O QUE DISSERAM A VOCÊ SOBRE A ÁGUIA?
Artigo de
Jair Donato
Com o advento dos dispositivos eletrônicos há uma facilidade para
replicar mitos e histórias que alguém inventa com versões ou elementos
pretensiosamente falsos. Por falta de informação e pouco interesse ou
responsabilidade, uma infinidade de seguidores compartilha burilando ainda mais
o imaginário alheio.
Há uma historinha daquelas que você já deve ter lido em algum lugar, sobre
as adversidades que a águia passa após os 40 anos. Existem textos e vídeos
sobre ela circulando pela Internet e leva muita gente se emocionar utilizando-os
em treinamentos como fonte motivacional. Você já questionou se será isso mesmo
verdade? Um autor desconhecido diz que a longevidade da águia faz com que ela após
os quarenta anos, tome uma difícil decisão para chegar até os setenta.
No momento em que as unhas ficam compridas e moles, o bico alongado e pontiagudo
torna-se curvado, além das asas pesadas e densas pelas penas envelhecidas pelo
tempo, a ela só resta duas opções que é deixar-se morrer ou lançar-se a um
processo doloroso de renovação que pode durar cinco meses seguidos. Essa
segunda opção leva a ave a se refugiar no alto de uma montanha, bem próximo a
um paredão.
É nesse local que ocorre a fantasiosa renovação. Então ela começa o
ritual de mortificação. Ela bate o bico contra a parede até que ele seja
arrancado com tamanha dor. Daí nascerá um bico novo e será com ele que ela vai
arrancar as unhas velhas. E com unhas novas arranca as velhas penas. Finalmente,
ao término dos 150 dias eis que a águia renascida, vitoriosa, sai para o voo de
renovação e pronta para viver mais trinta anos. Mas, dentre as imagens e vídeos
circulados, você já viu algum com uma águia automutilada? Que coisa, não?
Será mesmo que para provocar a motivação de uma equipe, será
necessário recorrer a tal artifício? Ou não seria mais eficaz adotar programas
que alinhasse os valores pessoais dos colaboradores à identidade e aos valores
da organização em que trabalham? Vejo ainda muito artifício, pura maquiagem
aplicados por treinadores e gestores na espera de obter mais comprometimento
das equipes e talvez por isso não sabem porque a performance dos resultados não
aumenta.
É claro que a estorinha da água é falsa. Quem afirma é o falcoeiro André
Luiz Bizutti, que trabalha profissionalmente com aves de rapina. Segundo ele, a
águia não faz isso. Ela chega a viver em torno de trinta anos e com ela não
ocorre o processo descrito na lenda. Ele afirma que seria impossível a águia
permanecer por cinco meses sem comida, morreria antes do décimo dia,
provavelmente. Esse é o fato, o resto é mito.
Isso evidencia que nem sempre replicar qualquer mensagem que esteja
‘bombando’ nas redes ou que contenha algum apelo emocional seja saudável ou
ético. Recorrer à pesquisa e checar fontes podem evitar situações dessa
natureza. Embora seja enorme a diversidade de mitos em detrimento ao que pode
ser considerado verdadeiro, sempre é válido saber a veracidade daquilo que se
transmite. De acordo o contexto, replicar uma informação improcedente pode
provocar conflitos nas relações interpessoais, além de uma série de outros
prejuízos. Ou no mínimo, manter a ignorância sobre o assunto.
Jair Donato -
Jornalista em Cuiabá, professor universitário, palestrante, consultor e
especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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