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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

OS PRINCÍPIOS PARA UMA SOCIEDADE SUSTENTÁVEL


Artigo de Jair Donato
Consta no relatório “Cuidando do planeta Terra”, publicado em 1991, os nove princípios para se tornar uma sociedade sustentável. O primeiro deles se trata do respeito e do cuidado com a comunidade dos seres vivos. A melhoria da qualidade de vida do ser humano é o segundo preceito, e, que está em risco se o próprio homem não se cuidar.

Permanecer nos limites da capacidade de suporte da Terra é outro princípio. Cálculos mostram que mais pessoas nasceram no século XX do que em todo o resto da história da humanidade. Desde a revolução industrial, a população na Terra aumentou cerca de oito vezes. Na década de 1950, eram pouco mais de 2,5 bilhões. E, segundo a previsão da Organização das Nações Unidas, chegará o ano de 2050 com 9 bilhões de pessoas. Isso pode ser sinônimo de desequilíbrio se a forma de considerar os recursos naturais e o desenvolvimento sócio-econômico continuarem no paradigma da exploração.

Modificar atitudes e práticas pessoais é um outro princípio. Talvez, o mais significante, pois trata de responsabilidade individual de cada um dos humanos. Certa vez, James Lovelock, renomado cientista, um dos mais influentes do século XX, que criou a teoria de Gaia, num evento em Oxford, se levantou e repreendeu Madre Teresa por pedir à platéia que cuidasse dos pobres e "deixasse que Deus tomasse conta da Terra".

Como Lovelock explicou a ela, "se nós, as pessoas, não respeitarmos a Terra e não tomarmos conta dela, podemos ter certeza de que ela, no papel de Gaia, vai tomar conta de nós e, se necessário for, vai nos eliminar". Ele quis dizer que o homem deve cuidar da própria casa, preservar o ambiente em que vive, afinal, ele é o morador. Lovelock, pela visão espiritualista que possui, assim como desenvolveu a teoria de que a Terra é um organismo vivo, entende também de que Deus está em cada um dos homens e não como uma entidade à parte, fiscalizadora.

Segundo o sempre provocador cientista, embora respeitado no meio científico, o aquecimento global é irreversível e pode provocar a morte de 6 bilhões de pessoas neste século em função das alterações climáticas. A raça humana está em perigo real e imediato, diz Lovelock.

Dentre os demais princípios para uma sociedade sustentável estão, minimizar o esgotamento de recursos não renováveis, permitir que as comunidades cuidem de próprio meio ambiente, gerar uma estrutura nacional para a integração de desenvolvimento e conservação, construir uma aliança global.

O doutor em ciências ambientais, Geraldo Rohde, classifica quatro fatores que tornam a civilização contemporânea claramente insustentável a médio e longo prazo. A começar pelo crescimento populacional acelerado, seguida pela depleção da base de recursos naturais. Acompanhados pelos sistemas produtivos que utilizam tecnologias poluentes e de baixa eficácia energética. E, por fim o sistema de valores que propicia a expansão ilimitada do consumo material.

Segundo físico austríaco Fritjof Capra, a crise ecológica é uma situação complexa, multidimensional, cujas facetas afetam todos os aspectos da vida humana. Percebe-se que essa é uma questão global que envolve governantes, fabricantes, produtores, prestadores de serviços e consumidores. Depende do desempenho em rede com foco contínuo nos aspectos ambientais.

Segundo a organização The Word wide fund nature, uma sociedade mundial sustentável só surgirá quando o estilo de vida do ser humano e a população global não excederem a capacidade de suporte da Terra. Tudo parece mesmo que o ser humano, por conseqüência de uma visão míope, está numa corda bamba.


Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail: jairdomnato@gmail.com

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