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sexta-feira, 16 de maio de 2008

AMIGOS DO PLANETA


Artigo de Jair Donato

Educai as crianças para que não seja preciso castigar os homens, disse o filósofo chinês Confúcio. Nossa esperança está depositada no investimento que for possível fazer nas crianças, e acredito na eficácia pela via da educação. Dessa forma teremos a possibilidade de que as alterações climáticas possam ser minimizadas também nas próximas gerações.

Conta uma historinha infantil que a mãe caranguejo insistentemente tentava corrigir o filhinho dela para que andasse de forma correta, para frente; afinal, ele só andava de lado. Depois de tanto repreendê-lo e não ver mudança no filho, eis que ela foi surpreendida com a seguinte pergunta:

- Mãe, como é mesmo que se anda pra frente?

Naquele momento, certamente a mãe caranguejo deve ter repensado sobre a importância de antes de exigir, ser o exemplo. Se ela andasse ‘pra frente’ como queria que o filho o fizesse, nem precisaria cobrar isso dele, pois naturalmente ele poderia repetir o mesmo movimento, ato que os filhos humanos também fazem ao reproduzir os movimentos dos próprios pais na fase adulta.

Quando se refere às questões ambientais, percebe-se movimento semelhante ao da mãe caranguejo. Muito se fala e pouco se faz. Faltam exemplos pautados em princípios éticos e sem maquiagens. Estamos numa época em que é preciso fazer muito mais do que só trocar as lâmpadas de casa ou reciclar o lixo.

Estive nesta semana falando com cerca de 200 crianças de 02 a 06 anos e foi uma experiência gratificante, pois todas disseram que são “amigas do planeta” e responderam do início ao fim as perguntinhas que elaborei para interagir com elas. Falaram sobre as cores dos recipientes para o lixo e sobre a reciclagem. Me contaram que fecham a torneira na hora de escovar os dentinhos para que não falte água as outras pessoas no planeta, dentre vários outros exemplos que me deram.

Elas falaram de coisas muito simples, pois nem entendem ainda sobre combustíveis fósseis como os adultos, tampouco de Co², nitrosso, CFC´s ou metano. Falaram do que elas já sabem e podem fazer. Muitas delas já são fiscais da natureza e até cobram os pais em casa ou na rua quando os vêem jogando resíduos em lugares inadequados.

Meu afilhado de dois anos também participou da atividade e ao retornar para casa, contou tudo que ouviu ao papai dele. Minha comadre disse depois que diariamente ele pede para rever os vídeos de desenho animado que abordam sobre os cuidados que devemos ter com o planeta, e ainda tece comentários. Eu também aprendi muito com essas crianças fantásticas, pois vi sinceridade e profundo interesse ao discutirmos esse tema, o que ainda não vejo com tanta veemência em boa parte dos adultos.

A maioria delas já plantou mais árvores do que muita ‘gente grande’ que polui em potencial. Fiquei entusiasmado, pois acredito piamente que elas farão a diferença no contexto ambiental quando crescerem e se tornarem os dirigentes do nosso País e do mundo. Cuidar do meio ambiente para elas é algo que está sendo inserido no comportamento, já se torna um valor intrínseco e natural.

No final da palestrinha que fiz junto com esses anjinhos que me surpreenderam, vi a felicidade deles em receber sementes de girassol que levei para cada um. Prometeram que iriam plantar todas elas quando retornassem pra casa, e eu acredito. Eles são sinceros; se gostam de algo, eles falam mesmo.

E nós, ditos ‘adultos’, porque tanta resistência ainda em perceber uma necessidade óbvia? Se pudéssemos esperar as crianças assumirem a direção das decisões no mundo, seria ótimo. Mas, não dá para esperar, embora elas já estejam fazendo. Temos que agir no ‘agora’, com maturidade e responsabilidade. E certamente elas irão dar continuidade em tudo sem inflexibilidades. Talvez a melhor lição que podemos aprender com elas seja a da maleabilidade, da adaptação à mudanças e ao meio em que vivemos.

Desejo que todos os pais, professores e adultos assumam de vez a responsabilidade de educar as crianças, e também aprender com elas, sobre os princípios da educação ambiental. E que essa seja uma atitude constante no cotidiano de cada uma delas.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

2 comentários:

Anônimo disse...

Fiquei emocionada com este artigo em especial. Afinal ao fazer o convite para meu Compadre Jair falar para meu filhinho (seu afilhado) e seus coleguinhas da Educação Infantil do CCJ, esperava sim que elas (as crianças) aprendessem algo válido para o projeto que a Educação Infantil vem desenvolvendo este ano sobre Meio Ambiente, mas as respostas foram além do esperado.
Meu filho em casa tem algumas lições ambientais desde o berço, graças aos pais e ao padrinho Jair, mas agora está muito engajado em contribuir para que não aja poluição e preocupasse com o efeito estufa e o aquecimento global, confesso que muitas vezes me faz perguntas um pouco difíceis, mas reacendo minha esperança em relação ao nosso querido planeta quando ouço meu filhinho de dois anos e vejo os esforços do meu compadre Jair. Sim, todos nós podemos fazer a diferença...

DomNato disse...

Obrigado pelo apoio comadre! Realmente o João Luiz escolheu o lar mais adequado para a contribuição dele no planeta Terra. Com certeza, ele já é um grande agente de mudança para o mundo. E ele tem, além do amor mãe, todo o carinho e apoio do papai dele sobre as questões ambientais. Ele tem o privilégio de ter os melhores pais do mundo. O padrinho estará sempre pronto para qdo ele precisar.
Felicidades!