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quinta-feira, 12 de março de 2009

CONSUMO DE DIÓXIDO DE CARBONO


Artigo de Jair Donato
Caiu no oceano pacífico o primeiro satélite da agência espacial americana (Nasa) projetado para mapear as concentrações de dióxido de carbono (CO²) na atmosfera terrestre. O objetivo do recente lançamento era detalhar a localização do CO² que engrossa a camada do efeito estufa e saber onde o gás está sendo emitido e ou absorvido em maior concentração. Esse seria o primeiro satélite lançado exclusivamente para estudo do gás carbônico e representava um enorme avanço para a comunidade científica. Mas, o mais grave é a contínua e acelerada emissão de gases, os vilões do aquecimento global, isso assusta.

No entanto, o que mais a humanidade precisa tomar consciência é de que toda a concentração do CO² e demais gases na atmosfera se deve ao uso demasiado humano, da energia fóssil a destruição do verde em face de um crescimento desigual unilateral, assim como demais práticas do consumismo coletivo irracional. O homem ainda não entendeu sobre a importância de uma convivência bilateral com o meio ambiente. Age como se não fosse parte da natureza e a trata como elemento periférico. A mesma natureza que se revolta e se torna agora impiedosa, pela lei da ação e reação. Afinal, se trata da destruição de um organismo vivo, além de complexo.

A queima de combustível fóssil e a mudança no uso da terra, onde as florestas são substituídas por plantações, é um dos principais fatores da alta concentração de gases poluentes na atmosfera, como o CO², disse o diretor de pesquisas do Instituto Polar Norueguês, Kim Holmen. E é um aumento condizente com a tendência de longo prazo, complementa o cientista. Alerta que vem sendo feito também por milhares de cientistas do Painel Inter-governamental de Mudanças Climáticas, IPCC. Mudar é preciso, e rápido.

No final do século XIX, um dos traços distintivos do ser humano era a capacidade de consciência e raciocínio. Surgia ali o pressuposto que consiste no conceito de que o ser humano poderia ser distinguido pela capacidade de raciocínio, de solução lógica de problemas e de flexibilidades na busca de opções e de soluções. Atualmente, as teorias que utilizam pressupostos racionais são amplamente aplicadas no estudo de consumidores e nas empresas.

Foi a partir de estudos de grupos de consumidores que surgiram várias teorias sobre o comportamento no consumo. As teorias racionais consideram os afetos humanos secundários, os quais só controlariam pessoas com problemas. Assim a grande massa dos consumidores teria consciência de seu comportamento e a controlaria. Surgiu também a teoria econômica com a visão de que o consumo é ditado por escolhas racionais sobre as disponibilidades dos produtos e dos recursos necessários para obtê-los. Será mesmo assim que age todo consumidor nessa era mercantilista?

Já os criadores das teorias psicodinâmicas motivacionais, muito comentadas e utilizadas no marketing, fundamentam que o comportamento pode ser entendido no jogo das emoções e dos afetos que fluem nos sujeitos, deixando o racional em segundo plano. É infindável a quantidade de produtos anunciados como propiciadores de satisfação dos mais variados desejos, não objetivamente relacionados ao funcionamento ou utilidade lógica.

Para os motivacionais, o consumismo é largamente praticado por meros impulsos. Segundo o criador da Psicanálise, Sigmund Freud, as pessoas não conhecem seus verdadeiros desejos, pois muitos deles não são conscientes. Assim, o comportamento de consumo seria uma das formas de satisfação dos desejos inconscientes. Trata-se de um jogo unilateral, de mão única. E essa certamente é uma causa cujos efeitos poluem o planeta.

A tendência mundial mostra que o mais adequado é uma sincronia do consumo com a motivação, a necessidade, a renda, a avaliação e o desejo. É comprar com consciência e racionalidade para se tornar sustentável e contribuir para maior produção e uso ecologicamente corretos. Cada um deve pensar mais sobre o meio em que vive, sobre os outros que estão à volta de si, assim como nas próprias gerações futuras, tanto quanto em si mesmo.

Qualquer satélite a ser lançado só vai mapear o quanto o ser humano polui através das mais diversas atividades, sem princípios sustentáveis. Contudo, a mudança está aqui na Terra, na atitude de cada um como consumidor. O uso racional e o ressignificar desse uso podem ser a chave para a solução ambiental.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

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