MERCADO DA DISRUPÇÃO
Artigo de Jair Donato
O
que as novas modalidades para os negócios já existentes apresentam ao mercado
de trabalho cada vez mais inconstante e competitivo? Ameaças ou oportunidades? É
inegável que as diferentes formas de movimentar a economia fazem parte da única
certeza que a realidade do mundo descontínuo em que vivemos, que são as
mudanças.
Disruptivo torna-se
então um termo cujo significado se adequa bem ao cenário atual no mundo dos
negócios. Uma inovação disruptiva não é apenas uma revolução. Ela contextualiza
um avanço inesperado com forte impacto nos produtos e serviços. Ou seja, quando
surge uma nova maneira de desenvolver negócios que ameaça ou até mesmo
interrompe o curso normal e cíclico daquilo estabelecido anteriormente, isso
causa uma disrupção. Advindo da eletricidade, aquilo que é disruptivo tem como
característica o rompimento e a alteração de um estado. No mundo organizacional
o termo pode ser atribuído a um serviço ou produto que surge de uma inovação tecnológica
capaz de derrubar ou provocar mudanças numa tecnologia que já vem sendo praticada
no mercado.
Durante
anos, como exemplo, o serviço de táxi se tornou uma alternativa constante na
prestação de serviços aos consumidores. Isso durou até que surgisse um
aplicativo que mudou esse contexto e passou a desestruturar um meio replicado a
décadas. Mas a velocidade das mudanças é um atributo cada vez mais rápido. Talvez
eu não fale especificamente do Uber ou do Yet Go,
que em breve esses dois também poderão ser superados por outra maneira que mais
agrade ao consumidor, talvez até introduzida pelos próprios taxistas. É importante
pensar na velocidade em que as mudanças ocorrem e na proporção do surgimento
das novas oportunidades. E isso pode ocorrer em todas as áreas, seja nos
negócios ou na vida.
Como será que ficaram os fabricantes e vendedores de lampiões
a gás quando se propagou pelo Brasil o uso da energia elétrica no início do
século XX? Foi também a época em que os bondes deixaram de ser puxados pelos
burros em detrimento dos bondes elétricos. Antes, como a americana Ford teve
que reagir devido a cultura de não fabricar carros além da cor preta ao ver a
GM chegar nos EUA e fabricar carros com cores variadas? As pessoas do cinema mudo
tentaram não acreditar na ideia de que o cinema falado vingasse. Quando surgiu
a TV, o que disserem os profissionais do rádio? E com o advento da Internet,
que sensação permeou nos profissionais do jornal impresso? Como é que ficaram
as grandes locadoras de fitas de vídeo e dvds quando surgiram netflix e
correlatas?
Não
há dúvidas que todos tiveram que passar pelo processo da adaptação, se descongelarem
da zona de conforto antes criada para atuarem em novos paradigmas. Há segmentos
que aprenderam a conviver com outros, e se dão bem, incorporaram-se. Rádio, TV,
jornal impresso e eletrônico, livro impresso e digital se dão bem, cada um com
seu espaço. Outros deixaram de existir pela resistência e inadequação. As
escolas e professores exímios de datilografia, onde estão? Os hábeis cortadores
de cana, em função da informática e das colheitadeiras modernas, tiveram que
mudar o curso no mercado de trabalho. Enfrentar as mudanças é um processo doloroso, requer esforço, determinação, reinvenção,
mas é indiscutível.
A verdade é que para você se libertar de velhos hábitos
exige-se esforço contínuo, será preciso alta performance e muito preparo. Os
que não se libertam disso só reclamam. Pode ser que uma parte de você fique
indignada com sua decisão de fazer diferente. Mas, é daí que surge a
resistência. Uma situação distuptiva não é necessariamente um negócio novo, mas
é fundamentalmente fazer algo de maneira diferente e com mais velocidade do que
antes. Da TV preto e branco para o surgimento da colorida demorou em torno de
30 anos. Hoje, um aplicativo lançado no mercado é atualizado quase que
instantaneamente. Essa é a principal característica das mudanças do passado
para o cenário atual, a velocidade.
Disrupção é uma fase de descongelamento para a mudança, a
revolução de um paradigma do velho para o novo. E você está preparado para
isso? Além de flexibilidade, resiliência e adaptabilidade, quais competências o
mercado poderá exigir de você nos próximos anos? Há quem prefere fazer qualquer
outra coisa, menos mudar. Afinal, vale bem mais uma postura de reflexão do que
de resistência.
Jair Donato - Jornalista em Cuiabá,
escritor, consultor de desenvolvimento de pessoas, professor universitário,
escritor, especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jair@domnato.com.br

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