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quinta-feira, 16 de abril de 2009

CAPRICHO VERDE


Artigo de Jair Donato
A violência diária é o que mais preocupa as pessoas no Brasil. A pobreza aparece em segundo lugar, só então seguida pela questão climática. Para os americanos, a preocupação sobre o clima aparece em quinto lugar, embora os EUA prevalecem há muito tempo na primeira, ora na segunda posição do ranking de poluição mundial. O que ganha maior atenção no País que mais emite gases na camada do efeito estufa, são as preocupações com a crise econômica e o terrorismo.

Esse foi o resultado de uma pesquisa feita no último semestre em 12 países, pelo HSBC, apresentada pela Climate Confidence Monitor. Segundo os dados, o México foi o único país em que a questão das alterações no clima apareceu como a mais preocupante de todas. Estudos como esse chamam a atenção porque se trata da atitude e da mudança do comportamento que o mundo espera de cada indivíduo, que ainda anda em passos lentos.

Em contrapartida, dados apresentados por órgãos sobre o clima, a exemplo da Organização Meteorológica Mundial, agência da ONU, mostram periodicamente que os níveis de gás carbônico estão cada vez mais altos em função da alta emissão de gases que ainda atingem patamares alarmantes. O aumento do efeito estufa provocará catástrofes na face da Terra, segundo os estudiosos climáticos, a começar pela economia e pela qualidade do ar, pelas infestações e dizimação de espécies. Desencadeará-se também em milhões de seres humanos e animais refugiados. O grave é que tudo isso discorre em muito pouco tempo. Os efeitos já são devastadores em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, seja na água, na terra ou no ar.

Para quem tem percepção e interesse na mudança, sabe que essa abordagem não faz parte de um melodrama. Todos devem encarar os fatos climáticos já ocorridos como um alerta mundial e não encarar estilos comportamentais novos, principalmente no ato do consumo e no uso dos recursos naturais, apenas como um modismo ou “capricho verde”. Mudanças climáticas é uma tendência no planeta e todos devem se atentar enquanto ainda é tempo, o mundo precisa de mais sensibilidade em relação a essa causa, mais senso ético e comprometimento com qualidade de vida na Terra, agora e nas gerações futuras.

Enquanto empresas continuarem a praticar “maquiagem verde” nas ações que desenvolvem visando ganhar a atenção do consumidor, num caminho unilateral, estarão investindo no próprio fim. O cliente passa a não ser mais fiel apenas a marca de um produto. Ele é orientado pelo relacionamento que determinada marca tem com o meio ambiente, desde a fabricação até a disponibilidade na gôndola. Nas relações de consumo, ainda há uma percepção global de que governos e organizações corporativas não estão fazendo o suficiente para combater o aquecimento global.

O ser humano é provido de necessidades, desde as básicas até as de realização pessoal, conforme definição de Maslow, que no pós-guerra criou a escala das necessidades humanas como fator motivacional, ainda utilizado atualmente no ambiente acadêmico para estudo das relações de consumo. O Marketing pela ótica consumista empreende incentivos que visam atender aos diversos e exóticos desejos do consumidor, sem ponderar os impactos na escala ambiental. Uma boa peça publicitária convence a qualquer um a consumir qualquer coisa, desde que não tenha consciência do que consome, nem se preocupa com a procedência do que vê. As empresas inteligentes desenvolvem em tempos de mudanças no clima, o “marketing verde”, que visam muito mais atender as necessidades do que os desejos, despojado de destruição ambiental e voltado para a preservação e a conservação da natureza. Isso é extremamente estratégico para qualquer organização.

Só propaganda e publicidade não promovem uma consciência ambientalmente correta tão eficaz quanto a reputação, o comportamento diário de quem produz ou disponibiliza. E reputação não se impregna somente com uma bela campanha publicitária. É uma construção do dia-a-dia, aos olhos do consumidor, através de ações sinceras e comprovadas.

É grande o número de empresas que destinam alta fatia de lucro para manipular a preferência do consumidor como se fosse ecologicamente correta. E por falta de informação, muitos ainda compram a idéia, o que dificilmente ocorre no consumo europeu atualmente. Contudo, essa realidade começa a ser diferente, em tempo.

Jair Donato – Jornalista em Cuiabá, Consultor – Life Coach, professor universitário - especialista em Gestão de Pessoas e Qualidade de Vida. E-mail:
jairdomnato@gmail.com

Um comentário:

Leandro A Doorneles disse...

Fico feliz em saber que existem pessoas como você, com carater, moral e conhecimentos extraordinarios. Alem e tudo semre dedicando seu tempo ao meio ambiente que vivemos...

Parabens, seu blog está Fantástico.