejo a mim mesmo.
- E já não vê os outros! Repare que a janela e o espelho são ambos feitos da mesma matéria-prima, o vidro. No espelho, porque há uma fina camada de prata colada ao vidro, você não vê nele mais do que a si mesmo.
Você deve comparar-se a essas duas espécies de vidro. A pessoa de boa índole vê os outros e tem compaixão por eles. O egoísta, coberto de prata, hipócrita e pobre de espírito, vê apenas a si mesmo. Você só vale alguma coisa, quando tiver coragem de arrancar o revestimento de prata que tapa os seus olhos, para poder, assim, de novo ver e amar aos outros. Somos como se fossemos anjos de apenas uma asa, complementa o sábio. E só podemos voar quando abraçados uns aos outros.
Analogamente, a prata que cobre o vidro e reflete apenas a própria imagem, pode ser comparada à cegueira provocada pelo mercantilismo que assola o delírio inconsciente da humanidade e que visa mais o interesse próprio. O acúmulo para poucos em detrimento de desníveis no âmbito do social e da natureza, em nome de um crescimento econômico em curto prazo, sem se importar que o meio ambiente, pode inclusive exterminar as espécies de vida no planeta, se não for contido. Imagina o mundo sem água, com ar e terra contaminados. Quem sobreviveria? Isso já é real para muitos.
O grande espelho que rebate a luz solar em demasia na Terra, formado pelas geleiras como as do Ártico, da Groenlândia e da Antártida, estão se esvaindo devido o aquecimento global. Contudo, o maior espelho que precisa ser reciclado em vidro transparente está no interior do homem. Trata-se de uma consciência mais límpida, clara, de visão em longo prazo e consideração ao meio ambiente em que cada um vive.
É importante que governos, corporações e toda a massa individual poluente vejam, ao menos pela janela, se não estiverem dispostos a saírem pela porta e fazerem o que precisa para garantia de uma melhor qualidade de vida. Que possam olhar para a necessidade do outro e os arredores que precisam do verde, do uso racional da água, da conservação do solo e do ar e estabeleçam mais planos de ação.
A janela que precisa ser aberta é a da alma, da consciência, que passa pela porta da sensibilização e do cuidado com a vida. A capacidade do ser humano viver dignamente no planeta está frágil. É fundamental que o mundo adote fontes de energia mais limpa. Esse é um desafio que pode alterar o ritmo da economia, mas garante a sustentabilidade.
É uma equação matemática, pautada na moral, na ética e nos princípios que os países, governos e sociedade devem ter. A energia, por exemplo, é um recurso sem o qual o mundo pára as atividades econômicas e está ligado à sobrevivência dos grandes centros, das indústrias e dos transportes. O setor que mais polui no mundo é o energético, responsável pela maior emissão de gases do efeito estufa.
E as conseqüências provindas desses fatos são irreparáveis. Para evitar tragédia maior, é necessário que nos próximos 15 anos, governos e empresas de todo o mundo estabeleçam padrões consideráveis de redução de gases poluentes na atmosfera, principalmente em relação ao uso dos combustíveis fósseis, alem de evitar e controlar as queimadas e os desmatamentos, também vilões.
O ideal é sair da “zona de conforto”, optar pelas alternativas e agir em prol do bem comum e da melhoria contínua. O mundo depende da mudança que o ser humano estiver disposto a investir. É possível o crescimento da riqueza mundial, desde que todos olhem pela janela e considerem também o meio ambiente.
Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com
Um comentário:
Olá!!
Interesante analogia, mas tem outro fator a pensar. Percebo cada vez mais a dificuldade das pessoas em lidar com dimensões essenciais para uma existência equilibrada, a 1ª é relacionar-se bem CONSIGO, a 2º com o MUNDO em que vive e a 3ª é manter e relacionar-se bem com os OUTROS. Hoje, grande parte das pessoas não se relacionam bem com ele mesmo, piorou com os outros e é lastimável a forma com que mantem relações saudáveis com o mundo/planeta com que vivem!!
Daqui a pouco tempo terá uma raça em extinção - a dos Amigos!! Lembre-se o planeta continurá a existir, basta apenas equilibar-mos estas formas de relacionar-se com estas dimensões: EU-MUNDO-OUTROS!!
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