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terça-feira, 15 de setembro de 2015

TRÂNSITO E APRENDIZAGEM
Artigo de Jair Donato

A convivência social no trânsito ainda é um fenômeno que está longe de ser igualitário. É algo que para ser mudado depende da atitude do cidadão e de maior comprometimento do poder público. É uma situação que mesmo com altas infrações e constantes fiscalizações, a mudança não se estabelece enquanto o condutor não for assolado pelo processo da educação. A dificuldade do ser humano em adaptar às mudanças é um evento que provoca muitos prejuízos.

Tenho presenciado nos últimos meses vários acidentes nas faixas de pedestres em algumas localidades da cidade. O fato é que as pessoas aprenderam a não respeitar as faixas, a ponto de manterem o cérebro nesse foco, agindo em dissonância à própria legislação. Elas continuam dirigindo numa velocidade como se ninguém tivesse a necessidade de transitar a pé. E faixas de pedestres já não são novidades no trânsito da Capital. Há ainda quem quando para, faz isso quase esbarrando no pedestre, e como se fizesse um favor ao transeunte. Só que não, isso é um dever.

A situação é caótica. É um desrespeito que tenho presenciado em outras cidades também. De um lado, aquele pedestre que age corretamente, demora passar à espera de alguém que o considere. E, quando consegue passar, anda carregado de tensão, pois não há confiança se o motorista vai esperá-lo para fazer uma passagem segura. Têm motoristas que já param acelerando, apressando quem atravessa. Além do risco que o pedestre também corre de surgir outro desatento na pista ao lado e invadir a faixa. Há aqueles que param por força da situação, e por isso freiam já em cima da própria faixa, dividindo-a com quem atravessa.

E o fato extremo que tem ocorrido com frequência são as batidas traseiras pelo descontrole de quem dirige logo atrás sem olhar para frente. É um risco que envolve o pedestre, aquele que para enquanto ele atravessa, e quem chega logo em seguida, pela desatenção. É comum observar que os motoristas que se atentam em parar nas faixas de pedestres, para evitar um choque na traseira do carro, precisam ligar o sinal de alerta, porque sempre tem alguém que não se preocupa em parar, ignorando a existência da faixa. Diariamente ocorrem batidas, freadas bruscas de carros e quedas de motociclistas por esse motivo.

A falta de consciência e da preocupação com o outro faz com que parte das pessoas se envolva em acidentes dessa natureza, e por puro individualismo. Então é importante que essa consciência seja ativada. O ser humano passa por vários processos de aprendizagem até adquirir um novo hábito, inclusive pela ignorância. Mas é preciso mais respeito, eliminar a resistência e rever os modos de convivência coletiva. A desatenção do motorista no trânsito é um fenômeno que tem feito do automóvel uma arma de destruição de muitas vidas. Por outro lado, o pedestre também contribui nessa desordem cada vez que não faz o uso correto da faixa prioritária a ele. A consciência deve partir de todos.

Qual é o caminho eficaz para chegar a essa solução? São milhares de novos veículos inseridos no mesmo espaço anualmente. Se não houver mudança no comportamento das pessoas, a perspectiva será o aumento do caos. Contudo, do caos pode surgir a ordem, se cada um assumir a responsabilidade por si em relação ao outro, através da sensibilização e do respeito ao próximo. Este é o primeiro passo para a mudança, sensibilidade é o portal de entrada para a educação. E a via da educação é o único meio seguro que transforma a sociedade.
Segundo, será a responsabilidade do poder público municipal que deve investir mais na infraestrutura e sinalização dos locais próximos às faixas e em pesadas e contínuas campanhas de prevenção. Pois as multas em decorrência das leis são combates apenas em curto prazo. Até pode rechear os cofres, mas, não é o que muda a consciência de quem dirige, mesmo que isso possa doer no bolso dele. Educação é um processo de longo prazo, mas, requer com urgência iniciativas no presente.
O que você pode fazer? Que tal partilhar esse gesto de consideração humana. Isso também uma questão de educação e consciência. Acredito na sensibilidade humana e na mudança de comportamento a partir do momento que um ato seja internalizado. O exemplo tem esse poder. Se o indivíduo age de maneira adequada ou inadequada, é que de alguma forma ele aprendeu isso. Contudo, o homem pode reaprender a qualquer momento, se desejar.


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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