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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

AMAZÔNIA, PARA SEMPRE?



Artigo de Jair Donato

Neste 05 de setembro comemora-se o dia da Amazônia. Gostaria que fosse uma celebração. Pois se trata do maior bioma do mundo, cuja maior parte está no território brasileiro e encanta a todos pelo mistério que possui e pela umidade que exala em vários países, por enquanto. Toda a área recoberta por essa maior floresta tropical do planeta ocupa um espaço de 6 milhões de quilômetros quadrados e abriga 50% de todas as espécies que existem, entre plantas, aves, peixes, mamíferos, anfíbios, répteis, árvores e milhões de insetos.

São dois quintos da América do Sul e metade do território brasileiro que abrangem os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e parte dos estados do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso. O bioma amazônico é riquíssimo em minerais, vegetais e animais, além de guardar cerca de um quinto das reservas de água doce do mundo. O Brasil é a maior potencia hidrográfica global devido à água da Amazônia.

A parte da Amazônia brasileira, calculada em 3 milhões e meio de quilômetros quadrados, representa mais de 50% da floresta e 42% do território nacional, com cerca de 3.500 espécies e uma infinidade ainda não catalogada. O que intriga é que embora não conhecida na totalidade, já corre o risco do fim.

Além da biopirataria, que é a apropriação indevida de conhecimento e de recursos genéticos das comunidades agrícolas, indígenas e de toda a biodiversidade existente, a região amazônica é alvo de queimadas e desmatamentos, fato que coloca o Brasil como grande poluidor da camada do efeito estufa. A seca já marca presença na Amazônia e aos poucos dá sinais do que pode ocorrer num futuro breve, até o final deste século.

Climatólogos apresentam estudos que mostram a realidade do bioma por volta de 2025, período em que começa a aumentar a estiagem em fases gradativas e assustadoras. Mesmo que hoje os desmatamentos e as queimadas cheguem a zero, maior parte da Amazônia corre o risco de se tornar uma savana, avaliam os cientistas do clima. Na verdade, toda forma de poluição, seja pelo uso da energia e da emissão de demais gases que engrossam a camada do efeito estufa, contribui para sufocar a floresta. O mundo inteiro é responsável pelas florestas tropicais existentes.

No entanto, mesmo com toda essa fragilidade, parece que começa a se desdobrar ações em prol da conservação da Amazônia brasileira. Em breve será votado um projeto de lei no senado que visa instituição de políticas de combate à seca na região. O projeto propõe que a União, em articulação com os estados e municípios, desenvolva ações de defesa civil em caso de seca na Amazônia. A finalidade do projeto, de autoria do senador do Pará, Mário Couto, é de combater e prevenir os efeitos que provocam a seca, embora não seja possível controlar esse fenômeno.

Certamente, esse será um projeto que também precisa ser validado pela consciência da maioria das pessoas, usuários e exploradores da Amazônia. Em 2007, na ocasião da realização da conferência de mudanças climáticas pela ONU, na Indonésia, foi divulgada pelo governo brasileiro a criação de um Fundo Internacional para captar recursos para ações de preservação da floresta amazônica. A boa notícia anunciada recentemente pelo ministro do Meio ambiente, Carlos Minc, é que o Brasil já deve receber a primeira doação, vinda da Noruega, no valor pouco mais de US$ 100 milhões, essa é a expectativa.

Há também a predominância de unidades de conservação em prol da Amazônia que permitem a prática de atividades econômicas controladas, como as áreas de proteção ambiental, reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável. Todas essas ações são saudáveis, solidárias e viabilizam mais propostas sustentáveis, mas são paliativas se não houver mudança no comportamento humano em relação a conservação e a preservação ambiental.

A garantia de mais vida a essa parte do planeta que já não respira tão bem está na contribuição de cada um, na atitude coletiva que se dá pelas pequenas ações, seja dentro de casa, na rua, no trabalho, enfim. Consciência é pensar globalmente e ter atitude localmente. A Amazônia é vida, se é para sempre, depende do que for feito agora.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

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