O QUE TE FAZ MELHOR?
Artigo de Jair Donato
Você tem consciência daquilo que te faz sentir melhor na vida
e te produz uma mudança interior? Na visão do Dalai Lama, essa consciência está
ligada à espiritualidade. Quanto tempo você investe naquilo que propicia
qualidade de vida e bem estar a você, aos demais à sua volta e ao ambiente em
que vive? Isso pode ajuda-lo a perceber o quanto tem de espiritualidade
expressa na sua existência. Vários autores sinalizam que os líderes empresariais
que serão bem-sucedidos daqui por diante são líderes com bases na
espiritualidade, com valores íntegros, postura holística e sistêmica.
Hoje, nas organizações também é abordado o contexto da
espiritualidade no trabalho, e sem necessariamente se tratar de religião,
dogmas ou sectarismos peculiares. Mas de ações e práticas altruístas,
socialização de valores como ética, humanização, motivação, reconhecimento,
solidariedade e consideração às pessoas. E acima de tudo, o investimento no
potencial latente que há no indivíduo com respeito à individualidade de cada
um. Os mesmos preceitos são válidos para os demais contextos de convivência
humana.
Investir em programas com foco na consciência sustentável,
que dão relevância às questões sociais e ambientais, desde que por consciência
e não por imposição da legislação, isso é espirituoso. E mais, direcionar os
negócios com postura ética nas relações com o cliente, assegurando-lhe
transparência nas operações, a prática da governança corporativa através de uma
liderança transformadora, tudo isso reflete em crescimento moral dos
envolvidos. É o mais puro reflexo da espiritualidade, sem preconceitos ou
teorias dogmáticas.
A espiritualidade nas organizações é uma temática perceptível
não apenas na esfera pessoal. Percebe-se ela na cultura organizacional através
dos padrões de influência e poder, nas normas formais e informais, tanto
implícitas como explícitas, que influenciam o comportamento dos integrantes. E
fundamenta-se se pela junção dos valores, hábitos e posturas, atributos
expressos pelas atitudes e interação entre pessoas e processos.
Um ambiente onde o preconceito, a corrupção, a cultura de
coerção, o mau atendimento ao cliente, a violência, falta de integridade,
resistência à mudança e a desvalorização da equipe interna prevalece é um
espaço carente da nobreza de espiritualidade. Contudo, caráter, respeito,
harmonia, trabalho em equipe, discernimento, seriedade, cultivo de virtudes, o
cuidado com a moral pessoal, maturidade nas decisões e no tratamento dispensado
ao semelhante, comprometimento, colaboração, empatia e amizade são aspectos dignos
de uma espiritualidade sadia. São fatores que se comungam e se tornam aspectos
colaborativos para uma convivência saudável. Definitivamente, para que isso
ocorra não é necessária imposição de rótulo religioso, e sim de melhores níveis
de consciência.
Para quem reflete e toma consciência diária sobre os próprios
movimentos, estabelece conexões de estima consigo, preserva, respeita,
considera as demais pessoas, o ambiente em que vive e os ecossistemas, não há
rótulo religioso, ideologia ou teoria que supere isso. Viver pela consciência e
não se comportar apenas por obrigação ou imposição da lei é um caminho para o
equilíbrio. Estes são preceitos básicos sobre seu nível espiritualidade.
Pode haver alguém mais espiritualista do que aquele que age
com sinceridade, integridade, e ainda propicia momentos felizes aos outros
através de um sorriso, um elogio ou uma simples acolhida? O indivíduo que lida
bem com as próprias emoções e se torna cada vez mais assertivo, resiliente, altruísta,
ético e colaborativo, esse sabe fazer uso da subjetividade contida na
espiritualidade em favor do bem comum. Então, como está seu quociente de
espiritualidade?
Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, professor universitário,
palestrante, consultor e especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de
Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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