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quinta-feira, 27 de setembro de 2007

UMA LUZ NO FIM DO TÚNEL


Artigo de Jair Donato

O maior desafio para a humanidade ainda na primeira metade deste século é a redução da emissão de gases poluentes que engrossam a camada do efeito estufa. A terra continua aquecendo e os efeitos estão mais devastadores. Seca dos rios, elevação do nível do mar, derretimento acelerado das geleiras, aumento dos períodos de estiagem e fortes chuvas são alguns deles. O mapa do mundo já não é o mesmo.

Na Ásia, o grande Mar de Aral teve uma redução de 75% em 40 anos. O mar Morto perdeu 25 metros nos últimos 50 anos, e, na África, o Lago Chade encolheu 95% do final da década de 1960 para cá. A agência espacial européia (ESA) divulgou fotos recentemente que mostram uma passagem marítima, provocada pelo degelo, no oceano Ártico, que liga a Europa e Ásia, historicamente conhecida por ser intransponível, e agora está derretendo tudo.

No Brasil, a devastação continua. Há redução contínua de lagos, perdas de rios, nascentes, degradação do solo, principalmente na região Centro-Oeste, assim como aumento assustador de desertificação no Nordeste e falta de água. As regiões litorâneas começam a ser ameaçadas. Na Amazônia, nos últimos anos houve uma redução no desmatamento, boa notícia. Mas ainda são destruídos 14 mil km2 de floresta por ano, por falta de consciência de gente interesseira. Falta o governo adotar políticas de conservação e fiscalização mais eficazes.

O Brasil poderia ser o 16º País maior poluidor do mundo, se não fossem as queimadas e os desmatamentos, 75% da poluição emitidas pelo País vem desses dois crimes, que o coloca como o 4º maior poluidor do planeta. Neste primeiro semestre, na Amazônia, já foram registrados 30% maior o índice de queimadas do que no ano passado. Mato Grosso atingiu o alarmante percentual de 200% maior.


Contudo, é fato que mesmo ainda não sendo uma expoente referência de ética ambiental, o Brasil já tem o que comemorar, como o etanol, embora precise cuidar para não transformar nossas terras em um quintal canavieiro para o mundo. Tem o biodiesel, tem energia elétrica menos poluente, dentre milhares de ações locais pelo território, ligadas a reciclagem e à sustentabilidade. É também fato que no mundo inteiro, pessoas, governos e empresas começam a repensar, a rever conceitos e posturas em relação às questões ambientais, paralelo aos negócios, a produção de riqueza, e a geração de empregos.

É notória uma leve sensibilização no estilo de vida das pessoas. Comunidades, institutos e cooperativas empreendem na geração de renda, exportam trabalhos e idéias criativas. A troca do plástico pelo papel, a escolha de produtos de origem ecológica, o cuidado com a alimentação começam a ser exigência dos consumidores. A preservação do planeta foi o assunto contundente na abertura da última Assembléia-Geral da ONU, realizada em Nova York.

A China e os EUA, os dois maiores poluidores do planeta, que declararam ao mundo que nada fariam que afetasse a economia local, em detrimento ao aquecimento global, começam a rever essa postura, embora com resistência. Enquanto os chineses, que usam o carvão, a energia mais suja do mundo, começam a investir nos painéis solares para captação de energia, alguns estados americanos investem em carros menos poluentes. Eles amargam com a última colocação da indústria automobilística no rank mundial. A decisão em não estabelecer metas para redução de poluentes pode ter sido um tiro saiu pela culatra. O quase ‘onipotente’ governo Bush também perdeu o poder de decidir sobre medidas de redução de gases poluentes, quando a suprema corte decidiu que isso seria competência da agência de proteção ambiental daquele país, não dele.

O mundo começa a reagir. Todas as ações que a humanidade fizer nos próximos 10 anos serão para que altere a segunda metade deste século, pois já estamos diante de situações irreversíveis, mostram os cientistas. Não outra saída para o desenvolvimento e produção de riquezas daqui para frente, sem a mudança no comportamento do homem e a adoção cada vez mais de princípios de sustentabilidade, por empresas e governos.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach - e professor universitário - especialista em Gestão Estratégica de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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