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quinta-feira, 18 de setembro de 2008

ROTA DE AUTOCOLISÃO



Artigo de Jair Donato

Os seres humanos e o mundo natural estão em rota de colisão. As atividades humanas provocam danos sérios e freqüentemente irreversíveis no meio ambiente e em recursos cruciais. Se não forem detidas, muitas das nossas atividades colocam em sério risco o futuro que desejamos para a sociedade humana e para os reinos vegetal e animal, e podem alterar tanto o mundo dos seres vivos que ele se tornará incapaz de sustentar a vida da maneira que conhecemos. Mudanças fundamentais são urgentes se queremos evitar colisão que a nossa rota atual irá causar”.

O alerta acima foi divulgado em 1992 por uma comunidade de 1600 estudiosos da União dos Cientistas conscientizados, sendo a maioria deles ganhadores do prêmio Nobel da área de Ciências. O meio ambiente está recebendo traumas cruciais, avisa a comunidade científica mundial. A atmosfera, as reservas de água, os oceanos, o solo, as florestas e as espécies vivas, assim como a população, tudo está ameaçado.

O abaixo-assinado dos cientistas, assinado nessa ocasião, sugere ações que podem ser feitas em várias áreas paralelamente. São elas: Proteção da integridade dos sistemas terrestres, sem os quais ninguém poderá viver, através do controle das atividades prejudiciais ao meio ambiente. Um bom exemplo disso é a utilização de energia cada vez mais limpa e o abandono dos combustíveis fósseis, como também a adesão ao desmatamento zero e maior conservação das terras de cultivo.

A segunda ação propõe uma gestão dos recursos indispensáveis ao ser humano, como a água e outros bens, de forma crucial. E também manter a expansão, a conservação e a reciclagem como foco. Estabilizar a população é outra pontuação feita pelos cientistas. Segundo eles, essa prática será possível se as nações reconhecerem que isso requer melhoria das condições sócio-econômicas. Em seguida, reduzir, e por fim, eliminar a pobreza. São essas algumas das proposições que eles fizeram.

Há uma profunda reflexão que se deve fazer em torno dessas alternativas. Talvez essa seja a maneira de perceber que a atitude possa ser o maior cerne da destruição em escala global, a medir pelos efeitos aí instalados pela natureza. E, certamente, a diminuição do impacto global em decorrência das mudanças climáticas, pode se dá pela união das nações em prol de um mesmo objetivo, cujo foco seja a preservação e a conservação dos recursos naturais, de forma sustentável. Existem também outras centenas de alternativas. Mas devemos começar mesmo a partir do que estiver próximo a nós.

Dentre os princípios de responsabilidade universal, constantes na Carta da Terra, documento aprovado pela Unesco, no que tange ao respeito e ao cuidado da comunidade e da vida, entende-se que todos devem respeitar a Terra e a vida em toda a diversidade. Cuidar de tudo isso com amor. Aceitar que o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem com o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente.

Mostra-se também como princípio, assumir o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder como responsabilidade na promoção do bem comum. Assim como construir sociedades democráticas que sejam justas, sustentáveis e que vivam em harmonia. A asseguração dos direitos humanos, a promoção da justiça econômica e social e a transmissão de valores e tradições as futuras gerações são formas, em longo prazo, de garantia da prosperidade humanas e ecológicas do Planeta.

O homem está indo ‘de encontro’ consigo mesmo, ao invés de ir ‘ao encontro’ da essência interior que a possui. Esse é um choque contra a própria vida que se dá pela inversão de valores cultuados frente ao consumismo e a vulnerabilidade quanto ao respeito a si, ao próximo e ao meio em que vive. Essa, talvez seja a maior das colisões, que põe em risco a vida de todos, inclusive daqueles que nascerão nas próximas décadas.

Enfim, o homem, esse poderoso agente de alteração dos ciclos naturais, embora frágil para reagir a tais efeitos, não pode chocar com nada que não esteja dentro de si mesmo. É unicamente a si que ele consegue prejudicar de fato, de forma irreversível. E a rota que pode evitar essa colisão está instalada na consciência de cada um.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

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