TRÂNSITO E APRENDIZAGEM
Artigo de Jair Donato
A convivência social no trânsito ainda é um fenômeno que está longe de
ser igualitário. É algo que para ser mudado depende da atitude do cidadão e de
maior comprometimento do poder público. É uma situação que mesmo com altas
infrações e constantes fiscalizações, a mudança não se estabelece enquanto o
condutor não for assolado pelo processo da educação. A dificuldade do ser
humano em adaptar às mudanças é um evento que provoca muitos prejuízos.
Tenho presenciado nos últimos meses vários acidentes nas faixas de
pedestres em algumas localidades da cidade. O fato é que as pessoas aprenderam
a não respeitar as faixas, a ponto de manterem o cérebro nesse foco, agindo em
dissonância à própria legislação. Elas continuam dirigindo numa velocidade como
se ninguém tivesse a necessidade de transitar a pé. E faixas de pedestres já
não são novidades no trânsito da Capital. Há ainda quem quando para, faz isso quase
esbarrando no pedestre, e como se fizesse um favor ao transeunte. Só que não,
isso é um dever.
A situação é caótica. É um desrespeito que tenho presenciado em outras
cidades também. De um lado, aquele pedestre que age corretamente, demora passar
à espera de alguém que o considere. E, quando consegue passar, anda carregado
de tensão, pois não há confiança se o motorista vai esperá-lo para fazer uma
passagem segura. Têm motoristas que já param acelerando, apressando quem
atravessa. Além do risco que o pedestre também corre de surgir outro desatento na
pista ao lado e invadir a faixa. Há aqueles que param por força da situação, e
por isso freiam já em cima da própria faixa, dividindo-a com quem atravessa.
E o fato extremo que tem ocorrido com frequência são as batidas traseiras
pelo descontrole de quem dirige logo atrás sem olhar para frente. É um risco que
envolve o pedestre, aquele que para enquanto ele atravessa, e quem chega logo em
seguida, pela desatenção. É comum observar que os motoristas que se atentam em
parar nas faixas de pedestres, para evitar um choque na traseira do carro,
precisam ligar o sinal de alerta, porque sempre tem alguém que não se preocupa
em parar, ignorando a existência da faixa. Diariamente ocorrem batidas, freadas
bruscas de carros e quedas de motociclistas por esse motivo.
A falta de consciência e da preocupação com o outro faz com que parte
das pessoas se envolva em acidentes dessa natureza, e por puro individualismo. Então
é importante que essa consciência seja ativada. O ser humano passa por vários
processos de aprendizagem até adquirir um novo hábito, inclusive pela ignorância.
Mas é preciso mais respeito, eliminar a resistência e rever os modos de
convivência coletiva. A desatenção do motorista no trânsito é um fenômeno que
tem feito do automóvel uma arma de destruição de muitas vidas. Por outro lado,
o pedestre também contribui nessa desordem cada vez que não faz o uso correto
da faixa prioritária a ele. A consciência deve partir de todos.
Qual é o caminho eficaz para
chegar a essa solução? São milhares de novos veículos inseridos no mesmo espaço
anualmente. Se não houver mudança no comportamento das pessoas, a perspectiva
será o aumento do caos. Contudo, do caos pode surgir a ordem, se cada um assumir
a responsabilidade por si em relação ao outro, através da sensibilização e do
respeito ao próximo. Este é o primeiro passo para a mudança, sensibilidade é o
portal de entrada para a educação. E a via da educação é o único meio seguro
que transforma a sociedade.
Segundo, será a responsabilidade do
poder público municipal que deve investir mais na infraestrutura e sinalização
dos locais próximos às faixas e em pesadas e contínuas campanhas de prevenção.
Pois as multas em decorrência das leis são combates apenas em curto prazo. Até
pode rechear os cofres, mas, não é o que muda a consciência de quem dirige,
mesmo que isso possa doer no bolso dele. Educação é um processo de longo prazo,
mas, requer com urgência iniciativas no presente.
O que você pode fazer? Que tal partilhar esse gesto de consideração
humana. Isso também uma questão de educação e consciência. Acredito na
sensibilidade humana e na mudança de comportamento a partir do momento que um
ato seja internalizado. O exemplo tem esse poder. Se o indivíduo age de maneira
adequada ou inadequada, é que de alguma forma ele aprendeu isso. Contudo, o
homem pode reaprender a qualquer momento, se desejar.
Jair Donato - Jornalista em
Cuiabá, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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