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segunda-feira, 18 de julho de 2016

O QUE TE FAZ MELHOR?
Artigo de Jair Donato

Você tem consciência daquilo que te faz sentir melhor na vida e te produz uma mudança interior? Na visão do Dalai Lama, essa consciência está ligada à espiritualidade. Quanto tempo você investe naquilo que propicia qualidade de vida e bem estar a você, aos demais à sua volta e ao ambiente em que vive? Isso pode ajuda-lo a perceber o quanto tem de espiritualidade expressa na sua existência. Vários autores sinalizam que os líderes empresariais que serão bem-sucedidos daqui por diante são líderes com bases na espiritualidade, com valores íntegros, postura holística e sistêmica.

Hoje, nas organizações também é abordado o contexto da espiritualidade no trabalho, e sem necessariamente se tratar de religião, dogmas ou sectarismos peculiares. Mas de ações e práticas altruístas, socialização de valores como ética, humanização, motivação, reconhecimento, solidariedade e consideração às pessoas. E acima de tudo, o investimento no potencial latente que há no indivíduo com respeito à individualidade de cada um. Os mesmos preceitos são válidos para os demais contextos de convivência humana.

Investir em programas com foco na consciência sustentável, que dão relevância às questões sociais e ambientais, desde que por consciência e não por imposição da legislação, isso é espirituoso. E mais, direcionar os negócios com postura ética nas relações com o cliente, assegurando-lhe transparência nas operações, a prática da governança corporativa através de uma liderança transformadora, tudo isso reflete em crescimento moral dos envolvidos. É o mais puro reflexo da espiritualidade, sem preconceitos ou teorias dogmáticas.

A espiritualidade nas organizações é uma temática perceptível não apenas na esfera pessoal. Percebe-se ela na cultura organizacional através dos padrões de influência e poder, nas normas formais e informais, tanto implícitas como explícitas, que influenciam o comportamento dos integrantes. E fundamenta-se se pela junção dos valores, hábitos e posturas, atributos expressos pelas atitudes e interação entre pessoas e processos.

Um ambiente onde o preconceito, a corrupção, a cultura de coerção, o mau atendimento ao cliente, a violência, falta de integridade, resistência à mudança e a desvalorização da equipe interna prevalece é um espaço carente da nobreza de espiritualidade. Contudo, caráter, respeito, harmonia, trabalho em equipe, discernimento, seriedade, cultivo de virtudes, o cuidado com a moral pessoal, maturidade nas decisões e no tratamento dispensado ao semelhante, comprometimento, colaboração, empatia e amizade são aspectos dignos de uma espiritualidade sadia. São fatores que se comungam e se tornam aspectos colaborativos para uma convivência saudável. Definitivamente, para que isso ocorra não é necessária imposição de rótulo religioso, e sim de melhores níveis de consciência.

Para quem reflete e toma consciência diária sobre os próprios movimentos, estabelece conexões de estima consigo, preserva, respeita, considera as demais pessoas, o ambiente em que vive e os ecossistemas, não há rótulo religioso, ideologia ou teoria que supere isso. Viver pela consciência e não se comportar apenas por obrigação ou imposição da lei é um caminho para o equilíbrio. Estes são preceitos básicos sobre seu nível espiritualidade.

Pode haver alguém mais espiritualista do que aquele que age com sinceridade, integridade, e ainda propicia momentos felizes aos outros através de um sorriso, um elogio ou uma simples acolhida? O indivíduo que lida bem com as próprias emoções e se torna cada vez mais assertivo, resiliente, altruísta, ético e colaborativo, esse sabe fazer uso da subjetividade contida na espiritualidade em favor do bem comum. Então, como está seu quociente de espiritualidade?


Jair Donato - Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor e especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida.  E-mail: jair@domnato.com.br

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