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sexta-feira, 23 de maio de 2008

O MILHO BOM


Artigo de Jair Donato

O atual contexto da história ambiental exige que o homem repense todas as formas de exploração dos recursos naturais e passe a agir com responsabilidade sustentável. Dessa maneira tudo o que estiver ao redor dele também pode ganhar. A nova teoria eco-econômica diz que o verdadeiro ganho daqui pra frente depende da bilateralidade. Ou seja, se apenas um lado se sair bem, então não há sustentabilidade.

Tenho em mente a história de um fazendeiro que venceu o prêmio "milho-crescido", que ilustra bem esse fato. Todo ano ele concorria com o milho na feira e ganhava o maior prêmio. Uma vez o repórter de um jornal o entrevistou e aprendeu algo interessante sobre como ele cultivou o milho. O repórter descobriu que o fazendeiro compartilhava a semente do milho com os vizinhos dele.

- Como pode você se dispor a compartilhar sua melhor semente de milho com seus vizinhos quando eles estão competindo com o seu em cada ano? Perguntou o repórter.

- Por quê? Disse o fazendeiro.

- Você não sabe? O vento apanha pólen do milho maduro e o leva através do vento de campo para campo. Se meus vizinhos cultivam milho inferior, a polinização degradará continuamente a qualidade de meu milho. Se eu for cultivar milho bom, eu tenho que ajudar meus vizinhos a cultivar milho bom.

Ele era atento às conectividades da vida. O milho dele não poderia melhorar a menos que o milho do vizinho também melhorasse. Assim é também em outras dimensões.

Aqueles que querem viver bem têm que ajudar os outros para que vivam bem. E aqueles que querem ser felizes têm que ajudar os outros a achar a felicidade, pois o bem-estar de cada um está ligado ao bem-estar de todos.

Essa lição serve para cada um de nós. Se formos cultivar milho bom, temos que ajudar nossos vizinhos a cultivar milho bom. E somente dessa forma é que o conceito de sustentabilidade do planeta pode se tornar um fato que contribuirá para o bem coletivo. O benefício paralelo ao social e a economia só advirá caso o meio ambiente seja cuidado e conservado.

O fenômeno ‘aquecimento global’ provocado pela alta concentração de gases ao redor da Terra, foi descoberto em 1827, quando o cientista francês Jean-Baptiste Fourier considerou o "efeito estufa", o fenômeno no qual os gases atmosféricos prendem a energia solar, elevando a temperatura da superfície terrestre, em vez de permitir que o calor volte para o espaço.

Ainda em 1896 o químico sueco Svante Arrhenius considerou a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, o gás e o carvão como responsáveis pela produção de dióxido de carbono (CO2).

Já em 1988 foi criado pela ONU o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), que em 1990 divulgou o primeiro relatório oficial de avaliação dos níveis de gases do efeito estufa produzidos pelo homem para mostrar como eles estão aumentando na atmosfera e causando o aquecimento global. De lá para cá já foram quatro relatórios lançados, sendo o ultimo em 2007, em quatro parciais, cujas previsões são preocupantes, mesmo em curto prazo.

Em todo esse período muitos eventos e alertas foram dados, pouco se mudou. A atual situação do planeta exige mudança imediata nas políticas pública e privada, e principalmente, nos hábitos e no estilo de vida de cada habitante. Afinal, esperamos que os que daqui por diante nascerem, e não serão poucos, tenham qualidade de vida. Embora isso ainda seja um risco, enorme risco.

Todos os dias você planta ações como se fosse o milho. Então, como está a qualidade do seu milho? Que tipo de sementes estão sendo levadas através das suas atitudes e jogadas nos campos da consciência das pessoas à sua volta. É necessário que os bons exemplos sejam polinizados em larga escala, pois as alterações no clima mostram que estamos em época de cuidar do que plantamos para não colher o que não queremos.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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