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quinta-feira, 5 de março de 2009

VOCÊ QUESTIONA O QUE COMPRA?



Artigo de Jair Donato

Mais importante do que apenas preservar os recursos do planeta ou adotar alternativas para compensar a perda causada, é mudar o modo de pensar e a utilização desses recursos. O comportamento do consumidor é uma variável que transita entre a necessidade e a tendência. É o que determina o que gera serviços, produz ou comercializa. Na mudança do estilo de compra está a chave para mudar o jeito de quem fabrica e dispõe produtos e alimentos para consumo.

Especialistas observam que os consumidores brasileiros estão mais exigentes e tem feito com que os produtores adotem melhores práticas no campo, por exemplo, com a finalidade de tornar a cadeia de produção de alimentos mais sustentável. O comprador começa a questionar mais, isso é uma atitude saudável. Quando os produtos disponibilizados à base exploratória dos recursos naturais forem refugados pelo consumidor, as empresas mudarão, se quiserem permanecer no mercado. Investir em novas fontes de fabricação, na certificação, na rastreabilidade produtiva é um bom negócio para quem produz e presta serviços.

No entanto, na hora da compra o consumidor ainda precisa ser mais atento. Pois esse é um momento de filtragem das opções que precisam continuar dispostas nas gôndolas ou nos estoques. Tem muita gente que não percebe o quanto polui o meio ambiente pelas escolhas que faz, através do próprio consumo diário. Desde o uso da energia, o uso incorreto da água, a preferência pelo que põe à mesa, pelo que veste, assim como o meio de transporte que utiliza, o ar condicionado ou aparelhos eletrônicos que adquirem. O que mais polui, na verdade, são os velhos hábitos e a maneira por vezes exagerada de usar tudo sempre como as gerações antecessoras faziam.

O que é válido na hora de se portar como um consumidor ecologicamente correto, embora ainda não seja tão fácil, é analisar e optar pelo que causa menos impacto. Ao escolher frutas e verduras, por exemplo, é ético valorizar o que se produz na região. Mas, nem sempre o impacto causado ao meio ambiente de um produto produzido próximo é menos do que um transportado de longínquas regiões do País. São vários os itens a serem observados, como a forma de fertilização da terra, os agrotóxicos aplicados, a energia, a água, enfim, uma série de componentes que não estão embutidos no custo do produto. Saber a origem é importante.

A meta global de sustentabilidade das empresas, dos fabricantes e prestadores de serviços, pode ser controlada pela escolha consciente de quem consome. Recentemente, uma pesquisa britânica mostrou que a metade do crescimento recente das emissões de dióxido de carbono (CO²) da China e um terço do total da poluição do País advém da produção de produtos para exportação. Como também nos países desenvolvidos, a principal fonte de emissão do CO² é a geração de energia com uso de combustíveis fósseis.

Os números mostram ainda que a mudança no uso da terra e florestas foi responsável pela maior parcela das emissões de CO², percentual que chega a 75%, principalmente pelo fato da conversão de florestas para outros usos, em particular o agrícola. Toda a emissão de gases poluentes na atmosfera, que está engrossando assustadoramente a camada do efeito estufa, tem como finalidade o consumo, por vezes exagerado, sem consciência. Mudar isso é parte da solução.

Ainda sobre a China, o jornal americano The New York Times também publicou uma matéria sobre a gravidade da falta de água naquele País. O fato é que os locais destinados à produção agrícola estão secando e a demanda crescente por alimentos produzidos em outros países aumenta. O alto consumo permeia por várias escalas, dentre elas, a mais importante, que é a necessidade básica, principalmente em função do aumento populacional. No entanto, o mais grave é quando o consumo passa a ser por exagero, pela demasia em função do poder aquisitivo, do status e da falta de consciência sustentável.

Mesmo diante de grandes demandas, tudo começa pela escolha individual. O processo da compra é um ato político e o cidadão tem nas mãos o poder de decidir. É um momento de escolha que pode se tornar numa opção sustentável para a atual e as futuras gerações. Qualidade de vida começa mesmo é na atitude. O saudável é questionar e reavaliar tudo antes da compra. Afinal, a consciência tem um preço.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

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